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Thursday, December 29, 2016

NOTÁVEL POUCO NOTADO

Em Maio deste ano, Portugal conseguiu, pela primeira vez no conjunto dos países desenvolvidos, produzir energia eléctrica durante quatro dias seguidos sem recurso a energias fósseis. 
A proeza faz parte de uma lista de "52 coisas que desconhecíamos quando começou 2016" publicada no El País. 

Primeiro parque de torres eólicas da EDP no Atlântico

"Un país desarrollado puede funcionar cuatro días seguidos solo con energía renovable. Lo hizo Portugal en mayo." Durante cuatro días de mayo, Portugal funcionó solo con la fuerza del viento, del agua y del sol, según el rastreo en la Red Eléctrica Nacional de Zero, la asociación del sistema terrestre sostenible.
Los cuatro días seguidos funcionando con energías no fósiles, ocurrieron entre las 6.45 del sábado 7 de mayo y las 17.45 del miércoles siguiente: 107 horas seguidos durante las cuales se abasteció la red eléctrica del país con fuentes naturales de energía y sin emisiones de carbono.
Es la primera vez que ocurre algo así en un país desarrollado, uno de los países europeos con más horas de sol, pero también con un bravío océano Atlántico que le ofrece olas y vientos para aprovechar. En Inglaterra y Alemania se dieron procesos parecidos, pero solo durante unas horas."


Monday, March 30, 2015

ENERGIAS CONTRÁRIAS

Para uns, as energias eólicas são um desastre iniciado nos tempos em que Guterres foi primeiro-ministro, relançado menos de três anos depois quando J Sócrates, ministro do Ambiente de Guterres, se tornou primeiro-ministro. Azar dos távoras, Passos Coelho chamou Jorge Moreira da Silva para ocupar a pasta do Ambiente, do Ordenamento do Território e Energia de Portugal, isto é, entregou a um renitente ambientalista  a faca e o queijo em matéria de opções energéticas, e a capacidade instalada, já excedente, de torres eólicas ameaça aumentar. Resultado: Porque o vento é fonte aleatória e a capacidade eólica tem de ser supletivamente suportada por capacidade instalada em centrais  de produção  programável, a factura da energia, em consequência dos sobrecustos da produção de energia eólica, irá continuar a penalizar as famílias e a contribuir para a redução da competitividade das empresas portuguesas. E porquê? Que interesses ou que fanatismos alimentam esta paixão eólica? Os interesses daqueles que andam à volta dos projectistas, dos construtores e dos instaladores das torres eólicas, e, naturalmente, dos bancos que financiam os investimentos, de rentabilidade garantida pelo Estado, na produção eólica. Estas coisas dão sempre dinheiro, muito dinheiro, a ganhar a muita gente escondida.

Para outros, o recurso aos recursos renováveis de produção de energia é condição necessária à redução da nossa elevada dependência externa de recursos não renováveis e à garantia de um ambiente suficientemente limpo, condição necessária ao desenvolvimento sustentado do turismo, o sector mais dinâmico da nossa economia. Aliás, a provar que a opção pelo eólico não é resultado de uma estranha eólicomania portuguesa está o no facto de a capacidade eólica instalada e prevista para os próximos anos estar a progredir aceleradamente em países com recursos energéticos tão diversos  como a China, os EUA (o parque Horse Hollow, no Texas é o maior do mundo), Alemanha, Espanha. 


Estes, alguns dos argumentos dos pró-eólico. Os outros, dizem estes, são pró-nuclear. Porquê?
Porque há muito que afiam o dente.


E assim vai a discussão da estratégia energética para o país: de cada meio campo a suspeição é o argumento mais rematado, à surdina, para o meio campo contrário.

Monday, April 29, 2013

DÉFICE, VENDE-SE

 


Uma comunicação curiosa, esta, que retirei daqui

Lisboa, 26 de Abril de 2013:


Nos termos e para os efeitos do disposto no artigo 248.º do Código dos Valores Mobiliários, a EDP – Energias de Portugal, S.A. vem prestar a seguinte informação ao mercado e ao público em geral:
A EDP Serviço Universal, S.A. (“EDP SU”), comercializador de último recurso do sistema eléctrico português, detido a 100% pelo Grupo EDP, acordou hoje a venda de uma parcela de 150 milhões de euros, e respectivos juros, do défice tarifário de 2012.
O défice tarifário de 2012 resultou do diferimento por 5 anos da recuperação do sobrecusto de 2012 com a aquisição de energia aos produtores em regime especial (incluindo os ajustamentos de 2010 e 2011), do qual se encontravam por recuperar, no final de 2012, um montante de 973 milhões de euros.
 
Curiosa, aliás, a vários títulos.
Desde logo porque nunca imaginei que se pudesse vender um défice. Se o défice é vendável, venda-se o défice! Se a EDP pode vender uma parcela do défice, porque não pode o senhor Vítor Gaspar vender uma parte do défice do Estado português? Curiosa também porque a EDP não só vendeu uma parte do défice como os respectivos juros. Ouro sobre azul, Vítor Gaspar, despacha-te!  Curiosa ainda porque a EDP ainda ficará depois desta venda, segundo notícias vindas a público, com um stock, a crescer, de défice de mais de três mil milhões de euros em casa. Curiosa, finalmente, porque a EDP não informa a quem vendeu o défice, embora possamos palpitar quem o terá comprado.
 
Na realidade, a EDP não vendeu défice, a EDP vendeu um crédito. Um comunicado mais transparente - como deveria ter sido este, sobretudo porque envolve eventuais responsabilidades da República Portuguesa, isto é, mais sobrecarga sobre os contribuintes ou sobre os consumidores portugueses - teria informado que uma parte de um eventual crédito sobre o Estado ou sobre fornecimentos futuros de electricidade foi vendido a um terceiro nomeado no comunicado.

Acontece que o défice tarifário - aquele que resulta da diferença negativa entre os valores (políticos) facturados pela EDP e os valores (resultante dos contratos com o Estado) calculados pelo regulador - é registado como proveito nas contas da  EDP mas não como dívida na contabilidade pública do Estado.

