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Wednesday, September 29, 2021

O JOGO DA CABRA CEGA

Notícia do dia - João Rendeiro não tenciona voltar a Portugal - aqui

Ouço na rádio alguns juristas e nenhum deles aponta autores das falhas na justiça. É o corporativismo a corroer um órgão de soberania e, inevitavelmente, a democracia.

"Condenado a três penas de prisão efetiva por crimes enquanto liderava o Banco Privado Português, o ex-banqueiro terá fugido para fora da Europa e adiantou no seu blog que não pretende regressar."

Pergunta inevitável de quem não esteja a dormir o sono dos coniventes:  A quem terá pago Rendeiro a facilidade da fuga?

Monday, April 03, 2017

OS SANTOS DE TEIXEIRA

"Não tive quaisquer dúvidas quanto à capacidade de Armando Vara
- Teixeira dos Santos

Há mais de uma dezena de anos, era, nessa altura, o sr. Teixeira dos Santos presidente do Conselho Directivo da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), assisti a uma conferência em Lisboa, presidida por ele, sobre o mercado de capitais em Portugal. 
No fim da oração do presidente, houve o tradicional convite à assistência para perguntas ao orador.
Depois de alguns instantes sem que ninguém levantasse o dedo, ergueram-se três ao mesmo tempo.
Fui o terceiro a ser contemplado com a oportunidade de perguntar.

- Senhor presidente, ouvi-o com toda a atenção, e continuo com uma dúvida sistemática acerca da transparência, melhor dizendo, acerca da falta de transparência dos mercados de capitais, e, sobretudo do mercado do que se convencionou chamar "fundos de investimentos mobiliários". Porque os designados "fundos de investimento" são, por natureza, opacos. Sabemos como evoluem as suas cotações, mas não é possível ao pequeno investidos avaliar, ainda que aproximadamente, o risco associado ao mix de opções feitas em cada momento pelos gestores de fundos: as componentes são sempre em número elevado, as opções dos gestores constantemente variáveis, e sempre retardada a possibilidade do conhecimento da consistência dos valores dos activos investidos. Resumindo: a aposta em "fundos de investimento mobiliários" é uma aposta em algo menos transparente que uma aposta no casino. Pelo que se deveria aplicar-lhes a legislação que regula os casinos e não aquela que regula o mercado de valores mobiliários. 

Houve um burburinho na sala, que logo se calou quando o sr. Teixeira dos Santos, não havendo outras perguntas, respondeu às três questões colocadas, começando pela última, a minha.

- Não posso aceitar, porque não é verdade, que não haja possibilidade do investidor conhecer a constituição de cada fundo, porque é publicamente conhecida, nem que esteja impossibilitado de avaliar o risco que o investimento em cada um comporta.
E mais não disse sobre o tema, passando a responder às duas outras questões.  

Há dias, o sr. Teixeira dos Santos, afirmava em entrevista do "Dinheiro Vivo/DN/TSF", que vale a pena ler para avaliar a capacidade contorcionista do entrevistado,  além do mais, que "não teve quaisquer dúvidas quanto à capacidade de Armando Vara". 

Também não teve dúvidas, na altura, em afirmar que da nacionalização do BPN não resultariam encargos para os contribuintes, mas esta afirmação, reconheça-se, veio a ser, e continua a ser, sistematicamente glosada por todos os ministros das Finanças que sucederam no cargo, e, mais tarde, garantir que os empréstimos da CGD ao BPN  não iriam nunca reflectir-se na dívida pública. 

Hoje, presidente do banco, de capitais predominantemente angolanos, que recebeu os salvados do BPN que, ele, Teixeira dos Santos nacionalizou, reconhece que, também o banco que dirige, vai apresentar resultados negativos de 22 milhões de euros em consequência de imparidades (anteriormente conhecidos por incobráveis) na carteira própria de títulos.

Se bem lida, Teixeira dos Santos está todo nesta entrevista. 
Quanto aos outros todos, que afogaram o país num incontrolado mar de dívidas, são bons rapazes até prova em contrário a cargo da justiça que dorme a sono solto.

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Correl. - Dívida Pública em Fevereiro

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"Os supervisores do sector bancário, dos mercados financeiros e dos seguros querem intensificar a actuação do Plano Nacional de Formação Financeira. E Elisa Ferreira refere que a literacia financeira é essencial para o sucesso da supervisão. "A supervisão só é possível se o cidadão comum tiver um nível mínimo de formação" para lidar com aplicações financeiras e para gerir o recurso ao crédito." 
Hojeaqui, mais conversa fiada.


Monday, September 05, 2016

PARA QUEM AINDA TIVESSE DÚVIDAS


Crise portuguesa também teve origem na banca
 c/p Jornal de Negócios

"Trabalho de investigação do ISEG mostra que o elevado crescimento do crédito após a adesão ao euro provocou uma crise bancária em Portugal. Custo do Estado com a banca já soma 26% do PIB.

Em países como Espanha ou Irlanda foi a situação na banca que obrigou a pedir auxílio externo. Em Portugal, a crise sempre foi mais associada ao excessivo endividamento do Estado. Um artigo publicado no Journal of Economic Policy Reform argumenta que Portugal também atravessou, e atravessa, uma crise bancária, gerada após a adesão ao euro.

"Após a adopção do euro, Portugal foi palco de uma crise bancária severa, com seis episódios críticos envolvendo todos os maiores bancos do país (CGD, BPI, Banif, Millennium-BCP, BES, BPN e BPP)", conclui o artigo científico "Portugal's banking and financial crises: unexpected consequences of monetary integration?", da autoria de dois professores do ISEG, Tiago Cardão-Pito e Diogo Baptista.

"O debate sobre a crise económica europeia tem estado focado nos relevantes temas da política orçamental e da necessidade de reformas estruturais na zona euro. No entanto, a situação de Portugal pode ter sido consideravelmente piorada por uma crise bancária", refere o artigo.


Os autores sustentam que a adopção da nova moeda eliminou o risco de taxa de câmbio dentro do euro, mas não os riscos de crédito e liquidez. Os bancos, no entanto, actuaram como se todos estes riscos tivessem desaparecido. Seguiu-se um período em que os bancos introduziram grandes quantidades de dinheiro em Portugal, contraindo financiamento no estrangeiro com baixas taxas de juro.

A enorme liquidez criou aquilo a que na teoria económica se designa por bonança de capital. Neste período o endividamento privado e do Estado aumentou de forma expressiva. Depois deu-se o estouro, com os bancos a ficarem privados do acesso ao financiamento estrangeiro. A dívida pública aumentou ainda mais com o resgate dos bancos.

