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Sunday, June 13, 2021

ANEDOTA DO DIA - 3ª. PARTE

 

"O Ministério da Administração Interna (MAI) e o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) receberam, a 18 de Março, uma queixa dos três activistas russos cujos dados pessoais foram enviados pela Câmara de Lisboa à embaixada da Rússia. Mas, segundo revelou a RTP, ignoraram essas queixas. A queixa foi enviada igualmente para a Comissão Nacional de Protecção de Dados.

O MAI admitiu a existência do e-mail mas não revelou se tinha competências para actuar. Já o MNE disse que ainda não encontrou documento." - aqui

Friday, June 11, 2021

ANEDOTA DO DIA - 2ª. PARTE

"Embaixada da Rússia diz que não enviou dados de manifestantes a Moscovo. 
O embaixador da Rússia em Portugal, Mikhail Kamynin, afirmou que os dados dos manifestantes foram eliminados e que a partilha de informações “não é um caso único”. -  aqui
 
“Estes tipos de manifestações acontecem em todos os países e os organizadores e os participantes podem voltar a qualquer hora [à Rússia] porque a Rússia é um país aberto. Com a cidadania russa podes voltar e serás bem recebido”, acrescentou.

Thursday, September 24, 2020

UM ESPIÃO NA CASA BRANCA

Anteontem, o Público publicou um artigo - Serviços secretos desconfiaram que Trump era um agente russo - quase integralmente traduzido do Washington Post publicado há três dias - The unanswered question of our time: Is Trump an agent of Russia?

Na edição de ontem o Público colocava em destaque na primeira página CIA diz que Putin está “provavelmente a dirigir” campanha para prejudicar Joe Biden. Também neste caso, o artigo do Público é tradução de Secret CIA assessment: Putin ‘probably directing’ influence operation to denigrate Biden publicado anteontem no Washington Post. 

As suspeitas de ligações perigosas entre Trump e Putin não apareceram recentemente; praticamente desde a tomada de posse, e mesmo durante a campanha eleitoral, foram insistente notícia os interesses privados de Trump na Rússia; a eleição de 2016 que deu a Trump a vitória sobre Hillary Clinton terá sido manobrada por interferências de hackers russos ao serviço de Putin para beneficiar Trump.

Mas até hoje, e Trump foi ilibado num processo de impeachment pelos republicanos no Senado em que a suspeita de espionagem não integrava a acusação, as suspeitas circulam a partir de informações dos serviços secretos e Trump passa incólume por cima de tudo.

 

                                                     Mural em Vilnius - Lituânia (2017)

Acrescente-se que o artigo do Público Serviços secretos desconfiaram que Trump era um agente russo não traduziu o último parágrafo do artigo publicado no Washington Post.Transcrevo-o a seguir:

"There’s a classic story about an American agent of influence that predates the Cold War — and might presage the strange case of Donald Trump, if these questions about his relationship with Russia go dormant. Samuel Dickstein was a member of Congress from Manhattan, elected in 1922, and chairman of the House Immigration and Naturalization Committee in the 1930s. He walked into the Soviet Embassy in 1937 and offered the ambassador his services for $25,000 a year — three times his congressional salary. In exchange, he sold fake passports to Soviet spies. And he held headline-grabbing public hearings investigating Joseph Stalin’s enemies in the United States. Dickstein served 11 terms in Congress. His file lay locked up in the KGB archives for 60 years. Today, if you go down to Manhattan’s Lower East Side, to the intersection of Pitt and Grand streets, you’ll be standing in Samuel Dickstein Plaza. He got away wit"


Por este andar, daqui a umas dezenas de anos, Trump celebrado numa estátua em Washington DC erigida à medida dos seus interesses privados, continuará arrogante a desafiar as suspeitas da sua eventual traição aos interesses dos EUA.


Saturday, December 31, 2016

A QUEDA DE TRUMP COMEÇOU ONTEM

É um vaticínio e uma esperança.

