Sunday, December 14, 2008

COMBATE À CRISE - 2

Uma aparente divergência de peso entre o governo e a oposição centra-se nos investimentos públicos, insistindo o governo em não desistir nem adiar na realização do TGV e do aeroporto, ripostando a oposição alternativa que a intenção é megalómana e irresponsável porque o país já tem às costas um endividamento insuportável nas condições que se perspectivam para o próximo ano nos mercados financeiros.
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À primeira vista, a divergência pode não ter razão de ser se a sabedoria popular mantiver a sua reputação: quem não tem dinheiro não tem investimentos. Mas ainda que, por artes suspeitas, se receia que o governo assuma responsabilidades que um dia destes colocarão o país no prego, porque não desafia a oposição o ministro das obras públicas a dizer onde tem ele garantidos os investidores privados que assegurou estarem dispostos a pegar nos projectos megalómanos para as capacidades do Estado? Dir-se-á que o governo arranja todos os investidores privados que quiser se lhes respaldar as responsabilidades com a garantia do Estado. Com batota, portanto.

Em todo o caso porque não obriga a oposição ao esclarecimento da origem dos esperados cabritos se não se vêm as cabras que os possam parir?
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A razão der ser deste jogo de sombras decorre do facto de estar drogada a economia portuguesa (e não só) e dependente da construção civil e obras públicas. Se lhes faltam com a dosagem mínima correm o risco de a terem inanimada por completo. A discussão, portanto, deve-se mais a um jogo político onde os adversários entretêm o pagode com simulações para atrair votos do que numa abordagem séria das medidas a tomar tendo em conta que elas terão impacto no meio da crise mas sobretudo junto das gerações que hoje não têm ainda direito de voto.
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A crise, se fosse levada a sério, poderia (e deveria) gerar consensos que reunissem as melhores propostas. Quais melhores? É uma questão de fazer contas. Mesmo subordinadas a opções políticas, a cada uma delas correspondem encargos para os contribuintes ao longo de décadas. Deveriam ser, por imperativo constitucional, aprovadas por maioria qualificada para poderem avançar.

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