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Tuesday, December 31, 2024

DOM CAMARÃO

Esta manhã ouvi na rádio que os portugueses estão hoje a acorrer aos supermercados para compras  de última hora.
Compras de quê?
De marisco.
Marisco?
E quantos quilos de camarão consomem os portugueses por ano?
30 quilos.
Por pessoa? Não pode ser. Por família? Mesmo assim parece demais. Os norte-americanos (segundo informação pescada na net) consomem, per capita, 4 quilos por ano. Talvez o consumo de camarão per capita em Portugal se situe nos 3 quilos.    
 
Camarão. As compras de camarão batem todos os recordes neste fim-de-ano.
Porque os portugueses gostam assim tanto de camarão ou porque o preço do camarão está ao nível do preço do carapau do gato? Noutros tempos, o camarão era caríssimo. 
Mudam-se os tempos mudam-se os gostos ... e os preços. 
O baixo preço do camarão deve-se ao facto de ser agora cultivado em cativeiro e depois sujeito a tratos de polé que, se fossem conhecidos da generalidade do público, provocariam generalizados vómitos.
Passa-se quase o mesmo com a queda abissal do preço do salmão.

Os resíduos do consumo tão elevado de camarão tem consequências altamente nefastas no ambiente.
Há dias vimos na televisão dois jovens cientistas portugueses (salvo erro, do Norte) que estão a desenvolver tecnologia direccionada ao aproveitamento das cascas do camarão para permitir a impermeabilização de têxteis.
Aliás, notícia publicada aqui em janeiro de 2022 referia-se a idêntico objectivo.
Quem vai chegar primeiro?

Monday, December 09, 2024

LUZES DE NATAL

A continuidade do Aliás depende do seu merecimento, avaliado por comentários, críticas, sugestões, correcções, de quem o lê.

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Há dezoito anos, em 4 de Janeiro de 2006, coloquei neste caderno de apontamentos - O MUNDO EMBUCHADO - alguns comentários a propósito do consumo de energia em Portugal, tendo como ponto de partida o delírio das iluminações natalícias em Lisboa e as discretas luzes de Natal que observava em Washington DC, onde me encontrava nessa altura.

Noticia o Público de hoje que 
 
 
Nem sempre as manifestações dos movimentos ambientalistas favorecem os seus propósitos. 
Muitos actos de protesto, geralmente aqueles que são objecto de notícia global, contra a quase indiferença generalizada dos governantes do mundo perante a destruição da vida do planeta, em consequência de comportamentos humanos, têm efeitos contrários junto da generalidade da opinião pública e são, portanto, estúpidos.

Não é o caso da notícia do Público que relata uma iniciativa pacífica sobre um assunto muito sério e, por isso mesmo, inteligente.
Pena é que, sendo inteligente, terá pouco impacto. 
Provavelmente, não terá nenhum.
Provavelmente, não chega a ser notícia. 
Provavelmente, o mundo não se guia por actos inteligentes. 

Ainda a propósito do meu apontamento, há dezoito anos: Mudou-se alguma coisa neste mundo neste lapso de tempo?  
Provavelmente, a única mudança permitida é aquela sugerida pelo príncipe de Falconeri: "tudo deve mudar para que tudo fique como está".


Saturday, September 10, 2022

O VALOR ECONÓMICO E ESTRATÉGICO DA CACA

 

Falando da nossa caca, é um artigo de Jorge Almeida Fernandes, no Público de anteontem.

Transcrevo parte e concluo com informação que recebi de fonte fidedigna sobre o que é afirmado na parte final do artigo de JAF

"Olhemos dois números. Há 8015 mil milhões de seres humanos. E cada habitante do planeta produz diariamente 450 gramas de fezes. Que lhe fazemos? Não é um assunto repugnante que deva ser silenciado por tabus ou preconceitos. É uma questão de saúde pública, de ecologia e agricultura. Hoje, queremos livrar-nos das fezes. No Japão eram objecto de cobiça e foram o segredo da sua alta produtividade agrícola.

Parto de uma investigação da BBC, da jornalista Lina Zelnovich: "Por que é tempo de falar sobre a nossa caca". Os restos dos nutrientes humanos são desperdiçados, remetidos para os nossos oceanos e aterros sanitários em vez de serem devolvidos ao solo. As nossas fezes são um poderosíssimo fertilizante. Os cereais, a fruta e as verduras que comemos estão cheios de substâncias nutrientes, como azoto, fósforo, potássio e muitos outros. ...

Há hoje dispositivos para uso doméstico, que reciclam as fezes e limpam a água de factores patogénicos, permitindo, por exemplo, adubar e regar jardins. E há experiências em maior escala. A DC Water, de Washington, trata de forma inovadora toda a caca dos habitantes da capital americana, produzindo um fertilizante sólido, vendido por uma instituição sem fins lucrativos.

Mas é uma gota de água à escala mundial. E, como era de esperar, a sua aplicação na agricultura tem pela frente um poderoso lobby: a indústria de fertilizantes. Só pela força das crises se fará esta revolução: à terra o que vem da terra."

Sim, é verdade. 

