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Thursday, December 31, 2015

DESAFIOS E EMPECILHOS PARA 2016

E. Catroga reafirma em artigo publicado ontem no Diário Económico - Cinco grandes desafios para a economia portuguesa - as políticas que em outras intervenções públicas considera fundamentais para a continuação da recuperação económica e financeira dos últimos (subentenda-se quatro) anos.

Dos cinco desafios destaco dois - o equilíbrio das contas externas (o único indiscutível objectivo alcançado pelo governo anterior) e a criação de condições para o reforço da tendência da melhoria da poupança nacional bruta (famílias, empresas e o Estado - por se estabelecer entre eles um trade-off que não foi contrariado pelo governo anterior e nada perspectiva que venha a ser considerado pelo actual governo.

O reequilíbrio das contas externas alcançado pelo governo anterior foi óbvia consequência 1) da redução do poder de compra dos portugueses, sobretudo através da redução de salários da função pública e das pensões de reforma, e do aumento de impostos 2) do ocasional aumento da poupança das famílias provocado pelo receios insuflados pelo ambiente pós-espoletar da crise. 
A contribuição do aumento das exportações (muito influenciado pela entrada em funcionamento da nova refinaria da Galp) não é, razoavalmente, creditável a qualquer medida do anterior governo nesse sentido, decorrendo antes de uma reacção (notável, aliás) de produtores portugueses à contracção da procura interna.
À medida que o ambiente de crise se desanuviou retomaram-se gradualmente os hábitos de consumo e alguma recuperação dos salários e pensões começaram a aproximar os saldos das contas externas do seu comportamento normal atavicamente negativo. Porquê?

Era, e continua a ser, inevitável aquele trade-off?
O actual governo ao repor parte dos rendimentos cassados pelo governo anterior vai, inevitavelmente, provocar o aumento das importações líquidas (deduzidas as importações destinadas à incorporação nas exportações) e mergulhar o saldo das contas externas no seu meio habitual, negativo. A não ser que sejam criadas melhores condições de captação da poupança nacional, mas não conheço alguma medida que pretenda atingir este objectivo. 

Ontem, os certificados de aforro fizeram anos: 55, mas já não atraem os pequenos aforradores*. A taxa está agora em torno de 0,9%.  Quanto aos depósitos à ordem, há taxas sensívelmente acima oferecidas por bancos a denunciar dificuldades de captação de fundos a custos inferiores. Foi do aproveitamento destas taxas que acabaram por beneficiar os depositantes dos bancos falidos posteriormente resgatados com os impostos pagos pelos tansos fiscais, continuando impunes os culpados.

E há as aplicações em fundos de investimentos, dizem-nos os seus gestores garantindo-nos que desta vez é diferente. E há quem acredite. E há quem seja bem sucedido. Mas, para onde vai o dinheiro aplicado nos famigerados fundos? É aplicado em fundos estrangeiros, portanto exportado. Concorre para o aumento da poupança bruta sem quase qualquer reflexo positivo na poupança líquida.

Por outro lado um "novo impulso do mercado de capitais", depois dos sucessivos assaltos banqueiros de que foi alvo nos últimos tempos, se o português responder a uma eventual chamada tenho de concluir que há mesmo uma perda geral de memória em Portugal. 
Reconheça-se que tem mostrado muitos sintomas disso, ultimamente.

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Correl . -* Peso dos certificados na dívida de Portugal caiu para metade em 17 anos

Wednesday, September 30, 2015

RECAÍDA À VISTA

A poupança das famílias está em queda desde 2013, tendo atingido no 2º. trimestre deste ano o valor mais baixo desde o começo do milénio. 
 
Por outro lado, os portugueses nunca tiveram tanto dinheiro em depósitos à ordem. 
As poupanças aplicadas nos Certificados do Estado, onde as taxas são mais altas, aumentam mas estão longe dos 36 mil milhões depositados pelos particulares nas contas à ordem. Depósitos valem 60% dos activos da banca.
Certificados de Aforro vão render ainda menos em Outubro em consequência dos mínimos históricos consecutivos que têm sido atingidos pelas taxas Euribor.

O que é que está na origem do comportamento dos portugueses reflectido nestas notícias divulgadas pelos jornais nos últimos dias? 

A srª. Manuela Ferreira Leite atribui na sua habitual coluna do Expresso a inusitada preferência pelos depósitos à ordem ao medo ao risco, ( ) e que muito provavelmente poderá estar relacionado, entre outros, com o caso "BES"*.  Mas a confiança, sustentáculo primordial da actividade bancária, abalada por uma sucessão de escândalos, poderá condicionar o comportamento de alguns, mas apenas de alguns, daqueles a quem sobram no fim do mês algumas poupanças. 