Por que é que a EDP vendeu parte deste crédito, contingente, uma vez que tanto pode vir a ser pago pelos contribuintes como pelos consumidores, o comunicado da EDP não informa. Porque precisava do dinheiro ou porque a cedência a um terceiro a liberta de uma eventual pressão política em negociações futuras que possam envolver o assunto? Não sabemos. Podemos imaginar, contudo, que, encontrando-se o tal stock de défice na posse de um terceiro estrangeiro, a EDP possa um dia destes responder a uma proposta do governo português em termos desarmantes:

- O défice? O défice está esgotado. Agora terão de se entender com o chinês.
A diferença entre défice, crédito e dívida nunca terá sido tão subtil como neste caso.







Wednesday, May 16, 2012

UM DESEJO CHAMADO CARRO ELÉCTRICO

Ouço na Antena 1 uma reportagem acerca do insucesso do projecto "carro eléctrico" lançado em 2009 pelo governo de então com o objectivo de reduzir a dependência energética do país aumentando o consumo de energias renováveis.

Três anos depois, os números parecem incontroversos acerca do fracasso do objectivo traçado: Há apenas cerca de 250 carros eléctricos em circulação, menos da quarta parte do número de postos de abastecimento (que estará acima do milhar), dos quais quase metade se encontram avariados, alguns vandalizados. 

Ouvido um "especialista" na matéria, a opinião emitida foi arrasadora: o projecto não tinha viabilidade, serviu apenas como bandeira de propaganda do partido no poder. Será mesmo assim? Não sei. O que sei é que o carro eléctrico que entre nós não pega está previsto pegar e acelerar em outros sítios do planeta.
É o que se deduz de um gráfico publicado recentemente no Economist.



Clicar para aumentar

Aqui: Há três anos, o governo chinês anunciou políticas de promoção de vendas de carros totalmente eléctricos: 500 mil em 2015; 5 milhões em 2020. No ano passado fora vendidos apenas 8 mil carros eléctricos, praticamente todos para as frotas do Estado. Apesar de tentadores subsídios - em Shenzhen, foram oferecidos aos consumidores 120 mil yuans, cerca de 15 mil euros, por veículo - os carros eléctricos são mais caros que os movidos a gasolina ou gasóleo. A falta de postos de recarga das baterias é outro inconveniente. Segundo a McKinsey, a China desceu de terceiro para o quinto lugar no ranking mundial dos produtores de carros eléctricos mas pode recuperar nos Plug in hybrid, uma tecnologia em desenvolvimento. 

A propósito: Quantos veículos eléctricos se contam nas frotas do Estado português? Provavelmente, nenhum. A suspeita do  especialista ouvido pela Antena 1 pode ter algum fundamento: o carro eléctrico é bom para os outros.

Sunday, March 18, 2012

RENDAS DE MELROS

- .... as supostas rendas da EDP, a existirem, beneficiaram o seu proprietário, o Estado.(igual a conjunto dos contribuintes). O Estado foi o seu accionista a 100 por cento, e, apesar de 7 fases de privatização (a oitava ainda está em curso pois a operação com a CTG ainda não está consumada), ainda é hoje o seu principal accionista, a 25 por cento. O Estado tem vendido ao longo do processo da privatização as suas acções
com base em avaliações da empresa, que integrarão naturalmente nos seus cash-flows, no respectivo horizonte temporal, essas supostas rendas…..Se essas supostas rendas fossem então retiradas ao cash-flow(componente fixa e não aleatória como é da natureza de uma renda) a empresa valeria naturalmente menos…

Então, a anulação súbita dessa supostas rendas, sem contrapartidas, apos a venda das acções pelo próprio Estado, significaria que o próprio Estado(cjto dos contribuintes) teria andado a «vender gato por lebre»...
... Economista tem obrigação de assim concluir…Ou não será assim?

- ... Concluo que não refutas que a EDP é rendeira.

O que afirmas é que as rendas já vêm de longe e que, agora que os chineses acabaram de comprar a posta restante, só lhes faltando pagar o resto do preço (com ou sem dedução na participação nos dividendos?, não sabemos) não é viável dizer aos accionistas, actuais e antigos, que afinal temos de falar acerca das rendas a pagar à EDP.

É isto que está em causa, se não me enganei na  interpretação do que afirmas .

Aliás, o mesmo argumento vale para as Parcerias Público Privadas, cujos detalhes, segundo Avelino de Jesus, se encontram no segredo dos deuses mas foram negados ao Avelino, apesar do apelido.

Os negócios do Estado só não são segredos de Estado quando os tutores em exercício de funções sacam do jus imperii, cortam salários e pensões a alguns, não a todos, aumentam os impostos, a alguns, não a todos. Quanto aos demais credores, o Estado é um cordeiro mais que manso, e os seus tutores sem um jus qualquer à mão de semear para lhe rapar nas rendas.

Percebe-se tudo.

Só discordo quando afirmas que economista tem obrigação de concluir que renda ajustada é renda para ser honrada. Concordo que os advogados dos credores têm essa obrigação profissional. Os economistas, não.

E não, porque Caro E., a mais elementar lei da economia (ou será da física?) é que só paga quem pode. E, desgraçadamente, este país não vai poder honrar todos os compromissos, alguns dos quais secretos, que alguns tutores assumiram em nome dele.

De modo que, salvo melhor opinião, a questão é de tempo: ou as renegociações começam já ou quanto mais tarde menos fôlego haverá para discutir seja o que for. Ainda não há muito tempo a discussão centrava-se nos privilégios dos não transaccionáveis relativamente aos transaccionáveis. Ora, em geral, para estes a factura da energia conta que se farta. Se nada pode ser feito a respeito das rendas, eles, os transaccionáveis, estão feitos. Ou não?

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Cor. - Aqui : La Moncloa forzó que el marido de Cospedal renunciara a Red Eléctrica

Sunday, February 13, 2011

O MUNDO, AMANHÃ

A energia é o elemento primordial da natureza. Capturá-la para a domesticar e colocar ao serviço do homem tem sido o objectivo de uma perseguição que é tão antiga como a própria humanidade, que começa com o aprisionamento do fogo pelo troglodita, passa pelas azenhas, pelos moínhos de vento, e esbarra nos dias de hoje com a exaustão próxima dos hidrocarbonetos e o exercício com riscos apocalípticos do aproveitamento nuclear. 

