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Wednesday, September 14, 2011

TRICHET, CULPADO DE QUÊ?

A sua insistência, aqui, na comparação dos dois casos espanta-me.

E espanta-me porque v. mesmo já reconheceu que o "Branco de Portugal", quando Constâncio era governador, não viu o que a generalidade das pessoas viu. Não lhe faltaram instrumentos de visão nem capacidade para os usar.

E repare que essa indolência não se observou apenas nos casos escandalosos do BPN, do BPP, do BCP*.
Todos os bancos ajudaram a endividar o Estado e, de forma inqualificável, forçaram o endividamento asfixiante das famílias. Não sabia o "Branco de Portugal" a que níveis estavam a chegar o endividamento externo importado pelos bancos? Sabia.

O que ele, Constâncio, pensava é que nunca existiria um risco país de um membro de uma zona monetária forte. Errou redondamente. Os bancos pensaram que, por moral hazard, o Estado não os deixaria cair nunca. Acertaram, e acertarão sempre enquanto não forem separadas as águas: as limpas, dos depósitos e dos fianciamentos controlados à economia real, e as sujas, dos jogos financeiros, dos offshores, dos casinos.

Não sabia o "Branco de Portugal" que a Caixa emprestava dinheiro a alguns accionistas do BCP para estes conquistarem o domínio daquele banco de parceria com o PS? Sabia. Não sabia o "Branco de Portugal" que o BCP financiava os seus clientes na compra de acções do msmo BCP a preços inflacionadíssimos? Sabia.

Etc., etc, etc.

Agora vamos ao Trichet. Já lhe disse, e v. não contestou, que o BCE não tem margem para intervir como os bancos Centrais dos EUA, do UK ou da Suíça, por exemplo. Tanto assim é que hoje há mais uma teleconferência para tentar resolver (ou adiar?) o caso grego entre Merkel, Sarkozy e Papandreous. O Trichet não mete lá o bedelho.

Diz v.: Então demita-se!

Não faz sentido nenhum. Primeiro, porque a Trichet faltam argumentos para tomar uma decisão dessas. Quando foi convidado e aceitou, sabia quais eram os regulamentos.

Segundo, porque se o fizesse provocaria uma situação de descalabro incontrolável. Há dias demitiu-se um "falcão" alemão do BCE e os mercados abanaram logo. Calcule o que aconteceria se o Trichet mandasse o BCE às urtigas, sobretudo quando está em final de mandato.

Não,... , Trichet não é culpado desta confusão e é errado torná-lo bode expiatório.

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*Não se retire daqui que considero Constâncio o único culpado ou sequer o maior culpado, ilibando os autores das fraudes cometidas. Nem que, depois que os casos foram publicamente conhecidos, a CMVM possa considerar-se ilibada. Nem que a decisão do modo de intervenção do Estado no BPN não tenha agravado substancialmente as perdas que os contribuintes são agora chamados a pagar. Nem que ignore que a justiça continua a dormir sobre estes processos o sono manhoso dos cúmplices.
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Act - A CGD tem buraco de 300 milhões em crédito concedido a Joe Berardo. O empréstimo terá sido concedido para Berardo reforçar a sua posição accionista no BCP. (in Negócios online de hoje, 15/9/2011)

Tuesday, September 13, 2011

INSANITY IS

No apontamento que coloquei ontem neste bloco de notas comprometi-me a voltar ao assunto.
A questão da sobrevivência do euro e, consequentemente da União Europeia, nunca foi tão premente como agora porque nunca o abalo foi tão forte nem as consequências possíveis tão dramáticas para o futuro da Europa.

Hoje de manhã ouvi na Antena 1 uma breve entrevista a Ricardo Reis, um jovem professor português de Economia em Columbia, geralmente considerado pelos seus pares como um economista de elevado gabarito. Ricardo Reis já se tem enganado redondamente nos seus prognósticos a respeito da crise (com referi, p.e., aqui), mas a sua opinião conta.

Interrogado acerca da crise em que se encontra mergulhada a União Europeia, e, particularmente, o euro, Ricardo Reis foi peremptório ao afirmar que a crise continua a ter o seu epicentro na Grécia, mas são os abalos dessa crise em Itália e Espanha que poderão provocar o desmoronamento do sistema; Portugal, se continuar a cumprir os compromissos assumidos com a troica, continuará fora dos efeitos da crise grega, qulquer que seja o seu desfecho.

