Showing posts with label Merkel. Show all posts
Showing posts with label Merkel. Show all posts
Thursday, June 01, 2017
Tuesday, December 13, 2016
EUROPA ENSANDUICHADA
"I have chosen one of the truly great business leaders of the world, Rex Tillerson, Chairman and CEO of ExxonMobil, to be Secretary of State.", twitou Trump, hoje.
Antes, entre outras nomeações nada surpreendentes para quem lhe conhece os propósitos, já tinha escolhido para o Ambiente aquele que, em defesa dos lóbis dos petróleos, mais processos moveu contra as políticas de energias renováveis.
Antes, entre outras nomeações nada surpreendentes para quem lhe conhece os propósitos, já tinha escolhido para o Ambiente aquele que, em defesa dos lóbis dos petróleos, mais processos moveu contra as políticas de energias renováveis.
"Tillerson negociou em 2011 uma parceria com a Rússia, avaliada em 500 mil milhões de dólares, sendo que no ano seguinte o Kremlin condecorou o CEO da Exxon com uma distinção de topo para cidadãos estrangeiros. Este acordo permitiu à Exxon explorar campos petrolíferos no Ártico e reforçar a ligação à estatal russa Rosfnet." - aqui. Vd. mais detalhes aqui.
É agora muito claro o que já há algum tempo era visível: Trump escolheu confrontar a China impondo-lhe a revisão dos contratos assinados no âmbito do comércio livre ameaçando intervir no processo de diálogo entre chineses do continente e de Taywan.
E abraçar os russos, ensanduichando a Europa.
Há uma investigação em curso sobre a influência da intervenção de hackers russos nos resultados de 8 de Novembro - vd. aqui - e o Washington Post de ontem, publicava um longo artigo - vd. aqui - sobre idênticas acções de sabotagem cibernética das eleições na Alemanha no próximo ano.
Eles, Trump e Putin, sabem que Merkel é agora a única personalidade política na Europa capaz de enfrentar o populismo num continente em que crescem trumpitos como cogumelos perante a pusilanimidade generalizada que assiste ao desmoronamento da União Europeia.
Se Merkel for derrubada nas eleições, Putin terá cartão verde de Trump para avançar para Oeste.
Trump e Putin, ainda que de forma enviesada, estão respaldados pelo voto.
Perante estes personagens que força política e militar tem a Europa, historicamente fragmentada, entretida na presunção das suas independências, representada por um figurante sem votos nem meios chamado Jean-Claude Juncker?
Friday, December 09, 2016
DRAGHI NÃO CHEGA PARA AS ENCOMENDAS*
Concordo com a
leitura que faz da mensagem de Draghi.
Draghi tem
desempenhado com bastante competência e ousadia quanto baste para manter em
funcionamento a caranguejola europeia. Tivesse sido o seu antecessor menos
atento venerador e obrigado ao diktat alemão e o desastre das dívidas soberanas
europeias não teria atingido, irremediavelmente, os níveis desastrosos que
atingiu.
Em resumo: Draghi
tem cumprido e promete continuar a cumprir.
Mas o cumprimento
de Draghi não chega para as encomendas, que a outros competiria cumprir mas não
cumprem. E a Europa, atingida de novo pelo vírus nacionalista, com agressivas
estirpes racistas, que a destruiu na primeira metade do século passado, é outra
vez o mesmo sonâmbulo a caminho do abismo.
O grotesco da ironia
deste destino europeu avalia-se na esperança depositada na chanceler alemã
continuar no posto e conseguir reunir os cacos que, no passado recente, a sua
liderança política, ou a do seu ministro das finanças causaram. Afinal, se não
for ela, quem pode ser?
Draghi faz o que
pode e sabe fazer. Mas não chega para curar a Europa da furunculose que ameaça
cobrir-lhe o corpo todo.
---
* Comentário colocado aqui
Labels:
austeridade,
crescimento económico,
Draghi,
inflação,
Merkel,
UE,
zona euro
Sunday, September 04, 2016
É A HORA DO SUL
De um e do outro lado do Atlântico Norte, onde a democracia ganhou raízes e frutificou durante quase três séculos, rejuvenescendo das cinzas mesmo quando parecia aniquilada pela fogueira ateada pela hidra nazi, chegam notícias que dão conta do crescimento de rebentos da besta multicéfala.
Na Alemanha, observa-se a queda da popularidade de Merkel e o crescimento do partido da extrema-direita AfD (Alternativa para a Alemanha) sustentado na xenofobia a degenerar em racismo dos seus mentores. Hoje, os eleitores do estado mais a nordeste da Alemanha -Mecklenburg-West Pomerania-, aquele em que se insere o distrito eleitoral em que Merkel vota e, por má coincidência, o território onde o AfD passa a ter maior representação na Assembleia de um estado da federação alemã, atribuiram o segundo lugar ao partido de extrema-direita, relegando a CDU de Merkel para a terceira posição. Os sociais-democratas mantiveram o primeiro lugar, mas, também eles, perderam lugares para o AfD.
A Alternative für Deutschland, AfD não se distingue apenas pela sua repulsa xenófoba - com 1,6 milhões de habitantes, a presença de imigrantes em Mecklenburg-West Pomerania ronda apenas 3,7% da população total do estado - porque, além do mais, defende a dissolução da zona euro.
A coligação SPD/CDU, com 40 lugares entre os 71 da Assembleia de Mecklenburg-West Pomerania vai continuar a governar o Estado, mas Merkel sai enfraquecida e será tentada a inflectir à direita o governo federal em Berlim.
Se o futuro não parece prometedor a Merkel, também o enfraquecimento político interno da actual chanceler não favorece, antes pelo contrário, o caminho para uma maior integração da União Europeia nem um maior peso político da Europa na geoestratégia mundial.
No Reino Unido, a pusilanimidade dos trabalhistas favorceu o voto no Brexit.
