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Saturday, October 27, 2018

SUPER REALISTA AUSTRÁLIA








WHAT IS THE biggest problem facing America? Or Japan? Or Britain? Or France? Opinions vary, naturally, but some worries crop up again and again. Those of a materialist bent point to decades of slow growth in median incomes, which has bred disillusion and anger among working people. Fiscal hawks decry huge public debts, destined to grow even vaster as ageing populations rack up ever bigger bills for health care and pensions. Then there is immigration, which has prompted a furious populist backlash in the United States and all over Europe. That hints at what, for many, is the most alarming trend of all: the lack of any semblance of a political consensus about how to handle these swelling crises.

c/p aqui

vd. também aqui

Sunday, October 08, 2017

FAÇAM FILHOS!


No Economist desta semana observa-se que um dos argumentos favoráveis à União Europeia é o alastrar das boas ideias através do continente. Conjuntamente com o crescimento das trocas comerciais dentro mercado único, em princípio, a entrada de um vasto conjunto de países económica e culturalmente diferentes para o mesmo clube, tornará, com o decorrer do tempo, os seus membros mais parecidos entre si.  

Contudo, se tarda a convergência económica, num aspecto, conclui-se aqui,  as nações são já muito parecidas na idade em que as mulheres têm o primeiro filho.  
A disponibilidade de contraceptivos e o acesso das mulheres à Universidade são considerados alguns dos factores das aproximações das tendências observadas nos países do leste e do sul europeu, mais evidente no primeiro destes dois grupos, aos países do norte. 

Por outro lado, o retardamento da concepção tem como consequência a gestação de menos filhos o que, conjuntamente com os avanços observados nos cuidados médicos, determina o decréscimo e um maior envelhecimento da população.

Se a redução da população pode ser moderada com o aumento da esperança de vida, o rejuvenescimento só pode ser conseguido com o aumento da natalidade. 
Ou o aumento da imigração. 
Escolham!

Saturday, December 12, 2015

DÍVIDA E DÉFICE DEMOGRÁFICO

Paul Krugman está hoje em Portugal para participar na conferência promovida pelo Banco de Portugal de homenagem a Silva Lopes. A propósito desta visita, com o restrito intento de participar na conferência e encontrar-se com amigos, Krugman dedica hoje na sua habitual coluna no The New York Times mais uma reflexão sobre os "terrible times" que   Portugal atravessou recentemente.

Desta vez, a sua observação -Debt and Demographic Debet Spirals - incide sobre a correlação entre o crescimento da dívida e o decréscimo da popução activa em Portugal desde a erupção da crise  em 2008.


A mobilidade do trabalho é fundamental para o ajustamento dos choques assimétricos nas uniões monetárias. Mas como se garante o reembolso da dívida e o pagamento das pensões de reforma quando decresce o número de trabalhadores activos? 

Dispenso-me de transcrições: A mensagem de Krugman merece bem uma leitura no original. 



"Oh, and Lisbon is really lovely despite all 
— and seems, justifiably, to be attracting a lot of tourists, which surely helps."


Monday, August 17, 2015

ÉS RICO, POBRE OU ESTÁS NA MÉDIA?

O El País publicou ontem aqui um artigo sustentado num estudo/programa inter activo da OCDE - ¿Es usted rico, pobre o está en la media? Calcúlelo aquí. 

Para alguns o programa será talvez irrelevante. Ou são bastante ricos ou muito pobres para não lhes restarem dúvidas da posição que ocupam na curva de distribuição de rendimentos. Em todo o caso, como o programa permite simular a situação relativa da cada um supondo que habita noutro país qualquer, a comparação pode surpreender muita gente.  

Hoje, o mesmo diário publica aqui um outro artigo, - ¿Cuánta gente cumple años el mismo día que tú?- desta vez recorrendo a um programa interactivo - population.io - do Banco Mundial com alcance bastante mais extenso do que o título fará supor.