E, no entanto, a fonte inesgotável e gratuita abre as suas torneiras em cada manhã sem nuvens recriando a vida na Terra em cada instante. Mas o homem, que só existe porque ela existe, não conseguiu ainda guardá-la para a utilizar em dias de chuva como o de hoje, e encaminhá-la para a utilização conveniente em todas as situções em que dela precisa. 

Consegue-o o mundo vegetal através da fotosíntese. Como imitá-lo, é a tentativa que absorve centenas de cientistas neste momento. No dia em que o homem for capaz de guardar a luz do Sol do mesmo modo que o faz a natureza verde a energia inesgotável será utilizada a quase a preço nulo. E o mundo de amanhã será ainda mais diferente do que o mundo de hoje relativamente ao mundo de ontem.

É acerca deste salto desmedido que trata o artigo do Economist desta semana
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FOR decades, your correspondent has watched, with more than casual interest, every new twist and turn in the quest for an “artificial leaf”. His hope has been that industry might one day replicate the photosynthetic process used by plants, and thus create forests of artificial trees for making hydrocarbon fuel direct from sunlight. Apart from helping offset the emission of carbon dioxide caused by burning fossil fuels, such man-made leaves could provide an endlessly supply of energy for transport. Finally, it seems, something is stirring in the forest.

Monday, August 30, 2010

O JOGO DAS ESCONDIDAS


Nos últimos cinco anos muito mudou no panorama energético nacional. No final de 2005 havia no País 650 torres eólicas, distribuídas por uma centena de parques. Hoje há o dobro de parques e 1.996 aerogeradores.

A mudança na paisagem trouxe um custo que pesa na carteira de cada consumidor. Desde 2006 os subsídios do Estado à produção renovável tiveram um sobrecusto de 1,4 mil milhões de euros. Pelas contas do Negócios, esse apoio vai custar este ano 90 euros a cada consumidor de electricidade. Na média dos últimos cinco anos, o custo médio por cada lar é de 52,5 euros.

Wednesday, August 18, 2010

A GUERRA DO PETRÓLEO

O tema tem sido dos que mais me têm suscitado apontamentos neste caderno. Mais de uma centena.
Apesar da insistência, as minhas reflexões sobre a incontida dependência mundial do petróleo do Médio Oriente e as guerras que se têm incendiado naquela zona do mundo têm-se fixado na relação perversa entre o maná oferecido pelos deuses aos árabes e as disputas pela sua posse. Enquanto houver petróleo e o petróleo for imprescindível à sobrevivência das sociedades modernas haverá guerra. É essa, e essencialmente essa, a razão da guerra no Iraque, por exemplo.

Foi, portanto, sem surpresa que li o artigo de Michael Mandelbaum, publicado na Time, e que registei aqui 
O artigo, que resume o livro recente de Mandelbaum -The Frugal Superpower: America's Global Leadership in a Cash-Strapped Era - aponta no sentido que várias vezes já aqui referi : As guerras no Médio Oriente só abrandarão quando os EUA (e o mundo em geral) puderem dispensar substancialmente o petróleo armazenado naquela parte do globo aumentando o recurso generalizado a energias alternativas.  

No caso dos EUA, Mandelbaum frisa a política errada de tributação reduzida dos produtos petrolíferos quando comparada com a seguida na Europa e no Japão, por exemplo. Tem sido, e continua a ser, o preço relativamente baixo dos combustíveis nos EUA que têm impedido  o recurso a soluções alternativas e à redução dos enormes consumos das viaturas. 

Obama prometeu, no seu programa de candidatura, libertar os EUA da dependência que os obriga a sustentar guerras que nunca conseguirá ganhar mas que também nunca poderá perder enquanto o petróleo que importa for vital. O mesmo raciocínio, aliás, se aplica a todo o mundo desenvolvido não autosuficiente em energia, com a única diferença de por razões de dimensão das suas necessidades e do seu poder militar, as guerras são fundamentalmente suportadas pelos norte-americanos.

Até o insuspeito, que foi ultraliberal, Alan Greenspan advoga em "The Age of Turbulence" (vd, por exemplo aqui), defende o aumento dos impostos sobre os combustíveis.

Se Obama vai ou não conseguir atingir os objectivos de libertar a América da corrente que a amarra aos senhores do petróleo (no Médio Oriente, na Venezuela, na Rússia) não sabemos. O que sabemos é que, enquanto essa amarra subsistir, a guerra continua, ainda que com algumas alterações nas frentes de batalha.

Monday, August 16, 2010

A GUERRA DO PETRÓLEO

Shrinking the Middle East

American foreign policy this fall will feature the Middle East: we will see a push for direct Israeli-Palestinian negotiations, pressure on Iran to give up its nuclear-weapons program and the hope that Iraq will remain stable as U.S. troops leave. Experience suggests that the chances of success for all three are poor. Over the years, the Middle East has proven inhospitable, if not downright hostile, to American initiatives. Recognizing this, the two previous administrations launched signature programs to transform the region into a friendlier place for American interests. Both failed. The Obama team should try a different approach, one that begins at home.

