O Cartoon de António
Palavras cruzadas para entreter a viagem. "Não há questões filosóficas, há questões de linguagem." - Wittgenstein "Insanity is doing the same thing over and over again, expecting different results" - Albert Einstein
Na origem do 25 de Abril de 1974, esteve este Decreto-Lei assinado por Marcello Caetano e promulgado em 29 de Junho de 1973 - O decreto que esteve na origem do 25 de Abril - , foi publicado aqui, no Diário da República em 13 de Julho de 1973.
"Sabe-se que, historicamente, foi a contestação (corporativa) a este diploma que esteve na génese do movimento dos capitães, que, em menos de um ano, viria a derrubar o Estado Novo".
9/Janeiro/76
EM NOME DA REVOLUÇÃO
Fernando Amaral (PPD):
17/Novembro/75
Primeira cena do II acto . – um momento crucial –
A propósito da manifestação promovida pelo PCP, UDP e outras organizações políticas da esquerda revolucionária, Octávio Pato teceu considerações na Assembleia (Constituinte) que o PS e o PPD apuparam.
Disse aquele deputado:
“O nosso país e a Revolução portuguesa atravessam um momento crucial. Os acontecimentos demonstram, de forma inequívoca, que uma viragem à direita na política portuguesa não resolve, antes agrava, a crise político-militar, assim como os conflitos sociais e a situação económica” …
No domingo no Terreiro do Paço, mais uma vez se provou o que por mais de uma vez temos afirmado: no Portugal de hoje não é possível governar sem o Partido Comunista Português, e muito menos contra o Partido Comunista Português”…
…
Segunda cena do II acto . PCP justifica o sequestro
Octávio prosseguiu a sua intervenção referindo-se â manifestação afecta à construção civil que sequestrou os deputados no Palácio de S. Bento durante a noite de 12 para 13 de Novembro e manhã do último dia.
…”É inesquecível o espírito de sacrifício de milhares de trabalhadores que, durante trinta e seis horas, sem dormir …
…
ao frio da noite, sentados ou deitados nas ruas ou nas escadarias junto ao
Palácio de S. Bento. Ali se mantiveram e dali não arredaram pé …”
… O significado dessa luta de dezenas e dezenas de trabalhadores que auferem um
salário de miséria não o quiseram ver os deputados do CDS, do PPD e parte ds
deputados do PS … Não quis ver o dr. Mário Soares, que afirmou que a luta dos
trabalhadores da construção civil era “uma acção de sabotagem económica”…
IV acto . retrospectiva dos acontecimentos
Falou depois José Luís Nunes (PS) que narrou assim os acontecimentos:
Não me venham contar histórias,
já tantas vezes repetidas,
de heróis de intenções generosas e almas puras
que o povo idolatrou,
porque me repugnam as idolatrias.
Não me venham contar histórias de heróis impolutos,
que arriscaram a vida
rumo ao sul
para soltarem a ave encarcerada por outros seus iguais,
igualmente idolatrados,
de norte a sul,
quarenta e seis anos antes.
É verdade, só quarenta e seis anos antes,
uma imensidão de tempo para quem nasceu há menos de cinquenta!
Conheço essas histórias contadas e recontadas como contos de fadas
embrulhadas, enfeitadas, perfumadas de poemas piegas,
discursadas com vozes cheias
de intenções ocas.
Conheço-as todas.
E vi, porque senti, que a avezinha solta naquela manhã de primavera
desenhou no céu puro e limpo um perfeito e único golpe de asa
como eu nunca antes tinha visto.
E que, como um raio me tivesse trespassado,
e emocionalmente tivesse fulminado as minhas congénitas reacções
à irracionalidade das emoções das turbas.
Porque também eu me juntei aos que idolatravam os heróis do dia
que tinham
aberto a gaiola onde outros parecidos,
também idolatrados,
como libertadores do povo,
por terem engaiolado a avezinha quarenta e seis anos antes.
Até me aperceber que a intenção dos heróis daquele dia,
de libertação da avezinha,
não era tão desinteressada e pura como a turba tinha acreditado,
e como, num qualquer catecismo, ainda continua a querer acreditar.
Ainda a avezinha não se tinha regalado de voar,
levou uma chumbada numa asa,
atirada por quem tinha chumbo para atirar,
a avezinha,
deu de lado mas não caiu ao chão,
batendo desesperadamente as asas feridas,
depois de a uma chumbada ter sido atingida por outras,
piando, desesperadamente por clemência,
até pararem as chumbadas quase dois anos e meio depois.
A avezinha sobreviveu, tem-se mantido viva,
ao longo de quase mais quarenta e seis anos,
mas não está garantido que se mantenha sempre solta e viva.
Há sempre alguém à espreita
para ensaiar a pontaria com uma chumbada,
reflectida.
Extraído de "Cenas Parlamentares", de Victor Sá Lopes - Edição EDITUS
10/Julho/75
"UMA ESTAMPA DO MUSEU CARNAVALÉ"
I acto (primeira cena)
"A propósito da "ostensiva, e, por vezes impudica falta de respeito pelos direitos, liberdades e garantias individuais", António Arnault (PS) afirmou a certa altura da sua vibrante intervenção: