Tuesday, April 10, 2007

Casa rotativa - Roy Lichenstein - National Gallery - Washington DC


CONTOS AMERICANOS - A FEBRE AMARELA 2

Taking a Harder Line on Piracy After Six Years of Talk and Little Action, The U.S. Toughens Its Stance on China
By Lori Montgomery and Ariana Eunjung ChaWashington Post Staff WritersTuesday, April 10, 2007; Page D01
The Bush administration fired another salvo in its campaign against Chinese trade practices yesterday, announcing suits to force Beijing to crack down on rampant counterfeiting and drop restrictions on the distribution of American music, movies and books. U.S. Trade Representative Susan C. Schwab said the United States will file two formal complaints today against China at the World Trade Organization in Geneva. U.S. Trade Representative Susan Schwab holds a pirated DVD copy of Night at the Museum, which is to be released on April 24th, during a news conference, Monday in Washington, April 9, 2007. The pirated material, made in China, was brought into the country last week. (Manuel The first accuses China of setting "excessively high thresholds for launching criminal prosecutions" against the makers and distributors of pirated products, such as DVDs of American movies and the humble Zippo lighter. The second challenges China's insistence that some of the counterfeiters' chief targets -- books, movies, music and computer software -- be handled solely by state-owned importers, a policy that can delay distribution of legitimate material and create an opening for pirates, Schwab said. "This is more than a handbag here or logo item there; it is often theft on a grand scale," Schwab said. "It is not fair, and we must thwart the pirates and counterfeiters who are responsible." The new cases mark the third trade action this year by the United States against China, a sign that the Bush administration is getting tough after six years of talk and conciliation, analysts said. Last month, the administration said it would impose tariffs on imports of glossy paper from China to combat Chinese government subsidies. And in February, Schwab announced another WTO case charging China with providing illegal incentives to Chinese manufacturers to export their products. All three moves follow long-standing frustration with Chinese policies. But analysts said the actions may also be intended to defuse mounting political pressure on Capitol Hill to reverse a growing trade deficit with China, which last year hit a record $232.5 billion, according to U.S. figures. Lawmakers contend that China keeps its currency, the yuan, deliberately undervalued to boost exports. They have also complained about China's widespread piracy of copyrighted U.S. goods and have threatened to slap huge tariffs on Chinese products in an effort to protect American jobs. "The timing is clearly [designed] to tell the Congress especially, but also to tell the Chinese: 'We're going to thump you as a way of trying to head off congressional legislation. Our cases are reasonable, and you ought to respond to them because, if you don't, you'll make it easier for very strong legislation to pass,' " said Gary Hufbauer, a senior fellow at the Peter G. Peterson Institute for International Economics. Sen. Charles E. Schumer (D-N.Y.), a leader in the effort to force China to revalue its currency, hailed the WTO cases yesterday. "I hope this is just the beginning of a much stronger administration stance on China's nonstop violation of free-trade rules," he said in a statement. Sen. Charles E. Grassley of Iowa, the senior Republican on the Finance Committee, also welcomed the news. "When China continues to refuse to play by the rules, then we need to take strong action, like we're doing today," he said in a statement. Schwab said the cases "should not be viewed as hostile actions against China," adding that they follow lengthy negotiations and represent "the normal way for mature trading partners" to resolve their differences. "There is no trade war, per se, between China and the United States," she said.
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Modernism (Corcoran - Abril 2007)


