Saturday, October 05, 2013

DEMOCRACIA E FALTA DE VERGONHA

Em toda a parte há vícios e virtudes.  Em toda a parte há gente honesta e gente que é menos honesta ou visceralmente desonesta. A diferença de ocorrências entre sociedades mede, se fosse medido, a diferença de nível cívico colectivo entre elas. A falta de vergonha política, aquela que despudoradamente alguns agentes políticos exibem e o povo  com toda a naturalidade aceita ou até aplaude é muito improvável que aconteça em sociedades democraticamente conscientes mas é corrente em sociedades permissivas. Sílvio Berlusconi dificilmente seria admitido na Noruega ou na Áustria, por exemplo, apesar de nem um nem outro destes países estarem imunes ao aparecimento de indivíduos capazes das mais odiosas façanhas.

Entre nós, onde prepondera a pequena escala, não é provável a emergência de personagens com dimensões berlusconianas mas a frequência com que somos confrontados com provocantes situações de pública falta de vergonha coloca-nos numa evidente situação de menoridade cívica.

Espera-se que o actual ministro dos Negócios Estrangeiros seja sobressaltado por um reflexo de dignidade mínima e se envergonhe das situações indignas em que se envolveu renunciando a um cargo para o qual, manifestamente, nem está vocacionado nem isento de qualquer suspeita de negócios reprováveis.

3 comments:

Antonio Cristovao said...

o louco da madeira é um especimen que tirando a Espanha não conseguimos facilmente ver aceite pela UE fora.Falta de transparencia e de prestar contas é que dificilmente seriam aceites como em Portugal a pouca vergonha desde instituições publicas e corporações. Claro que de lamentar a passividade dos eleitores que o mais que fazem é ficar a ver a casa dos horrores em vez de irem votar. Mas a mafia já se precaveu disso na legislação acanos.

aix said...

...'Machete' não é um apelido muito vulgar...será, até, raro...pergunto-me com que lata este homenzinho enfrentará a vergonha das gerações que se lhe seguirem...

Fenix said...

É isso! Se não há moral ao menos que seja a vergonha a afastá-los, mas a vergonha desaparece quando a sede de poder e ambição impera.