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Friday, April 01, 2016

O SENHOR DEPUTADO É RACISTA!

No debate quinzenal de anteontem na AR o Primeiro Ministro (PM) acusou o presidente do principal partido (PPP) de pretender o máximo de exames no ensino com a ideia de que "quanto mais chumbos, melhor se apura a "raça dos eleitos".
PPP tinha afirmado momentos antes que "acabar com os exames no ensino piora a qualidade do ensino". 
Há três meses, a líder do Bloco de Esquerda (LB) tinha dito, vd. aqui, que "queria ser operada por um cirurgião que em vez de testado na escola tenha sido feliz na escola". 
Resumindo: Duas escolas de pedagogia em confronto.
De um lado, o hedonismo da LB, e, contratualmente, do PM; do outro, o estoicismo do PPP.

Registe-se, antes de mais, o paradoxo deste confronto corporizado, (por exemplo, porque casos destes abundam) no sr. Miguel Fernando Cassola de Miranda Relvas (MR), braço direito, ou esquerdo, ou os dois braços, do PPP : MR com quatro cadeiras (não necessariamente quatro exames) licenciou-se em Ciência Política e Relações Internacionais, tornando-se um eleito pela via da felicidade, contrariando a teoria do PPP.

De muitos se conhecem os currículos com mais exames que um enxame de abelhas, que não chegam, nem chegarão aos calcanhares de MR, e de vários outros personagens públicos com CV semelhantes. Quod erat demonstrandum: os exames são um empata eleitos e não, como pretende o PM, um apuramento racista de eleitos.

Assim sendo, urge retirar destas evidências as racionais consequências, acabando todos e tudo o que com exame se assemelhe. Em todas as escolas, incluindo as escolas de condução. Os exames de condução são um pavor que tem obrigado muitos eleitos a desistirem  de ter os seus pópós. Que frequentem uma escola, vá lá, até porque a actividade emprega muita gente, mas obrigar os pretendentes ao volante a exames de código e condução, induzem nos condutores traumas de menos felicidade  que se lhes depositam nos crânios para o resto da vida, sendo provavelmente a maior causa da elevada sinistralidade na estrada observada em Portugal.

E os exames médicos?
São um flagelo para a nossa felicidade individual e colectiva. Quem é que nunca sofreu a ânsia extrema e prolongada de espera dos resultados de exames médicos? Não há quem, a menos que seja feito de pau.
Sem exames médicos, aumenta-se a alegria de viver e reduzem-se flagrantemente os custos do financeiramente arrombado Serviço Nacional de Saúde.

E os exames às contas do Estado?
Uma exercício de sadomasoquismo colectivo sem sentido porque as contas públicas, como repetidamente se comprova, estão sempre erradas.

E abatam-se ainda, e antes que todos os outros, os atormentadores exames de consciência!

Tome nota disto, sr. Primeiro Ministro!

Friday, April 24, 2015

ONDE MORA A FELICIDADE?

No começo deste mês comentei aqui os resultados de uma avaliação do Eurostat sobre o nível de felicidade dos povos da União Europeia publicados no Economist. Anteontem, foi publicado o relatório da ONU -World Happiness Report 2015 - com intenção idêntica mas de âmbito mundial e metodologia diferente. E se as conclusões do Eurostat reflectiam um grau de menos felicidade declarada pelos portugueses que colocava Portugal nos lugares da cauda do ranking, a transposição para o contexto mundial no relatório da ONU piora a posição relativa da felicidade portuguesa colocando o nosso país muito abaixo dos lugares ocupados nos rankings do Programa de Desenvolvimento Humano (PNUD), também das Nações Unidas, que conjugam os indicadores que, em princípio, deveriam ser forjadores de felicidade: PIB per capita, sistema de saúde, escolaridade, esperança de vida.

Que falta aos portugueses para serem felizes?

(clicar no quadro)

Por que são mais felizes os panamianos (25ª. posição) que os italianos (50ª. posição) e os moldavos (52ª. posição) que os portugueses (88ª. posição)?