OS OTÁRIOS 3

Uma vez mais acerca da OTA
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Caro J.
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É espantoso que uma questão tão importante para a vida do país esteja a ser discutida sobretudo na praça pública. Em qualquer país, com um mínimo de sentido democrático consolidado, a discussão far-se-ia primordialmente no Parlamento.
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Em Portugal, tanto quanto nos podemos aperceber, tem sido Jorge Coelho, que deixou a seu pedido a AR, quem tem feito as honras da casa pelo lado do Governo. Pelo lado da Oposição estica-se MMendes, e pouco mais.
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Mas os seus discursos têm sido debitados sobretudo fora do sítio certo. JCoelho argumenta que o aeroporto da OTA custará ao Estado, quanto muito, 10 a 20% do valor total. Por quê 10 a 20% e não 50% ou nada, V. sabe?Em outras ocasiões, argumenta o Governo que existem interessados privados na construção e exploração do aeroporto. É curioso que esses interessados apontem para uma quota de participação de 80 a 90% mas não subscrevam a totalidade. Por quê?
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Se MMendes, no Governo em que participou, era a favor da OTA e agora é contra, a mim não me diz nada. Porque tanto me pode dizer que ele mudou (honestamente) de ideias como me pode dizer que ele mudou oportunisticamente de campo. O que me interessa saber é se as contas foram feitas e a que resultados conduzem as contas.Um projecto decide-se em função do resultado das contas e de determinadas opções políticas. Ora as continhas é que deveriam ser discutidas. E as opções políticas.
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E se há iniciativa privada interessada na construção e exploração do novo aeroporto por que não se coloca o projecto a concurso e se decide em função das propostas recebidas? Por que razão se esforça o Governo na definição de um projecto que não vai construir nem explorar? Ou, quanto muito, mas não explica por quê, vai participar em 10 a 20%. Por que não se decide o Governo em função do mérito relativo das propostas que receber? Porque não analisamos as contas só depois de elas estarem feitas?
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Esta é que é a verdadeira questão.Só que ninguém pega nela, talvez por este atavismo que temos contra as contas.

Monday, April 09, 2007

Violetas na Virgínia


As mesmas violetas que havia no quintal da casa da Avó Maria.
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Quem foi que trouxe, de tão longe, estas violetas de lá para aqui? Ou, terão ido daqui para lá?
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Que romance embalou para a viagem de um lado do oceano para o outro estas flores tão frágeis?

TARAS MODERNAS


Na exposição "Modernism", no Corcoran, não poderia deixar de comparecer "Tempos Modernos" de Chaplin, que inaugurou no Rivoli Theatre de Nova Iorque a 5 de Fevereiro de 1936.
70 anos depois, Chaplin teria, se fosse vivo, motivos de inspiração à sua volta para retomar o tema, desta vez titulando-o talvez "Taras Modernas".
A propósito, transcrevo de "The Progress Paradox" de Gregg Easterbrook:
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"The logical end result of a consumer addicted to acquiring ever more merchandise is the emergence of products designed to store other products. This very thing began to happen in the United States around 1990, when shelving, "shelf systems," storage products, storage centers, and what economic data calls "closet and containers" become growth industries.
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Ikea, Home Depot, and similar retailers now present entire departments of storage supplies. An entire chain, The Container Store, is now dedicated to helping consumers manage the excess of their purshasing. Under-bed storage drwers have become popular...A recent catalog of Improvements, a company that markets handy around-the-home paraphernalia, offered an $89,95 rack that mounts atop televidions; the banner proclaimed, "Now you can store things on the top of the TV, too!".
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Como todas as outras taras, esta também chegará, mais dia menos dia, a Portugal. Se é que não chegou já mas eu ando distraído.

ACERCA DA REGIONALIZAÇÃO

Caro J.

A regionalização é uma daquelas questões que não acaba sem mostrar o que vale.
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Eu também tenho as maiores reservas relativamente à regionalização, pelo risco que representa enquanto criação de meia dúzia de Albertos Joões Jardins ao mesmo tempo.
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Mas a regionalização vai acontecer mais legislatura, menos legislatura. É uma questão de tempo.
De modo que, se a regionalização é inevitável, o melhor que poderemos fazer é prevenir os seus efeitos perversos e suscitar as suas virtudes, que também as terá.
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Uma das medidas que deveriam ser tomadas antes da regionalização, ou como condição de partida para esta, era a reformulação do mapa administrativo do país: as Juntas de Freguesia não fazem sentido, com as atribuições que hoje lhe estão cometidas, não têm dimensão para a gestão dos recursos que lhe atribuem, entretêm-se a distribuir uma fatia importante dos seus orçamentos aos seus dirigentes e funcionários, e algumas sobras para alguma clientela fiel;
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Muitos municípios também deixaram de ter razão de existir e deveriam ser anexados por municípios vizinhos. É matéria delicada, claro que é, porque vêm ao de cima bradar todos os caciques excitando as populações para a revolta.
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Mas, sobretudo, os impostos deveriam ser liquidados e cobrados regionalmente. Todos os recursos geridos regionalmente deveriam ser suportados pelas cobranças locais.

