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Friday, August 04, 2023

HABEMUS PAPAM PRO PLANETA

Há dias transcrevi aqui, neste caderno de apontamentos, parte de um comentário de colunista habitual no Washington Post no último dia de julho sobre a afirmação recente do Secretário-Geral das Nações Unidas:  "... terminou a era do aquecimento global, ... chegou a era da ebulição global ..."  - “The era of global warming has ended,” Guterres declared in a news briefing at the United Nations’ headquarters in New York on Thursday. “The era of global boiling has arrived.”.

Só o A P C contraditou,  chamando em defesa das suas posições conhecidas sobre o assunto um artigo de Henrique Gomes  - Histeria climática ou competitividade e adaptação? Obrigado António.

Supondo conhecer a substância das declarações do Papa Francisco sobre alterações climáticas, deu-me hoje a minha propensão de colecionador ocasionalmente holístico para procurar na net declarações, preocupações, de Francisco sobre o tema.

António,

Penso que conheço em ti a firme devoção à Igreja Católica e a tua admiração pelo Papa Francisco. Não há, dúvida minha, uma evidente dessintonia de perspectivas sobre as causas e a situação do planeta em consequência das  alterações climáticas segundo Guterres, um católico praticante, segundo julgo saber,  o Papa Francisco e as tuas?
Ou, "enfim, cada um o que quer aprova"?...

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O Papa aos jovens: sejam mestres que defendam a vida do planeta

" Também este idoso que vos fala sonha que a vossa geração se torne uma geração de mestres: mestres de humanidade, mestres de compaixão, mestres de novas oportunidades para o planeta e seus habitantes, mestres de esperança. Mestres que defendam a vida do planeta, ameaçada neste momento por uma grave destruição ecológica.” - VATICAN NEWS

JMJ 2023 - Primeiro discurso do Papa Francisco em Portugal 

" ... As grandes questões hoje, como sabemos, são globais e já muitas vezes tivemos de fazer experiência da ineficácia da nossa resposta às mesmas, precisamente porque o mundo, diante de problemas comuns, se mantém dividido ou pelo menos não suficientemente unido, incapaz de enfrentar juntos aquilo que nos põe em crise a todos. Parece que as injustiças planetárias, as guerras, as crises climáticas e migratórias correm mais rapidamente do que a capacidade e, muitas vezes, a vontade de enfrentar em conjunto tais desafios..."

As referências ao ambiente nos discursos do Papa Francisco na JMJ Lisboa 2023 - aqui

" ... Na primeira vez que o Papa Francisco discursou em Lisboa, no contexto da JMJ, a ecologia voltou a não passar despercebida. “O Oceano lembra-nos que a existência humana é chamada a viver da harmonia com um ambiente maior que nós; este deve ser guardado com cuidado, tendo em conta as gerações mais novas”, transmitiu o Santo Padre, no Centro Cultural de Belém (CCB) no encontro com o Presidente da República, as Autoridades, a sociedade civil e o corpo diplomático no primeiro dia de visita a Portugal. 

 

Tuesday, April 26, 2022

O QUE PODE FAZER GUTERRES?

O Secretário-Geral da ONU, António Guterres está hoje em Moscovo para falar com Putin.
O que pode fazer Guterres para alcançar um acordo de paz entre a Rússia e a Ucrânia?
Pode o que pode e, convenhamos, Guterres enquanto Secretário-Geral da ONU, pode muito pouco, tão pouco que será nada.
Putin não desistirá do arrasamento em curso na Ucrânia, e se vir que, para atingir os seus objectivos (que só ele sabe quais são) precisar de recorrer a todo o potencial destruidor ao seu alcance, ele o disse, não hesitará.
Putin continua a exibir o seu potencial nuclear e o seu ministro dos Negócios Estrangeiros, Sergei Lavrov, alertou ontem, segunda-feira, para o perigo “real” da Terceira Guerra Mundial.
 
Se há um campo em que Putin tem assumido posições muito claras é na insistência em exibições do seu potencial bélico e, muito particularmente, do seu poder de destruição nuclear.
O que pode fazer o mundo que o ouve e entende o que ele diz, perante a perspectiva de um arrasamento global que elimine a espécie humana?
Submeter-se ao diktat de um Super Terrorista? 
 
