Friday, August 06, 2010

O JOGO DA CABRA CEGA

Nuno Garoupa
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Ao contrário do patusco patriotismo do Procurador-Geral da República, é amplamente reconhecido pelos relatórios internacionais que a justiça portuguesa é lenta e ineficaz (certamente pior que outras justiças europeias). A novidade do recente relatório da Transparency International é que vem dizer que, na área do combate à corrupção, a justiça portuguesa faz bem pouco. Dizem mesmo que o Ministério Público não é politicamente independente, mal organizado, sem os conhecimentos técnicos adequados, sem um modelo de investigação criminal efectivo (páginas 13 e 51-52 do relatório). Evidentemente que os intelectuais do regime, como sempre, logo vieram falar do desconhecimento da organização internacional e da excelente situação que temos. A quem querem enganar? A bem dizer, as organizações internacionais andaram de facto mal informadas durante muitos anos. Consideravam a justiça portuguesa ineficaz mas politicamente independente quando já não era essa a percepção geral em Portugal, nomeadamente nos crimes de colarinho branco. O que está a acontecer é que pouco a pouco a percepção generalizada muito negativa em Portugal se está a estender para as organizações internacionais. Deste tema vamos ouvir mais péssimas notícias nos próximos anos.

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Thursday, August 05, 2010

NEGÓCIOS DOS TUTORES DO ESTADO

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The state and busisness
Governments seem to have forgotten that picking industrial winners nearly always fails

MELHOR, A EUROPA

By Ralph Atkins

The eurozone’s economic recovery was surpassing expectations but it was too early “to declare victory”, the European Central Bank said on Thursday, striking a noticeably less gloomy tone than the US Federal Reserve.

Evidence was mounting that the three months to September would see stronger growth than originally forecast, according to Jean-Claude Trichet, ECB president. Uncertainty remained over outlook, but he dropped a previous description of the level of uncertainty as “high”.

In contrast, Ben Bernanke, Fed chairman, last month noted the outlook was “unusually uncertain” for the US economy and signalled the US central bank would be ready to act if more stimulus was needed.

Mr Trichet’s comments came just hours after Germany reported a stronger-than-expected 3.2 per cent surge in industrial orders in June, and Greece was praised by European Union authorities and the International Monetary Fund for its progress in implementing its emergency economic rescue programme.

Signs that the eurozone is over the worst of the crisis, which earlier this year threatened the stability of Europe’s 11-year-old monetary union, have boosted confidence in financial markets. Further steps in the ECB’s “exit strategy” to unwind exceptional measures taken at the height of the crisis will be considered in September.

Mr Trichet remained cautious, however, saying: “I don’t declare victory.” After a “particularly flattering” second quarter, growth would be less dynamic overall in the second half of the year. He was sending “absolutely no signal of changes in interest rates”.

The ECB on Thursday left its main rate unchanged at the record low of 1 per cent for the 15th consecutive month. In the UK, the Bank of England also voted to leave monetary policy unchanged.

In recent weeks, eurozone banks have reduced significantly the emergency liquidity demanded from the ECB. Market interest rates have risen as a result, but Mr Trichet said that simply reflected a “normalisation” process.

Nor did the ECB president see higher market borrowing costs and recent rises in the euro as, in effect, a tightening of monetary policy. He saw “exactly the contrary”, with the revival in confidence boosting growth prospects.

The difference in tone between the ECB and the Fed reflected the contrasting fortunes of the US and eurozone in recent months in the eyes of financial markets, Mr Trichet suggested.

“After having been extremely negative on Europe and extremely positive on the US, we are now observing some kind of swing in the other direction.” It would be “very premature” to take a “very negative” view on the US economy, he added.

Peter Vanden Houte, European economist at ING in Brussels, argued that the Fed was focused more on the economic outlook and the risks of deflation. “The ECB has been looking more at the normalisation on the financial side.”

