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Sunday, October 27, 2024

IGNORÂNCIA CONSCIENTE

A mira dos media, esteve e continua a estar, voltada, na maior parte do tempo, para o nosso umbigo.
O que é muito compreensível. Assustam-nos mais os acidentes próximos que os desastres longínquos.
E, também compreensivelmente, mas duma perspectiva diferente, os sustos são mais atractivos para o consumidor de imagens que os sucessos. E quem consome imagens consome os produtos publicitados entre elas. 

Os estragos humanos e materiais provocados por um tiro mal pensado tem ocupado a maior parte do tempo em emissão e discussão que qualquer outro que possa, eventualmente, ter maior impacto social. 
Dizendo isto não se diz que o caso não mereça reflexão. Porque merece.
Não sendo, nem de longe nem de perto, conhecedor dos factos, das motivações, dos ambientes, não vou resumir o que já foi dito e redito. 
Mas o caso, muito longe de ser único ou original, recordou-me uma dúvida para a qual não encontro resposta, ainda que casos como este estejam, continuem e prometem continuar a estar, a ser observados, sobretudo tele-visionados,  em periferias de cidades maiores e mais afluentes que as nossas.
 
Parto de uma explicação mais divulgada. 
 
Os distúrbios são motivados, sobretudo, por filhos de imigrantes, nascidos portugueses, da segunda e terceira geração dos imigrantes iniciais.
A primeira geração adaptou-se porque procurou e encontrou meios de vida melhor do que os que tinha nos locais de onde saiu. Eventualmente, habitaram em bairros de barracas, melhoraram-lhe as condições de habitabilidade com a destruição das barracas e atribuição de uma casa com instalações minimamente condignas da sua condição humana. Mas a família cresceu, voltou a crescer, e, às tantas, há três famílias a habitar o espaço inicialmente previsto para uma.

Porquê?, pergunta um ignorante.

Porque a segunda e terceira gerações não encontraram meios que lhe pudessem, pelo menos, garantir um nível de vida proporcionado aos seus avós?
Por falta de trabalho?
Por falta de formação?
Por dedicação a actividades e hábitos ilegais germinados pelo desemprego generalizado no meio em que nasceram e cresceram?
 
Outra pergunta, do mesmo ignorante.

Se Portugal necessita de receber, e continua a receber, imigrantes, por muitas razões suficientemente divulgadas, por que razão não entram no mercado de trabalho os sem trabalho que habitam nos guetos que circundam as grandes cidades?

Sou mesmo ignorante, pois sou. À espera de informação que reduza o meu grau de ignorância.

Monday, November 23, 2020

QUEM TEM RABOS DE PEIXE?

Rabo de Peixe,uma freguesia de Ribeira Grande, Açores, apareceu, recentemente, a boiar na espuma dos dias de discussão política provocada pelos resultados eleitorais para o governo do arquipélago, a propósito da, para alguns, excessiva subsídio dependência e, para outros, dos subsídios necessários para suprir os meios mínimos de subsistência, esta notícia de Dezembro de 2017:

Documentário em Espanha, AQUI, dedica-se ao naufrágio que levou cocaína a Rabo de Peixe. Em 2001, uma embarcação que transportaria meia tonelada de cocaína naufragou ao largo dos Açores. O acidente desencadeou uma caça à droga na vila de Rabo de Peixe. As marcas ainda se notam, 17 anos depois. Duas jornalistas espanholas dedicam-lhe um documentário.AQUI

Em 2001, era presidente do Governo Regional dos Açores, desde 1996, o sr. Carlos César. Cessou essas funções em 2012; em 2014 foi eleito Presidente do Partido Socialista em 2014 a convite de António Costa. Sucedeu-lhe na presidência do Governo Regional o sr. Vasco Cordeiro, desde 2012 até amanhã,  24 de Novembro de 2020.

Em 2001 era primeiro-ministro, António Guterres, foi até 2002; Durão Barroso e Santana Lopes entre 2002 e 2005; José Sócrates desde 2005 até 2011; Passos Coelho de 2011 a 2015; António Costa de 2015 até agora.

 

                                                                  Rabo de Peixe

Friday, May 06, 2016

O JOGO DA CABRA CEGA



Barão da droga e o seu braço direito fugiram de Portugal em Abril.

Foram libertados da cadeia de alta segurança em Monsanto por ter sido excedido o prazo de prisão preventiva de três anos e quatro meses.
Entretanto ficou pendente na Relação de Lisboa um pedido de extradição formulado pelos Estados Unidos.
Os dois narcotraficantes são agora procurados pela Interpol".

Trata-se de uma história, contada aqui, que vale uma leitura inteira.
Incrível? Vulgar em Portugal.
Não há jogos grátis. Quem paga, sabemos nós. Quem recebe, só eles.


Tuesday, February 02, 2016

HIPÓCRITAS 2

Noticia o Financial Times de hoje que, cf. aqui,  em sequência dos ataques terroristas em Paris,  a Comissão Europeia vai investigar em que medida o elevado número de notas de 500 euros em circulação estará a facilitar o financiamento de actividades terroristas.

