Monday, September 23, 2024
PORTUGAL AO NATURAL
Monday, January 15, 2024
AS ERVAS SECAS
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Thursday, August 05, 2021
O CONHECIDÍSSIMO CASO DOS AVIÁRIOS DE FORMADORES
Só nos faltava isto: o regresso da formação de formadores
Com as Novíssimas Oportunidades, vamos todos aprender que é possível repetir os mesmos erros e o resultado final ser totalmente diferente. É desta, portugueses! Inscrevam-se para acreditar. - João Miguel Tavares
5 de Agosto de 2021
São cinco vírgula cinco mil milhões de euros. Um tiro de bazuca de dez dígitos para investir em “qualificações e competências”, ao abrigo de um – e cito – “Acordo de Formação Profissional e Qualificação: Um Desígnio Estratégico para as Pessoas, para as Empresas e para o País”, que foi assinado na semana passada entre o Governo e os seus parceiros sociais. Apesar dos efeitos da pandemia, a paz social fica assim assegurada durante os próximos anos, com fundos europeus a serem canalizados em barda através de sindicatos e de confederações patronais com a desculpa favorita da pátria – a qualificação dos trabalhadores –, dada a “necessidade” – e volto a citar – “de agir para cumprir a meta de alcançar em 2030 os 60% de participação anual de adultos em educação e formação”.
Reparem bem no português, porque ele é sintomático. Um redactor competente e produtivo saberia que a expressão “necessidade de agir para cumprir a meta de alcançar” é apenas uma modesta “necessidade de alcançar”. Mas o comboio verbal “agir para cumprir a meta de alcançar”, na sua desmesurada redundância, é um lapso freudiano que se aplica na perfeição a este programa, cujo nome deveria ser Novíssimas Oportunidades. Lembram-se?
O Governo socialista é como aqueles casais sem imaginação que só conhecem duas ou três posições na cama, e as repetem incessantemente sempre que há alguma energia, ou, neste caso, muito dinheiro. Chovem milhões de Bruxelas? Alguém grita “Eureka!” no Palacete de São Bento – “vamos investir que nem doidos na formação de adultos!” Como dizem os ingleses: been there, done that. Essa estratégia foi a menina dos olhos de José Sócrates. Chamou-se Novas Oportunidades e tratou-se de um programa espectacular – sobretudo para o anedotário nacional, com centenas de milhares de adultos a completarem magicamente o 12.º ano após despenderem vários serões a assistir à projecção de slides em paredes brancas.
É verdade que o Novas Oportunidades foi um sucesso de participação. Entre o seu início, em 2006, e até meados de 2011 – quando chegou Passos Coelho e a troika malvada –, inscreveram-se no programa cerca de 1,5 milhões de adultos. Estamos a falar de quase 30% da população activa em Portugal. Os socialistas ainda hoje se orgulham muito do Novas Oportunidades, e há mesmo estudos que perguntaram às pessoas se foi bom para elas, elas disseram que fez maravilhas pela sua autoestima, donde, o programa foi um sucesso.
Ainda assim, foi um sucesso insuficiente, porque António Costa quer agora formar mais 1,145 milhões de adultos activos, que isto da formação é um trabalho de Sísifo. E talvez também porque, olhando para a evolução da produtividade em Portugal, o efeito nos indígenas não parece ter sido espectacular. Para citar não Passos Coelho, mas a CGTP (que recusou subscrever o acordo), “o Governo não rompe com um passado de desaproveitamento de milhares de milhões de euros gastos em ‘formação profissional’, que não logrou tirar-nos do último lugar dos países europeus em matéria de qualificação média da população activa”. Ups.
Ah, mas desta vez vai ser diferente, não é? Claro que vai. Os objectivos são os mesmos, a estratégia é idêntica, os parceiros mantêm-se, e a sede de ir ao pote é igualzinha. Mas, com as Novíssimas Oportunidades, vamos todos aprender que é possível repetir os mesmos erros e o resultado final ser totalmente diferente e completamente maravilhoso. É desta, portugueses! Inscrevam-se para acreditar.Thursday, May 05, 2016
DESACORDO INÚTIL
Enredados em múltiplos problemas que os afligem de forma imediata, a comemoração da língua e cultura comuns será um devaneio intelectual porque não é certamente assunto que minimamente se embrenhe, mesmo por breves instantes, nas atenções dos cidadãos em geral. Este alheamento não significa, obviamente, que a língua não seja um património de valor incalculável e que os objectivos da CPLP não se prolonguem para além dos interesses culturais conjuntos.
