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Friday, January 06, 2017

TRUMP CONTRA TODOS, EXCEPTO PUTIN E COMPANHIA

Mr. Trump recebe hoje os relatórios de 3 agências de "intelligence" norte-americanas que concluem ter havido interferências dos serviços russos de espionagem nas eleições norte-americanas com o intuito de o favorecerem. Veremos como como é que Trump, que tem insistentemente tuitado contra os serviços secretos de informação do seu país se limpa a este guardanapo. 

Atirando em todas direcções, salvo Putin, Marine Le Pen, Nigel Farage, e outros comparsas da mesma trupe, a quem não regateia abraços, Trump, depois de avisar os chineses que vai colocar barreiras alfandegárias para proteger os empregos nos EUA, que Obama deixa em situação de quase pleno emprego, ameaça impor direitos aduaneiros à importação de carros Toyota se o fabricante japonês não desistir de aumentar as suas actividades no México. Já tinha ameaçado a Ford e a General Motors no mesmo sentido, mas enquanto estas, por serem norte-americanas vão dizendo que sim, veneradoras e obrigadas, os japoneses não parecem amedrontados e já anunciaram que não vão desistir do fazerem o que melhor entenderem, não se esquecendo de recordar a Trump as muitas fábricas que têm nos EUA e os empregos que elas garantem, principalmente no Kentucky.

Trump tem estado a negociar vários processos em disputa judicial antes de tomar posse no próximo dia 20. Um desses casos parece, no entanto, pairar sobre a "inauguration" como uma nuvem de mau augúrio para o sujeito que tem por lema comprar o que for preciso comprar para chegar onde quer chegar. 
José Andrés, um mundialmente reputadíssimo chef espanhol aceitou um convite de Trump. Quando Trump, durante a campanha eleitoral, começou a atirar ameaças contra os mexicanos, José Andrés denunciou o contrato invocando que a sua cozinha é espanhola e a maior parte dos que a apreciam são falantes da sua língua materna. Reagiu Trump exigindo a Andrés uma indemnização de 10 milhões por quebra de contrato, ripostou Andrés pretendendo ser indemnizado com 8 milhões por alteração dos pressupostos em que assentava o sucesso do seu trabalho. 
---
Segundo notícias de última hora Trump já reagiu aos relatórios das agências considerando-os como uma caça à bruxas e que se recusa acusar a Rússia de interferência nas eleições em que foi eleito.
Ninguém esperaria o contrário.

Saturday, August 22, 2015

SOS! ESTAMOS FIDELIXADOS

351961696000
Bom dia!
Bem vindo ao serviço ao cliente MEO
...
De momento não é possível satisfazer o seu pedido. Por favor tente mais tarde. Obrigado.

351961696000
Bom dia!
Bem vindo ao serviço ao cliente MEO
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Bom dia!
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Bom dia!
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Boa tarde!
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De momento não é possível satisfazer o seu pedido. Por favor tente mais tarde. Obrigado.

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Boa tarde!
Bem vindo ao serviço ao cliente MEO
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De momento não é possível satisfazer o seu pedido. Por favor tente mais tarde. Obrigado.


.....
.....
..... 


351961696000
Boa noite!
Bem vindo ao serviço ao cliente MEO.
...
De momento não é possível satisfazer o seu pedido. Por favor tente mais tarde. Obrigado.
....
.... 

E não podemos cortar com eles?
Parece que não. Estamos fidelizados.

Friday, December 12, 2014

ECONOMIA ABSURDA

Chamam-lhe  o "Yixinou", um comboío chegado esta semana a Madrid, que inaugurou uma linha directa de mercadorias entre China e Espanha. Percorreu 13000 quilómetros em 21 dias, atravessou oito países, transportando 70 contentores de papelaria, artesanato e produtos de consumo doméstico. Metade dos contentores saídos em meados de Novembro da costa leste chinesa foram descarregados em Brest, na Bielorrússia. Está previsto que o "Yixinou" regresse depois do Natal carregado com produtos espanhóis. A Espanha é o sétimo parceiro comercial da China dentro da União Europeia e a China o primeiro parceiro comercial de Espanha fora da UE. As relações comerciais entre os dois países atingiram o ano passado os 20 mil milhões de euros.

É racional o comércio a tão longas distâncias de produtos que não exigem, certamente, mão-de-obra altamente qualificada, investimentos elevados, tecnologias não dominadas em qualquer dos extremos do traçado? Racional, no sentido que decorre de razões económicas prevalecentes num mercado globalizado onde os concorrentes se confrontam armados com os respectivos custos de produção e distribuição, sem dúvida. Mas porquê a Espanha, porquê a Bielorússia, se os produtos chineses transportados no "Yixinou" são papelaria, artesanato e produtos de consumo doméstico, segundo a notícia?

Só encontro uma justificação possível para a apetência dos nossos vizinhos espanhóis (não conheço medidas da nossa) para estes made in China: o preço e o gosto pelo kitsch. É impressionante o stock à venda, lá e cá,  de imagens de "Nossa Senhora", de S. José, presépios, com burrinho, vaquinhas e borreguinhos nas encostas de musgo sintético, com casinhas a fumegar, flores de todas as cores, de Cristo Crucificado, além de outros símbolos de veneração católica, made in China. 
.
Já não há artesania em Espanha? Artesanato, há, mas é caro.  "Artesanato industrial", suponho que é assim que se designa a coisa,  pelos vistos, não.
---
Mais:  vd. aqui, notícia do El País de que tinha chegado a Madrid o primeiro combóio de mercadorias
Correl. - Una mini España en Shangai


Wednesday, July 09, 2014

SATA

Aeroporto de Lisboa

- Bom dia! Pode dizer-me, por favor, para que horas está agora
 prevista a saída do vôo de Boston que deveria chegar às sete e 
trinta desta manhã a Ponta Delgada?
- A previsão é que saia às quatro da tarde e chegue às nove e 
trinta da noite.
- Quatro da tarde em Boston ou Ponta Delgada? Como entre 
Boston e Ponta Delgada há uma diferença fuso horária de quatro 
horas talvez haja confusão com as horas, não? Ontem recebemos 
informação que o avião saía hoje de Boston ao meio dia ...
- Não. Vai sair às quatro da tarde.
- Desculpe-me mas há na sua informação incompatibilidade entre
 a hora da saída e a hora de chegada: se o vôo sai às quatro, hora 
de Boston, sai às oito horas de Ponta Delgada. Se sai às oito 
de Boston ...
- Não sai às oito, sai às quatro.
- Às quatro de Boston são oito em Ponta Delgada ...
- Pois são.
- Portanto, ou não sai às quatro horas de Boston ou 
não vai chegar às nove e trinta a Ponta Delgada ... não lhe parece?
- A mim não me parece nem deixa de parecer. Estou a dar-lhe a 
informação que tenho disponível neste papel, que para mim conta
 como se fosse a Bíblia ...
- Já percebi. Fico é sem saber a que horas vai chegar o 
avião que deveria aterrar em Ponta Delgada às sete e trinta 
da manhã mas foi cancelado, e depois anunciada a saída 
hoje ao meio dia de Boston ... Aconteceu o mesmo a uns 
familiares nossos há duas semanas atrás. E, naturalmente,
 ficamos preocupados.
- Não percebo porquê ...
- Pois se não percebe também não vou conseguir 
fazer nada por si. Posso falar com o seu supervisor?
...
- Qual é o seu problema?
- Quero saber para que horas está prevista a chegada
 a Ponta Delgada do vôo procedente de Boston, que deveria 
ter saído às vinte e duas horas de ontem e foi cancelado ...
- Não foi cancelado, foi adiado catorze horas.
- Então sai hoje de Boston a que horas?
- Ao meio dia.
- Muito bem. Sugiro-lhe, então, mande rectificar a informação 
escrita que entregaram às suas colegas.
- Mais alguma questão?
- Qual a razão destes repetidos cancelamentos, 
ou atrasos como lhes chama? A uns familiares meus aconteceu 
precisamente o mesmo há cerca de duas semanas. 
- A razão está na falta de pessoal ... Se um vôo se atrasa, o pessoal 
não tem tempo de descanso para retomar o serviço 
de volta dentro do horário ...
- Agora entendi. As suas colegas, segundo me foi dado perceber, 
foram dadas instruções para justificar os atrasos com a pouca sorte. 
A culpa não deve ser delas mas de quem as chefia, suponho.
---
A bordo do avião do vôo Lisboa Delgada

