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Tuesday, February 08, 2022

SÃO ROSAS, BOAVENTURA

".... o que era o PEC 4 de Sócrates em 2011: privatização da TAP, EDP, REN, CTT, lei das rendas (o que veio a ser a Lei Cristas), redução dos salários e pensões, alteração das leis laborais, facilitação dos despedimentos. Como à época esclareceu António Vitorino, o PEC 4 era em 95% igual ao memorando da troika. ..."- aqui

Wednesday, October 18, 2017

POR ENTRE OS PINGOS DE SANGUE


Já foi dito e demonstrado que o actual primeiro-ministro é mui hábil manobrador. 
Mas não há habilidade que chegue se o espaço de manobra se estreita e deixa o manobrador sem margem de manobra. 
Depois da tragédia de Pedrogão Grande e arredores percebeu-se muito nitidamente que, para além das circunstâncias naturais excepcionais, a protecção civil do território estava entregue a um conjunto de gente geralmente incompetente. A ministra da Administração Interna, soube-se esta manhã, pediu a demissão, mas o primeiro-ministro sempre confiante no seu jeito e na boa estrela procurou safar-se entre a chuva de sangue que caiu naquela noite de um Junho normalmente tórrido. E não aceitou o pedido de demissão da ministra obrigando-a a desempenhar um papel que ela não queria continuar a exercer.

Terá o ministro da Defesa, embrulhado em discursos contraditórios no caso de Tancos, também visto recusado pedido de demissão que o mais elementar sentido de Estado impunha? Não sabemos, mas as dúvidas levantam-se e não se dissipam porque o primeiro-ministro insiste em refugiar-se atrás das atribuições do Ministério Público ignorando o óbvio: independentemente da identificação dos larápios e eventuais coniventes, em Tancos havia, e continua a haver, cadeias de comando com responsabilidades fixadas que já devem ter identificado, mas não dizem, quem não estava onde devia ter estado e porquê. Não dizem esperando que o tempo passe e a memória colectiva se esqueça. *

Ontem, não tão inesperadamente quanto as memórias curtas terão sido levadas a  supor, o Presidente da República, interpretando o espanto e o desespero dos portugueses foi claro e disse e fez o que se impunha, impedindo que a habilidade do primeiro-ministro pretendesse continuar a escapar intocado entre os pingos grossos de uma segunda chuva de sangue. Ordenou-lhe que revisse os quadros e os esquemas e apresentasse desculpas aos portugueses, assumindo, reconhecendo, que, entre outros,  os serviços de protecção civil tinham provado que não tinham protegido o que deviam ter protegido.

E agora, sr. primeiro-ministro, como se despe a soberba e veste a dignidade de obedecer e pedir desculpas? Logo, veremos.
E agora, srª Catarina Martins, como sustenta a continuidade deste Governo, que circunstâncias inevitáveis obrigaram a tergiversar quando prosseguia uma caminhada de sucesso que parecia imparável? Não tem alternativa, tem de garantir-lhe o voto de confiança que os comunistas não garantirão nem negarão.
Ou caem todos sem se saber quem se levanta.
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* Segundo notícia de última hora, "Armamento roubado em Tancos foi recuperado pela Polícia Judiciária Militar O material de guerra foi encontrado esta noite na região da Chamusca."

A polícia fez o que lhe competia. Falta ao Governo fazer o que lhe compete. Há responsabilidades políticas a que não pode esquivar-se. Caso contrário, para que serve o Ministério da Defesa?

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Correl. -
O PINHAL DO REI

Catedral verde e sussurrante, aonde
A luz se ameiga e se esconde
E aonde, ecoando a cantar,
Se alonga e se prolonga a longa voz do mar:
Ditoso o «Lavrador» que a seu contento
Por suas mãos semeou este jardim;
Ditoso o Poeta que lançou ao vento
Esta canção sem fim ...

Ai flores, ai flores do Pinhal florido,
Que vedes no mar?
Ai flores, ai flores do Pinhal florido,
Rei Dom Dinis, bom poeta e mau marido,
Lá vêm as velidas bailar e cantar.

Encantado jardim da minha infância,
Aonde a minh'alma aprendeu
A música do Longe e o ritmo da distância,
Que a tua voz marítima lhe deu;
Místico órgão cujo além se esfuma
No além do Oceano, e onde a maresia
Ameiga e dissolve em bruma,
E em penumbras de nave, a luz do dia.
Por este fundos claustros gemem
Os ais do Velho do Restelo ...
Mas tu debruças-te no mar e, ao vê-lo,
Teus velhos troncos de saudosos fremem .

Ai flores, ai flores do Pinhal louvado,
Que vedes no mar?
Ai flores, ai flores do Pinhal louvado,
São as caravelas, teu corpo cortado,
É lo verde pino no mar a boiar.