Melhor ainda - não é só em DC- mas DC Water é provavelmente a maior entidade que tem esse programa. Inicialmente, DC Water oferecia o fertilizante a quem o quisesse ir buscar porque mandar o fertilizante para os aterros é mais caro. Mas a realidade económica mostra que as pessoas valorizam mais o que lhes custa comprar, e poucos se dirigiam às estações de tratamento para levantar os fertilizantes que necessitavam.

Foi, então, criada empresa que comercializa, embalando e distribuindo a preço conveniente. Está a ser bem sucedida.

Tuesday, September 21, 2021

GOLPE NA GALP

À COSTA

“Há oito meses que apelamos a que o primeiro-ministro venha a terreiro assumir a defesa da refinaria e dos postos de trabalho”, disse ao PÚBLICO Hélder Guerreiro. “Enviámos n cartas, pedimos n reuniões, ao primeiro-ministro e ao Presidente da República, e nada”, lamentou.

Agora, sobre as críticas à Galp em pleno comício de apoio à recandidatura de Luísa Salgueiro, Hélder Guerreiro defende que António Costa “cole as palavras aos actos” e exija a reversão do encerramento da refinaria. “Sejam campanha [as palavras] ou não, não se lhes pode negar um significado verdadeiro, mas agora é preciso concretizar”, afirmou.

Um trabalhador contactado pelo PÚBLICO garante que as palavras do primeiro-ministro na noite de domingo deixaram “as pessoas mais estupefactas e mais indignadas do que já estavam, porque quem não conhece a história até poderia pensar que não teve nada a ver com o assunto”.

“Se havia alguém que podia ter mandado parar tudo e analisar as coisas era ele [Costa]”, acrescentou.

Monday, October 19, 2015

VIAS DE PORTUGAL

Quem circula no IC 19 para entrar em Sintra depara-se à saída da via rápida para a via única com um cartaz colocado recentemente,


À entrada no IC 19, do lado contrário, num cartaz idêntico, a Infraestruturas de Portugal, agradece e convida o automobilista a voltar novamente.
Mensagens insólitas e inúteis para quem, e são muitos milhares de utentes, anda cansado naquele vai e volta diário.


Em Alcântara, colocou  a Infraestruturas de Portugal no suporte da Ponte 25 de Abril outro cartaz, de dimensões inevitáveis ao olhar de quem por ali passa.


A Infraestruturas de Portugal resultou da fusão da Refer, anteriormente a Divisão de Via e Obras da CP,   com a Estradas de Portugal,  anteriormente Junta Autónoma das Estradas. Terá gasto com esta campanha de imagem corporativa, segundo o que pode ler-se aqui, 150 mil euros.

Para quê?

A Refer debatia-se naturalmente com gravíssimos problemas financeiros. Naturalmente, porque dependendo quase inteiramente de uma empresa com problemas crónicos de vária ordem, reflectindo-se numa exploração cronicamente deficitária, nunca o governo, este e os outros, viram outra alternativa senão apenas mudar-lhes os estatutos e o nome.   
A Estradas de Portugal debatia-se com o mesmo tipo de doença. 
E, mais uma vez, a saída foi em frente, desta vez juntando a fome à vontade de comer, enjorcando uma entidade com o nome mais arrevesado (arrevesado e falso, porque integra apenas uma parte, provavelmente a mais problemática, das infraestruras do país) que o inteligente de serviço encontrou na sua imaginação certamente perturbada pelo estado calamitoso da realidade a que tinha de chamar qualquer coisa.

Haverá, agora, espalhados por cada troço de via férrea ou rodovia de norte a sul do país, cartazes destes? Duvido.
150 mil euros não darão para muitos cartazes.
Dariam, isso sim, para mandar arranjar alguns troços de estrada em condições miseráveis há anos.
Demagogia!, dirão os autores e aproveitadores dos cartazes, mas não arranjam as estradas.
É muito mais colocar cartazes que remendar estradas estragadas. 
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A propósito deste país de cartazes, repare-se no conjunto de cartazes colocados atrás do da Infraestruturas. Irão ali ficar, sujeitos à corrosão do tempo, até às próximas eleições. Portugal está inçado destes fantasmas que os partidos colam com o dinheiro que nos subtraem dos bolsos e que, pelos vistos, não são obrigados a retirar, conspurcando permanentemente o ambiente. 



Monday, September 07, 2015

O PREÇO DO VERDE

O Expresso deste fim-se-semana dava conta, mais uma vez, de vários projectos de melhoria ambiental em Lisboa: "Mais verde, mais passeios, mais esplanadas; mais gente, menos carros — são os princípios por trás da revolução que a Câmara Municipal de Lisboa (CML) quer lançar no chamado “eixo central”, que vai do Marquês de Pombal até Entrecampos." - aqui

No entanto, recentemente,  "residentes do Parque das Nações, em Lisboa, queixavam-se da degradação da zona, onde decorreu a Expo'98, responsabilizando a Câmara e a Junta de Freguesia, que gerem o espaço após a extinção da sociedade Parque Expo". - aqui

É geralmente assim, a forma como são feitos muitos dos investimentos públicos em Portugal com objectivos supostamente ambientais: uma vez feita a festa da inauguração do empreendimento e atirados os foguetes, os espaços intervencionados, sobretudo aqueles onde foram plantadas ávores, flores ou relva estarão dentro de algum tempo, uns mal tratados, semi-abandonados, outros secos por falta de rega e outros cuidados que nenhum ser vivo dispensa. 