Sobre este assunto anotei aqui em Junho de 2007:

" ...
Sabe-se que apenas uma pequena parte do tráfico de droga, a nível mundial, é interceptado pela polícia; sabe-se que o negócio da droga tem uma dimensão, valorizada em termos monetários, equivalente ao da energia, segundo o relatório do PNUD de 1999; sabe-se que essa dimensão sustenta uma parte importante de actividades económicas regulares, a construção civil, por exemplo; sabe-se que para facilitação da conexão entre o dinheiro da droga e as actividades legalmente admitidas, as entidades emissoras de moeda não esqueceram a competitividade dos meios de pagamento (notas de 100 dólares às quais o BCE respondeu com notas de 500 euros); sabe-se que esse dinheiro anda por aí em toda a parte; sabe-se que parte (que parte, ninguém sabe) desse dinheiro justifica a possibilidade de muita gente viver bem acima das suas possibilidades aparentes, exemplificando o adágio popular: "quem cabritos vende e cabras não tem de algum lado lhe vem ..."

E em Julho de 2008, aqui,

"...

Um dos aspectos que caracteriza a contradição entre o discurso oficial e a prática das nações no combate ao comércio criminoso é o da emissão de papel moeda de elevado valor facial: notas de cem dólares e de quinhentos euros, para citar apenas as mais usadas. Há muito tempo já, abordei este aspecto hipócrita que consiste em emitir moeda cuja finalidade só pode ser a de facilitar o comércio subterrâneo, aquele em que os contratantes não querem deixar rasto.

Se houvesse, mas realmente não há, uma intenção clara de dificultar este comércio, tanta a Fed como o BCE teriam há muito tempo mandado recolher estas notas e permitido apenas a circulação das de pequeno valor. Numa época em que o próprio cheque entrou em desuso, só por razões inconfessáveis as autoridades monetárias mantêm a forma suspeita daquele meio de pagamento..."

É muito surpreendente que só agora a Comissão Europeia repare no que é muito visível para quem não ande propositadamente a desviar o olhar das evidências. 
São cegos?
São hipócritas. 

500 euro

São assim as notas de 500. 
Para conhecimento de quem, como eu, nunca viu uma. 

Saturday, March 21, 2015

A MELHOR PREPARAÇÃO DE SEMPRE DOS JOVENS PORTUGUESES

"Milhares de estudantes partiram ontem para Espanha, onde vão festejar o final do ensino secundário. Como vem sendo hábito, nas fronteiras terrestres de Vilar Formoso, Caia e Vila Real de Santo António, as autoridades portuguesas e espanholas passam a pente fino os autocarros e as malas para evitar que os jovens levem consigo substâncias ilícitas. ... "É uma altura preocupante, porque temos grandes aglomerados de jovens e já assistimos a episódios marcados por abusos de álcool e outras substâncias", destaca João Goulão, presidente do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD). Por outro lado, "há uma apetência deste grupo etário para a novidade e estas novas drogas têm potencial de atração". - cf. aqui

Sunday, June 08, 2014

TUDO AO PIB

O El País de hoje publica um artigo - El PIB entra en el burdel - acerca de uma assunto de que não me recordo ter lido qualquer referência antes. E, no entanto, a medida que a UE, através do Eurostat pretende que esteja em vigor antes de 2016 e será obrigatória a partir desse ano - medir e incorporar uma parte da economia ilegal no PIB, incluindo os valores movimentados no âmbito da prostituição, do tráfico de drogas e do contrabando - já está a ser trabalhada, e alguns países da União, como o Reino Unido, Espanha, Itália ou a Bélgica aproveitarão a substituição das normativas de cálculo do PIB para incorporar o impacto das actividades ilegais. 

Segundo o articulista do El País, o Reino Unido já tem resultados que indicam que a prostituição, o tráfico de drogas e o contrabando valem 10 mil milhões de libras de riqueza nacional, cerca de seis décimas do seu PIB. Fontes governamentais asseguram que Bruxelas os obrigam a comunicar antes do próximo mês de agosto uma estimativa do impacto destas alterações no PIB. A Espanha já informou que da adopção das novas normas resultará um aumento ente 1% e 2% do PIB, a que deverá acrescentar-se ainda a economia "não registada" ("paralela").

Continua o articulista (resumo): "No fim do ano passado, Roca, o representante da associação dos clubes de alterne, recebeu um telefonema do INE. Queriam saber se havia dados de facturação, custos e outros números do sector. Ao princípio Roca supôs tratar-se de uma brincadeira mas mudou de ideias qando recebeu um questionário com o timbre do INE com algumas perguntas. "Quanto cobrava uma prostituta por serviçomédio em 2002/2007/2012? Qual a facturação média em 2012 de um clube normal (menos de 50 prostitutas) por alugar os quartos?" Roca respondeu como lhe pareceu mas acrescentou que "os cálculos eram impossíveis e qualquer número aleatório e subjectivo. Não há inventário de clubes, nem de prostitutas, nem de custos médios, nem de serviços. Se querem números têm de os inventar". Afima o porta voz do Eurostat que todos os países da UE já incluem estimativas da economia não registada na sua estimativa do PIB com a finalidade de obter uma medida exaustiva do tamanho da sua economia. Vêm fazendo isso há anos. A cobertura desta parte ilegal da economia está em vigor desde a aprovação do Sistema Europeu de Contas em 1995 que entrou em vigor em 1999. Estónia, Áustria, Eslovénia, Finlândia, Suécia e Noruega, já incluem nas suas contas o impacto dos sectores ilegais. A Espanha nunca o fez até agora. 

O artigo não contempla nenhuma referência a Portugal. Mas muito me admiraria que, estando o país tão carecido de inputs que tornem o PIB menos deprimido não tenha o INE português adoptado já os critérios metodológicos do Eurostat para estimar a prostituição e o tráfico de drogas e todas as práticas ilegais em geral. "Por exemplo, para o tráfico de drogas tomam-se em conta as quantidades de estupefacientes encontrados pela polícia. Para o contrabando o método é parecido com o aplicado à droga. E quanto à prostituição deverá calcular-se o número de pessoas que exercem a prostituição através das redes de alterne."

