Monday, July 27, 2015

PERCEBES

Percebe-se bastante bem que tanto os líderes da coligação no governo e os da oposição candidata a liderar o próximo declarem ter como objectivo a obtenção de uma maioria absoluta nas eleições legislativas de 4 de outubro. Seria estranho que declarassem pretender atingir apenas uma maioria relativa. Deste pressuposto resulta que ambos, coligação e oposição candidata, recusem admitir, antes do conhecimento dos resultados de 4 de outubro, qualquer coligação de bloco central.  

É também muito normal que os partidos com menos representatividade eleitoral actual procurem aumentar o número de representantes seus no parlamento ou, se ainda lá não estão, colocar alguns, no mínimo um, para começar. Consequentemente, os objectivos dos partidos no governo e o candidato a governar colidem com os dos partidos com menos ou ainda sem nenhuma representatividade parlamentar.

Também se percebe que o PR venha repetindo desde há já bastante tempo que a fragilidade da situação económica e financeira do país exige estabilidade governativa e esta só pode ser assegurada por um governo suportado no parlamento por uma maioria absoluta. Pelas razões já atrás referidas, percebe-se que os partidos com menor representatividade parlamentar rejeitem o objectivo da estabilidade governativa porque ele implica a necessidade de uma maioria absoluta e este facto só é compatível, até certo ponto, com menor, nenhuma progressão ou até redução da sua expressão eleitoral. 

Só não se percebe que haja tanta gente a presumir independência de julgamento que, aparentemente, não percebe isto. 

Ouvi ontem um conhecido jornalista e comentador televisivo considerar "rídiculo o pedido  (dos principais partidos) de uma maioria absoluta aos eleitores" e percebe-se porquê: ele é um dos líderes de uma coligação de dois partidos, ainda sem representação parlamentar, formados essencialmente por dissidentes de um partido com reduzida representação parlamentar. 
Se esta esquerda é idiossincraticamente fragmentária percebe-se perfeitamente que abomine um consenso maioritário como solução dos graves problemas com que os portugueses se defrontam.

1 comment:

Antonio Cristovao said...

Esta menoridade, de achar que os problemas são exclusivo "deles", resolver, mantém-se com os resultados (quase zero) ,desde as primeiras eleições após 25 abril.
At+é quando só teremos direito a líricos incompetentes?