Já depois de ter teclado o apontamento de ontem - O Golpe Contra o Ocidente - soube-se que Trump colocou no twitter uma mensagem de felicitações a Putin :
Great move on delay (by V. Putin) - I always knew he was very smart!

Não é novidade que o conluio entre Putin e Trump vai muito para além de uma admiração pessoal recíproca entre dois líderes suportados pela onda de nacionalismo que eles reacenderam com propósitos idênticos: Putin para se manter indefinidamente no Kremlin, Trump para ser eleito prometendo empregos a quem não vai interessar agarrá-los. Trump e alguns membros já conhecidos da sua administração têm interesses interligados com plutocratas russos que apoiam Putin, e essa, ou maioritariamente essa, é a razão fundamental que está por trás deste facto inédito e insólito de um presidente eleito colocar-se instantaneamente do lado daquele que é suspeito de ter atentado e, eventualmente, continuar a atentar contra os interesses dos EUA, por actividades denunciados pelo ainda presidente em exercício pleno de funções, suportado pelas informações recebidas dos serviços secretos norte-americanos. 

Reporta o Washington Post de hoje que "Russian operation hacked a Vermont utility, showing risk to U.S. electrical grid security, officials say", significando isto que foram detectados factos de que a guerra cibernética desencadeada a partir do Kremlin contra os EUA, e que, neste caso concreto, poderia (ou poderá?) abater, sem exclusão de quaisquer instituições, hospitais por exemplo, de um instante para o outro a rede de energia eléctrica, com o aplauso imediato de Trump ao comparsa, que o ajudou a chegar à Casa Branca, sem cuidar de averiguar as razões do presidente dos EUA em exercício.

Trump não foi eleito pela maioria dos norte-americanos. Porque o actual presidente deixa de exercer funções numa situação em que o desemprego é baixo, muitos dos que votaram em Trump - seduzidos pela oportunidade de emprego em actividades deslocalizadas para o oriente, com a China no centro do alvo - concluirão que, ou os salários serão desinteressantes, ou a qualidade do trabalho não se coadunará com as suas expectativas. E, em qualquer caso, o retorno de actividades de produção industrial, não vai, quando ocorrer, requerer a utilização intensiva de mão-de-obra.  
Trump também prometeu investir na renovação de estruturas desgastadas e construção de novas, e, neste caso sim, precisa de mão-de-obra.  Mas de onde virá essa mão-de obra se os latino-americanos são indesejados, e muitos serão expulsos, os árabes suspeitos, os europeus ocidentais pouco disponíveis, e os orientais amarelos ou castanhos demais para ameaçar a supremacia branca que Trump prometeu aos brancos e brancas que votaram nele?
Talvez da Rússia ...with love from Wall Street.


Correl . aqui

Trump faces the Congressional bear pit over Russia / Lawmakers from both parties likely to resist push for closer US ties with Moscow


Friday, December 30, 2016

O GOLPE CONTRA O OCIDENTE

À expulsão de 35 funcionários a Embaixada da Rússia em Washington DC - cf. aqui - em sequência de conclusões dos serviços norte-americanos de que houve interferência da espionagem russa nas eleições que favoreceram Trump, respondeu Putin que não expulsaria diplomatas norte-americanos em Moscovo preferindo esperar pela tomada de posse de Trump de hoje a três semanas. Percebe-se bastante bem a decisão do presidente russo.


Trump corresponderá a este desembaraço do ex-espião russo com um abraço que embaraçará as relações do novo presidente norte-americano com a CIA e o FBI. 
Presumo que a decisão de Obama, conhecida hoje mas já prevista há dias, irá dominar a reacção dos norte-americanos à política externa de Trump, declaradamente favorável à onda nacionalista e xenófoba que irá dominar a Europa e que pode abalar profundamente a União Europeia e a Zona Euro em particular.