Não é garantido, bem pelo contrário, que os sociais-democratas na Alemanha, e na Europa do Norte em geral, não venham a titubear tanto ao mais que os seus confrades britânicos.
Adensam-se as nuvens sobre os céus do ocidente.
---
Correl . -
Thursday, July 21, 2016
MRS MAY, MRS STURGEON AND MRS MERKEL
“Podemos ir ao fundo da questão? Estará ela (Theresa May) pessoalmente
preparada para autorizar um ataque nuclear que possa matar centenas de milhar de homens,
mulheres e crianças inocentes?”
A questão foi colocada na segunda-feira, 18 de Julho, por um deputado do Scottish National Party (SNP) durante o debate na Câmara dos Comuns.
E a resposta de May - vd. vídeo publicado aqui no Independent -, foi peremptória e imediata:
E a resposta de May - vd. vídeo publicado aqui no Independent -, foi peremptória e imediata:
”Sim. E tenho de acrescentar que o objectivo de um efeito dissuasor é que os nossos inimigos saibam que estamos preparados para isso”
A frota de submarinos nucleares - cf. New York Times - tem a sua base em Faslane, na Escócia, e o Scottish National Party, que conta com 54 dos 59 deputados escoceses no Parlamento, opõe-se à renovação do programa nuclear.
Por outro lado, o Brexit foi muito maioritariamente rejeitado na Escócia - 32% pela saída da UE, 68% pela permanência -, e num artigo publicado no mesmo dia 18 no Financial Times é colocada a hipótese de a Escócia poder accionar o direito de veto considerando que o Brexit supõe o acordo das nações que compõem o Reino Unido.
A completar o arsenal de armas, politicamente nucleares, já que podem provocar a desintegração do Reino Unido, Nicola Sturgeon, a primeira-ministra da Escócia, avisou May - vd. aqui - que está a preparar um novo referendo em 2017 sobre a independência do país se o Governo de Londres não garantir os interesses da Escócia nas negociações com a UE para o Brexit.
Ontem, May, uma mulher de armas, encontrou-se em Berlim com Merkel, que não tem botão de lançamento de armas nucleares, mas tem outras, ao seu alcance.
Quem vai disparar primeiro?
---
Mrs. Clinton vai chegar atrasada, se chegar?
A completar o arsenal de armas, politicamente nucleares, já que podem provocar a desintegração do Reino Unido, Nicola Sturgeon, a primeira-ministra da Escócia, avisou May - vd. aqui - que está a preparar um novo referendo em 2017 sobre a independência do país se o Governo de Londres não garantir os interesses da Escócia nas negociações com a UE para o Brexit.
Ontem, May, uma mulher de armas, encontrou-se em Berlim com Merkel, que não tem botão de lançamento de armas nucleares, mas tem outras, ao seu alcance.
Quem vai disparar primeiro?
---
Mrs. Clinton vai chegar atrasada, se chegar?
Friday, February 13, 2015
AS REGRAS DO JOGO
O primeiro-ministro grego Alexis Tsipras terá reafirmado na reunião de líderes da União Europeia que o seu objectivo é encontrar uma alternativa para as políticas de austeridade “que estão
a matar a economia”. Em comentário a estas declarações a chanceler alemã reafirmou, por seu lado, que regras são regras e que "não há alternativa ao cumprimento das regras previamente estabelecidas".
Estarão as negociações irremediavelmente comprometidas pelo inabalável dogmatismo das regras estabelecidas? A Grécia é membro da União Europeia e da Zona Euro com perfeito conhecimento das regras do clube e dos contratos que os governos gregos anteriores subscreveram. Logo, indiscutivelmente, o governo do sr. Alexis Tsipras não pode renegar as regras do clube ou desrespeitar os contratos subscritos pelos seus antecessores enquanto o seu país for membro de pleno direito da União de que o seu país é parte.
Mas, por outro lado, ao sr. Alexis Tsipras, enquanto primeiro-ministro da Grécia, não pode ser negado, ou sequer desvalorizado, o direito de propor o que entender em matéria de alterações das regras ou das condições subscritas anteriormente. Deste modo, o comentário da srª. Merkel pode ter um forte alcance psicológico junto daqueles que lhe admiram a fibra e lhe apaudem incondicionalmente a tenacidade nos lances, mas é políticamente inconsistente porque o respeito pelas regras não inibe os que as estabelecem do poder de as alterarem. Se a chanceler alemã não tem argumentos mais consistentes para rechaçar todas e quaisquer propostas dos dirigentes gregos que visem alterar as regras actuais, o sr. Alexis Tsipras ganhou aquele dia. E, dificilmente, não ganhará outros. Se a Grécia é uma incomodidade para a srª. Merkel dentro da União Europeia, fora dela as incomodidades provocadas pela saída não serão (ou seriam) menores. Obviamente, a srª. Merkel sabe que é assim.
---
Monday, February 09, 2015
HOJE HÁ PERCEBES*
O sr. Passos Coelho rejeita publicamente qualquer renegociação com a Grécia porque uma posição complacente colocá-lo-ia em dificuldades perante o eleitorado que ele necessita em Setembro/Outubro que lhe dê a maioria absoluta com que ainda (ou cada vez mais) sonha.
Apostou, mais por convicção que falta de outra alternativa, num propósito, e qualquer mensagem que sugerisse sequer uma inflexão nesse propósito seria aproveitado partidariamente pelos seus adversários políticos, internos e externos. Está refém de uma estratégia que falhou em grande medida mas que nem Merkel & Companhia do Norte nem ele querem, por diferentes razões, reconhecer.
Intimamente, as coisas passam-se modo diferente. Imagine-se que Merkel & Companhia do Norte acabam por conceder ao Syriza o benefício da dúvida e que, decorrente de recuos de parte a parte, a Grécia obtem parte daquilo que pretende: p.e., o pagamento da dívida em função do crescimento do PIB. Persistirá o sr. Passos Coelho na sua cruzada contra os relapsos gregos ou ficará satisfeito por nos poderem tocar por tabela algumas vantagens das eventualmente concedidas à Grécia? A resposta parece óbvia, não?