- Costuma fazer serviço até Boston?
- Sim senhor. Geralmente duas vezes por semana ... Mas por que 
é que pergunta?
- Porque sei que têm havido ultimamente vários cancelamentos 
de vôos. Ontem, voltou a acontecer. Sabe por quê?
- Sei, sei, razões técnicas ...
- O que é isso?
- Problemas de manutenção ...
- Com essa você assusta-me ... No aeroporto ouvi dizer que a razão 
está na falta de pessoal ...
- Também, também, são as duas coisas ... Manutenção e falta de 
pessoal. Mas nenhum piloto inicia um serviço sem estar consciente 
de que a aeronave está em perfeitas condições para viajar.

 ----
Em Ponta Delgada

- V., que são passageiros frequentes da SATA, qual é a vossa opinião 
acerca dela?
- Péssima!
- Péssima!
- Péssima!
- É um monopólio, faz o que quer.
- O ano passado deu 16 milhões de prejuízos ao governo 
da Região.
- Os bilhetes entre o Continente e os Açores são caríssimos.
Eu tenho três filhos ainda crianças, entre os cinco e os dois anos, 
se vamos ao Continente os cinco, pago 1200 euros só pela viagem.
 Quem não se pode queixar são os juízes e outros quadros do 
Ministério da Justiça que têm direito a uma passagem 
gratuita anual, para o próprio e familiares. A política 
de transportes aéreos nos Açores está completamente errada, 
sujeita a desígnios meramente políticos. 
Desde logo porque a SATA tem o monopólio, 
nenhuma outra companhia pode aqui operar. Depois é absurdo 
fazer transportes em aviões Airbus para cinco aeroportos 
do arquipélago. 
Os vôos entre as ilhas deveriam ser feitos com os aviões 
pequenos e os vôos de longo curso apenas a partir de São Miguel. 
Mas a demagogia faz as contas de outro modo e os resultados
 operacionais e económicos são desastrosos.
- Mas isto prejudica os Açores...
- Sem dúvida. Mas o que é curioso é que toda a gente 
tem as suas razões: 
desde logo as tripulações, que têm direito aos tempos de descanso 
estipulados na lei, sobretudo por questões de segurança, 
os residentes, os imigrantes, os turistas, pela sensação de 
desorganização e insegurança, pelos atrasos e cancelamentos, 
pelos preços elevadíssimos sobretudo entre os Açores e o Continente,
 os contribuintes pelos prejuízos. 
- Então, que solução?
- A solução natural: privatizar a SATA e abrir o espaço aéreo a todas 
as companhias que se candidatem a operar aqui. Assim é que não.



Tuesday, July 01, 2014

À PESCA COM MINHOCA PODRE*

Senhor Provedor,

Enviei-lhe há dias um resumo de diálogos com pessoas dos vossos "call center", que diga-se em abono da verdade são na generalidade cortezes no atendimento e percebe-se bem que cumprem as regras fixadas por quem lhes paga, relativamente aos esclarecimento de várias questões, que não considerei cabalmente esclarecidas e aguardo agora que me enviem cópia integral do contrato que assinei em Fevereiro de 2013 e de que, vim a constatar recentemente,  foi-me entregue uma cópia incompleta.

Recebi poucos dias depois da parte do senhor provedor um telefonema que procurou, de modo pouco consentâneo com o respeito que os clientes lhe devem merecer, repetir aquilo que dos "call center" me haviam dito. E boa tarde, tive que lhe lembrar que, pelo menos, deveria apresentar desculpas pelos transtornos causados. E, só então, lamentou o sucedido.

Ontem recebi uma carta laudatória dos vossos serviços informando-me que não poderiam confirmar pelas gravações o que eu transmiti por escrito porque
"apenas" 5% das comunicações são gravadas ...", apesar de na mensagem inicial de cada chamada atendida ser referido  que "por razões de ... a chamada será gravada." Uma contradição evidente que decidi não valorizar e arquivei o escrito.

Hoje recebo uma circular informando que vou passar do M4O para o M5O, com vantagens várias,
rematadas com um "cheque-desconto" de 150 euros em compras a realizar em lojas MEO até ao fim deste ano e, sumidamente, no verso do "cheque-desconto"
que a utilização deste "pressupõe que ...o cliente permaneça com o serviço actual activo durante o período de 24 meses".

Como a diferença entre o MEO e a concorrência NOS, para serviços comparáveis, é de 25 euros por mês, trocado por miúdos, quem subscreve a carta, ou quem lhe mandou subscrevê-la, oferece-me uma compensação de seis meses em troca  de um compromisso de pagar mais 25 euros durante dezoito meses. Isto é, recebo 150 em material da casa se aceitar pagar 450 em notas do BCE.

Por que razão nos tomam a todos, senhor provedor, tão descaradamente por ignorantes?
---
*Enviado para aqui
---
Act. - Telefonema da parte do procurador argumentando que a proposta da PT é geral, para todos os clientes M4O, e só aceita quem quer. Muito elucidativo, portanto.