A razão de peso da preferência pelos depósitos à ordem, do meu ponto de vista, é outra: as taxas de juro a roçar o zero dos depósitos a prazo e das aplicações em títulos da dívida pública. Entre aplicações amarradas a prazos de vencimento e retribuições abaixo das taxas de inflação e a disponibilidade da liquidez dos depósitos à ordem, muitos daqueles que não gastam tudo o que ganham preferem os DO para o que der e vier. Se a desconfiança fosse suficientemente desmotivadora não teriam os lesados do BES embarcado em aplicações de alto rendimento poucos anos depois da erupção do escândalo  BPN. E quem não confia na banca nem depósitos à ordem lhes confia. 

As taxas de juro motivam a propensão para poupar ou consumir. Neste momento a motivação vai no sentido da preferência pelo consumo, preferencialmente produtos importados. 
E assim se prepara o terreno onde germinam as crises: crédito barato, poupança escassa, consumo importado elevado, desequilíbrio da balança comercial, aumento do endividamento, estagnação económica.
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* "Assim, confio que o distanciamento do Governo em relação a este caso não passe de aparência, porque, apesar de se tratar de matéria do domínio privado tem efeitos que atingem o interesse público. E não é pelo défice, é pelo crescimento económico", escreve, inigmaticamente, MFL a terminar o seu artigo.

Wednesday, June 03, 2015

PIADA

- Viva! Boa tarde! Está tudo bem consigo?
- Tudo, seria exagero ...
- Telefono-lhe para lhe pedir a sua opinião a respeito do seguinte: amanhã vence-se um depósito a prazo que tenho no Montepio. Acha que o devo levantar ou deixar estar?
- Se essa dúvida lhe ocorre é porque perdeu a confiança nesse banco.
- Perdi a confiança em todos, essa é que é a porra. Agora vai entrar um tipo para a presidência que vem da Inapa. Conhece-o?
- Não. Não conheço de parte nenhuma.
-  E então, Acha que levante ou deixe ficar?
- Levante. Se tem dúvidas levante. E deposite onde o sinta mais seguro.
- Só se for debaixo do colchão.
- Aí, não. Se o roubam não saberá quem roubou. Não tem conta noutro banco?
- Tenho no BCP, mas estou irritado com eles. 
- Que juro lhe pagam no Montepio?
- Pagavam, agora não sei se pagam, 2,5% ao ano. Mas eu não me importo com os juros, o que eu quero é não perder a massa. 
- E o BPI, já experimentou o BPI?
- São uns chatos esses gajos.
- E o BIG?
- O que é isso?
- Por que não subscreve certificados de aforro? Ou do tesouro?
- Isso é Estado.
- E então?
- Está falido.
- Portanto, o seu problema é não saber o que fazer ao dinheiro ...
- Pois é. Mas não é por ter muito, é por ter pouco.
- Gaste-o!
- Vou pensar nisso.




Wednesday, November 14, 2012

DEBAIXO DO COLCHÃO

Na passada sexta-feira, "dia da poupança", o governador do Banco de Portugal divagou ( vd aqui), perante uma assistência seleccionada, acerca dos benefícios e dos malefícios da poupança, e debitou, para além de um conjunto de lugares-comuns - a poupança em si não é produtiva e tem um impacto negativo sobre o consumo, só é virtuosa quando transformada em investimento, que, por sua vez, gera aumento de oferta e oportunidade de mais consumo no futuro - e uma afirmação patusca: se a poupança, decorrente da abstenção de consumo, for colocada num cofre ou debaixo do colchão, não se traduz em investimento nem em sustentação da procura.
 
Patusca, porque só por brincadeira com coisas sérias o governador do Banco de Portugal supõe, ou quer fazer supor não sei a quem, que os capitais que contam e que se escapam ao consumo e ao investimento se abrigam debaixo dos colchões dos portugueses. O governador do Banco de Portugal não ignora algumas das causas que permitem à Alemanha, além de outros países do norte e até a França, financiar a sua dívida a juros negativos ou próximos de zero, ao mesmo tempo que os países financeiramente fragilizados pagam juros incomportáveis e vêm as suas dívidas progredirem numa espiral medonha que ameaça a continuidade da União Europeia.
 
Mas também patusca porque o governador do Banco de Portugal sabe que a poupança e o crédito importado pelos bancos se direccionaram, em larga medida, durante muitos anos para o investimento em cimento e para aplicações especulativas que, em muitos casos, eram, e continuam a ser, um jogo de casino onde toda a batota, foi, e ainda é, ignorada pela supervisão do Banco de Portugal. Terminada a bebedeira do cimento, quem se apoquenta agora com o futuro, o que poupa ainda o confia aos bancos, a julgar pelas notícias que dão conta de, espantosamente, estarem a subir em Portugal os depósitos a prazo em Portugal.
 