A não inclusão dos custos de funcionamento e manutenção nos projectos de investimentos públicos em geral, e não apenas naqueles com finalidades ambientais,  é, aliás, uma das causas maiores dos falhanços observados nos anos em que, embalados pelo endividamento importado, os mordomos das festas só não se esqueceram da compra dos foguetório. 

Monday, June 03, 2013

HOLD THE LINE

Uma das actividades que neste país não se deixa amolar pela crise é a produção e colocação de outdoors. Com as autárquicas a aproximarem-se, a indústria da outdoorização resplandece por todos os cantos exibindo as fronhas dos candidatos acompanhadas de mensagens curtas e incipientes como mandam os manuais. Fora dos ciclos eleitorais, a actividade experimenta algum abrandamento mas a propaganda das iniciativas  dos que ocupam os poleiros e a fogosidade antissistema  dos partidos que nunca serão governo garantem-lhe um lastro de rendimento permanente.
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O poder autárquico, já o tenho referido neste caderno de apontamentos, goza do privilégio de poder gastar dinheiros públicos sem ter o ónus político às costas de cobrar impostos. Esta regalia determina nos munícipes uma insensibilidade fiscal que os leva a bater palmas a tudo quanto é obra feita e a votar repetidamente nos mesmos de sempre. A lei de limitação dos mandatos autárquicos não reduzirá um milímetro desta situação de anestesia crítica. Se, de outro modo, fossem os munícipes confrontados, através de impostos cobrados localmente, com parte dos custos de algumas dessas obras, os resultados seriam diferentes e mais consentâneos com os interesses locas.
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Os exemplos de dispêndios sem justificação social suficiente estão espalhados de norte a sul. Alguns deles poderão ter mérito suficiente mas é muito inadequada o tipo de  intervenção das autarquias, que, deste modo vão secando a capacidade de iniciativa dos cidadãos residentes.
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Em Cascais, a Câmara coloca nesta altura do ano outdoors de promoção de duas actividades de intenção cultural: A Artemar, no passeio marítimo do Estoril e a Land Art, na Quinta do Pisão.
A Quinta do Pisão, lê-se no site, é propriedade do Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social e sob gestão da Santa Casa da Misericórdia, é administrado pela Empresa Municipal de Ambiente de Cascais. São 380 hectares, segundo o site, 450, segundo o folheto entregue aos visitantes, onde pastam, segundo informações recolhidas no local, cerca de 10 burros lanudos, meia dúzia de cavalos, cerca de 50 ovelhas. E tem uma horta. Os vestígios, escassos, da presença humana permanente no local, incluindo uma capela, esperam que os recuperem.  A horta, onde devem ter plantado alfaces, tomateiros e quejandos, está morta e assaltada pelas ervas.
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Quem ali vai com olhos habituados a ver, começa por perguntar-se porque bulas é o Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social proprietário daquela extensão de 450 hectares, a maior parte descampada; que gestão está a ser assegurada pela Santa Casa da Misericórdia se é a Empresa Municipal do Ambiente de Cascais que administra as actividades que ali são realizadas. Por que é que um espaço daqueles está em grande parte desflorestado numa zona rodeada de floresta e a parte florestada está inundada de mato seco à espera de um fósforo; por que é que a horta foi instalada e a deixaram morrer; por que é que o rebanho de ovelhas cresce sem outra utilidade para além de um show de tosquia promovido anualmente. Em resumo: Por que é que a exploração daquela quinta, se a venda não é exequível, não é entregue a uma família, sujeita a um caderno de encargos que incluíssem a disponibilidade de visitas do público para fins pedagógicos ou simplesmente de recreio?   
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É neste espaço enorme, quase completamente desaproveitado, que a EMAC instala de forma dispersa meia dúzia de obras de arte contemporânea que serão visitados por um número reduzíssimo de curiosos com pachorra e resistência física para ir a todos os locais a pé. É nela também que promove a realização de espectáculos de tentativas de jazz, entre outros, em instalações terceiro-mundistas, com uma assistência média entre 10 a 15 resistentes com entrada livre, segundo nos foi dito no local.
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Antes da visita, tínhamos ligado para o 21 460 4230, e após o inevitável "Hold the line, your call is very important to us " e muita persistência com  transferências de chamada para "o colega que sabia do assunto"  indagámos se havia mesmo uma actividade agrícola que pudesse ser mostrada à pequenada. Há sim, responderam-nos. Temos uma horta com alfaces, tomateiros, pimentos, coisas desse género.   
Não têm.
Como é habitual em Portugal, depois do investimento feito falta o dinheiro para a manutenção. Neste caso foi gasto com outdoors.