Saturday, June 14, 2014

HÁ MAIS ALGUMA COISA EM QUE LHE POSSAMOS SER ÚTEIS?*

- Bom dia. Serviço ao cliente MEO. Informações sobre ... marque 1 ...
(música) ...  
- Bom dia,  fala F., em que posso ser útil?
- O meu nome é R., e  ligo porque estou a ler publicidade do vosso concorrente NOS oferecendo um serviço de características semelhantes ao vosso por um preço que é significativamente mais baixo: 59,99 euros contra 85. Gostaria de saber o que me podem dizer sobre isto?
- Pode indicar-me, por favor, o seu número de cliente?
- xxx xxx xxx
- Dá-me licença que consulte a sua factura?
- Faça favor.
- Agradeço que me conceda algum tempo para analisar ... ... ... Senhor R., o seu contrato permite-lhe a visuação de ... canais de televisão, internet com   ... megabites de velocidade, ... ... .... E está a pagar uma mensalidade de 79,99 euros mais a box, no total 85,18 euros. Correcto?
- Foi o que eu disse.
- E diz-me que a concorrência oferece o mesmo conjunto de serviços por 59,99 euros. Correcto?
- Também foi o que eu disse. Aliás, é público. Estou certo que vocês sabem melhor disso que eu.
- Analisando o seu contrato, o mais que poderemos fazer é oferecer-lhe o preço do aluguer da box, cerca de 5 euros por mês, desde que aceite um novo período de fidelização de dois anos.
- Quando terminou a fidelização do actual contrato?
- Em Maio.
- Bom. Nesse caso posso rescindir sem penalização. Que vantagem é que eu tenho em manter o contrato MEO por 80 euros mensais se posso ter o equivalente por 60?
- A decisão é sua sr. R.
- Muito bem, vou ligar ao concorrente, faço o contrato e já volto para pedir o cancelamento.
- Há mais algum assunto em que lhe possa ser útil?
- Não, obrigado. Bom dia!
---
- Muito bom dia, o meu nome é S., em que posso ser-lhe útil?
- Bom dia!, o meu nome é R., gostaria que me confirmasse que serviços estão incluídos no pacote com o preço anunciado de 59,99 euros.
- Com muito gosto. Por esse valor ficam à sua disposição os seguintes serviços ... ... ... ... ... ...
- Por quanto tempo é válido o preço de 59,99 euros?
- Durante o período de fidelização de 24 meses. Se no fim desse período se mantiver connosco, o preço continuará a ser o mesmo. 
- Muito bem. Pretendo fazer o contrato.
- Muito obrigado. Precisamos apenas de alguns elementos ... O seu número de ... ou de ....
-  xxx xxx xxx
- Dê-me apenas alguns instantes para proceder ao registo do contrato.
- Faça favor.
- Obrigado pelo tempo qu esteve à espera. Quando é que podemos instalar o equipamento em sua casa?
- Preciso de saber primeiro quando poderá ser desligado serviço MEO.
- Normalmente levam 15 dias, no máximo. Podemos instalar o nosso equipamento quando quiser. Pode ser já hoje. A nossa primeira mensalidade, com lhe disse, é gratuita.
- Muito bem. Marcamos para o dia 24. Pode ser?
- A que horas é mais conveniente para si?
- Depois das nove.
- Fica marcado. Muito obrigado.
- Bom dia!
- Bom dia e obrigado.
---
- Bom dia, serviço ao cliente MEO. Informações sobre ... marque 1 ... 
 (música) ...
- Bom dia, fala G., em que posso ser útil?
- Pretendia cancelar o contrato MEO ...
- Com certeza. E pode dizer-nos porque razões pretende cancelar?
- Já as expliquei ao seu colega F., há uns minutos atrás, mas posso repetir. ... ... ...

- Nesse caso, senhor R., terá de ligar para o número ... de gestão de contratos.
- Mas esse número é pago. 
- Sim, é pago, mas nós daqui não podemos fazer a transferência de chamada.
---
- Bom dia, fala H., em que posso ser útil?
- O meu nome é R., pretendo cancelar o contrato ...
- Com certeza. Mas pode dizer-nos , por favor, porque razão pretende cancelar?
- Já expliquei a dois outros colegas seus. Mas posso repetir.
- Dá-me licença que veja a sua última factura?
- Faça favor.
- Desculpe o tempo que esteve à espera, realmente a única redução que podemos neste momento fazer é o valor do aluguer da box.
- É uma proposta que não faz sentido, não é? Repare, e vou repetir o que disse aos seu colegas, o que me propõem é eu poupar 5 euro por mês para continuar a pagar mais 20 euros por mês. É uma proposta aceitável para quem não souber comparar 5 com 20. 
- A conclusão é sua, Senhor R.
- O que devo fazer então para cancelar o contrato?
- Deve enviar-nos um formulário que pode obter numa das nossa lojas por fax ou carta registada.
- Muito bem. Bom dia.
- Há mais alguma coisa em que possamos ser-lhe útil?
- ... Não, não há. Obrigado, bom dia.
---
- Bom dia! 
- Bom dia! Diga.
- Pretendo cancelar o contrato MEO ...
- Já terminou o seu período de fidelização?
- Ontem um colega seu, em contacto telefónico, disse-me que terminou em Maio. Mas faça o favor de confirmar.
- ... ... ... Nós aqui na loja não estamos autorizados a aceitar cancelamentos de contratos. Só eles é que o podem fazer. Vou ligar para lá e o senhor fala com os colegas.
- Faça favor.
- .... .... ... Bom dia! Em que posso ser-lhe útil?
- Pretendia cancelar o contrato MEO. Falei ontem com um colega seu que me disse que deveria vir a uma loja preencher um formulário ...
- E pode dizer-nos que razão o leva a cancelar o contrato? O senhor tem connosco ... e....e ...e ... Correcto?
- Corretíssimo. Mas, conforme já expliquei a quatro outros colegas seus, o NOS, por um conjunto semelhante de serviços cobra menos 25 euros por mês do que aquilo que vos estou a pagar.
- Mas nós podemos, como o meu colega já lhe terá dito, oferecer o valor do aluguer da box a partir de agora.
- É uma boa oferta para quem não souber fazer contas simples. Cinco é cinco vezes menos que vinte e cinco. Correcto?
- Nesse caso peço-lhe que me conceda algum tempo para registar o cancelamento do contrato ... ... ...
(Como a chamada é paga já devo ter na próxima factura uma conta equivalente a uns dois meses de box ...) ... Já fiz o cancelamento. Agora irá receber uma carta confirmando ... e a última factura de acerto de contas.
- Fico à espera. Bom dia!
- Há mais alguma coisa em que possa ser-lhe útil?
... ... Não. Não há, obrigado, bom dia!
---
- Bom dia. Serviço ao cliente MEO. Informações sobre ... marque 1 ...
(música) ...  
- Bom dia,  fala F., em que posso ser útil?
- Bom dia! Estive há pouco na vossa loja e cancelei o contrato. O seu colega disse-me que iria receber uma carta e a factura de acerto de contas. Posso saber o que terei de pagar?
- Dá-me um pouco de tempo para analisar o seu processo?
- Faça favor (a despesa de telefone continua a aumentar)
- Senhor R., o seu contrato de fidelização só termina em Março de 2015. Se rescindiu tem de pagar as mensalidades até essa data.
- Essa é boa! Um seu colega, e os senhores podem confirmar isso nas gravações, uma vez que tudo fica gravado, disse-me que a fidelização terminou em Maio, falei já com quatro colegas seus a quem disse das razões que me levaram a cancelar, e nenhum me falou em custos por rescisão antecipada do contrato.
- Tivemos um problem informático no sistema...
- Que culpa tenho eu disso? E agora, que faço, se já fiz contrato com a NOS?
- O equipamento NOS já foi instalado?
- Não, claro que não. Fiz o contrato ontem.
- Pode rescindir com a NOS.
- Essa é uma decisão que me compete a mim tomar. Os senhores são responsáveis pelas consequências das infomações erradas que me prestaram. E agora?
- Pode anular o pedido de rescisão do contrato que tem connosco. Mantemos a oferta de redução do valor do aluguer da box ...
- É uma oferta incompetente ou desonesta. Digo isto sem pretender ofendê-lo a si, está no exercício das suas funções, segue o manual. Mas, ou é uma proposta incompetente, pensada por alguém que não sabe fazer contas de somar e subtrair de dois dígitos, ou é desonesta tentando cativar quem está distraído para uma proposta leonina: pretende amarrar o cliente durante 24 meses, oferecendo uma redução de 5 euros por mês por abdicação de uma poupança de 25 euros mensais dentro de nove meses. Aliás, a incompetência, ou a desonestidade, maior, escolha a que preferir, é ainda a ameaça de me apresentarem uma factura de 765 euros por rescisão que dizem antecipada, sem que, depois do primeiro funcionário que me atendeu me ter dito que o período de fidelização ter terminado em Maio, nenhum dos outros, e foram cinco, ter informdo que o período de fidelização ainda não tinha terminado.
- Mas o senhor R., sabia que o seu período de fidelização só terminava em Março de 2015 ...
- Não sabia nem tinha como saber.
- Está no contrato.
- Não está no contrato.
- Onde é que fez o contrato? Pelo telefone ou em loja?
- Em loja.
- Se tivesse sido pelo telefone poderíamos mostrar-lhe a gravação-
- Mas foi em loja. Tenho o documento escrito.
- E não recebeu e concordou com as condições gerais estabelecidas no contrato?
- Não me entregaram nenhumas condições para além daquelas que constam do contrato que assinei. 
O contrato refere condições gerais no verso mas o verso está em branco. Posso prová-lo? Podem vocês provar o contrário? Por outro lado, como se explica que tendo havido tantas análises ao processo só agora reparam que  o período de fidelização só termina em Março do próximo ano? Que faço agora com o contrato que assinei com a NOS depois de ter repetidamente falado convosco?
- Mas o seu contrato connosco está dentro do período de fidelização e não há nada mais que possamos fazer. 
- Anule o pedido de cancelamento do contrato. 
- Dê-me uns instantes, por favor .... Fica anulado o cancelamento. Deseja aproveitar a redução do preço da box?
- Francamente, depois de tudo o que disse, a si e aos seus colegasm acha que faz sentido a repetição da sua proposta? Não lhe disse já que sei que cinco é cinco vezes menos vinte e cinco?
- A decisão é sua.