Esta, aliás, tem sido a praxis politica do sr. Passos Coelho desde a sua tomada de posse: exibir uma atitude de sobre cumprimento dos objectivos do MoU, uma exibição sempre coniventemente aplaudida pela srª Merkel e pelo sr. Schäuble, e aproveitar o que pode das vantagens consequentes da rebeldia grega. Hipocrisia ou oportunismo, chamem-lhe o que quiserem, mas não me parece que possa haver outra leitura à superfície da obediência a uma estratégia, que falhou em grande medida, na Grécia, em Portugal, na Europa, e a que, aparentemente, o sr. Passos Coelho se continua a agarrar como os percebes à rocha.
Resumindo: O sr. Passos Coelho não vai mudar de estratégia. Espera apenas que a estratégia venha ter com ele.
---
* Colocado aqui
Apostou, mais por convicção que falta de outra alternativa, num propósito, e qualquer mensagem que sugerisse sequer uma inflexão nesse propósito seria aproveitado partidariamente pelos seus adversários políticos, internos e externos. Está refém de uma estratégia que falhou em grande medida mas que nem Merkel & Companhia do Norte nem ele querem, por diferentes razões, reconhecer.
Intimamente, as coisas passam-se modo diferente. Imagine-se que Merkel & Companhia do Norte acabam por conceder ao Syriza o benefício da dúvida e que, decorrente de recuos de parte a parte, a Grécia obtem parte daquilo que pretende: p.e., o pagamento da dívida em função do crescimento do PIB. Persistirá o sr. Passos Coelho na sua cruzada contra os relapsos gregos ou ficará satisfeito por nos poderem tocar por tabela algumas vantagens das eventualmente concedidas à Grécia? A resposta parece óbvia, não?
Esta, aliás, tem sido a praxis politica do sr. Passos Coelho desde a sua tomada de posse: exibir uma atitude de sobre cumprimento dos objectivos do MoU, uma exibição sempre coniventemente aplaudida pela srª Merkel e pelo sr. Schäuble, e aproveitar o que pode das vantagens consequentes da rebeldia grega. Hipocrisia ou oportunismo, chamem-lhe o que quiserem, mas não me parece que possa haver outra leitura à superfície da obediência a uma estratégia, que falhou em grande medida, na Grécia, em Portugal, na Europa, e a que, aparentemente, o sr. Passos Coelho se continua a agarrar como os percebes à rocha.
Resumindo: O sr. Passos Coelho não vai mudar de estratégia. Espera apenas que a estratégia venha ter com ele.
---
* Colocado aqui
Wednesday, November 05, 2014
O ERRO DE VISÃO DE FRAU MERKEL
Frau Merkel afirmou hoje que Portugal e Espanha têm licenciados mais. E pergunta-se aqui a quem tem responsabilidades de monta no ensino superior: "Será que Merkel enunciou "um disparate" que terá "implicação positiva no humor dos portugueses"? Quem respondeu, considera que Merkel disse um disparate, e essa vai ser a reacção generalizada nos próximos dias. Terá dito?
Se não disse um disparate, foi pelo menos desastrada. Ou, dito de outro modo, foi politicamente inconveniente. Admitamos, no entanto, que a afirmação não era de Merkel mas de um qualquer crítico português com acidez elevada mas espaço garantido num dos jornais de maior circulação. Penso que muitos leitores concordariam, muitos outros discordariam, mas, provavelmente não a rotulariam de disparate.
.
.
Porque Merkel não disse apenas que Portugal tinha licenciados a mais, também disse que tinha diplomados com formação vocacional a menos. Na Alemanha, ainda que o número de licenciados no grupo etário de referência seja superior ao observado em Portugal, o número de formados em institutos médios é superior ao de formados nas universidades. Em Portugal a situação é inversa. Considerando o grau de desenvolvimento relativo das duas economias, Portugal não tem economia suficiente para os licenciados formados em algumas áreas. Daí a elevada taxa de desemprego de licenciados e o número elevado de licenciados que continuam a emigrar.
Que fazer? Prestigiar o ensino profissional. Enquanto o ensino profissional for visto como uma saída para quem não tem unhas para entrar na universidade, o nível médio do ensino superior será inferior e os institutos médios continuarão a reclamar estatuto universitário porque de outro modo não angariam alunos. Ajudaria também que, mais do que ridicularizar o erro de Merkel, fosse ridicularizado o hábito ainda persistentemente generalizado de se ouvir chamar à volta tanto "senhor doutor" e tanto "senhor engenheiro". O desenvolvimento humano suporta-se no desenvolvimento educativo e não na proliferação de penachos.
---
Correl. (10/11) - Afinal o erro de Merkel sobre o número de licenciados escondia alguma razão
---
Correl. (10/11) - Afinal o erro de Merkel sobre o número de licenciados escondia alguma razão
Thursday, October 16, 2014
ANDAM DRONES POR AÍ
Hoje, de manhã cedo, anunciava-se aqui, que a Bolsa de Lisboa tinha regressado aos ganhos, com 13 cotadas em alta, e acompanhava a tendência
positiva das restantes praças europeias. Os títulos da banca subiam mais
de 1% e ajudavam o PSI-20 a recuperar de mínimos de dois anos.
Fui ver as cotações e não batia a cota com a perdigota: estava tudo em queda livre. Queda que se mantém às duas da tarde com o índice PSI 20 a cair 4,30%, o IBEX 35, 3,81%, o DAX, 1,85%, e o Dow Jones 1,06%. E os juros das dívidas soberanas dos periféricos voltaram a subir. O que é que aconteceu?
