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Saturday, December 08, 2012

A ECONOMIA DO DESPERDÍCIO

Os portugueses desperdiçam um milhão de toneladas de alimentos por ano, equivalente a cerca de 17% do consumo. Menos que a média europeia, vá lá, desta vez não somos dos piores. Mas mesmo assim não deixa de ser uma notícia chocante quando confrontada com as que, quase diariamente, nos relatam situações de tanta gente próxima de nós a sobreviver faminta. Fisicamente mais distantes, mas a entrar-nos em casa pela televisão, as imagens de populações, sobretudo em África, a morrer à míngua, só não nos esmagam porque a sua banalização criou na humanidade uma carapaça de indiferença quase absoluta que só momentaneamente é atravessada por um incómodo transitório.
 
Leio esta notícia e ocorre-me, obviamente, aquilo que é muito comum nos EUA, um país onde o produto per capita é superior ao dobro do dos portugueses: levarem as pessoas para casa o resto do que sobra das refeições tomadas em restaurantes. Não sei qual é a percentagem de alimentos desperdiçados pelos norte-americanos, mas imagino que nos caixotes de lixo dos restaurantes que frequentam a percentagem de sobras seja mínima. E, conclusão minha, não me parece que quem leve do restaurante o que lhe sobra no prato não tenha a em casa preocupação idêntica.
 
Outra comparação que me ocorre, a este propósito, é a quantidade de compras com que os portugueses carregam os carros nos supermercados. Tanto nos EUA como na Suíça, outro país com um nível de vida médio mais que duplamente superior ao nosso, os carros das compras raramente passam nas caixas com os volumes de carga  que se observam nos supermercados em Portugal. Compram menos que nós? Não é possível. Compram mais frequentemente, de acordo com os consumos semanais. Os portugueses habituaram-se a comprar por atacado, e os supermercados persistem, apesar da crise ou por causa dela, em incutir nos consumidores, através de promoções constantes, o frenezim da compra.  Resultado: quando o stock excede as necessidades normais de consumo para um determinado período, ou há sobre consumo ou deterioração de alguns artigos, ou uma coisa e outra.
 
O serviço público que pagamos à RTP deveria ocupar-se disto, mas à administração da RTP (ou aos governos?) preocupa-a mais entreter o pagode com coisas pseudo cómicas como o "Preço Certo".

Saturday, May 29, 2010

POR ONDE ANDA O NOSSO DINHEIRO

Passava na Ponte 25 de Abril, eram quatro da tarde, e vejo a meu lado um autocarro da Câmara Municipal do Seixal, exuberante de decorações em toda a sua extensão, reproduzindo, suponho, algumas das mais emblemáticas edificações do concelho. Ia sem passageiro algum em direcção a Lisboa. Teria o motorista decidido dar um salto por conveniência própria à capital? Não é provável.
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Mais provável é que tenha feito o mesmo percurso pela manhã para transportar manifestantes para a maior manifestação de sempre, segundo as esperanças da CGTP, e agora estivesse a voltar para os levar de regresso. Com tantos autocarros vindos de todos os municípios do País à procura de lugar de estacionamento alguns devem ter procurado espaço do outro lado do rio. É uma hipótese.
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Haverá outras? Claro que sim. Mas todas elas levam à constatação de que, apesar da crise, a tal que custa mais aos trabalhadores que aos abonados, os dinheiros públicos continuam a ser dissipados incontroladamente.
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A propósito: O Público de hoje dá conta de algumas outras formas por onde se esvaiem recursos que os contribuintes colocam à disposição do Estado. Trocos? Claro que sim. Mas trocos que dão conta da cultura de esbanjamento que atravessa a administração pública de alto a baixo. 
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Razão, tem a Tia Merkel.

Thursday, August 21, 2008

ECONOMIA DA ÁGUA


João Vaz ilustra no seu blog um exemplo da forma como são frequentemente de forma irresponsável geridos os interesses públicos. O caso concreto é o desperdício de água, o local a Figueira da Foz, mesmo em frente da Câmara Municipal. Lamentavelmente, nem é só com a água que se observam desperdícios, nem a Câmara da Figueira da Foz tem o exclusivo da irresponsabilidade. Lamentavelmente, é frequente observarem-se um pouco por todo o lado perdas de água jorradas por rupturas na rede ou descontrolo na sua utilização. Mais lamentavelmente ainda são as perdas resultantes de rupturas que não dão sinais à superfície.
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Quem paga todo este desperdício? Os consumidores particulares sob a forma de preços acrescidos.
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Há solução? Há, pelo menos, meia solução: A água consumida pelos órgãos do Estado, centrais ou locais, deveriam pagar à empresa (municipal ou não) a água que consomem ao preço corrente pago pelos consumidores em geral. Não se evitariam descuidos mas pelo menos saber-se-ia quanto eles custam. A distribuição da água deveria ser concessionada a empresas privadas, suscitando-se deste modo a concorrência e a responsabilização pelo melhor aproveitamento de um bem cada vez mais escasso.
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O que se passa com o consumo de água passa-se com todos os bens ou serviços cujo preço é nulo ou subsidiado: gera desperdícios. E esta tendência para o desperdício daquilo que é, por uma razão ou outra, desvalorizado é universal, observando-se tanto nos comportamentos das entidades públicas como dos indivíduos. O desperdício na utilização de muitos edifícios por órgãos centrais ou locais da administração pública é outro exemplo flagrante de desperdício por ausência de imputação de custos. Há algum tempo, ouvimos que seria intenção do governo adoptar critérios de imputação de rendas pelos espaços ocupados por entidades públicas. Suponho, contudo, que foi mais uma ideia que ficou nas cascas.