Wednesday, November 27, 2013

A CULPA DA LUPA

 
Indignam-se ou rebolam-se de gozo os cidadãos, conforme as circunstâncias, com a incapacidade dos agentes da justiça para julgarem as grandes golpadas. O BPN, acrónimo mal disfarçado durante muito tempo de Bando Português de Negociatas, é apenas o exemplar mais flagrante e retumbante daquela, venha o diabo e escolha, incompetência, complacência ou conivência implícita. Mas se o rol de escândalos publicamente conhecidos é longo, o número de condenados é uma lista quase vazia.
 
Já em matéria de repressão de roubos de um punhado de euros a eficiência dos agentes da justiça em Portugal pede meças às mais admiradas polícias do mundo. Ontem foi notícia o julgamento, por um colectivo de três juízes, de um jovem de 16 anos, por alegadamente ter forçado um distribuidor de pizzas a entregar-lhe a encomenda sem pagar a conta de 31,50 euros. Hoje, - vd. aqui - o Ministério Público pediu a condenação do jovem, que negou a acusação e denunciou a forma canhestra como foi identificado pelo distribuidor, ajuntando o eficiente procurador que "vivemos num país civilizado e este tipo de brincadeiras não se pode aceitar".
 
Para explicar esta muito notória disparidade de sucessos da justiça portuguesa na não aceitação de pequenas brincadeiras, para utilizar a terminologia do diligente procurador, e consentir o regabofe das
grandessíssimas, têm sido avançadas várias hipóteses mas nenhuma suficientemente concludente sem ferir os brios ou a honestidade dos agentes da justiça.
 
A mim, ocorre-me uma, que presumo inédita e satisfatória: constrangidos por razões orçamentais a recorrer à velha lupa, a justiça vê o que pode ver com ela. Só coisas pequenas, e quanto mais pequenas maior a satisfação íntima de ter descoberto um rato.  
 
 

1 comment:

Antonio Cristovao said...

Já no tempo dos reis quando vinham as tropas do Intendente do conde ou duque o unico recurso das populações era enterrrarem as colheitas até que os sangussugas se fossem embora.
Agora os espertos descobriram os bancos onde não se torna pratico esconder os bens(os nossos claro)