Mas, se a actividade é ilegal, a margem de estimativa é larga, a fiabilidade dos cálculos será sempre grosseira. Em todo o caso seremos em 2015, ano de eleições, se não for antes, contemplados com um inusitado e vistoso, mas obrigatório, aumento do PIB em consequência da adopção das medidas impostas pela UE?
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Correl . Prostituição daria 680 milhões ao Estado se fosse legalizada e tributada
Cerca de 13% do PIB deve-se à economia não observada 

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Thursday, November 14, 2013

ARTE CONTEMPORÂNEA - LAVANDARIA


"Quem cabritos vende e cabras não tem, de algum lado de lhe vem" (Aritmética Elementar)


Anteontem foi notícia o recorde atingido em leilões de arte por um dos 28 trípticos de Francis Bacon, "Three Studies of Lucien Freud" (1969,) pela assombrosa soma de 142,4 milhões de dólares, qualquer coisa como 106 milhões de euros.
 
 

No mesmo dia "Balloon dog (Orange)", uma escultura da série "balloons" de Jeff Koons foi vendida  por 58,4 milhões de dólares, uns 43 milhões de euros, tornando-se a obra mais cara vendida em leilão de um artista vivo.*



 
Hoje é notícia um novo recorde de obras de Andy Warhol: "Silver Car Crash (Double Disaster) (1963) foi arrematado ontem por 105 milhões de dólares, quase 80 milhões de euros.
 
 
Explicações para este fenómeno de crescimento exponencial dos preços da arte contemporânea há várias. Os jornais de ontem apontavam várias, algumas coincidentes, outras nem tanto. A que me parece mais convincente é aquela que atribui a compra (por gente anónima) a intuitos de branqueamento de capitais. Pode não ser verdade mas é difícil encontrar outra tão verosímil.

Quando, em Portugal, durante os dez, doze anos, que antecederam a emergência dos indicadores da crise, ficava abismado com a exuberância do crescimento de consumo supérfluo e de investimento público que me parecia sem sustentação económica racional, dizia-me o DJ que tudo aquilo só podia estar a ser sustentado pelo negócio da droga e outros negócios correlativos. E, afinal de contas, não exagerava, ainda que o alcance das suas palavras não fosse esse, se hoje considerarmos que, para além do tráfico de droga tout court, houve um tráfico de crédito importado que drogou a economia portuguesa, actuando os banqueiros como traficantes.

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Correl - Um estudo da Faculdade de Farmácia de Lisboa detetou uma presença de cocaína nas águas residuais da capital que mostra um elevado consumo desta droga na cidade, mais concretamente uma dose diária de 0,1 grama por 50 pessoas. Esta foi a primeira análise em Portugal à presença de metabolitos de cocaína nas águas residuais.[RTP]

Os multimilionários portugueses são mais e estão cada vez mais ricos [P]
Segundo o relatório da UBS : World Ultra Wealth Report, apesar da crise, eles não ficaram para trás da restrita frente crescentemente multimilionária. São, obviamente, aqueles que integram esta frente que investem à vara larga. Cá, como lá.
Note-se que um multimilionário da base (aquele que não tem muito mais que 25 milhões de fortuna), mesmo que alienasse tudo o que tem não poderia comprar mais que meio dog do Jeff Koons. Um pelintra, no fim de contas.
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* Jeff Koons é, além de outros dogs,  também o autor de Puppy, a mascote do Guggenheim de Bilbao. Que não está venda. Pelo menos, por enquanto.


 

Sunday, January 16, 2011

SONHOS E RABANADAS - PARTE 11

- O quê? Acabou-se o papel?!!! Como é que deixaram acabar o papel? Como?!!! O papel, a corda que lança a bóia à economia deste país sitiado? Quem?!!! Expropriem-se imediatamente a favor do Estado e por razões de sobreviência nacional todos os stocks de papel nos armazéns do país!!!
- Manel, ...
- Há papel!, há papel!, tem de haver papel a pontapés por aí! 
- Manel, ...
- Há papel! Como é que não há papel?!!!
- Manel, posso falar?
- Fala! Mas não me digas que não há papel!
- Há papel ...
- Claro que há! Procurem-no!
- O papel para a rotativa é especial, já uma vez te disse isso ...
- E, depois?
- Depois, temos o crédito cortado e os fornecedores recusam-se a expedir novas remessas ...
- Quem são eles?
- Todos.
- Estamos, portanto, perante um bloqueio idêntico ao que colocou Fidel de Castro à prova. Terão a resposta que merecem!...
- ...
- Tenho uma ideia! Tenho uma ideia! Tenho uma ideia! ...
- ...
- Acaba-se com o papel moeda neste país!
- ...
- Mandámos o euro às malvas, agora vamos mandar a rotativa para o museu! E também as caixas multibanco, esse confessionário do capitalismo em cada esquina! Sabes como?
- Não estou a atingir, confesso ...
- Pois é fácil. Aliás, a ideia não é nova. Por onde é que tens andado? Não lês os jornais?
Plástico, menino! Plástico! O futuro está no dinheiro de plástico. E, melhor ainda, no virtual. É uma roda já inventada, menino.  Mas nós vamos pôr a roda a rodar, fazer o que ninguém ousou fazer até agora. E ninguém ousou porque o papel moeda, para além dos trocos, é o meio de tráfico de negócios escuros que não deixam rastros. Acabaremos com eles! Com uma cajadada matamos todas as ratazanas que infestam a economia deste país. Não mais haverá corrupção sem vestígios, economia paralela, tráfico de droga, de armamento, de tudo o que engorda os ratos à custa do povo. E, sabes como?
- Continuo a não atingir...
- Te - le - mó - vel ! Telemóvel, menino. Através de um telemóvel podemos pagar, e portanto receber, tudo o que se quiser. É um cartão de débito sem cartão. Nunca ouviste falar?
- Tenho alguma ideia que sim...
- Pois é. Vamos ao trabalho e livremo-nos desses miseráveis papeleiros!
- Mas, Manel, ...
- Não há papel, já sei. Mas já não é preciso!
- Precisamos de telemóveis ...
- Toda a gente tem telemóvel ...
- Não sei se dão ...
- E porque não? Arrangem-nos!
- Há um pequeno detalhe, Manel ...
- Se é pequeno ...
- Mas é decisivo.
- E qual é, pode saber-se?
- Os fornecedores de papel são amigos dos fornecedores de telemóveis.
- Mas, afinal, o que é que se produz neste país?
- Papel, Manel. E do bom, segundo parece. Não dá é para notas.