Veja-se no relatório, aqui.
A explicação dos factores de avaliação encontram-se nas págs. 22 e 23 do relatório.
Os rankings a págs. 26, 27 e 28.
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Correl. - Há mais suicídios em Portugal que mortes nas estradas. Em média, três portugueses por dia decidiram por termo à vida, segundo o Instituto de Medicina Legal e Ciências Forenses.

Wednesday, April 08, 2015

PROGRESSO EM MARCHA ATRÁS

J. olhava encantado o seu iPhone e chamou a minha atenção para as potencialidades das funcionalidades do bicho electrónico e, discretamente, para a sua habilidade em extrair dele as vantagens que, me pareceu a mim, lhe proporcionavam uma boa dose de felicidade.

- O homem progrediu imenso, filosofou ele quando, para responder à minha curiosidade sobre a marca do brinquedo, me mostrou a maçã dentada no anverso da página digital.
- Que a ciência e a técnica progrediram a olhos vistos, ninguém minimamente informado terá dúvidas; Que a condição humana avaliada pelos valores morais que devem pautar o comportamento humano nas suas relações com o seu semelhante e o planeta em que vive, duvido muito.
- Em todo caso, a medicina, por exemplo, avançou muito nos útimos setenta anos e melhorou bastante a esperança e a qualidade de vida quase por toda a parte ...
- Sem dúvida.  Globalmente, houve um desenvolvimento humano notável medido pela saúde, pela educação, pelo bem estar em geral dos povos ...
- E pela informação disponível. Hoje qualquer miúdo tem ao seu alcance um manancial de informação incomparável com aquela que  nós dispunhamos quando tínhamos a idade que eles agora têm.
- Concordo. Mas tudo isso é exterior na condição humana à forma como o homem se comporta em sociedade. Matam-se menos hoje os homens uns aos outros que no passado mais remoto ou mais contemporâneo? Está hoje a humanidade mais próxima ou mais distante do apocalipse?

Wednesday, April 01, 2015

A FELICIDADE JÁ NÃO MORA CÁ

O tema é recorrente: o que é que faz as pessoas felizes?
Explicações, há muitas, sendo aquela que garante que o dinheiro não dá felicidade mas ajuda bastante que parece recolher mais generalizado consenso.
O Economist de ontem comenta, vd. aqui, os resultados de um inquérito do Eurostat de auto avaliação do grau de felicidade dos europeus. E as conclusões são, em grande medida, as esperadas:  portugueses e gregos atribuem-se graus de felicidade que os remetem para os penúltimo e último lugar num grupo de 14 membros da UE. 

Salienta o articulista do Economist que os graus de felicidade declarados pelos inquiridos parecem estar correlacionados primordialmente com o posicionamento geográfico e, em segundo lugar, pelos níveis de rendimento. Uma conclusão aparentemente surpreendente para um olhar meridional habituado a ver nos nórdicos uma contenção exterior sorumbática moldada pelo calvinismo, níveis de suicídio mais elevados a norte que a sul, onde, apesar da ilusão das aparências, a propensão dos europeus da orla mediterrânica para o epicurismo constituir um vício que os do norte lhes apontam.

Outro quadro comentado é este, c/p acima, que analisa outros factores. 
Não surpreendente é o grau de infelicidade manifestado pelos velhos do sul acima dos 75 anos em contraste com a sorte dos homólogos  escandinavos e, melhor ainda para eles, dos britânicos.
Curiosa, mas não surprendente, é a coincidência dos graus de menos felicidade dos solteiros independentemente do seu posicionamento geográfico na Europa.

Monday, December 08, 2014

CÂNDIDO E LEOPOLDO

O El País de ontem incluía ontem um caderno - El mejor de los mundos possibles  - de diferentes perspectivas, umas mais optimistas, outras mais pessimistas, sobre o mundo de hoje, o futuro previsível, e a comparação com o passado mais ou menos recente.

De todo o conteúdo do caderno, que vale a pena ler, destaco as transcrições  parciais de duas mensagens, de Obama e Ban Ki-Moon, muito exemplificativas da polarização de pontos de vista que a questão - é o mundo hoje melhor ou pior e mais perigoso que ontem? - suscita.