- Bom dia!
- Há mais alguma coisa em que lhe posso ser útil?
- Bom dia. (Há. Mais competência e honestidade da parte da PT no relacionamento com os seus clientes. Se, como disse uma das funcionárias, o site informático tinha colapsado, deveriam ter informado não poder dar as informações pretendidas por indisponibilidade momentânea do sistema. Nenhum dos funcionários intervenientes pediu desculpas pelas contrariedades provocadas ao cliente. Não devem estar autorizados pelos manuais) 
 --- 
*Cópia enviada para aqui

Friday, June 13, 2014

DIGA, BOA TARDE!

- Boa tarde!
- Diga...
- Disse boa tarde!

- Boa tarde ...
- Acabo de receber esta factura e gostaria que me ajudasse a percebê-la porque tenho algumas dúvidas. A primeira é a "taxa ocupação subsolo". É variável ou fixa?
- Eu penso que é variável ...
- Também penso que sim. Mas é variável em função de quê?
- Isso não lhe sabemos dizer. Somos comercializadores, não somos os distribuidores. Quem calcula essa taxa é a distribuidora, a Galp.
- Não compreendo. A Galp não é o meu fornecedor. A factura é vossa, compete-vos esclarecer o cliente dos valores que facturam.
- Pode fazer uma reclamação.
- Mas eu não sei se tenho razão para reclamar. O que eu quero saber, além do mais, é como é calculada a "taxa de ocupação do subsolo".
- Vou fazer um pedido de esclarecimento ...
- Faça favor. Mas terá também de pedir a suspensão da factura porque eu não pago enquanto não for esclarecido do que estou a pagar.
- Eu não posso pedir a suspensão da factura.
- Pois muito bem. Quem é que pode? O seu ou a sua chefe?
- Vou ver se está disponível.
- Obrigado. Tenho outras questões a colocar e suponho que são mais difíceis de esclarecer.
---
- Boa tarde!
- Boa tarde! Pretende saber como é calculada a "taxa de ocupação do subsolo", é isso?
- Tenho mais dúvidas. Mas começamos por essa, se faz favor.
-  A "taxa de ocupação do subsolo" resulta do produto de um coeficiente calculado pelo distribuidor pela quantidade em kWh consumidos, mais o produto do coeficiente do "termo fixo", também calculado pela Galp, pelo número de dias do período da facturação. São estas as contas. Nós não temos aqui informação do modo como esses coeficientes são calculados. Mas posso pedir esclarecimentos.
- Faça favor. É um valor relativamente considerável, cerca de 22% do valor facturado pelo consumo de gás.
- Concordo. Vou reportar a questão. Podemos passar à seguinte.
- A factura não indica outro coeficiente, imprescindível para podermos conferir o volume de gás facturado. Só indicam o valor da leitura real em metros cúbicos, aliás errada, e já explico porquê, no início do período e o valor facturado em kWh. Não sabemos que valor consideraram no início do período nem o coeficiente de transformação de metros cúbicos, indicados no contador, em kWh, indicados na factura.
- Tem toda a razão. Vou reportar.
- Faça favor. Já agora, o coeficiente, ou factor de conversão é fixo ou variável?
- É variável, julgo eu.
- Eu também julgo que sim. Mas sabe como é calculado, de que depende?
- Francamente, não sei. Mas vou reportar.
- Faça favor. Podemos então passar à questão seguinte? Não sei onde foram buscar o valor indicado como real em 10 de Maio, que é inferior ao valor facturado até 30 de Abril. Por outro lado, considerando o valor facturado entre 10 de Maio e 6 de Junho resulta uma sobrefacturação de cerca de 100 m3., ou seja 80% mais do que o valor real. Que, naturalmente, aumentou também "a taxa de ocupação do subsolo" e o "termo fixo".
- Vou reportar.
- Faça favor. Terá também de solicitar a supensão da factura.
- Isso não posso. O senhor paga esta factura e depois o valor pago em excesso será creditdo na próxima factura.
- Grande negócio. É assim que procedem normalmente?
- São regras ...
- Também tenho as minhas e da-se o caso que não coincidem com as vossas. Por isso, vou dar indicações ao banco para suspender o pagamento das vossas facturas.
- Bom. Vou mandar bloquear a factura.
- Faça favor. Depois diga alguma coisa.
- Com certeza.
- Boa tarde!
- Boa tarde!

Thursday, May 15, 2014

O BURRO E AS COUVES

Há dias recebi e-mails trocados entre amigos e conhecidos acerca do conflito entre a necessidade de defender a produção nacional e a possibilidade de o fazer sem infringir as regras que subscrevemos no âmbito das convenções sobre a liberdade do comércio e, muito particularmente, daquelas a que estamos submetidos enquanto membros da UE.

Há quem, pura e simplesmente, defenda a saída da zona Euro e da UE. Uma proposta que, contudo, é
muito minoritária. Invocam, por outro lado, muitos daqueles que defendem a permanência no euro e na UE que é impraticável qualquer medida ou prática que possa contrariar os princípios da liberdade de comércio. E que, além de impraticável, poderia desencadear efeitos de retaliação e ter resultados contrários aos pretendidos. Adicionalmente, referem que qualquer campanha de promoção
publicitária das vantagens do made in Portugal para os portugueses esbarra com os interesses particulares de cada um. Recordo-me, a propósito, de uma amiga minha que detesta os chineses e compra regularmente "os trapos" nos chineses...