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Sunday, March 21, 2010

SE

O se tanto pode ser inconsequente como revolucionário, consoante se debruce sobre o passado ou perscrute o futuro. Afirmar que se não tivéssemos aderido ao euro ou o tivéssemos feito com uma paridade menos elevada a economia portuguesa estaria hoje melhor defendida e menos estagnada é afirmar o indemonstrável, porque a história não se rebobina nem é suceptível de outra montagem. O que lá vai, lá vai. É verdade que vários teóricos afirmaram, e continuam a afirmar, a inexequibilidade de uma moeda única num contexto político não integrado enquanto outros acreditaram, e acreditam, no contrário. Conclusões científicamente comprovadas, mesmo com o carácter transitório de todas as conclusões humanas, não existem, porque nunca se poderão dominar dados dinâmicos sugeridos por uma teia infindável de ses. Se a minha avó não morresse ainda hoje era viva é irrebatível porque invoca a única certeza humana.
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Já o se voltado para o futuro é a única atitude que germina progresso. Sem o se só há rotina e adiamento. Se não faz sentido regressar ao passado para moldar um presente diferente é imprescindível equacionar o futuro quantificando os efeitos prováveis dos ses actuais em confronto. Se Portugal abandonasse o euro e voltássemos ao euro ganharíamos ou perderíamos com a troca?, não é uma questão absurda mesmo que não seja, por enquanto, levantada por qualquer das forças políticas representadas no Parlamento. Se a situação económica continuar a degradar-se a ponto de degenerar em conflitos sociais imparáveis, o euro surgirá mais tarde ou mais cedo como o bode expiatório a abater abarbatado pelo demagogo do dia.
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Por aqui ainda não foram feitas as contas que possam desarmar os argumentos jogados como quem joga entre amigos, à cavaqueira. O que me espanta é a discussão entre académicos (em inglês, o que lhes pode dar distância mas não dará consistência) não respaldada em algarismos.
Há quatro anos, quase no início deste caderno de apontamentos, ouvi umas palestras promovidas pela Associação de Antigos Alunos da minha escola. Comentei, então, por exemplo, aqui e aqui, algumas questões levantadas pelas exigências e as restrições que a participação no euro colocava à economia portuguesa. Já nessa altura estranhei a falta de reflexão sobre o assunto por parte dos nossos académicos. À afirmação de que a nossa adesão tinha sido prematura e a taxa de câmbio muito desfavorável perguntei que vantagens poderíamos retirar agora (e então) de uma discussão sobre um facto irreversível mas fiquei sem resposta. À afirmação de que só saindo do euro poderíamos repor a competitividade da nossa economia, perguntei como, e a resposta foi dúbia: agora, é difícil, admitiu o professor. Mas se saíssemos que ganharíamos com isso? Não quantificou. Depois disso, mas não quero acreditar que por causa disso, modelou o discurso e amarrou-o ao passado.
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Como referi, pelos vistos aqui também não há contas ainda que as parcelas consideradas se resumam ao défice energético. E os outros?
O alimentar, por exemplo. Hoje comprámos batatas espanholas, feijão verde marroquino, pão de trigo de onde? Os têxteis e o calçado made in Portugal que percentagem de matérias-primas incorporam? O peixe importado de Espanha servido a turistas espanhóis no Algarve que valor acrescentado incorporam? Se a nossa moeda fosse o escudo a nossa competitividade naqueles produtos e serviços que incorporam importações aumentaria quanto? Teríamos uma balança alimentar equilibrada por aumento da competitividade da produção nacional?
Parece que ninguém sabe.
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E quando não há contas impor-se-ão os argumentos demagógicos.

Thursday, August 06, 2009

FALAR CLARO

Ontem à noite, na Sic Notícias, no programa de José Gomes Ferreira, Negócios da Semana, o prof. António Costa e Silva, do Técnico e presidente da Partex Oil & Gas, e um dos maiores especialistas portugueses em mercado de combustíveis disse de uma forma muito clara aquilo que pensa da Autoridade da Concorrência: quando Abel Mateus era presidente da Autoridade da Concorrência as companhias petrolíferas não abusavam nos preços. Mas ( ) com a actual gestão de Manuel Sebastião, o regulador praticamente só faz estudos.

António Costa e Silva não se escusou a responder de forma igualmente frontal a todas as outras perguntas que o entrevistador que lhe colocou a respeito de outros aspectos da vida económica e politica portuguesa, e, também por isso, o vídeo de registo da entrevista merece ser visto no site da Sic Online. Mas foi a apreciação que Costa e Silva fez da (não) acção da Autoridade da Concorrência que é susceptível de repor a discussão pública acerca da concertação de preços pelas petrolíferas. Já hoje, o presidente do ACP apoiou os pontos de vista de Costa e Silva.

Algumas vezes já, abordei aqui neste caderno de apontamentos a geral ineficácia dos reguladores e "altas autoridades" em Portugal. Nomeados pelo executivo estão sempre submetidos à dependência política perante quem os nomeou. Se, por acaso de alguma vontade de afirmação opinam de modo politicamente inconveniente, arriscam a substituição a curto ou médio prazo.
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No caso dos combustíveis, contudo, afigura-se-me que a capacidade de intervenção da AdC na quebra da concertação que muitos verificam mas a AdC não confirma, é muito limitada quando o mercado se encontra em situação vendedora, aquela em que a procura supera a oferta. O que me parece mais criticável não é o facto de a AdC não intervir mas consumir tempo demasiado para elaborar estudos de que à partida já conhece as conclusões. Porque a conclusão só pode ser esta: na actual situação de relação dos intervenientes nos negócios dos combustíveis a AdC não pode confirmar qualquer concertação de preços porque a concertação num mercado vendedor é induzida: um aumenta e os outros acompanham. Se nada for alterado a AdC fará sempre o papel de papel de embrulho.
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sites correlacionados:

Tuesday, January 13, 2009

DESEQUILÍBRIO NATURAL

Leio nesta sua ironia , aliás muito bem construída, como sempre, as suas dúvidas, senão mesmo as suas discordâncias, quanto às consequências alarmantes que estes relatórios acerca do aquecimento global transmitem.
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O liberalismo económico, na versão moderna modelizada por Hayek, Friedman e os seus seguidores, sustenta-se no princípio da eficiência natural dos mercados conduzindo-os para o equilíbrio natural. Por extensão do mesmo raciocínio doutrinário, congratulam-se efusivamente os neoliberais com a vaga de frio que faz tremer o queixo a gente que não anda muito habituada a isso, e é facilmente induzida a acreditar que essa badalada questão do aquecimento global é uma treta, dando por provada a sua tese que o ambiente não precisa de ser protegido porque ele, naturalmente, se protege.
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Devo reconhecer, contudo, que quando li as referências a este relatório* do prof. Alex Wissner-Gross também eu pensei que algumas contas deveriam estar erradas uma vez que, suponho eu que sou leigo também nesta matéria, a energia consumida pelos laptops e servers não dependerá tanto do tempo de consulta (consumo proporcional) mas do tempo em que se encontram ligados (consumo não proporcional). De qualquer modo, é inquestionável que qualquer coisa ligada à corrente consome energia.
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Resta saber se o exponencial consumo de energia é ou não comprometedor da sustentabilidade da vida no planeta.
É neste ponto que divergem as opiniões: uns (muitos, cada vez mais) acham que sim; outros (ainda muitos, cada vez menos) acham que não.
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Ambos têm razão. Mas os primeiros têm primeiro. Quero dizer com isto que depois de espatifado o meio ambiente, a terra voltará certamente a recuperar a vida à sua superfície.
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Tal como nos mercados: Depois de deixar à rédea solta os banqueiros, a economia estampa-se e recomeçará de novo. É o princípio do equilíbrio natural após o desastre.
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Sobra um aspecto importante que não sei como o resolvem os neoliberais: a dependência energética e a estratégia dos blocos em confronto.
A Europa passa por estes dias de frio com uma espada de Dâmocles sobre o pescoço que muita gente parece não saber ver: A Rússia, às turras com a Ucrânia, corta o gás hoje, diz que o liga amanhã. E se não ligar? E se a Argélia fizer o mesmo? E se a Al-Qaeda um dia destes toma conta das torneiras no Golfo?
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Não há nada a fazer em matéria de poupança de energia de modo a que ela não falte para os serviços essenciais?
Desligar o computador sempre que não está em serviço? Não chega. Mas pode ajudar. Muita gente, contudo, não faz isso, partindo, talvez do princípio que a energia é inesgotável. E, realmente é. Mas dá muito trabalho domesticá-la.
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Tuesday, October 28, 2008