Muitos filósofos e ficcionistas abordaram o tema no passado. Cândido, o personagem criado por Voltaire é, provavelmente, o mais emblemático olhar optimista sobre o mundo para, sarcasticamente, servir o ponto de vista oposto do seu criador. Leopoldo, o personagem de Woody Allen em "Para Roma com amor" representa o perseguido pelos media, que lhe atormentam uma vida simplória. Para Obama, há uma realidade percepcionada, veiculada pelos media, diferente de uma outra reflectida nos indicadores numéricos dessa mesma realidade. Entre as duas, a segunda imagem é mais concreta, e a primeira a mais imediatamente adquirida pela opinião pública em geral.

Mas todos aqueles que chegaram já ao cume da idade adulta, com um conhecimento razoável do mundo que atravessaram, ao olharem para trás, não poderão deixar de reconhecer que, globalmente, o desenvolvimento humano, observado pelos principais indicadores da saúde, da educação, da segurança individual e colectiva, nunca foi tão elevado como hoje.

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Obama:

“En todo el mundo, hay señales de progreso. La sombra de la Guerra Mundial que existía en la fundación de esta institución ha desaparecido; la posibilidad de un conflicto armado entre grandes potencias se ha reducido. El número de Estados se ha triplicado y más personas viven bajo el mandato de Gobiernos elegidos. Centenares de millones de seres humanos se han liberado de la cárcel de la pobreza. La proporción de personas que viven en la pobreza extrema se ha reducido a la mitad. Y la economía mundial sigue reforzándose después de la peor crisis financiera de nuestras vidas. Hoy, ya sea en Nueva York o en el pueblo de mi abuela a más de 300 kilómetros de Nairobi, hay más información disponible que en las mayores bibliotecas del mundo. Juntos, hemos aprendido a curar enfermedades, a dominar el poder del viento y el sol. La mera existencia de esta institución es un logro único: personas de todo el mundo comprometidas a discutir sus diferencias de manera pacífica y resolver juntos sus problemas. Con frecuencia les digo a los jóvenes en Estados Unidos que este es el mejor momento de la historia humana para nacer, pues tienes más probabilidades que nunca de saber leer y escribir, de estar sano y de ser libre de perseguir tus sueños”.

Monday, April 09, 2012

UMA CIÊNCIA ALEGRE

Thomas Malthus (1766-1834) celebrizou-se por ter previsto a insustentabilidade da progressão geométrica do crescimento demográfico perante a progressão arimética dos meios de subsistência. Thomas Carlyle (1795-1881), historiador, considerou que se a ciência económica não ia além de previsões sinistras, não passava de uma ciência triste (dismal science). O apodou colou-se de modo indelével à teoria económica em grande medida porque os economistas continuam mais propensos a prever desastres do que a construir instrumentos que os evitem. Ou assim parece.

Malthus enganou-se? À primeira vista, sim. A população mundial cresceu exponencialmente, como Malthus previu, mas os meios de subsistência cresceram ainda mais. E, no entanto, a fome é ainda a primeira causa de mortalidade em todo o mundo: paradoxos de um modelo de desenvolvimento humano que se reconhece errado mas difícil de corrigir apesar de alguns progressos observados assinaláveis.  

O desenvolvimento humano das sociedades encontra-se desde sempre intimamente ligado à prosperidade económica atingida, daí decorrendo a ideia prevalecente de que se o dinheiro não dá felicidade, contribui muito para ela. Camilo terminava "Onde está a felicidade", editado pela primeira vez em 1856, assim: «Em suma, queres saber "onde está a felicidade?" / -Se quero!!…/ - Está debaixo de uma tábua, onde se encontram cento e cinquenta contos de réis.» -

Opondo-se à ideia que o crescimento económico é condição necessária, ainda que não suficiente, para a realização da condição humana, porque só ele permite criar emprego e dar um sentido sociológico à vida humana, alguns economistas têm vindo a propor outras formas de avaliar esse sentido de realização que não imprimem aos indivíduos o sentimento de que o crescimento do PIB é alfa e ómega da felicidade humana. 