Tuesday, March 04, 2014

ACERCA DO CONFLITO INTERGERACIONAL

Quando vejo abordada a questão da sustentabilidade da segurança social (e ela é recorrentemente abordada a propósito da necessidade de sustentabilidade das contas públicas) tanto no discurso oficial
como na generalidade das análises, mais ou menos extensas, ou dos comentários, mais ou menos partidarizados, noto em todos esses discursos uma linha de força, que os correlaciona, assumidamente tida pela esmagadora maioria como inquestionável: a existência de um conflito intergeracional provocado pela insustentabilidade da segurança social. Um dia destes, segundo o resumo da ideia insuspeita, os actuais contribuintes não terão direito senão a uma parte pequena daquilo que está a ser pago aos reformados e pensionistas de hoje. Porque a esperança de vida aumentou e a natalidade decresceu, a relação activo/passivo tende para a insustentabildade do sistema.

Em matéria de conflito intergeracional, na sua vertente economicista, é elementar não esquecer que quando a actual geração de reformados começou a ser, compulsivamente, obrigada a descontar para o sistema de segurança social, as estradas, quando as havia, eram na sua maioria de macadame, os carros eram na sua esmagadora maioria de bois, o menino Jesus, pelo Natal, não tinha mais para dar que bonecos de barro ou de lata, salvo se sobre os meninos tivesse recaído a graça do Espírito Santo, a bola era de trapos e jogava-se pé descalço, porque muitos não tinham sapatos e as regras, pelo menos aquelas, eram democráticas. A democracia dos aipedes, dos andróides, das playstations, etc., chegou hà poucos dias. Mas não quero ir por aí.

Não vou também voltar a invocar como argumento as conclusões do relatório da UE de 2012 citado a páginas 55 do Relatório do Orçamento de Estado 2014, págs.55, de que o sistema de pensões de reforma em vigor em Portugal é um dos que menores risco corre nos próximos 50 anos. Admitamos que estão enganados e também este governo se equivocou ao citá-lo.

Mas não há expectativa de um conflito intergeracional à vista? Vamos ver.
Para olhar melhor, convém aproximar e ampliar a imagem do objecto de análise, e observar apenas a parte mais atingida do todo que correntemente se designa por "Estado Social": o sistema de pensões.

Quem é que recebe pensões e quem é que paga essas pensões?
os que serviram na função pública, 
os que nunca contribuiram para qualquer sistema previdencial, não contributivos,
os que contribuiram para um sistema previdencial durante um período curto, insuficiente para construir uma pensão mínima, e
os que contribuiram para um sistema previdencial financiado pelas contribuições sociais realizadas durante a sua vida profissional.
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Quanto aos que serviram na função pública, as pensões são pagas com impostos. Onde é que, neste caso, pode haver conflito intergeracional? Há, tendencialmente, redução de activos relativamente aos reformados? Admitamos que sim. Ou a situação contrária, dá no mesmo. Como salários e pensões da função pública são pagos com impostos arrecadados em cada ano, o que pode ocorrer é um conflito  entre o preço da produção da função pública (no activo e na reforma*) disponibilizada e a capacidade de pagamento dos clientes (contribuintes). Esse conflito só admite duas saídas: ou há, em cada ano, conformidade dos custos com as receitas, ou aumento da dívida pública,  ou redução de salários e, ou, das pensões. O eventual conflito intergeracional só ocorrerá, neste caso, se houver recurso ao aumento da dívida para pagamento de despesas correntes**. O que, obviamente, deveria ser constitucionalmente interditado. 

O pagamento de pensões aos não contributivos ou o pagamento de pensões mínimas a não contributivos com períodos contributivos insufientes, constitui uma das partes do objectivo último de um "Estado Social", de garantia de condições de vida condigna a quem, por uma razão ou outra, não teve a oportunidade de se incluir num sistema previdencial que lhe garantisse uma pensão mínima. Excluem-se (deveriam excluir-se), portanto, os falsos necessitados que, dispondo de meios de riqueza suficientes, desfrutam de vantagens de um sistema, nestes casos, complacente. Poderá haver, neste grupo, conflito intergeracional? Obviamente, não. O sentimento de solidariedade para com os mais necessitados pode ser eticamente induzido às gerações vindouras mas nem pode ser imposto por via legislativa imutável nem criada uma fundação multimilionária com esse propósito.