Do meu ponto de vista só há uma via para evitar que a balança comercial se inverta de novo. Essa via passa pelos bancos - são os bancos que financiam as importações - e pelos maiores grupos de distribuição. São estes senhores que têm de convencer-se ou têm de ser convencidos de que deverão mudar de estratégias. Se o não fizerem, e foram eles os grandes responsáveis pelo nível de endividamento público e privado atingidos, voltará muito rapidamente o burro para as couves.

Wednesday, February 26, 2014

O PREÇO DA ALFACE

"É mentira, senhor, é mentira, os hipermercados não vendem abaixo do preço de custo, quem vende abaixo do custo somos nós, os produtores, toda a gente sabe que é assim. Os hipermercados fazem o que querem e quem paga são os fonecedores. Veja bem: vendo a alface a trinta cêntimos. Facturo e recebo conforme  o contrato. Vendi por trinta cêntimos a alface? Não sei. E não sei porque se no fim do ano o gestor da loja não atingiu os objectivos manda-me uma nota de débito para que comparticipe na realização dos resultados que ele quer. Quando o Pingo Doce vendeu no 1º. de Maio com descontos de 50% de desconto, quem é que pagou esses descontos? Os fornecedores, que não foram ouvidos nem achados antes. Estes são exemplos, entre muitos, das práticas que os hipermercados usam para conseguirem os preços que querem e obterem os lucros que pretendem. O risco corre todo do lado dos fornecedores. Se não aceito aquilo que me impõem sou riscado da lista. Os contratos deveriam ser obrigatoriamente registados no notário para evitar estes abusos de poder das grandes superfícies."

No mesmo dia (ontem) em que entrou em vigor a nova lei de comércio (ASAE - vd. aqui - já tem em mãos 50 processos de más práticas) a Jerónimo Martins - vd. aqui - "obteve resultados líquidos de 382,3 milhões no exercício passado. EBITDA melhorou 5,1% e vendas progrediram 10,7%." Os analistas - vd. aqui - previam resultados superiores, que terão sido frustados pelo desempenho da Biedronka (a JM na Polónia), e as cotações do grupo estão hoje a cair 7% na bolsa de Lisboa. Num dia, note-se, de queda generalizada.

Resolve-se o problema (complicado) com multas desincentivadoras do poder de dimensão dos grandes grupos de distribuição e a intervenção da ASAE? É duvidoso. A intervenção notarial, policial ou judicial nas relações comerciais raramente dá bons resultados. A um poder forte de um lado só um poder organizado do outro pode opor-se com sucesso. Enquanto as associações de produtores não forem capazes de estipular e garantir uma disciplina nas práticas de contratação dos seus associados nenhuma intervenção da ASAE será suficientemente eficaz, sobretudo porque há um terceiro parceiro no jogo que a ASAE não fiscaliza: os fornecedores estrangeiros que praticam dumping ocasional em mercados secundários, cobrindo apenas os custos variáveis, como forma de diluir os seus custos fixos.

As associações de produtores têm um problema de organização interna que só eles podem, eficazmente, resolver. Incluindo a sensibilização da opinião pública para as vantagens da economia de proximidade, do consumo das produções nacionais. Sem uma conscencialização dessas vantagens recíprocas, para fornecedores e consumidores, o dumping exterior continuará a ser a arma com que os grandes grupos de distribuição dividem, para reinar, os fornecedores nacionais.  

Sunday, October 27, 2013

O PREÇO DA DESCONFIANÇA

Sorrateiramente, os fornecedores de serviços pagos por débitos periódicos, normalmente mensais, em conta bancária, se o cliente confia e não confere as facturas com olhos de ver, metem-lhe a mão ao bolso e encaixam uma fortuna. Como os clientes se contam, em vários casos, em milhões ou, pelo menos, em centenas de milhares, meia dúzia de euros sacados a cada cliente distraído somam vários milhões por mês e uma receita astronómica no fim de cada ano. 
 
Para além da distracção, disponibilidade de tempo ou falta de hábito para conferir contas, confiam as empresas de telecomunicações, gás, água, electricidade, etc., e os bancos (convém ter atenção aos bancos), na confiança da clientela ou na sua passividade para reclamar resultante da relação entre o custo e o benefício do incómodo: vale a pena por uma ninharia de meia dúzia de euros, ou mesmo poucas dezenas que seja, perder tempo e torrar o sistema nervoso com exposições ou discussões que podem arrastar-se por tempo indeterminado? Para a esmagadora maioria não vale, e assim o encaixe pelos abusadores subsiste quase sempre intocado.
 
Há três semanas atrás, observei na minha conta bancária um débito, desses que não são objecto de factura nem nota débito, que confrontei com o valor debitado por igual serviço no ano anterior. O valor debitado agora era superior em cerca de 10%, quase cinco euros. Telefonei para o fornecedor do serviço, que neste caso é o banco, reclamando pelo abuso de um débito para o qual não tinha dado o meu consentimento. Responderam-me que é normal esta prática, os serviços são renovados automaticamente e as tabelas respectivas aumentadas e aplicadas com consentimento implícito dos clientes que não reclamam! Prometeram resolver o assunto, creditando os valores abusivamente debitados no prazo máximo de cinco dias. Volvidos cinco dias, não havia resposta nem crédito nenhum. Veio anteontem a resposta via e-mail, o crédito deve entrar a partir de amanhã, depois de múltiplas insistências, perdas de tempo e de paciência.
 
Valeu a pena tanto incómodo por tão pouco?
Ouvia dizer, com alguma frequência, há muitos anos, a um homem bom: quanto mais desconfio menos me engano. O que é verdade, mas tem custos desproporcionados. E é com isso que se governam os abusadores.
 
Que deixariam de ser se as entidades reguladoras estivessem atentas e determinassem que todos os casos denunciados e confirmados fossem obrigatoriamente objecto de correcção. O óbice é que, geralmente, os reguladores estão mais do lado de lá que do lado de cá.

Wednesday, March 06, 2013

PATILHAS E VENTOÍNHA - ORDEM PARA BUSCAR

 
"16 juízes e 25 procuradores, auxiliados pela PSP entraram por volta das 9h00 de hoje nas sedes e outros edifícios da generalidade das instituições financeiras para verem os sistemas informáticos,  suspeitos de agir em cartel nas áreas dos créditos ao consumo e à habitação, combinando os valores dos spreads e das comissões. As buscas estão a ser levadas a cabo pela Autoridade da Concorrência, Departamento de Acção Penal e Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa. A Autoridade da Concorrência decretou o segredo de justiça no presente processo de contraordenação, considerando que os ineteresses da investigação e os direitos do sujeitos processuais não seriam concretamente compatíveis com a publicidade do processo"

À hora que comento esta notícia ainda não se sabe o mais interessante: o nome desta operação. A julgar pelos precedentes só pode ser um nome catita. Se há especialidade em que os nossos buscadores se esmeram é no nome das operações em que se envolvem. O resto, também a avaliar pelos antecedentes, é para enrolar e prescrever.