Tuesday, June 05, 2012

Monday, August 30, 2010

O JOGO DAS ESCONDIDAS


Nos últimos cinco anos muito mudou no panorama energético nacional. No final de 2005 havia no País 650 torres eólicas, distribuídas por uma centena de parques. Hoje há o dobro de parques e 1.996 aerogeradores.

A mudança na paisagem trouxe um custo que pesa na carteira de cada consumidor. Desde 2006 os subsídios do Estado à produção renovável tiveram um sobrecusto de 1,4 mil milhões de euros. Pelas contas do Negócios, esse apoio vai custar este ano 90 euros a cada consumidor de electricidade. Na média dos últimos cinco anos, o custo médio por cada lar é de 52,5 euros.

Friday, May 07, 2010

A LEI É MOLE

- Ouve-se bastante o barulho dos carros na auto-estrada.
- Pois ouve.
- Deveriam aumentar as barreiras, plantar árvores...
- Pois deveriam. Mas bastava que a lei fosse cumprida, que os carros não excedessem a velocidade permitida por lei, que os velocípedes motorizados não passassem a acelerar de escapes abertos, e o ruído seria reduzido.
- Se assim fosse ninguém utilizaria as auto-estradas.
- Mas há leis ...
- A lei que impõe o limite máximo de 120 km/hora é estúpida. Os carros são construídos para rodar a 180, 200, até 220 quilómetros por hora. Faz algum sentido restringir a velocidade para 120? É mais perigoso conduzir a 80 km/hora na auto-estrada que a 150!
- Mas há leis ...
- Pois há, mas não deveriam existir porque são absurdas.
- Mas se cada um de nós tem o direito de apreciar a pertinência ou o absurdo das leis, e actuar de acordo com os seus próprios critérios, ninguém se entende.
- Entende, entende. Tanto assim que ninguém respeita as leis e o País funciona.
- Acha que sim?

Sunday, December 20, 2009

BO NA NEVE


Record snowfall hits Washington
A Portuguese snow dog? Bo, the Obama family pup, sits in the snow outside of the Brady Briefing Room of the White House.
Snowball fun gets serious when cop pulls gun
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Tuesday, December 15, 2009

Wednesday, October 07, 2009

Saturday, August 01, 2009

A JUSTIÇA DO TEMPO

O PR enviou ao Tribunal Constitucional a Lei de Reabilitação Urbana por dúvidas em alguns pontos do seu articulado e, nomeadamente, a venda forçada de prédios urbanos devolutos e abandonados depois de esgotadas todas as alternativas de resolução com o acordo dos proprietários.
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Trata-se de uma questão a que tenho dedicado vários apontamentos aqui neste caderno por, desde há muitos anos, atormentar a minha consciência cívica: Que direito pode continuar a assistir aqueles que abandonam as suas propriedades à destruição do tempo e que, com essa atitude, prejudicam os direitos dos vizinhos? O direito à propriedade é um direito consagrado na Constituição mas não há direitos ilimitados, porque todos ps direitos individuais têm como fronteira os limites dos direitos dos outros.
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Percebe-se que o PR ao enviar o diploma para apreciação do TC queira evitar que, no futuro, pudesse vir a ser invocada a insconstitucionalidade de acções administrativas tomadas ao abrigo da lei que agora se pretende aprovar. Mas, mais uma vez, se pode questionar a razoabilidade da existência de um Tribunal que intervém apenas a solicitação do PR ou a posteriori quando a lei já foi aprovada e promulgada.
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No caso em questão, a decisão do TC, qualquer que ela seja, não se circunscreve ao preceituado na lei fundamental porque se coloca na apreciação da compatibilização dos direitos individuais e colectivos. Se essa apreciação fosse da responsabilidade última do PR, os portugueses teriam a oportunidade de aceitarem ou rejeitarem democraticamente as propostas que, também a este respeito, lhes fossem colocadas pelos candidatos à suprema magistratura da Nação. Sendo remetida para o TC, um órgão não eleito de geometria política democraticamente incontrolável, as consequências negativas para a sociedade que os seus pareceres possam ter, só o tempo as poderá anular.
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Porque não há prédio devoluto e abandonado ao tempo que o tempo não acabe por derrubar.