Obama fez o que não poderia deixar de fazer. Com as profundas divergências, neste caso em matéria de política externa, entre a administração norte-americana que está de saída e a que entrará a 20 de Janeiro, à partida vence Putin. Falta-nos saber quem mais cavalgará a onda e engrossará o tsunami populista que arrasará a Europa Ocidental. Se, entretanto, Trump não for apeado por revelações públicas das razões que estiveram na origem das sanções à Rússia anunciadas hoje, tendo em conta a natureza e as consequências dessas relações.

Do que possa ocorrer, a única coisa que não irá dizer-se no futuro é que não aconteceu hoje nada de muito relevante. 

A teclar este apontamento impôs-se-me a pergunta:
Foi Philip Roth premonitório em "The Plot Against America? "
Iremos atravessar em 2017 tempos de grande perturbação a nível mundial, e muito em particular, nos EUA e na Europa. Entretanto Putin, para já, ainda não embarcou. Enquanto o nacionalismo russo desvalorizar a degradação económica do país, Putin tem o lugar garantido e regalar-se-á a ver, do seu resguardado ponto de observação, a desorientação das democracias ocidentais.  

Saturday, June 02, 2012

SECRETAS BADALADAS

Há dias o primeiro-ministro foi à AR reafirmar aos deputados a sua confiança total no chefe das secretas porque, disse, não tinha nenhumas razões para proceder em contrário. O secretário-geral dos Serviços de Informação da República fez o que devia fazer, garantiu Passos Coelho.

Hoje a primeira página do Expresso é dominada pela afirmação que destitui as convicções do chefe do governo a respeito do comportamento do chefe das secretas.

Alguém está a mentir: ou o Expresso, que denuncia a obstrução do secretário-geral das secretas à investigação da verdade, contrariando as informações que, a esse respeito, chegaram ao conhecimento de Passos Coelho, ou o chefe das secretas que iludiu o chefe do governo acerca da sua intervenção no caso, ou Passos Coelho que, por razões inconcebíveis, pretende manter a todo o custo o secretário-geral das secretas no cargo. A intenção do chefe do governo esclarecer o imbróglio das secretas e o envolvimento do seu ministro-adjunto vai sair-lhe pela culatra se urgentemente não for provado que o Expresso está  mentir.

Pode lamentar-se que, recorrentemente, a justiça popular, frequentemente incitada pelos jornalistas, se sobreponha ao apuramento da verdade em sede própria. Pode lamentar-se que as fugas de informação não poucas vezes acabem por beneficiar os infractores. Pode lamentar-se que o segredo de justiça seja violado por aqueles a quem compete guardá-lo. Mas não pode o chefe do governo garantir que quem mentir deve sair, e não sair ninguém. Porque, mais tarde ou mais cedo, a força das badaladas acabará por se impor à ronha das secretas.

Há treze anos, Guterres nomeou Veiga Simão para Ministro da Defesa em Novembro de 1997 e, em 28 de Maio de 1999, "O Independente" publicava a lista dos espiões (com os nomes riscados) ao serviço do recém-criado Serviço de Informações Estratégicas de Defesa e Militares, enviada à comissão parlamentar de defesa (22 deputados), integrando um relatório, que não tinha sido pedido, sobre operações efectuadas pelo SIEDM, especificando, além da identidade, os estudos, o cargo e o país de colocação de todos os funcionários dos serviços secretos. Alguém tinha feito escorregar ridiculamente o ministro. O escândalo ridicularizou os serviços secretos militares portugueses junto dos membros da NATO.   
Veiga Simão demitiu-se nesse mesmo dia, acusando, três anos mais tarde, Guterres de "postura imoral" por permitir "calúnias e vexames a um seu colaborador". 

São situações diferentes, pois são. Mas detrás de ambas é o sentido de estado dos protagonistas que está posto em causa. Se alguém está a mentir deve ser demitido, disse Passos Coelho. Proceda então como promete.