Wednesday, January 12, 2011

AFIRMA O AMIGO PAUL

It’s looking as if Portugal is the next eurodomino. I was hoping not — mainly, of course, for the sake of the Portuguese (I did my first ever policy work there back in 1976, and have always had fond memories), but also selfishly, because it’s by far the blurriest of the troubled peripheral countries.

What I mean by that is that the Portuguese macro story is harder to tell than those of Greece, Spain, and Ireland. Greece was excessive government borrowing; Ireland and Spain, housing bubbles. Portugal, by contrast, wasn’t all that bad fiscally — debt/GDP on the eve of the crisis roughly comparable to Germany. But it also didn’t have surging house prices. There was a lot of private-sector borrowing, but it’s not that easy to explain exactly why.

What’s clear, however, is that at this point Portugal faces adjustment problems similar to those of Spain, and possibly worse. Prices and labor costs are out of line with the rest of the eurozone; getting them back in line will require painful internal devaluation, aka deflation; and given the high levels of private debt, deflation will have nasty side effects. Tolstoy was wrong: many unhappy countries, at least in Europe right now, are pretty much alike.

RESERVAS



CAI NEVE

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SUCESSO, ATÉ VER

Portugal conseguiu colocar a totalidade da dívida que leiloou hoje, tendo no caso das obrigações a dez anos os juros descido ligeiramente, para 6,716 por cento, mas subido 33,5 por cento para o prazo de quatro anos.

O Estado pretendia colocar 750 milhões a 1250 milhões de euros no leilão de duas linhas de Obrigações do Tesouro, tendo colocado 1249 milhões. A procura para o total das duas linhas foi de 3600 milhões de euros, o que representa 2,88 vezes a oferta. Esta procura foi superior à das últimas emissões.

São boas notícias?
O ministro das Finanças considerou que a operação de emissão de dívida de hoje foi “um sucesso” e que “perante isto, não há necessidade” de recorrer a ajuda externa.
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Foi um sucesso porque a procura representou 2,88* vezes a oferta? Não parece. A procura teórica tem largamente ultrapassado a oferta nos últimos leilões mesmo quando os juros subiram acima dos 7%. Trata-se de uma peneira com que os governantes têm tentado encobrir a realidade. A procura real não tem excedido a oferta em tal medida, nem tão pouco parecida. Se a procura real quase triplicasse a oferta ou os juros teriam descido drasticamente ou as leis da oferta e da procura teriam de ser mandadas para o cesto do lixo.
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Foi um sucesso porque os juros se situram aquem dos 7%? Se se tivessem situado acima, haveria necessidade de recorrer a ajuda externa? Não me parece. Ainda ontem o PM tinha reafirmado que não havia necessidade de recorrer a ajuda externa. 7% é apenas um patamar sem significado muito relevante para a capacidade de Portugal poder prescindir da ajuda externa. Os níveis da dívida e dos juros  num contexto económico estagnado ou mesmo recessivo, lamentavelmente, não consentem o optimismo que o governo continua a querer mostrar.
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"In psychology, there is phenomenon called escalating commitment. Once one takes a position, one feels compeled to defend it.", afirma Stiglitz a páginas tantas de "Freefall".

Será o caso?

Realce-se, no entanto, o facto de a generalidade dos comentadores e políticos a nível internacional, incluindo Merkel, considerarem a operação um sucesso. Oxalá não opinem, pública ou por encomenda, em sentido contrário num futuro próximo.
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* Segundo o Correio da Manhã, a procura excedeu 3,2 vezes a oferta (aqui )

Tuesday, January 11, 2011

O QUE É ISTO?

TODDY



Toddy contem porque contem mesmo!

PORQUE SIM

“Este recurso” a ajuda externa “só se faz quando não há alternativas, considerou Cavaco Silva, lembrando depois que a “Alternativa pode passar pode vender activos ao estrangeiro”.
Repetiu depois que o “país tem sempre como alternativa a venda de activos ao estrangeiro”, além de poder recorrer às reservas acumuladas. (aqui )

A venda de activos a estrangeiros significa a venda de participações sociais do Estado em empresas. Mas a essa venda já está, pelo menos em parte, programada no OE 2011. A grande excepção é a Caixa Geral de Depósitos mas não acredito que Cavaco Silva esteja a pensar que a Caixa deva ser vendida, mesmo parcialmente. Ainda que seja difícil entender o comportamento que a Caixa teve na contribuição do endividamento excessivo dos particulares e o seu alinhamento constante com as práticas da banca privada.

Para lá da Caixa e das Águas já não sobrará grande coisa. A situação do mercado e o estado de necessidade em que, claramente, estas vendas se podem, por agora, realizar esmagarão os preços de venda. O  mesmo se aplica às eventuais vendas de ouro.
Noutra intervenção, Cavaco Silva mostrou-se esperançado que os credores analisem o OE 2011 e mudem de ideias.