Tuesday, December 28, 2010

EXCEPÇÃO À REGRA

Pelas piores razões, Portugal tem sido ultimamente notícia frequente nos media de todo o mundo.
Não admira, por isso, que amigos e conhecidos norte-americanos ou a residir nos EUA nos perguntem, insistentemente,  o que se passa com a dívida e os juros que temos às costas. 

Hoje, no entanto, pode ler-se aqui, a propósito do flagelo da droga nos States, uma reportagem acerca do saldo positivo resultante da lei que desde há uns anos despenaliza o uso das drogas em Portugal, traduzido numa quebra significativa de dependentes crónicos e do aumento de aprisionamento de droga e de traficantes.   

Valham-nos pelo menos as excepções quando a regra é desoladora.

Portugal's drug policy pays off; US eyes lessons

LISBON, Portugal -- These days, Casal Ventoso is an ordinary blue-collar community - mothers push baby strollers, men smoke outside cafes, buses chug up and down the cobbled main street.
Ten years ago, the Lisbon neighborhood was a hellhole, a "drug supermarket" where some 5,000 users lined up every day to buy heroin and sneaked into a hillside honeycomb of derelict housing to shoot up. In dark, stinking corners, addicts - some with maggots squirming under track marks - staggered between the occasional corpse, scavenging used, bloody needles.

At that time, Portugal, like the junkies of Casal Ventoso, had hit rock bottom: An estimated 100,000 people - an astonishing 1 percent of the population - were addicted to illegal drugs. So, like anyone with little to lose, the Portuguese took a risky leap: They decriminalized the use of all drugs in a groundbreaking law in 2000.

Now, the United States, which has waged a 40-year, $1 trillion war on drugs, is looking for answers in tiny Portugal, which is reaping the benefits of what once looked like a dangerous gamble. White House drug czar Gil Kerlikowske visited Portugal in September to learn about its drug reforms, and other countries - including Norway, Denmark, Australia and Peru - have taken interest, too.

Thursday, September 24, 2009

OS NÚMEROS DA DROGA E A DROGA DOS NÚMEROS

Há dias, congratulava-me aqui com uma referência positiva num artigo do Economist a Portugal.
Por serem raras as referências favoráveis não quis perder a oportunidade de registar no meu caderno de apontamentos a passagem desta rara avis.
Afinal parece ter havido equívoco ou contas mal feitas. Ou conflitos de interesses. O que é, lamentavelmente, frequente em Portugal. A cada qual os seus algarismos.
Num artigo publicado no Público de ontem, Manuel Pinto Coelho, presidente da Associação para um Portugal Livre de Drogas, contraria frontalmente as conclusões a que o artigo do Economist, baseado num relatório do Cato Institute de Washington, se referia.
Nomeadamente,
.
"no ano de 2006, em Portugal o número total de mortes por overdose não diminuiu radicalmente em relação a 2000, nem a percentagem de doentes com sida baixou. Sucedeu o oposto."
"Com 219 mortes de overdose por ano, Portugal apresenta um dos piores resultados, com uma morte em cada dois dias. Com Grécia, Áustria e Finlândia, é um dos países que registaram um aumento de mais de 30% em 2005.
"A descriminalização das drogas em Portugal não permitiu de forma alguma a diminuição dos níveis de consumo, pelo contrário. Na realidade o consumo de droga aumentou 4,2% "
"Em Portugal, desde que a descriminalização foi implementada, o número de homicídios relacionads com a droga aumentou 40%. Foi o único país europeu a evidenciar um aumento significativo de homicídios entre 2001 e 2006 (WDR, 2009).
.
Em quem podemos acreditar?

