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Tuesday, July 04, 2023

E O OCIDENTE CONTINUA À VENDA

                                              "Lady with a Fan," oil on canvas by Gustav Klimt.
  

At over $108 million, Klimt's "Lady with a Fan" becomes most expensive painting ever sold in Europe

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Quem comprou? Um coleccionador de Hong Kong.

Quem comprou Salvator Mundi, supostamente de Leonardo da Vinci? - Mohammad bin Salman, Príncipe herdeiro da Arábia Saudita, o mesmo que em setembro de 2015, comprou o Castelo Luís XIV, a propriedade privada mais cara do mundo, perto de Paris, por 275 milhões de euros. O castelo foi construído em 2011 e batizado com o nome do monarca que reinou em França nos séculos XVII e XVIII.  Em junho de 2019, um relatório da ONU sustentou existirem “indícios credíveis” de que Mohammed bin Salman e outros altos responsáveis do reino saudita estiveram envolvidos no assassinato do jornalista Jamal Khashoggi, crítico do regime.[




Tuesday, September 21, 2021

GOLPE NA GALP

À COSTA

“Há oito meses que apelamos a que o primeiro-ministro venha a terreiro assumir a defesa da refinaria e dos postos de trabalho”, disse ao PÚBLICO Hélder Guerreiro. “Enviámos n cartas, pedimos n reuniões, ao primeiro-ministro e ao Presidente da República, e nada”, lamentou.

Agora, sobre as críticas à Galp em pleno comício de apoio à recandidatura de Luísa Salgueiro, Hélder Guerreiro defende que António Costa “cole as palavras aos actos” e exija a reversão do encerramento da refinaria. “Sejam campanha [as palavras] ou não, não se lhes pode negar um significado verdadeiro, mas agora é preciso concretizar”, afirmou.

Um trabalhador contactado pelo PÚBLICO garante que as palavras do primeiro-ministro na noite de domingo deixaram “as pessoas mais estupefactas e mais indignadas do que já estavam, porque quem não conhece a história até poderia pensar que não teve nada a ver com o assunto”.

“Se havia alguém que podia ter mandado parar tudo e analisar as coisas era ele [Costa]”, acrescentou.

Tuesday, August 10, 2021

HIPOCRISIA LíQUIDA

 

 

Por que chora o bilionário Messi?

Porque vai ganhar mais 45 milhões além de direitos de imagem e etc.

 

Leo Messi: “No sé el Barcelona, pero yo hice todo lo posible para quedarme”

 

Wednesday, May 31, 2017

TRIUNVIRATO SINISTRO


Com uma carga de suspeições às costas, que aumenta continuamente de peso, Mr. Trump não desacelera de aumentar a parada. Soube-se hoje que vai anunciar a retirada dos EUA do Acordo de Paris sobre alterações climáticas. 

Ainda assim o crude continua abaixo dos 50 dólares (48,40).

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Correl. - The many, many probes into Trump-Russia ties
Trump´s pro-Saudi, pro-Russia, anti-Europe foreign policy

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Act. - (1/6) soube-se esta manhã que Mr. Trump já tuitou que vai tirar os EUA do Acordo de Paris.
Os EUA passarão, deste modo, a fazer parte do trio de países, com a Noruega e a Síria, que ficam fora do Acordo.
A liderança da concretização do Acordo de Paris passará agora para a UE e a China.



Thursday, December 29, 2016

NOTÁVEL POUCO NOTADO

Em Maio deste ano, Portugal conseguiu, pela primeira vez no conjunto dos países desenvolvidos, produzir energia eléctrica durante quatro dias seguidos sem recurso a energias fósseis. 
A proeza faz parte de uma lista de "52 coisas que desconhecíamos quando começou 2016" publicada no El País. 