Pinhal de heróicas árvores tão belas,
Foi do teu corpo e da tua alma também
Que nasceram as nossas caravelas
Ansiosas de todo o Além;
Foste tu que lhes deste a tua carne em flor
E sobre os mares andaste navegando,
Rodeando a terra e olhando os novos astros,
Ó gótico Pinhal navegador,
Em naus erguida levando
Tua alma em flor na ponta alta dos mastros!...

Ai flores, ai flores do Pinhal florido,
Que vedes no mar?
Ai flores, ai flores do Pinhal florido,
Que grande saudade, que longo gemido
Ondeia nos rames, suspira no ar!
Na sussurrante e verde catedral
Oiço rezar a alma de Portugal:
Ela aí vem, dorida, e nos seus olhos
Sonâmbulos de surda ansiedade,
No roxo da tardinha,
Abre a flor da Saudade;
Ela aí vem, sozinha,
Dorida do naufrágio e dos escolhos,
Viúva de seus bens
E pálida de amor,
Arribada de todos os aléns
De este mundo de dor;
Ela aí vem, sozinha,
E reza a ladainha
Na sussurante catedral aonde
Toda se espalha e esconde,
E aonde, ecoando a cantar,
Se alonga e se prolonga a longa voz do mar…


In  "Ilhas de Bruma", de Afonso Lopes Vieira, (1878-1946)


 D. Dinis

Na noite escreve um seu Cantar de Amigo
O plantador de naus a haver,
E ouve um silêncio múrmuro consigo:
É o rumor dos pinhais que, como um trigo
De Império, ondulam sem se poder ver.

Arroio, esse cantar, jovem e puro,
Busca o oceano por achar;
E a fala dos pinhais, marulho obscuro,
É o som presente desse mar futuro,
É a voz da terra ansiando pelo mar.
                                                                                   

                                                                                      Fernando Pessoa

Monday, July 31, 2017

POBRES MAS BEM CALÇADOS

"A líder do Bloco de Esquerda afirmou esta segunda-feira, na sequência da polémica medida de Vieira da Silva, que o Rendimento Social de Inserção (RSI) é “de tal forma baixo” que não permite sequer adquirir gasolina para o carro. ..." - aqui

"Vieira da Silva decidiu que um cidadão com um carro de valor superior a 25 mil euros pode ter acesso ao Rendimento Social de Inserção (RSI), desde que cumpra os restantes requisitos. As alterações foram publicadas na sexta-feira em Diário da República e entram em vigor este sábado, aliviando as restrições nas condições de atribuição. A mudança é, na prática, mais uma reversão das alterações do Governo anterior ..." - aqui

Como é que alguém que cumpre os requisitos para beneficiar do RSI consegue juntar recursos para comprar carro de valor superior a 25 mil euros?

A srª. Catarina Martins sabe o que pretende.
Resta saber se, quando a corda partir - a corda um dia vai partir - a srª. Catarina Martins não cai de costas. - vd. comentário colocado aqui

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Tuesday, April 18, 2017

O MILAGRE DO ZIGUEZAGUE

Segundo me é dado aperceber pelo que leio, a redução da despesa incidiu sobre o fornecimento de serviços e produtos, e presumo que haverá algum mérito nisso.

A redução do investimento público em equipamento não tem colocado em causa, suponho, o regular funcionamento dos serviços. E quanto ao investimento em infraestruturas, as câmaras têm-se encarregado de animar alguns empreiteiros locais. Há agora ciclovias desde norte a sul, em Bragança até instalaram escultura no começo do traçado ao longo do Fervença. 






Em Bragança 22 quilómetros de ciclovias integram um plano de desenvolvimento de 25 milhões de euros.
Em Lisboa, é o que por aí se vê de obras que, são favas contadas, irão garantir a vitória do sr. Fernando Medina em Outubro. 

Quanto ao facto de descer o défice e subir a dívida só há uma explicação possível e nenhum milagre: há despesa que vai à dívida mas escapa ao défice: por exemplo, mas um exemplo pesadíssimo, as contribuições dos contribuintes para equilibrar os bancos desequilibrados, que têm sido quase todos. 

Quanto à instabilidade da geringonça, parece que é mesmo assim que a coisa funciona: como um borracho que ganha equilíbrio de cada vez que parece que vai entornar-se para um lado, caminha aos ziguezagues e não cai.

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Comentário colocado aqui

Thursday, September 15, 2016

CAUSAS E CONSEQUÊNCIAS DE TANTO RALHAR


O professor insistia que, na história da humanidade, o mais importante não era o conhecimento dos acontecimentos que alteraram o seu curso mas as causas que lhe estiveram na origem e as consequências que deles resultaram. E que não confundissem os mais desprevenidos uma coisa com a outra porque se não há causas sem consequências não há consequências inconsequentes.

Ao recordar-me o aviso do professor de História, continuo a ver consequências onde, aqui, o Prof. Nuno Garoupa detecta causas.