Terão também buscado na Caixa? A notícia não diz, mas espera-se que, para o efeito, a Caixa tenha sido considerada banco, ainda que os caixeiros não sejam propriamente banqueiros.

No fim do ano fizeram buscas aos computadores de Medina Carreira, agora atiraram-se mais, e mais alto: aos computadores dos bancos. À procura do vazio. Alguém com o mínimo de tino acredita que, se os banqueiros se conluiem, e muito provavelmente conluiem-se, escarrapacham a tramóia nos discos rígidos dos computadores? De mais a mais, dos banqueiros, especialistas em produtos tóxicos?

Quando é que a Autoridade da Concorrência terá gente competente  com autoridade na concorrência?
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Correl. - Mensagem recebida agora mesmo via telemóvel:

"Porque a Páscoa é especial, até 31/3 transfira sem custos para a sua conta , o saldo disponível do cartão (Unibanco). Exemplo: 1500 euros, 12 m, TAN 27,35%, TAEG 27,5%. Ligue 213501500"

Há dias recebemos oferta idêntica enviada pelo correio por um banco.

Ninguém da Autoridade da Concorrência, do Departamento de Acção Penal ou do Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa recebe estas propostas? Até quando continua a ser consentida esta pressão de concessão de crédito ao consumo sobre os financeiramente mais debilitados? É  anedótica a busca de registos que confirmem a cartelização por spreads e comissões quando são publicitados estes níveis usurários XXXL de taxas de juro. Não será isto antes um total desplante legalmente consentido? Se a Autoridade da Concorrência não nota nisto qualquer relação com aquilo, é mais ingénua que o senhor Constâncio.


Tuesday, November 13, 2012

GESTÃO PRIVADA, GESTÃO PÚBLICA

Por que é que em Portugal as escolas do ensino secundário privadas ocupam os primeiros vinte lugares do ranking das melhores escolas do país e as universidades privadas, salvo a Católica, são geralmente consideradas de pior qualidade que as públicas? Por que é que os alunos das escolas secundárias privadas se candidatam às universidades públicas e são maioritariamente provenientes do ensino secundário público os que frequentam as universidades privadas? Por que é que as escolas secundárias privadas de prestígio são, geralmente antigas, e as universidades privadas têm observado um índice de falência elevado? (Fechou (vd aqui) uma universidade privada por ano na última década).
 
Há muitas explicações das consequências mas não são claras as causas quando se comparam as situações relativas entre escolas secundárias e universidades privadas. Pode, por exemplo, argumentar-se que para as universidades privadas o ensino é um negócio e o objectivo do lucro compromete a exigência de excelência. Mas para  os sócios ou accionistas das empresas de ensino secundário o lucro não é um objectivo? Claro que é. Pode justificar-se a melhor performance das escolas secundárias com a frequência de alunos provenientes de classes mais abastadas e, portanto, com melhores condições para serem, em média, melhor sucedidos do que os que frequentam a escola pública, que são maioritariamente provenientes de classes menos favorecidas. Mas por que é que não preferem, geralmente, os alunos provenientes das classes abastadas a frequência de universidades privadas? E a resposta óbvia é: porque as universidades privadas, salvo a Católica, são menos qualificadas, em geral, que as universidades públicas.
 
Esta questão, aparentemente peregrina, tem a sua razão de ser quando se fala com alguma insistência na privatização de alguns serviços públicos e, nomedamente, do ensino.  O Diário de Notícias está a publicar um conjunto de artigos sobre o tema do ensino superior privado em Portugal e, da sua edição
 
 Metade dos ministros de Passos formou-se no privado
 
Como explicar o facto de uma actividade, que envolve valores tão elevados mas tem observado falências frequentes nos seus membros, mostre uma resiliência notável apesar da sua imagem de menos boa qualidade junto da opinião pública, e até apresente um palmarés tão relevante de sucesso político relativo dos que frequentaram universidades privadas? Para além de seis (dois da Católica) dos doze membros do actual governo, formaram-se em universidades privadas o actual líder do PS e o seu antecessor e ex-primeiro ministro, por exemplo.    
 
Uma explicação possível para este ramo de aparentes paradoxos: ao estudante do ensino secundário exige-se-lhe a prestação de provas e a obtenção de mínimos (em alguns, casos muito elevados) para entrar na faculdades da sua preferência; ao licenciado, essa exigência é geralmente negligenciada pelos empregadores. Daí que aqueles que podem frequentam escolas prestigiadas de ensino secundário de modo  a poder entrar em universidades públicas, resignando-se muitos dos que frequentaram o ensino secundário público a pagar propinas mais elevadas para frequentar universidades privadas. No caso do ensino secundário, o objectivo impõe a excelência; no ensino superior, o canudo, exclusivo objectivo de muitos, dispensa normalmente a excelência do ensino encanudado.

Aliás, do mesmo modo se explica a degradação observada em muitos cursos superiores em instituições de ensino superior públicas. Com o objectivo de conseguirem ver aumentadas as dotações orçamentais, concedidas em função do número de alunos, foram, e continuam a ser, admitidos em cursos menos procurados candidatos com notas negativas em cadeiras nucleares desses cursos. 

A gestão pública não é, só por ser pública, pior nem melhor que a privada. No ensino, ou em qualquer outra actividade, a excelência é mobilizada pelos objectivos que a concorrência determina. Se o canudo basta, a excelência requerida fica-se por aí. Quando o savoir faire se sobrepõe ao know how, a cunha e a inscrição política sobrepõem-se a tudo mais.

Thursday, November 08, 2012

CORDEIROS & COMPANHIA

Um dia, já lá vão largos anos, ouvi uma senhora contar a outra, manifestamente satisfeita com o que contava, que tinha assinado uma declaração confirmando que uma terceira tinha trabalhado em sua casa como doméstica durante um período de tempo que a habilitava a receber uma pensão paga pelo Estado. Ouvindo isto, disse à benemérita que, com a sua assinatura, me tinha ido ao bolso. Quem me ouviu, e estavam presentes outras pessoas, não percebeu, e foi com alguma dificuldade que tentei explicar a razão da minha observação. Porque nem a beneficiada tinha alguma vez trabalhado como doméstica nem era sequer socialmente desprotegida. Soube-se mais tarde que juntava o dinheiro da pensão e com os fundos reunidos ia de vez em quando até ao estrangeiro.
 
Ocorreu-me esta cena quando ontem vi o desfile dos farmacêuticos carregando caixas contendo 320 mil assinaturas numa petição exigindo ao Governo (vd  aqui) alteração das políticas adoptadas para o sector. A dar entrada ao cortejo, estava o presidente da Associação Nacional de Farmácias, a receber a petição, um deputado do PCP.
 
O presidente da Associação Nacional de Farmácias é, desde há muito tempo, cara de uma corporação que, até recentemente, encostou o Estado, financeiramente debilitado, à parede. O seu governo à frente da ANF permitiu-lhe um poder quase despótico e geralmente reconhecido, até por ele, como altamente proveitoso. As farmácias, sem dúvida alguma imprescindíveis a um sistema de saúde condigno, viram, mercê de um estatuto que protegia a corporação, valorizados os seus valores de trespasse a níveis que denunciavam a magnífica rentabilidade da sua actividade. Justifica isto que, agora, devolvam à sociedade aquilo que antes ganharam a mais? Justificam-se políticas que provoquem, segundo o que se lê, o encerramento de cerca de 600 farmácias?  Não creio que haja da parte do Governo qualquer intenção, que seria absurda, de desforra, mas não sei avaliar até que ponto a revolta dos farmacêuticos tem razoabilidade.