O artigo sustenta a sua tese nos vários indicadores de explosão do crédito após 1999, como por exemplo o crescimento da massa monetária (M2), identificando vários períodos de bonança de capital. E aponta a alavancagem do balanço dos bancos, com o crédito a superar os depósitos em mais de 60% em 2009.
Os problemas começaram em 2008. "Depois de 2007, Portugal tem vivido várias ocorrências de uma crise bancária, que podem ser relevantes para explicar porque o país, nos anos seguintes, encontrou tantas dificuldades em cumprir as obrigações com os credores", escrevem os autores.

Durante o período de aumento do crédito, os empréstimos junto de bancos estrangeiros dispararam. "Este acesso ao financiamento internacional tornou-se quase impossível após o programa de resgate de 2011, dadas as taxas de juro muito elevadas exigidas aos bancos portugueses", salienta o artigo.
O que levou os governos a irem em auxílio dos bancos. "Em vários anos, as garantias públicas à banca, a capitalização pública e os custos com nacionalizações em percentagem do PIB excedem os patamares usados para identificar uma crise bancária", dizem Tiago Cardão-Pito e Diogo Baptista.

Custo chega aos 26% do PIB

Tudo somado, os apoios e intervenções do Estado na banca entre 2008 e 2015 chegam a 26% do PIB anual. O valor não deduz o valor dos juros pagos pelos bancos ao Estado, nos casos em que a intervenção pública a isso obrigou.
"A combinação de um programa de resgate e a necessidade de os bancos se financiarem através do BCE é consistente com a tese de Reinhart e Rogoff (2010) de que as crises bancárias precedem, ou acompanham, as crises de dívida soberana", notam os autores.    
Tiago Cardão-Pito e Diogo Baptista propõe várias explicações para a crise bancária, que se interligam, sem darem nenhuma como definitiva. São elas a mudança da banca portuguesa para um sistema bancário baseado no financiamento em mercado, a falta de adequação das regras e instituições europeias para a adopção do euro, o comportamento das instituições financeiras europeias, a associação entre a indústria bancária e políticos de topo e a falta de preparação da banca nacional para operar no contexto do euro." 

Friday, December 04, 2015

ENTRE BLOCOS

"O Governo não pode esconder-se atrás do Banco de Portugal", afirmou a líder do Bloco de Esquerda no segundo dia da discussão do "Programa de Governo". Interpelado sobre as dificuldades do Banif e do Novo Banco, o ministro das Finanças tinha remetido para o Banco de Portugal e para o Fundo de Resolução a solução do Novo Banco, e o BE,  voltou à carga no dia seguinte relembrando-lhe que "o BE fará a defesa intransigente dos interesses do Estado e do erário público face a uma banca e um regulador que já falharam demais". 

Colocado perante a recordatória, o ministro das Finanças respondeu desta vez como quem repete ordem recebida para não se esquecer dela: "a posição do Governo perante o Novo Banco é de protecção sem limites do interesse dos contribuintes e do Estado". Assim será?

O PS, na oposição, criticou repetidamente ( e com razão) a posição do Governo por querer lavar as suas mãos do assunto e endossar todas as responsabilidades para o Banco de Portugal pretendendo fazer crer aos distraídos, que geralmente são mais que os outros, que com esta habilidade protegeria do mais que certo desastre os bolsos dos contribuintes. E não protegeu, porque o défice deste ano vai ficar agravado pelo empréstimo ao Fundo de Resolução e ninguém sabe qual o montante final da factura que vai ser apresentada aqueles que pagam impostos. 

Sem saber por onde sair, o ministro das Finanças saiu por onde saíram os seus antecessores quando garantiram que das moscambilhas dos artistas do BPN, BPP, BES, e mais alguns, não resultariam ónus a pagar pelos contribuintes. Viu-se!

O que fará o BE quando um dia estes, não muito distante, o Governo reconhecer que há mais uma factura gorda a pagar pelos portugueses pelas tropelias da banca?

Sunday, April 19, 2015

A HISTÓRICA MALDIÇÃO DOS BANQUEIROS DE DEUS

Os banqueiros são todos trampolineiros?
Nem todos. Temos sempre de admitir que não há regra sem excepção. Mas aquilo que vimos, ouvimos e lemos, não pode ser mais condenatório, mesmo com benevolente justiça, das criminosas moscambilhas com que os banqueiros, por toda a parte do mundo, têm assaltado, e continuam a assaltar, os bolsos tanto dos clientes que neles confiam como dos contribuintes que deles desconfiam. 

Por cá, assistimos a actos de verdadeiro banditismo banqueiro, e, de relevante consequente, não se passa nada. Os processos que envolveram banqueiros do BCP prescreveram ou estão em vias disso. Os comparsas do BPP continuam por aí, intocáveis, à solta. Os do BPN, idem aspas. E já lá vão sete anos desde a erupção dos escândalos que forjaram e colocaram o país de pantanas. Entretanto, as últimas notícias dão-nos conta, vd. aqui, que os entretenimentos da senhora  Procuradora Geral da República continuam voltados para a discussão com o Governo acerca da titularidade da pertença dos Mirós que encantavam o senhor Oliveira e Costa.  

Ontem o senhor Marques Mendes, na sua habitual hora televisiva, indignava-se com o normalíssimo facto de ao fim de oito meses, não haver um único arguido no caso BES. Terá matéria para muitíssimos meses mais. A crise que apodrece as raízes deste país, velho e cansado, antes de ser financeira é económica e antes de ser económica é uma crise moral. É uma crise de falta de vergonha das elites e de pusilanimidade colectiva. Que, por sua vez, reflecte uma crise moral maior em progressão nas sociedades ocidentais com particular destaque para o sul católico da Europa.

Para além de mais algumas cenas escabrosas com que banqueiros espanhóis encenam um culebrón repugnante, e onde Rodrigo Rato, vice-presidente do governo de José Maria Aznar, depois director-geral do FMI, banqueiro nos intervalos, ocupa agora o centro da intriga, o El País de hoje inclui um extenso artigo - La maldición de los banqueros de Dios - que merece ser lido e meditado.