Se o seu último parágrafo resume a sua tese nesta parte - "quanto mais o eleitorado virou à esquerda, mais a direita se empenhou na diabolização do adversário e no uso de linguagem radical em detrimento de um programa consistente e estudado."- foi o discurso que fracturou diabolicamente as hostes em confronto ou essa diabolização decorre do ambiente cerrado criado pela crise, que a receita da troica não ajudou a digerir?

O crescimento do BE é resultado da agressividade do seu discurso ou da crise espoletada há oito anos com toda a ganga de casos espúrios expelidos pelo vulcão, nomeadamente no sistema financeiro?
Se não tivesse ocorrido a crise (que já estava latente muito antes de 2008) teria o BE crescido como cresceu?
Se o anterior governo PS não tivesse as culpas que lhe são assacadas teria cedido tanto perante o BE?
Não teria.

O que justifica o crescimento do discurso do BE foi a perda de confiança no PS e a culpabilidade assumida pelo PSD na administração da receita da troica, com dispensa do negociador e subscritor do protocolo, o PS.

Depois o crescimento exponencial dos media amplificou, e continua amplificar, como nunca no passado os mimos atirados de cada um dos lados.
O sucesso do marketing político não passa, lamentavelmente não passa, pela discussão racional de propostas alternativas.
Basta olhar para os cartazes com que os partidos conspurcam sistematicamente o ambiente público.

Em casa onde não há pão ...

Wednesday, August 24, 2016

ENQUANTO O PAÍS DORME

A banca não pára de nos trucidar.

O Expresso deste fim-de-semana acrescentava aos quase mais cinco mil milhões devorados pela Caixa, a quase certeza que o Novo Banco, se for vendido, ninguém dará por ele mais que tuta-e-meia, e que o BPN, o buraco sem fundo do BPN, "pode custar", segundo avaliações recentes, ao Estado (qual Estado, qual carapuça, quem paga são os contribuintes!) mais de 9 mil milhões de euros!

Recorde-se que o sr. Teixeira dos Santos, ministro das Finanças na altura, garantia publicamente, algum tempo depois de ter sido nacionalizado o ninho de ratos que se chamava BPN, que deste facto "ainda não tinha resultado perda alguma para os contribuintes". 
Registe-se também que à nacionalização apenas se opôs, se bem me lembro, (pasme-se!) o PCP.

Mais tarde, caiu o governo PS com a ajuda dos parceiros no actual governo PS, e o ministro T dos Santos foi pregar para outra freguesia até lhe ser oferecido o lugar de presidente do BIC, que o sr. Mira Amaral aquecera com a compra, por menos que nada, do BPN!, o tal que o governo, com T dos Santos nas Finanças, nacionalizara.  

As empresas (empresas porquê?) incumbidas de recuperar o mais possível os salvados do monumental rombo andam há cerca de oito anos à procura do fundo do buraco, e, cada ano que passa, alegremente constatam que a profundidade aumenta. Compreensivelmente alegres, porque se alongam os seus honorários à medida que se alonga o fundo do buraco. 
Do outro lado da cena, a cabra-cega cambaleia, entontecida pelos foliões do jogo. 

A mim, interroga-me uma incontida dúvida a que  não vi ainda ninguém perguntar nem dar resposta:
Se, como tudo leva a crer, as perdas resultantes destes escândalos e destas ribaldarias são devidas por calotes incobrados (agora chamam-lhe créditos tóxicos, imparidades) os caloteiros (perdoem o plebeísmo, que pode ser feio mas é preciso): 

- morreram?
- fugiram?
- estão insolventes, não têm eira nem beira, eles, a família, e os comparsas deles?

Causa-me enorme estranheza, a mim, certamente ingénuo, que sei de casos de gente que um dia afiançou ou avalizou compromissos (que não se mediam em milhões) que não foram pagos pelos afiançados, e são perseguidos há anos até ao limite da sua capacidade de sobrevivência. Sendo pública uma lista de gente colunável que cravou (ferrou o calote, esmifrou, ...) o BPN em  muitos milhões e continua pujante, colunável e intocável. 

Até a srª. Catarina Martins e o sr. Jerónimo de Sousa, que se afirmam recorrentemente "contra este sistema", mas foram capturados pela geringonça, dormem conivententemente perante tanta complacência, conivência, e falta de vergonha. 

Monday, June 13, 2016

OS LESADOS DA CAIXA

Os jogos financeiros têm sido muito propícios a lesões graves e extensas.
Entre os lesados, destacaram-se, entre outros, até agora, pelo número e gravidade das ocorrências,
os lesados do BPN,
os lesados do BES,
os lesados do BANIF,
e tudo leva a crer que a vaga de lesados vai engrossar.
Mas lesados somos todos, enquanto contribuintes, chamados a pagar os custos das lesões e das moscambilhas que afundaram o país em dívidas.  

Em dia de trambolhão geral, as cotações do BCP tocaram hoje - vd. aqui -, o mínimo histórico de 2 cêntimos, e a queda do maior banco comercial português continua a progredir de modo mais lento do que aquele que vislumbrei aqui mas, ainda assim, consistentemente para o fundo. 