Primeiro parque de torres eólicas da EDP no Atlântico

"Un país desarrollado puede funcionar cuatro días seguidos solo con energía renovable. Lo hizo Portugal en mayo." Durante cuatro días de mayo, Portugal funcionó solo con la fuerza del viento, del agua y del sol, según el rastreo en la Red Eléctrica Nacional de Zero, la asociación del sistema terrestre sostenible.
Los cuatro días seguidos funcionando con energías no fósiles, ocurrieron entre las 6.45 del sábado 7 de mayo y las 17.45 del miércoles siguiente: 107 horas seguidos durante las cuales se abasteció la red eléctrica del país con fuentes naturales de energía y sin emisiones de carbono.
Es la primera vez que ocurre algo así en un país desarrollado, uno de los países europeos con más horas de sol, pero también con un bravío océano Atlántico que le ofrece olas y vientos para aprovechar. En Inglaterra y Alemania se dieron procesos parecidos, pero solo durante unas horas."


Sunday, January 18, 2015

PODE SALVAR-SE A EUROPA COM A DESVALORIZAÇÃO DO EURO?



O euro celebra este mês o 16º aniversário e a  pergunta é colocada aqui, numa altura em que a cotação da moeda única europeia contra o dólar atingiu o valor mais baixo ($ 1,15512) nos últimos dez anos. A inesperada decisão do Banco Nacional da Suiça tomada na passada quinta-feira de abandonar a intervenção no mercado de divisas iniciada em meados de 2011, veio confirmar a antecipação de uma desvalorização inevitável com o anunciado programa do BCE de aquisição de dívida pública de menor risco. 

Pode esta desvalorização ajudar à reanimação das economias europeias, e não apenas as da zona euro considerando a colagem da generalidade das outras moedas ao euro, e, mais alargadamente, à economia global? Não é garantido. E não é garantido porque, apesar da desvalorização da moeda única ser, praticamente, agora a único mola capaz de funcionar no ambiente estagnado em que se deixou cair a Europa, as probabilidades de sucesso, segundo os analistas citados no artigo que refiro, são indecisas.

Em todo o caso, a desvalorização do euro vai, certamente, proporcionar às exportações portuguesas ganhos, transitórios como todos os ganhos de competitividade monetária. Tendo, por outro lado, caído as cotações do crude para níveis não previsíveis há alguns meses atrás, o efeito da desvalorização sobre as exportações e importações portugesas será significativamente positivo. Será? Ou seria? As últimas notícias sobre as restrições de Angola às importações de Portugal é um dos vários factores que podem afectar negativamente algum optimismo das expectativas.

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Correl . - The eurozone : a strained bond


Monday, January 05, 2015

CONTRA A CORRENTE

The internal combustion engine is over. The world´s biggest auto company is ready


A BloombergBusinessweek dedicou a capa e o principal artigo da sua edição da última semana de 2014 à divulgação do mais recente e mais inovador projecto da Toyota: o carro movido a hidrogénio. Aliás, o mesmo assunto já tinha merecido a presença na mesma revista em meados de Novembro. São artigos longos, que merecem ser lidos na íntegra. O mais recente pode ser lido aqui - The internal combustion engine is over. The world´s biggest auto company is ready.

Para além da relevância da notícia em si, é curiosa a coincidência
temporal deste anúncio, embora o projecto seja desde há muito conhecido, com a  queda das cotações do crude iniciada em Junho e que já se cifra em 45%. 

Coincidente, por outro lado, com o lançamento em 2015 pela Tesla, onde a Toyota adquiriu uma participação, de um carro eléctrico de gama alta. 

A propósito das prováveis consequências da queda das cotações do crude, publica hoje o El País, aqui, um artigo - Las sorpresas de um petróleo más barato - que alinha os benefícios e os malefícios resultantes desta queda. 

"La crisis del petróleo de 1974 cambió el mundo. Hacia marzo de aquel año, el precio del crudo se había cuadruplicado: el barril pasó de tres a doce dólares. Los países productores, en su mayoría de Oriente Próximo y el norte de África, se convirtieron en nuevas potencias económicas, mientras que las economías de EE UU, Europa, Japón y otros importadores sufrieron un grave revés. Las relaciones de poder entre los principales actores geopolíticos se vieron alteradas y se crearon nuevos vínculos. También provocaron guerras y contribuyeron a la propagación internacional del fundamentalismo islámico, gracias a la financiación que recibió de países que acababan de convertirse en Estados muy ricos, como Arabia Saudí y otros.
El mundo está a punto de descubrir que la considerable, repentina y absolutamente inesperada bajada actual del precio del crudo podría ser tan perturbadora como esa crisis de 1974."