Sobre este assunto tenho colocado neste caderno alguns apontamentos (localizáveis clicando na etiqueta "felicidade") a última das quais, aqui.

Esta semana o Economist dedica aqui aos trabalhos destes economistas (que Mr. Thomas Carlyle consideraria "gays" - por oposição aos dismal - se o designativo não tivesse sido apropriado para outros propósitos) um artigo a propósito de um estudo recentemente publicado - World Happiness Report - com a chancela, entre outras, da prestigiada Universidade de Columbia.

E se Camilo, a quem o dinheiro nunca prometeu muito, rematou a sua novela com o encontro da felicidade com cento e cinquenta contos de reis debaixo do soalho, Pearl Buck (1892-1973), Nobel da Literatura em 1938, em Onde mora a Felicidade? idealizou para Madame Wu (reconhecidamente muito rica) uma perspectiva de felicidade bem diferente: " Ao completar quarenta anos, Madame Wu leva a cabo a decisão que tem planeado há já algum tempo: comunica ao marido que após vinte e quatro anos de casamento não deseja ter mais contacto físico com ele e pede-lhe que tome uma segunda esposa. A Casa de Wu, uma das mais antigas e reverenciadas da China é tomada de surpresa e indigna-se com esta decisão, mas Madame Wu não se deixa dissuadir e escolhe uma jovem camponesa para tomar a sua vez no leito conjugal. Elegante e distante, Madame Wu planeia esta alteração na sua vida da mesma forma como sempre geriu uma casa onde co-habitam mais de sessenta familiares e criados. Sozinha nos seus aposentos, aprecia a sua liberdade e finalmente tem a possibilidade de ler os livros que lhe estavam vedados. Quando o seu filho inicia lições de inglês, percebe que também gostava de aprender esta língua e em breve está também a aprender com o Irmão André, um padre progressista que irá alterar a sua vida."

Já para Schmidt, protagonizado por Jack Nicholson (About Schmidt), quando ficou viúvo, a primeira experiência de felicidade após o desenlace foi a possibilidade de urinar sem que a mulher lhe ralhasse por causa do seu excesso de desleixo ou da sua habitual falta de pontaria...

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Act. Nem felizes nem deprimidos, os portugueses vão andando...

Saturday, February 25, 2012

A INFELICIDADE DE NÃO CHEGAR AO FIGO

Geralmente associa-se precisão duma medida à objectividade que lhe está em princípio subjacente. Contudo, o grau de  objectividade possível é aquele que a realidade objecto da medida consente, independentemente dos instrumentos utilizados.

Psicólogos, sociólogos, economistas e outros ditos cientistas sociais, dedicam grande parte da sua vida à observação dos comportamentos humanos, e perseguem insistentemente na tentativa de avaliação da plurifacetada expressão dos mesmos. Um dos temas perseguidos é a avaliação da felicidade dos povos, um tema que está longe de ser apenas uma curiosidade para publicações light porque é assunto central de investigação realizada para a compreensão dos fenómenos sociais de modo diferente dos "mainstream".
Por exemplo, Bruno S. Frey, professor da Universidade de Zurique, autor de "Felicidade - Uma revolução na economia", (2008) traduzido em português para a Gradiva, tem centrado os seus trabalhos dentro de uma perspectiva integradora da ciência política, da psicologia e da sociologia com a economia.

Não admira, portanto, que para além da curiosidade popular que o tema suscita, apareçam de quando em quando trabalhos de avaliação da felicidade dos povos.  Aliás, neste bloco de notas já coloquei vários apontamentos (p.e. este, este, este), entre outros.
Via o Economist desta semana, alcancei aqui o resumo de um relatório da Ipsos, uma empresa britânica de estudos de opinião, resumido graficamente a seguir:



É surpreendente que indonésios e indianos, por exemplo, se sintam mais felizes, de um modo geral, que os alemães, os franceses, os italianos, e outros povos onde o grau de desenvolvimento humano, segundo o PNUD, Programa para o Desenvolvimento das Nações Unidas é dos mais elevados no mundo? Refiro o PNUD e não o PIB/per capita considerado no estudo da Ipsos por aquele indicador considerar outros parâmetros (educação, saúde) para além do rendimento médio. Mas as conclusões não são significativamente diferentes, considerando um ou outro dos índices.