Anote-se, contudo, que,  entretanto, o recorde de vendas em leilão de obras de arte contemporânea atingiu em Fevereiro deste ano - vd. aqui - os 500 milhões de dólares, valendo hoje o BCP pouco mais que dois Interchange (1955) de Willem de Kooning.

Mas do que mais se fala agora é da Caixa. 
Os novos caixeiros pretendem quatro mil milhões de euros - um pouco menos que quatro BCP, pelas cotações de hoje - para governar o banco de todos os portugueses. 
O sr. Marques Mendes disse, e bem, e logo outros disseram o mesmo, que são devidas aos portugueses  explicações dos anteriores caixeiros sobre o estoiro de tanto dinheiro. E que, não devendo a Caixa merecer menos atenção pública que a banca privada, deveria ser o caso estranho objecto de inquérito parlamentar.
A srª. Mariana Mortágua, que se notabilizou no inquérito ao BES e engasgou o sr. Bava, apressou-se a dizer que é preciso cuidado com os bancos e que não faz sentido um inquérito parlamentar à Caixa.

Percebe-se.
Ela sabe quem são os responsáveis pelo negócios obscenos em que a Caixa foi envolvida, durante o anterior governo PS, e mudou a agulha por solidariedade oportunista e fé vagamente ideológica. 

Para esta gente, os lesados da Caixa não contam porque são massa dispersa e geralmente inconsciente.
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Mas há mais. Basta clicar em 

Friday, April 01, 2016

O SENHOR DEPUTADO É RACISTA!

No debate quinzenal de anteontem na AR o Primeiro Ministro (PM) acusou o presidente do principal partido (PPP) de pretender o máximo de exames no ensino com a ideia de que "quanto mais chumbos, melhor se apura a "raça dos eleitos".
PPP tinha afirmado momentos antes que "acabar com os exames no ensino piora a qualidade do ensino". 
Há três meses, a líder do Bloco de Esquerda (LB) tinha dito, vd. aqui, que "queria ser operada por um cirurgião que em vez de testado na escola tenha sido feliz na escola". 
Resumindo: Duas escolas de pedagogia em confronto.
De um lado, o hedonismo da LB, e, contratualmente, do PM; do outro, o estoicismo do PPP.

Registe-se, antes de mais, o paradoxo deste confronto corporizado, (por exemplo, porque casos destes abundam) no sr. Miguel Fernando Cassola de Miranda Relvas (MR), braço direito, ou esquerdo, ou os dois braços, do PPP : MR com quatro cadeiras (não necessariamente quatro exames) licenciou-se em Ciência Política e Relações Internacionais, tornando-se um eleito pela via da felicidade, contrariando a teoria do PPP.

De muitos se conhecem os currículos com mais exames que um enxame de abelhas, que não chegam, nem chegarão aos calcanhares de MR, e de vários outros personagens públicos com CV semelhantes. Quod erat demonstrandum: os exames são um empata eleitos e não, como pretende o PM, um apuramento racista de eleitos.

Assim sendo, urge retirar destas evidências as racionais consequências, acabando todos e tudo o que com exame se assemelhe. Em todas as escolas, incluindo as escolas de condução. Os exames de condução são um pavor que tem obrigado muitos eleitos a desistirem  de ter os seus pópós. Que frequentem uma escola, vá lá, até porque a actividade emprega muita gente, mas obrigar os pretendentes ao volante a exames de código e condução, induzem nos condutores traumas de menos felicidade  que se lhes depositam nos crânios para o resto da vida, sendo provavelmente a maior causa da elevada sinistralidade na estrada observada em Portugal.

E os exames médicos?
São um flagelo para a nossa felicidade individual e colectiva. Quem é que nunca sofreu a ânsia extrema e prolongada de espera dos resultados de exames médicos? Não há quem, a menos que seja feito de pau.
Sem exames médicos, aumenta-se a alegria de viver e reduzem-se flagrantemente os custos do financeiramente arrombado Serviço Nacional de Saúde.

E os exames às contas do Estado?
Uma exercício de sadomasoquismo colectivo sem sentido porque as contas públicas, como repetidamente se comprova, estão sempre erradas.

E abatam-se ainda, e antes que todos os outros, os atormentadores exames de consciência!

Tome nota disto, sr. Primeiro Ministro!

Tuesday, March 08, 2016

O QUE É QUE MARCELO PODE FAZER POR ESTE PAÍS?

Marcelo toma posse amanhã; depois de amanhã chegam a Lisboa Pierre Moscovici, comissário europeu para os assuntos económicos e financeiros e Jeroen Dijsselbloem, presidente do Eurogrupo, para conversações com o primeiro-ministro António Costa. Sendo Moscovici membro do partido socialista francês e Dijsselbloem membro do partido trabalhista holandês, não é esperável que entre os três possam interpor-se obstáculos de índole ideológica. 

