- Então, já voltou a poupa por aí?
- Já, já, esteve a cantar, um regalo durante uns dias seguidos. Cantava perto mas não sabíamos onde. Afinal estava a cantar em cima do nosso telhado. Tiro uma fotografia, não tiro porque a posso espantar. Fiquei sem prova fotográfica.
Depois, apareceu por aí o gato cinzento, o preto não sabemos o que é feito dele, não tem aparecido, e deixámos de ouvir a poupa.
Teria o safado do gato deitado a luva à nossa soprano alada? Entretanto, voltaram os dias de neblina e chuva, a poupa não gosta de cantar à chuva.
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Hoje, voltou o sol.
Ouves a poupa a cantar?
Ouço. E não está longe.
Talvez esteja em cima do nosso telhado. Não estava. Estava em cima do telhado do vizinho. E, daqui, sem perigo da assustar, saquei uma foto da soprano.
E está outra do outro lado, não no telhado vizinho mas no outro atrás.
Desisti da fotografia do tenor, com o zoom do telemóvel não se conseguem fotos aquela distância. Mas para quê a foto, se a foto não regista o canto e é o canto que encanta?









