Saturday, July 11, 2015

SE O PRÓXIMO GOVERNO FOR PS

Ouço nomes anunciados pelo secretário-geral do PS para ocuparem os primeiros lugares de candidatos às próximas legislativas em alguns distritos - Alexandre Quintanilha no Porto, Manuel Caldeira Cabral em Braga, Helena Freitas em Coimbra - e outros em lugares elegíveis -  Mário Centeno, Trigo Pereira, Tiago Rodrigues -, académicos não filiados, e parece-me improvável que algum destes tenha sido movido pela tentação de se sentar na Asssembleia da República e, a partir dali, contribuir para a nossa felicidade colectiva.

Também não me parece que o candidato ao lugar de primeiro-ministro tenha convidado gente altamente qualificada, não comprometida até agora com vínculos partidários, esperando deles intervenções parlamentares que possam impressionar favoravelmente os eleitores porque, naturalmente, não poderão convencer os adversários.

E destes pressupostos retiro que este conjunto de individualidades integrará o próximo executivo se for o actual secretário-geral do PS a presidi-lo. E ainda bem se assim for: independentemente da valia técnica dos membros do próximo (de qualquer) governo é de aplaudir que as suas funções estejam sustentadas numa base política que só o voto popular concede. A situação inversa - entrarem independentes como membros do governo, aderindo posteriormente ao partido que os convidou -,  observada com alguma frequência no passado, não honra os cargos nem os titulares que os ocupam sem respaldo democrático.

A AR é apenas um palco para discursos, geralmente inconsequentes, escritos ou preparados fora dos seus muros.

2 comments:

Antonio Cristovao said...

A tradição de desempenho governamental deixa-me muito pessimista quando se escolhem sumidades que dedicam a sua vida a excelentes e prestigiadas carreiras universitárias e teóricas. Fazem sem dúvida lindos livros e discursos.

Rui Fonseca said...

Obrigado por mais este seu comentário.
Contudo pode confirmar que eu não sou favoravel, nem desfavoravel, à presença de académicos nos governos. Há de tudo, como costuma dizer-se: uns serão bons, outros menos bons, alguns serão péssimos governantes, independentemente da sua condição de académicos.
No caso em questão apenas referi que me parece que os convites noticiados não terão como objectivo qualificar melhor o desempenho da AR mas de submeter eventuais futuros membros do governo ao exercício democrático do voto. Se esse for o objectivo, parece-me bem. Uma opinião minha que, no entanto, só por si não vincula o meu voto.