Antes, tinha ouvido na rádio que o governo grego deseja sair do segundo plano de resgate nos próximos meses e deixar a tutela do FMI. A ajuda da Zona Euro termina este ano com mais 1,8 mil milhões de euros mas o auxílio do FMI prolonga-se até 2016. Entretanto, mais ou menos ao mesmo tempo que as bolsas se entornavam, Herren Merkel avisava urbi et orbi, mas os principais destinatários parecem ser Paris, Roma e Lisboa, que "todos os países devem respeitar as regras do Tratado Orçamental", porque "apesar de a Europa ter tomado as opções correctas para enfrentar a
crise, "ainda estamos longe do objectivo". Tomou?
Oxalá que um dia destes o jogo não continue como batalha campal.
---
Correl.- Por que está a Grécia a provocar fortes quedas nas acções
17/10 - Bolsa valoriza mais de 2,5% e encerra com maior subida desde Julho
A PT perde mais 9,06% e continua a descida até onde só alguns sabem.
A Oi, por exemplo.
Ou a CMVM.
Wednesday, September 17, 2014
OH! MAMA DELA
A taxa de inflação na Zona Euro em Agosto situou-se, vd. aqui, em 0,4%, bem abaixo do "target" do BCE (2%) mas ligeiramente melhor que a primeira indicação (0,3%) publicada no fim do mês. As economias europeias continuam globalmente estagnadas e até a Alemanha está agora atolada na situação resultante das medidas de combate à crise que tem quase intransigentemente liderado. E digo quase, porque o sr. Draghi tem-se aventurado na conquista de um espaço de manobra que os estatutos do BCE, numa interpretação restritiva, não lhe consentiriam. Se alguém até agora segurou o euro, a Draghi deve ser reconhecido o papel mais relevante, se não único, nessa missão, tanto mais que, segundo Berlim, essa tarefa não lhe foi encomendada nem consentida. Se alguém ou alguma coisa aliviou os juros das dívidas públicas dos mais endividados com as suas declarações (aplicando uma receita dos manuais a que Berlim torce o nariz) foi o que disse Draghi.
E agora? Recuperará a Europa com o sr. Junker em Berlaymont? É duvidoso. De índole conciliadora Junker não parece capaz de imitar Draghi na conquista de um espaço de intervenção que o torne não subalterno do diktat alemão até porque a sua capacidade depende da dimensão do orçamento comunitário e este depende das contribuições dos estados membros onde a Alemanha é maioritária.
É esta falta de confiança num futuro próximo liberto da anemia que se apossou das economias europeias em vésperas de mudança dos orgãos da União Europeia que justifica (não me apercebo doutras razões) a contínua procura de refúgio de capitais na Alemanha. Lê-se aqui, no Expresso online desta tarde, que investidores aceitaram pagar para ter dívida alemã a dois anos. Dito de outro modo, a Alemanha volta a ganhar dinheiro com os empréstimos que contrai; não só não paga juros como ainda recebe um prémio pelo favor de receber os dinheiros que lhe emprestam. Que grande mama!
Mas, é da lei da física das leitarias, mais dia menos dia, a mama acaba-se. Se Junker & Companhia não ajudar, Draghi não faz milagres, e a União Europeia desmantela-se por falta de coesão das massas do edifício.
Labels:
crescimento económico,
dívida pública,
Draghi,
inflação,
Juncker,
juros,
Merkel
Monday, June 30, 2014
ACERCA DA APROPRIAÇÃO FINANCEIRA
O Economist publicou esta semana um vídeo - Heads they win - sobre a evolução da participação do sector financeiro no PIB em quatro países: Alemanha, França, Reino Unido e Estados Unidos da América nos últimos cinquenta anos. A progressão em cada um dos países observados é impressionante mas das tendências contidas num intervalo relativamente estreito destaca-se o sprint do Reino Unido nos últimos dez anos.
O cálculo do PIB tem muito que se lhe diga. Em princípio, idealmente a finalidade da avaliação do PIB seria a medição da riqueza produzida por uma nação, um grupo, ou a totalidade delas. De facto o PIB mede o valor da riqueza adquirida por uma nação, uma sociedade, ou um conjunto delas, e só no valor total se iguala a riqueza produzida à riqueza adquirida. É um conceito económico desprendido de qualquer restrição moral, que agora até acolhe actividades não só moral como legalmente condenáveis.
Entre produção e apropriação de riqueza já tudo foi dito ainda que quase tudo continue discutível. Indiscutível, no entanto, é a evidência de que a riqueza registada em nome dos agentes financeiros, mesmo desconsiderando a legitimidade dos meios como foi obtida, tinha, na generalidade dos casos, a consistência das areias movediças. Entre nós, lamentavelmente, são poucos os casos que, pelo menos por enquanto, se podem considerar escapados à vaga de escândalos em que se atascou o sistema.
À escalada da progressão financeira correspondeu a progressão generalizada da desindustrialização ocidental. A excepção mais notável é a Alemanha. Não por acaso, é Frau Merkel Frau Europa.
Monday, November 11, 2013
INFLAÇÃO QB, PRECISA-SE
A zona euro precisa de níveis de inflação menos baixos. Quem o diz é Wolfgang Münchau, o irrequieto analista alemão do Financial Times, especialista em temas económicos europeus, incansável na procura de soluções que possam salvar o euro para salvar a Europa. Num artigo publicado hoje no FR - The eurozone needs to get inflation up again - Münchau começa por mostrar-se surpreendido que a decisão do BCE de redução das taxas de juro, contra a posição do Bunsdesbank, tenha sido uma surpresa para a generalidade dos analistas e agentes financeiros.
Na origem da decisão do BCE está a queda dos preços para níveis que, até recentemente, Mario Draghi não vislumbrava que pudessem ocorrer se não a médio e longo prazo. Para além da descida das taxas de juro dos empréstimos (manteve as taxas de juro dos depósitos), o BCE assumiu a garantia de liquidez ilimitada do sistema até Julho de 2015, criando, deste modo, um teto à subida das taxas. Por tabela, a decisão do BCE só pode vir a beneficiar a transição da gestão da dívida pública portuguesa para o pós-troica sem que, evidentemente, resolva só por si a questão da sua sustentabilidade.