Saturday, September 05, 2009

VANCOUVER

Hello?!!
Goog night Mr. Fonseca, may I help you?
Yes, you can. What´s your name?
Rick.
Mr. Rick, é uma hora da manhã e não conseguimos dormir com esta música que vem daí de baixo, do pub irlandês.
Mr. Fonseca, as nossas desculpas, mas não podemos evitar.
E até que hora vamos ter esta música maluca?
Até à uma, Mr. Fonseca.
E não nos pode arranjar outro quarto, num andar mais elevado?
Lamento mas não podemos, Mr. Fonseca. Estamos "fully booked".
...
Mr. .
Rick?!!
Yes, Mr. Fonseca, good night!. may I help you?
Mr. Rick, é uma e meia da manhã e continua esta música metálica que não nos deixa pregar olho.
Lamento, Mr. Fonseca, mas não podemos fazer nada.
Mr. Rick, o senhor disse que à uma hora a música parava.
Só pára às duas Mr. Fonseca.
Nesse caso, Mr. Rick, o sr. tem de nos arranjar um quarto noutro hotel.
Amanhã, Mr. Fonseca, já temos, talvez, possibilidade de o mudar para o outro quarto no nosso hotel.
Mr. Rick, amanhã é amanhã e eu também quero dormir esta noite, percebeu? Como temos três nhoras de "jet lag" desde o local de onde viemos, e sete horas de viagem, precisamos de descansar, percebeu?
Lamentamos, Mr. Fonseca, mas não podemos fazer nada.
Mr. Rick. afinal a que horas termina a música maluca?
Talvez às três, Mr. Fonseca.
Nesse caso arranje-nos outro hotel se não telefone à polícia e amanhã vou ao departamento de turismo. Dizem que Vancouver é a melhor cidade do mundo para se viver, mas não deve ser para todos. Ficámos chocados com o que vimos nas redondezas da Gastown. Tantos sem abrigo, tantos drogados.
Lamentamos, Mr. Fonseca. É verdade que temos problemas.
Pois têm Mr. Rick e você tem o problema de arranjar outro hotel par nós.
Ok, Mr. Fonseca, esta manhã trataremos de o judar.
Não. Mr. Rick, não é esta manhã, é já, percebeu?
Às três da manhã, Mr. Fonseca?
Já, Mr. Rick.
...
Mr. Fonseca?
Sim, sr. Rick.
Já marquei um quarto noutro hotel. Sempre quer sair?
É par já, Mr. Rick.
Ok, Mr. Fonseca, vou chamar um táxi.
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Vancouver
Vancouver
Economist magazine compares Vancouver's violent streets to Colombia
The Economist magazine compares Vancouver's drug violence to Colombia

Wednesday, September 02, 2009

BOAS NOTÍCIAS

Afinal, nem tudo vai mal em Portugal.
Um artigo publicado no Economist desta semana dá conta que a lei que entrou em vigor em 2001 privilegiando o tratamento dos dependentes da droga relativamente à sua perseguição e punição teve efeitos significativamente positivos, segundo um relatório do Cato Institute , uma organização não governamental ultraliberal sediada em Washington.
(...)
There are widespread misconceptions about the Portuguese approach. “It is important not to confuse decriminalisation with depenalisation or legalisation,” comments Brendan Hughes of the European Monitoring Centre for Drugs and Drug Addiction, which is, coincidentally, based in Lisbon. “Drug use remains illegal in Portugal, and anyone in possession will be stopped by the police, have the drugs confiscated and be sent before a commission.”
(...)
“Proving a causal link between Portugal’s decriminalisation measures and any changes in drug-use patterns is virtually impossible in scientific terms,” concludes Mr Hughes. “But anyone looking at the statistics can see that drug consumption in 2001 was relatively low in European terms, and that it remains so. The apocalypse hasn’t happened."

Saturday, February 07, 2009

MENS SANA CORPUS SANUS

Não me emocionam os resultados dos chamados resultados dos desportos de alta competição e, nomeadamente, os dias do maior circo do mundo em que se transformaram os jogos olímpicos..

Aprecio a beleza de execução de algumas disciplinas mas não me excitam os recordes que são forjados à custa de esforços e habilidades que nada acrescentam ao progresso da humanidade e frequentemente provocam anormalidades nos atletas.

Não sei quantos desses recordes na dedicação a um objectivo sem préstimo, para além dos milhões que fazem cair no bolso dos atletas e dos que participam no circo, são propulsionados pela utilização de drogas. O que se sabe é que a perseguição da glória efémera até à destruição do corpo há muito que é a completa negação do equilíbrio que os jogos da antiguidade procuravam fomentar.

Thursday, October 23, 2008

OS OFF-SHORES DA CRISE


O ministro de Estado e das Finanças apoiaria uma proposta conjunta para acabar com as off-shores, a nível de toda a União Europeia... (mas) disse «duvidar que decisões unilaterais neste domínio sejam eficazes», ou seja, que se um País tomar uma decisão destas, obtenha qualquer resultado. .
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O Ministro tem razão quando diz que uma decisão unilateral não resolverá a questão: as contas do off-shore extinto voariam no mesmo instante da extinção para outro off-shore. Mas esta é também a primeira razão pela qual os off-shores têm vida prometida enquanto a hipocrisia reinar no mundo em que vivemos.
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Entretanto
, os liberais ortodoxos continuam a glorificar os seus ícones para excitação dos fiéis que lhes frequentam os púlpitos.
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Os paraísos fiscais são o ponto de encontro de contas provenientes do tráfico de droga, de armas, de pessoas, de financiamento do terrorismo e da evasão fiscal, além de outros crimes de elevado gabarito.
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Raymond W. Barker, em "Capitalism´s Achilles Heel" escreve um relatório muito circunstanciado acerca da lavagem de dinheiro e das propostas do autor para a renovação do sistema de mercado livre. Foi editado em 2005 e a visão de Raymond W. Barker acertou em cheio no alvo: três anos depois, o sistema financeiro claudicou com as consequências que ainda não sabemos dimensionar. E é muito óbvio que os paraísos fiscais desempenharam um papel importante no comprometimento do sistema. Enquanto subsistirem, o sistema financeiro estará sempre ameaçado de rupturas provocadas a partir do seu interior. Entretanto, e esse é o mal maior, os paraísos fiscais continuam a dar guarida à escória da humanidade.
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Quem defende que os paraísos fiscais se justificam porque dão abrigo aos ameaçados pelos ditadores vira completamente o bico ao prego: porque são precisamente os ditadores que roubam o seus compatriotas e enviam o produto do saque para os paraísos fiscais.