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Com um mapa administrativo diferente, que tenha em conta as actuais realidades demográficas e económicas, que remeta as Juntas de Freguesia para a defesa dos interesses próprios junto dos municípios a que pertencem, sem remuneração dos membros da Junta; que redefina os municípios em função daqueles critérios e crie regiões administrativas no Continente com atribuições idênticas às das Regiões Insulares, mas todas obrigadas a cobrar os impostos que suportem as suas despesas próprias, acredito, hoje, que a regionalização pode ser motor de mais crescimento, de maior dinamismo, e de menor intriga políti
ca.

Sunday, April 08, 2007

Modernism (Corcoran - Abril 2007)


Modernism (Corcoran - Abril 2007)


A exposição "Modernism", no Corcoran, apresenta um extenso conjunto de obras do perído entre 1914 e 1939. De entre esse conjunto, apresenta-se à entrada da exposição este automóvel Tatra 77 , produzido na Checoslováquia em 1938, concepção de Hans Ledwinka, nascido no Império Austro-Húngaro em 1878 e falecido na Alemanha em 1967, e de Paul Jarau, também nascido no Império Austro-Húngaro, e falecido na Suiça em 1974.
Cerca de 1930, a companhia checa Tatra decidiu alterar radicalmente o design do carro que produzia então. O resultado foi a concepção e produção do Tatra T , o primeiro carro a ser produzido numa verdadeira cadeia de produção de automóveis, com um desenho aerodinâmico, e utilização intensiva de materiais modernos que lhe imprimiam resistência e luminosidade, era o mais avançado tecnicamente naquela época, e capaz de atingir velocidades que rivalizariam com os carros actuais.

CONTOS AMERICANOS - CONSUMISMO V CIDADANIA

Buyer Beware Are we training our kids to be consumers rather than citizens? CONSUMED How Markets Corrupt Children, Infantilize Adults, and Swallow Citizens Whole
Immediately after 9/11, President Bush addressed the nation. Here was a chance to bring a grieving people together -- to articulate shared purposes and ask for shared sacrifice. Instead, all the president asked of us is that we keep doing what Americans do . . . and shop. Not exactly Churchillian, but if Benjamin Barber is right, Bush was just tapping into the spirit of our times. In Consumed, Barber argues that shopping is pretty much the only common purpose Americans have left. For two generations, consumerism and citizenship have been battling it out for America's soul. And consumerism has won.
Most of us tend to think of market capitalism as an essential contributor to liberty and democracy, both because it's an engine of material prosperity and because it underpins freedom of choice. Barber argues persuasively that this positive relationship between capitalism and democracy did exist when capitalism was about producing goods that met human needs. But those days are long gone. Now, "needs" must be created: Producers and marketers of goods and services have to convince those with money to buy them. Viagra and Botox become readily available here while drugs to combat life-threatening malaria and diarrhea are not in developing countries.
In a never-ending effort to make consumption the centerpiece of every American's existence, marketers have succeeded in infantilizing adults ("kidults," Barber calls us). We're increasingly governed by impulse. No wonder consumer debt and personal bankruptcy have never been higher. Feeling dominates thinking, me dominates us, now dominates later, egoism dominates altruism, entitlement dominates responsibility, individualism dominates community, and private dominates public. Imagine having the ship of state guided by leaders elected by a nation of 12-year-olds. That, according to Barber, is what we've got.
Barber is a distinguished political theorist who for years has been writing about the deterioration of "civil society" and what must be done to reclaim it. Many others have criticized our obsession with materialism and consumption, a theme he explored in Jihad vs. McWorld, but Barber's aim is not to be a scold. The Reagan revolution convinced us that turning the market loose would be good economics and good politics. Barber, in contrast, argues that "Once upon a time, capitalism was allied with virtues that also contributed at least marginally to democracy, responsibility, and citizenship. Today it is allied with vices which -- although they serve consumerism -- undermine democracy, responsibility, and citizenship." In other words, in the modern era, it's not so much democracy and capitalism as it is democracy or capitalism.
This is a strong view. Even good liberals such as New York Times columnist and bestselling author Thomas L. Friedman seem to believe that market competition, like aspirin, can fix anything. In my opinion, Barber is right. The heart of this book -- a section titled "The Eclipse of Citizens" -- provides chapter and verse. We adults, addicted as we are to consumption, may be too far gone to reclaim democracy. For that, we have to wait for our children to take over.
But it may be too late for them, too. In The Real Toy Story, investigative journalist Eric Clark gives us an inside look at a $21-billion industry that starts training kids to be consumers at about age 2. With less than 4 percent of the world's children, Americans consume 40 percent of the world's toys, most of them produced in Asia, under sweatshop conditions. American kids see about 40,000 commercials a year. Lucrative product-licensing deals turn the shows they watch into commercials (including pristine PBS), while marketing experts have figured out ways to exploit the "nag factor" -- how to make kids persistent enough in their pursuit of goods that parents will give in, just to shut them up.
Clark does a fair amount of hand-wringing about relentless marketing, cutthroat competition among producers and retailers, and abysmal factory working conditions. The book bills itself as a kind of exposé. But Clark's heart isn't really in it. Much more memorable are his descriptions of some of the great toys in history and their inventors' struggles to get them to market. You root for these folks, imagining the childlike gleam in their eyes as they tinker in their garages and lament that the massive concentration of market power among producers (Mattel and Hasbro) and retailers (Wal-Mart, Target and Toys R Us) may be driving clever innovators away. These tales of triumph make it hard to stay focused on the big story, which is how the toy industry is training the next generation to choose consumerism over citizenship before they even have a clue what "citizenship" means. If you find Barber's book depressingly convincing, Clark's will make you want to cut your throat.
Many years ago, the distinguished economic historian Albert Hirschman wrote a book called Exit, Voice, and Loyalty, in which he pointed out a fundamental difference between the market and the state. We respond to dissatisfaction in the market with "exit": We leave a store (or Web site) and go to another. We respond to dissatisfaction in the state with "voice": We march, we write letters to the editor, we work in political campaigns, we pressure school districts to improve the quality of education in our kids' schools. It's a serious mistake, Barber points out, to confuse the two. And it's an equally serious mistake to assume that the success of one implies the success of the other: "The victory of consumers is not synonymous with the victory of citizens. McWorld can prevail and liberty can still lose."
These two books show us that McWorld -- the commercialization of everything -- has prevailed, that liberty is losing and that the market machine is turning our innocent kids into shallow, egoistic "kidults" right in front of our eyes. Even when our collective memory of 9/11 has faded, the serious problems these books describe will still be with us. ?
Barry Schwartz is a professor of psychology at Swarthmore College and the author of "The Paradox of Choice: Why More Is Less."

