Saturday, April 05, 2014

GRANDES GOZOS

Por exemplos, estes:

Descobriu o "Diário de Notícias" que - vd. aqui - "o ex-procurador-geral da República Pinto Monteiro recebeu directamente do Estado 40 mil euros quando, em Outubro de 2012, cessou funções, montante respeitante a férias vencidas a 1 de Janeiro do ano da cessação (2012 e anteriores) e não gozadas, bem como à remuneração das férias adquiridas pelo tempo de trabalho prestado no ano da cessação". Descobriu ainda que "também o antigo chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, Luís Araújo, encaixou cerca de 30 mil euros ilíquidos por férias não gozadas em 2012 e 2013, a que acresceram os dias adquiridos pela via de uma licença de mérito."

Lê-se isto, e fica-se com, pelo menos, uma dúvida: São regras da justiça e da defesa, e toda a gente goza dos mesmos gozos, ou reservadas aos comandos máximos das instituições que não lhes deram gozo em devido tempo?

A propósito de gozos na justiça e defesa, o mesmo DN tinha já descoberto esta semana que, segundo o Tribunal de Contas - vd. aqui -, "a secretária de Estado da Defesa, Berta Cabral, recebeu ilegalmente 19250 euros em senhas de presença enquanto presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada" e que "18 autarcas de cinco municípios da ilha de São Miguel que receberam quase 400 mil euros ilegalmente nestas senhas de presença."

Friday, April 04, 2014

O JOGO DA CABRA CEGA

O jogo da cabra cega continua animada com os foliões do costume.

 Ontem, o presidente da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários CMVM reconheceu - vd.  aqui - que "existe a possibilidade de prescrição total do processo contra-ordenacional contra antigos administradores do BCP, criticando os esforços da defesa para arrastar o processo", e que "desde o início que o objectivo da defesa foi anular o processo, e não fazer a defesa dos arguidos sobre os factos que lhes são imputados"

Um espectáculo deplorável, de completa falta de vergonha, a que somos obrigados, os que pagam impostos e não pagam a advogados, a assistir e a pagar com língua de palmo. Quase três anos de intervenção da troica que prometia, entre outras promessas, colocar nos eixos uma justiça burlada.



Thursday, April 03, 2014

O PODER DA PALAVRA DE DRAGHI

Quando Draghi afirmou em Julho de 2012 que "faria tudo para defender o euro, e que, acreditassem, isso seria suficiente", provocou o início do recuo da galopada dos juros implícitos das dívidas soberanas dos países mais fragilizados nos mercados secundários. Hoje, disse que a compra de dívida pública e privada, conhecida como "quantitative easing" (programa de expansão monetária), tinha sido discutida na reunião do Conselho de Governadores, existindo unanimidade em torno da necessidade de utilizar mais medidas não convencionais tendo como objectivo lidar com um longo período de inflação baixa, ou, dito de outro modo, evitar a deflação na zona euro. E a confirmação da tendência de queda dos juros manifestou-se imediatamente.

Nada de imprevisível. Sabe-se que os países financeiramente mais fragilizados pagaram com língua de palmo o preço da ausência de um banco central na zona euro com capacidade para eventualmente intervir como financiador de último recurso. E foram os efeitos perversos de uma política monetária manifestamente desagregadora da União, que fustigou os mais débeis e favoreceu os mais ricos - a Alemanha, entretanto, financiou-se a taxas negativas com capitais refugiados em consequência daquela política -, ameaçando a implosão da zona euro há dois anos atrás e, agora, a uma crise deflacionista na União Europeia, que permitiram a Draghi ganhar espaço de manobra junto dos guardiões do Bunbesbank. 

Gavyn Davies, multimilionário (ex-Goldman Sachs, ex-BBC, entre outras posições confortáveis) comentou há duas horas atrás, no FT, como habitualmente, as declarações de Draghi. "ECB adresses the lower bound" vale bem uma leitura atenta. Vindo de quem vem, a opinião de G Davies poderá soar suspeita aos ouvidos de alguns. Mas é difícil não concordar com as suas afirmações finais: "Subsistem ainda muitos riscos... E o QE poderá não funcionar  em algumas situações... No entanto, o BCE atravessou um outro Ribicão. É difícil imaginar Jean-Caude Trichet a proferir as palavras que o sr. Draghi disse hoje."

Discute-se muito se no próximo mês Portugal optará por uma saída de cabeça ao léu ou com chapéu de chuva, mas é uma conversa de impotentes porque os factores decisivos são dominados a partir de Berlim. 
E Frankfurt, segundo parece agora. 

LOUCURA BASCA

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"Pedro Armestre ha obtenido el premio a la mejor fotografía por una imagen tomada durante la fiesta de San Fermín de 2013 en Pamplona -  El País"

MÃE E FILHO

Para quem gosta de cinema, e já esteja saturado das doses maciças que chegam à Europa de estereótipos cinematográficos de Hollywood e arredores, as oportunidades para ver outras artes são raras mas aparecem de vez em quando. Lamentavelmente, no campo da cinematografia a Europa não só não se afirma culturalmente perante o colosso norte-americano como perdeu grande parte da importância que atingiu no passado. Curiosamente, algumas alternativas à intensiva presença norte-americana surgem de origens, aparentemente, menos esperáveis. Do Irão,por exemplo.