Mas se a língua é o factor unificador do conjunto e a sua defesa uma obrigação inalienável, a repescagem da discussão sobre o Acordo Ortográfico proposta pelo Presidente Marcelo Rebelo de Sousa seria perturbadora e inconsequente.
Perturbadora, porque as gerações mais novas estão a ser ensinadas em conformidade com o acordo subscrito em nome de Portugal.
Inconsequente, porque, a longo prazo, o português, como qualquer outra língua, desdobrar-se-á em variantes que não se conformarão com novos acordos ortográficos. Dito de outro modo, talvez este "Acordo Ortográfico" não seja bom, mas será o último. Porque mesmo que fosse consensual no momento presente, e não é, não resistiria à inevitável obsolescência determinada pelo decorrer do tempo, que tudo transforma e a que a linguagem não escapa.
Dito isto, continuarei a escrever segundo a norma anterior.
Se, uma vez por outra, não for alternando as normas.
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Correl. - A reversão mais valiosa para o futuro : acabar com o Acordo Ortográfico
Marcelo Rebelo de Sousa (11/05/2016) - O Acordo Ortográfico é uma não-questão
Sunday, December 06, 2015
ESTE GOVERNO NÃO É DE ESQUERDA
Gente séria, esta gente do PCP. Não andam cá para enganar ninguém.
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Correl . "Aquilo que o PCP não está disponível para apoiar é também, é preciso ser claro, aquilo que nós não estamos disponíveis para propor" - A. Costa /aqui
Tuesday, November 13, 2012
GESTÃO PRIVADA, GESTÃO PÚBLICA

Aliás, do mesmo modo se explica a degradação observada em muitos cursos superiores em instituições de ensino superior públicas. Com o objectivo de conseguirem ver aumentadas as dotações orçamentais, concedidas em função do número de alunos, foram, e continuam a ser, admitidos em cursos menos procurados candidatos com notas negativas em cadeiras nucleares desses cursos.
A gestão pública não é, só por ser pública, pior nem melhor que a privada. No ensino, ou em qualquer outra actividade, a excelência é mobilizada pelos objectivos que a concorrência determina. Se o canudo basta, a excelência requerida fica-se por aí. Quando o savoir faire se sobrepõe ao know how, a cunha e a inscrição política sobrepõem-se a tudo mais.
Sunday, November 04, 2012
MAMÃ MERKEL E O MEMORANDO DE COMUM DESENTENDIMENTO
O, até agora, outro segundo memorando de entendimento, que uns reclamam, outros receiam, outros consideram inevitável, e que o Governo, depois de rejeitar, crismou de "refundação do acordo", quando ocorrer, será terceiro.
A este respeito, Mamã Merkel**, foi anteontem muito peremptória, durante um congresso regional do seu partido ao afirmar que são necessários mais cinco anos de austeridade para a Europa recuperar a competitividade perdida e tornar-se de novo um espaço atractivo para o investimento, condição necessária ao crescimento económico e ao desenvolvimento social.
Ao mesmo tempo, volta a ser notícia uma não notícia, por tantas vezes já ter sido anunciada: "A Grécia fica sem dinheiro para salários se não lhe entregam mais 13,5 mil milhões de euros até ao dia 12 deste mês"***. Verdade ou não, o que ninguém pode negar é que a Grécia já vai no quinto ano consecutivo de recessão (Portugal, no terceiro) e é inacreditável que a situação seja sustentável por mais cinco como pretende Mamã Merkel.
*Nuno Crato vai a Berlim assinar acordo sobre o ensino profissional
**Merkel pede mais cinco anos de austeridade e esforços
***Faltam 15 dias para a Grécia ficar sem dinheiro para salários
Thursday, July 22, 2010
SNS - 2
Saturday, June 19, 2010
O INSUSTENTÁVEL PESO DOS INTERESSES INSTALADOS
Wednesday, February 17, 2010
IMPUREZAS ECONÓMICAS - 2
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