O fantasma da inflação continua a apoquentar a sociedade alemã e as propostas de Münchau (estas e outras) continuam a ser geralmente rejeitadas pela opinião pública do seu país, que, obviamente, condiciona as posições políticas do governo de coligação, qualquer que seja o parceiro da CDU de Merkel, relativamente às políticas de maior integração europeia.
Resultarão deste ensaio resultados que reanimem as economias europeias, e sobretudo as financeiramente mais fragilizadas, e convençam os alemães que a inflação pode ser um factor virtuoso sem risco de se tornar incontrolável? Não sabemos. O que sabemos é que enquanto o espectro da inflação pairar sobre as cabeças alemãs a Europa continuará a derrapar para a desintegração.
---
A propósito contrário: Maduro, o venezuelano, quer proibir a inflação.
Correl. - A falta que nos faz mais inflação
Inflação na zona euro em terreno negativo
---
A propósito contrário: Maduro, o venezuelano, quer proibir a inflação.
Correl. - A falta que nos faz mais inflação
Inflação na zona euro em terreno negativo
Wednesday, October 23, 2013
DO QUE PRECISAMOS MESMO É DE OUTRA COISA
Ontem, esclarecia o vice-primeiro ministro, a diferença entre um segundo resgate e um plano cautelar - um segundo resgate é o que a Grécia tomou, um programa cautelar é o que vai ser tomado pela Irlanda. Hoje, o primeiro ministro negou que haja negociações em curso para um segundo resgate mas admitiu (aqui) o recurso a "um programa cautelar ou outra coisa que garanta o acesso pleno aos mercados".
Bem visto, senhor primeiro ministro. Do que precisamos mesmo não é de um segundo resgate, que implicaria mais empréstimos (mais 30 mil milhões de euros, segundo o Goldman Sachs . vd. aqui ) e a dívida, que já atingiu (vd. aqui) 131,3% do PIB, mostra-se imparável. Mas também não precisamos de um programa cautelar que nos deixaria à mercê das imposições do BCE, e o mais certo é que nos receitasse o mesmo que receitou a Chipre. Portugal ainda não é Grécia, mas vai a caminho, e não é, certamente, a Irlanda, nem para lá caminhamos.
Do que precisamos mesmo é de outra coisa, e não é difícil perceber qual é. Precisamos que a carga de juros seja sustentável pelo nosso crescimento económico. Se não há crescimento económico capaz de fazer inflectir o crescimento galopante dos juros, a dívida continuará a esmagar-nos por mais cortes, ou mesmo também por causa deles, que o governo e a maioria que o suporta nos imponha.
Como é que isso se consegue? Pergunte à Dona Merkel. Só ela, ninguém mais, lhe poderá responder.
É aí que terá de investir toda a sua capacidade de persuasão se quiser fazer alguma coisa verdadeiramente útil por este País neste momento. O tempo urge, até Julho do próximo ano, data prevista para a retirada da troica, faltam um escassos nove meses. Se, conforme nos querem fazer crer, não foram ainda iniciadas conversações naquele sentido, um segundo resgate está aí mesmo ao voltar da esquina.
Por mais arreigada que seja a sua convicção do contrário.
Do que precisamos mesmo é de outra coisa, e não é difícil perceber qual é. Precisamos que a carga de juros seja sustentável pelo nosso crescimento económico. Se não há crescimento económico capaz de fazer inflectir o crescimento galopante dos juros, a dívida continuará a esmagar-nos por mais cortes, ou mesmo também por causa deles, que o governo e a maioria que o suporta nos imponha.
Como é que isso se consegue? Pergunte à Dona Merkel. Só ela, ninguém mais, lhe poderá responder.
É aí que terá de investir toda a sua capacidade de persuasão se quiser fazer alguma coisa verdadeiramente útil por este País neste momento. O tempo urge, até Julho do próximo ano, data prevista para a retirada da troica, faltam um escassos nove meses. Se, conforme nos querem fazer crer, não foram ainda iniciadas conversações naquele sentido, um segundo resgate está aí mesmo ao voltar da esquina.
Por mais arreigada que seja a sua convicção do contrário.
Labels:
ajuda externa,
BCE,
dívida pública,
juros,
Merkel,
resgate
Tuesday, September 24, 2013
A VITÓRIA DE MERKEL E UM ENSAIO SOBRE A TORTURA
meu Excelentíssimo Amigo,
Talvez Seguro tenha lido, ou alguém por ele, o Financial Times de hoje, e visto um vídeo publicado aqui - Europe risks loom after Merkel win - que, na parte final comenta a tortura portuguesa, em grande parte um legado de quem anuncia publicar dentro em breve uma tese sobre a tortura em democracias.
O Financial Times não morre de amores pela Dona Merkel, os seus comentadores mais citados (Martin Wolf, Wolfgang Münchau, entre outros ilustres) vêm sendo muito críticos das políticas da chanceler desde há muito tempo. Ora o Financial Times não é propriamente um diário de esquerda, e estando o UK fora do euro, a sua perspectiva será informada de alguma isenção relativamente ao pendor socialista e ao destino do euro.
Quero dizer com isto, que independentemente do que diz Seguro, e Seguro diz muita coisa para se agarrar ao posto que os seus camaradas socráticos não cessam de abanar, a questão que se coloca é esta: Vai a senhora Merkel alterar a sua política relativamente à União Europeia, à Zona Euro, a Portugal, que, desde Julho, passou a ser o mau da fita?
Ela diz que não: Vai tudo continuar na mesma porque não poderia ter funcionado melhor.
E se ela diz, não serei eu a colocar em dúvida o que Dona Merkel ordena aos 27 anões, que à sua volta se comportam atentos, veneradores e obrigados.
.
E se ela diz, não serei eu a colocar em dúvida o que Dona Merkel ordena aos 27 anões, que à sua volta se comportam atentos, veneradores e obrigados.
.
