Sunday, February 01, 2015

VERDADE OU CONTO DE OGRES?

No fim de Abril de 2011, segundo o Expresso o programa imposto pela troika iria reestruturar Portugal de alto a baixo.*


Ao começo da tarde de 2 de Maio do ano passado o Governo revelava os resultados da última a avaliação da troica. Paulo Portas, tendo a ministra a seu lado, disse, vd. aqui, que "a avaliação foi bem superada e que a sua conclusão significa que o programa está no bom caminho para o seu termo". Aliás, todas as avaliações anteriores, segundo as notícias vindas a público, tinham sido positivas, os níveis de cumprimento dos compromissos assumidos tinham sido sempre satisfatoriamente atingidos. Sabíamos que não era assim. Os objectivos do programa, vd. aqui, não estavam a ser atingidos mas nem o governo nem a troica quiseram, por razões tácticas, reconhecer o incumprimento parcial.

Hoje, noticia-se aqui que "A missão do Fundo Monetário Internacional (FMI) a Portugal fez uma avaliação muito severa do programa de ajustamento português, mas a Comissão Europeia, que divulgou a sua versão no final de dezembro, também não se fica atrás e dá nota de 36% no exame das reformas estruturais. O governo, através do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, argumentou na sexta-feira que as conclusões do FMI refletem "uma realidade que já não existe".
Em todo o caso, uma análise da Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO), divulgada anteontem à noite, mostra que a Comissão Europeia também deu uma nota negativa à concretização do pacote de reformas estruturais na economia: apenas 36% das medidas combinadas (cinco em 14) foram "observadas". Chumbou três e carimbou seis com "progresso limitado". A avaliação europeia é de final de dezembro."

Estão a brincar connosco?
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* Curiosamente, na mesma edição do Expresso lia-se que Eduardo Catroga afirmara "O governo de José Sócrates devia ir a Tribunal. O fartar vilanagem foi uma tragédia nacional", na sequência de troca de acusações com Silva Pereira.- vd. aqui

2 comments:

Antonio Cristovao said...

Parte da reforma se tivesse sido feita aumentaria o desemprego para valores ainda mais assustadores. Assim os portugueses escolham gente decente talvez com o QE se possa crescer um pouco e ir libertando mais pesos mortos nas autarquias e g. central.

Rui Fonseca said...


É bem possível que sim.

Mas é incompreensível que tenham andado a fazer ao faz de conta tanto tempo.