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Sunday, December 11, 2016

ESTÁ OUTRA VEZ O BURRO NAS COUVES

"Economistas do FMI realçam que ainda não é hora de pânico, mas de reforçar vigilância sobre preços. Portugal registou a 15.ª maior subida anual entre mais de 60 países analisados"aqui

Os economistas do FMI não são muito fiáveis: uns dias dizem que sim para no dia seguinte garantirem que não.  Neste caso, o aviso não é falso. Que os preços do imobiliário têm subido para níveis entusiasmantes, ninguém, que esteja minimamente atento, deve duvidar. Que essa subida seja generalizada, não deve ser verdade. Se fosse, não estaria a banca portuguesa em geral tão aflita com o peso de tantos calotes, imparidades é mais fino mas o google não reconhece e ... sugere-me impuridades.  

O que é que sobe? Sobretudo o que é mais caro. 
Quem compra? Quem tem dinheiro ou consegue crédito.
Como as taxas de juro subsistem, em termos reais, a níveis negativos, e a bolsa é um porta-moedas a cabriolar em quedas medonhas para o tamanho que tem, o imobiliário é a saída natural para quem, além do mais, é assustado com a instabilidade política na Europa a ameaçar o euro, a anemia da economia, a reestruturação da dívida (se acontecer alguém acredita que só atinge os outros?). Tudo isto e mais alguma coisa a acrescentar ao impulso, de consequências futuras imprevisíveis, que a entrada de investidores financeiros estrangeiros, fiscalmente beneficiados, provoca nas zonas turisticamente mais atractivas.

Correl . - vd. aqui

Monday, December 14, 2015

A QUINTA DO MOCHO E WASHINGTON DC

O que é que têm em comum a Quinta do Mocho e Washington DC?
A Quinta do Mocho mereceu há dias uma reportagem, que registei aqui, a propósito das pinturas murais que imprimem ao bairro uma imagem mais atractiva.
As pinturas murais encomendadas pelo maior empresário no sector do imobiliário em Washington DC, com o nítido propósito de promoverem as suas propriedades, são hoje reportadas aqui em duas páginas do carderno "Business" do Washington Post.

"Os murais que o gigante do imobiliário JBC mandou pintar na sua vizinhança são arte ou marketing? Ou ambas as coisas?"
"Tem sido desde há bastante tempo um acto de rebeldes, activistas, e, certamente, de criminosos que 
revestem as paredes de uma cidade com uma lata spray de tinta. E continua a ser o propósito de outsiders que fazem o seu trabalho às escondidas a horas mortas.
Mesmo para aqueles que fizeram nome com  a sua arte de rua, como o travesso e mordaz, lenda do grafitti, britânico Banksy, a retribuição é frequentemente assistirem à sua raspagem ou repintagem pelas autoridades"









Continue a ler aqui.










Monday, February 25, 2013

PARA O QUE ELES ESTAVAM GUARDADOS

Ouço esta manhã na rádio, e confirma-se aqui, que o ministro da economia, acompanhado do secretário de estado do turismo estarão hoje e amanhã em Londres para promover a venda de imobiliário. Parece bizarro, e é. A que título dois membros do governo português se incumbem da venda de imóveis que, presume-se, nem sequer são pertença do Estado? Trata-se, segundo as noticias, de prédio de gama alta e média alta, de valor superior a 500 mil euros, podendo alguns atingir os 3 milhões. Serão cerca de 10 mil, a maior parte dos quais no Algarve.
 
É verdade que há precedentes de peso. Sócrates, por exemplo, promoveu, vendeu e distribuiu "Magalhães", mas Sócrates dizia-se socialista, e um socialista, se for caso para isso, arregaça as mangas e leva as funções do Estado até onde os credores o deixarem ir.
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Mas de Álvaro Santos Pereira suponho que nunca ninguém suspeitou tivesse vocação ideológica para substituir os empresários, que construiram, ou os banqueiros que financiaram, e fazer aquilo que só a eles compete fazer.  Para Adolfo Mesquita Nunes, libertário assumido, para quem o Estado deve ser mínimo, a incumbência de caixeiro viajante em nome do Estado só é presumivelmente  tragável por ser putativamente do interesse de terceiros privados.
 
Espera-se que sejam bem sucedidos. E que, naturalmente, não se esqueçam de cobrar as comissões que são devidas a qualquer bem sucedido agente imobiliário. Neste caso, obviamente, o Estado.