Renoir a 3 dimensões ( Corcoran - Dezembro de 2005)


ARAGÃOZINHO, CAPITÃO DE LONGO CURSO

-Agora, Comandante, pega no leme e leva-nos às putas!
"Os velhos marinheiros"

Os compinchas do Zé ficaram redondos de excitação quando souberam que o Jorge não ia convocar o Eduardo para tomar conta do leme, o Eduardo ia amuar de certeza, e era a oportunidade única do Zé pegar com o empurrão deles.
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Entraram a todo o gás na sede do clube e perguntaram ao porteiro pelo Zé. Estava na sala, disse o porteiro, e não os enganou. O Zé estava na sala, sentado de cotovelos fincados na mesa e as mãos a aguentarem-lhe a amargura que lhe saía dos olhos em direcção a um ponto infinito equidistante da estória e da História. Perguntaram-lhe os amigos, a atropelarem-se uns aos outros, o que é que se passava, que cara era aquela, que desastre ocorrera sem que jornais e televisões tivessem dado conta; O Zé tinha tudo: recursos, carisma, estética, confiança, além de pessoal de toda a espécie às ordens e capacidades de decisão e comando que só aparecem de longe em longe, como os cometas. E agora que o Jorge se furtara às suas obrigações partidárias, dava ao Zé, de mão beijada, o leme.
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Tanto insistiram os amigos do Zé que ele descontraiu os cotovelos e deixou sair-lhe a amargura pela boca. O problema era o seguinte: Naquele clube, que embora republicano era a imagem do país, contavam os títulos. Sem título ninguém se afirmava perante o pagode. O Eduardo era doutor, o Jorge era doutor, o António era engenheiro, o Vítor era doutor, o Mário, o patriarca do clube, era doutor; só ele era Zé, sem título nem comenda. Andara sempre tão ocupado com a vida do clube que não lhe sobrara tempo para dar uma saltada às aulas. Como poderia, agora, ele atirar-se ao leme e governar o barco, assim sem canudo nem diploma, ainda que qualidades não lhe faltassem?E voltou a fincar os cotovelos para segurar o desânimo.
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Interrogaram-se os surpreendidos amigos do Zé durante alguns instantes ao fim dos quais tinham o problema em vias de solução. Espera Zé, aqui, por nós, que já voltamos.
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Demoraram pouco, e vinham a transbordar de contentamento com um rolo debaixo do braço de um deles: Zé, aqui tens, a partir de agora és Comandante, Capitão-de-longo-curso! Pega no leme e leva-nos todos a bordo!
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E foi assim que o Comandante Zé já levava dois anos de navegação à vista sem ter batido nos baixios quando lhe apareceu uma vedeta da capitania do porto a pedir-lhe os documentos.
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O Zé tinha-se esquecido deles. Prometeu mostrá-los até quarta-feira da semana que vem. Se os perdeu, que é a hipótese mais provável, lá terão os amigos de lhe arranjar outros.