Este é romeno, está em exibição no Monumental, e recomenda-se vivamente. 

Wednesday, April 02, 2014

INCOMPETÊNCIA E INSTINTO CORPORATIVO

Da extensa entrevista dada por Barroso ao Expresso e à Sic notícias, são as declarações do ainda presidente da Comissão Europeia, já depois da entrevista formal, acerca de três reuniões com Vítor Constâncio, que estão a reactivar as discussões sobre as responsabilidades do ex-governador do BP no maior escândalo financeiro de sempre colocado às costas dos contribuintes portugueses. 

Barroso - Foi pena não me ter perguntado mais nada sobre o BPN.
Expresso - A entrevista não era sobre isso.
Barroso - Pois é, mas eu quando era primeiro-ministro chamei três vezes o Vítor Constâncio a São    Bento para saber se aquilo que se dizia sobre o BPN era verdade. 
Expresso - É mesmo verdade que tem tudo registado? Que todos os dias, às 6h,30, escreve as suas notas sobre o que se passou na véspera?
Barroso - Mais ou menos.

Reagindo a estas declarações de Barroso, Constâncio afirma que não se lembra de ser chamado para falar apenas do BPN. Uma desculpa de mau governador que, pelos vistos, não tomava nota sequer  das reuniões com o primeiro-ministro. Aliás, Constâncio admitiu na comissão de inquérito parlamentar a possibilidade de se ter distraído no caso BPN. Hoje é notícia que cinco ex-responsáveis do Banco de Portugal defendem Constâncio: Silva Lopes, Beleza, Artur Santos Silva, Rui Vilar e Teodora Cardoso, alegando que  "a supervisão bancária não é um sistema de investigação e crimes. É irrealista a imagem criada de um supervisor que pudesse acompanhar e tempo real os milhões de operações que ocorrem a cada instante no sistema financeiro".

Esta é boa!
Alguma vez as normas de auditoria se sustentaram na análise exaustiva e real de todas as operações realizadas numa empresa, seja ela qual for? Era assim tão difícil ao BP escrutinar, por exemplo, o tipo de operações  de risco com juro (elevado) e capital garantido com que o BPN (e o BPP) camuflava aquilo que denominava depósitos à ordem? Bastava entrar numa qualquer dependência do banco e perguntar pelas condições oferecidas. 


Tuesday, April 01, 2014

TODAS AS DÍVIDAS SERÃO PERDOADAS*

Mateus 18,21-35

21. Então Pedro se aproximou dele e disse: Senhor, quantas vezes devo perdoar a meu irmão, quando ele pecar contra mim? Até sete vezes?
22. Respondeu Jesus: Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete.
23. Por isso, o Reino dos céus é comparado a um rei que quis ajustar contas com seus servos.
24. Quando começou a ajustá-las, trouxeram-lhe um que lhe devia dez mil talentos.
25. Como ele não tinha com que pagar, seu senhor ordenou que fosse vendido, ele, sua mulher, seus filhos e todos os seus bens para pagar a dívida.
26. Este servo, então, prostrou-se por terra diante dele e suplicava-lhe: Dá-me um prazo, e eu te pagarei tudo!
27. Cheio de compaixão, o senhor o deixou ir embora e perdoou-lhe a dívida.
28. Apenas saiu dali, encontrou um de seus companheiros de serviço que lhe devia cem denários. Agarrou-o na garganta e quase o estrangulou, dizendo: Paga o que me deves!
29. O outro caiu-lhe aos pés e pediu-lhe: Dá-me um prazo e eu te pagarei!
30. Mas, sem nada querer ouvir, este homem o fez lançar na prisão, até que tivesse pago sua dívida.
31. Vendo isto, os outros servos, profundamente tristes, vieram contar a seu senhor o que se tinha passado.
32. Então o senhor o chamou e lhe disse: Servo mau, eu te perdoei toda a dívida porque me suplicaste.
33. Não devias também tu compadecer-te de teu companheiro de serviço, como eu tive piedade de ti?
34. E o senhor, encolerizado, entregou-o aos algozes, até que pagasse toda a sua dívida.
35. Assim vos tratará meu Pai celeste, se cada um de vós não perdoar a seu irmão, de todo seu coração.


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*Colocado aqui

Monday, March 31, 2014

IMPOSTOS E IMPOSTORES

Confrontado com a derrocada nas eleições municipais Monsieur Hollande substitui o primeiro-ministro e promete baixar os impostos. É da praxe: a redução dos impostos é a promessa mais comum dos políticos candidatos e também a mais frequentemente invertida. Hollande, perante o desaire do seu governo nas eleições municipais tenta recuperar terreno nas eleições europeias 25 de Maio, e recorre à receita tradicional*. 

Em Portugal, não tem o incumbente margem para reusar as afirmações e as promessas que o levaram ao lugar que ocupa, valendo-lhe, na circunstância, a ambiguidade manhosa do candidato, que se, por um lado, não convence a maioria desiludida, por outro, mantém animadas as fileiras de indefectíveis. Ainda assim, durante o período eleitoral, os impostos não deixarão de fazer parte dos molhes de promessas fequentemente a inverter e raramente a cumprir.

Não por acaso, impostos e impostores têm antepassados semânticos comuns. 