Começa assim,

"Es difícil llegar al cielo siendo banquero de Dios. Ese título, atribuido a quienes han dirigido el Instituto para las Obras de Religión (el IOR o banco del Vaticano) desde que Pío XII lo fundó en 1943, suele ser más bien una autopista en el sentido contrario. Ahí está el recuerdo de monseñor Paul Marcinkus, a quien Juan Pablo II protegió de la justicia italiana escondiéndolo en el Vaticano y cuyos dos principales aliados, el abogado de la mafia Michele Sindona y el banquero Roberto Calvi, fueron asesinados. Al primero le sirvieron un café con cianuro en la cárcel y al segundo lo colgaron de un puente de Londres. Tales antecedentes debieron de pesar en el ánimo de Ettore Gotti Tedeschi, el economista que Benedicto XVI situó en 2009 al frente del IOR para limpiar las finanzas vaticanas, hasta el punto de que, tras percatarse de lo que escondían algunas de las 24.000 cuentas opacas del banco, redactó un expediente con documentación sensible, se lo entregó a dos amigos íntimos y les dijo: “Si me asesinan, aquí está la razón de mi muerte”.

Pior, é impossível.

Sunday, December 28, 2014

INOCOMPLICAÇÃO

- Como é que diabo se abre isto, v. sabe?

Tinha colocado o sabão líquido na concha da mão esquerda, depois procurou onde abrir a torneira, olhou de lado, por cima, espreitou por baixo do lavatório, colocou a mão por baixo  e em frente do tubo de saída da água, e, uh! uh!, onde estás estupor que não te vejo?
Dei-lhe uma dica, o truque estava num manípulo ao lado, em aço inox, parecia uma meia pera com um minúsculo píncaro, tudo o que tinha de fazer era rodar o píncaro da pera sobre si mesmo. Resultou, ficou satisfeito e reconhecido. Depois de lavar as mãos, quis fechar a torneira, e não conseguiu. Nem ele, nem eu.

- Se para um homem lavar as mãos são precisos dois para abrir a torneira, quantos serão precisos para a fechar?, perguntava ele, com salutar bom humor, à medida que saíamos do "restroom" do restaurante. 
.
Nunca entendi a maquiavélica intenção da capacidade inovadora dos fabricantes de torneiras. Uma torneira pode ser um mecanismo com o comando mais elementar possível: roda-se o manípulo  para esquerda ou para a direita consoante se pretende abrir ou fechar o caudal do líquido. A torneira misturadora é a única inovação realmente útil depois de milénios de bons e inestimáveis serviços da torneira elementar. Sem que se perceba porquê, a não ser o gosto pela inovação inútil que parece aliciar uma parte da humanidade, os fabricantes de torneiras não param, para proveito próprio, de complicar uma das coisas mais simples do mundo. 

Mas há outros, muitos outros, em número incontável, criadores de complicações para uma vasta  clientela, desde os distraídos aos coleccionadores de inutilidades, passando pelos consumidores de pomada gibóia. De entre os criativos de inutilidades mais bem sucedidos destacam-se os banqueiros e os seus ninheiros de produtos financeiros, não poucas vezes tóxicos. 

Há dias afirmava um ex-secretário de Estado, do Orçamento, salvo erro, que é a ileteracia financeira a maior responsável pelos rombos nas finanças domésticas, provocados pelas compras de produtos financeiros de que os desastrados compradores desconhecem completamente a composição. E recomendava o ilustre que, para evitar mais desastres,  se promovessem programas de formação em literacia financeira. 

Para quê?, se a inovação financeira consiste precisamente na obscurização propositada dos produtos postos à venda? Se, confessadamente, frequentemente nem aqueles que vendem os produtos ao balcão sabem o que estão a vender? Se nem equipas numerosas de peritos conseguem prevenir em tempo útil que banqueiros e outros coniventes enganem meio mundo e o outro e espatifem bancos e empresas supostamente respeitáveis? Que literacia financeira poderia descortinar que o senhor Zeinal Bava e seus apoderados entregavam por entregar novecentos milhões ao senhor Ricardo Salgado e, segundo ele, Zeinal, nem ele sabia que entregava? Para que serve a literacia financeira se o negócio destes financeiros trapaceiros vive do quanto mais confuso melhor?

Não, definitivamente não. Inovações financeiras deverão ser jogadas como nos casinos. Lá, as regras são conhecidas e cada qual sabe ao que vai.  
Eu nunca fui.

Sunday, December 14, 2014

IRRESPONSABILIDADE ILIMITADA

No princípio de Setembro o sr. Nuno Godinho de Matos, advogado experimentado, ex-vice-Presidente da Ordem, agraciado em 2012 por ela, socialista destacado, membro do Grande Oriente Lusitano, entre outras prendas, declarou com o maior desplante deste mundo que, enquanto ex-administrador não executivo do BES recebia 2400 euros líquidos por reunião, nunca abriu a boca nas reuniões daquele orgão, "um acessório de toilete de senhora" - cf. aqui. Comentei, na altura, aqui e aqui, não há mais nada a acrescentar: o sr. Nuno Godinho de Matos é apenas o emblema ridículo da ilimitada irresponsabilidade com que se governam alguns famosos da praça. 

O sr. Oliveira e Costa continua presumidamente inocente há seis anos, e não há notícias que a Justiça tenha, entretanto, obtido dele e dos seus comparsas progressos na recuperação das memórias dos actos que  praticaram para empandeirar aquilo que tinha sido denominado banco. 
O sr. João Rendeiro continua a andar por aí, intocado, em julgamento indeciso. Há dois dias soube-se que o Tribunal de Justiça da UE ordenou a recuperação da ajuda estatal ao BPP. Mas como? Onde é que ela já vai?
O sr. António Guerreiro, ninguém diria, e seus colaboradores foram multados pelo BP por utilização de contas offshore para ocultação de prejuízos. Não deveria o BP retirar-lhes a idoneidade para o exercício das actuais funções? Ou espera o sr. Carlos Costa que o sr. Guerreiro ou outros banqueiros persistam na falsificação dos resultados dos bancos que gerem? Se subsiste no sr. Carlos Costa a impotência para cortar a direito, demita-se! 

Na PT, a desfaçatez do sr. Zeinal Bava é incomensurável. A dele e a dos seus comparsas, incluindo os brasileiros da Oi. Mas continuam incólumes e bem recompensados. O governo sacode a água do capote, a CMVM assobia para o ar, o Novo Banco anda aos papéis, e os pequenos accionistas receberão um dia destes uns títulos de uma coisa chamada CorpCo, caída aos trambolhões de uma vigarice inqualificável.

O sr. Ricardo Salgado consegue depor durante dez horas, segundo as notícias, sem que tenha sido confrontado com uma pergunta indigesta acerca da responsabilidade primeira e última de quem assina as conta das empresas que gerem. Não assinou as contas do BES? Não assinou as contas do BESA? Se alguém lhe falseou as contas, entenda-se com ele num processo competente, mas são os administradores do banco que respondem perante os accionistas, os obrigacionistas e os clientes. Nem o sr. Ricardo Salgado nem os outros administradores do BES e do BESA podem invocar desconhecimento dos locais para onde voaram mais de três mil milhões de dólares. A invocação de desconhecimento só pode provar gestão ruinosa e falência fraudulenta.