Finalmente, o grupo dos contributivos, enquadrados no regime geral da segurança social.
E aqui, sim, pode discutir-se a sustentabilidade de um sistema que paga as reformas aos contributivos com as contribuições sociais recebidas incidentes sobre os salários brutos pagos, na totalidade mais de 1/3 dos salários brutos. A possibilidade do cálculo do risco dessa insustentabilidade está-nos, no entanto, vedada. Por duas razões:
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1 - As contas da segurança social não são suficientemente transparentes para podermos quantificar esse risco. O que sabemos é que, ainda há poucos anos, na realidade há não mais que cinco, o governo de então procedeu a uma reforma que prometia longa vida ao sistema. Por outro lado, a UE há menos de dois anos garantia que o risco é mínimo nos próximos 50 anos, e os Relatórios da Segurança Social, mesmo quando se atravessa uma situação de crise que exponenciou as outras prestações sociais, nomeadamente o subsídio de desemprego, concluem que os saldos da segurança social continuam a ser positivos. A este último propósito poderíamos também discorrer sobre o destino de saldos sistematicamente positivos da segurança social durante os últimos 40 anos. Mais atrás, mais positivos eram, mas por razões de ausência de solidariedade estatal. Também não vou, agora, por aí.
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2 - Ninguém sabe quantificar a evolução da tendência do nível de empregabilidade no futuro. O que se sabe é que o aumento de produtividade significa mais produção por activo humano empregue, e esta é uma tendência pelo menos tão irreversível quanto a que desequilibra a relação activo contribuinte/pensionista em consequência do decréscimo demográfico.

Repito-me: Separem as águas e as contas: 
da função pública, paga com impostos (tanto activos como reformados)
da solidariedade social, paga com impostos, ou terão de lhe dar outro nome,
do seguro social, pago com as contribuições sociais entregues pelas empresas,

e  constatarão que conflitos intergeracionais sempre existiram mas os que, eventualmente, possam decorrer de um sistema de pensões pouco ou nada terão a ver com o famigerado papão da relação activo/pensionista do sector privado.
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*À primeira vista poderá parecer estranho que se incluam as pensões da função pública nos custos da produção pública activa. Mas essa é, incontornavelmente, a forma como são calculados os custos de produção em qualquer empresa: aos valores líquidos de impostos pagos aos trabalhadores acrescem os impostos e as contribuições sociais entregues ao Estado nos custos das produções realizadas.

** Já fora da órbita das despesas correntes, observe-se que os investimentos públicos podem traduzir-se num ónus gravoso para as gerações futuras, se o seu interesse social ou impacto económico for dispiciendo ou negativo. A este propósito, tem sido muito criticada a opção política seguida pela generalidade dos vários governos, pelo cimento, preterindo o conhecimento. Em todo o caso convém ter em conta que a vinculação constitucional a um ensino tendencialmente gratuito (onde, em muitos casos, a questão de solidariedade não faz sentido algum) implica que as gerações adultas actuais (incluindo os reformados, a alguns dos quais é imposto um esforço fiscal superior a qualquer outro estrato social) suportam a formação das gerações vindouras, sem que alguém alguma vez tenha seriamente colocado a questão de um conflito intergeracional entre pagantes actuais e beneficiários futuros.

Tuesday, January 21, 2014

UM CONTRIBUTO PARA O AUMENTO DA NATALIDADE EM PORTUGAL

No tempo do outro senhor, aconteceu ao Xá da Pérsia, Reza Pahlavi, ter nascido um filho que lhe garantiria a sucessão, se o pai não tivesse sido destronado algum tempo depois. Feliz com o nascimento do herdeiro, o Xá decretou uma redução de impostos digna do acontecimento. Não lhe sendo consentida liberdade crítica durante a ditadura, o português comum, para se desentopir, criava anedotas. A redução de impostos na Pérsia era por cá glosada, mais ou menos, assim: "O pénis do Xá da Pérsia/os impostos fez baixar./Ora bolas para a inércia/do pénis do Salazar." 

