Wednesday, March 26, 2008

O PREÇO DO PETRÓLEO

Petróleo vai recuar até aos 80 a 85 dólares

António Costa e Silva, presidente da Partex, acredita que o preço do petróleo vai recuar para preços em torno dos 80 a 85 dólares no primeiro semestre deste ano, devido à recessão da economia norte-americana e ao ajustamento da procura à oferta.
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Existem vários factores que impulsionam os preços do petróleo, para cima e para baixo. Uma delas, a primordial, aquela de onde as outras derivam, é a clássica relação entre a oferta e procura, que em mercados de concorrência (quase) perfeita estabelece o ponto de equilíbrio onde se cruzam as curvas que são o fetiche dos economistas.
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Para o presidente da Partex, se a economia norte-americana vai entrar em recessão a procura de petróleo do lado dos EUA vai decrescer e provocará a queda dos preços. Os EUA são, de longe, o maior consumidor do mundo e também o maior importador, e não custa aceitar a previsão de Costa e Silva.
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Já é mais difícil de aceitar a perspectiva transmitida ontem no programa da SIC Notícias por João Cantiga Esves, professor de finanças do ISEG: Segundo ele, os países europeus, que cobram em cada litro de combustível impostos que correspondem a percentagens elevadíssimas do custo final (em Portugal, por exemplo, neste momento 87% do preço da gasolina são impostos) têm promovido uma política completamente errada ao longo dos últimos 30 anos promovendo a utilização de transportes grandes consumidores de combustíveis, e adiando, por essa razão, a adopção de políticas que reduzissem a dependência do petróleo.
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Aparentemente, Cantiga Esteves tem razão. Mas, olhando para o outro lado do Atlântico, o que observamos: Uma fiscalidade sobre os combustíveis muito mais reduzida que muitos consideram ter fomentado o consumo desmedido e o protelamento de medidas que o travassem. Ainda não há muito tempo, Greenspan, ele mesmo, o liberal de sete costados, pelo menos, se juntou ao grupo já numeroso que propõe o aumento drástico (cem por cento e mais) da fiscalidade sobre o consumo de combustíveis de modo a obrigar a adopção de medidas que reduzam os consumos energéticos nos EUA.
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A redução de preços prevista por Costa e Silva não animará a manutenção ou o aumento dos consumos, em todo mundo e não só nos EUA, e travará a queda dos preços? A redução da fiscalidade, que Cantiga Esteves preconiza, é um travão ou um incentivo à procura de alternativas energéticas?
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Só não fica baralhado quem ouve apenas o pároca da sua freguesia.

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