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* A receita é sempre a mesma
* Sempre
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Correl.
- Carga fiscal atinge os valores mais elevados dos últimos 40 anos
- Bancos já custaram 4735 milhões aos contribuintes portugueses. Mas vão custar muito mais.
- François Hollande pleads for more time on deficits

Sunday, March 30, 2014

REFORMA DO ESTADO JÁ TEM MODELO APROVADO

clicar para ver melhor

"A prometida reestruturação do Estado foi ontem aprovada e apresentada pelo Governo. Dezenas de organismos deverão desaparecer por extinção ou fusão. Ministério a Ministério saiba quais são as mudanças previstas para os organismos públicos." - Público - 31 de Março de 2006

Saturday, March 29, 2014

SÃO OS JUROS, ESTÚPIDOS!

Ontem, a queda dos juros da dívida pública a 10 anos, situando-se pela primeira vez abaixo de 4% desde 2010 foi motivo de generalizado regozijo do lado do governo e algum mal disfarçado desconforto do lado da oposição. Se as situações partidárias fossem inversas o mais provável é que se invertessem também os sentimentos. Obviamente, da regra excluem-se os partidos que não são candidatos a governar.

Em todo o caso, e isto tem sido referido pelas oposições, registe-se que a evolução em baixa das taxas de juro da dívida pública tem muito mais a ver com as intenções anunciadas por Draghi - vd. aqui - em Julho de 2012, e pelo esboço, conhecido recentemente, de uma união bancária, do que pela redução objectiva do risco do país: depois de três anos de intervenção da troica, o sistema bancário permance imponderável e a dívida não tem parado de crescer, sobretudo pela inclusão da que permanecia escondida por desorçamentação ou pelas regras esconsas da Comissão Europeia que consentiram, e até incentivaram o descalabro em Portugal, e não só.

A redução da despesa pública, eleita como objectivo primordial do programa de ajustamento, praticamente resumiu-se durante o directório da troica à redução de salários na função pública e aos cortes de pensões, que atingem níveis confiscatórios, e atingem até os planos privados de pensões, comprometendo irremediavelmente um sistema suportado tripartidamente, repetidamente defendido pelos partidos que costumam governar. Reforma do Estado, propriamente dita, que se visse, não houve. Repetem ad nauseam os dedicados defensores deste governo que "representando as despesas com pessoal e pensões cerca de 96% da despesa pública, a redução desta passa, inevitavelmente, pela redução daqueles". É mentira!

Uma parte muito significativa da despesa pública são juros. Juros que subiram desabrida e inopinadamente e deixaram este e outros países fora de pé depois de anos e anos de laxismo público, ganância bancária e conivência partidária. Por que aconteceu isto, assim tão abruptamente como um tsunami? Mas, perguntam em resposta os defensores os guardiões do templo, se não pagássemos os juros quem os deveria pagar? Os contribuintes alemães, holandeses, austríacos, etc. Não!, e eles sabem que não!

Os portugueses, não todos os portugeses mas a esmagadora maioria dos portugueses, foram vítimas dos seus próprios erros mas também dos propósitos, de quem podia ter evitado a calamidade mas insistiu na receita com o objectivo primeiro de salvar o sistema bancário e, primordialmente, os seus (deles, alemães, franceses, holandeses, etc.) bancos. Resultado: aquilo que poderia ter sido minorado até com um tímido anúncio - o anúncio tardio de Draghi em Julho de 2012 -, o crescimento imparável da dívida e a adopção de medidas draconianas de austeridade, acabou por ser um dos principais fautores do empobrecimento, material e humano, dos países atingidos.

É a tendência da baixa dos juros motivo de regozijo? Magro regozijo, porque os juros continuam insuportáveis se rejeitarmos a ideia de promessa de uma crise para os próximos vinte anos. Os juros não baixam porque baixou o risco do país mas porque se elevou a confiança dos credores na intervenção, não claramente declarada, da eventual intervenção do BCE. Apesar de todas as evidências, prossegue a injecção lenta de medidas absurdas até ao osso, porque permanece dúbia a capacidade do BCE para garantir a sobrevivência da configuração actual da União Europeia. Medidas absurdas, porque apesar das melhoras aparentes, nem a dívida pública é dominável nem o sistema bancário está firme. Nem cá nem lá.
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Em Outubro de 2012 anotei aqui um apontamento com o mesmo título, e voltei aqui ao assunto e ao título seis meses depois, em Março do ano passado.

Friday, March 28, 2014

O JOGO DA CABRA CEGA

A cabra-cega quando quer consegue apanhar alguém. Desta vez apanhou um padeiro acusado de ter roubado 70 cêntimos ao patrão. Provado o crime em tribunal, o juiz condenou o ladrão a uma multa de 315 euros. "Mas o caso ainda não acabou: segue agora para a Relação porque o padeiro garante estar inocente. Apesar da queixa e da condenação, o padeiro continua a trabalhar para o mesmo patrão, que, ao JN, disse ter um bom funcionário, a quem continua a confiar as chaves de casa."

A história parece mal contada. 
Os tribunais aceitam julgar acusações de roubo de 70 cêntimos?
Um patrão, que tanto estima o padeiro (não o despediu) e que continua a confiar nele (as chaves da casa) recorre a tribunal por tão pouco?
Como é que se prova em tribunal um roubo de uma quantia tão irrisória?