O que fazem os bancos a estas parcas poupanças, governador? Aplicam-nas em investimentos reprodutivos que criem sustentavelmente riqueza e emprego?  Onde, governador?
 
"Poupar para investir é a estratégia certa". Pois é. Mas enquanto não houver, pelo menos, a união bancária, que o governador na ocasião disse defender, não haverá nem recursos suficientes, nem investimentos a sério. E até lá, debaixo dos colchões dos portugueses não creio que haja coisa que valha  um discurso do governador do Banco de Portugal.  

Friday, May 11, 2012

OS DEFICITÁRIOS

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c/p aqui

Há mais dívida para além de mais défice.
Também há mais vida, como desplicentemente afirmou Sampaio, mas é complicada, como advertiu de seguida Ferreira Leite.   
A União Europeia não anulou as fronteiras da dívida externa, contrariamente ao que garantiram alguns reputados especialistas em bancos centrais, na altura.

Os japoneses devem a eles mesmos. Gregos e portugueses devem sobretudo aos outros. 

Mas por que é que não se incentivam os portugueses a aplicarem as suas poupanças em dívida pública do seu país? Por que é que os certificados de aforro estão em vias de extinção e os certificados de tesouro estão a murchar à nascença? 
Obviamente, porque os bancos, que afogaram Portugal com crédito, promovendo-o até com artistas da bola e da televisão, procuram agora, recorrendo aos mesmos artistas, as poupanças que o estado, mais obrigado que descuidado, lhes dispensa.

São parcas as poupanças dos portugueses mas, até essas, são persuadidas a voltar as costas ao Estado.

A bem dos bancos.

Wednesday, January 25, 2012

POR AMOR AOS BANCOS

Portugueses retiram quatro mil milhões de euros dos Certificados de Aforro em 2011, segundo notícia de anteontem publicada no Público, prosseguindo a prática corrente iniciada desde que o governo anterior decidiu matar os Certificados de Aforro.

Escrevo decidiu matar porque não há outra justificação inteligente para uma medida que, irremediavelmente, os pequenos aforradores não deixariam, mais tarde ou mais cedo, de reconhecer como persecutória de um meio de poupança de execução simples, tanto nos depósitos como nos resgates, mobilizável em qualquer altura e em qualquer estação dos correios, com os juros contados conhecidos em qualquer momento.

Em resumo: o ministro Teixeira dos Santos, no momento em que os problemas da dívida pública se exacerbavam, os juros pagos aos credores estrangeiros atingiam níveis insuportáveis, as poupanças dos portugueses voavam, se não se esfumavam, entendeu dar um golpe nos Certificados de Aforro reduzindo-lhes os juros a níveis ridículos. Para onde foram esses fundos? Para os bancos, evidentemente, até porque os títulos alternativos de poupança que lançou na altura requeriam a mãozinha banqueira. 

Que fez, a este propósito, o actual ministro? Basicamente, o mesmo. 
E o português, que pode ser pouco instruído em finanças, sabendo contar continuou a retirar. 

No mês de Dezembro, os portugueses continuaram a retirar dinheiro dos certificados de aforro (CA), agravando uma tendência que dura há mais de dois anos. No total de 2011, foram retirados 4086 milhões de euros, um valor que está dentro do previsto pelo Governo, que esperava uma saída de 4080 milhões.

Note-se a nuance: O governo, neste caso, só errou em 6 milhões de euros, menos de 1,5 por mil!
Aposto que nunca o governo, este ou outro qualquer, acertou num cálculo anual tão em cheio.
O que é que isto prova?

Aquilo que comecei por afirmar: O governo anterior e este governo continua com a mira apontada para os amaldiçoados Certificados de Aforro.

Quanto aos Certificados do Tesouro, a tal coisa que procurava captar os fundos resgatados dos Certificados de Aforro, são um fiasco: no último mês do ano, foram aplicados 41 milhões de euros e resgatados 26 milhões. Em cerca de um ano e meio de existência dos CT, o saldo acumulado é de 1308 milhões de euros.

Se os ministros das finanças sabem fazer contas, e pelos vistos sabem e acertam neste caso em cheio, com que objectivo promovem a retirada de fundos de portugueses à guarda do Tesouro quando o Tesouro está falido? Só há uma resposta possível.

É amor a mais.