But analysts warned the ECB’s relative optimism could prove misplaced. US and eurozone monetary policymakers gather in a few weeks for a regular summit in Jackson Hole, the US mountain resort.

“I can’t help wondering if, when euro area policymakers go hiking in Jackson Hole, they may not return a little bit warier,” said Julian Callow, European economist at Barclays Capital.

O QUE É QUE ACONTECE

se passarmos ao lado destas barbaridades?
Uma construção milenar,
a civilização ocidental,
desmoronar-se-á a pouco e pouco.
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The Taliban pounded on the door just before midnight, demanding that Aisha, 18, be punished for running away from her husband's house. Her in-laws treated her like a slave, Aisha pleaded. They beat her. If she hadn't run away, she would have died. Her judge, a local Taliban commander, was unmoved. Aisha's brother-in-law held her down while her husband pulled out a knife. First he sliced off her ears. Then he started on her nose.


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O JOGO DAS ESCONDIDAS

Passivo da Carris é quase do tamanho dos dois submarinos comprados por Portugal ou, visto pelo outro lado, os dois submarinos custaram mais que o passivo da Carris.
(A propósito: da questão das compensações no negócio dos submarinos não se falou mais. Emergirá um dia destes).
Transportadora reconhece que a sua estrutura financeira está "cada vez mais desequilibrada" e pede ao Estado, que lhe deve dinheiro, que encontre soluções para o problema."

Da Carris,
da CP,
da Refer,
do Metro,
do Metro do Porto,
dos STCP,
das Estradas de Portugal,
do BPN
etc., incluindo os submarinos.

A dívida pública é a parte reconhecida como tal do iceberg que temos que pagar.

O JOGO DA CABRA CEGA


Já é.

Wednesday, August 04, 2010

AS PERSPECTIVAS DO DÓLAR

O euro continua a arrebitar.  Quando o davam por liquidado e a caminho, na melhor das hipóteses, de uma paridade com o dólar, a curto prazo, voltou a mostrar o que vale.

Provado fica, como sempre, que analistas financeiros se soubessem o que afirmam há muito que teriam deixado de ser analistas financeiros.

Por mais que sejam consistentes os fundamentos das suas análises, os jogos especulativos trocam-lhes as voltas.

Só uma taxa tipo Tobin pode reencaminhar os recursos dos especuladores para actividades reprodutivas e reduzir a instabilidade dos mercados.
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Dollar rebounds on US employment report
By Telis Demos in London

 A turn in US economic data has reversed the decline of the dollar, but investors are still expressing concern about the prospects of a global economy that is increasingly reliant on shaky consumers.

The risk appetite picture is mixed. The FTSE All-World stock index is up 0.1 per cent. Asian shares were lower and European shares were flat, but Wall Street is trading higher. The S&P 500 index closed up 0.6 per cent. US Treasury yields are now rising following stronger than expected US employment figures

Tuesday, August 03, 2010

O JOGO DA CABRA CEGA

Tenho os poderes da Raínha de Inglaterra, afirma o PGR Pinto Monteiro em entrevista hoje publicada no Diário de Notícias. 
Não tem não, senhor PGR.
Os ingleses quando reduziram a realeza à dimensão de um símbolo ganharam um produto que lhes garante a parte maior das suas receitas turísticas.

O senhor PGR que dividendos proporciona ao País? Só espanto e decepção.
Afirma, além do mais, o senhor Juiz Conselheiro Pinto Monteiro que  "é tempo de o poder político, seja ele qual for, decidir se pretende um MP autónomo ou "o actual simulacro" e, mais adiante, que "o Sindicato dos Magistrados do Ministério Público é um mero lobby de interesses pessoais que pretende actuar como um pequeno partido político".

O senhor PGR, que foi  nomeado há quase quatro anos para o cargo, só agora se deu conta das inibições que cerceiam as suas capacidades de intervenção? E, se, provavelmente com inteira razão, se encontra amarrado por que não se liberta, demitindo-se.