Parece-me que há muito exagero nesta perspectiva enunciada neste último período, aliás assumida por muitos outros analistas. As cotações do crude podem reverter-se tanto e tão depressa quanto se inverteram. O cartel dos principais produtores subsiste, e não é esperável que os seus membros não cheguem a um entendimento sobre os níveis de produção adequados às coordenadas actualmente prevalecentes. Essa deve ser também a convicção daqueles que estão, e continuarão, a apostar na utilização de energias alternativas independentemente das vicissitudes dos mercado dos hidrocarbonetos. Que podem ser abundantes mas são finitos e poluentes.

Tuesday, December 18, 2012

AS ARMAS E A DÍVIDA

São os dois mais complexos dossiers que se encontram sobre a mesa de Obama neste final de ano.
Em qualquer deles a oposição republicana, com algumas excepções, parece continuar irredutível, e mesmo do lado democrata há reticências à subida do teto da dívida federal e opositores à restrição do uso de armas.

Segundo o Washington Post de hoje, Obama entregou ao vice-presidente Joe Biden a liderança de um grupo que apresente propostas para enfrentar o problema do uso privado de armas. A tarefa, que a um norte-americano poderá parecer fácil, não é. E não é porque, desde logo, colide com a liberdade de uso individual de armas consagrado na Segunda Emenda Constitucional. Depois, porque mesmo após um massacre perpretado por um louco, as posições mantêm-se praticamente inamovíveis, dividindo a nação. Ainda que uma maioria de 52% da população apoie a adopção de medidas de controle da venda de armas semi-automáticas uma grande maioria de 71% desaprova restrições à venda a civis de quaisquer armas. Por outro lado, não é grande a diferença entre os que consideram o massacre de Newtown um acto isolado (43%) e os que o consideram um problema mais amplo (52%).  

Os argumentos dos apoiantes da continuação da liberdade de uso de armas são, na sua grande maioria, chocantemente estúpidos: "as armas não matam pessoas" ou "tivesse a directora uma arma com ela ...". Mas, lamentavelmente, não podemos matá-los. Os argumentos. Resta-nos esperar que o peso do ridículo acabe por pesar nas consciências dos que pensam ou proferem tais barbaridades.

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Quanto ao precepício da dívida, e também segundo o Washington Post, parece próximo um acordo entre Obama e o líder da Câmara de Representantes, o que não significa, contudo, que esse acordo tenha o apoio garantido dos republicanos na Câmara. A este respeito é curioso o principal artigo do Outlook do WP deste fim-de-semana: Nele, Steve Mufson, reporter especializado em questões energéticas e financeiras, propõe - vd aqui - a venda do Alasca!, o que se traduziria na venda das reservas de petróleo e gás do Estado gelado. Pode valer, segundo Mufson, dois e meio triliões de dólares (trilião, igual a um milhão de milhões, na short scale, usada nos EUA ). Como a dívida federal atingiu o teto dos 16 triliões, se republicanos e democratas não se entenderem, os EUA ou suspendem pagamentos ... ou vendem o Alasca.
Esta última hipótese, a médio prazo, parece mais improvável do que na realidade é.

Por aqui se percebe porque é que estando a zona euro em crise, e a UE em recessão, o dólar esteja hoje cerca de 32% abaixo da moeda única europeia.

O mal é geral. Mas, por aí, não há petróleo em Alcobaça.
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Correl.- Menino de 11 anos leva arma para a escola não vá aparecer lá um serial killler

Saturday, September 15, 2012

OBAMA VERSUS ROMNEY








O Economist publica esta semana aqui um vídeo sobre a evolução dos resultados das sondagens às intenções de votos dos candidatos às eleições de 6 de Novembro.
 
Para já, Obama parece estar a distanciar-se do seu opositor que demonstrou grande inabilibidade e sofreguidão de poder durante esta crise, aberta no Médio Oriente por um filme manhoso realizado por um especialista em fitas pornográficas.
 