Enquanto não houver uma condenação clara e pesada de invocações de esquecimento ou de remessa de responsabilidades para escalões inferiores da hierarquia, não acaba a falta de vergonha desta elite vergonhosa que recrudesceu impante em Portugal. 

Tuesday, September 09, 2014

PARA A HISTÓRIA DA INCOMPETÊNCIA DO BANCO DE PORTUGAL


Apenas mais um fragmento de um volumoso dossier das sistemáticas provas de incompetência da supervisão do Banco de Portugal, a mais recente das quais, e provavelmente a mais estrondosa até agora, foi ter deixado Ricardo Salgado à frente do BES depois de lhe ter retirado a confiança e o ter obrigado a abandonar o cargo, permitindo-lhe realizar operações que foram o estoque final no bicho que já cambaleava. O BP, tanto no caso do BPP como no caso do BPN nunca se quis aperceber das anómalas caracteríticas de alguns fundos comercializados pelos dois pseudo bancos e que, mais tarde, vieram a ser (mal) considerados como depósitos a prazo e, portanto, cobertos pelo Fundo de Garantia, e, no fim de contas, pelos contribuintes. 
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Em entrevista do Expresso/Economia de sábado passado, o presidente da KPMG, auditora do BES, "recusou responsabilidades e, pelo contrário, considerou que a auditora, o Banco de Portugal e a CMVM estão de parabéns."
 
Hoje, vd. aqui, a "KPMG insiste que o Banco de Portugal foi alertado sobre o BES antes do que diz"

É a tentativa mal disfarçada de quadrar um círculo viciado: tentam desculpabilizar-se mutuamente, acusando-se uns aos outros. 

Monday, August 04, 2014

O BES NÃO É O BPN

Segundo Carlos Costa o "Novo Banco " está já esta manhã convenientemente financiado, consoante os regulamentos de Basileia III e as novas regras da União Europeia de recapitalização dos bancos com a borda debaixo de água e risco de afundamento. E, enquanto o senhor Costa esfregava um olho, foi criado um banco novo em folha, sem espinhas, que garante sem contaminações tóxicas a continuidade das boas práticas do intoxicado, os depósitos aos excelentíssimos depositantes e, milagre dos milagres, sem custar um cêntimo aos contribuintes. E, para que não restem dúvidas, ao longo do seu comunicado de ontem à noite, o senhor Carlos Costa repetiu e repisou vezes que nem contei, a sua garantia de intocabilidade dos depósitos e dos contribuintes. É de génio!

Quanto vale a garantia dada pelo senhor Carlos Costa? 
Tanto quanto valeram as suas repetidas e repisadas declarações anteriores recentes de que o banco estava isento de contaminações tóxicas que pudessem abalar a sua solvabilidade e livre de impor o socorro do Estado. Enganou-se estrondosamente. Enquanto assistia divertido no Porto a uma dissertação do professor Bessa, que ridicularizou o seu antecessor Constâncio, o senhor Ricardo Salgado comia-lhe as papas na cabeça e entornava o prato sobre os senhores contribuintes. Ele próprio reconheceu ontem à noite não ter prendido com rédea curta o senhor Ricardo Salgado depois de o  ter despedido e à família da  gestão do banco. Como não fez o que era elementar fazer, considerando os antecedentes próximos e remotos, o senhor Carlos Costa permitiu que o senhor Ricardo Salgado fizesse ao buraco do banco a que presidia o que os gestores da Caixa Geral de Depósitos fizeram ao buraco do BPN: duplicaram-no. 

Garante o senhor Costa os depósitos? Não garante nada. Quem garante os depósitos é o empréstimo da troica intermediado pelo Estado, isto é, garantido pelos impostos dos contribuintes. Se  o banco, limpo e suficientemente financiado for vendido por um valor muito inferior ao empréstimo de quase cinco mil milhões de euros - o BPN foi vendido por 50 milhões menos uns quantos acertos ainda em vias de discussão - por quanto será vendido o "Novo Banco"?  Quem paga a diferença? Os outros bancos? Se assim fosse, por que se atravessaria o Estado no negócio assumindo a quase totalidade do capital do anedótico "Fundo de Resolução"

Disse-se que o BPN e o BPP eram casos de polícia pelos indícios de crimes e desmandos, ainda por julgar, praticados pelos que propositadamente os desgovernavam. O senhor Carlos Costa referiu-se ontem à noite a actos do mesmo estilo praticados pela administração presidida por Ricardo Salgado.

BPN, BPP, BES, que diferença fazem, excepto nos tamanhos?
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(5/8) - "Novo Banco" vale 4,4 mil milhões de euros?"
(5/8) - Otro rescate portugués
 El Gobierno portugués ha acudido con prontitud al rescate del Banco Espírito Santo (BES), cuya mala gestión durante la crisis financiera ha provocado unas pérdidas semestrales de 3.577 millones de euros, el hundimiento casi total de sus acciones y una situación de quiebra. El caso Espírito Santo confirma que todavía colean en la banca europea los efectos de la crisis financiera, agudizados por una gestión muy deficiente. El equipo económico de Passos Coelho pretende convencer de que el rescate del banco no costará dinero a los contribuyentes lusos; pero este objetivo sólo es una declaración de intenciones. Como ha demostrado la capitalización de una parte de la banca española, es muy difícil evitar que los contribuyentes acaben pagando una parte de la reestructuración del banco.
Según el plan expuesto por el gobernador del Banco de Portugal, Carlos Costa, los activos solventes del BES se integrarán en Novo Banco, que se adjudica al Fondo de Resolución Bancaria (formado con capital de bancos privados) y dotado con una inyección de capital de unos 4.400 millones aportados por el Estado (se supone que de forma transitoria) que proceden, a su vez, del dinero aportado por Bruselas para la reestructuración bancaria portuguesa. Los activos insolventes quedan en el BES bajo la responsabilidad de los accionistas actuales (la familia Espírito Santo y Crédit Agricole principalmente). La idea básica es devolver los 4.400 millones con lo que se obtenga de la venta de Novo Banco.

Pero, se mire como se mire, los 4.400 millones son capital público y están avalados por el Estado. Lisboa tendrá que devolver el capital recibido de la troika. Es pronto para decirlo, pero parece improbable que la venta del banco proporcione los 4.900 millones que ha costado su recapitalización al Estado y el Fondo de Resolución; también es poco probable, por tanto, que no haya pérdida para el contribuyente.