Thursday, September 18, 2008

A CRÍTICA E O MISTÉRIO DA AGRICULTURA

tocar para ampliar

Caro J.,
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Teve o meu Amigo a gentileza de responder com algum detalhe ao comentário que coloquei ontem. Para não transcrever aqui o que está no seu post anterior, resumo que o Caro J. acha que ao cidadão comum não compete apresentar sugestões, assiste-lhe o direito de criticar.
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Não concordo.
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O direito à crítica é um direito de cidadania e um dos referenciais de uma sociedade democrática. Acontece que não há direitos sem obrigações. Pelo menos ao nível da responsabilidade que impende sobre a consciência cívica. Repare Caro J., que V. só pode criticar aquilo relativamente ao qual tem, ou estabelece, uma referência. Dito de outro modo, só é possível, honestamente, dizer que uma coisa está mal se quem diz souber, ou pensar que sabe, como a mesma coisa estaria bem, ou, pelo menos, melhor. E também deve quem critica ter uma ideia, pelo menos aproximada, da forma como pensa que possa ser percorrida a distância que vai da situação má para a situação boa.
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A vivência democrática é isso mesmo: a discussão pública dos problemas e das soluções. Claro que não temos todos os dados que os governantes dispõem, ou é suposto disporem, mas a discussão para além da crítica irresponsável, porque daí não passa, obrigará a uma cada vez maior transparência entre a sociedade e os governantes. Podemos errar? Erraremos certamente muitas vezes nos nossos pressupostos. Mas se ao errar provocarmos o esclarecimento, ficaremos mais habilitados para a próxima.
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Aliás, V. hoje até arrisca na parte final uma sugestão:"Se os industriais têm que pagar para produzir CO2 porque razão os que asseguram a continuação da floresta que elimina esse CO2 nada recebem?"É uma sugestão pertinente, do meu ponto de vista. Será exequível?

A agricultura na Suíça faz daquele país um jardim por toda a parte. Mas custa cerca de 90% dos custos totais de produção ao Estado. Que é rico. Neste, como em muitos casos, o problema são as opções, ou as prioridades, conforme lhes queira chamar.
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Por mim voto na protecção a uma agricultura moderna, ecológica quanto possível, dimensionada de forma a garantir níveis de produtividade e qualidade minimamente competitivas.Mas (há sempre um mas) para que esse objectivo fosse alcançado o ministério da agricultura deveria sofrer uma remodelação completa.
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V. é filho de pescador. Eu sou filho de agricultor. Alguma vez alguém do ministério apareceu por lá a promover a habilitação dos pescadores? Nos meus sítios nunca os vi, e continuo a não ver nenhum. Ora isto precisa de ser dito: Ponha lá V. o ministro que puser, se ele não varrer o ministério de alto a baixo nunca mais terá a casa limpa.E nós continuaremos a não perceber para que serve o ministério da agricultura.
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Além de negociar com Bruxelas, claro.

Friday, August 22, 2008

ECONOMIA DA ÁGUA - 2

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Revealed: the massive scale of UK's water consumption
Each Briton uses 4,645 litres a day when hidden factors are included•
Felicity Lawrence • The Guardian, • Wednesday August 20 2008 • Article history

The scale of British water consumption and its impact around the world is revealed in a new report today, which warns of the hidden levels needed to produce food and clothing.
The UK has become the sixth largest net importer of water in the world...Only 38% of the UK's total water use comes from its own resources; the rest depends on the water systems of other countries, some of which are already facing serious shortages.
...Experts at this week's World Water Week forum in the Swedish capital are increasingly talking of fresh water as "the new oil", a finite resource that is running out in some areas and will become more and more expensive with a knock-on impact on consumer prices....The WWF report identifies Spain, northern African countries including Egypt and Morocco, South Africa, Israel, Pakistan and Uzbekistan as countries which face acute water stress and yet supply the UK with substantial exports of their water.
http://www.guardian.co.uk/environment/2008/aug/20/water.food1Running dry Aug 21st 2008
NEW YORK
From The Economist print edition
Everyone knows industry needs oil. Now people are worrying about water, too“WATER is the oil of the 21st century,” declares Andrew Liveris, the chief executive of Dow, a chemical company. Like oil, water is a critical lubricant of the global economy. And as with oil, supplies of water—at least, the clean, easily accessible sort—are coming under enormous strain because of the growing global population and an emerging middle-class in Asia that hankers for the water-intensive life enjoyed by people in the West. Oil prices have fallen from their recent peaks, but concerns about the availability of freshwater show no sign of abating. Goldman Sachs, an investment bank, estimates that global water consumption is doubling every 20 years, which it calls an “unsustainable” rate of growth. Water, unlike oil, has no substitute. Climate change is altering the patterns of freshwater availability in complex ways that can lead to more frequent and severe droughts.Untrammelled industrialisation, particularly in poor countries, is contaminating rivers and aquifers. America’s generous subsidies for biofuel have increased the harvest of water-intensive crops that are now used for energy as well as food. And heavy subsidies for water in most parts of the world mean it is often grossly underpriced—and hence squandered....
El desierto avanza sobre España
La sequía extrema acecha al 37% del territorio - El Gobierno tarda cinco años en aprobar el Programa de Acción Nacional de Lucha contra la Desertificación E. DE BENITO - Madrid - 20/08/2008 España se seca. Un 18% del territorio corre un riesgo alto o muy alto de desertificación; otro 19%, un peligro medio. Ésa es la realidad y el punto de partida del Programa de Acción Nacional de Lucha contra la Desertificación (PAND) del Ministerio de Medio Ambiente, Rural y Marino, que acaba de entrar en vigor tras su publicación ayer en el BOE. La iniciativa, sin nueva dotación presupuestaria, llevaba desde 2003 en manos del Gobierno, cuando la sequía acechaba a un 31% de la superficie, y ya entonces acumulaba un importante retraso. Ahora la amenaza de la desertificación alcanza el 37%.
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Isto são só 3 dos muito artigos escritos sobre o assunto.Parece-me que o problema é mais grave do que relvas regadas ou não regadas...Já agora, a privatização das empresas de distribuição de água que foi feita no Reino Unido não deu grandes resultados. A manutenção da rede básica é dispendiosa e obriga a empregar muito pessoal (que não pode ser contratado na China ou India) o que vai contra o objectivo principal (e muitas vezes unico) de qualquer empresa privada:LUCROS!Será que não está na altura de aprendermos com os erros dos outros em vez de copiar cegamente as 'receitas' da moda?Podem ficar descansados que se vai pagar a água mais caro não tarda muito.Aqueles que poderem pagar, claro.Os outros ???
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Man beaten to death in water row By James Grubel in Sydney Published: 02 November 2007 A retired lorry driver died after being kicked and beaten during a row about water restrictions, police in Australia said yesterday.Ken Proctor, 66, was watering his lawn in the Sydney suburb of Sylvania on Wednesday night when he was allegedly attacked by 36-year-old Todd Munter.Mr Munter, who lived near Mr Proctor, is said to have walked past and made a remark about wasting water. Mr Proctor then turned his hose on Mr Munter, prompting a fight, a police spokesman said. An off-duty officer intervened and arrested Mr Munter but Mr Proctor died in hospital after having a heart attack."He was hit in the head and then went into massive cardiac arrest," said an ambulance spokesman.Mr Munter, who is charged with murder, appeared in court yesterday but did not enter a plea. He seemed close to tears as he was remanded in custody.Council officials confirmed that Mr Proctor had been complying with Sydney's strict drought restrictions, which state that watering with hand-held hoses is allowed only on Wednesdays and Sundays before 10am and after 4pm.Australia is suffering its sixth year of severe drought and all major cities have imposed restrictions on household water consumption.
http://news.independent.co.uk/world/australasia/article3121186