Mas, sendo assim, tenho as maiores dúvidas que tenhamos a mínima hipótese de algum dia nos livrarmos de um resgate crónico, nos mantermos no euro e, consequentemente, na União Europeia.
Porque, ou as minhas contas estão totalmente erradas, ou, não havendo nada de novo, que não vislumbro, o problema não é do défice deste ano a 4 ou a 5%, de um segundo resgate ou de um programa cautelar, mas da impossibilidade de inverter o ponto de não retorno que já ultrapassámos.
Wednesday, September 18, 2013
GENTE POUCO SÉRIA
O Fundo Monetário Internacional divulgou hoje um documento de reavaliação das políticas de natureza fiscal adoptadas nas economias mais desenvolvidas - IMF Policy Paper - Reassessing the role and modalities of fiscal policy in advanced economies - onde, mais uma vez, são reconhecidas consequências perversas de medidas prescritas ou sobrescritas pelo mesmo FMI.
Este é um exercício de masoquismo dialético psicológico a que os responsáveis pelo FMI, com especial responsabilidade da senhora Christine Lagarde, nos vêm submetendo há cerca de um ano, pelo menos desde que Lagarde afirmou em Tóquio que "tipo e ritmo de ajustamentos orçamentais devem ser adaptados a cada país", alertando para riscos graves de instabilidade financeira no sistema financeiro globalizado". -, e que, ingenuamente, reconheço agora, comentei aqui.
Ingenuamente, porque aquilo que parece óbvio para o cidadão comum - um mínimo de coerência entre o que o que o FMI diz e o que o FMI pratica - não é nada óbvio, e são insondáveis as razões últimas deste descarado desfasamento entre dizer e fazer, impróprio de gente séria. Ao mesmo tempo que o FMI publicava este documento o encontro dos partidos políticos com a troica caracterizou-se com duas palavras "insensibilidade e silêncio", segundo o PS.
"É em Berlim é que está a chave dos nossos problemas, temos de fazer uma grande ofensiva diplomática em Berlim", afirmou hoje Freitas do Amaral. Não é a primeira vez, nem é o único, que diz o mesmo.
Os senhores representantes da troica merecem o respeito devido a técnicos de, supõe-se, elevadíssima craveira técnica, mas não mais que isso. Se o FMI é um desencontro de opiniões, e os dois outros pilares da troica se sustentam na Dona Merkel, é com a Dona Merkel, reconhecidamente o mais poderoso da economia portuguesa, que o senhor Passos Coelho deve convencer.
Mas há um senão: Só convence quem está convencido. E não é nada liquido que o senhor Passos Coelho já esteja convencido de uma evidência, que ele publicamente rejeita: Portugal não tem nenhuma hipótese de suportar a carga dos juros e só uma reestruturação da dívida (Wolfgang Münchau, o colunista do Financial Times, alemão, disse há dias o mesmo em Lisboa) pode resolver o nosso imbróglio e os de mais algum outros.
Quanto ao senhor vice-primeiro ministro, incumbido das discussões com a troica e da reforma do Estado, que prometeu não permitir a tributação excepcional das pensões - a tal linha vermelha que com ele não será nunca ultrapassada - eclipsou-se ou revogou-se outra vez?
Ingenuamente, porque aquilo que parece óbvio para o cidadão comum - um mínimo de coerência entre o que o que o FMI diz e o que o FMI pratica - não é nada óbvio, e são insondáveis as razões últimas deste descarado desfasamento entre dizer e fazer, impróprio de gente séria. Ao mesmo tempo que o FMI publicava este documento o encontro dos partidos políticos com a troica caracterizou-se com duas palavras "insensibilidade e silêncio", segundo o PS.
"É em Berlim é que está a chave dos nossos problemas, temos de fazer uma grande ofensiva diplomática em Berlim", afirmou hoje Freitas do Amaral. Não é a primeira vez, nem é o único, que diz o mesmo.
Os senhores representantes da troica merecem o respeito devido a técnicos de, supõe-se, elevadíssima craveira técnica, mas não mais que isso. Se o FMI é um desencontro de opiniões, e os dois outros pilares da troica se sustentam na Dona Merkel, é com a Dona Merkel, reconhecidamente o mais poderoso da economia portuguesa, que o senhor Passos Coelho deve convencer.
Mas há um senão: Só convence quem está convencido. E não é nada liquido que o senhor Passos Coelho já esteja convencido de uma evidência, que ele publicamente rejeita: Portugal não tem nenhuma hipótese de suportar a carga dos juros e só uma reestruturação da dívida (Wolfgang Münchau, o colunista do Financial Times, alemão, disse há dias o mesmo em Lisboa) pode resolver o nosso imbróglio e os de mais algum outros.
Quanto ao senhor vice-primeiro ministro, incumbido das discussões com a troica e da reforma do Estado, que prometeu não permitir a tributação excepcional das pensões - a tal linha vermelha que com ele não será nunca ultrapassada - eclipsou-se ou revogou-se outra vez?
Labels:
ajuda externa,
dívida pública,
FMI,
juros,
Merkel,
Passos Coelho,
Paulo Portas
Friday, September 13, 2013
IRONIAS ARITMÉTICAS ELEITORAIS
Wolfgang Münchau concluía há dias num artigo publicado no Financial Times - The arithmetic of Germany´s elections points to instability -, que, das eleições na Alemanha dentro de dez dias, não resultará garantidamente, como muitos esperam, um período de estabilidade política susceptível de favorecer a coesão na União Europeia. Aqueles que pensam que o mundo será diferente no próximo dia 23 deste mês, desiludam-se, recomenda Münchau. E porquê?
Feitas as contas, considerando as sondagens e os arcos partidários nas câmaras, alta e baixa, no parlamento federal alemão, Münchau conclui que, muito provavelmente, Merkel não conseguirá formar um governo suportado por uma coligação com estabilidade suficiente para resistir aos solavancos de um percurso interna e externamente acidentado. Consequentemente, a União Europeia, e em particular a zona euro, poderá continuar expectante dos resultados das próximas eleições gerais alemãs depois destas.