Os portugueses não foram abrangidos, presumo. Se fossem, provavelmente, estariam na cauda do pelotão.

As conclusões do estudo em questão são discutíveis e outros estudos haverá com conclusões algo diferentes.

Mas representam, devem representar, um contributo para a humanidade repensar os caminhos para onde a conduzem os indicadores de avaliação do progresso, esses sim, geralmente tidos por indiscutíveis mas que estão a conduzir a alguns resultados pavorosos.  

Sustentando-se a ideia do crescimento económico e social no crescimento do consumo, a confrontação dos que não têm capacidade de acesso aquilo que as televiões, as rádios, os cartazes, a internet, os cartões de crédito, os bancos, promovem até à exaustão, a infelicidade mede-se também pela diferença entre a exposição à tentação de comer um figo e a frustração da falta de altura para o apanhar.

Segundo a filosofia popular, o problema para o minorca agudiza-se se tem por perto um matulão interessado na  figueira.

Tuesday, May 24, 2011

FELIZES, OS RICOS

porque deles é o reino da terra.

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Sunday, December 26, 2010

ONDE MORA A FELICIDADE

A religião traz a felicidade ou ela já está no cérebro?

"Em Fortaleza, no Nordeste brasileiro, jazia uma criança subnutrida, com uma doença de estômago. A mãe procurava consolá-la:
 "Vais para o Céu, meu menino."
 A criança olhou para a mãe, abriu muito os olhos e perguntou:
 "Há pão no Céu, mãe?"




Friday, July 02, 2010

EXCEPÇÃO E REGRA

Anteontem, num apontamento aqui concluia-se que o dinheiro faz bem à felicidade.
Hoje, lê-se aqui que um matemático russo, Gregori Porelman, que resolveu um problema antigo e ganhou um prémio de um milhão de dólares, rejeitou o prémio e parece feliz por não ter nada.

O prémio foi-lhe atribuido pelo prestigiado Clay Mathematics Institute Millennium Prize pela solução de um problema de geometria tri-dimensional, a conjectura de Poincaré, que desde 1904 desafiava os mais brilhantes matemáticos de todo o mundo.
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Uma leitura cínica poderia sugerir que talvez Gregori Porelman se tenha sentido ultrajado com a oferta de 1 milhão de dólares quando soube que Di Maria se transferiu para o Real Madrid por mais de 30 milhões. Mas não é o caso. Porelman, que tem 43 anos e vive com a mãe, é feliz, pobre e isolado.

Thursday, July 01, 2010

DINHEIRO E FELICIDADE

O dinheiro compra a felicidade? Não. Mas é uma boa entrada, segundo a conclusão de um relatório que observou um universo de 136 mil pessoas em 132 paísesUma conclusão científica que a intuição popular há muito descortinou: O dinheiro não dá felicidade mas dá uma boa ajuda. 

No Washington Post de hoje o relatório é comentado aqui e a resposta de Ed Diner, professor meritus da Universidade do Illinois, que liderou o estudo, resume as conclusões: Sim, o dinheiro, o rendimento tem um efeito muito importante na felicidade para a generalidade das pessoas em todo o mundo. Mas transmite mais satisfação que conforto. As sensações positivas são mais influenciadas pelos acontecimentos pessoais do dia a dia que pelo dinheiro.*

O binómio dinheiro/felicidade é recorrente e os investigadores sociais continuam a procurar medidas que melhor avaliem a felicidade do ser humano, dando por adquirido que o indicador de rendimento traduzido em unidades monetárias pelo PIB per capita, ainda que fosse possível calculá-lo correctamente, não avalia a qualidade de vida dos indivíduos e das sociedades. Mas, por outro lado, sendo correntemente citado, influencia de forma decisiva os objectivos, muitas vezes erráticos, perseguidos pelas sociedades em geral.