Thursday, August 21, 2008

ECONOMIA DA ÁGUA


João Vaz ilustra no seu blog um exemplo da forma como são frequentemente de forma irresponsável geridos os interesses públicos. O caso concreto é o desperdício de água, o local a Figueira da Foz, mesmo em frente da Câmara Municipal. Lamentavelmente, nem é só com a água que se observam desperdícios, nem a Câmara da Figueira da Foz tem o exclusivo da irresponsabilidade. Lamentavelmente, é frequente observarem-se um pouco por todo o lado perdas de água jorradas por rupturas na rede ou descontrolo na sua utilização. Mais lamentavelmente ainda são as perdas resultantes de rupturas que não dão sinais à superfície.
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Quem paga todo este desperdício? Os consumidores particulares sob a forma de preços acrescidos.
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Há solução? Há, pelo menos, meia solução: A água consumida pelos órgãos do Estado, centrais ou locais, deveriam pagar à empresa (municipal ou não) a água que consomem ao preço corrente pago pelos consumidores em geral. Não se evitariam descuidos mas pelo menos saber-se-ia quanto eles custam. A distribuição da água deveria ser concessionada a empresas privadas, suscitando-se deste modo a concorrência e a responsabilização pelo melhor aproveitamento de um bem cada vez mais escasso.
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O que se passa com o consumo de água passa-se com todos os bens ou serviços cujo preço é nulo ou subsidiado: gera desperdícios. E esta tendência para o desperdício daquilo que é, por uma razão ou outra, desvalorizado é universal, observando-se tanto nos comportamentos das entidades públicas como dos indivíduos. O desperdício na utilização de muitos edifícios por órgãos centrais ou locais da administração pública é outro exemplo flagrante de desperdício por ausência de imputação de custos. Há algum tempo, ouvimos que seria intenção do governo adoptar critérios de imputação de rendas pelos espaços ocupados por entidades públicas. Suponho, contudo, que foi mais uma ideia que ficou nas cascas.

ECONOMIA DA ALIMENTAÇÃO



Feeling the heat of food security
VIEWPOINT Peter Baker

http://news.bbc.co.uk/2/hi/science/nature/7553958.stm

"Tomato production in the US consumes four times as many calories as the calorific value of the tomatoes created"

Reforming the economics of food production and supply would be beneficial for a number of environmental and social problems, argues Peter Baker. A key issue, he says, is understanding the energy involved in putting food on your plate.

Tomato production in the US consumes four times as many calories as the calorific value of the tomatoes created. Global development, global debt, global warming, food miles, food security, food riots, peak oil, peak water…
What's this got to do with small farmers and global food chains?
The answer is that all the issues mentioned above intersect over small farmers.
If we can't quite get a grip on what is happening to the world, we won't be able to do a good job for them, and we'll waste a lot of resources in the process.
It's perfectly reasonable to want to assist farmers to build a better life by adding value.
It's also perfectly reasonable to expect their produce to be fresh and non-toxic. And it's only natural to want to facilitate this process through aid, technical assistance, capacity building and the like.
But the road to hell is paved with good intentions.
Maintaining order
I had originally planned to call this article Supermarkets, Smallholders and the Second Law of Thermodynamics.
The Second Law is about order; the Universe is inexorably heading to increased randomness and disorder.
For practical purposes, this does not have to be a problem because we can increase order locally by hard work, by expending energy. But in the process we create greater disorder (heat and waste) elsewhere.