Vem isto a propósito de um estudo publicado no British Medical Journal , realizado por um grupo de investigadores do hospital Althaia de Manresa, e citado aqui, que conclui que um golo de Andrés Iniesta provocou a ocorrência de cem mil nascimentos, todos virtualmente seus filhos. 

O Presidente da República condecorou ontem Cristiano Ronaldo com o grau de Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique, que, note-se, não teve filhos. Quantos filhos já terão provocado tantos e tão arrasadores golos de Cristiano? Nem ele sabe. Uma falha dramática da investigação portuguesa. Depois queixam-se os bolseiros que lhes cortam as bolsas.

E que a população portuguesa caminha para a extinção.




Monday, August 06, 2012

NÂO É UMA QUESTÃO DE VIRILIDADE

"Já há mais de 25 anos que a fertilidade tem vindo a decair no nosso país. E qual tem sido a resposta dos nossos governantes perante esta acentuada descida da natalidade? Assobiar para o lado e/ou pensar que o problema se vai resolver por si próprio. Enfim, o habitual." (aqui)

Virility Simbols é o título de um artigo do Economist desta semana que ironiza, a propósito da inversão recente de posições em matéria de natalidade na Europa e nos EUA, recorrendo à correlação usada pelos conservadores norte-americanos que gostam de exibir o contraste do vigor e virilidade dos States com a decadência e o declínio da Europa. Durante muitos anos, os EUA tiveram taxas de fertilidade total (número médio esperado de filhos por cada mulher durante a sua vida) à volta de 2,1, acima dos valores observados na genaralidade dos países ricos. Aquele valor (2,1) equivale à "taxa de substituição", aquela que estabiliza a população a longo prazo. Nos países europeus, as taxas de fertilidade total estiveram até há pouco tempo abaixo da "taxa de substituição".

Em 2011 a situação inverteu-se em alguns países europeus. Mas não em todos. Não em Portugal, onde as taxas de fertilidade continuam a decrescer há mais de 25 anos, afirmava o ano passado o actual ministro da Economia quando ainda era professor em Vancouver.

A taxa de fertilidade é agora de 1,9 nos EUA e continua em queda, na França é 2,0 e estável, em Inglaterra e no País de Gales está pouco abaixo de 2,0 mas está a crescer ligeiramente.
Nos EUA, a crise é causa da queda  por duas vias: por um lado, os imigrantes que não conseguem emprego voltam para casa. Como são eles que, normalmente, têm famílias mais numerosas que as dos naturais do país, a sua saída reduz a taxa de fertilidade; por outro, a redução de rendimentos, aliada à crise do imobiliário provoca o adiamento de casamento. Segundo uma sondagem da Pew Research Center junto de jovens entre os 18 e os 24 anos, 22% declararam ter adiado o nascimento de um filho e 20% disseram ter adiado o casamento em consequência da crise. 
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Em Portugal o persistente decréscimo da taxa de fertilidade (que estará a agravar-se em consequência da vaga de emigrantes em idade de procriação) está a colocar o país na cauda do crescimento demográfico e do envelhecimento da população, a nível mundial. A emigração de jovens portugueses e o retorno de imigrantes aos seus países de origem em consequência da crise estão a acelerar uma tendência que já vem de longe.

Haverá medidas que possam inverter esta tendência dramática senhor ministro da Economia? Ou continuará o assobio para o lado à espera que que o problema se resolva por si próprio?
Um problema bicudo porque envolve múltiplas variáveis, todas elas difíceis de dominar. Dificuldades que se exacerbam em tempos de crise profunda.
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Pela boca ...
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Há quem pense que são necessários mais apoios à maternidade para inverter a tendência observada em Portugal, e dão o exemplo da Suécia. Não creio que seja a solução, mesmo que ela fosse suportável pela segurança social nos tempos de crise que correm. Será, quanto muito, uma das medidas necessárias mas, certamente, insuficiente. Aliás, como provam os resultados invisíveis das que foram tomadas nos últimos anos.