A propósito: O Presidente Sarkozy convidou em Fevereiro de 2008 Stiglitz, Amartya Sen e Jean-Paul Fitoussi para constituirem uma comissão com o objectivo de recomendar medidas de avaliação da evolução económica e do progresso social, convicto que os actuais padrões de medida, e nomedamente o PIB, estão longe de ser fidedignos mesmo se são utilizados em conformidade com os requisitos standard estabelecidos. O relatório da "Commission on the Measurement of Economic Performance and Social Progress", foi recentemente editado e pode ser lido aqui.
(Vd ainda um apontamento, entre outros, colocado aqui em Outubro do ano passado sobre o mesmo assunto).
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*How income correlates with happiness

Money can buy one component of happiness, well-being, according to a Gallup poll of 132 countries. A few countries, in order of gross domestic product per capita, and how their citizens evaluated their lives:

Wednesday, October 07, 2009

END THE PIB - 2

Ainda que os indicadores económicos careçam frequentemente de alguma fiabilidade para sustentarem conclusões irrebatíveis, mesmo quando formulados em relatórios de origens insupeitas, como é o caso do relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, PNUD, este sugere leituras interessantes.
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Pegando no quadro que ontem coloquei aqui (e que só é legível se for ampliado, clicando sobre ele) e no quadro homólogo publicado há dez anos (Human Development Report 1999), primeiro relatório do PNUD: Os dez primeiros lugares do ranking do índice de desenvolvimento humano -IDH - que em 1999 (dados de 1997) eram ocupados pelo Canadá, Noruega, Estados Unidos, Japão, Bélgica, Suécia, Austrália, Holanda, Islândia e Reino Unido, passaram a estar ordenados no relatório de 2009 (dados de 2007) do seguinte modo: Noruega, Austrália, Islândia, Canadá, Irlanda, Holanda, Suécia, França, Suíça e Japão. Foram despromovidos os Estados Unidos (3º. em 1999, 13º. em 2009), a Bélgica (5º. em 1999, 17º. em 2009), o Reino Unido (10º. em 1999, 21º. em 2009). Ascenderam a Irlanda (20º. em 1999, 5º. em 2009), a França (11º. em 1999, 8º. em 2009), a Suíça (12º. em 1999, 9º. em 2009).
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Particularmente interessante é a leitura da última coluna do quadro colocado ontem, relativo ao ranking dos 38 países considerados como de "desenvolvimento humano muito elevado", que inclui Portugal na 34ª.posição, portanto à beira da despromoção.
É estabelecida nessa coluna a diferença entre as posições no ranking desses países segundo o PIB per capita em termos de paridade de poder de compra e as posições dos mesmos no ranking de IDH.
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Trata-se de uma diferença que avalia em que medida a riqueza gerada por uma sociedade se reflecte na disponibilidade de serviços de educação e saúde, aqueles que primordialmente garantem aos cidadãos níveis de desenvolvimento humano mais elevados. A uma maior diferença, positiva ou negativa, corresponde um maior desfasamento entre a riquesa (avaliada em termos de PIB) e a qualidade básica de vida em que essa riquesa é, ou não é, investida.
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São, a este título, flagrantes as diferenças positivas observadas na Austrália (20 posições), França (17), Japão (16), Islândia (16), Canadá (14), Espanha (12), Nova Zelândia (12) por oposição às diferenças negativas observadas nos Emiratos Árabes Unidos (menos 31), Qatar (30), Kwait (23), Brunei (24), Hong Kong (13), Singapura (16), Liechtenstein (18), Luxemburgo (9), Estados Unidos (4).
Para Portugal a diferença é de 8 posições positivas.
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Se não são surpreendentes as diferenças negativas observadas nos países produtores de petróleo do Médio Oriente, a inclusão de Hong Kong, Singapura, Liechtenstein, Luxemburgo neste grupo é, de algum modo, inesperada.

Tuesday, October 06, 2009

END THE PIB

Os indicadores económicos, ou quaisquer outros, são instrumentos de informação de uma parte da realidade a que se reportam. O PIB é indicador mais utilizado em análise económica mas está muito longe de poder sintetizar toda a infinidade das vertentes em que a realidade social e económica se evidencia.

