Wednesday, February 24, 2016

O JOGO DA CABRA CEGA

O magistrado era especialista em crimes económicos e fiscais. Saiu para o grupo Millennium-Bcp, com licença sem vencimento,  para  a área de "compliance", onde é suposto controlarem-se os movimentos clandestinos de capitais, e aplicou os conhecimentos adquiridos no Ministério Público para passar-se para o inimigo. A corporação tinha-lhe ignorado a rota mas alguém o denunciou e o trânsfuga está agora detido, acusado por suspeitas de corrupção e branqueamento de capitais.

Nada de novo. 
É rara a semana em que, neste país, onde a palavra honestidade ficou obsoleta, não venha à tona um escândalo económico, financeiro ou fiscal, geralmente tudo no mesmo pacote.
E, agora, o que é que acontece?
Analisando a tendência é difícil não concluir que não acontecerá nada. 
(vd. aqui)

"ex-PGR, Pinto Monteiro diz ter defendido que "nenhum magistrado deveria poder sair de um departamento em que houvesse processos – ou outra matéria de risco – para alguma das instituições que estivessem envolvidas nesse processo", apontando "pelo menos um período de dois anos de nojo" para isso ser permitido. Questionado sobre por que não avançou com essa sugestão que diz ser "importante para não haver aproveitamento nem suspeitas", alegou que "não [teve] grande apoio do CSMP".

Nojo, sugere o ex-PGR!
Quem tem a deliberada intenção de uma golpada não tem nojo de nada.
Só há uma forma de contrariar esta situação imunda que nos afoga de escândalos: julgar e penalizar de forma exemplar,  a tempo e horas, os criminosos. Isto é, aquilo que o Ministério Público e os Tribunais deveriam garantir e, provadamente, não garantem.

1 comment:

Antonio Cristovao said...

Bem no ponto