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Tuesday, October 28, 2014

BIG BANG NO VATICANO

“Quando lemos sobre a criação na Biblia corremos o risco de imaginar que Deus era um mágico com uma varinha de condão e capaz de fazer tudo. Mas isso não é verdade”, afirmou ontem o Papa Francisco na Academia Pontifícia das Ciências, admitindo que "as teorias científicas da evolução e do Big Bang estão correctas e que não são incompatíveis com a existência de Deus". O impacto destas palavras do Papa no seio da Igreja é incalculável mas é inevitável que com elas se derrubam muitas posições dogmáticas.
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Recorde-se que, pela primeira vez na história da Igreja Católica, e provavelmente das de todos os credos religiosos, a comunidade científica é, por razões das exigências dos métodos em que se suporta, menos complacente na admissão da prova de uma teoria científica que uma comunidade religiosa. Por enquanto a Academia Real das Ciências da Suécia continua a aguardar essa prova necessária para atribuição do Premio Nobel* da Física à teoria que o Papa Francisco ontem já consagrou.
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*"Cientistas do Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics (EUA) conseguiram detetar pela primeira vez ondas gravitacionais, o que constitui a primeira prova observacional da existência do Big Bang, o evento que deu origem ao Universo há quase 14 mil milhões de anos.

Os astrofísicos dizem que encontraram o sinal deixado pela expansão muito rápida do espaço logo a seguir ao Big Bang, fenómeno conhecido por inflação. Logo a seguir ao Big Bang significa uma fração de tempo de um bilionésimo de segundo (um segundo a dividir por um bilião).

"Detetar este sinal é hoje um dos mais importantes objetivos da cosmologia e há muita gente a trabalhar nesta área", afirma à BBC o investigador John Kovac, do Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics, que lidera a equipa que fez a descoberta.

A BBC admite que, se esta descoberta for replicada por outras equipas de cientistas, estará garantido um Prémio Nobel para esta área de investigação".vd. aqui

Thursday, January 16, 2014

OLHOS DE EVERGLADES

Tão diferentes, e tão iguais aos olhos humanos.

clicar para ampliar




Friday, October 02, 2009

O BERÇO DO HOMEM


Ardipithecus Ramidus, a Ardi para os amigos, é, enquanto não se descobrir a avó dela, a nossa avó mais velha. Dizem os cientistas que viveu há 4,4 milhões de anos, na região de Afar, Etiópia, a mesma região onde em 1974 tinha sido encontrada a Lucy, até agora considerada o mais antigo antepassado da espeécie humana.

Para além do mais que esta descoberta acrescenta ao conhecimento da evolução do bicho homem, ela confirma que foi no continente africano que a casualidade encontrou o berço para a gestação da humanidade. Em África, um berço à deriva.
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Para quem continua a querer acreditar no primeiro casal com cabelos louros e olhos azuis estas pistas científicas são engulhos ingeríveis. Mas o que é perturbante é que, á medida que se consolida científicamente a teoria da evolução, há cada vez mais gente supostamente esclarecida a negar as evidências.
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Haverá sempre gente capaz de pintar os pais à medida das suas ambições.
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Early view. An artist's rendition of Ardipithecus ramidus. See full slideshow.

Friday, January 16, 2009

CRISE E CORRUPÇÃO - 2

Ainda a propósito da decisão do governo de subir até 5 milhões de euros o valor das compras não sujeitas a concurso público (eventualmente fraccionáveis, podem subir a 10, 15, 20 milhões ou mais, dependendo da habilidade utilizada na engenharia do negócio) LA-C escreveu para o Público um artigo muito curioso que merece bem uma leitura atenta.

"O Governo pretende elevar o valor dos contratos públicos não sujeitos a concurso público de 150 mil euros para 5,1 milhões de euros. O único escrutínio a que estes contratos estão sujeitos é a sua publicitação. Infelizmente, o "site" onde estes contratos são publicados apresenta a informação de forma bastante obscura. Felizmente, dois colegas meus, o Fernando Alexandre e o Miguel Portela, organizaram os dados disponíveis para os últimos cinco meses de 2008. Percorrendo essa base de dados, descobrem-se coisas curiosas, que só se compreendem à laia de erros tipográficos. Por exemplo, que uma câmara municipal encomendou uma fotocopiadora por 6,5 milhões de euros. É certo que a fotocopiadora é multifunções, mas mesmo assim parece um preço exagerado. Descobre-se também que, apesar do limite legal de 150 mil euros, as excepções são tantas que o total do valor dos contratos acima dessa norma legal é de mais de 300 milhões enquanto o valor total dos contratos que respeitam o limite é de apenas 220 milhões. A base de dados pode ser consultada em www.eeg.uminho.pt/economia/mangelo/ajustedirecto. 2. Este é o ano de Darwin. Festejam-se 200 anos do seu nascimento e 150 anos do seu mais celebrado livro, "A Origem das Espécies". Ainda hoje, muitos credos religiosos convivem mal com a Teoria da Evolução de Darwin. É natural que assim seja, com a evolução de Darwin concebemos a origem e a evolução das espécies sem necessitarmos de Deus, ao mesmo tempo que se refuta a ideia bíblica da criação simultânea das diferentes espécies.

