A longa guerra israelo-árabe parece interminável.
As sugestões para alcançar a paz são muitas, as tentativas poucas e débeis, de qualquer modo já foram atribuidos até agora nada menos que cinco prémios Nobel a título de grandes contributos para a paz no Médio Oriente: em 1978 a Mohamed Answar El-Sadat (presidente égípcio, que seria assassinado por fundamentalistas islâmicos três anos depois) e Menachem Begin, primeiro-ministro de Israel; em 1994, a Yasser Arafat, presidente da Autoridade Nacional Palestina, Shimon Peres e Ytzhak Rabin, primeiros-ministros de Israel. Para além de outros também envolvidos em esforços pela paz naquela zona do globo.
Como em qualquer conflito internacional, extremam-se as posições dos cidadãos comuns observadores externos sem nenhuma influência nos percursos da guerra. Regra geral, apoiam os palestinianos aqueles que, por uma razão ou outra, são críticos do domínio norte-americano, e vêm em Israel um posto avançado desse domínio no meio do mundo islâmico. Alinham por Israel aqueles, entre os quais me me incluo, que, olhando para a enormíssima desproporção de territórios e populações envolventes que ameaçam ou apoiam a ameaça da sua destruição, reconhecem-lhe o direito vital de se defender.
Têm os palestinianos direito a um território que seja a sua pátria? Sem dúvida.
Têm os judeus a um direito igual? Como negar-lho?
Se dois direitos são igualmente legítimos sobre o mesmo território, a única forma consentida pela lógica e pela física é a constituição de uma pátria israelo-palestiniana (ou vice versa) comum.
Mas esta é uma solução que os extremistas do Hamas, incitados pelo fundamentalismo islâmico apostado em dominar o mundo, liminarmente rejeitam, reclamando o fim da ocupação israelita, isto é, a expulsão dos judeus da terra que constituiu ao longo dos milénios em que foram obrigados a peregrinar pelo mundo a sua pátria de referência.
Não cabem, portanto, numa ponderação que rejeite em absoluto quaisquer argumentos, mais ou menos capciosos, de superioridade rácica de um povo sobre os restantes*, outras razões que não decorram da impossibilidade de alcançar a paz sem a coabitação dos povos envolvidos no conflito, eventualmente garantida durante o tempo julgado necessário por forças de intervenção da ONU no terreno.
Mas se é absurdo, e, mais que absurdo, detestável, porque relembra propósitos fundados em ideologias racistas, de que os judeus foram vítimas através da sua longa história de quatro milénios, não é racionalmente aceitável, por eventualmente politicamente incorrecto, que se ignore o sucesso dos judeus no meio de uma travessia frequentemente assaltada por perseguições e genocídios. É um facto ineludível que cientistas com ascendentes judeus têm contribuido, mais que nenhum outro, para os avanços da ciência observados nos últimos cem anos. Mas foi sempre assim?
Antes de mais, importa relembrar que a condição de "povo judeu" não se estabelece no mesmo plano de "povo americano" ou "povo português". A grande maioria dos galardoados de ascendência judaica por contributos relevantes para o avanço das ciências nasceu ou residiu, ou reside, nos EUA, sendo portanto jus solis ou por naturalização norte-americanos. Se essa fosse a intenção, o sucesso do "povo judeu" deveria comparar-se com o sucesso do "povo católico" independentemente das diferentes nacionalidades envolvidas em cada grupo. Mas a questão, como anotei ontem
aqui é outra, a que não se responde fingindo ignorá-la: a que se deve o sucesso no campo científico dos descendentes judeus?
Importa, desde logo, referir que, tendo o povo judeu (ou a religião judaica, porque o judeu se caracteriza por pertencer originalmente a um grupo étnico que professa a religião judaica, admitindo no entanto no seu seio convertidos e excluindo os convertidos a outras religiões) cerca de 4000 anos, o seu ascendente científico é relativamente tardio.
Os mais destacados pioneiros da teoria científica surgiram na Grécia (Tales de Mileto - c. 624 AC, Pitágoras - 580-500 AC, Zeno - c. 450 AC, Euclides - 323-285 AC, Arquimedes - 287-212 AC, além de outros), na China, Liu-Hui, - c.263 DC, determinou o valor de pi com 4 decimais, Tsu Ch´ung-Chih e Tsu Keng-Chih, também chineses, no sec V DC, determinaram o valor de pi, com 7 decimais. A invenção do zero no sec. VI AD, é produto das civilizações chinesas e hindus, ibn Yhahya al-Samaw´al, no sec XII foi o primeiro a teorizar sobre o valor do zero. Note-se que al-Samaw´al nasceu em Fez, Marrocos, professava a religião islâmica mas seu pai era judeu. É ainda no fim do sec VI, princípios do sec VII que hindus, com particular destaque para os tratados de Brahmagupta, tornam a álgebra um ramo separado nas matemáticas. A história das matemáticas na Índia é cheia de exemplos de pessoas, algumas das quais, não académicos, possuiam uma extraordinária intuição matemática. Mas foram os islâmicos que unificaram o pensamento matemático de civilizações anteriores, desde a álgebra e aritmética tradicionais da Babilónia, da Índia e da China com as contribuições da geometria grega e helenística. Muhammad bin Musa al-Khuwarazmi (sec IX). persa, foi o fundador da álgebra tal como a conhecemos hoje. O nome álgebra deriva do título do seu compêndio. No sec XII, Al-Samaw´al, islâmico, filho de um judeu, rabi de Marrocos, foi o primeiro a usar símbolos nos cálculo algébricos. Durante seis séculos foi no Islão que floresceu a ciência. Copérnico (1473-1543), nascido em território actualmente polaco, realizou os seus estudos astronómicos a partir dos desenvolvimentos teóricos realizados no campo da trigonometria pelo persa Al-Tusi no sec XIII.
A partir do sec XVI o desenvolvimento do conhecimento científico transfere-se para a Europa mas nenhum dos grandes construtores da matemática até ao sec. XIX (Napier, Pascal, Leibnitz, Berkeley, Isaac Newton Euler, Galois, Bolle, Cantor) tinha antepassados judeus.
Por quê, então, a tão flagrante quanto inusitada prevalência judaica nas listas dos vencedores dos prémios Nobel de ciência, atribuidos desde o primeiro ano do sec. XX? Provavelmente existem muitas explicações mas, do meu ponto de vista, deve excluir-se, não por ser eventualmente politicamente incorrecta, mas por que nem a biologia nem a observação empírica o confirmam, qualquer superioridade rácica. E se a diferença não está no tipo de indivíduos terá de existir nas circunstâncias envolventes ao grupo: a religião que os incita a demonstrar que são parte do "povo eleito" e o ambiente de florescimento científico observado nas universidades dos EUA, o país que acolheu a grande maioria deles.
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Correl. -
aqui
Comentei: Admitamos que a sugestão (
aqui) BSS é ridícula, estúpida, sem sentido, enfim o que HM quiser. Qual é a sua? Esperar que se dizimem uns aos outros?
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Hamas fuzilou hoje 18 homens acusados de espionagem
À esquerda, rapaz na casa da família, destruida num ataque de Israel à cidade de Gaza