Na Rua Árabe continua a fúria à solta (vd aqui ) desencadeada também desta vez, como em várias outras situações semelhante no passado recente - Versículos Satânicos de Salman Rushdie, a caricatura de Maomé publicada num jornal dinamarquês, a ameaça de um tipo qualquer norte-americano de ameçar queimar em público o Corão - que confirmam um distanciamento civilizacional marcada por uma irredutível diferença de valores morais que serve de bandeira aos movimentos que no Médio Oriente, com destaque para A-Qaeda, persistem numa Jihad sem fim até vitória sobre o Ocidente.
 
Até que ponto Obama vai ser capaz de dominar a situação e continuar a ganhar pontos com este acontecimento inesperado, não se sabe. O que se sabe é que Romney dificilmente poderá dele retirar vantagens a 6 de Novembro depois das declarações precipitadas que fez.

Thursday, September 13, 2012

A INOCÊNCIA DE MR. ROMNEY

Um agente imobiliário da Califónia, de ascendência judaica, convicto de que o Islão é "uma religião do ódio" dirigiu e produziu uma longa metragem - "Innocence of Muslims"- de má qualidade, segundo a generalidade dos críticos, e os trailer publicados no Youtube confirmam.

Na terça-feira passada, 11 de Setembro, os norte-americanos e o mundo relembravam o 11 de Setembro de há 11 anos atrás. Tudo parecia calmo, talvez calmo demais, num país a menos de um mês de eleições presidenciais, para quem se habitou a ouvir a chinfrineira política que assalta as ruas em ocasiões semelhantes, os outdoors a baterem-se em tamanho, impondo-nos as fronhas dos candidatos por todo o lado. Aqui, os raros cartazes fixados ao solo nas bermas das ruas não vão muito além de 40*30 cm, com os nomes dos candidatos. A propaganda política passa sobretudo pela televisão e pelos comícios dos candidatos. À segurança social (onde Romeny já se aproximou da política de Oabama)  e ao desemprego (onde nenhum dos candidatos quer arriscar uma aposta concreta) tinha-se juntado nos últmos dias a greve dos professores em Chicago como um dos tópicos mais fracturantes do eleitorado. Faltava a guerra do petróleo, onde os republicanos marcam mais pontos apoiados por uma massiva propaganda nos media (televisão e imprensa) favorável ao aproveitamento das reservas do Alasca promovida pelas corporações petrolíferas do país.

No dia 11, como é sempre esperável em cada 11 de Setembro que passa, da guerra do petróleo voltou a ouvir-se o sinal da Al-Qaeda. "A Inocência dos Muçulmanos" tinha sido recentemente descoberta e arvorada como símbolo maldito do inimigo de sempre, e conduzido a fúria fanática até à morte de quatro norte-americanos, incluindo o representante consular em Benghazi, a segunda maior cidade Líbia. Mr. Romney, mal teve conhecimento do ataque, e ainda sem conhecer nem quem nem quantas eram as vítimas, apressou-se a criticar a política de Obama para o Médio Oriente.

Há quase 33 anos, era presidente Jimmy Carter, foi assaltada a embaixada norte-americana em Teerão, e feitos 60 prisioneiros. Só seriam libertados 444 dias mais tarde, já Ronald Reagan tinha sucedido a Carter, que foi derrotado em larga medida pela afronta de Teerão e pela incapacidade em libertar os refens. É bem provável que Reagan, ainda candidato, tenha manobrado nos bastidores políticos externos pelo adiamento da libertação. 

Estaria Mr. Romney a calcular aproveitar uma situação idêntica para ganhar votos quando, inusitadamente, criticou a política de Obama?   Se essa era intenção, para já o tiro saiu-lhe pela culatra.

Wednesday, May 16, 2012

UM DESEJO CHAMADO CARRO ELÉCTRICO

Ouço na Antena 1 uma reportagem acerca do insucesso do projecto "carro eléctrico" lançado em 2009 pelo governo de então com o objectivo de reduzir a dependência energética do país aumentando o consumo de energias renováveis.