Friday, July 25, 2008

HIPÓCRITAS

Já coloquei aqui no Aliás alguns post sobre o problema do branqueamento de capitais e das actividades criminosas ligadas ao tráfico de drogas, armas, pessoas, etc., que frequentemente se encontram ligadas ao terrorismo e frequentam as mesmas rotas financeiras das evasões fiscais.
À pergunta, E se de repente acabasse a droga?, ainda não encontrei resposta que lhe calculasse as consequências.
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Um dos aspectos que caracteriza a contradição entre o discurso oficial e a prática das nações no combate ao comércio criminoso é o da emissão de papel moeda de elevado valor facial: notas de cem dólares e de quinhentos euros, para citar apenas as mais usadas. Há muito tempo já, abordei este aspecto hipócrita que consiste em emitir moeda cuja finalidade só pode ser a de facilitar o comércio subterrâneo, aquele em que os contratantes não querem deixar rasto.
Se houvesse, mas realmente não há, uma intenção clara de dificultar este comércio, tanta a Fed como o BCE teriam há muito tempo mandado recolher estas notas e permitido apenas a circulação das de pequeno valor. Numa época em que o próprio cheque entrou em desuso, só por razões inconfessáveis as autoridades monetárias mantêm a forma suspeita daquele meio de pagamento.
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Foi sem surpresa, portanto, que ontem li o artigo do Público, "500 euros, as notas que não se vêm", que refere que "para 2006, o BP estimava que as notas de 500 euros constituíssem oito por cento do dinheiro vivo em circulação do país, um valor que compara com os 33,4% do total da Zona Euro. Em Espanha o fenómeno atinge dimensões surpreendentes: 110 milhões de notas de 500, cujo valor corresponde a quase 70% do valor total da massa monetária em circulação, um recorde europeu. Este número impressionante, dizem os especialistas, está relacionado com as redes de droga e prostituição internacional que usam o território espanhol para branquear os seus capitais. O até aqui fulgurante mercado imobiliário espanhol, especialmente do Sul do país, tem servido para muitas dessas operações , sendo habitual realizarem-se vendas de casas de Verão utilizando apenas notas."
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E se houvesse apenas notas de 5, 10 e 20 euros em circulação? Abalava-se a economia porque ela sustenta-se dos negócios criminosos?

Tuesday, May 13, 2008

E SE, DE REPENTE, ACABASSE A DROGA?




Esta é já uma questão recorrente aqui no Aliás. Ando à procura de uma resposta que, até hoje, não encontrei nem vi respondida em parte alguma. Volto ao assunto na sequência de um comentário que fiz a uma indignação relacionada com um dos conteúdos do site do Instituto da Droga e da Toxicodependência : Lê-se, e não se acredita:
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(...) O Instituto da Droga e da Toxicodependência visa lutar contra a droga (...) publicou um “dicionário do calão” para jovens a partir dos 11 anos, em que a droga é apresentada em termos entusiásticos, como “cativante e vaporosa” ou como de sedução e atracção irresistíveis e são descritos processos de a obter “pedrinha branca, pronta a snifar”. Ao mesmo tempo, qualquer não consumidor é definido como “conservador, desprezível e desinteressante”.Exemplos, apenas, entre muitos, mas suficientes para evidenciar como, objectivamente, algumas Instituições oficiais fazem a propaganda do que dizem combater.Os senhores da droga agradecem comovidamente tal fervor combatente!... "
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Comentei:
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Há muito tempo que coloquei a mim próprio esta questão: porque razão está tão facilitado o comércio da droga?
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Dito de outro modo, parece-me (mas provavelmente estou redondamente enganado) que se houvesse uma intenção séria e global para reduzir o consumo de drogas esse objectivo poderia ser conseguido com relativa facilidade. A minha presunção, admito-o, decorre de, felizmente, não ter tido até agora o azar de lidar directamente com o flagelo. E também há muito tempo já que me coloquei, e a alguns amigos meus, esta outra questão: E se, de repente, acabasse a droga?
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Dito de outro modo (..) : Se tivesses nas tuas mãos uma varinha de condão que, brandindo-a, cessaria imediatamente a produção de droga (e, portanto o seu consumo) brandias a varinha ou não?
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Para teu governo na tomada de decisão transcrevo do Relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento de 1999 (...):"O comércio ilegal de droga, em 1995, foi estimado em 400 biliões de dólares, cerca de 8% do comércio mundial, mais do que a parcela de ferro e aço ou de veículos motorizados e aproximadamente o mesmo que a dos têxteis (7,5%) e do gás e petróleo (8,6%).
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Raymond W. Barker em Capitalism´s Achilles Heel - Dirty Money and How to Renew the Free Market System escreve "(...) all the global efforts made to combat drugs, the weakest link is our feeble anti-money laundering efforts. Basically, drug kingpins know that, once the sale is made, the cash is easy to move and legitimize."
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O número de toneladas confiscadas em todo o mundo representa, ainda segundo este autor, apenas 0,1% dos valores totais envolvidos.
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Mais adiante:"(...)The war on terror cannot be won without wawing an equal war on drugs, and the war on drugs cannot be won without wawing an equal war on drug money"
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Ora, meu caro Amigo, o problema está no facto de a lavagem de dinheiro (seja ele procedente de tráfico de dogas, de armas, de pessoas, etc.) utilizar os mesmos caminhos da evasão fiscal. E aqui é que a porca torce o rabo. Se vais atrás do rasto do dinheiro canalizado para uma quadrilha terrorista arriscas-te a encontrar pelo caminho capitais fugidos ao fisco, geralmente pertencente a pessoas consideradas muito idóneas, filantrópicas até.
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Chegado aqui, volto a perguntar: Então o que fazes com a varinha? Abanas ou não abanas?
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Não te esqueças que se a agitas deitas abaixo 8% (ou mais) do comércio mundial de um instante para o outro.Pergunta cínica, não é? Pois é.
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Ao pé de tudo isto estes tipos do IDT são uns aprendizes de feiticeiro. Acho eu. E tu?