Mas o cariz seco e despachado - cf. aqui - com que responderam à jornalista que os entrevistou acerca do comunicado do Eurogrupo que insiste na introdução de medidas de austeridade adicionais - o famigerado Plano B -  numa altura em que o OE 2016 ainda não foi aprovado na especialidade, faz prever um embate difícil para o governo português, entalado entre a espada de Bruxelas e a parede dos parceiros acidentais.

"Não é uma questão de "se", mas de "quando" terão de ser implementadas por Portugal as medidas de austeridade alternativas para corrigir o défice deste ano, aponta o comunicado do Eurogrupo sobre Portugal", repetido por Dijsselbloem na entrevista. Queres acrescentar alguma coisa, Moscovici? Só para esclarecer que o "se" e "quando" significa que têm de ser implementadas e na quinta-feira estaremos em Lisboa. Resumindo: não esperam sequer pelos primeiros resultados da execução do OE em discussão na especialidade na AR. 

O que pode fazer Marcelo Rebelo de Sousa, a quem vai ser submetida para promulgação a lei do OE 2016, para desbloquear o confronto já desenhado entre a Comissão Europeia e o governo português? Se as razões do primeiro-ministro não forem compreendidas pelos seus interlocutores socialistas,  o PR, que não participa em nenhum órgão decisor da União Europeia, tem apenas um poder de influência sobre o primeiro-ministro. Discreto, se cooperar com o governo, público, "se" e "quando" discordar abertamente com ele. 

A crise em ambiente comunitário coloca o Presidente da República na posição ingrata de apoiar, explicita ou implicitamente, as decisões do governo ou entrar, activa ou passivamente, em confronto com ele.

Haverá terceira via, Prof. Marcelo?



Tuesday, January 12, 2016

OS EFEITOS PRECOCES DA CRISE DA MEIA IDADE DE TIAGO BRANDÃO RODRIGUES

Quando há pouco mais de um mês diagnostei aqui um sintoma da crise da meia idade em Tiago Brandão Rodrigues não esperava que os efeitos começassem a fazer-se sentir tão cedo.  O ministro novo da Educação tinha, à partida,  a vida descomplicada pelos compromissos assumidos no âmbito dos acordos bilaterais que permitiram a nomeação do sr. António Costa como primeiro-ministro. Bastava-lhe despachar em conformidade e acabar com os exames de alunos e professores, o sr. Mário Nogueira ficaria sossegado por uns tempos, e quem não concordasse já teria discordado dos termos dos acordos.

Mas Tiago Brandão Rodrigues, apanhado pela crise da meia idade, não se ficou por aí, recorreu ao Conselho Nacional da Educação para um parecer sobre o assunto, e espalhou-se: o CNE defendeu a manutenção das provas no 6º. e no 9º. ano com peso na classificação final dos alunos e a maioria dos professores ouvidos pelo CNE queria a manutenção dos exames de português e matemática no 4º. ano. 

Colocado entre as exigências do sr. Nogueira e o parecer do CNE, T B Rodrigues optou por uma saída apressada que está a ser generalizadamente criticada por professores, directores de escolas e pais dos alunos. Por um lado, impõe que as alterações tenham efeitos imediatos, a meio do ano escolar, do que, se o sr. Marcelo Rebelo de Sousa não fosse candidato a PR, diria "não lembraria ao careca". Depois, acaba com as provas de avaliação, como mandou Nogueira, mas inventou outras, de aferição, a primeira das quais é realizada logo no 2º. ano de escolaridade. A reforma do ministro anterior foi completamente varrida para entrar em vigor, em passo de corrida, a 15ª alteração em 16 anos dos exames no ensino básico. 

Não é por acaso que Portugal apresenta, vd. aqui, um tempo médio baixo de escolaridade ainda que seja normal o tempo institucionalmente pretendido.

Thursday, January 07, 2016

ALGUÉM DEVERIA SAIR

Soube-se hoje que 

o Conselho Nacional de Educação, presidido pelo ex-ministro da Educação e consultor do actual Presidente da República para os Assuntos Sociais,  David Justino, defende a manutenção  de provas externas no 6º. e no 9º. ano com peso na classificação final dos alunos, e que
a maioria dos professores que o CNE ouviu queria a manutenção dos exames de português e de matemática no 4º. ano.  

Formalmente, compete ao ministro Tiago Brandão Rodrigues decidir.
Realmente, Tiago Brandão Rodrigues não tem grande margem de manobra, considerando os compromissos assumidos pelo primeiro-ministro com comunistas e bloquistas, restando-lhe desvalorizar o parecer do CNE. 

E, se houvesse sentido de Estado, ou se demitia o presidente do CNE e, eventualmente o CNE em bloco, ou se demitia o ministro.