Defecho esse que pode passar pela concessão de mais crédito, e consequente relaxamento de algumas exigências de austeridade contidas no plano de ajuda (a intervenção de hoje de Angela Merkel vai nesse sentido, de não deixar cair a Grécia, ainda que seja conhecida a fractura no seio do seu governo a respeito deste salvamento); pela reestruturação controlada da dívida (uma ideia lançada há algum tempo que caiu tão depressa como apareceu; ou pelo incumprimento dos compromissos do Estado grego com os seus credores internos e externos. Nesta último caso,  o caos superveniente a uma tal calamidade poderia levar à intervenção das forças armadas.

Nenhuma das hipóteses colocadas por RR contempla uma solução colocada num patamar de maior integração europeia envolvendo um governo federal, cujo embrião Merkel e Sarkozy há semanas enunciaram sobre a forma de governo económico sem lhe definirem os contornos.

Insanity is doing the same thing over and over again, expecting different results, avisava Einstein.

Parece que não. Pode acabar por originar um golpe militar. Na Zona Euro, na União Europeia, num país membro da Nato? O inimaginável pode acontecer quando a insanidade excede todos os limites imagináveis.

Ricardo Reis, como referi, já se tem enganado. Espera-se que continue.

Monday, September 12, 2011

KRUGMAN CONTRA TRICHET

Paul Krugman volta a avisar no "New York Times" de hoje que a política de defesa intransigente a estabilidade dos preços na zona euro está a conduzir a  moeda única para o colapso. Não podendo defender-se contra o comportamento dos investidores/credores que lhes impõem condições progressivamente insuportáveis, os governos da Espanha e da Itália, que já concordaram e impuseram reforçadas medidas de austeridade, que já aceitaram constitucionalizar os limites da dívida, estão a ser empurrados pelos mercados para o default, que, em consequência da dimensão das economias envolvidas, se vier a acontecer, provocará o colapso do sistema financeiro europeu.

Quem é que poderá estar interessado neste desastre, para além dos suspeitos do costume?

Trichet, alvo das principais críticas de Krugman, que também não poupa os advogados do estado mínimo nos EUA, obedece aos estatutos do BCE e transige tanto quanto lhe deixam os alemães, holandeses, finlandeses e uns quantos mais. E é, quanto a este ponto, o da responsabilidade de Trichet (ou de Ben Bernanke, do outro lado do Atlântico) que me parece que Krugman, e todo aqueles que perfilham as mesmas teses, atira para o alvo errado. 

Trichet (e BB), são funcionários que tomam as decisões que os regulamentos lhes consentem. Dentro dos limites em que se circunscrevem esses poderes, podem tomar boas ou más decisões - e, geralmente, só muito tarde as más decisões se revelam - mas, nas circunstâncias excepcionais actuais, que exigem soluções excepcionais, as competências de um de outro dependem, sobretudo, dos governantes políticos, com particular destaque para os alemães.

Krugman, reconheça-se, também não tem poupado Angela Merkel. Mas Merkel, apesar da intransigência na aceitação dos eurobonds (por exemplo) tem vindo a perder todas as últimas eleições, sinal, pelo menos aparente, de que os eleitores alemães se posicionam de modo mais intransigente que a Chanceler. Porquê?
Estarão os cidadãos alemães (e os holandeses, os finlandeses, os austríacos) cientes dos efeitos de um colapso de Espanha ou da Itália sobre os seus bancos, isto é, sobre as suas economias, sobre as suas poupanças?  

Precisa a União Europeia, e em particular a Zona Euro, de um abalo de intensidade superior à falência do  Lehman Brothers para a abanar e acordar?

Serão os eurobonds a terapêutica adequada? Talvez tivessem sido há largos meses atrás. Agora, é tarde demais para medidas pontuais. A crise actual veio impor um reequacionamento total da construção europeia, construção essa que passa inevitavelmente por uma integração a caminho acelerado de um governo federal das funções que sejam o travejamento essencial do edifício.
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Acabo de escrever esta nota e oiço já observarem-me: O sr., e todos quantos pensam o mesmo, em que planeta vivem? Pois se nem para os eurobonds os do Norte estão dispostos a avalizarem as indisciplinas do Sul como é que v. quer que, assim de um dia para o outro, 27 países se concertem à volta de um governo federal a tempo de evitar o precipício?

(continua)

Thursday, June 24, 2010

A EUROPA CONTADA AOS AMERICANOS

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For an entire generation of European leaders, the euro coins jangling in their pockets are more than just a currency. They are a powerful driver of political unity on a continent where people speak more than two dozen languages and spent much of the 20th century fighting each other.

Now, as the euro faces a challenge like none before, the question is whether it will last.

The debt crisis that began in Greece and menaces half a dozen other European nations has caused the euro to lose 15 percent of its value relative to the dollar since January. Some economists consider it obvious that the currency union will not survive in its present form, that one or more southern European nations will end up reverting to liras, pesetas and drachmas.