Saturday, April 07, 2007

Renoir a 3 dimensões (Corcoran - Dez 2005)


POR QUE É QUE AS BOAS NOTÍCIAS ASSUSTAM AS PESSOAS?

Se hoje as pessoas, em geral, vivem em condições muito melhores do que no passado, por que é que andam tão descontentes, por que é que resmungam em vez de sorrirem? Por que é que não se sentem felizes por terem tido a sorte grande de viverem nos dias de hoje?
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Steve Olson, em Mapping Human History, calcula que 80 biliões de seres humanos "modernos" - desde os primeiros seres reconhecidos como nossos antepassados até ao advento do "Homo sapiens ", o nosso nome oficial em termos antropológicos - andaram na terra durante milénios. Supondo que este número está correcto, os homens e mulheres das classes médias ou superiores dos EUA e da União Europeia vivem hoje muito melhor do que 99,4% de toda a humanidade que alguma vez existiu.
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Aliás, os norte-americanos e os europeus com um nível de vida médio não só vivem hoje em melhores condições do que 99% dos que nos antecederam em toda a história da humanidade, como vivem melhor do que a maior parte da realeza no passado. Se outras razões não existissem para essa melhoria, a simples disponibilidade de antibióticos justificaria a diferença.
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Robert Frank, um professor de economia da Universidade de Cornell, refere a este respeito, por exemplo, que hoje se encontram à venda em mini lojas dos postos de abastecimento de combustíveis vinhos de qualidade muito superior daqueles alguma vez bebibos pelos reis de França. Hoje, os supermercados têm à venda dezenas de produtos a um custo acessível que as pessoas no passado considerariam uma "delicatessen" e que morreram sem as ter provado.
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E, no entanto, as pessoas de hoje não valorizam a sorte que lhes coube. Segundo uma sondagem feita nos EUA em 1997, 66% das pessoas consideravam que "a sorte das pessoas, em média, estava a piorar". Contudo, se lhes fosse dado um bilhete (só) de ida ao passado muito provavelmente ninguém aceitaria a oferta, a menos que lhes prometessem a reincarnação numa personagem célebre.
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A principal razão por que tanta gente no ocidente se sente pouco feliz com a época que lhes coube em sorte, ou não acredita que as suas vidas são favorecidas por viverem hoje, é a descontinuidade entre a prosperidade e a felicidade, porque a primeira avança e a ânsia de a alcançar retarda sempre a segunda.
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Mas existem outras razões. Uma delas é a preferência das elites pelas más notícias, e as elites são decisivas na formação da opinião pública. Parte desta atitude pode ser explicada por um sentimento de culpa por parte dos mais privilegiados ao repararem, para baixo, nas sociedades que criam as riquezas que eles desfrutam. Por outro lado, quando as coisas não correm bem, as pessoas comuns voltam-se para as elites à espera de soluções; se os tempos correm de feição as elites perdem importância relativa.
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O jornalismo em geral explora de uma forma exagerada as más notícias porque sabe, de fonte segura, que são elas que lhes aumentam as audiências e o número de leitores. As notícias relatando crimes e outras desgraças ocupam, de longe, muito mais espaço e muito mais tempo em alguns jornais e telejornais do que todas as outras notícias em conjunto.
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É possível que isto aconteça porque a evolução humana foi condicionada desde as suas origens para enfrentar o pior. O Homo sapiens terá evoluído numa predisposição para atitudes negativas.
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(adaptado de "The Progress Paradox", de Gregg Easterbrook)