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08/01 - 
Comunicado do Ministério da Educação , emitido esta sexta-feira, revela que os alunos do 2º, 5º e 8º anos de escolaridade vão ser submetidos a processos de aferição "antes da conclusão de cada ciclo de modo a poder agir atempadamente sobre as dificuldades detetadas". "No entanto, Ministério decidiu manter os exames nacionais de Português e Matemática no 9º de escolaridade, terminando apenas com os exames para os alunos do 6º. Os alunos do 2º e 5º anos irão realizar as provas na última semana de aulas, enquanto os do 8º vão fazê-la depois de as aulas terminarem."

É uma decisão Salomónica.

Veremos durante quanto tempo a vai aceitar o sr. Mário Nogueira

Monday, January 04, 2016

POR MAUS CAMINHOS

Todos os ministros da Educação se meteram, mais tarde ou mais cedo, por maus caminhos, segundo a avaliação permanente do sr. Nogueira.

"Ministro da Educação anuncia alterações na avaliação esta semana" -
- aqui

Avaliação dos alunos, entenda-se.
Sobre avaliação de professores, népia. 
Ainda assim, não tarda muito que o sr. Mário Nogueira não salte à estrada a dizer o que devia ter sido dito se* o ministro não disser o que ele, Nogueira, lhe disse para ele, ministro, dizer. 
E, se for o caso, chumba-o com uma greve de uns dias, para começar, aplaudida pelo PCP e pelo BE.

*Um se improvável já que o sr, primeiro-ministro garantiu publicamente que o seu governo não apresentará propostas que contrariem as exigências comunistas constantes do acordo bilateral.
E as avaliações dos alunos estão lá.
As dos professores também, mas não se fala mais nisso... São todos igual e fraternalmente bons.
Menos bons que os não tão igualitários senhores juízes, onde há, vd. aqui, bons, bons com distinção e, a maior parte, muito bons.

Thursday, December 10, 2015

O BANIF POR UM CHAVO

Ou nem isso?
A esta hora, quatro da tarde, as acções do Banif já perderam quase 38% durante o dia de hoje.  Até ao fim da sessão, por este andar, vaporizam-se. 
Amanhã, ou há accionamento das regras do Fundo de Resolução ou as obrigações que titulam o empréstimo do Estado para a recapitalização são convertíveis em acções. Qualquer dos casos será um caso bicudo.
Por qual das (más) vias se baterá o PCP? Pela segunda, que equivalerá à confirmação da nacionalização, ou pela primeira, que envolverá, ainda que incertamente, as outras instituições financeiras no remendo de mais este buraco do sistema?

Porquê o PCP?
"Não vamos propor nada com o qual o PCP não concorda", garantiu o primeiro-ministro na AR durante a apresentação do Programa de Governo para a Legislatura. Uma garantia que ninguém pode deixar de ter em conta.

Excepto o BE que irá antecipar-se para dizer como é.
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A notícia saiu ontem já depois de ter editado o meu apontamento do dia, mas é requentada. Há quanto tempo não anda já o sr. Jorge Tomé à procura da rolha?
Hoje, 11/12, às 15,00 horas, a Bolsa de Lisboa cai 2,02% com quase todas as cotadas do (mal chamado) PSI 20 em terreno negativo, salvo a Mota Engil que sobe 0,89% e ... o Banif que sobe 55,56%!, com 1.287.329.143 títulos transaccionados, cerca de 1,8 milhões de euros.
Sobre este comportamento entre menos 38% num dia e mais 55,56% mo dia seguinte não vi ainda notícias nem comentários. Li algures, apenas, que os reguladores, Banco de Portugal e CMVM, não se entendem sobre o que fazer de tão estranha volatilidade. 
Um dia, tarde de mais, saber-se-á o que se está agora a passar.


Friday, December 04, 2015

ENTRE BLOCOS

"O Governo não pode esconder-se atrás do Banco de Portugal", afirmou a líder do Bloco de Esquerda no segundo dia da discussão do "Programa de Governo". Interpelado sobre as dificuldades do Banif e do Novo Banco, o ministro das Finanças tinha remetido para o Banco de Portugal e para o Fundo de Resolução a solução do Novo Banco, e o BE,  voltou à carga no dia seguinte relembrando-lhe que "o BE fará a defesa intransigente dos interesses do Estado e do erário público face a uma banca e um regulador que já falharam demais". 

Colocado perante a recordatória, o ministro das Finanças respondeu desta vez como quem repete ordem recebida para não se esquecer dela: "a posição do Governo perante o Novo Banco é de protecção sem limites do interesse dos contribuintes e do Estado". Assim será?

O PS, na oposição, criticou repetidamente ( e com razão) a posição do Governo por querer lavar as suas mãos do assunto e endossar todas as responsabilidades para o Banco de Portugal pretendendo fazer crer aos distraídos, que geralmente são mais que os outros, que com esta habilidade protegeria do mais que certo desastre os bolsos dos contribuintes. E não protegeu, porque o défice deste ano vai ficar agravado pelo empréstimo ao Fundo de Resolução e ninguém sabe qual o montante final da factura que vai ser apresentada aqueles que pagam impostos. 