A grande diferença entre este caso e muitos outros em que estão em causa pequenos furtos (de supermercados, por exemplo) está no facto de acusador e acusado existir uma relação de confiança que não pode, credivelmente, ter sido posta em causa por 70 cêntimos.  
Estarão apostados, patrão e o padeiro, conjuntamente, e por mútuo acordo, em ridicularizar a justiça?
Se estão, chegaram tarde, e o jogo da cabra-cega continua.

 


Thursday, March 27, 2014

INIMIGOS, INIMIGOS, NEGÓCIOS À PARTE

Um artigo publicado no Financial Times de hoje - Leading Briton´s business links with Russians under spotlight - e uma notícia publicada no Negócios online - Merkel recusa mais sanções sobre a Rússia - são muito esclarecedores de que a reconquista russa da Crimeia é irreversível, e que o reconhecimento internacional desse facto é agora uma questão de tempo. Mais do que as intenções dos EUA para conter as ambições de Putin de recuperação do terreno perdido após o desmoronamento do muro de Berlim, estão a prevalecer os interesses económicos cruzados entre russos e europeus, nomeadamente britânicos e alemães. O gás que Obama prometeu ontem em Bruxelas não se equipara aos interesses envolvidos em outros múltiplos negócios.

Por um lado, são boas notícias, ainda que as razões possam não ser consideradas as mais louváveis. Se à carga de fissuras apresentadas pelas estruturas da pouca união europeia se juntasse agora um confronto bélico, ainda que localizado, a leste, o esconso edifício europeu desmoronar-se-ia de vez por uma razão historicamente errada: a população da Crimeia é hoje maioritariamente de origem russa e a evolução recente da União Europeia não lhe cativou o interesse em aderir a uma outra união imponderável.

Por outro lado, e essa é, supostamente, a questão que Merkel mais pretende ver resolvida pela via diplomática, as ambições de Putin, muito provavelmente, não se limitam à reintegração da Crimeia no império dos czares porque se alargam a todo o espaço perdido a partir de 1989. A ameaça do abraço de Putin está esboçada desde o momento em que o ex-coronel do KGB tomou conta das rédeas do governo da Federação Russa. Ambições essas que as contradições internas da União Europeia favorecem e que só as conveniências dos negócios poderão travar.   

Wednesday, March 26, 2014

A LESTE LEVANTAM-SE OS FANTASMAS DE NOVO

Obama garante aos europeu todo o gás que necessitam de modo a poderem dispensar os fornecimentos russos Na Ucrânia o preço do gás vai subir 50% para os consumidores privados por imposição do FMI como contrapartida de um plano de assistência de 15 a 20 mil milhões de dólares. A Alemanha pondera expulsar imigrantes europeus sem trabalho há seis meses. Em França, a extrema direita, afirma-se nas eleições municipais depois de ter ascendido a posição cimeira a nível nacional. Na Ucrânia confrontam-se as bandeiras do nazismo, desfraldadas pelos seguidores de uma parte significativa dos membros do governo de Kiev, e as do comunismo, apoiantes de Putin. Entre uns e outros tropeça a democracia europeia. No meio de uma desorientação geral, que se manifesta em múltiplos sintomas de fractura, assomam uma vez mais os EUA a colocar alguma ordem na velha casa. 

Valha-nos, desta vez, pelo menos a nossa perificidade a oeste. Se os EUA vão passar a abastecer de gás a Europa, talvez venham a reparar que a ponta mais ocidental do Velho Continente é o Cabo da Roca.
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Correl. - Leading Briton´s business links with Russians under spotlight
Merkel recusa mais sanções sobre a Rússia
Uma nova República de Veneza independente de Itália
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5/04 -Milhares de pessoas arriscaram a vida para poderem levar com uma perda de território, uma súbida brutal do preço do gás e a redução dos rendimentos disponíveis. Irónico.
Jan Wolf em Empréstimos à Ucrânia dependem de austeridade "impopular e dura"
aqui

Tuesday, March 25, 2014

EM VEZ DE

Argumenta recorrentemente este governo, aqueles que o suportam e os que o admiram, que não há alternativas à redução da despesa que não passem pela redução dos salários da função publica e pelo  confisco das reformas através da "Contribuição extraordinária da solidariedade social". O Partido Socialista ouve e cala-se, arriscando manhosamente pôr em causa apenas a extensão da CES a níveis de pensões mais baixos. E nem a extensão daquele confisco aos fundos complementares de pensões, onde não há qualquer intervenção, nem responsabilidade, nem risco, do Estado, estremece minimamente o sentido de justiça do governo que prepotentemente decide e das oposições que olham impassíveis para o desaforo. Uma muito elucidativa análise da natureza confiscatória da CES e uma proposta alternativa apresentada pelo Prof. Jorge Miranda no dia 12 deste mês no Público* foram ignoradas sobranceiramente pelo poder e seus suportes e coniventemente pelas oposições que lhe criticam as políticas mas não arriscam defender alternativas. Entre uns e outros, resta-nos no momento próprio a abstenção como protesto.

