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Monday, April 17, 2023

O FILHO


O FILHO, de Florian Zeller,

(também autor, entre outras obras, de O PAI), no Teatro Aberto, é uma reflexão sobre a situação extrema a que conduzem os conflitos de "os meus direitos".

- Não tenho direito à minha felicidade?

- Tens. E eu não tenho?

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Sunday, October 02, 2022

TODA A DIFERENÇA

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- Houve, e ainda há, movimentos importantes da juventude para tentarem modificar os comportamentos humanos e, com isso, salvar o planeta e a humanidade de uma catástrofe irreversível resultante das alterações climáticas. Têm conseguido alcançar os seus objectivos? Parece que não.

- Terão alcançada alguns ...

- Que, no entanto, a guerra movida pela Rússia à Ucrânia, e as suas intenções de alargar essa guerra a todo o ocidente "dissoluto", está a inverter grande parte, senão a totalidade, das medidas mais significativas para reduzirem a tendência crescente das catástrofes resultantes das alterações climáticas: as centrais a carvão voltaram a estar activas e a poluir, ....

- Concordo, mas há um aspecto fulcral que distingue, do ponto de vista das percepções individuais, as ameaças das alterações climáticas das ameaças de uma guerra nuclear. As alterações climáticas, ainda que significativas e radicalmente demolidoras em muitos casos, progridem, de modo relativamente imperceptível para a maior parte da humanidade. Muitos não acreditam na tese, aliás sustentada por alguns cientistas (ou dito cientistas) de que não é o comportamento humano que interfere nas alterações climáticas. Muitos outros ainda, perante as notícias e as imagens de desastres naturais, encolhem os ombros e pensam, não é comigo. 

- E continuam  os mesmos níveis de indiferença perante a hipótese de uma guerra nuclear.

- Também concordo. Mas essa indiferença só existe e subsiste enquanto não forem despertados pela medonha verdade. Há uma imensa diferença entre a percepção colectiva dos efeitos das consequências das alterações climáticas, apesar da sua dimensão, lentas e resultados localizados, e a falta de percepção das sociedades em geral, por ausência de informação daqueles que sabem, e têm todos os meios de divulgação da apocalíptica verdade: a de que os efeitos de uma guerra nuclear são instantâneos e dizimadores de todos os seres humanos. Se os indiferentes soubessem, que são quase a totalidade da humanidade, se lhes dissessem a verdade nua e crua, quais as consequências de uma guerra nuclear, imparável se o stock de bombas nucleares alguma vez começar a ser activado, não importa onde nem quem o possa activar, a atitude da juventude, sobretudo da juventude, seria radicalmente diferente. Toda a diferença está no facto da juventude não saber isso.

- E depois, se soubessem o que fariam, ou melhor, o que poderiam fazer?

- Seria uma revolução global pelo extermínio dos stocks nucleares. Se a juventude russa, por exemplo, estivesse consciente de que o uso de armas nucleares pelos seus governantes num cenário de guerra global provocaria, inevitavelmente, a sua própria destruição, manter-se-ia indiferente sentada num canto que o extermínio nuclear passasse e os deixasse ilesos?

Saturday, October 01, 2022

PARA QUE A HUMANIDADE NÃO SE AUTO DESTRUA

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- Mata-se o Putin e fica resolvida a questão!

- Errado. Matar seja quem for não mata a ameaça da guerra nuclear e, consequentemente,  a auto destruição da humanidade. Para que a humanidade não se auto destrua por apocalipse nuclear só há uma via: a destruição total do stock nuclear.

- Hum! E como é que isso se consegue?

- Por consciencialização da juventude de que o seu futuro só existe se sobre a sua geração não impender a destruição total da espécie humana. Se a juventude, em qualquer parte do globo, estiver consciente da ameaça que representa a existência de um stock nuclear  capaz de eliminar todos os seres vivos, nem Putin nem nenhum outro com capacidade para carregar no botão e deflagrar um conflito nuclear, que será o primeiro e o último, será capaz de afirmar que pode usar as armas nucleares ao seu dispor e manter-se na posição que ocupa.

Wednesday, March 28, 2012

LLORET DEL MAR

Castro Verde de luto pela morte do jovem em LLoret del Mar 
Como são as 24 horas loucas dos (6000) finalistas em Lloret (aqui)
Praia, piscina, álcool, drogas e discotecas. Há quem não durma e teste os limites. Estudantes (com idades cerca de 17 anos) são unânimes: estes dias são únicos.