Higher fuel prices could eliminate two-way food journeys
If there is plenty of energy and plenty of "elsewhere", then we don't have to worry.
Indeed, for our whole existence, we largely haven't worried; in fact the whole world order, built on trade and economics, hasn't worried.
Biological systems know all about thermodynamics. All living things are highly ordered assemblies of molecules continuously battling against disorder.
Commodity chains must also obey the Second Law; in a sense, they are living things, creating highly ordered products and emitting significant waste and heat in the process.
For example, a recent study looking at Nicaraguan coffee production and processing showed that the total energy embodied in coffee exported to several countries - though not all - was not compensated by the dollar price paid for that energy.
Essentially, the conclusion was that the country is exporting subsidised energy.
It could well be that coffee is still the best way for farmers to earn a living and that the available energy could not readily be put to a better purpose. But it should at least make a country's decision-makers wonder about the long term policy, the true value of exported products and how sustainable a country's commodity chains will be in an energetically expensive future.
Look too at a modern high value vegetable chain. The orderliness required to plant, grow, harvest, process, pack, store, monitor, administer, transport, display and sell the produce in a supermarket is simply staggering, and the expended energy intense.
As an example, tomato production in the US consumes four times as many calories as the calorific value of the tomatoes created.
The point of this article may now be apparent. We are intervening, politically and normatively, in very complex systems that we only partially understand.
Waste of energy
This is not a tirade about supermarkets; no one is forcing farmers into these chains. Indeed, the retail sector has only done its job: ordering and quantifying according to its own criteria, to a state of near optimal efficiency.
It's just that the rest of us have not been able to match its brilliance.
At some point, it no longer makes any sense to simultaneously export and import food high in embodied energy
And it's not about food miles. The argument about the cost to the environment versus the gains to poor rural farmers has its pros and cons.
Instead, it's about different sorts of sustainability and the clash of very different interests.
The economic argument, revealed through agribusiness plans, may well be very strong. But these are inevitably rather short-term positions, and the funds invested may be hedged for exchange rate changes, freight costs and other risks.
When these are just stand-alone business operations then we could leave it at that - they invest their money and take their chances.
But it's no longer a matter of a few agribusiness operations in a few developing countries. With the EU's Economic Partnership Agreements now being signed, for instance, countries in the Africa, Caribbean and Pacific (ACP) group are on course to completely open their borders to food trade, and will be encouraged to export whatever products they can to the EU.
Foreign investment will descend on certain countries and will look for good deals on infrastructure. Politicians there may feel obliged to provide subsidised water, road and other infrastructure to secure new export initiatives, and they in turn will look for donor support to carry them through.
Trade departments of development banks and other donors will examine the short-to-medium-term economic argument, but may not adequately determine whether this is sustainable into the long term.
Hence, before significant public funds are assigned to this end, we must do our utmost to ensure they are well spent.
Thinking locally

Getting back to the Second Law; agribusiness operations in under-developed countries are highly ordered physical and information entities producing products with high embodied energy.
They exist in a landscape of increasing disorder caused by growing populations and a degrading environment.

Could locally-produced cassava flour substitute for wheat flour imports?
Trucks carrying away the produce along bumpy rural roads sometimes pass food aid trucks coming in the opposite direction. For example, some $45m (£22.5m) of food aid came from the US to Kenya last year.
Even before its sea voyage, the calorific value of US wheat is only twice the amount of calories expended to produce it. Compare this with cassava production in Tanzania where 23 times the calorific value is gained for each calorie of human energy input.
Is it energetically sound, socially advisable and economically sensible in the long term to encourage and sustain such long two-way supply chains that evolved in a low-cost energy era?
CARE International has recently declined the food aid it gets for Kenya, suggesting that it is distorting local agriculture. Are they right? How can they and donors make the right decisions?
Could it be more sustainable and cost effective for donors to pay farmers a "fair" price to develop food production for local markets - based on costs of fuel, importing food, the risk of the supply chain collapsing or moving to another country, and so on?
There are many possibilities and a large number of variables, but the most important is to find out how close to the margins of impossibility any business plan might approach.
Surely at some point, let's say between $50 and $500 per barrel of oil, it no longer makes any sense to simultaneously export and import food high in embodied energy.
But we simply lack the user-friendly models and metrics that decision-makers need to calculate such figures and project them into the future.
So private standards are fine; but there should be public standards too, or at least a set of criteria based on the most fundamental laws of physics and biology, before significant public funds are spent.