O que sei é que  muitos, para não dizer quase todos, dos 320 mil que assinaram a petição, se lhes fosse perguntado se considerariam altos os preços dos medicamentos diriam que sim, e que se  concordariam com o aumento dos preços dos medicamentos diriam que não. Por que é que, então, conseguiram os farmacêuticos reunir tantas assinaturas dos seus clientes?

Porque os subscritores da petição, neste caso, não intuiram claramente que a reinvindicação dos farmacêuticos (melhores preços, melhores condições de pagamento) se opõe aos seus próprios interesses (preços mais baixos).Tal qual a senhora que declarou, inocente e falsamente, que a outra tinha sido sua empregada doméstica durante vários. Quando o Estado é metido de permeio leva sempre pancada de todas as partes em confronto.

Deve então o Estado deixar de interferir no preço dos medicamentos? Não deve. Mas deve explicar explicar convenientemente aos contribuintes as razões das medidas que toma.

Saturday, October 13, 2012

ACERCA DA ECONOMIA DE VIZINHANÇA

Tenho apontado neste caderno algumas notas sobre a necessidade de promover a divulgação do interesse individual que passa pelo interesse comum sustentado numa atitude do consumidor preferir o que é produzido em Portugal ainda que, eventualmente, o preço seja aparentemente mais elevado ou a qualidade menos atraente. Entre outras ocasiões, referi-me aqui ao tema. 
 
João Duque, presidente do ISEG, aborda hoje o assunto na sua coluna habitual no Expresso/Economia, e, através de um exemplo trivial demonstra que a opção pela compra de produções importadas, preterindo as produções portuguesas, por razões comparativas dos preços nos locais de venda, pode redundar numa perda efectiva para o nosso país e, no fim de contas, para o consumidores portugueses, individualmente considerados, que acabam por pagar a diferença aumentada em impostos com que se subsidiam os desempregados.
 
Como sempre sucede, estas questões são mais fáceis de teorizar do que levar à prática. Por um lado, como Duque refere, as aquisições feitas em nome do Estado têm de subordinar-se, geralmente, ao princípio do melhor preço sob pena poderem ser considerados suspeitos de outros interesses os agentes adquirentes. Por outro lado, porque a indicação ostensiva de preferência pelos produtos nacionais é  considerada infracção às regras comunitárias de concorrência.
 
Mas nada obsta a que os cidadãos não sejam informados acerca dos custos que realmente pagam quando negligenciam o conceito de economia de vizinhança e o interesse comum na entreajuda entre vizinhos. Bastava que a RTP, que ocupa uma parte significativa das suas horas de emissão com programas medíocres  - O Preço Certo, por exemplo é paradigmático desta estratégia estupidificante -
dedicasse algum do espaço televisivo, com custos que todos somos obrigados a comparticipar, à informação do que está em causa quando não compramos os produtos nacionais.
 
Quanto às compras feitas em nome do Estado, como sugere João Duque,  é fundamental que  se demonstre à troica que a nossa recuperação económica, e, portanto, a nossa capacidade de honrar os nossos compromissos passa, além do mais, por alguma protecção temporária à produção nacional. Se não, será um exercício de solução cada vez mais impossível.

Saturday, August 25, 2012

NÃO PODE SER VERDADE

Já ontem tinha ouvido na Antena 1 que António Borges (porquê António Borges, é uma originalidade do sistema governativo português que falta explicar)  tinha apresentado algures um modelo de privatização do canal 1 da RTP, envolvendo ainda o encerranto do canal 2 e a garantia da continuidade das taxas do audiovisual a que estão sujeitos os consumidores de electricidade. Pensei: devo ter ouvido mal. 

Tinha ouvido bem: a exploração do canal 1 da RTP vai ser concessionada em termos que, segundo o Expresso de hoje, garante ao concessionário lucros certos de 20 milhões de euros, porque passará a receber 150 milhões de euros da (subreptícia) taxa do audio visual.

É um escândalo que só não estou certo que não passará porque vivemos tempos em que a imoralidade e a ilegitimidade andam à solta. Acrescenta o Expresso que falta obter o acordo de Bruxelas onde (o absurdo) pode vir a ser vetado pelas regras da concorrência. Tem todos os requisitos para ser liminarmente reprovado, desde logo porque não há negócio sem risco e a este quer atribuir o governo um inconcebível, em termos empresariais, lucro vitalício.

Depreende-se da notícia que subjacente à entrega das receitas da taxa do audiovisual a uma empresa privada está a concessão da produção do serviço público de televisão, uma espécie rara que nunca ninguém soube definir, enquanto foi supostamente realizado pela RTP. Como é que pode ser definido agora, quando do outro lado estarão  privados monopolistas desse serviço, naturalmente interessados sobretudo nos seus interesses privados?

Repito-me: se há  serviços públicos de televisão a concessionar eles devem ser adjudicados segundo as regras que regem as concessões de serviço público em geral, isto é, através de concurso aberto a todos os candidatos, neste caso operadores de televisão, independentemente do facto da privatização da RTP.
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Tuesday, August 07, 2012

PARA TROICA VER

A privatização da RTP vai ser pelo menos tão controversa quanto a reorganização administrativa do país, prometendo ambas as acções ficar a meio do caminho se conseguirem arrancar do ponto de partida. A favor da garantia de algum percurso, apenas os compromissos assumidos perante a troica, contra, quase todos quantos vivem do orçamento ou sentem ameaçadas as posições ou privilégios. O ministro que se incumbiu de uma coisa e doutra está politicamente diminuido mesmo considerando que bate os gatos em matéria de foles e é pelo menos tão destro com os felinos em cair de pé. 

A organização administrativa do país vem do tempo da maria caxuxa, todos concordam que deve ser alterada, nenhum dos que a podem alterar está disposto a alterá-la mais do que superficialmente. É lamentável que a troica não exija o cumprimento dos compromissos assumidos e pareça estar disposta a transigir numa acção essencial à eficiência da gestão dos governos locais. As freguesias, onde o governo está  centrar o exclusivo das discussões à volta do tema, não têm a importância que os partidos impingem sobretudo por razões partidárias. Repito-me: deveriam ser todas mantidas, todas, criadas as que as populações solicitassem, com funções limitadas à representatividade nas assembleias municipais, sem remuneração dos seus membros. Os concelhos, onde os partidos não se atrevem a tocar por razões exclusivamente partidárias, deveriam ser aglutinados para a obtenção de maior operacionalidade dos meios e melhor planeamento das acções do conjunto. Os vereadores não deveriam ser executivos, salvo os presidentes das câmamas municipais e desempenhariam as suas funções graciosamente. Punha-se à prova, deste modo, quem é que estaria disposto a servir o interesse público, desmobilizando muitos aqueles que vivem à custa dele.  