O PROBLEMA MAIOR



Anda meio mundo a dizer que a crise ainda está para chegar e ninguém irá escapar, e outro meio à espera que o anunciado apocalipse não lhes bata à porta. Nada de novo, portanto. Há, pelo menos dois anos, que começaram os alertas e nada foi feito para evitar o desastre. Agora, que o sistema financeiro estoirou, a aflição volta-se para a economia real, aquela que quando começa a engasgar aumenta o desemprego, os ordenados em atraso, e os meses ficam ainda mais compridos que antes. E, pior ainda, é estar o pior ainda por chegar.
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Neste ambiente carregado, que antecede o auge das tempestades, que discutem os portugueses? Basicamente, a bola. Nem o senhor presidente da câmara municipal de Sintra, um concelho que tem mais problemas por resolver que o número de cabelos do senhor presidente autarca, abdica de continuar participar semanalmente num programa televisivo à roda da bola.
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A outro nível, muito mais restrito, discutem-se as prioridades e intensidades do investimento público, para o qual, aliás, talvez não haja poupança nem crédito. Uma bizantinisse, portanto. Esforça-se o governo a dizer que o aeroporto e o TGV são investimentos de realização plurianual e, nos próximos tempos, é o tempo de facturarem os consultores; reclama a oposição à direita a libertação de meios para o investimento privado. Qual? Ninguém sabe. Seria a oposição muito mais eficiente junto da opinião pública se fixasse as suas propostas primordialmente no desafio ao governo de pagar o Estado, nos vencimentos, as facturas que deve.
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Um dos argumentos da oposição às propostas do governo invoca que os grandes investimentos públicos irão sobrecarregar as responsabilidades das gerações vindouras, com desrespeito do compromisso transgeracional. Ora isto só será verdadeiro se os investimentos em causa não tiverem mérito económico bastante, isto é, se forem mais dois elefantes brancos a pastar na nossa paisagem desertificada. Mas, nesse caso, a questão não será de timming mas de interesse económico. De qualquer modo, os constrangimentos financeiros actuais são um bom conselheiro à reapreciação do assunto. Safam-se os consultores.
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O problema maior não é a crise financeira actual nem a crise económica que está a chegar. Uma e outra estarão digeridas dentro de um par de anos, na pior das hipóteses até meados da próxima década. E a economia portuguesa, com o atraso reactivo habitual, seguirá a tendência.
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O problema maior, para além da educação, é a energia. Num mundo com os problemas energéticos a agudizarem-se, a economia portuguesa, pela nossa actual dependência energética e baixa produtividade dos consumos de energia, enfrentará nessa dependência o maior obstáculo ao seu desenvolviento. Sem energia não voam os aviões nem correm os combóios. É no investimento em fontes energéticas próprias, na investigação dedicada à produção e à produtividade da energia, que reside o maior desafio. É também nesse campo que deveria colocar-se a discussão do investimento público.
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Para não legarmos às gerações futuras um país mais endividado e às escuras.

Thursday, July 03, 2008

PERFIL DE UM PAÍS PERDULÁRIO


Toque pf na imagem para ver melhor

dados copiados de http://figueiranafoz.blogspot.com/

Tuesday, July 01, 2008

O SABOR DO RIO


Sócrates considera "ultrapassada" discussão sobre barragem do Baixo Sabor
Para o primeiro-ministro, José Sócrates, a discussão em torno dos problemas ambientais da Barragem do Baixo Sabor está "ultrapassada", apesar das novas acções de protesto dos ambientalistas, levadas a cabo no dia da formalização da adjudicação da construção do empreendimento. "Todas as palavras estão ditas, resta construir" esta e outras barragens constantes do Plano Nacional, referiu José Sócrates em Picote, no concelho transmontano de Miranda do Douro.
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Caro Joao V.,
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Recebi a tua convocatória e reflecti sobre o assunto. Que, aliás, nada tem de novo: o confronto entre as necessidades, reais ou induzidas, crescentes de energia e as consequências que esse aumento até agora imparável provoca no ambiente.
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A convocatória teve os seus méritos ainda que o governo tenha decidido, e bem, do meu ponto de vista, avançar com a construçãao da barragem.
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Quanto ao mérito da convocatória: Todas as iniciativas que levem ao cidadão comum informação acerca do custo das diversas opções têm o mérito de, a pouco e pouco, o iniciarem na observação das conflitualidades dos interesses em jogo. As pessoas, todas as pessoas, reagem a incentivos e estes são-lhes disponibilizados pelas perspectivas em que elas se situam ou são levadas a situarem-se. A racionalidade das suas decisões ou opções decorre da perspectiva e dos incentivos. Só mudando a perspectiva se mudam os incentivos. Um dia, as pessoas estarão mais alertadas que hoje para os custos do consumismo desenfreado, que denuncias, e para a delapidação do património histórico e natural que aqueles excessos frequentemente determinam.
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Mas o governo fez bem em decidir-se pela autorização de construção da barragem porque é impensavel alterar hábitos e processos de modo suficiente para dispensar a continuação dos investimentos na produção de energias renováveis. Portugal é tão dependente e a ameaça da escassez de combustíveis fósseis tão flagrante que seria pouco razoável dispensar a construção desta e de outras barragens. Ainda que sejam significativos os custos ambientais e naturo-patrimoniais da decisão.
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Vale a pena ainda perguntar, a propósito desta barragem no Sabor: Que ganhámos nós com o embargo à continuação da construção da barragem no Coa, onde (números à data do impedimento) já tinham sido investidos 250 milhões de euros? Há dias, Eduardo Lourenço, de visita à sua aldeia natal, passou pelo Coa e quis ver as gravuras. Não pôde. Tinha de ter pedido antecipadamente uma visita guiada. É crivel que, se as gravuras têm o interesse cultural que foi, na altura, reclamado, estejam praticamente ignoradas desde então ?
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Sunday, June 22, 2008