Ironicamente, a continuação das políticas actuais da senhora Merkel depende da eleição de representantes do AfD, o único partido declaradamente anti europeu e proponente da extinção do euro. Para que tal aconteça, o AfD, que concorre pela primeira vez, terá de obter pelo menos 5% dos votos, um resultado inesperável. Se tal não acontecer, é difícil vislumbrar uma coligação que possa garantir estabilidade política na Alemanha durante os próximos quatro anos.Quem parece não acreditar nestas contas é o euro, que se mantem teso e garboso frente ao dólar e a tudo o que é moeda internacionalmente aceite.
Ironicamente, a continuação das políticas actuais da senhora Merkel depende da eleição de representantes do AfD, o único partido declaradamente anti europeu e proponente da extinção do euro. Para que tal aconteça, o AfD, que concorre pela primeira vez, terá de obter pelo menos 5% dos votos, um resultado inesperável. Se tal não acontecer, é difícil vislumbrar uma coligação que possa garantir estabilidade política na Alemanha durante os próximos quatro anos.Quem parece não acreditar nestas contas é o euro, que se mantem teso e garboso frente ao dólar e a tudo o que é moeda internacionalmente aceite.
Münchau afirmou ontem em Lisboa - vd. aqui -, além de mais, que "a
crise da dívida europeia apenas será resolvida se o sector oficial -
instituições como FMI ou o BCE - aceitarem perdas na dívida que detêm de
países sobreendividados." Uma saída que, claramente, as perspectivas do mesmo colunista quanto aos resultados das eleições na Alemanha não parecem, de algum modo, favorecer. A menos que, como ele refere, o partido anti europeu, ao recolher votos suficientes para se representar, desequilibre a relação de forças entre os partidos do arco governamental alemão e isso favoreça a constituição de um governo de grande coligação CDU/SPD.
Thursday, June 13, 2013
EM DEFESA DE MERKEL
Quando, há quase um ano, Draghi afirmou "BCE fará o que for necessário para defender o euro, e isso será suficiente" e avançou com o Programa OMT de compra ilimitada de dívida soberana dos países do euro sujeitos a um resgate formal, como era esperável, os mercados estabilizaram e o BCE não interveio.
Entretanto, o Bundesbank levantou a questão da inconstitucionalidade da eventual obrigação imposta
aos contribuintes alemães no caso do BCE adquirir dívida que não venha a ser paga pelos países devedores. A decisão do Tribunal Constitucional é crucial para a evolução da zona euro, podendo, no caso de julgar inconstitucional a capacidade do BCE intervir como prometeu Draghi, provocar uma crise na União Europeia de consequências dramáticas para o seu futuro.
Curiosamente, Merkel está decidida a defender a posição do BCE contra a do banco central alemão.
Razão pela qual num artigo hoje publicado no El País se compara a sua atitude à de Helmut Kohl, na sua persistência pela equiparação do marco alemão de leste ao de oeste na Alemanha reunificada, mais tarde no Tratado de Maastricht e de Helmut Schmidt na sustentação do Sistema Monetário Europeu.
Entretanto, por artes que nem todos os mágicos deste mundo certamente dominam, o euro, uma moeda ameaçada por turbulências constantes numa União Europeia economicamente estagnada e financeiramente desequilibrada, consegue o, aparentemente, improvável ao valorizar-se no espaço de um ano contra as outras principais moedas.
---
Sobre o mesmo tema: vd in Economist :
Germany and the euro. The euro zone looks anxiously to Karlsruhe
Sunday, June 09, 2013
MUITO ÚTIL OU BASTANTE INÚTIL?
"Quando Vítor Gaspar sair...virá outro ministro das Finanças que estará queimado ao fim de pouco tempo, e assim sucessivamente. Independentemente dos Governos/Protagonistas temos que ajustar a Despesa Pública directa e indirecta ao total das receitas fiscais e não fiscais recorrentes, agora que esgotamos praticamente as receitas extraordinárias, as receitas das privatizações e a capacidade de endividamento. Gaspar é criticado como foi Ernâni Lopes em 1983-84. Qualquer ministro das Finanças que seja obrigado a conduzir um processo de ajustamento duro em consequência dos excessos de despesa acumulados em 15anos ficará desacreditado face à população atingida. Vale a pena mudar quando isso é um sinal errado?"
Em meados de Outubro do ano passado, José Miguel Júdice dizia numa entrevista publicada aqui, que comentei aqui: "Gosto de chamar ao professor Gaspar 'Miguel Vasconcelos' [...] Vasconcelos era o homem que quem mandava em nós acreditava que devia estar a governar. Não acho que (Gaspar) seja perverso, acho que faz o que tem a fazer e merece todos os elogios num país onde ninguém faz o que tem de fazer".
Sibilinamente, Júdice atribui a Merkel o lugar de Filipe IV de Espanha e a Gaspar a responsabilidade de governar Portugal por ser esse o desejo de quem manda em nós, i.e., Merkel, e porque Gaspar faz o que tem de fazer, isto é, o que o mandam fazer. A ideia de que Vítor Gaspar estava claramente subordinado às directivas de Merkel/Schäuble já estava então a transbordar dos quadrantes políticos da esquerda para grande parte daqueles que constituem o suporte tradicional dos partidos da maioria que apoia o governo. Hoje são poucos os que vêm a terreiro defender Gaspar, e a farpa de domingo passado de Marcelo Rebelo de Sousa, considerando Vítor Gaspar bastante inútil, é muito sintomática da generalizada falta de credibilidade do actual ministro.
Não apenas porque a sua imagem aparece aos olhos da generalidade dos opinion makers como excessivamente colada ao diktat alemão mas também pelas contradições em que tem caído nos últimos tempos, para além da degradação de alguns indicadores socialmente críticos, dos quais o nível de desemprego é o mais sensível, muito para além das previsões do memorando de entendimento e das suas revisões.