Três anos depois, os números parecem incontroversos acerca do fracasso do objectivo traçado: Há apenas cerca de 250 carros eléctricos em circulação, menos da quarta parte do número de postos de abastecimento (que estará acima do milhar), dos quais quase metade se encontram avariados, alguns vandalizados. 

Ouvido um "especialista" na matéria, a opinião emitida foi arrasadora: o projecto não tinha viabilidade, serviu apenas como bandeira de propaganda do partido no poder. Será mesmo assim? Não sei. O que sei é que o carro eléctrico que entre nós não pega está previsto pegar e acelerar em outros sítios do planeta.
É o que se deduz de um gráfico publicado recentemente no Economist.



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Aqui: Há três anos, o governo chinês anunciou políticas de promoção de vendas de carros totalmente eléctricos: 500 mil em 2015; 5 milhões em 2020. No ano passado fora vendidos apenas 8 mil carros eléctricos, praticamente todos para as frotas do Estado. Apesar de tentadores subsídios - em Shenzhen, foram oferecidos aos consumidores 120 mil yuans, cerca de 15 mil euros, por veículo - os carros eléctricos são mais caros que os movidos a gasolina ou gasóleo. A falta de postos de recarga das baterias é outro inconveniente. Segundo a McKinsey, a China desceu de terceiro para o quinto lugar no ranking mundial dos produtores de carros eléctricos mas pode recuperar nos Plug in hybrid, uma tecnologia em desenvolvimento. 

A propósito: Quantos veículos eléctricos se contam nas frotas do Estado português? Provavelmente, nenhum. A suspeita do  especialista ouvido pela Antena 1 pode ter algum fundamento: o carro eléctrico é bom para os outros.

Monday, March 26, 2012

OS PREÇOS DOS COMBUSTÍVEIS

Em Portugal o consumo de gasóleo é muito superior ao consumo de gasolina.
Para o Economist esse facto é irrelevante, e no seu "Daily Chart" de hoje, para ilustrar os aumentos dos combustíveis nos últimos doze meses num conjunto de países que inclui Portugal, toma como referência a gasolina sem chumbo. O que sempre dá uma ideia da nossa posição relativa no assunto. 

Em percentagem, o aumento dos preços em Portugal situou-se aquem da média dos países considerados. Em termos absolutos, situaram-se acima na Itália, na Suécia, na Grécia, na Noruega! (surpreendente, não?), na Bélgica, na Holanda, na Dinamarca. Quanto ao preço da gasolina sem chumbo, Portugal esteve ao nível do Reino Unido (onde o gasóleo é mais caro que a gasolina). Em Espanha, já se sabe, situaram-se abaixo.
Rajoy tem aqui uma almofada para reduzir o défice. Talvez lhe mande um e-mail a lembrar-lhe isto...

Sem surpresa, os preços dos combustíveis continuam a ser nos EUA  menos de metade dos praticados na Europa. Mas foram dos que mais subiram. Estão no bom caminho. A política de preços baixos dos combustíveis nos EUA é muito popular mas, em muitos aspectos, um desastre.    

 

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Monday, January 09, 2012

PETRÓLEO E MISÉRIA



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Dinheiro não é sinónimo de felicidade e petróleo
muito menos.

O índice de miséria (desemprego+inflação) publicado esta semana pelo Economist e o gráfico da localização geográfica das reservas conhecidas de crude publicado hoje no Washington Post confirmam em grande medida isso mesmo: A Venezuela é o segundo país com mais elevado índice de miséria, sendo o segundo com as mais elevadas reservas de petróelo; o Irão, em terceiro lugar em reservas petrolíferas é também terceiro na escala da miséria.

Em geral, o índice de desenvolvimento humano (PNUD/ONU) nos países árabes, onde se encontram as maiores reservas mundiais de crude, não corresponde ao seu posicionamento no ranking da riqueza, quase exclusivamente proporcionada pelo petróleo. Já a Noruega, que ocupa o primeiro lugar no ranking do PNUD, não deve o lugar ao petróleo do Mar do Norte mas a dádiva natural ajudou muito.