Por outro lado, Sócrates continua a garantir que  Portugal não vai pedir ajuda externa porque "não precisa".

Cooperação estratégica ou coincidência de tácticas?

SAÚDE E TURISMO


É, como sempre acontece nestes casos, uma ilegalidade juridicamente inconsequente mas politicamente proveitosa: autarcas destes nunca perdem eleições.

Imaginemos que o Tribunal de Contas tinha concluído o contrário.
Para que precisaríamos de Serviço Nacional de Saúde, nesse caso? As Câmaras Municipais passariam a enviar os doentes do seu concelho, que necessitassem de intervenções cirúrgicas, em viagens de turismo e saúde, a Cuba ou à Índia, por exemplo, e nunca mais se falaria de filas de espera para cirurgias em Portugal.

Só mesmo Angela Merkel e uns quantos mais é que não percebem isto.

Monday, January 10, 2011

SUBSCREVO

João Rendeiro lançou um blogue. Antes um blogue que um banco: assim o prejuízo fica com o responsável.

É verdadeiramente surpreendente assistir ao regresso de João Rendeiro ao “espaço” mediático. Não pelo seu regresso: Rendeiro é livre de fazer o que entender e de se munir, como diz, de “lápis, folha A4, calculadora de bolso”. Mas pelo conteúdo: vem dar uma aula sobre banca; sobre o BPI; sobre o Banco de Portugal.

O descaramento não tem limites. O Banco Privado Português é um caso de polícia, defraudou milhares de clientes, é uma nódoa na história do sistema financeiro português, está em dissolução – mas o seu fundador e ex-presidente dá lições de banca. E de supervisão: chega ao cúmulo de acusar o Banco de Portugal de “política de avestruz”, precisamente aquilo de que foi acusado no BPP.

BRANCO DE PORTUGAL

Administradora do Banco de Portugal, contradiz o governador:  Teodora Cardoso afirmou que Portugal precisa de recorrer à ajuda externa, poucos minutos após Carlos Costa ter garantido que o País tem capacidade para resolver os problemas sozinho.
(aqui)

Toda a gente tem direito a opinar desde que, evidentemente, não infrinja o civismo que a vida em sociedade requer. Não há nehum mal que a cidadã Teodora Cardoso opine que Portugal precisa de recorrer a ajuda externa e que o cidadão Carlos Costa opine em sentido contrário.

Mas já é inadmissível que uma administradora e o governador do Banco de Portugal manifestem publicamente a discordância total entre eles acerca de um assunto tão sensível,  candente e decisivo para o confronto com a crise que entrou em casa da esmagadora maioria dos portugueses por tempo indeterminado.

É crível que governador e administradores do BP não tenham até hoje analisado as possibilidades do País se safar pelos seus próprios meios? Não é.
É crível que não seja consensual entre administradores e governador uma opinião acerca do assunto? É.
Mas é incrível que uma discordância deste tamanho caia na praça pública, como se o que tivesse em causa fosse inócuo para a vida do cidadão comum. 

Mesmo com funções bastante limitadas, o BP continua a não conseguir a atingir os minimos no exercício das suas competências.  
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correlacionados - Cavaco Silva: Alternativa ao FMI "pode passar por venda de activos ao estrangeiro"
Cavaco tem apoio de Alegre se interromper campanha para fazer diligências sobre a dívida.

Sunday, January 09, 2011

É POR DEMAIS EVIDENTE

Sócrates avançou aos deputados que, em 2010, "as receitas fiscais ficaram acima do esperado, a despesa do Estado ficou abaixo do esperado e o saldo orçamental vai ser aquele que estava previsto".

As palavras caíram em saco roto, à semelhança do que tem sucedido desde o final do ano passado. Mas a verdade é que o Governo não pode fazer mais nada. "Chegou a altura de invocar a Nossa Senhora de Fátima", ironiza Jacinto Nunes, economista e ex-ministro das Finanças. "Agora é esperar e ver o que acontece na próxima quarta-feira, quando se emitirem as Obrigações do Tesouro", diz, "porque se os juros forem para os 7%, é insustentável pagar aquilo". (aqui)

A afirmação de Jacinto Nunes é benevolente, porque a probabilidade de os juros se situarem aquem dos 7% é remota numa altura em que a vinda do FMI é altamente provável.
Portugal já não tem objectivamente nenhuma hipótese de se safar pelos seus próprios meios, e passa de obsessão a insanidade querer dispensar a bóia num mar que não vai deixar de continuar fortemente encapelado.
Mesmo que, por milagre, os juros ficassem na próxima quarta-feira abaixo dos famigerados 7%.