Percebe-se, considerando as baias ideológicas que lhe riscam o rumo, que do lado do governo haja contra esta proposta de Jorge Miranda uma reacção negativa, suportada numa mentira institucionalizada e numa conivência corporativa: numa mentira, porque continua a querer considerar como despesa pública ( e a proposta de J Miranda aponta para uma alternativa de receita) as prestações sociais pagas com as contribuições sociais do sector privado e, logro dos logros!, como corte de despesa pública a CES sobre fundos privados; numa conivência corporativa, porque uma contribuição solidária de moblidade nos termos propostos por Jorge Miranda, socialmente menos injusta e muito meritória do ponto de vista ecológico e do equilíbrio da balança de transacções correntes, toparia com os interesses dos representantes das marcas, importadores e vendedores de automóveis.  

Num país onde a mentira tem curso forçado e os interesses corporativos sobrelevam os interesses públicos, Jorge Miranda terá prégado para o deserto. 
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Correl. - Teodora Cardoso propõe taxar imposto sobre levantamentos de contas bancárias
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Em vez da “Contribuição extraordinária de solidariedade” uma “Contribuição solidária de mobilidade”
Por JORGE MIRANDA*  PÚBLICO - 12/03/2014 - 01:52
Uma alternativa, entre outras, consistiria em criar uma “contribuição solidária de mobilidade” que abrangeria muito mais pessoas: as que têm automóvel.
1. Em nome do interesse público e da sustentabilidade da segurança social, a lei orçamental para 201instituiu, em certos termos e com taxa progressiva, uma “contribuição extraordinária de solidariedade” a pagar pelos aposentados, reformados e pensionistas.

Chamado a apreciá-la, o Tribunal Constitucional, por maioria, decidiu que as respectivas normas não se achavam feridas de inconstitucionalidade (n.ºs 69 e segs.), por, designadamente, a sujeição dos pensionistas a uma contribuição para o financiamento do sistema de segurança social, de modo a diminuir a necessidade de afectação de verbas públicas, no quadro de distintas medidas articuladas de consolidação orçamental (que incluíam também aumentos fiscais e outros cortes de despesas públicas), se apoiar numa racionalidade coerente com uma estratégia de atuação cuja definição cabia ainda dentro da margem de livre conformação política do legislador.

A incidência de um tributo parafiscal sobre o universo de pensionistas como meio de reduzir excecional e temporariamente a despesa no pagamento de pensões e obter um financiamento suplementar do sistema de segurança social seria uma medida adequada aos fins que o legislador se tinha proposto realizar.

Acrescia que, em termos práticos, ela corresponderia, em grande parte, a uma extensão da medida de redução salarial já aplicada aos trabalhadores do sector público em 2011 e 2012, e fora mantida em 2013, a qual no acórdão n.º 396/2011 também se havia considerado não ser desproporcionada ou excessiva.

2. 
Salvo o devido respeito, afiguram-se, contudo, bem mais convincentes os argumentos aduzidos pelos juízes que votaram vencidos (desde logo quanto à natureza de imposto dessa contribuição financeira) muito mais que o discurso argumentativo do acórdão.

Assim, o Conselheiro Pedro Machete, ao falar na quebra de conexão entre a contribuição e o benefício; o Conselheiro Cunha Barbosa, ao aludir a imprevisibilidade e a irracionalidade da medida; a Conselheira Catarina Sarmento e Castro, ao qualificá-la, por recair sobre uma espécie de contribuintes, como um imposto de classe;a Conselheira Maria José Rangel de Mesquita, ao salientar a violação do direito à segurança económica dos idosos consignado no art. 72.º da Constituição; e o Conselheiro Fernando Vaz Ventura, ao apontar a infracção do princípio da igualdade.

De resto, o próprio Tribunal reconheceria (n.º 79) “que as pessoas na situação de reforma ou aposentação, tendo chegado ao termo da sua vida activa e obtido o direito ao pagamento de uma pensão calculada de acordo com as quotizações que deduziram para o sistema de segurança social, têm expectativas legítimas na continuidade do quadro legislativo e na manutenção da posição jurídica de que são titulares, não lhes sendo sequer exigível que tivessem feito planos de vida alternativos em relação a um possível desenvolvimento da atuação dos poderes públicos suscetível de se repercutir na sua esfera jurídica”.

E, na verdade, são aqui sujeitos passivos os aposentados, reformados e pensionistas, com o peso da idade, tantas vezes com o peso da doença e, em não raros casos, na grave situação social que se vive, a terem ainda de ajudar os filhos desempregados ou portadores de deficiência. Mesmo admitindo – sem conceder – que não se trata de verdadeiro e próprio imposto (logo
,inconstitucional, por ofender a regra da unicidade do imposto sobre o rendimento pessoal do art. 104.º, nº 1, 1.ª parte, da Constituição), atinge-se o princípio de que as contribuições financeiras em favor das entidades públicas devem ter em conta as necessidades do agregado familiar (os arts. 67.º, n.º 2, alínea f), e 104.º, n.º 1, 2.ª parte não podem circunscrever-se aos impostos stricto sensu).

Além disso, 
é sobretudo afectada a geração dos que sofreram, na juventude, a ditadura e as guerras, dos que conseguiram construir a democracia entre 1974 e 1976 e dos que, nas décadas seguintes, pelo seu trabalho, fizeram do Portugal de hoje um país melhor, em todos os planos, do que o Portugal de há quarenta anos. Aqueles que agora ocupam o poder nos partidos do chamado arco da governação receberam esse legado sem para ele pouco ou nada terem contribuído.