Monday, January 09, 2012

AMOR OCUPAS


Os Ocupas estão instalados em duas praças de Washington.
Ao fim de quase quatro meses de acampamento, o frio e a contiguidade dos corpos começam a fazer frutificar. No próximo Outono é provável que aconteça uma vaga de Ocupababies, segundo os observadores mais próximos e intervenientes nos acontecimentos.
Por agora ninguém conta arredar pé, apesar das intervenções da polícia, e continua a interminável discussão acerca do direito de liberdade de expressão em espaços públicos da capital federal.

A liberdade de acasalamento, ainda, não foi posta em causa.

Wednesday, August 31, 2011

O MELTING POT

As minorias (eufemismo para populações não de origem europeia) já são maioritárias em 22 das cem maiores regiões metropolitanas nos EUA. A área de Washington é uma das oito que entraram para o quadro desde 2000. Mais detalhes aqui.
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clicar para aumentar

Friday, February 04, 2011

QUANTOS SOMOS?

Ninguém sabe.
Anotei isso neste caderno de apontamentos em Outubro de 2009.

Hoje, pode ler-se aqui : Na acta do TC, divulgada na terça-feira, refere-se um total de 9 043 550 eleitores inscritos, mas, na sua página na internet, o MJ indica 9 656 797. Ou seja, uma diferença de 613 247 eleitores.

Detectada a divergência, uma fonte do Tribunal Constitucional, citada pela Lusa, adiantou ontem que houve uma incorrecção na acta e que o número certo de eleitores inscritos era de 9 543 550, ou seja, mais 500 mil do que o divulgado na sua acta. Contudo, apesar da correcção, continua a verificar-se uma diferença de 113 247 eleitores inscritos em relação ao divulgado pelo MJ

Os amigos de Campos e Cunha, que, segundo ele, estudaram a demografia, a população residente já em 2009 excederia os 11 milhões de habitantes. (vd aqui).

Se nem acertamos nas contas de somar como é que podemos multiplicar para dividir?

Sunday, July 11, 2010

QUANTO VALE A GARANTIA DO ESTADO?

A garantia de que, mais tarde ou mais cedo, seremos nós, os contribuintes, a pagá-la.
Ontem, ouvi dizer na Antena Um ao presidente das Estradas de Portugal  que a carta que enviou aos ministros da tutela acerca da (complicada) situação de tesouraria em que se encontra a empresa pública a que preside é uma carta de rotina informativa. Não é, Almerindo.

Com a constituição das Estradas de Portugal retiraram os custos de investimento e manutenção das estradas geridas pelo governo central mas essa desorçamentação ilude mas não apaga os encargos que todos temos de pagar. A questão das Scut é apenas uma parte dessa prática ilusionista com que alguns quiseram adiar a incontornável evidência: o défice acabará por vir à tona por mais habilidades contabilísticas com que o enfeitem. 

Se aqueles, ou parte daqueles, que utilizam as Scut não pagarem portagens, seremos todos chamados a pagá-las, mesmo aqueles que nunca tiveram possibilidade de conduzir um carro. Num País, como o nosso, onde a desigualdade social é das mais elevadas na UE, a derrogação do princípio de utilizador/pagador nas autoestradas, por mais pertinentes que possam ser os argumentos invocados por alguns, acabará por agravar a desigualdade entre os que têm e os que não têm.

O mais grave, contudo, em toda esta infernal ilusão dos défices das empresas de serviços públicos (Estradas de Portugal, CP, Carris, Metro, Transportes Colectivos do Porto, etc.) é a irreversibilidade do seu crescimento exponencial. Há dias o Governo anunciou o aumento dos transportes públicos em 1,2%  a partir do dia 1 deste mês de Julho. Para conter os défices? Não. Para manter a ilusão de que os défices estão a ser contidos.

O Orçamento do Estado tem de merecer a aprovação da AR. Não há nenhuma razão, seja de que ordem for, para as garantias prestadas pelos governos em nome do Estado não o sejam. A situação actual é um embuste consentido pelos partidos.  