Sugerido pelo actual PM e nomeado pelo actual PR, o senhor PGR sabe bem que, nas circunstâncias políticas do momento, nem o PM nem o PR o vão substituir. Com que intenção, então, se resigna a um papel decorativo do regime e se dispõe a continuar a participar num jogo em que também é joguete?

Vitalino Canas, já veio reconhecer alguma razão nos suspiros do PGR, avançando a eventual revisão das competências e do enquadramento do cargo em próxima revisão constitucional. 

Afinal, pelo menos neste ponto, o PS reconhece que haverá matéria que merece ser revista. Quando? Ninguém sabe. Até lá continua o jogo.
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Entretanto, Jorge Miranda considera que os poderes do PGR não necessitam de ser reforçados, e que o funcionamento da Procuradoria-Geral da República “depende do modo como o próprio procurador impõe a sua autoridade”. Donde: O actual PGR carece de capacidade de autoridade e não de poderes para a impor. in Público e notório.

FATAL

Sacrifício dos norte-americanos no Iraque está para durar, avisa Obama.

Nunca pensei que pudesse ser de outro modo.
Escrevi-o, repetidamente, neste caderno. No limite, supus a retirada para o largo de modo a permitir uma intervenção massiva imediata se as circunstâncias o exigirem. Enquanto o petróleo do Médio-Oriente for vital para os EUA, nenhuma força os arredará de lá.

O petróleo ainda é, e será ainda por muitos anos, um recurso indispensável, até à sobrevivência, dos países desenvolvidos. E os EUA continuam a ser o maior importador mundial. Se lhes faltasse o petróleo, se nos faltasse o petróleo, por mais insignificante que possa parecer uma redução durante um período não previsivelmente curto, o mundo sofreria um abalo económico e social de uma dimensão inimaginável.

É forçoso não experimentar tal eventualidade. Mas é notório que pouca gente se tenha já apercebido disso. 

Monday, August 02, 2010

O QUE É ISTO?

The Planet and the Radio Dish

MAIORIA IRRESPONSÁVEL

À esquerda, todos contra  a proposta do PSD de um debate de urgência com o Ministro das Finanças: PS, PCP, Bloco e PEV contra ideia de reunir Comissão Permanente e Jaime Gama concordou. Sociais-democratas criticam esquerda por indiferença com o “regabofe orçamental”.

Quando todos os indicadores* apontam no sentido de uma derrapagem das contas públicas que dificilmente será travada com as alterações tributárias do segundo semestre, a esquerda decide ignorar o estampanço iminente e não prescinde das férias.

Entretanto, aqui ao lado, o Governo de Zapatero decidiu reduzir o período de descanso estival a um fim-de-semana prolongado.

Se o PS conta, e o País precisa, de um acordo interpartidário para a aprovação de medidas de excepção, o PS não deve deixar de prestar contas quando essa prestação lhe é requerida por quem suportou as suas propostas, e o País espera que ela se faça.
De modo a evitar a repetição das surpresas que, no ano passado, agravaram as medidas que se tornaram mais duras e urgentes este ano.
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Jaime Gama acaba de prestar um péssimo serviço ao País.
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* Câmaras demoram sete meses a pagar facturas às construtoras, lê-se hoje no Público. Uma notícia que já não chega a ser tão frequentes são as notícias do crescimento do endividamento das câmaras, dos hospitais, das empresas de transportes públicos, e em geral de todas as entidades dependentes de subsídios do Estado. 
Enquanto a eficácia no combate à evasão fiscal das empresas voltou aos níveis da década de 90: apenas 36% pagam IRC.

EURO = 1,317 DÓLARES

É bom? É mau?
Bons sintomas, más perspectivas.

