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Saturday, January 24, 2015

SABES PARA ONDE VAI O DINHEIRO QUE AÍ VEM?


"Não sabes? Mas sabes que sempre que entra dinheiro cá no sítio há logo uns quantos tipos que começam a ver qual a maneira de o apanharem e embolsarem. Repara: os bancos estão encalacrados com dívidas de empreiteiros a quem eles emprestaram mas não receberam porque os apartamentos, as moradias, os escritórios, e tutti quanti ficaram por vender quando estoirou a crise. Aquele apartotel na marginal está quase todo pendurado, um dia destes com o QE fica todo vendido. Desde que haja financiamento garantido, fica garantida a venda.
Agora já estás a ver o filme, não estás? 

A Caixa Geral de Depósitos já está a financiar o crédito à habitação a cem por cento, logo que haja liquidez do QE vai ser uma alegria para a banca. Enquanto houver activos imobiliários atascados nos balanços dos bancos o QE vai correr para lá. 
Não tem muito que saber, pois não? É sempre a mesma história."

Friday, January 23, 2015

O QUE É QUE OS BANCOS VÃO FAZER COM O QE

Falou-se dos possíveis benefícios para a economia portuguesa resultantes da política anunciada ontem por Draghi de compra de dívida pública pelo BCE (até 20% do total adquirido em cada estado membro da zona euro) e pelos bancos centrais (até 80%). E também naquele reduzido grupo de gente minimamente informada sobre estes assuntos foram evidentes diferentes pontos de vista que, no entanto, conduzem no essencial a  duas hipóteses:

Ou os bancos encontram colocação para a liquidez libertada com a venda de parte ou da totalidade da dívida pública que detêm, ou não. Se a anemia económica é de tal modo elevada que não suscita vantagens na troca de activos (dívida pública por dívida privada) considerando os níveis de risco, as taxas de juro e as maturidades das obrigações de dívida pública vis-a-vis os riscos, as taxas e os vencimentos dos empréstimos às empresas e às famílias, a bomba ficou ferrada mas o fluxo não se inicia. 

Evidentemente, a equação é  muito mais complexa porque, por exemplo, os bancos, incluindo a Caixa Geral de Depósitos que tem por instinto seguir o rebanho, poderão continuar a preferir financiar, como sempre têm feito, as grandes empresas, sobretudo os monopólios de facto, em áreas de negócios de bens ou serviços não transaccionáveis, preterindo os sectores transaccionáveis onde o risco é geralmente mais elevado. Neste caso, vendem dívida pública e reforçam as suas posições nos sectores privados de baixo risco ou, mais grave ainda, no financiamento de aplicações especulativas.

Em conclusão : O QE ajuda?
Ajuda, mas só QE não chega.