Thursday, November 07, 2013

A CRISE DOS MULTIMILIONÁRIOS

As consequências negativas da desigualdade social já foram muitas vezes demonstradas sem que essa evidência, por mais elaborados que sejam os critérios científicos que a suportam, tenha derrubado as convicções daqueles que defendem a  desigualdade como geradora do crescimento. Segundo estes pregadores da desigualdade, o "trickle-down" de dar mais dinheiro a quem mais tem será vantajoso para todos.
 
Aparentemente, as políticas de austeridade impostas pela troica e entusiasticamente abraçadas por este governo (tão entusiasticamente, que dispensou o partido do primeiro subscritor do contrato de participar na sua execução), deveriam ter aplainado os níveis de desigualdade que colocam Portugal nos lugares cimeiros do ranking da desigualdade entre os países mais desenvolvidos. E é muito provável que, sendo o funcionalismo público, os reformados e pensionistas, com rendimentos acima dos níveis de subsistência os alvos mais atingidos pelas medidas de austeridade, se tenha observado um esbatimento médio significativo da desigualdade nestes grupos sociais.
 
Contudo, e como seria de esperar pelo andamento da carruagem, a crise não só não atingiu a maior parte dos indivíduos com elevados rendimentos como lhes proporcionou oportunidades para aumentarem significativamente as suas fortunas. Como é que isso foi possível? Não sei.*
 
Mas sabe-se que há quem saiba. Sabe-se de quem recorrentemente apregoa que neste país de ressabiados ainda há quem, discreta e persistentemente, trabalha para que o país se reerga e pague a quem deve. De entre eles, segundo relatório do UBS, há  870 com fortunas superiores a 25 milhões de euros, mais 10,8% que no ano anterior [DN] Mais: as fortunas desta gente exemplarmente obreira subiram 11%, de 90 para 100 mil milhões de dólares.
 
A notícia não refere quantos são e quanto possuem aqueles que não atingindo um lugar no pódio multimilionário andam por lá perto. Serão muitos mais estes menos exemplarmente obreiros, mas tão capazes de escaparem às medidas de austeridade como os outros.

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Correl. - Portugal: dois países
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*"Quando nos interrogamos como é possível que as agências financeiras enriqueçam tanto, parte da resposta é simples: ajudaram a redigir uma série de regras que as beneficiam, mesmo nas crises que ajudam a criar"- Joseph Stiglitz / O Preço da Desigualdade
 

1 comment:

Antonio Cristovao said...

Os submarinos e a sua estoria ajuda tambem a perceber porque as "regras2 são sempre esculpidas para que os bem instalados não sejam nunca incomodados com miudezas.Claro que os eleitores dão um grande contributo.