Sem saber por onde sair, o ministro das Finanças saiu por onde saíram os seus antecessores quando garantiram que das moscambilhas dos artistas do BPN, BPP, BES, e mais alguns, não resultariam ónus a pagar pelos contribuintes. Viu-se!

O que fará o BE quando um dia estes, não muito distante, o Governo reconhecer que há mais uma factura gorda a pagar pelos portugueses pelas tropelias da banca?

Tuesday, December 01, 2015

NÃO FOI ASSIM QUE EINSTEIN EDUCOU O FILHO

Hoje, anotaram-se por aqui e aqui algumas reflexões sobre os benefícios e os malefícios dos exames escolares. Isto, a propósito da decisão tomada na Assembleia da República, ainda o ministro da pasta da Educação não tinha entrado à porta do ministério, de voltar a acabar o exame no quarto ano de escolaridade. 

"Uma quarta classe bem feita, dizia-se com sobeja razão, dá para toda a vida". Mudam-se os tempos, mudam-se as ciências e as tecnologias, e hoje não é invulgar deparar com gente jovem, ou ainda jovem, habilitada com o ensino secundário, médio ou superior, com evidentes más relações com a aritmética e a gramática. 

Ainda a propósito do mesmo tema, publicou o EL PAÍS um artigo - Así es como Einstein educó a su hijo - que alinha claramente no campo daqueles que levantam um ror de argumentos contra os exames escolares. 

Paradoxalmente, o título e o texto, talvez por distracção do autor, não se conformam com o destino da descendência do génio ímpar que foi Albert Einstein: O seu filho Hans Albert declarou em 1973 ao  New York Times: "Provavelmente, o único projecto do qual ele desistiu fui eu. Tentou dar-me conselhos mas desistiu quando descobriu que eu não correspondia e estava a perder tempo comigo"

Teve mais dois filhos: Lieserl, que morreu com um ano de idade; Eduard que sofria de esquizofrenia.

Friday, November 27, 2015

JÁ???

"As bancadas do BE e do PCP assumiram que ainda não chegaram a acordo sobre o ritmo de eliminação da sobretaxa de IRS proposto pelo PS (até ao final de 2016) e que esperam encontrar uma alternativa de extinção mais rápida na discussão na Comissão de Orçamento. A posição foi deixada no debate desta quinta-feira, em que o PSD e o CDS assinalaram o “desconforto” das bancadas mais à esquerda.
Esta sexta-feira o diploma deve baixar à comissão sem votação na generalidade, o que evita um chumbo, já que para o projecto do PS ser aprovado o PCP e o BE têm de votar a favor, tendo em conta que o PSD e CDS votam contra. Os comunistas também não concordam com o ritmo da extinção da contribuição extraordinária de solidariedade (CES) e da reposição dos salários dos funcionários públicos. "- aqui
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Correl . -

"Primer choque entre comunistas y socialistas en el Parlamento portugués" -  aqui



Monday, November 23, 2015

O TERCEIRO RASTILHO?

O PR entregou hoje ao Secretário-Geral do PS um documento, vd. aqui, integrando um conjunto de questões que pretende sejam esclarecidas com vista a uma futura solução governativa:   

a) aprovação de moções de confiança;
b) aprovação dos Orçamentos do Estado, em particular o Orçamento para 2016;
c) cumprimento das regras de disciplina orçamental aplicadas a todos os países da Zona Euro e subscritas pelo Estado Português, nomeadamente as que resultam do Pacto de Estabilidade e Crescimento, do Tratado Orçamental, do Mecanismo Europeu de Estabilidade e da participação de Portugal na União Económica e Monetária e na União Bancária;
d) respeito pelos compromissos internacionais de Portugal no âmbito das organizações de defesa colectiva;
e) papel do Conselho Permanente de Concertação Social, dada a relevância do seu contributo para a coesão social e o desenvolvimento do País;
f) estabilidade do sistema financeiro, dado o seu papel fulcral no financiamento da economia portuguesa.

PS responde hoje por carta, vd. aqui, depois de ouvir Bloco e BCP. 
Entretanto o Secretário-Geral do PCP já se antecipou afirmando, vd. aqui, que "não há razão nenhuma para as exigências de Cavaco". 





"Pela Constituição - A comissão promotora das comemorações do 25 de Abril convocou* para 24 de Novembro, ao fim da tarde, uma concentração em defesa da Constituição, no Largo do Carmo, em Lisboa" - Expresso - 21 de Novembro de 2015  

A comemoração do 25 de Novembro de 1975 foi, implicitamente, rejeitada pelo PCP, PEV, BE e PS, que faltaram à reunião convocada pelo presidente da AR, com aquele objectivo, sem aviso nem explicações. Vale a pena, a este propósito, recordar a quem vai perdendo a memória pelo caminho, os factos que mais imediatamente antecederam as acções militares e políticas entre 24 e 25 de Novembro de 75. 

