(também autor, entre outras obras, de O PAI), no Teatro Aberto, é uma reflexão sobre a situação extrema a que conduzem os conflitos de "os meus direitos".
- Não tenho direito à minha felicidade?
- Tens. E eu não tenho?
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Palavras cruzadas para entreter a viagem. "Não há questões filosóficas, há questões de linguagem." - Wittgenstein "Insanity is doing the same thing over and over again, expecting different results" - Albert Einstein
(também autor, entre outras obras, de O PAI), no Teatro Aberto, é uma reflexão sobre a situação extrema a que conduzem os conflitos de "os meus direitos".
- Não tenho direito à minha felicidade?
- Tens. E eu não tenho?
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- Houve, e ainda há, movimentos importantes da juventude para tentarem modificar os comportamentos humanos e, com isso, salvar o planeta e a humanidade de uma catástrofe irreversível resultante das alterações climáticas. Têm conseguido alcançar os seus objectivos? Parece que não.
- Terão alcançada alguns ...
- Que, no entanto, a guerra movida pela Rússia à Ucrânia, e as suas intenções de alargar essa guerra a todo o ocidente "dissoluto", está a inverter grande parte, senão a totalidade, das medidas mais significativas para reduzirem a tendência crescente das catástrofes resultantes das alterações climáticas: as centrais a carvão voltaram a estar activas e a poluir, ....
- Concordo, mas há um aspecto fulcral que distingue, do ponto de vista das percepções individuais, as ameaças das alterações climáticas das ameaças de uma guerra nuclear. As alterações climáticas, ainda que significativas e radicalmente demolidoras em muitos casos, progridem, de modo relativamente imperceptível para a maior parte da humanidade. Muitos não acreditam na tese, aliás sustentada por alguns cientistas (ou dito cientistas) de que não é o comportamento humano que interfere nas alterações climáticas. Muitos outros ainda, perante as notícias e as imagens de desastres naturais, encolhem os ombros e pensam, não é comigo.
- E continuam os mesmos níveis de indiferença perante a hipótese de uma guerra nuclear.
- Também concordo. Mas essa indiferença só existe e subsiste enquanto não forem despertados pela medonha verdade. Há uma imensa diferença entre a percepção colectiva dos efeitos das consequências das alterações climáticas, apesar da sua dimensão, lentas e resultados localizados, e a falta de percepção das sociedades em geral, por ausência de informação daqueles que sabem, e têm todos os meios de divulgação da apocalíptica verdade: a de que os efeitos de uma guerra nuclear são instantâneos e dizimadores de todos os seres humanos. Se os indiferentes soubessem, que são quase a totalidade da humanidade, se lhes dissessem a verdade nua e crua, quais as consequências de uma guerra nuclear, imparável se o stock de bombas nucleares alguma vez começar a ser activado, não importa onde nem quem o possa activar, a atitude da juventude, sobretudo da juventude, seria radicalmente diferente. Toda a diferença está no facto da juventude não saber isso.
- E depois, se soubessem o que fariam, ou melhor, o que poderiam fazer?
- Seria uma revolução global pelo extermínio dos stocks nucleares. Se a juventude russa, por exemplo, estivesse consciente de que o uso de armas nucleares pelos seus governantes num cenário de guerra global provocaria, inevitavelmente, a sua própria destruição, manter-se-ia indiferente sentada num canto que o extermínio nuclear passasse e os deixasse ilesos?
...
- Mata-se o Putin e fica resolvida a questão!
- Errado. Matar seja quem for não mata a ameaça da guerra nuclear e, consequentemente, a auto destruição da humanidade. Para que a humanidade não se auto destrua por apocalipse nuclear só há uma via: a destruição total do stock nuclear.
- Hum! E como é que isso se consegue?
- Por consciencialização da juventude de que o seu futuro só existe se sobre a sua geração não impender a destruição total da espécie humana. Se a juventude, em qualquer parte do globo, estiver consciente da ameaça que representa a existência de um stock nuclear capaz de eliminar todos os seres vivos, nem Putin nem nenhum outro com capacidade para carregar no botão e deflagrar um conflito nuclear, que será o primeiro e o último, será capaz de afirmar que pode usar as armas nucleares ao seu dispor e manter-se na posição que ocupa.