RTP(RIVADA)


A democracia faz-se, sobretudo, do confronto de ideias e de propostas.
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(... ) , V. critica a proposta de privatização da RTP. Está no seu direito.
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Pois eu penso que a RTP deve ser privatizada, e penso isso desde há muito tempo. Tive oportunidade de conhecer a RTP por dentro, há muitos anos e, tanto quanto julgo saber, desde então os métodos de gestão, no essencial, pouco se alteraram.
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A actual administração tem sido, relativamente, bem sucedida, mas não pode, sob pena de causar uma contestação imparável, fazer o que deveria ser feito. E o que deveria ser feito consistiria, além do mais, na redução dos seus efectivos para um quadro que fosse suficiente para prosseguir os seus objectivos.
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Toda a gente sabe que durante muitos anos a RTP foi encaixando muita gente e emprateleirando outra. E somos nós que pagamos. Os problemas financeiros do Estado têm de ser resolvidos apontando para muitas parcelas. Umas mais importantes que outras, mas todas contando para a soma final.
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Ora não há razão nenhuma para que a grande maioria dos programas da RTP não sejam emitidos por uma estação privada. E, se existem alguns que possam cair no famigerado conceito de "serviço público", defina-se (ou redefina-se) o que isso é, e faça-se um concurso para a sua emissão em canais privados.
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Estas são, muito sucintamente, as minhas razões.
E as suas, quais são?
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Porque, meu caro J., V. compreende que não se discute a democracia apenas atacando MMendes. V. diz que ele não protagonizou essa privatização quando teve oportunidade para o fazer. Admitamos que V. tem razão. A questão, contudo, não é a maior ou menor força moral de MMendes. A mim, neste caso, pouco me interessa o que diz MMendes ou a sua pouca força moral: o que me importa é saber se faz ou não sentido uma RTP que custa a cada um de nós um valor que não é assim tão irrelevante. E a soma, que é relevante, poderia ser canalizada para outros fins prioritários.

A nevar na Virgínia


Às vezes, quando Deus quer, cai neve na Primavera.
Um mês depois, volta a nevar por aqui.

Friday, April 06, 2007

A INDEPENDENTE E SEUS DEPENDENTES

O melhor comentário da blogosfera sobre a Independente e os seus dependentes está em
Sobre o tempo que passa, de José Adelino Maltez.

Harpers Ferry : Shenandoah River


O CREPÚSCULO DO DÓLAR

In Jornal de Negócios, de hoje:

Euro toca máximos de dois anos face ao dólar: 1,3441.
O euro valorizava, tocando máximos de dois anos face ao dólar, uma vez que os sinais de uma aceleração do crescimento económico na Europa intensificaram a especulação de que o Banco Central Europeu vai voltar a subir os juros.