Sunday, August 01, 2010

A PROPÓSITO

do Plano Inclinado de ontem, e do apontamento colocado aqui.
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The rising power of Chinese worker
In China´s factories, pay and protest are on the rise. That´s food for China, and for the world economy  
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CHEAP labour has built China’s economic miracle. Its manufacturing workers toil for a small fraction of the cost of their American or German competitors. At the bottom of the heap, a “floating population” of about 130m migrants work in China’s boomtowns, taking home 1,348 yuan a month on average last year. That is a mere $197, little more than one-twentieth of the average monthly wage in America. But it is 17% more than the year before. As China’s economy has bounced back, wages have followed suit. On the coasts, where its exporting factories are clustered, bosses are short of workers, and workers short of patience. A spate of strikes has thrown a spanner into the workshop of the world.

The hands of China’s workers have been strengthened by a new labour law, introduced in 2008, and by the more fundamental laws of demand and supply (see article). Workers are becoming harder to find and to keep. The country’s villages still contain perhaps 70m potential migrants. Other rural folk might be willing to work closer to home in the growing number of factories moving inland. But the supply of strong backs and nimble fingers is not infinite, even in China. The number of 15- to 29-year-olds will fall sharply from next year. And although their wages are increasing, their aspirations are rising even faster. They seem less willing to “eat bitterness”, as the Chinese put it, without complaint.

PLANO INCLINADO*

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CS - O alargamento da União Europeia é um cavalo de Tróia do neo-liberalismo no modelo social europeu. Quando os sindicatos confrontam as entidades patronais,  na proximidade de um acordo, o Capital  desarma o conflito com a deslocalização.
C - O sindicalismo é um parceiro da solução ou um obstáculo à solução?
MC - O sindicalismo, assim como o Estado, não pode fezer nada. A menos que fosse adoptado um modelo neo-proteccionista, Governo e Sindicatos estão fora de combate. No Leste, o sr Soares dos Santos referiu isso aqui,  os salários são mais baixos, a justiça funciona, o sistema fiscal mais atractivo.  
JD - A sociedade está mais aberta e o sindicalismo deveria fazer muito mais pressão sobre os países que não atribuem condições que dignifiquem os seus trabalhadores. Eu não vejo essa atitude pressão de solidariedade humana por parte dos sindicalistas.
CS - Percebo a questão (de JD) do ponto de vista político mas a sua colocação deste modo revela uma carga de cinismo monumental.
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O Plano Inclinado de ontem não teve a habitual quase unanimidade de opiniões entre os participantes e os convidados do PI. Bem pelo contrário. Carvalho da Silva era o convidado necessário para dar alguma vivacidade a um programa a precisar de férias ou de reforma. Não houve réstea de entendimento mas valeu a pena.
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Entre Medina Carreira e Carvalho da Silva, João Duque passou a maior parte do tempo a ver passar o debate. Mas pertenceu-lhe a afimação que fez saltar CS e a desatar-lhe o saco com a panóplia de argumentos do costume. E, como era esperável, a discussão terminou sem qualquer proximidade de pontos de vista. CS fez a apologia do sindicalismo, reivindicativo por natureza, nascido com o capitalismo sem nunca o ter considerado um sistema aceitável. Em resumo, segundo CS, implicitamente, o sindicalismo não tem nem nunca teve vocação para conviver com o capitalismo mas para o combater. A superação da crise é um problema do capitalismo, uma causa de um sistema, que os sindicatos não sabem nem querem resolver.
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Equacionado deste modo, o problema não tem solução mesmo a médio prazo. Se os trabalhadores portugueses são confrontados com a concorrência de produções provenientes de países com muito piores condições salariais e os seus sindicatos  não querem encarar essa desigualdade e conciliar propósitos de defesa conjunta com os investidores, só o longo prazo poderá produzir o reequilíbrio de uma situação que, por agora, parece condenada a gerar cada vez mais desemprego  ou emigração.
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Pode Mário Crespo convidar Carvalho da Silva para um segundo programa mas o resultado será idêntico. O que está subjacente à discórdia não é uma questão sindical mas uma questão de sistema. E, para Carvalho da Silva, o sistema capitalista está moribundo e à espera de sucessor. Que ele não sabe, nem os seus camaradas, sabe o que será.
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* Ontem, coordenado por Mário Crespo (C), com a participação de Medina Carreira (MC), João Duque (JD) e, como convidado, Carvalho da Silva (CS). A transcrição de parte do debate, em itálico, não é integral mas suponho que não trai a intenção do que foi dito.    