3. Por sinal, no acórdão nº 862/2013, de 19 de Dezembro, sobre a “convergência de pensões” entre o sector público e o sector privado (e esse votado por unanimidade) o Tribunal Constitucional definiu em rigor o princípio de protecção da confiança (n.º 27).

“A protecção da confiança é uma norma com natureza principiológica que deflui de um dos elementos materiais justificadores e imanentes do Estado de Direito: 
a segurança jurídica dedutível do art. 2.º da Constituição. Enquanto associado e mediatizado pela segurança jurídica, o princípio da protecção da confiança prende-se com a dimensão subjectiva da segurança – o da protecção da confiança dos particulares na estabilidade, continuidade, permanência e regularidade das situações e relações jurídicas vigentes.
“A metodologia a seguir na aplicação deste critério implica sempre uma ponderação de interesses contrapostos: de um lado, as expectativas dos particulares na continuidade do quadro legislativo vigente; do outro, as razões de interesse público que justificam a não continuidade das soluções legislativas. Os particulares têm interesse na estabilidade da ordem jurídica e das situações jurídicas constituídas, a fim de organizarem os seus planos de vida e de evitar o mais possível a frustração das suas expectativas fundadas; mas a esse interesse contrapõe-se o interesse público na transformação da ordem jurídica e na sua adaptação às novas ideias de ordenação social designadamente com base nos princípios da sustentabilidade e da justiça intergeracional [arts. 9.º, alínea d), 66.º, n.
os 1 e 2, 81.º, alínea a) e 101.º da Constituição]. (…)”.Não foi um adequado exercício de ponderação aquele que fez o Tribunal em Abril, ao sacrificar as legítimas expectativas e a reserva de confiança dos aposentados, reformados e pensionistas.

4. Quanto à sustentabilidade do sistema de segurança social, não se nega a existência de problemas. Só que importa não esquecer:

a) Que 
a segurança social está concebida para proteger os cidadãos na velhice (art. 63.º, n.º 3 da Constituição), e não para serem os idosos a sustentá-la;

b) Que os aposentados já contribuíram para ela quer através dos descontos legalmente estabelecidos quer através de impostos que pagaram e que serviram para assegurar as pensões dos seus ascendentes;

c) Que 
não são medidas avulsas e conjunturais que resolvem o problema, mas sim, como consta ainda do acórdão n.º 862/2013, soluções referenciadas à unidade do sistema e não apenas a uma das suas parcelas (n.º 42);

d) Que 
a sustentabilidade, a prazo, do sistema – e até do país – passa, além do crescimento económico e da mudança do clima psicológico, por uma política de natalidade, com benefícios fiscais às famílias com mais de um filho, com a organização do trabalho de modo a permitir a conciliação da actividade profissional e da vida familiar [arts. 59.º, nº 1, alínea b) e 67.º, n.º 2, alínea h) da Constituição], uma rede nacional de creches e outras formas de apoio social à família [art. 67.º, n.º 2, alínea b)] e o fim da gratuitidade do aborto realizado em serviços públicos a pedido da mulher.

A sustentabilidade e, em última análise, a solidariedade entre gerações implica a consideração de uma cadeia de gerações, passadas, presentes e futuras. Implica um contrato entre elas, avalizado pelo Estado e pelas instituições da sociedade civil. 
Exige um sentido de responsabilidade por todos assumido. E um Estado de Direito democrático não pode deixar de ser um Estado de Justiça.

5. Tão pouco se ignora a necessidade, neste momento, de receitas do Estado para cobrir o défice orçamental e para levar a cabo acções de impulso ao crescimento económico.

No entanto, ao contrário do que o Tribunal afirmou no acórdão n.º 187/2013, vislumbram-se alternativas.


Uma alternativa, entre outras, consistiria em criar, em vez de “contribuição extraordinária de solidariedade” (que apenas abrange os aposentados, reformados e pensionistas), uma “contribuição solidária de mobilidade” que abrangeria muito mais pessoas: as que têm automóvel. E que poderia traduzir-se em acrescentar ao actual imposto de circulação um montante, por exemplo, entre 50 e 100 euros por automóvel, tendo em conta a cilindrada e a antiguidade da viatura.

Deve haver em Portugal três, quatro, cinco milhões de automóveis. Não se vai a nenhuma cidade, vila ou aldeia que deles não esteja repleta. E, a despeito da crise, tem aumentado, nos últimos meses, o número de carros vendidos. Estrangeiros que visitam Portugal, principalmente dos países nórdicos, mais ricos do que nós, ficam admirados com a massa de automóveis que vêem nas ruas. Ao mesmo tempo, tem vindo a diminuir a utilização dos transportes públicos; e não é somente por as pessoas ficarem em casa ou andarem mais a pé.

Quase toda a gente reconhece o erro que foi investir em mais e mais auto-estradas, em vez de se renovar e ampliar a rede ferroviária. Mesmo assim, os comboios entre Porto e Lisboa (ou entre Braga e Faro) e os suburbanos funcionam satisfatoriamente e são excelentes os metropolitanos de Lisboa e do Porto. Assim como se afigura razoável a rede de autocarros e de camionagem. Mais pessoas a irem em transporte público para o emprego auxiliaria a diminuir o défice das empresas do Estado e dos municípios e, com isso, a diminuir os encargos dos contribuintes.