Não acredito que Putin recorra ao poder nuclear para atingir o que pretende, ouço dizer.
Putin "ordenou no dia 27 de fevereiro (cinco dias depois de iniciar a invasão da Ucrânia) ao ministro da Defesa e ao chefe de Estado-Maior que ponham a força nuclear dissuasora do exército russo em alerta especial de combate", numa reunião televisiva com os seus chefes militares, citada pela agência AFP. Voltou depois a repetir o alerta, e o seu ministro Lavrov viria explicar que dissuasão não significava que não fossem os russos os primeiros a disparar.

Admitamos que Putin não recorrerá ao poder nuclear que detém mesmo que se encontre em situação de reconhecimento de não concretização dos seu objectivos bélicos.
Mas enquanto o potencial nuclear global não for totalmente desmantelado, mais dia menos dia, mais mês menos mês, mais ano, menos ano, um Super Terrorista qualquer limpará a espécie humana do planeta. 

E eu, repito o que aqui tenho escrito sobre este assunto: o mundo adulto e consciente do perigo nuclear tem obrigação de informar a juventude de todo o mundo deste perigo que impende sobretudo sobre ela. 
Porque só uma mobilização global da juventude pelo total desmantelamento nuclear pode obrigar o poder dos senhores que governam o mundo a desarmarem o maior perigo que ameaça a espécie humana. Não é o único, pois não, mas é certamente o mais iminente. 

António Guterres podia, e deveria, penso eu, esclarecer a juventude que o potencial atómico bélico global tem dimensão mais que suficiente para destruir a vida na Terra.
Não é prudente atormentar a juventude com esta hipótese real?
Penso que é criminoso que a população adulta consciente não o faça.

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Há seis dias ...

 
 
Ontem, o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Lavrov, alertou esta segunda-feira para o perigo “real” da Terceira Guerra Mundial ... diz estar confiante de que “tudo terminará, naturalmente, com a assinatura de um acordo”, mas “os parâmetros desse acordo serão definidos pelo estado em que a conflito estiver no momento em que o acordo se tornar realidade”. - aqui
 
Subentende-se que, para Lavrov, tudo terminará e o acordo será assinado quando a Rússia considerar ter arrasado o que, para já, quer arrasar na Ucrânia. 
 
Hoje, o secretário-geral da ONU, António Guterres, é recebido pelo Presidente russo, Vladimir Putin, de pois de  um encontro com chefe da diplomacia russa, Sergei Lavrov, no contexto da ofensiva russa em curso na Ucrânia. Após a visita a Moscovo, Guterres irá ser recebido a 28 de Abril em Kiev pelo chefe de Estado ucraniano, Volodimir Zelenski - aqui  

 
Prudentemente, Guterres não confia na descontaminação do ar respirável no Kremlin ...

Wednesday, September 20, 2017

HÁ CÃES QUE LADRAM E MORDEM


Mr. Trump discursou ontem pela primeira vez na Assembleia Geral da ONU.
E voltou a atirar ameaças em vários sentidos: Coreia do Norte, Venezuela, Cuba, Irão, acusando, de passagem, Obama de um mau negócio, mas foi o monarca ditador da Coreia do Norte (Trump alcunhou-o de Rocket Man) o principal alvo da sua incontinência verbal: "A prioridade da política externa da América é, se for necessário, a destruição da Coreia do Norte", o mesmo é dizer, um ataque nuclear que eliminará 25 milhões de pessoas. 
Ouvindo isto, os representantes da Coreia do Sul e o Japão - cf. aqui - "mostraram-se nervosos e surpreendidos". E não é caso para menos. Ainda hoje, amanhã, ou daqui a uns dias, o "Rocket Man" responderá a Trump no mesmo registo e lançará mais um rocket que, eventualmente, propositadamente ou por engano*, pode cair onde Mr. Trump espera que caia para carregar no botão que "destruirá a Coreia do Norte".

Só por inconsciência do potencial das ameaças dos stocks crescentes e crescentemente dispersos do arsenal nuclear se pode pensar que, se esse potencial não for eliminado, um dia, Trump e Kim Jong-un, ou outra parelha semelhante, não eliminarão a espécie humana. 