UM MILAGRE CHAMADO VASCO

Já tinha desistido de prestar atenção à destilação de VV quando, involuntariamente, deparei com mais uma das suas clonadas colunas. Aquele que é considerado por muitos dos seus admiradores um dos mais finos e inteligentes críticos deste país, concluía mais uma vez que não temos saída do buraco onde a história nos meteu. Como perante as conclusões de sua eminência se dobra concordante, espantada e bloqueada a generalidade da intelectualidade portuguesa, não podemos concluir outra coisa senão de que ou estão todos à espera que alguém venha do exterior (talvez os turcos) tirá-los da enrascada ou se resignaram a cair para o lado por inanição ou falta de ar.
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Diz VV que
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«Cada vez que há uma crise do petróleo, aparece a ortodoxia a proclamar zelosamente duas coisas. Primeira, que temos de pensar a sério na energia solar e na energia eólica. Segunda, que temos de mudar de vida. É uma conversa sem sentido. A energia eólica e a energia solar, no estado actual da tecnologia, não resolvem problema nenhum: cobrem uma pequeníssima parte do consumo e, sobretudo, são caríssimas.
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Depois de avisar que as energias alternativas não são solução, e que a sua promocão é uma conversa fiada, avança o Inteligente com alguma proposta (carvão, lenha,nuclear,vela de cera, sílex, etc) ? Nicles. Sua sumidade não nasceu para propor seja o que for. As energias solar e eólica nao servem para nada, todos os tipos que por esse mundo fora andam a pensar que fazem faísca com o vento ou o sol ou a água, doce ou salgada, são uns idiotas chapados. Onde é que o Vasco foi aprender tanta coisa acerca de energias para ser tão afirmativo, ninguém sabe. O que se sabe é que o Vasco, diga o que disser, passa recibo e ganha para as sopas.
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Não tendo safa possível, segundo o Vasco, a "populaça" (designativo recorrente na valente prosa ) nem tem petróleo nem pode deixar de acender o candeeiro. Mais do que condenada à pobreza, a "populaça" esta condenada a ficar baralhada. A menos, hélas!, que haja um milagre.
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É o que ele diz:
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Quanto à necessidade, e à urgência, de mudar de vida, nunca a ortodoxia explica exactamente o que isso na prática significa: significa um empobrecimento tão extenso e tão profundo que, mesmo num país como Portugal, com a sua miséria e o seu atraso, 80 por cento da população não a suportaria. "Mudar de vida" seria pior do que uma revolução, seria o fim de uma civilização.
Com a minha idade, um homem pode imaginar um país devolvido de repente a 1948 ou 1949, antes de enriquecer e de engordar com o petróleo barato. Bem sei que o Portugal de Salazar não serve de exemplo (mas já lá vamos). Por agora, basta falar da classe média urbana. Em Lisboa quase não se viam "automóveis" (como se dizia). Toda a gente andava de eléctrico (muitos do século XIX) ou de autocarro (de resto, poucos). Viagens não se faziam ou só se faziam de longe em longe com trepidação e sacrifício. Em casa, não existiam electrodomésticos fora a telefonia (um luxo) e o frigorífico (outro luxo) e o ocasional aspirador ou ferro de engomar (o fogão era naturalmente a gás). Não me lembro de ar condicionado: nem na escola, nem na faculdade, nem no trabalho. As roupas, como os livros, passavam de irmão a irmão ou de pais para filhos. Ninguém desaproveitava comida, meticulosamente medida e recozinhada, que ia ressuscitando de "prato" em "prato". Ninguém acendia a luz sem precisar. E o cinema estava reservado para sábado ou domingo (um dia por semana).
Quando comecei a sair de Portugal, num Mini perigosíssimo, não encontrei auto-estradas que me separassem do mundo, encontrei estradas de vinte e trinta anos com um trânsito suportável e até simpático. Em Inglaterra, apesar da euforia do tempo, as pessoas contavam tostões - libras, se quiserem - e andavam vestidas para "durar". Até em Londres (como na "Europa" inteira) o "automóvel" não se tornara ainda uma sufocação. Esse "equilíbrio" - se me permitem a palavra - acabou.
O slogan "mudar de vida" é uma pura fraude, com que os políticos mistificam a populaça. Tirando um milagre, voltar à pobreza é do que se trata. Pela força e pelo sofrimento.»
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O nosso fado nao é ter o Vasco, é ter uma data deles.
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pescado em
http://jumento.blogspot.com/2008/06/umas-no-cravo-e-outras-tanta-na_21.html

