Friday, July 18, 2014

NUNCA DIGAS TUDO

Mesmo "se tudo corresse mal no BES, a solvência estaria garantida e os clientes estariam salvaguardados". Palavras do senhor Carlos Costa, hoje, na comissão parlamentar de Orçamento, Finanças e Administração Pública.

Tudo, é claramente demais. 
O senhor governador, querendo estabilizar o barco, exagerou. A menos que, partindo do princípio de
que, em última instância, pagam as culpas os contribuintes, sendo o BES too big to fail, os depósitos estarão sempre garantidos pelos impostos. Porque, quanto ao cerne da situação, a opacidade é cada vez mais densa: tanto que o novo presidente CEO pretende uma auditoria às contas, o senhor governador do Banco de Portugal uma auditoria forense, e a PGR informa que se encontram abertos vários inquéritos de averiguação de relevância penal. 

Em que ficamos, afinal?
O senhor governador, que ocupa o cargo há três anos, sabendo que o seu antecessor, considerado pelo senhor Daniel Bessa, na presença divertida do senhor Carlos Costa, o culpado número um da nossa desgraça, por se ter distraído na supervisão do BPN, BPP, BCP, Banif, Caixa (sim, senhor governador, sabe que na Caixa também se produziram muitas porcarias) consentiu os descalabros que ainda ninguém conseguiu medir como deve ser e pela Justiça podemos esperar sentados, durante estes três anos não ouviu retinir no Banco de Portugal nenhum alarme mesmo quando das contas do BES constava um grosso crédito ao grupo Espírito Santo? Se não se tivessem arranhado os primos até quando o senhor Carlos Costa continuaria a fazer o papel de senhor constâncio?

Até quando, senhor Carlos Costa, abusarão da nossa paciência?
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(30/7) - "BES precisa de 1500 a 3000 milhões de capital
O Governo já assegurou junto do BCE que há 6.400 milhões disponíveis para ajudar recapitalização do BES. O colapso do GES e alegadas actuações ilícitas causaram perdas de 3.250 milhões no banco, ou seja, 90% dos maiores prejuízos da história da banca."

1 comment:

Antonio Cristovao said...

Bom post. Acrescentava até quando estes eleitores vão esperar sentados para reagir como gente livre e não como resignados indigentes que precisam de estar submissos senão os suseranos zangam-se?
Paparam a treta do BPN pagando pelos que mantiveram bens e estatuto; pagam a indigencia do BP e perdas do CGD. Papam o BCP e agora ainda se preparam as argumentações "nao digas tudo o que sabes" como estrategia bem sucedida e conivencia duma imprensa cada vez mais pobre.