That leaves the future of European unity to be decided not merely by politicians in Paris, Berlin and other capitals, but in a glass skyscraper in this banking hub, by a French banker named Jean-Claude Trichet and his 1,600 employees. Less than a decade after cash machines across the continent started spitting out the same currency -- and less than a month after it laid the cornerstone for a new permanent headquarters -- the European Central Bank is facing extraordinary pressure to keep the euro, and Europe, together.

The bank has crossed into virgin territory in response to the crisis, buying billions of euros' worth of government bonds to try to stabilize markets. But those actions have unleashed new tensions at the heart of the ECB as its largest member, Germany, recoils from what it sees as a violation of the most deeply held principles of central banking.

The challenge

The ECB's challenge is to craft one policy that will work for in 16 member countries from Finland to Portugal, which have different economic conditions -- and views about inflation and employment.

Trichet testified Monday that a broad new strategy of cooperation -- perhaps involving stronger restrictions on government deficits and new means of helping troubled states -- is the key to Europe's economic future. He told the European Parliament that he envisions "the equivalent of a fiscal federation," which would "require a quantum leap in terms of progress" toward a stronger economic union.

In their effort to hold Europe together, Trichet and his colleagues have upended the traditional rules under which they operate, taking a page from the playbook that Chairman Ben S. Bernanke used at the U.S. Federal Reserve during the financial crisis. But these efforts have exposed new strains within the organization, complicating their efforts.
Early last month, the European debt crisis spiked and markets turned hard against Spain, Portugal, Italy and Ireland, significantly increasing their cost for financing government spending. One solution would be for the ECB to intervene in the market, buy some of those countries' bonds and thus force down the price of borrowing money.

But the ECB has no authority to buy government debt, a power that other central banks, such as the Federal Reserve and Bank of England, have. That restriction reflects deep German opposition to any policies that carry a risk of fueling inflation, borne of the hyperinflation in that country in the 1920s. The rules are meant to prevent the ECB, which is modeled after the German national bank, from essentially printing money to lend to national governments. German politicians and economists were aghast at the idea of compromising that core principle because of, in their view, the fiscal profligacy of a few euro member states.

As the situation grew dire, however, Trichet and his colleagues decided that the goal of European unity was more important.

The compromise: They would buy bonds on the open market, not directly from governments, getting around the prohibition on funding government debt. At the same time, they would take other steps to avoid increasing the money supply, thus easing any inflationary pressures.

Announced in conjunction with a $1 trillion European Union program to backstop governments' debts, the actions worked to stop the free fall in debt markets, and European financial markets have been more stable since the announcement.
 
But speculation remained rampant, especially in Germany, that the program was a backdoor way to print money for free-spending Greek, Portuguese and Spanish governments. The blowback from Germany has been immense.

German blowback

Axel Weber, the head of the German national bank and a member of the ECB governing council, said in a newspaper interview that he sees the decision "in a critical way" because of the risks that it could undermine long-term economic stability.

After fighting back one threat to the euro, Trichet and his eventual successor now must deal with another: German frustration.

"Euro area governments have effectively thrown away the rulebook," said Volker Wieland, an economist at Goethe University Frankfurtand a leading ECB-watcher. "It's a complete regime change. No-bailouts and individual fiscal responsibility have been replaced with mutual guarantees" for government debt.

These tensions, in part, reflect decisions made by European leaders almost two decades ago. Instead of waiting to adopt the euro until European countries had grown more integrated with each other, making a currency zone easier to administer, the leaders decided to move ahead. They calculated that having a single currency would bring the countries closer together, leading to better collaboration on everything from the environment to defense policy.

This mission gives the ECB a political importance that is in some ways greater than that of its counterparts overseas, such as the Fed. The ECB is designed from the ground up to achieve that unity. The bank keeps minutes of policy meetings secret for 30 years, in contrast with the Fed, which releases minutes three weeks later. The ECB's aim is to allow policymakers to advocate what they think is best for the euro area as a whole, freeing them from public pressure to represent their nations' interests.

With Trichet's eight-year term expiring late next year, followers of the ECB see Weber as the most likely successor because he is the most powerful central banker in the largest eurozone country. Other European leaders might worry, though, whether he will be flexible enough to keep the euro together.

But even as the debt crisis has cast Europe's fissures into high relief, it has reminded European leaders of how much they stand to lose if these divisions are left unaddressed.

"The stakes are so high, I think the incentives are high to sort it out," said Michael Dicks, chief economist of Barclays Wealth. "That's the biggest silver lining. That's why you are seeing huge pressure to do what Europe has never done before, which is work together."