Wednesday, May 28, 2008

DILEMA DO LENÇOL

O crescimento do preço dos combustíveis era inevitável e é irreversível. Eventualmente subirá, a curto prazo, para valores próximos dos 200 dólares, eventualmente cairá depois, a médio prazo, para valores à volta dos 100 dólares. O factor especulativo que se tem exarcerbado dos outros factores (debilidade do dólar, aumentos da procura no sudoeste asiático não compensados pelas reduções nos países desenvolvidos, insuficiência de capacidade de refinação, perturbações naturais e perturbações técnicas, entre outros) é, por definição, inconstante e os seus efeitos flutuantes. Mas o mundo não pode mais contar com combustíveis fósseis baratos, e não pode, portanto, deixar de adaptar-se às novas circunstâncias.
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Por maioria de razão, os portugueses, que residem num país com grande dependência de combustíveis fósseis, não têm alternativa senão ajustar os seus hábitos individuais, reduzindo consumos, procurando alternativas, tirando maior produtividade dos consumos energéticos. A pior solução que o governo poderia adoptar seria incentivar o adiamento, através da redução da carga fiscal sobre os combustíveis, da adopção daqueles comportamentos e medidas.
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Aos aumentos decorrentes da maior procura nas grandes economias emergentes só podem corresponder poupanças nos consumos nos países desenvolvidos. Redução que pode ser feita, o passado confirma-o, sem prejuízo do crescimento económico a médio prazo. As reservas de combustíveis fósseis são finitas e os consumos estão a crescer exponencialmente. Em algum momento futuro terminará a economia (que será de curta duração em termos históricos)sustentada pelo petróleo. Terão mais facilidade de ultrapassar a mudança aqueles que iniciarem a ultrapassagem mais cedo.
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Ouço na rádio esta manhã que o ministro da agricultura vai receber armadores e pescadores que reclamam gasóleo, que para eles já tem preços muito mais baixos, a preços que lhes possam garantir a sobrevivência. A mesma notícia dava conta de iguais movimentações em Espanha e França. Sarkozy visitava ontem mercados abastecedores com Carla Bruni de madrugada e anunciava que vai propor a isenção (ou redução) de IVA sobre os combustíveis na União Europeia. Manual Pinho enviou carta ao comissário europeu com responsabilidades na matéria solicitando que o assunto seja apreciado nas instâncias competentes da UE.
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Todas as discussões são úteis se forem disinibidas de dogmas. No caso do aumento dos preços de petróleo a questão que, fundamentalmente se coloca, é esta: Quem deve pagar o aumento do preço do gasóleo utilizado na pesca? Os que gostam de peixe ou os que preferem hamburgers?
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Sei que sobra uma questão diferente: Nem todo o aumento decorre da tensão entre a oferta e procura. Especuladores, petrolíferas e produtores de petróleo ganham com os aumentos dos preços. Mas os carteis e especuladores ganham sobretudo se lhes facilitam a vida. A contenção dos preços através da redução da carga fiscal manteria a procura a níveis que continuariam a animar os ganhos especulativos. Só há mesmo uma forma de escapar à tenaz: estreitar o objecto.
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Manuel Pinho enviou hoje uma carta ao presidente em exercício do Conselho da Competitividade, o comissário Andrej Vizjack, e ao vice-presidente da Comissão Europeia, Gunther Verheugen, a pedir que o tema seja debatido nos conselhos de Competitividade e Energia com "a máxima urgência". O objectivo é identificar "as medidas a curto e a médio prazo que possam minimizar o efeito negativo da escalada do preço do petróleo", refere o comunicado. O ministro considera que a subida do preço do petróleo está "a ter um efeito negativo sobre a economia europeia a vários níveis com impactos preocupantes no crescimento económico, no poder de compra das famílias e na competitividade das empresas, em particular sobre as PME". Manuel Pinho considera "muito importante" que esta situação seja debatida a nível europeu, afirmando que no médio prazo se tem vindo a trabalhar no aumento da eficiência energética, na modernização do sistema de transportes e na maior utilização de energias renováveis.

Wednesday, May 21, 2008

INDICADORES

J. Pacheco de Oliveira escreve no Sorumbático que
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"é universalmente reconhecido que a energia, principalmente a energia eléctrica, a mais versátil forma de energia, constitui o suporte do crescimento económico, sendo o consumo de energia per capita um dos parâmetros que melhor caracteriza o estádio de desenvolvimento de uma sociedade. (...) Ora, em 2006 o aumento do nosso consumo de energia eléctrica limitou-se a 2,6%. Em 2007 apenas a 1,8%. E no decurso de 2008 o crescimento em período homólogo é praticamente nulo. O problema é que a estagnação do consumo nacional de electricidade não se verifica pelas melhores razões. O país não está a racionalizar consumos, nem a substituir a energia eléctrica por qualquer outra forma de energia."
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As afirmações de J. Pacheco de Oliveira não são, em princípio, contestáveis salvo se ele não tem, e se tem não deu provas disso, dados que lhe permitam afirmar que "o país não está a racionalizar consumos". Provavelmente, lamentavelmente não estará. Mas é esperável que o crescimento dos preços dos combustíveis tenham, pelo menos duas consequências, sobre os consumos: redução por redução da actividade e redução por melhor utilização da energia.
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É por demais reconhecido que a produtividade dos consumos energéticos em Portugal é bastante baixa quando comparada com a observada na generalidade dos restantes membros da UE: significa isto que por cada unidade de PIB produzida em Portugal o consumo energético é bastante superior ao observado na Dinamarca, em França, no Reino Unido, em Espanha, etc. O mesmo vale por dizer que é possível, e desejável, que o crescimento económico não seja, em determinado momento, função do crescimento proporcional dos consumos energéticos. E esta pode ser uma vantagem do aumento dos preços dos combustíveis. Foram as crises petrolíferas anteriores que forçaram, por exemplo, à concepção de motores com menores consumos sem perdas de performance.
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Parece, portanto, que acusar o governo de fautor de uma situação que ele não domina (o aumento dos preços do crude) é bater no sítio errado. O que deve exigir-se do governo é a adopção de medidas que incentivem ou obriguem os cidadãos, individualmente ou nas empresas, a reduzirem os consumos energéticos sem que desse facto resultem perdas de produção. O que é, provadamente, possível atendendo ao que se pode observar nos países membros da União Europeia.
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E este objectivo, que é também de defesa dos interesses de menos dependência energética dos portugueses, não tem apenas incidências económicas mas também ecológicas, constituindo um caso extremamente relevante da prova que ecologia e economia não são adversárias.
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Todo o excesso de consumo energético, entendendo-se por excesso de consumo aquele que se dispende sem contrapartida económica, compromete a competitividade porque aumenta desnecessariamente os custos totais, e desvia para bolsos árabes (entre outros) recursos que nos faltam para os investimentos que necessitamos.
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Resumindo e concluindo: O consumo de energia é um bom indicador do crescimento económico mas, como todos os indicadores, tem de ser lido em simultâneo com outros. Se o nosso discurso não tiver por detrás intenções partidárias.
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Ainda a propósito de indicadores, podia ler-se no caderno de economia do Público da passada sexta-feira que o mesmo tipo de informação (barómetro da economia) pode ser dada pelo consumo de whisky. Quem acredita nesta correlação é Paul Hughes, director do Centro Internacional de Cervejas e Bebidas destiladas na Universidade de Heriot Watt, em Edimburgo, Escócia: o whisky é um produto verdadeiramente global, vendido em mais de 200 países, e pode por isso constituir um indicador de padrões de consumo. Numa perspectiva histórica, as vendas de whisky tenderam a acompanhar a curva económica global. Nos últimos 30 anos, o valor das vendas apenas sofreu quedas em 1983, 1998 e 2004. Mas o ano passado escapou. Nos Estados Unidos, contudo, - o maior mercado da indústria, com vendas que atingem 529 milhões de euros - as vendas recuaram em 2007 cinco por cento. Mas a indústria está agora mais preparada para um abrandamento económico do que em qualquer outro momento nos últimos 30 anos, sobretudo devido às incursões que foi realizando nos mercados emergentes: Rússia, China e África de Sul foram os que mais se desenvolveram.
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Como o consumo de alcool é responsável por grande parte de acidentes nas estradas, como em Portugal o consumo de alcool é dos mais elevados no âmbito da UE e o número de vítimas por acidentes com automóveis também, seguindo esta linha de raciocínio facilmente se chega à conclusão absurda de o crescimento económico se poder avaliar pelo aumento de acidentes rodoviários.