Ao lado de Trump, o Secretário-Geral António Guterres disse o que Trump queria ouvir - aumentar a eficácia da ONU, reduzindo-lhe os custos - e o que não queria: a ameaça nuclear (desde a Guerra Fria que as ansiedades globais não são tão elevadas), o terrorismo (as ameaças de mão pesada são contraproducentes), as alterações climáticas, a desigualdade e globalização injusta, a dark web (o lado negro da inovação e da tecnologia) as migrações e os refugiados. 

Trump esteve ao nível a que habituou o mundo. Abaixo seria impossível.


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Correl . 

"Ex-tenente-coronel Petrov tinha tudo para começar um ataque nuclear da União Soviética contra os Estados Unidos. O ex-soldado soviético responsável por ter impedido que o mundo entrasse numa guerra nuclear em 1983, durante a Guerra Fria, morreu aos 77 anos. Stanislav Petrov morreu em Moscovo a 19 de maio, mas apenas agora a sua morte foi anunciada. Petrov estava destacado no posto de comando soviético Serpukhov 15 a 26 de setembro de 1983 quando os monitores e painéis mostraram que os Estados Unidos acabavam de realizar um lançamento de mísseis. Na altura o tenente-coronel com 44 anos tomou a decisão de ignorar o alerta do sistema, que acabou por revelar-se um erro dos computadores. O ex-militar tinha todos os motivos para alertar os superiores sobre o ataque, o que faria com que a União Soviética retaliasse, lançando também mísseis. Isto poderia ter sido o início de uma guerra nuclear."aqui


Wednesday, December 14, 2016

OBRAR E ANDAR EM LISBOA

"Leilani Farha é Relatora Especial da Organização das Nações Unidas (ONU) e esteve em Portugal com a missão de avaliar o impacto das medidas de austeridade nas populações vulneráveis. Foi às “ilhas” do Porto, ao bairro 6 de Maio (Amadora) ou ao bairro da Torre (Loures) “onde não há luz há dois meses” e onde “a comunidade cigana também não tem água”, conta. “Vivem no escuro. E estava tão escuro. Vivem com lixo ao lado. São condições muito, muito duras”, confessa a também directora-executiva da ONG Canada without Poverty." - aqui

Não houve, seguramente, intenção irónica na quase coincidência da publicação, ontem, da entrevista do Público a Leilani Farha - "Relatora da ONU sobre habitação em Portugal: “Algumas das condições que vi são deploráveis” - e a notícia que correu mundo no mesmo dia do juramento de António Guterres como Secretário-Geral das Nações Unidas a partir de do próximo 1 de Janeiro. Nem a exposição de uma vergonha empalidece minimamente o esplendor da outra. Mas o contraste evidencia-se.

Lisboa está há largos meses enredada em obras que, pelos vistos, muitos aplaudem, a maioria resigna-se e outros, entre os quais me incluo, considera, na sua maior parte uma campanha para sustentar uma política de fachada. Reduziram faixas de rodagem no eixo central da cidade para encaixar canteiros de relva ou heras que a secura do verão e as limitações do orçamento acabarão por impor o que impõem a outros espaços mal mantidos e, não raramente, mal limpos. É a política nacional de obrar de andar. Mas obrar onde obrar enche o olho porque as mazelas nas zonas marginais varre-as a vereação, esta e as outras, para debaixo da câmara.

Estamos a cerca de um ano das próximas eleições municipais e a eleição do actual presidente parece tacitamente aceite pelos partidos da oposição, um porque ainda não tem candidato, outro porque, sem coligação a candidata concorre para o concurso dos outdoors. 

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Do Teatro Aberto, uma obra construída pela C M Lisboa, acabo de receber uma informação que revolta quem gosta das artes do teatro. Transcrevo:

"Informamos os nossos espectadores que a zona de estacionamento 023, onde está o edifício do Teatro Aberto, mudou de horário e tarifário passando a zona vermelha paga até às 01 h do dia seguinte. Estamos a trabalhar para reverter esta decisão que sabemos de grande transtorno para os nossos espectadores. Contudo, não podíamos deixar de chamar a atenção para esta alteração inesperada que esperamos ver anulada com a maior brevidade"

São poucos os portugueses que gostam de teatro. É lamentável, mas é verdade.
São poucos os votos.
Serão tão aliciantes as receitas que a Câmara espera cobrar naquela reduzida zona vermelha? 