O produto desta “contribuição solidária de mobilidade” poderia, por conseguinte, compensar, talvez de longe o produto da dita “contribuição extraordinária de solidariedade”; e com mais justiça entre os cidadãos e mais eficiência económico-financeira.

Por que não encarar seriamente a hipótese? E 
por que insistir em manter e agravar o tratamento tributário dos aposentados, reformados e pensionistas, como, segundo parece, a que, nos próximos dias, se vai proceder?

* Professor catedrático da Universidade de Lisboa e da Universidade Católica Portuguesa,Constitucionalista

Monday, March 24, 2014

ESPÍRITO SANTO APANHADO FORA DE CASA

O BES foi multado em mais de um milhão de euros por infracções "muito graves" em Espanha  e muito dificilmente conseguirá o que conseguem os plutocratas portugueses na sua terra. O perdão de um milhão, por prescrição, ao senhor Jardim Gonçalves é apenas o exemplo mais recente da impunidade de que gozam os mais abastados.

Olhando para trás, quantos banqueiros portugueses, que há alguns anos atrás rodavam girândolas de fogo de artifício, se apresentam hoje escorreitos e limpos da lama que eles entusiasmadamente amassaram naqueles tempos de foguetório? Um ou dois, se tanto.

Há oito anos, escrevi isto.

"Como é que todos os Bancos são altamente rentáveis, porque é que todos os Bancos são superiormente dirigidos, porque é que todos eles são casos de sucesso, porque é que, até hoje, nenhum falhou, porque é que o BCP subiu como um foguete no meio de uma economia de caracol, porque é que o BPI, o BANIF, Financia, o Banco Privado Português, todos, crescem, crescem, crescem, e os seus presidentes são sempre tão bem sucedidos, como é que o BPN fulgura e até a Caixa, imaginem a Caixa! um banco do Estado, um paquiderme, arrecada milhões e deita foguetes independentemente do Presidente e vogais que o Governo nomeia. Até hoje, nenhum banqueiro falhou, ou se falhou, falhou tão pouco que não se deu por isso. São todos excelentes. Acaso? Tanta competência num contexto em que ela é tão rara deve-se à ingestão de alguma rara água tónica."

Nessa altura, o senhor Vítor Constâncio & Companhia andava distraído, disse ele, alguns anos mais tarde quando as contas das bebedeiras alheias nos chegaram a casa para pagamento.

Sunday, March 23, 2014

MANIFESTOS ERROS

A proposta do Luís, de não validação das condições impostas pelos tratatados de redução progressiva da dívida para 60% do PIB em vinte anos, corresponde, só por si, a uma certa reestruturação da dívida. É completamente diferente um ajustamento para tal objectivo consoante a evolução do crescimento económico, e um ajustamento forçado, independentemente da evolução da capacidade para o realizar sem efeitos colaterais social e economicamente danosos.

Parece-me, por outro lado, muito optimista a conclusão de que, "obtidos numa primeira fase, saldos orçamentais primários positivos e, numa segunda fase, saldos orçamentais nulos, e juntando a isto algum crescimento económico e alguma inflação, mesmo que ténues, o nosso rácio de dívida pública entrará em rota descendente e sustentável."

E parece-me muito optimista porque, mesmo não contando com o esforço de redução forçado pelos tratados (que, no entanto, existem, e pressionam e condicionam as avaliações dos mercados) o crescimento nominal do PIB teria de situar-se sempre acima da taxa média efectiva da dívida para inverter a tendência do crescimento da relação dívida/PIB, para saldos primários nulos do OE ou exigir saldos positivos muito significativos no caso inverso. Condições que, mesmo pressupondo a contenção da dívida aos níveis actuais como objectivo nuclear, estão bem longe das observadas neste momento após quase três anos de intervenção da troica. E também não são vislumbráveis nem a curto nem a médio prazos.

Concordo consigo que uma reestruturação implicando um perdão parcial da dívida seria catastrófica. Há, no entanto, alternativas que, não dependendo de nós unicamente (e de nós ainda depende muita coisa, mais eficiência da função pública, por exemplo) têm de ser consideradas pela União Europeia, se a União quiser subsistir. Há dias, regozijava-se a ministra das Finanças com o facto de Portugal estar agora a obter financiamentos de longo prazo a taxas que estão agora" apenas a 300 basis points mais elevados que as da Alemanha". Aqueles 300 basis points significam o triplo das taxas pagas pela Alemanha. Ora o que está em causa não é apenas o custo da dívida pública mas também o preço do financiamento do sector privado. E esta é também uma situação insustentável.

Uma conclusão me parece pacífica: a ultrapassagem deste imbróglio exige dos portugueses, e muito particularmente da função pública, um esforço de incremento da sua eficiência, isto é, melhores resultados com menores custos. O exemplo mais acabado da ineficiência do sector público é a justiça.
Sem justiça não há progresso social e económico sustentado em lado algum. Mas é fundamental o reconhecimento da União de que nos encontramos numa situação difícil mesmo depois do consulado da troica e de que não podemos safar-nos pelos nossos próprios meios. Neste sentido, o Manifesto, foi, do meu ponto de vista, muito oportuno.
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Correl. - Portugal´s economy is in better shape. But it is vulnerable to any turbulence

Saturday, March 22, 2014

VARANDIM DOURADO

Quando, há quase dois anos, passámos por Guimarães, na altura "capital europeia da cultura", considerei aqui "anedótico" o "Varandim Dourado" colocado na Praça do Toural. Soube-se hoje que a autora, Ana Jotta, ganhou o Grande Prémio EDP atribuido este ano ao conjunto da sua obra, que, obviamente, não se resume ao "Varandim Dourado" do Toural.