Não sendo um indicador soberano é, no entanto, geralmente tido como tal. Não há relatório macroeconómico que não dê destaque ao crescimento económico em função da variação do PIB. O PIB é a meta móvel para onde todo o pelotão corre. É uma corrida racional? Parece que não, mas para discutir a questão importaria antes discutir o que é racional. Uma discussão que tem milénios, apesar de ser a razão o handicap que marca a diferença entre o homem e os restantes bichos.

O artigo que ontem coloquei aqui, a propósito de um relatório de uma Comissão criada por Sarkozy, liderada por dois Nobel da economia, Stiglitz e Amartya Sen, com o objectivo de formular um indicador susceptível de substituir o PIB como referência do crescimento desejável. Para já, a coincidência na substituição existe mas o substituto está ainda longe de ser encontrado.
No dia em que o for, passará o PIB à condição de indicador secundário? A curto e médio prazos, penso que não. A longo prazo, não estaremos cá para nos deslumbrarmos com uma economia feita de outro modo.
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O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD ) publicou em 1999 o primeiro relatório elegendo um indicador de desenvolvimento humano (IDH) que integra para além do PIB*a esperança de vida à nascença, a taxa de alfabetização de adultos e a taxa de escolaridade.
Tem tido um impacto reduzido na avaliação da performance das sociedades.

O indicador procurado pela Comissão Sarkozy (e por outros autores, economistas e psicólogos que têm vindo a explorar outras vias para análise económica) não procura um indicador complexivo como o PNUD mas um conceito que introduza na análise uma forma de observar a realidade económica distinta daquela que deu à economia estatuto científico.

O relatório do PNUD deste ano, acaba de ser publicado e dele se reproduz no quadro (que tem se ser ampliado, clicando nele, para poder ser lido) parte ranking dos países segundo o IDH.

Para além das muitas leituras que o documento permite, realço, por agora, o facto de entre 1997 e 2007 (o relatório do PNUD reporta-se sempre ao penúltimo ano relativamente ao ano de edição) Portugal ter caído do 28º. lugar para o 34º. Em termos de PIB, caiu, no mesmo período d0 31º. lugar para o 42º.

Andamo-nos a portar mal. E é pouco provável que outro indicador venha a alterar substancialmente a apreciação do nosso comportamento colectivo.

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* PIB per capita e em termos de paridade de poder de compra.