Em Portugal o índice de miséria será hoje de 16% (13+3 ?), sensivelmente ao nível da Rússia (33º. lugar num conjunto de 92 países), pior que o Brasil. Aproximadamente,ao mesmo nível do Brasil, segundo este indicador,  estarão o Reino Unido, os EUA e a China.

Comparações que têm de ser temperadas com outros indicadores: p.e. o apoio social no desemprego nas sociedades ocidentais e o nível de subemprego (estatísticamente, emprego) que prevalece ainda na maior parte da China rural.

Tuesday, May 03, 2011

NINGUÉM ESTÁ DE FORA

Maio, 2, 2011

A execução sumária de Bin Laden no seu esconderijo, um esconderijo muito provavelmente consentido, se não mesmo protegido por uma parte dos serviços secretos paquistaneses, deu lugar aos mais diversos comentários, desde aqueles que espontâneamente celebraram o acontecimento com o júbilo que os grandes acontecimentos insuflam até aos que na rua árabe não querem acreditar na morte do seu ídolo mas ameaçam com mais jihad, passando por aqueles que se dizem satisfeitos com o fim do terrorista-mais-procurado- do-mundo mas que a sua morte não significa o fim do terrorismo, provavelmente vai reacendê-lo, e que a execução desrespeitou os mais elementares direitos humanos. Segundo estes, Bin Laden deveria ter sido pegado à unha e levado a  tribunal com testemunhas e advogados de defesa.

Nestes últimos inclui-se um comentador habitual das manhã da Antena 1, há muito tempo com lugar cativo, diário, sem alternância nem contraditório. Usa um discurso redondo e arrebicado, frequentemente para vender a ideologia que bebeu em pequenino, moralista e pacifista, que qualquer um compra facilmente se for despreocupadamente ao volante do carro a caminho do emprego ou ainda estiver a ganhar coragem matinal para se levantar.

Segundo este João, ainda que o Bin Laden fosse um grande malandro, com a sua morte não acabará o terrorismo, se calhar até o reacende com mais força, e a forma como foi executado, sem juiz, nem defesa, nem testemunhas, nem jurados, constitui um ultrage aos valores civilizacionais. Ouvi ao longo do dia a mesma opinião a gente de insuspeita boa vontade. Para estes, Obama é um carrasco sem atenuantes.

Esquecendo-se que o mundo está em guerra contra o terrorismo, de pouco valendo a discussão de que lado está o terror, porque ele estará sempre de ambos os lados. E que na guerra generalizada não há campo neutro nem ninguém incólume às suas consequências. Na guerra, irremediavelmente, os homens matam-se para não serem mortos. O que é que o tal João percebe da táctica de comandos para querer que num campo fortemente armadilhado os perseguidores se deixassem abater pelo perseguido com o objectivo humanitário de o levar a um julgamento em tribunal?

O tal João, pelos, vistos não sabe ou recusa-se a saber, que aqueles comandos que abateram Bin Laden o fizeram também para salvar a pele do tal João.
Quando ao argumento de que o terrorismo não acabou ontem é redundante e falacioso: claro que não acabou. E daí? Deveria, então, Bin Laden ser deixado em paz entretido a preparar a morte de mais milhares de pessoas inocentes em acções de forte impacto mediático?

"... E lembrem-se que vocês não estão aqui para morrer pela vossa pátria mas para fazer com que os inimigos morram pela pátria deles!"
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Talvez o tal João não goste dos Paton deste mundo nem dos seus discursos. Também não são os meus preferidos. As emoções pacifistas do tal João não mais elevadas que as minhas.
Mas foi aos Paton e aos norte-americanos que a Europa ficou a dever ver-se livre da besta nazi.

Há muita gente que ainda não percebeu o que é que está em causa nesta guerra contra a Al-Qaeda.
Oxalá nunca venham a perceber quais as consequências da sua distracção.

Tuesday, March 29, 2011

OBAMA DOCTRINE - 2

O artigo do Economist desta semana - Obama doctrine -, que registei aqui, remete para a doutrina que informa a estratégia dos EUA desde o momento em que se tornaram a maior potência mundial e que tem sido reafirmada e praticada desde então, independentemente das administrações que ocuparam o poder.