Saturday, May 22, 2010

LER, ESCREVER E CONTAR

Nos tempos do antigo senhor era tido como suficiente que o povo soubesse ler, escrever e contar. A grande maioria não sabia e o país ainda hoje é aquele que, vergonhosamente, está na cauda da literacia da União Europeia e, lá perto, no conjunto dos países da OCDE. Melhorou? Melhorou muito, mas não o suficiente para deixar de andar no fim do pelotão.
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Queixam-se as universidades que muitos alunos lhes chegam impreparados do secundário, não entendem as perguntas, não dominam a álgebra elementar, frequentemente não sabem aritmética. Perguntar-se-á porque os admitem e as universidades respondem que o fazem por uma questão de sobrevivência, porque ganham à peça. É lamentável mas não há outra justificação menos chocante.
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É esta indigência em que sobrevive o ensino em Portugal que justifica perguntas do tipo: "Quanto são dois mais cinco?" nas provas de aferição deste ano de alunos do sexto ano de escolaridade.
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O mais desastroso, contudo, é a  incapacidade notória dos serviços públicos e aparentados para as contas de somar. Ontem soube-se que entre o Banco de Portugal e o Ministério das Finanças há um desencontro total acerca da evolução recente do número de funcionários públicos e dos encargos com os salários que lhes são pagos. O Banco de Portugal afirma que tanto funcionários como salários aumentaram, o Ministério rejeita. Não sabem contar? Certamente que sabem. O que não sabem, provavelmente, é o que é um funcionário público e contam espécies diferentes. Porque não se entendem o Banco de Portugal, o INE e o Ministério das Finanças acerca de um conceito tão simples? Mistério.
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Outra dificuldade primária nas contas de somar reflete-se na contagem dos portugueses. Segundo referia há uns tempos atrás Luís Campos e Cunha, professor universitário, ex-Ministro das Finanças,a população portuguesa é superior aquela que as estatísiticas oficiais declaram. Se isto é verdade, todos os indicadores per capita deveriam ser revistos em baixa ou em alta os valores globais.
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Mas se a contagem de dez milhões e muitos (ou poucos?) indivíduos pode apresentar algumas dificuldades para um povo que aos doze anos talves não saiba quanto são dois mais cinco, já é mais intrigante que uma empresa pública, a OPART, que gere o Teatro Nacional de São Carlos, não saiba quantas entradas cobrou nos últimos anos. Os números declarados pelo ex-director artístico do São Carlos e os da senhora ministra que o demitiu têm evolução oposta: subiram, para o ex-director, desceram, para a ministra.
Não sabem  contar? Não sabem o que é uma entrada cobrada.
Nada que não se compreenda se aceitarmos a perspectiva de Gabriela Canavilhas: a cultura não é um assunto de números nem de gráficos.
Pois não. O incómodo surge quando se constata que é, irremedivelmente, também uma questão de dinheiro. E não foi ainda descoberto modo de lidar com ele sem o contar.

Wednesday, October 07, 2009

QUANTOS SOMOS?

"Dizem-me amigos, que estudaram a demografia, que Portugal tem mais de 11 milhões de habitantes e não apenas os tradicionais 10 milhões, discrepância explicada por os últimos censos serem particularmente maus". Campos e Cunha, Público de 2/10/2009.
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Afirmam amigos de Campos e Cunha, conhecedores da matéria, que entre a população portuguesa efectiva e a tradicional (uma designação pitoresca para um professor universitário de economia) haverá uma diferença de mais de 1 milhão de pessoas, qualquer coisa como 10%. Uma diferença enorme, sobretudo tendo em conta o débil crescimento demográfico observado em Portugal nas últimas décadas, segundo as estatísticas do INE.
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Os amigos de Campos e Cunha, contudo, exageram se confiarmos no que era reportado no Diário Digital de 26/8/2008: "A população portuguesa deverá ascender a 11.395.000 em 2035, um crescimento de 7,3% face aos 10.617.000 registados a 1 de Janeiro deste ano, indicam as projecções demográficas do Eurostat para 2008-2060 divulgadas esta terça-feira."
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De qualquer modo a dúvida subsiste: Afinal quantos somos? E a resposta mais acertada será, creio eu: ninguém sabe.
Mas que conclusões válidas podem ser retiradas da leitura de indicadores que se sustentam em valores errados? Neste caso, se a população portuguesa é superior em 5% à população considerada pelas instituições de estatística (a hipótese contrária parece estar fora de causa) o PIB per capita será realmente inferior em 5% aos valores oficiais, supondo correcto o valor calculado para o PIB. Em resumo: a correcção não melhorará a nossa imagem aparente.
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Mas é a todos os títulos lamentável que o erro possa ser tão grande, se os amigos de Campos Cunha tiverem alguma razão.