Monday, August 13, 2007

E SE, DE REPENTE, ACABASSE A DROGA? - 3

Afeganistão: a guerra do ópio


As notícias que nos vão chegando do Afeganistão não dão para perceber bem o que lá se passa.Sabemos que se encontra instalada nesse País uma força multinacional, cumprindo um mandato das Nações Unidas e também da NATO para manter a paz e a ordem como forma de prevenção contra ataques terroristas, da qual faz parte um contingente militar português de cerca de duas centenas de membros.Também sabemos que a defesa da paz e da ordem neste caso significam a luta contra um inimigo estranho, os Taliban, com ligações conhecidas à Al Qaeda.Os Taliban dominaram aquele País desde o fim da ocupação soviética (1996) até 2001/2, tendo praticado uma política que não poucas vezes chocou o Ocidente por decisões que atentavam contra elementares valores civilizacionais - tais como a destruição de monumentos históricos e a execução pública de mulheres como forma de punição pela prática de adultério.Por isso (embora não apenas) a campanha militar no Afeganistão é vista no Ocidente como necessária, em contraste, por exemplo, com a que decorre no Iraque.No entanto, sabemos pouco do que se passa no Afeganistão, para além das notícias que de quando em vez – mais nos últimos meses, infelizmente – dão conta da morte de soldados da força internacional e de cidadãos afegãos apanhados em acções militares.Para melhor perceber o que se passa no Afeganistão, bem como a missão da força multinacional, recomendo aos “clientes” do 4R a leitura de uma magnífica reportagem publicada na revista New Yorker, da semana 9-16 de Julho, intitulada “The Taliban’s opium war”.Dessa reportagem se retira a noção da extrema dificuldade da missão da força multinacional para conseguir uma solução estável e duradoura para o País.A economia do Afeganistão depende muito da produção do ópio (base da produção da heroína), que representa mais de 50% do PIB do País.O regime dos Taliban tinha proibido a produção de ópio, impondo penas severas aos prevaricadores, não raro a pena de morte. Talvez essa tenha sido uma das razões da facilidade com que foram derrotados pela força anglo-americana em 2001/2002.Desde então a produção de ópio aumentou significativamente, existindo actualmente perto de 200.000 hectares dedicados ao cultivo da planta.O problema é que a força multinacional pretende também acabar com esta produção, para o que foi criada uma Afghan Eradication Force (AEF) que, juntamente com elementos americanos especializados tem vindo a destruir plantações como forma de dissuasão.Os Taliban, esquecendo as suas convicções religiosas, oferecem agora protecção aos produtores e negociantes da droga, em troca do pagamento de um imposto do ópio – o negócio é bom para ambas as partes.Acresce que muitos protegidos do regime de Cabul beneficiam da complacência do Governo/ força multinacional para manterem a produção de ópio, criando dificuldades à acção da AEF.Um puzzle estranho, que torna muito incerto o futuro do País e também o cumprimento dos objectivos da força multinacional. in Quarta República
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Caro Tavares Moreira, boa tarde!
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Antes de mais, agradeço-lhe a indicação do artigo do New Yorker, que já li, e é tão interessante quanto intrigante, como, aliás, o meu Amigo refere.
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O problema da droga, que felizmente nunca me bateu à porta, mas ninguém está livre de surpresas, é daqueles que, de vez em quando me ocorrem quando tento perceber algumas contradições da economia.
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Os relatórios da ONU vêm dando conta da dimensão e da evolução do negócio a nível mundial. Fiquei verdadeiramente surpreendido quando li, no relatório do PNUD 2000, que "O comércio ilegal de droga, em 1995, foi estimado em 400 mil milhões de dólares, cerca de 8% do comércio mundial, mais do que a parcela de ferro e aço ou de veículos motorizados e aproximadamente o mesmo que a dos têxteis (7,5%) e do gás e petróleo (8,6%).
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Desde então o negócio não deve ter perdido a sua importância relativa, ainda segundo os relatórios especializados da ONU.Um dia ocorreu-me começar a colocar aos meus amigos, se a ocasião se propiciava, a seguinte questão: Se te fosse dada uma varinha mágica que, de um momento para o outro, terminasse com o consumo de droga, o que farias?A pergunta, à primeira vista, é bizarra e nem sequer sei se é original. A mim nunca me tinha sido colocada.
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Os meus amigos, geralmente, acabam por concordar que talvez deixassem a vara mágica de lado até estudarem melhor o assunto.
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Este seu "post" só contribui, perdoe-me a imodéstia, para reforçar a pertinência daquilo que nas minhas palavras cruzadas tenho escrito sob a interrogação:E SE, DE REPENTE, ACABASSE A DROGA?
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Quanto à presença de tropas portuguesas no Afeganistão é matéria que suscita (deveria suscitar) algum debate político que, ao que parece, os principais partidos evitam.É matéria que se inclui num desafio que coloquei ao Pinho Cardão aí no "post" em baixo.