Quanto à privatização da RTP, só não é estranha a intenção da privatização do Canal 2 porque o ministro Relvas não podia ser mais claro: A RTP 1 é necessária à propaganda política, o Governo não procura maximizar o produto da venda, vendendo o canal de maior audiência, mas continuar a tutelar um canal aberto generalista vocacionado para disputar as audiências com programas geralmente popularuchos. O objectivo de se distinguir pela qualidade dos outros canais abertos é, deste modo, deitado borda fora com o abstracto serviço público. Estarão, certamente de acordo, os partidos do arco governamental por razões eleitoralistas, o PCP e o BE por motivações ideológicas.

O que até se poderia aceitar por razões economicistas se o canal público deixasse de continuar a depender do dinheiro dos contribuintes. De outro modo á uma clara transgressão das leis da concorrência. Espera-se que os concorrentes  procedam como podem e devem.

Sunday, May 06, 2012

O PINGO SUÍÇO

Já depois de ter colocado o comentário que transcrevi daqui, aqui, quis o acaso ter conseguido esta fotografia


A Migros,  maior cadeia de hipermercados suiça, sustenta a sua campanha publicitária num slogan dirigido ao sentimento comum dos consumidores suíços: ajuda-te, ajudando o teu vizinho.

Ouvimos tantas vezes que não podemos continuar a "consumir mais do que produzimos", pelo menos quantas nos espantamos com a preponderância de produtos importados à venda nos centros comerciais e hipermercados.

O consumidor, argumentam os radicais liberais, não é acéfalo.
Pois não, mas é frequentemente intrujado.
As crises com que nos confrontamos (a estruturalmente nossa, e a conjunturalmente importada) decorrem em grande medida da confusão entre os interesses imediatos (com que se intruja o consumidor) e os mediatos com que se suporta o crescimento sustentado das sociedades.

É, parece, o que pensam os suíços, que são liberais quanto baste, e não se têm dado mal com isso.

UM ACTO ESCLARECEDOR*

A campanha publicitária do Pingo Doce tem tantas leituras quantos os leitores. E a controvérsia suscitada só ajuda a campanha.

Há um aspecto, contudo, que a mim me parece incontroverso: o Pingo Doce declarou que não fez "dumping", logo não vendeu abaixo do preço de custo váriável.

Se não vendeu abaixo do preço de custo variável, e assumindo que os seus custos fixos são relativamente muito reduzidos (essa é uma das vantagens dos grandes espaços, a outra é a capacidade de negociação com uma multiplicidade de fornecedores) o Pingo Doce arrecada margens que só podem justificar-se se a concorrência não funciona.

Mas se a concorrência não funciona por que razão gastam milhões numa campanha publicitária?

Há dias, Lobo Xavier, que reclamou saber do que fala, dizia no programa televisivo onde é comentador que não precisam os grandes grupos de distribuição de fazer guerra de preços porque todos têm aumentado as vendas ... mesmo em tempos de crise, e que o Pingo Doce, ao fazer esta campanha, terá querido "dar um mimo" aos seus clientes habituais...

Se não houve dumping (os concorrentes não reclamaram), há acordos de preços? Não há. Se houvesse, não haveria campanhas publicitárias desta ordem de grandeza.

Então o que há? Desequilíbrio de forças entre (muitos) fornecedores e (poucos) distribuidores.

Dir-se-á: Mas isso é bom para o consumidor final. Aparentemente, assim é. Acontece que o "dumping" que espreme os fornecedores nacionais é feito por fornecedores externos. O mercado português é, para muitos produtores estrangeiros um mercado marginal. Porque é um mercado onde colocam as quantidades que os mercados mais próximos não absorvem.

Ainda, e mais uma vez, dirá um liberal: Mas isso é excelente, porque com isso ganha o cliente.

Parece.

Inundado por fornecimentos externos, podemos continuar a ter mercado sem ter produções?
Ajudem-se a sair desta, senhoras e senhores liberais.

*
Act. - Uma leitura diferente para um acto subversivo

Friday, May 04, 2012

O PINGO DE SOLDA

Ouço esta manhã na Antena 1 que a ASAE está já a averiguar se houve ou não uma situação de dumping  na  campanha do 1º. de Maio no Pingo Doce. Era adiantado que, pelo menos em três casos (três produtos?) tinha sido constatado existirem fundamentos para a acusação de ilegalidade. Ouvidos os responsáveis do Pingo Doce, terão confirmado que não praticaram dumping, reconhecendo, deste modo, que as suas margens de comercialização são superiores ao desconto geral de 50% concedido durante um dia.

Três horas depois, volto a ouvir na mesma antena a parte final da informação de alguém (não percebi quem) do Observatório dos Mercados Agrícolas e das Indústrias Agro-Alimentares acerca das margens recolhidas nos hipermercados: 70% na alface frisada, 60% nas cenouras, 45% na pêra rocha, ... Não garanto a exactidão dos valores mas garanto que eram desta ordem de grandeza. A informação prestada referia-se a sondagens feitas durante o mês de Março.

Mais duas horas depois, o ministro da Economia à pergunta sobre o que pensava sobre o assunto respondia que esperava pelos resultados do relatório da ASAE, mas acabou por dizer que tal tipo de campanhas eram comuns em outros países.

Cerca das quatro horas da tarde estou bloqueado no meio de um engarrafamento de trânsito provocado por uma manifestação de agricultores (umas centenas, informava a rádio) reclamando mais apoios do governo e legislação que lhes permita maior capacidade negocial com os compradores dos hipermercados.

Da Autoridade para a Concorrência não se ouviram notícias.

Em conclusão: Se não houve dumping, e é o Pingo Doce que garante que não houve, só são possíveis margens arrecadadas daquele tamanho se há acordos tácitos entre os grupos concorrentes. Porquê perseguir a prática de dumping (aliás penalizada de modo simbólico - até 30 mil euros) se o Pingo Doce implicitamente confessa que a concorrência não funciona no sector? Afinal para que pagamos aos observadores dos mercados agrícolas e das indústrias agro-alimentares se eles observam e se calam? E a Autoridade para a Concorrência, que dorme. E o ministro, que diz que não diz mas diz o que não devia dizer. E o ministério da Agricultura que continua a não saber ir além dos mistérios dos subsídios.

Saturday, November 19, 2011

707, ORDEM PARA ROUBAR

A PT inventou uma forma disfarçada de vender chamadas de valor acrescentado para além daquelas com que muita iniciativa abjecta  induz o povão a votações com intuitos claramente comerciais: os 707.

Hoje, o contacto telefónico com grande parte de empresas a operar em regime de monopólio ou quase monopólio só é possível através de chamadas para números iniciados por 707, pagas por uma tabela bem acima das tarifas comuns. Como, regra geral, o atendimento é demorado, depois de passar por uma triagem arrasante, "se quer falar em português, marque 1, se quer falar em inglês marque 2, se ...., se quer ..., se quer ..., se quer falar com um operador, marque 9 ... de momento todos os nossos operadores estão ocupados, atenderemos logo que possível, (música), lamentamos não ter sido possivel, até ao momento atender a sua chamada, atenderemos logo que possível, (música), a sua chamada é muito importante para nós, por favor não desligue (música), lamentamos não ter sido possível, até ao momento, atender a sua chamada, atenderemos logo que possível (música) ... ", o paciente, se não desiste ao fim de 10 minutos, desistirá ao fim de 20, de meia hora, mas acaba por desistir, com uma conta calada às costas.  

Um roubo descarado e consentido.