Sunday, January 18, 2015

NÃO HÁ MAS NEM MEIO MAS

Os media continuam a esgrimir razões à volta dos atentados de Paris há onze dias atrás. Uns, condenando em absoluto aqueles ataques terroristas, outros, condenando as ousadias excessivas dos caricaturistas do "Charlie" e a liberdade de imprensa que tolera a blasfémia, e outros ainda, provavelmente a maioria, mas uma maioria muito heterogénea, que condena o morticínio, mas logo acrescenta um mas a dar entrada às mais diversas atenuantes: Entre outras,  o respeito devido às convicções religiosas, o apogeu da cultura islâmica entre os séc. IX e XII, as atrocidades cometidas pelos cristãos durante séculos, com particular destaque para as cruzadas e, mais tarde, as abomináveis práticas da Inquisição, as infindáveis ignomínias praticadas em qualquer momento em toda a parte do mundo. 

Esquecem aqueles salomónicos, que cortam a sua verticalidade com uns mas bastante rombos, que a projecção global e a exaltação que o atentado ao "Charlie" motivou se deve ao facto de os tiros terem sido disparados contra a liberdade de espressão, um valor moral que no mundo ocidental ou ocidentalizado é nuclear da sua  cultura e que o mundo islâmico não despreza porque pretende destrui-lo. 

Alguém, de boa fé e minimamente informado, pode acreditar que os ataques terroristas cessariam com a abdicação da liberdade de imprensa às convicções religiosas islâmicas, ou de alguns grupos islâmicos que atacam o mundo ocidental por obediência à Sharia ou às suas interpretações e reinterpretações? 

É muito óbvio que não. As caricaturas do "Charlie" foram apenas um de um infindável número de pretextos invocados pelos fanáticos para matar.
E a cedência às exigências de silêncio no debate sobre o Islão seria o princípio da renúncia do valor primordial das democracias ocidentais.

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Correl. - "Meet the honor brigade, an organized campaign to silence debate on Islam" - Washington Post/Outlook - 18/1
 

1 comment:

Antonio Cristovao said...

Não cessariam claro. Os mortos em países de maioria islamicos foi em 2014 de 18 mil!