Tuesday, September 04, 2012

DESTA VEZ É DIFERENTE

Robert J. Samuelson, jornalista do Washington Post (sem nenhuma relação familiar com Paul Samuelson, Prémio Nobel da Economia em 1970) afirma-se partidariamente independente e, por essa razão, não vota. 
Ontem, o WP publicava um artigo seu - Grading Obama´s economics -, onde o veterano Robert faz uma avaliação da administração de Obama desde que tomou posse em Janeiro de 2009: não mais que um medíocre C+, reconhecendo, no entanto, que o presidente dos EUA tem pouca influência na evolução da situação económica do país.

Afirma Robert que, depois de bater no fundo em meados de 2009, a economia norte-americana cresceu apenas 2,2% /ano, que comparam mal com o vigor das recuperações observadas nas nove crises anteriores desde 1950 - em média , 4,2% durante os primeiros três anos.

 Há neste julgamento do independente Robert J. Samuelson um enviesamento de raciocínio que, não podendo atribuir-se à sua falta de conhecimento da história económica contemporânea dos EUA - que vem comentando há mais de três de dezenas de anos -, nem a ideologia partidária, de que se diz isento, a meu ver à apreciação de Robert escapou um factor que, não sendo subtil, parece escapar à maioria dos comentadores tanto nos EUA como na Europa, e, nomedamente, em Portugal.

 Carmen Reinhart e Keneth Rogoff defendem em This Time is Different: Eight Centuries of Financial Folly que esta crise não é diferente das outras, e que pouco se aprendeu (ou pouco se quis aprender) com as causas e consequências conhecidas das crises anteriores. A escalpelização exaustiva dessas crises permitiu-lhes estabelecer padrões que se repetem nos diferentes sintomas das sociedades onde houve desvalorizações profundas das moedas, inflações e hiperinflações, incumprimento de dívidas externas e domésticas, assim como dos ciclos nos preços dos imobiliários e nas bolsas de valores, nos aumentos do dresemprego, nas receitas dos estados como reflexo dessas mesmas crises.

E, no entanto, há aspectos, que não podem ser descartados, na configuração desta crise. O centro de gravidade da economia mundial está a deslocar-se para o Oriente. A economia chinesa deve ultrapassar, a curto prazo, o peso da economia norte-americana, depois de já ter deixado para trás a economia japonesa e a economia alemã. A economia da União Europeia, sendo globalmente ainda maior, ainda não é uma economia realmente globalizada.

A deslocalização industrial do ocidente para oriente foi lubrificada com o forte afluxo de capitais em sentido contrário, animando o crescimento do imobiliário que passou a representar no total da riqueza produzida uma quota insustentável. Uma vez, inevitavelmente, invertida a tendência do ciclo no sentido descendente, a recuperação, para ser tão vivaz como em retomas anteriores, teria de contar com uma mola económica que lhe permitisse igualar o padrão. O sector imobiliário, só por si, não consegue isso e os sectores industriais estão no outro lado do mundo. A queda dos preços do imobiliário atingiu os 30%, e só agora parece ter parado.

Como é que poderia ter sido diferente?   