Resumo dos factos, relatados por António Reis, co-fundador do PS, em "Portugal, 20 anos de democracia" .

- 9 de Novembro - Cerco do Palácio de S. Bento por uma manifestação de trabalhadores da construção civil, que mantêm deputados constituintes, primeiro-ministro e parte do Governo sequestrados ao longo de 24 horas. É a completa desautorização do Governo e a humilhação do único órgão até então legitimado pela vontade popular.
- 16 de Novembro - Lisboa é invadida por uma gigantesca manifestação organizada pelas comissões de trabalhadores da cintura industrial e com a participação do proletariado rural alentejano, manifestação esta que recebe o apoio declarado de Otelo.
19 de Novembro - O Governo auto suspende-se do exercício de funções, exigindo de Costa Gomes garantias de apoio militar para poder governar. Este recusa-se a mudar os comandos militares, receoso de uma acção de força que desencadeasse uma guerra civil. Será o Conselho a Revolução a lançar o rastilho, ao ousar nomear Vasco Lourenço comandante da Região Militar de Lisboa, em substituição de Otelo. Lourenço faz saber de imediato que porá cobro ao estado de indisciplina de algumas unidades e substituirá os respectivos comandantes. As unidades em causa, reunidas no COPCON, opõem-se à sua nomeação, que é, no entanto, confirmada pelo Conselho da Revolução, que decide ainda dissolver a Escola-Base de Pára-Quedistas de Tancos. É o segundo rastilho que se acende.
25 de Novembro - Os pára-quedistas numa operação relâmpago ocupam as bases aéreas do País com excepção de Cortegaça ...o RALIS toma pouco depois posições de controlo dos acessos da auto-estrada do Norte, mas no COPCON surgem as primeiras hesitações por parte de Otelo, que acaba por recolher a casa. 
Costa Gomes tenta ainda negociar com os pára-quedistas, mas, pressionado pelos moderados, que lhe dão conta da sua superioridade operacional proclama o estado de emergência na área de Lisboa, dando luz verde à neutralização da sublevação. Simultaneamente, consegue persuadir os conselheiros gonçalvistas da Armada a evitarem a intervenção dos fuzileiros em favor dos revoltosos e dissuade acções de mobilização popular por parte das estruturas afectas ao PCP...

O desfecho do 25 de Novembro acabou por ser o produto da precipitação voluntarista do extremismo de esquerda que, desamparado pela prudência táctica de comunistas e gonçalvistas, esbarrou com a determinação do sector moderado, que há muito se encontrava preparado para uma eventualidade como esta.  
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Friday, November 13, 2015

UM TIRO NA CAGARRA

Éramos oito* e só um apostou que o PR vai deixar que o executivo demitido na terça-feira passada continue em exercício de funções. Os outros sete, entre os quais me incluo, apostaram que ele vai, a contra gosto, acabar por nomear Costa como primeiro-ministro depois da visita à Madeira. E a razão parece linear: um governo de iniciativa presidencial seria chumbado sem apelo nem agravo; um governo de gestão, manietado até ao termo da inibição do PR para dissolver a AR, terminaria os seus dias destroçado pelos imbróglios em carteira, e o líder do PS teria a maioria absoluta garantida, salvo se a sua inabilidade fosse tanta que perdesse uma segunda oportunidade soberana. 

No meio da discussão, toca o telefone.

- Viva! Desculpe mas estou aqui no meio do almoço, o barulho é muito, podemos falar mais tarde?
- Tenho uma notícia importante!
- O que é que aconteceu?
- O PR já decidiu ...
- Ele disse-lhe?
- A mim, claro que não. Mas alguém muito próximo dele passou essa informação a ...
- E que decidiu ele?
- Que vamos ter governo de iniciativa presidencial ...
- O Passos disse que não aceita.
- Mas o primeiro-ministro será outro. Fala-se em alguém muito próximo do PR.
- Outro governo para 11 dias?
- Não, não. Esse governo chumba e continua como governo de gestão.
- E chega ao fim com os bofes de fora. É o melhor cenário para o Costa, o pior para o Passos.
- Qual é, então, o melhor?
- Melhor, para quem?
- Para o Passos ...
- Se o Costa é nomeado, é ele e o PS que ao fim de um ano estarão liquidados. E não só: também o PCP e o Bloco de Esquerda levarão um rombo que será histórico. Quem ficar fora do governo nos próximos tempos ganha as legislativas com maioria absoluta ... 
- O Passos fica de fora se o PR nomear governo de sua iniciativa ...
- Dá no mesmo. Ganharia o Costa.


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*Curiosamente, dos oito reunidos à mesa, sete são e sempre foram de esquerda. O outro é, naturalmente, céptico. Para seis de esquerda, o PR não tem alternativa senão nomear Costa, para o sétimo, o PR não nomeia Costa porque não quer; para o céptico, um governo de gestão seria um tiro mal apontado pelo PR.