A Obama doctrine poderá, no entanto, inflectir em alguma medida essa estratégia reflictindo, mais do que o posicionamento político do actual presidente, a emergência de uma vontade maioritária do povo norte-americano de abandonar o encargo de exclusivo xerife do mundo.   

Ao conseguir obter pela primeira vez a aprovação das Nações Unidas para uma intervenção militar e congregar uma força multinacional com esse objectivo, Obama foi original na forma mas não nos propósitos. A Obama doctrine não é mais do que a aplicação no momento actual de uma doutrina antiga também reajustada no tempo de Carter.

Pode discordar-se ou não se perceber a intervenção na Líbia, e muito menos alguns apoios a essa intervenção. Mas é inquestionável que Obama influenciou decisivamente uma  intervenção militar com o acordo unânime da comunidade internacional sem que os EUA assumissem o comando destacado das operações.
Uma originalidade na continuidade, mas que, indubitavelmente, se tiver continuidade, mudará sensivelmente a presença e a imagem dos norte-americanos no mundo.

OBAMA DOCTRINE*

The birth of an Obama doctrine

Born, as we are, out of a revolution by those who longed to be free, we welcome the fact that history is on the move in the Middle East and North Africa, and that young people are leading the way. Because wherever people long to be free, they will find a friend in the United States. Ultimately, it is that faith – those ideals – that are the true measure of American leadership.

THUS President Barack Obama tonight, speaking to the American people directly for the first time since launching Operation Odyssey Dawn and unleashing American missiles in Libya. He had received a great deal of criticism—for “dithering”, for failing to consult Congress, for going too far and doing too little. Now he has answered back—and provided, at the same time, the clearest explanation so far of an “Obama doctrine” of humanitarian military intervention.

Far from “dithering”, goes the White House line, pushed subtly in the speech and explicitly in briefings by senior officials, Mr Obama’s handling of the Libyan crisis has been “relatively extraordinary”. He has in a mere 31 days since the protests started imposed powerful sanctions, frozen Colonel Qaddafi’s assets, secured a robust Security Council resolution, organised an international coalition, executed a near-flawless military campaign, rolled Colonel Qaddafi’s forces back to the west, taken out the colonel’s air defences and knocked out a good deal of his ground forces. All this has been done without having to put American boots on the ground, without American military casualties and with precious few Libyan civilian casualties. Better still, with all this now done, America’s own contribution can decline, NATO can assume command (under an American general but with a Canadian deputy) and the European allies will take on more of the burden. Compare that, say senior administration officials, to the years it took to intervene in Bosnia in the 1990s.
 more
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Relacionado: Carter Doctrine. Vd aqui

Sunday, March 20, 2011

LÍBIA

Tenho a maior dificuldade em perceber o consenso gerado nas Nações Unidas para o ataque à Líbia, e ainda mais para o envolvimento dos EUA, o apoio da Liga Árabe, o entusiasmo da França e do Reino Unido para participar no ataque. 

Kadafi acusou, e continua a acusar, os rebeldes de estarem a ser manipulados pela al-Qaeda. Admitamos que, muito provavelmente, está a fazer bluff.

A al-Qaeda, no entanto, continua activa e não é por não se dar muito por ela que essa actividade se reduziu. A sombra é o seu habitat natural e quando se expõe as suas manifestações são catastróficas.

Se amanhã forças rebeldes fomentadas, efectivamente, pela al-Qaeda se manifestarem de armas na mão contra o regime de Riade, e a presença norte-americana no Golfo, o que farão os países do Ocidente dependentes do petróleo do Médio Oriente?

Kadafi é um tirano. E os outros?

Thursday, March 10, 2011

OS ÁRABES - 7

O Público de hoje publica dois artigos que merecem ser lidos e registados: O reino do petróleo quer mudar mas sem revolução, de Margarida S Lopes; Agora, a Arábia Saudita, de Loureiro dos Santos.

O primeiro pode ser lido aqui.