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Hoje, 10 - ligeira descida dos juros, mas ainda acima dos 7%, resultou de ajuda do BCE.
act - Juros de Portugal em forte queda, abaixo dos 7%, com BCE agressivo nas compras.
Bagão Félix: pedir ajuda internacional é inevitável

EDUCAÇÃO E DEMOCRACIA

"... a mudança já só pode chegar de eleitores mais informados e mais exigentes, que obriguem os partidos de governo a mudar de atitude. A ( ) esperança radica na quase certeza de que a nova geração que está a sair das universidades já não se deixará enganar."

Será assim mesmo?
O nível educativo, induzindo mais informção e capacidade para a interpretar, inevitavelmente conduzirá a uma sociedade democraticamente mais robusta? 
Tenho dúvidas.

Não duvido que o crescimento do  nível educativo médio de uma sociedade é condição necessária à consolidação democrática. Mas não é condição suficiente. Mais formação e informação, quando postas ao serviço dos interesses de um grupo ou duma classe, podem mesmo mancomunar-se e abalar os alicerces da democracia. A trave mestra da democracia assenta em valores morais que não se adquirem na escola se não estiverem impregnados na sociedade.

A crise financeira global que despoletou nos EUA e se propagou, sobretudo, ao resto do mundo ocidental foi forjada por gente altamente preparada e muito ciente dos objectivos dos seus actos: o benefício do seus próprios interesses. O uso da força sindical por parte da função pública, e nomeadamente dos professores, compromete a democracia,  porque abusa do seus princípios, para favorecer os seus propósitos de maximização das suas vantagens à custa daqueles que não dispõem de força idêntica. O artigo publicado pelo Economist desta semana,  e de que coloquei  links (aqui), é muito expressivo acerca do abuso da liberdade democrática.

Um exemplo doméstico:  A Câmara de Oeiras.
Oeiras é o concelho com maior número de licenciados relativamente à população residente, com o mais elevado nível médio de salários e o segundo PIB/capita do país.
O actual presidente tem o curriculo que se conhece. É reeleito sucessivamente e, inclusivé, passa a contar com o apoio de eleitos pelo PS e PSD para conseguir a maioria na vereação e na AM.
Repito : não tenho qualquer dúvida que o nível de instrução é fundamental ao exercício consciente e consistente da democracia mas não é condição suficiente.
A conscência cívica não se adquire sobretudo nos bancos da escola, mesmo nos bancos das escolas superiores. Decorre de um processo evolutivo, amassado de tentativas e erros, que pode exigir muitas décadas.

Saturday, January 08, 2011

INCONTORNÁVEL

Os governos da Alemanha e da França querem que Portugal aceite ajuda financeira internacional quanto antes, de modo a evitar que a crise da dívida portuguesa alastre a outros países, informou a agência France Press (AFP).

Sócrates desvaloriza notícias sobre ajuda externa e garante que Portugal vai cumprir objectivo.  Qual? 

TACO A TACO

O presidente da SLN (actual Gililei) chama-se Fernando Lima e faz parte da comissão de honra de Manuel Alegre.

Ex-dirigentes do BPN integram comissão de honra de Cavaco Silva.

SEGUNDO O DN

UMA QUESTÃO FULCRAL


Já várias vezes abordei neste caderno a questão da remuneração do sector público versus sector privado, do poder de mobilização incomparavelmente superior do sindicatos da função pública relativamente à dispersão da capacidade dos trabalhadores em empresas privadas para reclamarem melhores condições de trabalho.

A disparidade de forças é enorme e não decorre apenas da capacidade da mobilização sindical mas também da enorme diferença entre obter vantagens junto de um empregador político que cede aos reclamantes porque são também seus eleitores e as receitas são-lhe proporcionadas ius imperium junto de contribuintes dispersos, e aqueles que dependem dos resultados conseguidos nos mercados. Entre uns e outros, situam-se os empregados dos monopólios de facto, geralmente remunerados em conformidade com as rendas dos empregadores e, portanto, bem remunerados.

Enquanto nos sectores transaccionáveis o crescimento das remunerações acompanha o crescimento dos níveis de produtividade atingidos, no sector público o crescimento das remunerações depende sobretudo da força mobilizada pelos sindicatos.

É a este assunto que o Economist desta semana dedica o seu editorial e uma análise que vale a pena ler aqui e aqui.


The public sector unions
The battle ahead
The struggle with public-sector unions should be about productivity and parity, not just spending cuts

O QUE É ISTO?


Friday, January 07, 2011

LITTLE ITALY

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Já uma vez, aqui, prestei homenagem à melhor minestrone que conheço. Com alguma frequência me regalo com o elementar petisco quando venho até este lado.
Não só pela minestrone mas pelo ambiente de origem que os italianos recriam aonde chegam. E onde, praticamente tudo, sabe a Itália, desde as bebidas, águas e vinhos, a ementa que não consente outras procedências, qualquer prato inclui uma minestrone ou uma salada, as sobremesas, a decoração interior, as fotografias, a música ambiente.
Tudo por cerca de 18 dólares cada refeição, tip de 15% incluida.

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POIS É