Monday, June 16, 2014

O BANCO CENTRAL PORTOU-SE MAL

Na abertura de um  Seminário - La Europa que deja la crisis -, na Universidade Menéndez Pelayo de Santander, Durão Barroso - vd. aqui - culpou o Banco de Espanha "de erros de supervisão muito importantes ao permitir a expansão desmesurada do sector imobiliário, que provocou a crise em Espanha, e recusou que a Comissão Europeia tenha sido culpada dos problemas".Resumindo: A supervisão do Banco de Espanha portou-se mal. E a supervisão do Banco de Portugal?

Deve ter-se portado lindamente... Tanto que o governador Constâncio foi nomeado vice-presidente do Banco Central Europeu em 2010, com responsabilidades de supervisão do sistema, depois de ter sido acusado de falhar na regulação bancária, por alegadamente ter actuado tardiamente no casos BPN e BPP, que custaram aos contribuintes portugueses um montante superior a 9.500 milhões de euros. Em Março deste ano, em entrevista do Expresso, Barroso disse ter alertado Constâncio, então presidente do Banco de Portugal (BdP), para a situação do BPN quando era primeiro-ministro ...".
Sócrates, comentador, comentou a propósito "por que razão não afastou o Governo (de Durão Barroso) e o seu partido das pessoas do PSD que tinham responsabilidades" no banco dirigido por Oliveira Costa?". Boa pergunta.

Dir-se-á que Durão Barroso falava em Espanha perante um auditório espanhol, e seria despropositada qualquer alusão ao comportamento do banco central português. Mas não pode esquecer-se que o figurão era primeiro-ministro, estava o país de tanga - disse ele-, no BPN e no BPP andavam os gandulos a tecer a teia - e ele, confessadamente sabia disso -, e embarcou para Bruxelas a tratar da vidinha.

Agora, desavergonhadamente, em fim de mandato, sente-se alçado para falar de poleiro esquecendo o chão sujo de onde armou o salto.
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Correl. - (17/06) Guindos admite erros. Linde considera "muito pouco útil" culpar o Banco de Espanha pela crise financeira.

Wednesday, June 11, 2014

ESPÍRITO SANTO - EXPLICAÇÃO DO MILAGRE

"Está agora, singelamente, explicado o milagre tão profusamente propalado pelos escribas de serviço nos media sobre a genialidade putativa com que o BES escapou ao apoio do Estado na crise financeira de 2008" - Arma/Crítica cit. Expresso Digital de hoje. 

A ferroada já foi espetada há duas semanas atrás e só me apercebi dela através do Expresso. A blogosfera é um universo em expansão acelerada, só se chega a alguns sítios por indicação dos meios mais conhecidos. Foi este o caso.

De há uns tempos a esta parte destapou-se aquilo que mais ou menos em surdina já se ouvia há muito tempo acerca das vulnerabilidades dos Espíritos Santos. O confronto público com Pedro Queiroz Pereira veio precipitar a divulgação de vários outros desacertos internos até aí razoavelmente contidos no âmbito do grupo. A divulgação recente da dimensão aproximada do descalabro do BES Angola - perdeu o rasto a 5700 milhões de euros - suscita, além do mais, a inevitável questão sobre o que estará ainda mais por vir a seguir. Em todo o caso, o que já se conhece seria suficientemente mau para incluir os  Espíritos Santos na galeria da vergonha, se a vergonha não tivesse há muito sido despachada para o sótão das velharias desusadas, repleta de banqueiros espúrios que atiravam foguetes de artifício há uns anos atrás celebrando resultados de espantar, e prémios e dividendos à mesma altura.

O senhor João Rendeiro - o tal súcio banqueiro que na véspera de ser derrubado por falência se celebrava em livro encomendado - enquanto se entretem no jogo da cabra-cega aproveita a deixa para brindar o parceiro agora na mesma roda com uma ferroada para acerto de contas.

Mas não passa mais nada. No jogo da cabra-cega só é apanhado quem tiver a perna muito curta.
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Correl. -
Ministério Público pede mais de 5 anos de prisão para João Rendeiro (12/6/2014)

Friday, May 30, 2014

ELES POR CÁ TODOS BEM, GRAÇAS AOS DELES

Em Espanha foram pela primeira vez condenados quadros das caixas de aforro, neste caso quatro altos responsáveis de uma caixa de aforros da Catalunha, na altura a terceira de maior dimensão - vd. aqui - por desvio de fundos em proveito próprio, aquilo que costuma designar-se por roubo quando quem desvia não é banqueiro ou parecido. Condenados a prisão, o presidente durante dois anos, e a um ano três outros membros da direcção, escapam às grades por contrapartida da devolução de 28 milhões de euros à procedência.
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Act. - Ouço na rádio parte de uma entrevista ao Procurador Geral Distrital Pinto Nogueira, já  reformado, afirmar que, provavelmente, a prescrição observada no processo Jardim Gonçalves ficou a dever-se a negligência do procurador incumbido do processo. E que, concordando em grande parte com as medidas adoptadas pela actual ministra da Justiça, falta sobretudo reformar as cabeças dos magistrados do Ministério Público. Cito de cor, não garanto que as palavras do entrevistado tenham sido exactamente aquelas, mas o sentido é certamente o que aqui registo.

Sunday, April 20, 2014

POR QUE RAZÃO NÃO VOU VOTAR


Do artigo de opinião, - Os casos também julgam os tribunais - publicado esta semana na sua coluna habitual - Justiça de Perdição - no Expresso - da Procuradora-Geal Adjunta Maria José Morgado, destaco,

"O Banco de Portugal ou a Comissão de Mercado de Valores têm o poder de condenar os responsáveis dos bancos ou de insituições financeiras que prejudiquem o mercado e os clientes ... Depois de aplicação das multas ou de decisões de poibição do exercício de funções o que acontece? Nada, e sempre a coberto da lei, salvo raras excepções. Até 2012, os condenados recorriam das sanções para um tribunal de pequena instância .. (onde) o banqueiro respondia naquele tribunal em companhia dos os restantes clientes do dia tais como carteiristas dos transportes públicos e outros modestos autores de criminalidade de rua...  Este regime de impugnação mantem-se ... depois da criação (em 2012) do tribunal especializado em Santarém. No decurso da impugnação judicial, o tribunal repete tudo, duplica tudo, avalia tudo, desta vez não à luz do regime das instituições de crédito mas do código do processo penal, que tem regras distintas. O que é válido para o supervisor pode ser nulo para  tribunal. O que está feito pode ser desfeito ao fim de anos de audiências pagas pelo contribuinte. Ninguém é condenado por litigância de má fé. É uma espécie de betoneira processual. Há um remédio bom de mais: manter as condenações em coimas e as proibições de exercício apesar da interposição de recurso e impugnação judicial, com obrigação de depósito de todo os valores ou apreensão de bens. Ou seguir a solução europeia: criação de uma comissão especial para rápida reapreciação das impugnações limitadas drasticamente."