Saturday, June 16, 2007

PERPLEXIDADES


Abriu o "Museu da Criação", em Kentucky, USA, uma aberração anunciada há já algum tempo.
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O assunto, a que se refere um "post" em De Rerum Natura , para lá das incidências folclóricas que estas extravagâncias suscitam, é importante pelo impacto que tem na formação da opinião pública. Sabe-se que uma parte importante da população norte-americana acredita na "teoria da criação" e apenas uma minoria tem alguma percepção da "teoria da evolução". Não sabemos que parte da população portuguesa tem alguma ideia acerca do evolucionismo mas não arriscamos muito se dissermos que será certamente muito inferior à norte-americana. Os dinossauros tornaram-se os personagens mais populares entre a pequenada mas é uma vaga que não tem induzido quaisquer contradições no imaginário popular entre o tempo em que os (hoje) simpáticos gigantes habitaram a terra e os tempos bíblicos da criação do mundo. Mais milhões menos milhões de anos não afligem quem se dá mal com a contagem dos zeros à direita e bebeu da fé em pequenino.
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Ridicularizar o "Museu da Criação" só tem eco junto daqueles que têm algum entendimento da evolução do Universo, segundo a Ciência. Quanto aos demais, não percebem a anedota.
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O que não deixa de ser perturbante é que, se o confronto se desse entre museus e "museus", os primeiros ganhariam por margem esmagadora. Este "museu" do Kentucky não tem dimensão visível se comparado com os milhares de museus de história natural em todo o mundo. O número de visitantes diários do Museu de História Natural, em Washington, por exemplo, é impressionante.
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A razão desta contradição tem de procurar-se fora dos museus e deste "museu": O "museu" do Kentucky é, na realidade, a Bíblia contada, literalmente, de forma ilustrada a três dimensões e com meios audiovisuais. Se a questão preocupa (e deve preocupar) os cientistas ela deve dirimir-se no confronto entre a ciência e a fé.
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Esse confronto, contudo, foi até gora adiado por razões politicamente correctas.

Saturday, November 12, 2005

O FIM DAS ESPÉCIES

"Manuais escolares do estado do Kansas vão poder por em causa a teoria da evolução" - Público.

Há uns anos atrás, não teria acreditado, se me tivessem dito que estas seriam notícias de 10 de Novembro de 2005. Teria pensado em ficção de má qualidade, em devaneios irrealistas sobre a decadência ocidental, em cenários desviantes, marginais, em baterias mal apontadas... (AF)

Um Portugal que não se vê todos os dias atravessa neste momento Lisboa

Fora de Fátima, claro. Mas Fátima é um ecossistema. (JPP)
Abrupto


A forma desinformada como muitas vezes se retrata a sociedade norte-americana leva a uma generalizada convicção na Europa que os norte-americanos são geralmente pouco esclarecidos

Vem isto a propósito das notícias que, de vez em quando, aparecem na nossa Imprensa e que, propositadamente ou não, sublinham alguns aspectos aparentemente ininteligíveis do comportamento da sociedade norte-americana. Um dos mais batidos é a questão à volta do evolucionismo versus criacionismo.

Não pretendo divagar sobre o assunto que, aliás, não é susceptível de discussão científica, mas apenas referir o seguinte:

1 – Cerca de 50% dos norte-americanos está consciente que a espécie humana é resultado de um processo de evolução natural, tendo os desenvolvimentos científicos mais recentes concluído que existe uma similaridade genética da ordem dos 98,4% entre humanos e chimpanzés. O próprio Darwin, certamente, se espantaria com tão elevado grau de proximidade.

2 – Darwin, contudo, ficaria não menos espantado se soubesse que, passados 146 anos sobre a publicação da “Origem das Espécies”, cerca de 50% dos norte-americanos e uma percentagem idêntica de europeus ainda, intransigentemente, rejeita a sua teoria. Em Portugal, quantos? Não sabemos, mas a avaliar pelo que se vê à nossa volta, o número é seguramente muito superior.

3 – A principal razão pela qual o assunto é objecto de discussão, tão badalada, nos Estados Unidos decorre do facto da política tradicional de decisão dos conteúdos de ensino serem votados ao nível dos “town councils” e dos “local school boards”, encorajando uma larga variedade de opiniões que, naturalmente, tendem a competir entre si no sentido de ganhar influência e poder de decisão. Esta descentralização extrema não se faz sentir apenas ao nível do ensino e decorre do modo com os Estados Unidos se formaram.

4 – Tendo sido rejeitadas pelo Supremo Tribunal de Justiça diversas tentativas de validar o Criacionismo como Ciência, os adeptos do Criacionismo (e existem diversos ramos com diferentes perspectivas e diferentes nomes) evoluíram para uma plataforma que consiste grosso modo em afirmarem-se utilizando como contra-argumentos alguns aspectos científicos da teoria que ainda se encontram por confirmar.

5 – Em resumo: O criacionismo não é ensinado nas escolas norte americanas como ciência (por não ser legalmente consentido, enquanto tal) mas em algumas escolas de alguns Estados, o criacionismo é indicado como uma proposta que tem os seus defensores.

Não penso que venha grande mal ao mundo por isso.

Uma vantagem da controvérsia pode e está, aliás, a promover o avanço da confirmação da teoria da evolução natural.

E por cá? Quantos é que se preocupam com isto?

E já agora: Quantos se preocupam com o fim das espécies?