While destroying a field of opium poppies in Uruzgan Province, members of the Afghan Eradication Force came under fire in an ambush apparently orchestrated by the Taliban. Photograph by Aaron Huey.

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In the main square in Tirin Kot, the capital of Uruzgan Province, in central Afghanistan, a large billboard shows a human skeleton being hanged. The rope is not a normal gallows rope but the stem of an opium poppy. Aside from this jarring image, Tirin Kot is a bucolic-seeming place, a market town of flat-topped adobe houses and little shops on a low bluff on the eastern shore of the Tirinrud River, in a long valley bounded by open desert and jagged, treeless mountains.
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About ten thousand people live in the town. The men are bearded and wear traditional robes and tunics and cover their heads with turbans or sequinned skullcaps. There are virtually no women in sight, and when they do appear they wear all-concealing burkas. A few paved streets join at a traffic circle in the center of town, but within a few blocks they peter out to dirt tracks.
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Almost everything around Tirin Kot is some shade of brown. The river is a khaki-colored wash of silt and snowmelt that flows out of the mountain range to the north, past mud-walled family compounds. On either side of the river, however, running down the valley, there is a narrow strip of wheat fields and poppy fields, and for several weeks in the spring the poppies bloom: lovely, open-petalled white, pink, red, and magenta blossoms, the darker colors indicating the ones with the most opium.

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One afternoon this spring, at the height of the harvest, I drove through the area with Douglas Wankel, a former Drug Enforcement Administration official who was hired by the United States government in 2003 to organize its counter-narcotics effort here. Wankel, who is sixty-one and has piercing blue eyes, was stationed in Kabul as a young D.E.A. official in 1978 and 1979, during the bloody unrest that led up to the Soviet invasion. “I left on a flight to New Delhi a couple of hours before the Soviets rolled in,” he said. “People thought it was because I knew it was coming. I didn’t; I just happened to be leaving on a trip. But the Soviets branded me a C.I.A. agent, and so I couldn’t come back—until now, that is.”

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Working first with the D.E.A. and then with the State Department, Wankel helped create the Afghan Eradication Force, with troops of the Afghan National Police drawn from the Ministry of the Interior. Last year, an estimated four hundred thousand acres of opium poppies were planted in Afghanistan, a fifty-nine-per-cent increase over the previous year. Afghanistan now supplies more than ninety-two per cent of the world’s opium, the raw ingredient of heroin. More than half the country’s annual G.D.P., some $3.1 billion, is believed to come from the drug trade, and narcotics officials believe that part of the money is funding the Taliban insurgency.

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Wankel was in Uruzgan to oversee a poppy-eradication campaign—the first major effort to disrupt the harvest in the province. He had brought with him a two-hundred-and-fifty-man A.E.F. contingent, including forty-odd contractors supplied by DynCorp, a Virginia-based private military company, which has a number of large U.S. government contracts in Iraq, Afghanistan, and other parts of the world. In Colombia, DynCorp helps implement the multibillion-dollar Plan Colombia, to eradicate coca. The A.E.F.’s armed convoy had taken three days to drive from Kabul, and had set up a base on a plateau above a deep wadi. With open land all around, it was a good spot to ward off attacks.
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Much of Uruzgan is classified by the United Nations as “Extreme Risk / Hostile Environment.” The Taliban effectively controls four-fifths of the province, which, like the movement, is primarily Pashtun. Mullah Omar, the fugitive Taliban leader, was born and raised here, as were three other founders of the movement. The Taliban’s seizure of Tirin Kot, in the mid-nineties, was a key stepping stone in their march to Kabul, and their loss of the town in 2001 was a decisive moment in their fall. The Taliban have made a concerted comeback in the past two years; they are the de-facto authority in much of the Pashtun south and east, and have recently spread their violence to parts of the north as well. The debilitating and corrupting effects of the opium trade on the government of President Hamid Karzai is a significant factor in the Taliban’s revival.
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The Taliban instituted a strict Islamist policy against the opium trade during the final years of their regime, and by the time of their overthrow they had virtually eliminated it. But now, Lieutenant General Mohammad Daud-Daud, Afghanistan’s deputy minister of the interior for counter-narcotics, told me, “there has been a coalition between the Taliban and the opium smugglers. This year, they have set up a commission to tax the harvest.” In return, he said, the Taliban had offered opium farmers protection from the government’s eradication efforts. The switch in strategy has an obvious logic: it provides opium money for the Taliban to sustain itself and helps it to win over the farming communities.

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Wankel had flown in from Kabul five days earlier to meet with the governor of Uruzgan, Abdul Hakim Munib, about the eradication operation, only to discover that Munib had left for Kabul the day before. Wankel was told that a sister of the governor had died or fallen ill—there were several versions—but nobody believed this was the real reason for his absence. Munib, a former Taliban deputy minister, was suspected of retaining ties to the movement. And, Wankel noted, there were poppy fields within sight of Munib’s palace.
“We’re not able to destroy all the poppy—that’s not the point. What we’re trying to do is lend an element of threat and risk to the farmers’ calculations, so they won’t plant next year,” Wankel said later. “It’s like robbing a bank. If people see there’s more to be had by robbing a bank than by working in one, they’re going to rob it, until they learn there’s a price to pay.”