A intervenção de Ana Jotta no Toural, que não se limitou à criação do Varandim mas à reformulação de toda a praça, foi muito contestada, e, lamentavelmente, o vandalismo começou desde cedo a deixar as suas marcas. A propósito veja-se este apontamento. A partir de hoje, contudo, os vimarenenses vão, certamente, passar a ver o varandim com outros olhos. Um prémio muda sempre o sentido estético das massas e dos especialistas.

Friday, March 21, 2014

O JOGO DA CABRA CEGA*

Há no jogo da cabra cega um volteio dos pândegos para desnortear o vendado. No jogo-caso "Face Oculta", depois do volteio, assiste-se agora à fase do tropeçar da cabra, uma prática condenável se o jogo é limpo mas corrente se no jogo vale tudo. 

Há uns tempos atrás envolveram-se advogados, magistrados, juízes, o PGR  e o presidente do STJ num volteio sobre o que fazer às escutas entre o primeiro-ministro José Sócrates e o seu camarada e amigo, o arguido Armando Vara. Finalmente, decidiram-se as autoridades máximas, de então, na matéria pela destruição das badaladas escutas por "não terem relevância criminal".

Agora, quando era chegado o tempo de poderem ser agarrados alguns foliões, a defesa de um dos arguidos acusa o presidente do Supremo Tribunal de se ter intrometido de forma ilegal, abusiva, inconstitucional e ostensivamente contrária à jurisprudência e que para defender a nulidade da acusação irá até às últimas consequências, nomeadamente ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos" por considerar o conhecimento do teor das escutas uma prova fundamental para a defesa do seu constituinte.

Muito óbvio, desde o primeiro passo da primeira volta.
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Thursday, March 20, 2014

FAZ DE CONTA QUE É UMA UNIÃO

Na União Europeia continua o jogo do faz de conta.
Terminaram às sete da manhã, depois de uma noite inteira de discussões, os trabalhos do grupo incumbido da elaboração de um projecto coxo de união bancária. E, da noite ensonada, saiu uma proposta claramente minutada pelas posições alemãs. 

Coxo, porque das três pernas necessárias à sua sustentação equilibrada, a união bancária pretendida pela Alemanha e pelos seus seguidores (não esquecer os seguidores) iniciar-se-á com a centralização da supervisão sem que daí decorra a centralização da garantia dos depósitos e a institucionalização do BCE como garante de último recurso do sistema. A preocupação imediata do documento divulgado esta manhã volta-se para à eventual liquidação de bancos insolventes com recurso a fundos limitados deixando quase incólumes os banqueiros. 

Na opinião de Paul De Grauwe, citado aqui, "A chave de uma união bancária é uma autoridade com poder financeiro. Se essa autoridade não existe não há união bancária. Se a intenção era cortar a perigosa ligação entre a banca e os governos, no caso de ocorrer uma crise semelhante à de 2008 cada país ficará entregue a si mesmo"

Wolfgan Münchau, afirma aqui que a Europa deve vetar uma "união bancária falhada". Por outro lado, o principal lobby da City de Londres reclama, vd. aqui, maior capacidade de enfrentamento dos riscos decorrentes de uma supervisão centralizada, negando subordinação a um  Draghi ou a um qualquer Constâncio (muito compreensívelmente, neste caso, reconheça-se) sentados em Frankfurt.

É esta a União que se propõe intervir na "guerra da Crimeia"!
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Correl. - La UE alcanza un acuerdo sobre el mecanismo de cierre de bancos

Wednesday, March 19, 2014

À MODA DA TIA PRAZERES

Contra o Manifesto ouço dizer na Sic Notícias ao jornalista/comentador especialista no assunto que "os japoneses têm uma dívida pública relativamente ao PIB muito superior à nossa mas não têm os problemas de gestão dessa dívida que nós temos porque a quase totalidade dessa dívida é interna." E, conclui ele, "com tempo, poderão os bancos portugueses adquirir a maior parte da nossa dívida externa ( e, oh!, descoberta!) será, então mais fácil, negociar com eles o pagamento da divida". Só faltou explicar onde foram ( e irão) os bancos portugueses obter os recursos para comprar a dívida pública portuguesa? É, portanto, uma questão de tempo. Vinte anos passam depressa. 

Ouvia o especialista da Sic N e lembrei-me da Tia Prazeres, que se ajeitava a dar injecções, e não espetava a agulha de um golpe, mas lentamente, avançando e recuando consoante as reacções dos pacientes, para, dizia ela, não os fazer sofrer tanto.

Tal e qual a Tia Merkel e a Tia Lagarde.
Tia Lagarde tem dito e redito que o FMI errou mas o FMI não recua.
Tia Merkel garantia ontem que a Alemanha vai apoiar qualquer decisão que Portugal tomar.
Desde que, subentende-se, durante vinte anos, não se lhe fuja com o rabo seringa.
Haverá rabo para tanto tempo?