Monday, October 05, 2009

ACERCA DA FELICIDADE





Stiglitz, Amartya Sen: GDP A Poor Measure Of Growth
Among the possible casualties of the Great Recession are the gauges that economists have traditionally relied upon to assess societal well-being. So many jobs have disappeared so quickly and so much life savings has been surrendered that some argue the economic indicators themselves have been exposed as inadequate.
In a provocative new study, a pair of
Nobel prize-winning economists, Joseph E. Stiglitz and Amartya Sen, urge the adoption of new assessment tools that incorporate a broader concern for human welfare than just economic growth. By their reckoning, much of the contemporary economic disaster owes to the misbegotten assumption that policy makers simply had to focus on nurturing growth, trusting that this would maximize prosperity for all.
“What you measure affects what you do,” Mr. Stiglitz said Tuesday as he discussed the study before a gathering of journalists in New York. “If you don’t measure the right thing, you don’t do the right thing.”
According to the report, much of the world has long been ruled by an unhealthy fixation on swelling the
gross domestic product, or the quantity of goods and services the economy produces. With a singular obsession on making G.D.P. bigger, many societies — not least, the United States — failed to factor in the social costs of joblessness and the public health impacts of environmental degradation. They allowed banks to borrow and bet unfathomable amounts of money, juicing the present by mortgaging the future, thus laying the ground for the worst financial crisis since the 1930s.
The report is more critique than prescription. It elucidates in general terms why leaning exclusively on growth as an economic philosophy may yield unhappiness, and it suggests that the incomes of typical people should be weighed more heavily than the gross production of whole societies. But it sidesteps the thorny details of slapping a cost on a ton of pollution or a waylaid career, leaving a great mass of policy choices for others to resolve.
Some Americans may reflexively reject the report and its recommendations, given its provenance: it was ordered up last year by President
Nicolas Sarkozy of France, whose dissatisfaction with the available tools of economic assessment prompted him to create the Commission on the Measurement of Economic Performance and Social Progress. Tuesday’s briefing was held in an ornate room at the French consulate. The official French statistics agency is already working to adopt the report’s recommendations. Mr. Sarkozy plans to bring it with him to the G-20 summit meeting in Pittsburgh this week, where the leaders of major countries will discuss a range of policy issues.
But whatever one’s views on the merits of European economy policy, and wherever one sits on the ideological spectrum, these appear fitting days to re-examine how economists measure vital signs — particularly in the United States.
By most assessments, the American economy is now growing again, perhaps even vigorously. Many experts expect a 3 percent annualized rate of expansion from July through September. As a technical matter, the
recession appears to be over. Yet the unemployment rate sits at 9.7 percent and will probably climb higher and remain elevated for many months. In millions of households still grappling with joblessness and the tyranny of bills, signs of health served up by the traditional economic indicators seem disconnected from daily life.
This was precisely the sort of contradiction Mr. Sarkozy sought to unravel when he created the commission, tasking it with pursuing alternate ways of measuring economic health.
To head the panel, he picked Mr. Stiglitz, a former
World Bank chief economist whose best-selling books amount to an indictment of the Washington-led model of global economic integration. Mr. Sarkozy also selected Mr. Sen, a Harvard economist and an authority on poverty.
The resulting report amounts to a treatise on the inadequacy of G.D.P. growth as an indication of overall economic health. It cites the example of increased driving, which weighs in as a positive within the framework of economic growth, as it requires greater production of gasoline and cars, yet fails to account for the hours of leisure and work time squandered in traffic jams, and the environmental costs of pollutants unleashed on the atmosphere.
During the real estate bubble that preceded the financial crisis, the focus on economic growth helped encourage overbuilding and investment in real estate. Mr. Stiglitz argues that the single-minded focus on growth gave American policy makers a false sense of assurance that their policies were virtuous, as they allowed financial institutions to direct virtually unlimited sums of money into real estate and as consumer debt levels built with unrestrained momentum.
Credit enabled spending, and spending translated into faster growth — an outcome that was intrinsically good, and never mind how long it might last or the convulsions that would accompany the end of easy money.
A growth-oriented policy encouraged homeowners to borrow as if money need never be repaid, and industry to produce products as if the real cost of pollution were zero, Mr. Stiglitz added.
“We looked to G.D.P. as a measure of how well we were doing, and that doesn’t tell us whether it’s sustainable,” he said at the briefing. “Your measure of output is grossly distorted by the failure of our accounting system. What began as a measure of market performance has increasingly become a measure of social performance, and that’s wrong.”
Instead of centering assessments on the goods and services an economy produces, policy makers would do better to focus on the material well-being of typical people by measuring income and consumption, along with the availability of health care and education, the report concludes.
Many of these prescriptions will no doubt resonate with policy makers and ordinary people.
Indeed, the difficulty comes in turning these general principles into new means of measurement. The report notes that its authors concur on the big picture, but diverge on the methodologies to be employed when it comes to factoring in the value of a better education and cleaner skies.
The old mode of measurement has taken a beating, and yet the new one, it seems, is still a work in progress.
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Friday, December 22, 2006

ONDE MORA A FELICIDADE?

"...there is reason to think that the tendency to look over one's shoulder in just this way may well have intensified in recent years, at least in the international context...
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The most plausible explanation for this puzzingl change is that while people in pre-television era mostly compared themeselves to their fellow countrymen, and felt either satisfied or frustrated depending on whether their own circunstances matched what they saw at close hand, once a new generation grew up watching TV it began to look at matters differently...
.
When residents of cities like Athens or Lisbon, for example, watch programs dipicting urban life in Lyon, Stuttgart, and Los Angels, what they see may well matter more to their sense of themselves than their impression of condictions in the rural villages and farms of the Greek or Portuguese countryside."
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THE MORAL CONSEQUENCES OF ECONOMIC GROWTH - Benjamin M. Friedman