Dr Peter Baker is a commodities development specialist at CABI, a not-for-profit agricultural research organisation
The Green Room is a series of opinion articles on environmental topics running weekly on the BBC News website

Wednesday, July 23, 2008

BYRON E A ÁGUA

Manuel Alegre anunciou, naquele seu estilo declamador inconfundível, durante a campanha para as presidenciais, que dissolveria a Assembleia da República se uma lei de privatização das águas fosse aprovada pelos deputados. Lembrei-me desta citação tronitroante de Alegre quando vi Byron citado no artigo, que transcrevo, do economist desta semana acerca da ameaça da falta de água que pode vir a ser ainda mais dramática para a humanidade que o inevitável progressivo esgotamento das reservas de petróleo.
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A escassez de recursos aquíferos em muitas áreas do globo é tão antiga como a própria humanidade mas nunca a sobrevivência da humanidade esteve tão posta em causa por falta desse elemento essencial à vida como aquela que se perspectiva se a humanidade não arrepiar do caminho que conduz à redução que a condenará à míngua.
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Mas estará melhor defendida a utilização racional da utilização da água mantendo o Estado guardião e gestor dos recursos de água, como supõe Alegre, ou essa defesa é melhor conseguida fazendo intervir o mercado, como sugere o articulista do economist?
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Entre o tradicional laxismo na utilização dos recursos que caracteriza em geral a actuação do Estado e a voracidade que o mercado em roda livre incentiva, a solução mais conveniente encontrar-se-á, certamente, algures onde os recursos sejam protegidos pelo Estado e as condições da sua exploração optimizados pela concorrência. As perdas de água que hoje se observam na distribuição domiciliária em Portugal decorrem, em grande parte, do facto do próprio Estado descurar a protecção de um recurso que, para muitos, ainda não parece escasso mas é. Tal desatino, reflecte-se na factura apresentada ao consumidor, que não tem fornecedor alternativo, pode induzir menores consumos domésticos mas não remedeia os consumos das rupturas das condutas.
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A irracional utilização da água, sobretudo para fins industriais e agrícolas, decorrente da sua subsidiação, constitui uma ameaça que a intervenção de uma lógica de concorrência pode evitar.
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WATER - A soluble problem
More trading could help to alleviate water shortages

economist

SO WORLD markets are short of oil, and supplies of food are running thin. The prices of all sorts of basic commodities are soaring, and now there may also be reason for many to worry about the most fundamental of necessities—water. Some experts believe so, at least, and they are spreading doom-laden warnings of a Malthusian crisis in the world’s water supply.
Goldman Sachs, an investment bank which likes to ponder the future of the world, recently suggested that a global lack of water could prove to be a bigger threat to mankind than rising food prices or the depletion of energy resources. Sir Nicholas Stern, who reviewed the economics of climate change in a big report for the British government in 2006, is worried too. He points to some big local problems, for example in the Himalayas, where melting glaciers risk disrupting supplies of usable water in the region, just as many underground aquifers are drying up. He argues that water—at least the
fresh sort—is not a renewable resource, and because it is not priced properly it has been “mined” without restraint.
Global water consumption is doubling every 20 years says Goldman Sachs. According to Sir Nicholas, in many places supplies are running short as rising consumption cannot be matched by fresh rainfall. As a result, suggests Goldman Sachs, the price of water is bound to rise: bad news for the poor and thirsty, but an opportunity for investors. The excited bank even suggests that water might be considered to be the “petroleum for the next century”.
It expects profits to be made less from selling the stuff directly, and more from investments in infrastructure and new technology. The bank estimates that America alone needs to spend around $1 trillion on new pipes and waste-water plants by 2020.
It estimates that the higher-tech side of the industry—for example in desalination efforts, or ultraviolet disinfection—is now worth $425 billion dollars, globally.
There could be plenty of money to be made in supplying water. However, more efficient use of the stuff depends on pricing it properly. Mark Zeitoun, a researcher at the London School of Economics, suggests that agriculture is responsible for the greatest waste of water, largely because of government subsidies. Farmers often plant water-intensive crops which slurp up supplies precisely where they are most limited. Growing potatoes, a thirsty crop, in Israel looks to be particularly wasteful, especially given desperate shortages of water in nearby Palestinian territories. Similarly Egyptian oranges, Australian cotton and Californian rice require huge amounts of water to produce crops that could in theory be cultivated more easily and cheaply in wetter climates. But when such crops produce valuable exports and create local jobs, governments have been keen to provide subsidised water.
Local conditions and needs vary so much that talk of a global water shortage is misleading. In total there is more than enough water for all, but it is often in the wrong place and is difficult and expensive to transport. And discrepancies are likely only to get worse as the effects of climate change becomes more pronounced. That Canada and Brazil have more water than they need is of little consolation to parched Yemen and northern China. Even within individual countries distribution is unequal. Cherrapunji is one of the wettest places on earth; elsewhere in India, Gopalpura receives only a few inches of rain a year. Surprisingly though, it is Cherrapunji which suffers the water shortages. Sensible water management would go a long way to redressing the balance.
Better functioning water markets would be one way to share out water more efficiently. Once governments have defined water rights clearly, farmers, and others who use water, could be encouraged to trade, first with each other and with industrial and urban users. Allotting options that can be taken up as and when required rather than handing out permanent water rights would encourage water trading and avoid accusations of water “theft”. It may be difficult to rein in the world’s extravagance with water, but Byron had it right when he wrote: “Til taught by pain, men really know not what good water is worth.”