Thursday, May 28, 2009

CHOQUE DE CIVILIZAÇÕES

Ontem coloquei aqui um Youtube (Controlo da natalidade dá vitória ao islamismo no Ocidente) que, embora transmita uma perspectiva estreita das consequências da imigração maciça de povos islâmicos para a Europa, com especial referência aos turcos, e dos seus maiores índices de reprodução e crescimento relativamente aos europeus cristãos, com taxas de natalidade que não sustentam os níveis populacionais actuais, é motivador de um debate que só não deve ser amplificado porque pode ser perigoso.
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Não é difícil descortinar, por detrás dos números (certos ou exagerados, para o caso pouco importa) que o vídeo divulga, os sentimentos xenófobos mal disfarçados do autor ou autores. Sentimentos esses que são inequivocamente confirmados quando, subitamente, o guião esquece momentâneamente o crescimento do islamismo e refere a imigração de latinos para os EUA, maioritariamente cristãos. Aberta a discussão acerca da conquista pacífica do Ocidente pelo Islão facilmente se pega o rastilho ao confronto generalizado que pode pôr em chamas as sociedades multiétnicas de hoje, algumas das quais se construiram com base na multietnicidade (caso dos EUA * e do Canadá) ou fracturar irremediavelmente a construção europeia.
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Dito isto não se ignora que existem raízes de um conflito latente que Samuel P. Huntington prenuncia em The Clash of Civilizations, identificando-o, sobretudo, como um confronto entre religiões e, nomeadamente, entre as civilizações de raíz judaica-cristã e as obedientes aos versículos corânicos.
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Não creio, contudo, que a invasão e a proliferação islâmica possa vir a impor as regras retrógradas do fundamentalismo corânico nas sociedades de acolhimento ocidentais. Não creio que a uma maior participação dos islâmicos nas sociedades ocidentais conduza a um recuo dos valores que elevaram a cultura ocidental substituindo-os por práticas prosseguidas por fundamentalistas (quaisquer que sejam os credos a que obedecem) que provoquem o retorno a uma outra Idade Média.
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Mas não tenho por garantido que os pregoeiros xenófobos não possam conduzir o mundo a um conflito global sem vencedores.
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Monday, January 26, 2009

MALTHUS REVISITADO

Afirma João Miguel Vaz, em comentário a propósito do artigo Japan Works Hard to Help Immigrants Find Jobs, publicado no Washington Post, que citei aqui :
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Discordo em absoluto da noção: a falta de crescimento demográfico é um problema.
O planeta tem gente a mais, especialmente o Norte Ocidental e o Sudoeste Asiático. A pressão sobre os recursos torna-se sim um problema dramático. A procura do crescimento pelo crescimento, mais e mais bens materiais, até ficarmos inanimados por uma obesidade mórbida, e aborrecidos de morte tal é a abundância de tudo e mais alguma coisa. Já no Sul a escassez de recursos conduz à existência de má nutrição de grande parte da população.O problema das nossas sociedades (e do Japão) também é que deixamos de saber viver sem "crescimento económico" i.e. sem estarmos obcecados com "o ter".
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As the world population continues to grow geometrically, great pressure is being placed on arable land, water, energy, and biological resources to provide an adequate supply of food while maintaining the integrity of our ecosystem. According to the World Bank and the United Nations, from 1 to 2 billion humans are now malnourished, indicating a combination of insufficient food, low incomes, and inadequate distribution of food. This is the largest number of hungry humans ever recorded in history. In China about 80 million are now malnourished and hungry. Based on current rates of increase, the world population is projected to double from roughly 6 billion to more than 12 billion in less than 50 years (Pimentel et al., 1994). As the world population expands, the food problem will become increasingly severe, conceivably with the numbers of malnourished reaching 3 billion.