BOA SORTE!



Anteontem, o juramento de António Guterres como Secretário-Geral das Nações Unidas nomeado para exercer funções a partir do próximo dia 1 de Janeiro, foi notícia destacada nos principais media de todo o mundo. Tratando-se, embora, de uma enorme vitória pessoal, foi comungada com regozijo por todos os portugueses e, certamente, muito especialmente pelas comunidades portuguesas emigrantes. Que a sorte de poder atingir os objectivos que anunciou no seu discurso nunca o abandone e não o atinjam os intentos daqueles que o irão torpedear.  

Dele, disseram que o vêm como o Papa Civil e o cognome parece pertinente: a instituição é extremamente complexa e o poder de a colocar ao exclusivo serviço da paz é ínfimo perante as posições inabaláveis de uma parte determinante dos seus membros.  

Friday, October 14, 2016

O HOMEM CERTO PARA UM TRABALHO QUASE IMPOSSÍVEL


"António Guterres is the right man for an almost impossible job" - The Economist

SIX months ago the cognoscenti of Turtle Bay, the UN’s location on the east side of Manhattan, were pretty sure that the next head of the nearest thing to a world government would—for the first time on two counts—be an east European and a woman, quite likely the one who runs UNESCO, the UN’s education and culture agency. Instead, it will be a 67-year-old man, who was a social-democratic prime minister of Portugal from 1995 to 2002 and then head of the UN’s refugee body for a decade from 2005. A second Bulgarian candidate, also a woman, but with a rosier reputation as a punchy ex-dissident than her ex-communist compatriot, caused a momentary frisson of gamblers’ excitement by throwing her fur cap into the ring at the last minute. But she was too late and too controversial. António Guterres, who will succeed Ban Ki-moon at the year’s end, has been welcomed across the global board.
The final decision, as ever, depended on the White House and the Kremlin agreeing not to block each other’s favourite (or most unobjectionable) candidate. The surprise was that Mr Guterres so swiftly won the acquiescence of both superpowers, even though relations between the two are probably at their grumpiest since the end of the cold war. It has been surmised that Mr Guterres, as part of a back-room bargain, will appoint a Slav, indeed maybe a Bulgarian, as his deputy.


His victory was partly thanks to the novel, relative openness of the competition. In the past the choice had been made entirely behind closed doors, with no candidates openly declaring themselves. This time, starting in April, a series of public hearings before the UN General Assembly was followed by a string of straw polls among the 15 countries represented in the UN Security Council, each one anonymously suggesting which of the candidates should be “encouraged” or “discouraged”, or neither. But in the sixth and final straw poll, the five permanent members of the council (America, Britain, China, France and Russia), each having the power to block any candidate, were to cast coloured ballots, signifying their veto-wielding status. Mr Guterres had easily topped each of the first five polls. In the final poll he again far outshone his opponents, with no country casting a negative ballot, which meant that the superpowers had all agreed to embrace him.
Various candidates had been thought to have a chance, backed by a superpower sponsor. But none seemed to match Mr Guterres’s qualities. He won respect as prime minister of a notable if currently beleaguered country and as an adroit international operator; as head of one of the UN’s most essential bodies, he understands the inner workings of the vast and cumbersome UN bureaucracy. He is multilingual and articulate. Moreover, he is universally considered decent and able, pragmatic and principled, affable but steely. He knows how to communicate to the world and knock powerful heads together.

Mr Guterres “will take charge of an organisation close to political bankruptcy,” says Richard Gowan, a UN expert at New York’s Columbia University. The Syrian catastrophe, he says, marks “the worst institutional crisis the Security Council has seen since the Iraq war”. Yet the secretary-general is a cajoler and fixer, not a global boss. He is “not a politician with an election victory under [his] belt but a civil servant with 193 stroppy masters”, says Lord (Mark) Malloch-Brown, a Briton who was once the UN’s deputy head. The secretary-general is also an accountant, overseeing a budget for an array of UN bodies that often compete more than they co-operate.