Saturday, July 31, 2010

TOY STORY


Os chineses inundam o Ocidente com produções a preços da uva mijona.
Os norte-americanos inundam-nos com produções cinematográficas, embebendo-nos desde há largas décadas numa cultura quase monopolizadora dos espaços de mass media. Insensivelmente, os povos europeus são levados a conhecer a vivência norte-americana e ignorar quase completamente as europas.
Tanto nas indústrias produtoras de bens como na produção cinematográfica, a Europa encontra-se sitiada e sem perspectivas de levantamento do cerco.
Curiosamente, são muitos os que se preocupam com a invasão amarela mas a quase ninguém ocorre os efeitos dissolventes dos conteúdos mediáticos made in USA sobre as culturas europeias.
O cinema europeu está em vias de extinção. A cultura norte-americana é, agora, bebida pelos europeus várias horas por dia desde crianças.
Toy Story3 é mais uma fantástica aventura de uma série magnífica. Genuinamente americana, a começar pelo Woody, o impoluto cowboy.

O JOGO DA CABRA CEGA

e a falta de flexibilidade laboral: Ningém se demite nem pode ser demitido.

Pinto Monteiro, Procurador-Geral da República , disse à Lusa que não via motivos para retomar as investigações (Expresso)

Consequentemente, continua tudo na mesma. Eles divertem-se, nós pagamos.

Friday, July 30, 2010

DEMOCRACIA E NEGÓCIOS - 2

António Mexia, presidente da EDP, em entrevista do Expresso/Pública de Sábado passado, respondia à pergunta se gostaria de voltar à política afirmando que " Há um lugar que gostaria: ser presidente da Câmara Municipal de Lisboa. É das maiores empresas portuguesas."

A presidência da Câmara Municipal de Lisboa é um lugar prestigiante, lamentavelmente pouco prestigiado por quem ocupou o cargo nas últimas décadas. António Mexia seria, provavelmente, o presidente de que Lisboa precisa e merece. Não creio, contudo, que venha a ser eleito se decidir sofrer pelo cargo (a expressão é do próprio António Mexia) sem se envolver empenhadamente na política.

Não têm empresários e gestores privados qualquer handicap para a eleição de cargos públicos* mas essa eleição pressupõe um envolvimento político que geralmente eles não aceitam correr. Em Portugal, acontecem nomeações de gestores privados, não comprometidos politicamente, para cargos ministeriais, impropriamente designados independentes (independentes de quê? não se sabe) mas os titulares de gestão municipal são sempre eleitos.

A eleição pressupõe o incómodo, e o sofrimento de que fala Mexia, constituindo uma barreira que quase nenhum empresário ou gestor privado se tenta a ultrapassar a menos que o município tenha uma dimensão pequena e o caciquismo local proporcione a garantia de sucesso. A presidência de Lisboa e as de todos os municípios de grande dimensão não são atingíveis senão por eleição, salvo os casos de substituição transitória do cargo por impedimento do titular.

Lisboa parece condenada à falta de capacidade bastante para a reabilitar e fazer das suas características naturais o que ela pode ser: uma cidade europeia altamente competitiva na atracção de residentes e visitantes.
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* Mas da promiscuidade entre a gestão de interesses privados e públicos resulta, regra geral,  prejuízo destes.

LÁ COMO CÁ

US state deficits: Minduing the gap

The worst recession since the 1930s has caused the steepest decline in US state tax receipts on record, according to the Center on Budget and Policy Priorities. From California to Vermont, states have grappled with several years of budget deficits. In spite of steep cuts to education, public safety and entitlements, closing public parks and shuttering libraries and prisons, gaps have reopened almost as quickly as lawmakers can close them.
 
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