O senhor Santana Lopes foi entrevistado pelo Expresso e, a linhas tantas, afirma que "embora presunção e água benta cada um toma a que quer, acha que se tivesse continuado primeiro-ministro o país teria poupado tempo e dinheiro ... não teríamos navegado nesta lógica de fazer agora e pagar depois". Sente as pessoas na rua muito próximas dele e falam-lhe mais do que ele está a fazer na Santa Casa e às vezes de Lisboa ou da Figueira. Do passado como primeiro ministro ... não gosta dessa conversa.
O mais-que-certo candidato à presidência da República deixou obra feita na Figueira e Lisboa - não há autarca que não obre com cimento, que é a coisa mais fácil de fazer - mas esqueceu-se de pagar a fornecedores. Na Figueira deixou a Câmara mais endividada que nunca, Lisboa desatascou-se no primeiro mandato do senhor António Costa à custa da manobra da venda do Estado ao Estado dos terrenos do aeroporto. Agora, provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, um cargo que dá graças a Deus por lhe ter dado tal oportunidade, rodeado de receitas por todos os lados, está nas suas sete quintas.
Relativamento aos outros putativos candidatos a Belém, o entrevistado considera que Gueterres é batível porque um dia disse, vou-me embora que vem aí o pântano, que o eleitorado português ainda não recebeu Barroso de volta, que Marcelo tem feito de depender a candidatura do apoio dos partidos, logo não vai candidatar-se porque ele, Santana, vai estar na corrida, Rio tem mais perfil para contas. Quem é que pode dizer o contrário?
Linearidade e lábia não lhe faltam. Por agora, percebe-se que o menino guerreiro já vai a caminho de Belém, com experiência e perfil de provedor para a misericórdia que precisa este país.