Loureiro dos Santos termina o seu artigo perguntando: Como reagiriam as potências ocidentais, particularmente os EUA, a esta transformação do quadro geopolítico de uma das regiões com maior importância estratégica mundial, controlando três passagens-chave de todo o comércio marítima planetário - estreitos de Ormuz e de Bab-el-Mandeb e canal de Suez? Aparentemente, as potências emergentes - Rússia, China, Índia e Brasil - não se sentiriam afectadas  por ela. Pelo contrário, tenderiam a ocupar o esbatimento da presença ocidental com as suas próprias capacidades, retirando vantagens da situação que fosse criada. 

É muito estranha, do meu ponto de vista, esta conclusão do General. Principalmente por duas razões: primeira, porque nunca os EUA poderão tolerar a sua subalternização numa área do globo que é vital enquanto subsistir a sua (deles, e da maior parte do mundo) dependência do petróleo produzido naquela zona do mundo, uma estratégia reafirmada durante o mandato de J. Carter (Doutrina Carter); segunda, porque qualquer transformação do quadro geopolítico daquela região, no sentido que LS admite como provável, provocaria inevitavelmente o caos mundial.  

Monday, March 07, 2011

PORTUGAL AO NATURAL

"Em 1982 defendi tese de Mestrado em Economia na Faculdade de Economia da Nova com a classificação de Muito Bom. Ela tratava do "Consumo dos Combustíveis em Portugal"" - Mira Amaral, que foi ministro da Economia em Portugal. (Expresso/Economia)

E o que conclui o mestre muito bom? Que a Autoridade da Concorrência não tem competência para interferir na fixação dos preços - já cá se sabia - e o que pode fazer é ver se há conluio entre os operadores. Mas não diz como.  Porque é que não diz? Ora, porque não sabe. Um mestre muito bom não chega lá. Teria de ser mosca.

UM CHOQUE MÚLTIPLO

O tema de capa do Economist desta semana é o petróleo. Quando as economias ocidentais pareciam começar a recuperar da crise financeira de 2008 (nem todas, porque, no nosso caso, por exemplo, a crise é tripla) desabam as revoltas no Norte de África e as réplicas no Médio Oriente, onde o petróleo é a arma vital e o seu domínio o domínio do mundo desenvolvido ou em aceleradas vias disso.

Segundo o Economist, o choque petrolífero de 2011 representa uma ameaça maior para a economia mundial do que muitos investidores parecem pensar.

Eu, que não sou investidor, penso que, das duas uma, ou muda alguma coisa para ficar tudo na mesma, na infalível receita do Príncipe de Salina, ou uma mudança radical do poder no Médio Oriente dará, muito provavelmente o poder à al-Qaeda, um franshising do terror, que há muito tempo trabalha para isso mesmo: destruir a cultura ocidental.

O que está em causa, contrariamente aos piores prognósticos do Economist, não é apenas um choque petrolífero com reflexos profundos na economia mundial - alguns efeitos serão positivos, à semelhança do que aconteceu no rescaldo do choque de 1973 - mas uma ameaça à paz mundial.

Como é que se podem conter revoltas que arvoram as bandeiras generosas da democracia quando por detrás delas se acobertam os chacais* que, em nome de Alá, querem esmagar o Ocidente? Dialogando?
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* "Nós éramos os leopardos, os leões; esses que nos substituíram são os chacais, as hienas; e todos os leopardos, chacais e ovelhas continuarão a acreditar no sal da terra."- Il gattopardo  - Giuseppe Tomasi di Lampedusa.
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Oil and the economy
More of a threat to the world economy than investors seem to think
THE price of oil has had an unnerving ability to blow up the world economy, and the Middle East has often provided the spark. The Arab oil embargo of 1973, the Iranian revolution in 1978-79 and Saddam Hussein’s invasion of Kuwait in 1990 are all painful reminders of how the region’s combustible mix of geopolitics and geology can wreak havoc. With protests cascading across Arabia, is the world in for another oil shock?
There are good reasons to worry. The Middle East and north Africa produce more than one-third of the world’s oil. Libya’s turmoil shows that a revolution can quickly disrupt oil supply. Even while Muammar Qaddafi hangs on with delusional determination and Western countries debate whether to enforce a no-fly zone (see article), Libya’s oil output has halved, as foreign workers flee and the country fragments. The spread of unrest across the region threatens wider disruption.