Thursday, December 17, 2009

ACERCA DA ESPECULAÇÃO IMOBILIÁRIA EM PORTUGAL

(...) A legislação urbanística portuguesa de hoje em dia, em contrapartida, é uma verdadeira obra-prima da corrupção sistemática do aparelho do Estado e das Autarquias. Pode dizer-se que um especulador não teria escrito melhores leis para si mesmo. Desde que foi publicado o Decreto-Lei n.º46/673, fazendo da privatização de loteamentos e mais-valias urbanísticas o estribo da política nacional de solos (2), uma minoria de políticos e funcionários públicos que controlam a emissão de alvarás urbanísticos e a revisão de planos de ordenamento detêm o poder quase soberano de redistribuir a riqueza nacional em favor de quem lhes aprouver, sem necessidade de prestarem quaisquer contas perante os restantes cidadãos. A perspectiva de conquistar essas “fortunas trazidas pelo vento” (3) a que se chama mais-valias urbanísticas (4) graças ao controlo de certos cargos políticos e administrativos atrai para a vida partidária não poucos oportunistas ansiosos por sobraçar pastas e pelouros ligados ao urbanismo. Quem paga este jogo? Quem ganha com ele? (...)
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Por força da bolha imobiliária dos últimos vinte anos, as poucas dezenas de milhar de indivíduos que controlam esse sector, mancomunados com uma poderosa rede de governantes, legisladores, autarcas e funcionários públicos, locupletaram-se açambarcando centenas de milhares de fogos habitacionais e revendendo-os mais tarde a preços especulativos produzidos sob o beneplácito de uma legislação oportunista, e ainda graças à manipulação política de alvarás urbanísticos e de planos de ordenamento do território. Num processo comparável ao da maré ultra-liberal que assolou a Europa entre a Revolução Francesa e as Revoltas de 1848, criou-se uma nova aristocracia rentista, tornada imensamente rica não por via do empreendedorismo produtivo, mas por meio do controlo oligopolista e político desse bem essencial que é a habitação. Foi um jogo de anti-mercado, travestido de “progresso”, que deu resultados de soma zero: o montante total das fortunas dos novos aristocratas imobiliários igualou a dívida gigantesca, em hipotecas quase perpétuas, de toda a geração que necessitou de adquirir casa neste período infeliz.Quando uma sociedade inteira começa a percepcionar a acumulação de riqueza não como uma recompensa do trabalho ou do empreendedorismo, mas como o resultado de favores político-administrativos que transferem dinheiros que deveriam ser públicos para os bolsos de uns poucos privados, estabelece-se uma degradação da moral pública que asfixia o mérito e a produtividade.
(...)
A concretização política destas reformas, aparentemente simples de um ponto de vista técnico, não será fácil. Nas autarquias, nos órgãos de soberania, no tecido empresarial do país, existem inúmeros protagonistas cuja ascensão ao poder tanto político como económico resultou das oportunidades de enriquecimento a expensas de alvarás urbanísticos. Rebentada a bolha imobiliária, a fonte das suas riquezas secou; mas o seu poder político mantém-se. Se, durante as décadas de despautério imobiliário não souberam fazer melhor do que promover o caos urbanístico aprovando loteamentos em terrenos de aliados seus, ao mesmo tempo que fechavam os olhos ao endividamento nacional que sustentava as fortunas que criaram a dedo, dificilmente serão eles a encontrar solução para o problema em que a sua ganância nos lançou.Quem sacrificou Portugal à corrupção urbanística não pode salvar o país da miséria que ela trouxe. (...)
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Leio este texto de P Bringue e não posso senão concordar com ele.
Mas depois interrogo-me: Quem esteve (e está) a grande maior parte do tempo à frente dos destinos deste país depois do 25 de Abril?
Não deixa de ser surpreendente e irónico que este magnífico libelo acusatório seja subscrito por um socialista.
Remorso ou repulsa, quem é culpado por ti?
Concorde-se ou não, com tudo ou com parte, vale a pena continuar a ler aqui.

Saturday, October 20, 2007

A GRANDE ILUSÃO

Há dias podia ler-se no caderno Expresso de economia que em Portugal a "dependência do imobiliário chega aos 57%". Por cada euro que um banco empresta, 57 cêntimos vão para a casa e para outras actividades ligadas por cimento, como construção, pontes ou estradas. Em Espanha são 60 cêntimos, Em Inglaterra 43 cêntimos. Considerando apenas a habitação, o peso do crédito concedido é de 44,7% na Finlândia, 41,9% na Alemanha, 35,8% em Espanha, 18,2% na Itália, 12,2% no Luxemburgo, segundo o BCE - Balanço agregado das instituições monetárias da zona euro.
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Em Portugal, a exposição ao imobiliário, dos bancos portugueses era a seguinte (dados em 2006) : Montepio 90,2%;CGD 66%; BCP 55,9% BES 48,9% BPI 45,9% Banca 57,2%.
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Daqui se pode concluir a excessiva importância que o sector representa nas economias europeias em geral e na portuguesa em particular. E avaliar os riscos que o rebentar da bolha pode deflagrar.
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Curiosa, no entanto, a este propósito é a posição do presidente da Associação Portuguesa de Bancos: "os montantes do crédito à habitação resultam do sucesso das campanhas dos bancos. É um sector muito atractivo, todos os bancos esmagaram margens para ganhar quota. São clientes muito estáveis...Se houver uma grande crise não temos forma de escapar dela. Se houver uma descida de preços não muito acentuada em Espanha, não vejo que haja muitos problemas, além de alguma estagnação nas compras e vendas. Cá a habitação é uma grande prioridade, porque não há mercado de arrendamento, e portanto as pessoas venderão primeiro o carro e reduzirão outras despesas, antes de deixar pagar a casa."
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O discurso de João Salgueiro, que repercute uma ideia generalizada de que não há um mercado de arrendamento, inverte por completo a realidade: - existe um mercado de arrendamento. Os senhorios são os bancos. O negócio é tão importante para eles que se degladiam a conquistar quotas de mercado uns aos outros. E por ser tão importante não podem deixar de o manter e reforçar, por falta de alternativas; - os senhorios (à moda antiga, chamemos-lhes assim) não têm quaisquer hipóteses de competir com a banca a não ser em situações de arrendamento temporário ou a inquilinos sem capacidade de apresentação de garantias consideradas suficientes pelos bancos, um nicho "sub-prime" à portuguesa.
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Mas o slogan mantem-se e as causas para a continuação do estado de degradação de muitas casas continuará a ser atribuída à lei das rendas.