Há quatro anos escrevi aqui isto:

"ACERCA DA INEVITABILIDADE DOS COMAS ALCOÓLICOS DOS JOVENS

Comentei ( ) a propósito dos comportamentos dos jovens e do conflito intergeracional que sempre existiu e não vai deixar de existir: A mim, que já sou um velhote, não me espantam as multi actividades dos jovens porque elas decorrem das múltiplas sugestões que, por muitos meios, os atingem. A mim o que me espanta é a descontracção (ou deveria chamar-lhe outra coisa qualquer?) com que alguns pais contemporizam e apoiam os filhos em férias perto de Barcelona (reportagem do Expresso, Única, de há 3 ou 4 semanas atrás) onde os excesso provocam comas alcoólicos e filas nas farmácias para compras da pílula do dia seguinte. A mim, o que me espanta mais ainda é que os organizadores de tais férias para finalistas do secundário estejam a pensar promover férias para miúdos de 10/11 anos nos mesmos locais. Bem longe dos pais.

Responderam-me ( )

Não é nada fácil impedir um adolescente de ir na viagem de fim de liceu quando TODOS vão, e essa praia perto de Barcelona tornou-se, de há vários anos para cá, na grande referência. É barata, juntam-se lá aos montes, há sempre alguns problemas mas o balanço não deve ser tão mau como o pintam porque, como diz, continuam a ir e cada vez mais. Creio que, como sempre, haverá uns miúdos que quando se sentem à solta disparatam mas em regra já não precisam ir para longe para o fazerem, a viagem é só mais um pretexto. (...) "
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Um acidente pode acontecer a qualquer um, em qualquer lugar. Uma bebedeira colectiva anual de milhares de jovens portugueses em Lloret del Mar só acontece porque, apesar da crise, a bebedeira cá e lá continua. Quantos destes meninos e meninas, quantos destes borrachos, protestam depois contra o pagamento de propinas na Universidade?

Que valores morais estão a ser transmitidos às novas gerações que valorizem as suas capacidades de desempenho no futuro? Embebedando-se desenfreadamente como certificado de habilitação de entrada na idade adulta?

Houve tempo em que houve um Portugal que acreditava (ou era levado a acreditar) que a robustez se conseguia à custa de sopas de cavalo cansado tomadas na infância. São as bebedeiras da juventude de hoje a continuação subliminar daquela idiotice antiga?
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Portugal entre os dez paises da Europa com maior consumo de alcool
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Declaração de interesses: Não sou abstémio.

Tuesday, April 08, 2008

ACERCA DA INEVITABILIDADE DOS COMAS ALCOÓLICOS DOS JOVENS

Comentei um post de Susana Toscano no Quarta República a propósito dos comportamentos dos jovens e do conflito intergeracional que sempre existiu e não vai deixar de existir:
A mim, que já sou um velhote, não me espantam as multiactividades dos jovens porque elas decorrem das múltiplas sugestões que, por muitos meios, os atingem.

A mim o que me espanta é a descontracção (ou deveria chamar-lhe outra coisa qualquer?) com que alguns pais contemporizam e apoiam os filhos em férias perto de Barcelona (reportagem do Expresso, Única, de há 3 ou 4 semanas atrás) onde os excesso provocam comas alcoólicos e filas nas farmácias para compras da pílula do dia seguinte.

A mim, o que me espanta mais ainda é que os organizadores de tais férias para finalistas do secundário estejam a pensar promover férias para miúdos de 10/11 anos nos mesmos locais. Bem longe dos pais.

Responde-me Susana Toscano
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Não é nada fácil impedir um adolescente de ir na viagem de fim de liceu quando TODOS vão, e essa praia perto de Barcelona tornou-se, de há vários anos para cá, na grande referência. É barata, juntam-se lá aos montes, há sempre alguns problemas mas o balanço não deve ser tão mau como o pintam porque, como diz, continuam a ir e cada vez mais. Creio que, como sempre, haverá uns miúdos que quando se sentem à solta disparatam mas em regra já não precisam ir para longe para o fazerem, a viagem é só mais um pretexto.
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É por demais evidente que estou mesmo velho. E o meu país não é para velhos.

Thursday, April 03, 2008

CHEGÁMOS A ISTO

O Procurador-Geral da República, que hoje foi recebido pelo Presidente da República, admitindo-se que um dos motivos da reunião foi o clima de insegurança nas escolas, à saída desabafava aos microfones da Antena 1 que tem conhecimento de que alguns alunos levam armas para a escola, dizendo ainda ter sido informado de casos de pais que estão a entregar armas aos seus filhos, algumas das quais pistolas de 9 mm, com o objectivo de estes se defenderem de ameaças nas escolas que frequentam, e rematava: Já chegámos a isto!
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Vindo de quem vem, mas sobretudo pelas funções que desempenha actualmente, o alarme do PGR, por se nivelar pelas locuções do cidadão comum, é altamente perturbador: porque ou o magistrado Pinto Monteiro ainda não interiorizou as responsabilidades em que está investido ou entrou em pânico por não saber o que deve fazer.
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O que, em qualquer caso, não pode deixar de ser muito preocupante para o cidadão comum: não só pelas armas à solta nas escolas mas também pela confessada incapacidade do PGR em as mandar prender.