Já alguém ouviu o senhor Passos Coelho, ou a senhora Paula Teixeira da Cruz, ou o senhor Paulo Rangel, ou o senhor António José Seguro, ou o senhor Alberto Martins, ou o senhor Francisco de Assis, proporem e aprovarem medidas que desatem as mãos atadas da justiça? Neste como em tantos outros casos fétidos que não abrandam de ser atirados à cara da impotência da opinião pública.

Não há progresso sem justiça. Depois de quarenta anos de lágrimas choradas pelos crocodilos que habitam no pântano, recuso-me a contribuir com a pequeníssima parte que me cabe da faculdade de os alimentar ou fazer-lhes um manguito. 


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Saturday, March 15, 2014

AS CONTAS DOS VIGÁRIOS

Lê-se aqui que "depois de Jardim Gonçalves e João Rendeiro, o fundador do BPN e outros arguidos no caso do Banco Insular também pediram a prescrição parcial das contraordenações, aplicadas pelo Banco de Portugal e que estão em julgamento".
 
É justo. Além do mais, o senhor Oliveira e Costa comprou oitenta e tal Mirós que são um regalo, de que a senhora Gabriela Canavilhas, além de muitos outros, não quere abrir mão, porque, alega ela, ah! ah! ah!, "os Mirós são nossos!"

É portanto, esperável, agora mais que nunca, e já era bastante, que os representantes dos interesses do
Estado, reguladores, supervisores e magistrados, sejam endrominados ou se deixem endrominar pelas contas dos muito argutos advogados ao serviço dos grandessíssimos arguidos. E, no caso, do senhor Oliveira e Costa, pela compra or atacado dos Mirós é, já o apontei há algum tempo neste caderno, devida uma comenda por relevantíssimos serviços à cultura.

Ainda mais do que uma reforma, o Estado que temos precisa de uma barrela de desinfecção. Sem a qual os mercados, os tenebrosos mercados, jamais nos confiarão um níquel sem cobrar um prémio de risco alto pelo mau aspecto. 

Friday, February 07, 2014

A ARTE DOS COMENDADORES

Reconheço que, das pessoas com quem troquei ideias sobre o baladíssimo caso dos Mirós, a maioria defende o investimento público nas 85 obras do artista catalão. Para alguns, o argumento mais sólido é o facto de "elas já se encontrarem cá". E nem todos, devo acrescentar, o fazem por posicionamento político oposicionista.

Entretanto, iniciou-se o julgamento do caso BPP e um dos activos salvados deste outro antro de ratos é uma colecção de arte que poderá valer entre 20 e 60 milhões de euros, registada nos balanços do banco por 40 milhões. O mais provável é que vá um dia destes a leilão. Deverá o governo em nome do Estado português impedir a venda e investir em mais este espólio artístico, instalado na sua quase totalidade em edifício construído para o efeito em Alcoitão? Uma pergunta que deveria ter sido feita à senhora PGR, que, inesperadamente, se revelou uma autoridade em avaliação de arte contemporânea durante a entrevista desta semana. 

E, já agora, porque o tamanho é outro e a permanência mais antiga, deverá o governo em nome do Estado português activar a opção de compra da colecção Berardo depositada a prazo no CCB, com termo já próximo? Neste caso teremos de considerar um investimento superior a três centenas de milhões de euros. Tudo somado, pagaremos pelo conjunto um pouco menos de 500 milhões de euros. Uma ninharia se comparada com os 6 ou 7 (ou 8?) mil milhões de euros que atingirá o buraco do BPN. Que dorme nas secretárias da justiça a sono solto, totalmente insensível à excitação que para aí vai com os Mirós.

Ora se o senhor Joe Berardo já é comentador pelos contributos dados à arte em Portugal, ainda que a Caixa esteja encrencada com o empréstimo que lhe concedeu para compra de posição accionista de relevo no BCP, os senhores José Oliveira e Costa e João Rendeiro merecerão bem a mesma distinção considerando os feitos semelhantes.

Correl. -
Colecção Berardo vale 316 milhões
Fundação Elipse pode ajudar a salvar o BPP (Novº. 2008) A colecção de arte poderá valer 60 milhões de euros
A Elipse estava registada nas contas do banco por 40 milhões mas valerá 20 milhões segundo a Delloite (Fevº. 2014)
Pagamento aos credores do BPP bloqueado em tribunal (Fevº.2014)

Saturday, November 02, 2013

O CRIME QUE COMPENSA

Cinco anos depois da intervenção estatal no Bando Privado Português, um dos ninhos de ratazanas financeiras que a crise de 2008 colocou ao léu, o Banco de Portugal multou em 11 milhões de euros os 11 arguidos do processo de contra-ordenação por falsificação de títulos praticados pela anterior gestão do Banco Privado Português. João Rendeiro foi multado com dois milhões de euros, a pena máxima na lei anterior. Todos os 11 condenados estão impedidos de exercer actividade no sector financeiro. [Público]

Depois de ter primado pela ingenuidade (assim se desculpou o governador de então, agora vice-presidente do BCE) nas suas funções de supervisor, o Bando de Portugal arrasta a averiguação dos factos durante cinco anos e acaba por multar (multa susceptível de contestação pelos bandidos) em valores que são ridiculamente insignificantes quando comparados com os montantes de que se apropriaram os meliantes e seus coniventes.

Desculpar-se-á o regulador que aplicou a pena máxima prevista na lei em vigor à data da ocorrência dos factos, mas é uma desculpa canhestra porque os contornos dessa lei, e da lei actual, foram e são em grande medida da responsabilidade do próprio supervisor. Se o montante de uma multa é legalmente limitado, é sempre compensador o crime que essa multa pretende reprimir se os proveitos do crime excedem o valor máximo legal da penalização. E, deste modo, a multa deixa de actuar como travão repressivo para se tornar num incentivo legal ao crime.

Razão óbvia pela qual são tão frequentes casos como este nas mais diversas áreas de negócios.
Tão óbvia que só os legisladores não dão por ela, vá lá saber-se porquê.
Por reflexão de antecipação de uma situação em que um dia se podem encontrar do lado de lá?