Tuesday, April 22, 2008

ALTERNATIVAS


Changing the Current

A wind farm in Palm Springs, Calif. In California, utilities must get 20 percent of their power from renewable sources by 2010


State Environmental Laws Drive Power Producers to Renewable Resources

By
Steven Mufson
http://www.washingtonpost.com/wp-dyn/content/article/2008/04/21/AR2008042103004.html

The Imperial Valley of California is ideal country for solar and wind power. It rains less than three inches a year. Temperatures hit 110 degrees in the summer. The wind blows pretty steadily, too. And it's just east of San Diego.
Now, because of a California law requiring utilities to get 20 percent of their electricity from renewable sources by 2010, this untapped renewable-energy basin has caught the attention of Sempra Energy. The utility, based in San Diego, gets only 6 percent of its electricity from renewable resources, so it has proposed building a transmission line to bring solar power from the desert to the city.
California is one of 25 states that have adopted laws that require electric utilities to use more renewable resources, and that has sent utilities scrambling to line up wind and solar projects across the country. Electric utilities that have long relied on coal, nuclear energy and natural gas to power their generating plants are buying into biomass projects from Minnesota to Virginia, solar plants in the deserts of California and Arizona, and wind farms from Maine to West Texas.
Yesterday, Dominion, a utility based in Richmond, said it would work with BP's alternative-energy unit to develop, own and operate wind farms in Virginia, part of an effort to meet a goal of getting 12 percent of its energy from renewable sources by 2022.
"There is a lot of opportunity for wind projects in Virginia, and we would hope we'd be able to bring a lot to the table working with BP," said Mark McGettrick, president and chief executive of Dominion Generation. McGettrick said the company was looking at several sites in western Virginia and onshore near the coastline.
Dominion gets only 2.9 percent of its energy from renewable resources and would need to add 1,325 megawatts of renewable capacity to meet the state's target. That's equal to almost two new coal-fired plants.
Although Congress failed to set a nationwide standard for utilities' use of renewable resources as part of its energy bill last year, bills passed by state legislatures are steering utilities away from power plants that generate greenhouse gases. Wind power accounted for 30 percent of all new U.S. generating capacity last year, according to the American Wind Energy Association.
Although Virginia's target is voluntary (the state's regulators will give utilities an extra two percentage points on their regulated profit margins to encourage compliance), most state laws carry stiff financial penalties for firms that fail to comply.
"The whole question has changed," said Jeffery Wolfe, chief executive of GroSolar, a Vermont solar installation firm. The new standards "are forcing the utilities to do things they wouldn't do."
According to a study by the
Lawrence Berkeley National Laboratory, state renewable-electricity standards will lead to the addition of 60 gigawatts of renewable capacity by 2025, equal to 4.7 percent of projected U.S. electricity generation, or about 40 or 50 new nuclear power plants.
Neil Schmale, president of Sempra Energy, said California's standard is "very much affecting the way we do business because we're trying to meet that standard." Sempra has contracts in place that are supposed to boost renewables to 13 percent of its generation portfolio by 2010. And it's searching for more to meet the 20 percent threshold. "There's definitely some more work to do," Schmale said.
Other utilities are not as close to their mandated targets, but the deadlines tend to be further in the future.
In February, Arizona Public Service announced that it would build a 280-megawatt solar power plant, using mirrors to concentrate solar energy, heat fluid and generate steam for turbines. It is also building a small, 24 megawatt biomass plant. Arizona Public Service must get 15 percent of its power from renewables by 2025; now it gets less than 2 percent.
Some executives lament the lack of a national policy because the patchwork of state regulations pushes investment away from some of the most economical wind and solar projects. McGettrick said there are better wind prospects outside Virginia, but Dominion wants to change its footprint in its home state -- and take advantage of rate concessions being offered.
In California, Schmale said, a federal standard might allow utilities to link up with projects outside the state, including wind power in Texas or Wyoming, where wind blows stronger and steadier.
But in the absence of federal policy, governors, regardless of party affiliation, have made the renewable-electricity standards touchstones of their administrations.
Minnesota Gov.
Tim Pawlenty (R) has embraced an ambitious standard -- 25 percent renewable use by 2025 -- that will require more than 5,000 megawatts of renewable projects, a total surpassed only by the needs of California and Illinois.
"The biggest barrier, we think, will be the transmission necessary," said Mike Bull, deputy director of Minnesota's office of energy security. To bring power from some of the state's windiest areas to its most populous will require 700 miles of new transmission lines, the state says. "There's a lot of attention, a lot of concern and a lot of effort going on to make sure we have the transmission capacity so we don't miss" the milestones, Bull said. "No one wants to be responsible for not meeting these milestones."