O estatuto que o dólar usufrui, enquanto moeda de referência, confere inquestionáveis vantagens à economia norte-americana. A popularidade do dólar tem conduzido para os EUA recursos enormes. É essa transferência de recursos, que induz uma enorme capacidade de influenciar os mercados financeiros, que, em grande parte, tem permitido aos norte-americanos usufruirem de um nível de vida que de outro modo não lhes seria possível. Este estatuto quase exclusivo do dólar, contudo, pode ter os seus dias contados. Até agora, quanto mais gente confiava no dólar e aumentava a sua posse mais aumentava a riqueza transferida para os EUA: a impressão de uma nota tem um custo ínfimo relativamente ao seu valor facial. Mesmo no caso da nota de valor mais baixo (um dólar) a diferença é quase total. Tem, portanto, grande relevância o facto de um motorista de táxi em São Paulo aceitar dólares ou preferir outra moeda, ou um "dealer" de cocaína em Medellín preferir dólares em vez de pesos.
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Há cerca de 750 biliões de dolares em notas e moedas em circulação, e grande parte deste montante circula fora dos EUA. Mesmo nos dias de hoje, quando o papel-moeda perde cada vez mais importância relativa a favor dos meios de pagamento electrónicos, o crime é ainda um "cash business", assim como todas as actividades ilegais que não podem dispensar o anonimato.
A maior parte das notas de 100 dólares (as de valor mais elevado em circulação) são o lubrificante necessário às rodas dos negócios criminosos.
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A União Europeia deseja muito claramente uma parte deste negócio e essa é a razão pela qual emitiu notas de 500 euros (que valem hoje cerca de 660 dólares), querendo com essa emissão assegurar uma vantagem competitiva no negócio. Porque a pergunta que ocorre é esta: Que transacções legais o Banco Central Europeu pensa poderem requerer notas de um valor tão elevado? Mesmo em Frankfurt uma corrida de táxi dificilmente atingirá aquele valor.
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Mas as vantagens da emissão de dólares são comparativamente reduzidas com as que decorrem do estatuto do dólar enquanto moeda de referência nas transacções dos mercados financeiros a nível global. Vantagens que vão dos custos de câmbio, e dos riscos de flutuação do valor das outras moedas relativamente ao dólar quando as transacções são denominadas nesta moeda, às aplicações em activos norte-americanos.
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O déficit comercial dos EUA é, actualmente, de cerca de 6% do produto nacional bruto, e continua a crescer. Este déficit tem de ser financiado por empréstimos. Esta situação de endividamento externo excessivo esteve na origem do colapso das moedas de países da América Latina na década de 80 e da Ásia no final da década de 90. A grande vantagem dos EUA, neste caso, reside no facto do seu endividamento externo estar titulado em dólares: o colapso da sua moeda não criará as situações de falência do sistema que ocorreram noutros países endividados em dólares quando as suas moedas se afundaram.
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Até agora o endividamento líquido dos EUA tem crescido de forma muito moderada relativamente ao produto nacional bruto. Uma das razões por que isto acontece reside no facto de a América continuar a pagar taxas de juro relativamente baixas nos empréstimos externos que contrai, e que são, na sua maior parte, tomados sob a forma de obrigações do tesouro dos Estados Unidos; por outro lado, os EUA recebem taxas elevadas dos investimentos norte-americanos feitos no estrangeiro. Acresce ainda que o sensível declínio do dólar tem majorado este efeito: aumentando o valor dos activos norte-americanos no estrangeiro (que passaram a valer mais dólares), enquanto o valor das dívidas denominadas em dólares se mantém. Na realidade os EUA descobriram um meio de contrair empréstimos sem aumentar as suas dívidas. Esta alquimia deve-se, naturalmente, em grande parte ao estatuto do dólar.
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Uma questão se coloca então: Quem são os génios que se colocam de forma tão confiante do lado perdedor?Quem é que empresta centenas de biliões de dólares aos EUA e recebe pouco menos que nada em troca? Nos últimos anos os bancos centrais asiáticos, e sobretudo o Banco Central da China, têm suportado as perdas nos empréstimos que fazem crescer a economia norte-americana. Lá terão as suas razões, evidentemente. A enorme acumulação que a China tem feito de divisas norte-americanas tem tido como objectivo sustentar a um nível deprimido a sua própria moeda e, com isso, ganhar vantagans competitivas para as suas exportações e para o emprego. Mas esta situação não é imperdurável. Há sinais recentes de mudança desta política, implicando alteração da composição das suas reservas e uma maior flexibilidade das taxas de câmbio.
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Mas as alterações nunca serão bruscas: Se o Banco da China, de um dia para o outro, lançasse nos mercados financeiros grande parte dos dólares que detem, a América não se tornaria insolvente mas a inflação atingiria valores que obrigariam a subida das taxas de juro que tornariam difícil a vida a muitas famílias norte-americanas sobre endividadas.
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Não há dúvida que os EUA precisam que a China coopere na gestão desta situação. Como é que a China se comportará, é difícil prever. Afinal os EUA, ao explorarem de forma excessiva o estatuto do dólar transferiram para a China um activo geopolítico decisivo que ela não vai deixar de aproveitar. Mas os EUA poderão ganhar, no fim de contas, com a emergência de outras moedas de referência, e nomedamente o euro, perdendo parte significativa do estatuto do dólar mas evitando os riscos que esse mesmo estatuto implica.
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(adaptação de "When the Buck Stops" de Clive Crook, in The Atlantic)

Picapau