Wednesday, November 16, 2011

UM PAÍS DE GENTE POUCO POUPADA

A Poupança em Portugal

Mais um trabalho do Núcleo de Investigação em Políticas Económicas da Universidade do Minho divulgado
aqui, e citado aqui.

Wednesday, April 13, 2011

FADO 4

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 Taxa de poupança bruta entre 1960 - 2010


Emigração portuguesa (milhares de portugueses) entre 1850 e 2008

Wednesday, June 02, 2010

ACERCA DE CIGARRAS E FORMIGAS

Aqui e  aqui, dois artigos de Martin Wolf sobre a convivência mundial entre quem poupa em quem gasta.
Interessantes, como sempre.

Friday, May 14, 2010

BLUE & RED

Muita gente já abordou a questão da aparentemente absurda baixa remuneração dos certificados de aforro, com o consequente desvio da poupanças de muitos portugueses para outras aplicações mais interessantes, geralmente depósitos a prazo.
É indiscutível que a taxa de poupança em Portugal é extremamente baixa e que, não sendo a remuneração dos certificados de aforro, ou outros títulos da dívida pública colocados internamente, atractiva, os juros pagos pelos bancos em depósitos a prazo situa-se também a um nível que não alicia a poupança.
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Diz-se que se o Estado pagasse mais pelos títulos de dívida emitidos para nacionais, mas ainda assim aquém do que está pagar pelos empréstimos externos, os bancos veriam a sua liquidez reduzida e a sua rentabilidade comprometida. Donde, a ser verdade a suspeita, os portugueses estarão a ser coagidos a entenderem-se com os bancos porque o Governo não quer que o Estado concorra com os bancos na obtenção de fundos nem parece interessado em fomentar o crescimento da poupança interna. Deste modo, além de conceder aos bancos a preferência paga-lhes depois o custo da intermediação nos empréstimos que contrai junto deles.
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Para um País com problemas graves de endividamento externo e reduzidos níveis de poupança a estratégia do Governo, também neste caso, parece incongruente.
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Hoje, durante a 5ª. Conferência sobre a Economia Portuguesa, do Banco de Portugal, foi avançada a ideia da criação de uma regra no âmbito do sistema monetário europeu restritiva do nível de envidamento externo soberano (até 60% do PIB), - red debt -, devendo a parte restante resultar de poupança interna - blue debt. Eventualmente, as red bonds serão eurobonds, emitidas e garantidas globalmente.
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Provavelmente, mais uma vez, o Governo estará à espera de instruções da Tia Merkel.

Thursday, April 16, 2009

POU-POU-PA






You believe there is a need for more restrained spending and a higher savings/investing rate in the U.S.—closer to what you observed in China two decades ago. But economists warn that if everyone opts for higher savings at the same time, it will kill consumer spending completely and hamper economic recovery.

You'll never see America save one-third of its annual income [the way the Chinese once did]. Even Japan is down to a 15% savings rate. America should increase its savings rate. Thirty years ago, America was saving 9% or 10% of its income.
The reason we're having this
crisis is everyone borrowed too much. The idea that you can solve a period of horrible borrowing and spending with more borrowing and spending is not going to work. We've had the worst credit excesses in world history, mainly in the U.S. You can't end a problem like that with no pain. Somebody's got to suffer.

Jim Rogers/ BusinessWeek

Monday, December 15, 2008

Friday, October 20, 2006

JOVENS & LIBERAIS, Lda - Consumo e Poupança

Comentário colocado em Lóbi do Chá , a propósito do post "A armadilha da poupança"

Caro JCS,

Quem nos ler deverá pensar "que grandes maduros!".

V., JCS, faz uma crónica a criticar uma recomendação de poupança.


Tese sua: Poupança, uma ova, se toda a malta se põe a poupar, pára o combóio!

Leio, e comento: Poupar também é preciso. Sem poupança não há investimento. Sem investimento não há crescimento económico. Além do mais, acrescento, o consumo só é dinamizador da economia se não for importado. Haverá crescimento no local exportador. De modo que mais tarde ou mais cedo, o consumidor terá de ir trabalhar para o local do exportador.


Isto, meu caro JCS, é do ABC da Economia. Não o conheço, mas olhando à volta, estou em crer que não só domina o ABC mas a Cartilha toda. Por isso, desde logo pensei: está a brincar connosco.

Mas V., JCS, insiste e, sem retorquir o que eu disse, volta com a tese de que se acabar o consumo acaba o mundo.Elementar meu caro JCS. Claro que acaba. Mas quem é que defendeu o fim do consumo?

Mas se acabar a poupança o mundo também acaba. Leva é mais um bocadinho de tempo.

Não acha?

Acho que embarquei numa conversa de chacha.