Wednesday, December 11, 2013

O FIM DOS CARTEIROS

A empresa pública de correios do Canadá anunciou hoje que dentro de cinco anos deixará de entregar a correspondência ao domicílio. A partir de 2019 a correspondência será colocada em apartados nos correios da área dos destinatários. Esta prática, já em vigor nos meios rurais e alguns subúrbios, será deste modo estendida a todo o país. - vd. aqui. 
 
Com esta política, a empresa, que, como já foi referido, é pública, e que no segundo trimestre deste ano perdeu 104 milhões de dólares canadenses, cerca de 71 milhões de euros, conta reduzir em entre 6000 e 8000 o número de funcionários. Por outro lado, vai encerrar estações de correios e substitui-las por agentes em centros comerciais e, deste modo, reduzir pessoal. Além destas medidas de redução de custos, a empresa vai aumentar as tarifas em 35% a partir de 31 de Março do próximo ano, tudo para que no fim de 2019 as contas estejam equilibradas.
 
Numa era dominada pela transmissão electrónica da informação é natural que a maior parte da correspondência que até há bem pouco tempo era remetida pelos correios esteja a ser, e cada vez mais, enviada e recebida através da internet. Por outro lado, as transacções de produtos através da internet estão aumentar crescentemente o transporte de volumes através dos correios.
 
As empresas, sobretudo as de média e grande dimensão, já hoje dispõem de apartados onde diariamente recolhem cartas e volumes. Mas para o cidadão comum, residente em grandes centros urbanos, o levantamento de correio no apartado mais próximo dele afigura-se uma obrigação absurda.
Muitos poderão ser avisados pelos remetentes através da internet do envio de correspondência e,  nesses casos, se deslocarem aos correios dentro de um prazo razoável. Mas, os outros?
 
Por outro lado, há correspondência que, geralmente, ninguém tem grande satisfação em receber: das Finanças, por exemplo. Ou da polícia. Um problema que, por agora, só deve preocupar os canadenses. De qualquer modo, seja qual for o sucesso da medida, há um insucesso que me parece evidente: acabar com os carteiros significará, mais cedo ou mais tarde, acabar com a correspondência por carta.
 
Será esta uma trajectória incontornável, e não só no Canadá?
Os novos senhores (quem serão eles?) dos recém semi-privatizados Correios de Portugal que nos dirão disto? Dirão qualquer coisa um dia destes, sem dúvida.

1 comment:

Antonio Cristovao said...

por vezes ficamos tristes com os comentarios dos "velhos do restelo" que anunciam desgraças sem fim se alguma coisa mudar do mundo que conhecem. Claro que as coisas têm que mudar e as pequenez do país e dos seus "pares" é que nos tem arrastado de defice em defice barafustado por "economeses" cheios de teorias. Narrativas!!