É hoje consensual que o programa de assistência foi mal negociado (ou mal desenhado, dá no mesmo). O próprio ministro afirmou isso mesmo, recentemente. E a pergunta óbvia saltou por todo lado: Mas só agora é que ele viu isso? E a suspeita confirma-se: toda a sua intervenção ao longo destes dois anos foi determinada, além do mais, por esta sua incapacidade preliminar de não ter denunciado o erro no desenho do memorando de entendimento.
Outro ministro das Finanças faria o mesmo porque o memorando tem de ser cumprido? Não é provável. Cada ministro é, parafraseando o filósofo, ele e as suas circunstâncias. Ele, não seria o mesmo e as circunstâncias estão-se a alterar.
---
Correl .- CDS quer saber por que razão Gaspar nunca acerta
Finanças detectam novo buraco nos submarinos
Wednesday, June 05, 2013
CALL CENTER
Se há hoje alguma unanimidade acerca do memorando de entendimento assinado pelo trio com a troica é a de que ele foi mal desenhado ou mal negociado, e que as conversações com a troica subsequentes às avaliações de cumprimento, todas positivas até agora, segundo informações publicadas, se regem por uma inflexibilidade formatada em cartilha semelhante aquelas que são distribuídas aos atendedores nos call centers. A troupe da troica, ao que parece, por mais crassos que sejam os erros resultantes de algumas políticas que impuseram e evidentes os desvios observados, não arreda pé do que está escrito na cartilha. Chegam, vêm, concluem, comparam e despacham sem considerar que o ponto de partida estava deslocado e algumas variáveis nunca estiveram nos sítios onde as previram.
Nestas condições, não há pachorra nem argumentos que possam demover o agente do call center a mudar de posição. Por um lado, porque não pode exorbitar das suas competências, isto é, proceder de modo diferente do que manda a cartilha, por outro, porque do estrito cumprimento das normas depende a prorrogação do seu posto de trabalho.
Só há uma saída, que exige muita persistência e habilidade de persuasão: conseguir o acesso à chefia do turno. Normalmente resulta: os chefes sentem-se mais chefes quando lhes é dada a oportunidade de mostrarem as suas capacidades.
O relatório do INE sobre as Contas Nacionais confirma que a actividade económica continuou a contrair-se a uma cadência superior às previsões do governo, resumindo-se numa quebra de 4% do PIB. Segundo as últimas estimativas do OCDE a dívida pública aumentará em 2014 para 132,1% do PIB e a taxa de desemprego rondará os 20%. A impossibilidade de redução da dívida para níveis suportáveis não é ainda reconhecida pelo governo, que, no entanto, não apresenta uma matriz de medidas que sustentem a coerência e a credibilidade da persistência na sua actuação. Uma actuação decorrente em larga medida do memorando de entendimento que até o ministro das Finanças já considerou, com incompreensível atraso, ter sido mal negociado. Até quando espera o governo que a situação se degrade para reconhecer a impossibilidade que há muito se mete pelos olhos dentro? Revê-se o governo nos superavits históricos observados na balança de comércio externo, mas é impensável que não tenha feito as contas e concluído quanto são insuficientes os valores observados para refrear o cavalgar dos juros e da dívida.
Dito de outro modo: até quando espera o governo para bater à porta da senhora Merkel e dizer-lhe que, obviamente, não podemos pagar a dívida que carregamos às costas e que, a continuar a aumentar a carga, demonstra a mais elementar lei da física que a base acabará por colapsar sem remissão possível?
---
Correl. - FMI vai reconhecer erros cometidos na ajuda à Grécia.
---
Correl. - FMI vai reconhecer erros cometidos na ajuda à Grécia.
Labels:
desemprego,
dívida pública,
endividamento,
FMI,
juros,
Merkel,
recessão
Sunday, May 05, 2013
MUITO CUSTA A GANHAR A VIDA HONESTAMENTE
Wolfgang Schäuble, entrevistado pela revista do Expresso para um artigo sobre "os 100 mais influentes", a publicar no próximo sábado, elogiou rasgadamente Vítor Gaspar. Para o ministro alemão das finanças, o seu homólogo português tomou as decisões certas e não hesitou perante a contestação, dando uma contribuição decisiva para as políticas que colocaram firmemente Portugal no caminho da recuperação.
Não é a primeira vez, nunca se sabe quando será a última, que o senhor Schäuble não regateia encómios ao trabalho do obediente senhor Vítor Gaspar. E percebe-se porquê. Tanto quanto o observador comum pode constatar, o senhor Vítor Gaspar tem-se esforçado o mais possível por executar a receita da troica, onde a influência do comando alemão é decisiva. O que não se percebe é a persistência numa intransigente política que, provadamente, já demonstrou não estar a conduzir a qualquer recuperação possível. E ainda se percebe menos que, contra a mais notória evidência, o senhor Schäuble afirme que Portugal está firmemente no caminho da recuperação. A menos que Schäuble nos tome a todos por tolos.
Por outro lado, o senhor José Manuel Durão Barroso afirma numa entrevista publicada hoje no jornal alemão Welt am Sonntag que "o que acontece em França ou em Portugal não é culpa de Merkel ou da Alemanha. As decisões no seio do Eurogrupo são sempre tomadas por unanimidade. É totalmente injusto apresentar as medidas como se fossem impostas por um único país ou por uma só instituição".
Ainda há poucos dias - vd aqui - o presidente da Comissão Europeia tinha ousado afirmar que "a política de austeridade atingiu os seus limites”, admitindo ainda "erros na política e na condução da estratégia para os países resgatados". Merkel não gostou e, implicitamente, repreendeu-o. O nominalmente Presidente da Comissão Europeia ouviu, encaixou e hoje depõe a favor de Merkel.
Hem!? Lindos meninos!
Subscribe to:
Posts (Atom)











