Ulrich: “Não podia fazer parte da transição, não preenchia requisitos”
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Wednesday, February 08, 2017
Thursday, April 26, 2012
O ESTADO DA DESUNIÃO
A política de austeridade está a ser posta em causa por todo o lado menos pelos governos que a subscrevem.
Neste vídeo do Economist comentam-se os mais recentes acontecimentos que mergulham na crise com que a União Europeia se confronta depois da prescrição da política de austeridade aceite por quase todos os seus membros. Em França, François Hollande, se for o próximo presidente, promete não ratificar o tratado recentemente subscrito por 25 dos 27 membros da União, e exigir que o BCE possa financiar directamente os diferentes membros sem intermediação bancária; na Holanda o governo caiu e a assinatura do tratado está na razão imediata do divórcio entre os parceiros da coligação que governava o país. Na República Checa há movimentações sociais de contestação; em Espanha, o governo recentemente eleito não contem a dívida, nem a recessão, nem o desemprego; em França, a extrema-direita volta a atingir resultados expressivos de descontentamento por razões diversas, algumas certamente opostas, mas onde um lastro de xenofobia continua a sedimentar-se e a crescer.
No vídeo, alguns destes sintomas são enunciados mas não escalpelizados. Outros, como o momentum recessivo no Reino Unido, onde o Economist é nado e criado, não entram na agenda dos dois comentadores. Percebe-se: os britânicos continuam a olhar com distanciamento os problemas do continente como problemas dos outros.
Aliás, este distanciamento progride um pouco por toda a União onde as discussões monopolizadas pela crise não dão oportunidade para reflectir sobre o futuro, como se a crise possa ter outra solução que não seja fundamentalmente política.
Se François Hollande promete e ganha e Merkel discorda o que é que acontece?
O que é que acontece à União Europeia se cada qual, sacando das suas prerrogativas de soberania, se remeter para seu canto e amuar de vez? É possível solucionar a crise e recolocar a União Europeia nos carris depois de lhe ter caído uma crise desta dimensão em cima dos carris sem a cooperação de todos?
O Estado paga!, ordena o dr. Mário Soares, e a Merkel que vá bugiar.
A soberania é a última coisa a perder depois de estar totalmente perdida.
Tuesday, April 17, 2012
ESTADOS DESUNIDOS DA EUROPA
Perguntei hoje a um jovem grego em quem é que ele vai votar nas próximas eleições gregas, em Maio. Encolheu os ombros, muito desanimado, e disse que não fazia ideia, mas que também não era importante porque considera as eleições uma farsa, o que quer que seja que eles digam e prometam não fará qualquer diferença. (aqui)
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O Economist publicava anteontem este gráfico que correlaciona o nível de endividamento externo de alguns países (entre os quais, Portugal) e os juros das obrigações a 10 anos da dívida soberana desses países. Portugal destaca-se pela negativa.
Houve um tempo em que alguns dos que deviam entender alguma coisa de macroeconomia (entre eles, o governador do Banco de Portugal) venderam a ideia que, a partir do momento em que um país fazia parte de uma união monetária, o problema do endividamento externo simplesmente deixava de existir. Tal ideia bizarra foi música melodiosa para os banqueiros (que medem o sucesso pelos lucros, honorários e bónus que arrecadam) e para os políticos que mostram obra para caçar votos. Rejubilaram, entre outros, os construtores civis, pequenos, grandes e grandessíssimos, para o povo foi uma festa, uma bebedeira em grande, drogou-se a economia.
E, inevitavelmente, aconteceu a ressaca e a dependência. De quem? Pois, naturalmente, de quem, distraída ou propositadamente, vendeu a droga e, subitamente, reduziu o fornecimento e exige o pagamento do atrasadado com juros insuportáveis.
Pergunta-se: Mas como é que os EUA, onde a subprime colocou o sistema de patas para o ar já deu a volta e já progride razoavelmente enquanto a União Europeia continua atarantada às arrecuas? Creio que o gráfico é elucidativo: a dívida pública dos EUA é enorme mas é, em termos relativos, essencialmente interna. No caso da Alemanha os empréstimos do estado alemão a outros países ultrapassam os montantes de dívida pública alemã subscritos por estrangeiros.
A diferença é por mais evidente: O gráfico reporta a dívida soberana dos EUA ( e não dos 50 estados monetariamente unidos mas não soberanos) e as dívidas soberanas de estados europeus, soberanos, mas monetariamente desunidos. E esta é uma realidade que explica quase todo o resto. Uma realidade indomável mesmo com "regras de ouro" porque nenhuma outra regra pode substituir um princípio indispensável a uma união de facto: a união política. Com tudo o que isso implica, a começar pela perda de soberania de cada estado pela sua reunião no conjunto. Mas esta questão, que deveria ser a discussão mais generalizada, continua quase tabu. Um tabu que chega a ser ridículo quando se ouvem alguns nacionalistas serôdios, iracundos contra a perda de soberania e reclamantes contra a falta de liquidez agora que a ressaca ataca.
Repito-me: O futuro da União Europeia pressupõe uma união política consolidada numa federação de estados e num governo federal mínimo. Ou dissolver-se-á. Com todas as consequências dramáticas que essa dissolução arrastará.
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