Saturday, October 26, 2013

AINDA ACERCA DA INUTILIDADE DA MATEMÁTICA

Na entrevista com Alan Greenspan que ontem comentei, repeti  aqui o meu espanto com a implícita absolvição, que decorre da imputação das responsabilidades da crise à falibilidade dos modelos económicos, daqueles que montaram esquemas com que enganaram meio mundo, dinamitaram o sistema, e encheram os seus bolsos, e que nenhum modelo económico ou avaliação antropológica, psicológica ou outra poderia contemplar porque exorbitam das áreas científicas por serem do foro criminal.

Aliás, logo a seguir à violenta erupção da crise, mimosearam-se os economistas com acusações mútuas, sendo na oportunidade, naturalmente, mais empertigados os críticos das teorias ditas neoliberais, por serem supostamente os académicos os mentores das artes com que os banqueiros trapacearam meio mundo e colocaram as economias mais fragilizadas de patas para o ar. O testemunho de Greenspan, um liberal que enquanto jovem, frequentou o círculo ultra radical de Ayn Rand, alinha, deste modo, paradoxalmente, nas fileiras dos mais acirrados críticos das teorias que nortearam a sua carreira à frente da Fed, para abonação da conduta dos banqueiros.

Ainda assim, se são escassos os casos que até agora colocaram nos EUA alguns criminosos atrás das grades, dos quais Bernard Madoff foi o mais destacado, vários bancos foram multados (vd. artigo sobre o tema no Expresso/Economia de hoje) e muitos processos se encontram ainda pendentes de julgamento judicial. Considerando a relativa leveza das multas e a impunidade da generalidade dos autores dos crimes, os mecanismos financeiros subsistem propensos ao cometimento das mesmas fraudes sistémicas no futuro.

E em Portugal?
Nenhum dos contrafatores pagou nada, mas receberam muitos, presumidas vítimas de processos dolosos a que não aderiram ingenuamente. A uns e outros, banqueiros e cliente oportunistas, foram coagidos a pagar os contribuintes. Entretanto, sabe-se que o Ministério Público ainda existe pelas fugas de informação que fazem as delícias dos jornais e delegam as competências da administração da justiça na impotência da justiça popular.

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Correl . - «Os três principais administradores do Banco Privado Português (BPP) - João Rendeiro, Paulo Guichard e Fezas Vital -, receberam 6,4 milhões de euros em 2008, ano em que a instituição faliu. Só João Rendeiro, antigo presidente do conselho de administração, arrecadou 2,8 milhões, segundo uma tabela de vencimentos incorporada no processo de falência do banco, que corre no Tribunal do Comércio, em Lisboa. Os ordenados dos antigos administradores eram divididos em várias parcelas: salário-base, plafond de despesas, complemento "forex", prémio anual e outro plurianual.» (aqui)

Wednesday, July 24, 2013

MANCHADO

Com 73 anos,  Rui Machete decidiu, inesperadamente, voltar à política activa e será hoje empossado pelo PR como Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros de um governo com um mandato ameaçado pelas turbulências e golpes de teatro num cenário montado pela troica e aceite por um trio de onde se escapou, ou deixaram escapar, o primeiro subscritor. Poderá parecer estranho que Machete tenha aceitado a incumbência mas nada haveria a apontar se ele não tivesse estado envolvido, formalmente ao mais alto nível, nos maiores escândalos financeiros que abalaram ainda mais as contas do Estado o que, dito de um modo mais entendível, assaltaram os bolsos de (quase) todos os portugueses.
 
Machete com fortes ligações ao BPN e ao BPP é o título de abertura todos os noticiários desta manhã.
Machete não ignorava que a sua nomeação como ministro iria imediatamente fazer voltar a notória nódoa que lhe mancha a biografia. Também não ignorava que o facto de ter sido omitida da biografia distribuída apenas iria denunciar que se envergonha daquelas ligações e não terá senão argumentos tolos para justificar os factos que o envergonham e a omissão do que não quer frontalmente assumir.
 
Mas também nem o PR nem o PM ignoravam os factos, e é muito provável que, à semelhança do ocorrido com Franquelim Alves, secretário de Estado, a omissão observada no currículo de Machete venha a ser justificada pela necessidade de abreviar o vasto currículo do ministro Machete. Como se explica, então, que o PM tenha feito um convite e o PR tenha aceitado nomear uma personalidade que, no mínimo, irá agravar a polémica e incentivar os ataques a um governo que começa esta segunda parte do seu mandato com a credibilidade sob suspeita do próprio PR?
 
Só há uma razão credível: Tanto um como outro desvalorizam ou pretendem desvalorizar a tenebrosa afronta à nossa  consciência cívica colectiva provocada pelos crimes ainda impunes cometidos no BPN e o BPP. Porque se Machete não pode ser considerado culpado também não pode ser considerado inocente antes de os tribunais se pronunciarem.