Wednesday, May 13, 2009

O QUE DIZ ANTÓNIO

Se não estou em erro, o actual ministro da justiça (e em que estado está, a justiça) teve um problema em Macau por coisas parecidas com pressões sobre elementos dessa área.
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Eu, simples António, nos idos de 70, costumava gozar e admirar-me com um país que não conseguia fazer nada para se livrar da Mafia. Gozava com Itália, mal sabendo o que me esperava. A série televisiva "O Polvo" deixava-me sempre acabrunhado por ver que quando estava quase a culminar no desmascarar das situações, uma pázada de cimento caía sobre o processo. Sempre o processo, sempre o cimento, sempre a mágoa de ver isto (a que você chamava Democracia e eu contestava) a deslizar para o esgoto.
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Há pouco chamei calhau ao trichet e a quem pensa que esta crise já passou, só porque quase não se mexe. No fundo da fossa, quando só há um pouquinho de água choca, mal se vê ou se ouve o chapinar. Mas por estar tudo mais calmo, não quer dizer que já estejamos agarrados à escada para subir.Primeiro, é preciso arranjar forças para isso. Eu, no lugar dele, teria muito mas muito cuidado, pesaria muito mas muito bem aquilo que diria. A não ser que fosse um pau mandado. E aí, quem sabe? (isto que digo do trichet, aplico ao que chamam governador do banco deste lugar a oeste da Península Ibérica).

Monday, March 16, 2009

APOSTAS

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Trichet afirmou, na semana passada, que a recuperação estava para breve. Agora é Bernanke a tocar a mesma nota. Que informações ou inspirações possuem os banqueiros centrais que Krugman ou Roubini, além de muitos outros, não dominam?
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Ouvindo os noticiários (esta manhã, o noticiário da Antena 1 dava conta de manifestações em França de contornos pré-revolucionários) somos levados a acreditar que os pessimistas, como sempre acontece quando a vaga do descontentamento se agiganta, acabarão por acertar.
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A personalidade contida de Bernanke é, nas actuais circunstâncias, menos motivadora da inversão da tendência que seria a de Greenspan, apesar dos erros que cometeu e reconheceu ter cometido. Porque há, inquestionavelmente, um efeito psicológico em todas as crises, bem mais difícil de inverter do que todas os outras causas materiais, e que tem uma resultante dominada pela força da maioria das opiniões expressas.
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Krugman e Roubini, independentemente das suas competências enquanto macro-economistas, estão, desde há muito tempo, disponíveis para expressar as suas opiniões nos media, incluindo a blogosfera. Não seria preferível que fossem mais comedidos nas suas previsões, sabendo eles que são, por natureza, falíveis? Faz sentido que nos descrevam um futuro negro se não nos garantem os meios para o tornar menos escuro?
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Cada pregoeiro de desgraças deveria ser assaltado por um sentimento de pudor que o compelisse a acompanhar o diagnóstico da terapêutica.

Monday, March 09, 2009

MAIS OU MENOS CRISE

Presidente do BCE admite proximidade do regresso ao crescimento económico
O presidente do Banco Central Europeu (BCE) disse hoje que os investidores estão a subestimar a possibilidade de um regresso ao crescimento e que o mundo pode estar a aproximar-se de um ponto de viragem.
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Há muito tempo que acompanho as posições de Nouriel Roubini acerca do evoluir da crise; provavelmente, serei mesmo o blogger que há mais tempo o citou na blogosfera portuguesa. Roubini ganhou a admiração de meio mundo ao prever e quantificar a dimensão da crise. A sua perspectiva continua do lado pessimista.
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Contrariamente a Roubini, Trichet aparece agora com uma visão optimista para a Europa, prevendo a inversão do ciclo para breve. Se considerarmos que a generalidade dos analistas prevê que recuperação aconteça nos EUA antes de chegar à Europa, a diferença Trichet-Roubuni é ainda mais notável.
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Tem tudo isto alguma influência no desenrolar crise? Tem de ter. A psicologia de crise que se instalou alimenta, evidentemente, a crise. As palavras de Trichet, que não podem ser de todo infundadas, ou até pouco sérias, terão por enquanto uma influência menor sobre o comportamento dos agentes económicos em todo o mundo do que as de Roubini e de todos os que estão do lado dele, e que são a esmagadora maioria.
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Seria bom que Trichet fosse mais explícito e convincente nos seus argumentos. A inversão da onda de pessimismo é essencial à inversão do ciclo depressivo económico.
Pela minha parte sou pelo Trichet, desta vez. O que é que se pode perder com isso? Argumentos, não tenho. Espero que Trichet os tire da manga.