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Sunday, August 07, 2016

UM CONSELHEIRO ÀS DIREITAS

O sr. Paulo Portas, ex-vice Primeiro-Ministro, terá assinado recentemente contrato de "conselheiro" de uma petrolífera mexicana, se for verdade o que se lê aqui.
Da sua carteira de "aconselhados" já constava, pelo menos, a Mota Engil. Que em tempos foi aconselhada, entre outros, pelo sr. Jorge Coelho.
A lista, às esquerdas e às direitas, de "conselheiros" é longa e a internacionalização auspiciosa. 

Nenhum destes aconselhamentos, contudo, consegue, ou conseguiu, o impacto mediático do contrato subscrito recentemente pelo sr. José Manuel Durão Barroso. Que, salvaguardadas as supostas diferenças, fica, ainda assim, a léguas do impacto provocado pelos contratos atribuídos ao sr. José Sócrates. 

Uma diferença notória, se existir, estará no momento da assinatura: EF (em funções) e DP (depois de funções).

Friday, July 08, 2016

THE GOLDMAN

São quase incontáveis aqueles que, depois de alguns anos de exercício em funções públicas, saltam para funções privadas onde cobram rendimentos das relações e informações angariadas durante o período de investimento político. 
É assim em todo o lado? Talvez. 
Neste, como em muitos outros casos que, por envolverem políticos, são notícia, não é a originalidade mas a intensidade da frequência relativa, porque o couto de caça é curto, que mais os distingue. Aliás, para além dos que saltam para o outro campo, há aqueles que, enquanto não saltam, mantêm, clara ou disfarçadamente, um pé em cada lado.

Ainda há poucos dias, despediu-se da política activa, pelo menos por algum tempo, e para aplicação na esfera privada dos conhecimentos adquiridos na esfera pública,  o vice-primeiro-ministro do Governo anterior que, além de outras funções governativas, foi ministro de Estado e da Defesa no XV Governo. 

Mas a notícia de hoje dando conta que o ex-presidente da Comissão Europeia, primeiro-ministro do XV Governo, foi convidado para "chaiman", com funções não executivas, da filial de Goldman Sachs em Londres será certamente a mais retumbante. Segundo o Financial Times, o colosso bancário norte-americano recrutou José Manuel Barroso com funções nominais de "chairman" e efectivas  como consultor para políticas de orientação na execução do Brexit.
Em Janeiro de 2014, vd. aqui, José Luís Arnaut, que foi secretário-geral do PSD, foi nomeado membro do conselho consultivo do Goldman Sachs. 

A propósito, disse esta tarde o chefe de Estado gostar de ver portugueses em lugares cimeiros.
Também eu, se a ascensão não se apoiar nos ombros dos interesses do país.
Barroso, é forçoso relembrar, abandonou o país em situação, segundo ele, de tanga, e foi à sua vida com o beneplácito do chefe de Estado da altura. 

Monday, June 16, 2014

O BANCO CENTRAL PORTOU-SE MAL

Na abertura de um  Seminário - La Europa que deja la crisis -, na Universidade Menéndez Pelayo de Santander, Durão Barroso - vd. aqui - culpou o Banco de Espanha "de erros de supervisão muito importantes ao permitir a expansão desmesurada do sector imobiliário, que provocou a crise em Espanha, e recusou que a Comissão Europeia tenha sido culpada dos problemas".Resumindo: A supervisão do Banco de Espanha portou-se mal. E a supervisão do Banco de Portugal?

Deve ter-se portado lindamente... Tanto que o governador Constâncio foi nomeado vice-presidente do Banco Central Europeu em 2010, com responsabilidades de supervisão do sistema, depois de ter sido acusado de falhar na regulação bancária, por alegadamente ter actuado tardiamente no casos BPN e BPP, que custaram aos contribuintes portugueses um montante superior a 9.500 milhões de euros. Em Março deste ano, em entrevista do Expresso, Barroso disse ter alertado Constâncio, então presidente do Banco de Portugal (BdP), para a situação do BPN quando era primeiro-ministro ...".
Sócrates, comentador, comentou a propósito "por que razão não afastou o Governo (de Durão Barroso) e o seu partido das pessoas do PSD que tinham responsabilidades" no banco dirigido por Oliveira Costa?". Boa pergunta.

Dir-se-á que Durão Barroso falava em Espanha perante um auditório espanhol, e seria despropositada qualquer alusão ao comportamento do banco central português. Mas não pode esquecer-se que o figurão era primeiro-ministro, estava o país de tanga - disse ele-, no BPN e no BPP andavam os gandulos a tecer a teia - e ele, confessadamente sabia disso -, e embarcou para Bruxelas a tratar da vidinha.

Agora, desavergonhadamente, em fim de mandato, sente-se alçado para falar de poleiro esquecendo o chão sujo de onde armou o salto.
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Correl. - (17/06) Guindos admite erros. Linde considera "muito pouco útil" culpar o Banco de Espanha pela crise financeira.