Thursday, December 19, 2013

SANTOS PASSOS AGUIARES SEGUROS

Caro E.,
Recebida a tua remessa de ontem, tentou-me a disponibilidade do tempo que por aqui é de neve à volta, comentá-la.
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Sintetizando, opina Joaquim Aguiar* que as "Alternativas em busca de autor" **de Boaventura Sousa Santos "são todas de índole distributiva e orientadas para a cristalização das relações que estavam estabelecidas antes da emergência da crise" e que "nem uma só se destina a incentivar a produção ou a promover a competitividade".
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Aceite-se como acertada a crítica de Joaquim Aguiar mas não se vê, por mais que se esprema, qualquer valor acrescentado nela. O que Aguiar afirma, ouvimo-lo incessantemente repetido por todos os aguiares cá do sítio: é preciso promover a competitividade. "Crescimento e emprego" é, aliás, o slogan predilecto do senhor Seguro. Quem é que pode discordar deles, que dizem, afinal, o mesmo? Se o senhor Aguiar quer mais produção e competitividade e o senhor Seguro quer crescimento e emprego, os dois quererão o mesmo em tempo possível. Mas querer é uma coisa, poder é outra, e saber o que fazer é outra ainda, mas mais complicada. E eu desconfio que os Aguiares sabem tanto como os Seguros como é que se descalça a bota, isto é, não sabem.
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Neste final de ano parece estar a reacender-se uma luzinha tímida indiciadora de que o pior já terá passado. Admitamos que sim, que a retoma está aí, e que veio para ficar. Nesta quadra do ano em que se apregoa a mensagem da fraternidade universal, é bom que os indicadores de conjuntura não nos arrefeçam ainda mais as esperanças. Mas aguentar-se-á a luzinha e ganhará vigor ou mingua para se apagar no próximo ano? O OE 2014 é potencialmente recessivo e não vislumbro factores que permitam superar aquele efeito. Do lado das exportações, o potencial de crescimento deve estar nos limites. A saída da troica não vai, só por si, alterar os constrangimentos que submetem a economia portuguesa a um crescimento débil na melhor das hipóteses.
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E voltamos ao mesmo. As alternativas do governo do senhor Passos Coelho só se distinguem das alternativas do senhor Boaventura Sousa Santos nas pessoas que lhe têm ou teriam que suportar as consequências. Pelo que parece que enquanto os Aguiares não nos disserem como vamos aumentar a produção e a competitividade para se mandarem as alternativas dos senhores Passos&Santos às urtigas não vejo que os Seguros atinem com o crescimento e o emprego que nos prometem.
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*   JNegócios de 17/12
** Público de 14/12

2 comments:

Anonymous said...

A AUSTERIDADE ACABOU.SEGUE-SE A MISÉRIA

Antonio Cristovao said...

Post correcto.Mas temos que começar por algum lado e não há click da garrafa-abre e sai gaz. Tem sido esse deixa andar que já nos fez torrar 240 mil milhoes da UE/FMI e continuamos a ter um futuro negro para os jovens e agora até reformados.Em defesa dos direito adquiridos em frente marchar(quando chegarmos ao precipicio avisem e apaguem as luzes)