Mr Guterres must fortify the UN’s three main pillars: economic development (especially for the poor); human rights; and making and keeping the peace. This last is the biggest and trickiest: witness Syria. However feeble the UN can seem, it is still the global body with by far the widest reach and heaviest weight. With 100,000-plus blue-helmeted soldiers and police on a score of missions across the world, it has easily the biggest capacity as a neutral arbiter for stopping death and destruction. Preventing wars before they happen will inevitably be Mr Guterres’s intention. More often he will have to pick up the pieces after disaster has struck.

His first task will be to recapture the UN’s primacy in world security—devilishly hard when America and Russia are at loggerheads. The crises in Yemen, Libya and South Sudan, as well as in Syria, need his urgent attention. He will have no time to catch his breath.

Wednesday, October 05, 2016

A ONU EM BOAS MÃOS

É o parecer do Economist na sua edição online de hoje.





 


A safe pair of hands

AFTER he extended his lead against nine other candidates in a sixth straw poll among the 15 members of the UN Security Council, António Guterres, aged 67, a former prime minister of Portugal (1995-2002) and ex-head of the UN’s refugee agency (2005-15), looks set to be the next secretary-general of the UN. He received no negative votes in the poll, meaning that none of the five veto-wielding permanent members, critically including Russia, was minded to block him. A formal vote in the Security Council is expected to endorse the appointment tomorrow. 
A relatively open process, which began with public hearings before the UN General Assembly in April, was initially expected to put an eastern European woman in the post for the first time. But none of the candidates with those credentials was deemed to cut the mustard. The very late entry of a second Bulgarian contender, Kristalina Georgieva, a vice-president of the European Commission, was said by some to offer serious competition to Mr Guterres. But her candidacy proved too contentious within the Security Council, as eight countries cast negative ballots, leaving the Portuguese claimant far in the lead. A previous Bulgarian contender, Irina Bokova, the head of UNESCO, the UN’s education and culture agency, was an early favourite, but her candidacy failed to take off.
The secretary-general has three broad tasks: to encourage a multiplicity of agencies to help poor countries grow less so; to uphold human rights across the world; and to prevent war and pick up the pieces after violence has broken out. His job was described by a previous incumbent as “the most impossible on earth”. Mr Guterres, a man of principle as well as pragmatism, will need luck as well as skill.Mr Guterres will take over from Ban Ki-moon, a South Korean, whose ten-year term has been widely considered a flop, though last year he oversaw a global climate-change agreement followed by the affirmation of an ambitious new set of development goals. Mr Ban also sought to promote women’s rights, streamlining a clutch of agencies to that purpose. His failure was generally ascribed to an inability to communicate effectively, especially when it came to bringing awkward customers to the negotiating table. Admittedly, when America and Russia are at loggerheads over such matters as Syria, it is exceedingly hard for a UN secretary-general to make peace.

Sunday, August 28, 2016

ACERCA DO SEXO NA ONU

Mafalda,

Afigura-se-me que a Mafalda atirou para o alvo ao lado para atingir a mouche que lhe interessava: a defesa de quotas na atribuição de lugares de responsabilidade de topo.

Sou dos que pensam que as mulheres deveriam prescindir desse falso apoio.
As mulheres têm vindo a demonstrar que não são mais nem menos competentes que os homens no exercício das mais diversas funções, incluindo as de comando.

Basicamente, o argumento da Mafalda é este: o António Guterres não será secretário-geral porque o lugar não é atribuido em função do mérito relativo dos candidatos mas de outros critérios (sexo, origem geográfica) que o colocam de fora.

E talvez tenha razão.
Mas desvaloriza a sua defesa de uma mulher na posição porque, implicitamente, reconhece que as candidatas serão, eventualmente, menos meritórias do ponto de vista dos atributos não fundados no sexo e na origem.

Aliás, se a perspectiva da Mafalda é muito correcta, as audições públicas dos candidatos serão uma farsa e a ONU não merece Guterres.

São?

A minha opinião não se sustenta no eventual mérito de A Guterres porque a manteria se o merecedor, ou a merecedora, fosse outro, português ou não.