Wednesday, August 20, 2014

E SE DECRETÁSSEMOS O FIM DO CAVAQUISMO?

E se decretássemos o fim do Cavaquismo?
Pergunta, e decreta,  o prof. Pedro Lains num ensaio publicado aqui.
Comentei aqui.
 
Prof. Pedro Lains,

Leio e releio o seu texto e surpreende-me que atribua ao prof. Cavaco Silva responsabilidades, e alguns méritos, suponho, de quase tudo o que terá acontecido neste país desde a adesão ao euro, implicitamente desvalorizando totalmente os governos dos engenheiros Guterres e Sócrates e só muito tenuamente admita algumas responsabilidades de Mário Soares e, usando os seus termos, da linhagem histórica socialista. Tamanha quase exclusividade de responsabilidade assacada ao prof. Cavaco Silva parece-me decorrer mais de uma aversão pessoal do que de uma apreciação isenta de um economista historiador (ou vice versa). O exagero é o maior desvalorizador mesmo de um bom argumento. 

Passando da apreciação histórica dos factos (que só a História sedimenta) para as suas propostas, a minha surpresa aumenta.

Primeiro - Propõe, e cito, que "os departamentos onde se estuda a teoria económica deveriam contratar (ou contactar) cientistas políticos, historiadores, sociólogos, antropólogos, para estimular a discussão social e política no seu interior."

Admitindo, benevolentemente, que se trata de um bom ponto de partida, pergunto: Os departamentos a que alude não são livres de contactar outros cientistas sociais em funções em departamentos homólogos? Perguntando de outro modo, não são os cientistas sociais, historiadores, sociólogos, antropólogos, deste país, já investigadores pagos pelo OE? Ou, ainda de outro modo, por que esperam?

Segundo - Propõe que sejam "alteradas as relações entre o poder financeiro e os órgãos de comunicação social, alteração que deve partir dos dois lados".

Não é ingenuidade a mais esperar que as relações (que eu interpreto como dependências) dos orgãos de comunicação social relativamente ao poder financeiro sejam alteradas por mera vontade das partes? Ou percebi mal?

Terceiro - Propõe "a monitorização de reuniões entre banqueiros e políticos, que deveriam ser públicas, com comunicados sobre as matérias abordadas e respectivas conclusões. Fora delas, não devia haver encontros ou confraternizações".

Aqui, Caro Prof. Pedro Lains, o meu espanto é total. E perdoe-me perguntar-lhe: Em que mundo tem vivido?

Quarto - Propõe "uma maior intervenção do Governo junto dos reguladores, para coordenar o seu trabalho, dentro e fora de fronteiras, e para lhes dar maior protecção política."

Fico confuso porque acredito que a actividade de regulação só será eficiente se existirem mecanismos que obstem à captura dos reguladores pelos regulados. Ora a sua proposta não me parece confrontar-se com a inevitabilidade que referi. 

Quinta - Propõe "mudar a política oficial relativamente aos países menos transparentes de onde vêm grandes fluxos de capital."

Percebo onde quer chegar, e concordo consigo.
O problema é que eles já cá estão dentro, e muito dentro.
Tem alguma ideia para os retirar ou, pelo menos, parar de avançar? Aí é que está o busilis da questão, caro prof. Pedro Lains.
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Extra comentário - Venham mais cinco!



3 comments:

murphy V. said...

É importante reforçar um dos mitos recorrentes na agenda mediática: Foi Cavaco Silva que "destruiu as pescas e a agricultura!"...

Pois...
http://jornalismoassim.blogspot.pt/2013/06/cavaco-portugal-e-ue-ideias-e-mitos.html

Anonymous said...

Cavaco Silva, acabou com a agricultura, pescas e foi com ele que trabalhou aquela equipa que mais tarde veio a tomar conta do BPN e em troca levou as açoēs e uma casa na Coelha. Foi uma boa escola,e no presente dá a mão ao Coelho que também é um mãos limpas, aquelas formações .......nunca mais são investigadas!

Antonio Cristovao said...

O Prof.Lins que parecio ler aqui está nuns devaneios de férias;tambem tem direito - a ferias.