Saturday, February 14, 2015

PROPAGANDA AUTÁRQUICA

Um dia, era presidente da Câmara Municipal de Lisboa o sr. Pedro Santana Lopes, quando descia a  Joaquim António de Aguiar em direcção ao Marquês de Pombal, andava uma equipa a remendar uns buracos no asfalto no cruzamento com a Rua Castinho. Apesar de se tratar de um dos mais elementares trabalhos que competem às autarquias - reparar os pavimentos dentro da sua área de intervenção - a Câmara aproveitou a oportunidade para propagandear os méritos da sua gestão e mandou colocar no local um cartaz em que se lia, mais ou menos, isto: "Repare que estamos a trabalhar para lhe garantir uma vida melhor".

Aquela mensagem, que não é um caso extremo do ridículo demagógico da propaganda com que muitos autarcas caçam votos, é apenas um exemplo do uso e abuso dos dinheiros públicos de  despesas camarárias em propaganda pessoal daqueles que os cidadãos elegem para administrar os interesses locais comuns.

A Câmara de Cascais, por exemplo, desdobra-se em esforços de chá e simpatia para vender a ilusão de uma democracia directa dispendendo fundos que, espremidos os resultados, não deitam sumo que se veja, para além dos ganhos daqueles que ganham os contratos de publicidade e propaganda, e que se receia sejam sempre os mesmos. A mais recente acção de promoção pessoal do sr. presidente da edilidade e da sua equipa suporta-se na demolição de uma estrutura inacabada e na construção, no mesmo local, de um edifício menos volumoso e dedicado ao que os municipes, segundo a propaganda, quiserem ver naquele sítio. Garante a sabedoria popular que um camelo é um cavalo desenhado por uma comissão mas tem de admitir-se que possa sair desta iniciativa da edilidade cascalense uma saída de se lhe tirar o chapéu.



Nada justifica, no entanto, a não ser a propaganda pessoal dos autarcas, os dispêndios com a divulgação de uma iniciativa que não encobre, porque evidencia junto de quem não emprenha pelos olhos ou pelos ouvidos, o facto de existirem no centro de Cascais, dezenas de edifícios degradados e abandonados há décadas sem que alguém, alguma vez, tenha dado conta aos munícipes das razões pelas quais aqueles fantasmas estão e, parece que fatalmente, continuarão ali.


Correl. - Cascais também é isto
Cascais 

1 comment:

Antonio Cristovao said...

Viver em Cascais com tanta propaganda e narrativas, por vezes parece mesmo uma conversa da treta.