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Como Ministro dos Negócios Estrangeiros as relações com os EUA ficam desfavorecidas.
“Isso denota uma certa podridão dos hábitos políticos, porque deviam saber em que condições eu passei, em vez de darem notícias bombásticas”.
Machete sobre o BPN: "Saímos a tempo" : "É verdade, saímos a tempo." A resposta foi dada por Rui Machete ao deputado comunista Honório Novo na primeira comissão parlamentar de inquérito à nacionalização do Banco Português do Negócios (BPN), a propósito da venda da participação da FLAD na Sociedade Lusa de Negócios (SLN), que era dona do BPN.
Na audição em Abril de 2009, Rui Machete foi questionado sobre o investimento da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD), da qual era presidente, no grupo do BPN.
Machete foi ouvido na qualidade de ex--presidente do conselho superior da SLN, cargo que ocupou até à nacionalização do banco e que resultou da participação accionista da FLAD no capital da dona do BPN, a SLN. "O negócio não foi mau, visto que tivemos uma mais-valia significativa", esclareceu. Os resultados deste investimento, segundo as contas da fundação geraram mais-valias de pelo menos meio milhão de euros desde 2004 - que é o relatório mais antigo disponível no site da FLAD. Nesse ano é referida a alienação de 595 mil acções que geraram uma mais-valia de 402 mil euros. A FLAD ficou com 0,16% que alienou em 2007 por 1,375 milhões de euros, o que resultou em nova mais-valia de 128 mil euros. As duas operações geraram ganhos superiores a meio milhão de euros (530 mil euros). O investimento terá sido realizado em 2001, no mesmo aumento de capital em que o presidente da República, Cavaco Silva, investiu na SLN. A FLAD comprou 1,133 milhões de acções e o próprio Rui Machete deu ordem de compra de 22 650, segundo uma listagem a que o i teve acesso.
O investimento da fundação, que se estendeu a outros bancos, aconteceu porque o BPN tinha uma "remuneração muito interessante". E gerou um "resultado muito interessante que adveio de duas coisas: de que os rendimentos distribuídos eram muito bons e de que nos retirámos atempadamente".
Rui Machete não diz a quem a FLAD vendeu, mas justifica a decisão. "A razão é muito simples: não estávamos satisfeitos com o modelo de gestão do banco, tínhamos sérias dúvidas quanto a isso e quisemos fazê-lo de uma maneira discreta e sempre com a cooperação do Dr. Oliveira Costa, que nunca se recusou a isso." Apesar da desconfiança, "não tive nunca conhecimento de situações que me levassem a suspeitar que estavam a ser cometidos crimes até ao momento em que foi feita a carta ao Banco de Portugal e ajudei a cumprir a obrigação."
A convite de outros accionistas, Rui Machete continua a liderar o conselho superior, órgão que descreve como consultivo. Acompanhou o processo de substituição de Oliveira Costa por Abdool Vakil e mais tarde por Miguel Cadilhe, as tentativas de reestruturação do grupo e as primeiras denúncias feitas ao Banco de Portugal das fraudes no BPN, ainda sob a gestão privada da SLN e pouco antes da nacionalização, em Novembro de 2008. Ainda hoje não é possível fazer as contas à factura do Estado no BPN (ver págs. 8 e 9) , mas admite-se que possa oscilar entre 3500 milhões e 6500 milhões de euros.
Rui Machete, através da FLAD, esteve também envolvido no Banco Privado Português (BPP), mas este investimento não teve bons resultados. A fundação era accionista da Privado Holding, dona do BPP, com 2,6%, e no final de 2008 tinha aplicações de 5,5 milhões de euros. Com a intervenção estatal e posterior insolvência, a FLAD teve de reconhecer perdas e ainda é credora em 1,5 milhões de euros do BPP.
A gestão de Rui Machete na FLAD, da qual saiu em 2010, mereceu duras críticas de um antigo embaixador dos Estados Unidos em Portugal. Num dos telegramas divulgados pelo "Expresso" no âmbito do caso Wikileaks, Thomas Stephenson defendia que tinha chegado a hora de "decapitar Machete". O embaixador americano em 2008 acusava a fundação de gastar 46% do seu orçamento de funcionamento nos seus gabinetes luxuosos decorados com peças de arte, pessoal supérfluo, uma frota de BMW com motoristas e custos com pessoal que incluíam despesas em roupa.
Mas o trio Oliveira Costa, Miguel Cadilhe e Rui Machete aparece ligado também aos polémicos perdões fiscais concedidos entre 1987 e 1990, no segundo governo de Cavaco Silva. Oliveira Costa era então secretário de Estado dos Assuntos Fiscais e Miguel Cadilhe ministro das Finanças. O assunto teve direito a comissão de inquérito parlamentar presidida por Rui Machete que ilibou Oliveira e Costa de quaisquer suspeitas na concessão de perdões fiscais de muitas centenas de milhares de contos."

Rui Machete vendeu acções da SLN ao BPN com ganho de 150%
Cristina Ferreira 02/08/2013 - 07:09
Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros nega ter vendido à Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento os títulos da instituição de Oliveira Costa que tinha comprado para a sua carteira.
aqui
Machete comprou acções por metade do preço

Monday, March 25, 2013

MAS QUE GRANDE BRONCA

Mas que grande bronca!
 
Quando, mais recentemente, Chipre passou, por más razões, a ocupar lugar destacado nos media de todo o mundo, e foi anunciada a receita da troica para lhe ser concedida ajuda à sua rede de bancos o espectro de bancarrota teve de ser contido com o encerramento temporário dos bancos, implicando a suspensão das transferências internacionais e a limitação dos levantamentos nas caixas ATM.
 
Imediatamente, surgiu de todo o lado a pergunta: e por cá, teremos de aviar a mesma receita? Responderam os inteligentes na matéria que não senhor, nem pensar nisso, Chipre era um caso único, as medidas impostas a Chipre jamais seriam aplicáveis a qualquer outro membro da Zona Euro.
 
Hoje à tarde, a notícia em evidência é a declaração feita pelo presidente do Eurogrupo admitindo que Chipre possa ser exemplo a seguir em caso de problemas na banca.
 
Quando se soube com mais algum detalhe o que estava por detrás das decisões do Eurogrupo relativamente a Chipre, e nomeadamente a massiva presença de capitais russos de procedência ilegítima, a imposição de altas taxas aos depósitos acima de cem mil euros pareceu a socialmente mais justa, ainda que tenha criado um precedente que pode espatifar a confiança dos cidadãos nos bancos, base fundamental de qualquer sistema bancário. Em Chipre, a estocada no sistema é demasiadamente profunda e abalará a economia cipriota de modo ainda incalculável.
 
Mas muita gente pensou: como não há capitais sujos russos por cá, ou se há não se notam muito, a saída para a crise cipriota não é extrapolável, como afirmam suas excelências os donos disto.
 
Ainda as medidas a que Chipre se submete não foram aprovadas pelo parlamento em Nicósia, e o líder do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, diz que em caso de problemas na banca, se os accionistas e os detentores de obrigações não conseguirem garantir a solvabilidade de uma instituição, então “se necessário” poderá recorrer-se “aos depositantes” com poupanças acima dos 100 mil euros.
“Se houver risco num banco, a nossa primeira questão deve ser: ‘Ok, o que é que vocês no banco estão a fazer em relação a isso? O que podem fazer para se recapitalizarem?’ Se o banco não o puder fazer, então vamos falar com os accionistas e os obrigacionistas, vamos pedir-lhes para contribuírem para recapitalizar o banco e, se necessário, aos detentores de depósitos não garantidos”, ou seja, às poupanças acima dos 100 mil euros.
  
Quanto a mim, mudei de opinião acerca do assunto: Se esta táctica tivesse sido adoptada nos casos do BPN e BPP, por exemplo, teríamos, aqueles que nunca entraram em tais buracos por suspeita gereralizada sobre o que por lá se passava,  hoje um fardo bem menor às costas.
 
Mesmo que as afirmações do senhor Jeroen Dijsselbloem venham a ser reinterpretadas*, a desconfiança criada pelas suas declarações desta tarde vai ter consequências profundas, e nem todas serão negativas.

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*Act. - Passadas poucas horas o presidente do Eurogrupo recua e afirma que Chipre é um caso específico.