Sunday, September 23, 2018

ROSA


SINTRA, 13 de abril de 2018


Querida Rosa Morena,
Querida Doralice,

Ontem, depois do jantar, estávamos, eu, o teu avô Rui e a tua avó Isabel, a ler as notícias nos jornais, ou a ver as que passavam na televisão aquela hora. Nós não vemos muita televisão, preferimos antes um bom teatro, um bom filme de cinema, de vez em quando até um jogo de futebol, embora nenhum de nós seja adepto de um clube qualquer ou perceber grande coisa de futebol.  Para dizer toda a verdade, é frequente confundirmos quem é que está a jogar de um lado e do outro porque, aí já chegámos à conclusão, eles mudam muitas vezes de clube e ainda mais frequentemente de cor das camisolas.

De repente, a vossa avó Isabel disse:
- A Rosa Morena faz anos a 13 de Maio, hoje já são 11 de Abril, temos que preparar um cartão de boas festas para enviar à Rosa Morena e não podemos atrasar-nos porque o tempo passa a correr (isto é o que dizem as pessoas porque até hoje nunca ninguém viu o tempo a correr, vocês já viram?, pois não, as palavras às vezes são marotas, é preciso ter cuidado com elas), e os correios andam atrasados.

Ora, nós não somos avós de ir ali à papelaria do lado comprar cartões iguais aos que os outros compram. E assim, todos os anos, temos construído nós mesmos os cartões que enviamos aos nossos netos, a vocês Rosa Morena e Doralice, em Hombrechtikon, na Suíça, e ao Miguel e à Rita, em Reston, na Virgínia, Estados Unidos da América. E que prazer, que encanto sentimos no tempo que dedicamos a esses trabalhos manuais em cartolinas de várias cores, com desenhos, assim uma espécie de origamis inventados por nós dedicados nossos queridos netos, todos diferentes, todos os anos.

Este ano, disse o avô Rui, vamos mudar completamente de técnica, de estilo e de tamanho: vamos enviar à Rosa Morena uma mensagem com sete metros de comprimento. Ela faz sete anos, a mensagem terá sete metros, que te parece?
Parece-me bem. Vamos a isso.

E fomos! Fomos ao Staples que é uma loja grande onde vendem muita coisa, e também vendem papeis, cartolinas e outras coisas assim, e ficámos depois a saber, também imprimem o quer que seja no comprimento que desejarmos.

O senhor que nos atendeu, para ser mais preciso devo dizer o jovem que nos atendeu, porque, dizendo senhor vocês poderiam pensar que estava a referir-me a um homem com muita idade, assim com quarenta ou cinquenta anos ou mais, mas dizia eu, perguntou-me o jovem para que fim queríamos nós imprimir um papel com um comprimento tão fora do vulgar.
  
Dissemos-lhe que era para escrever uma mensagem de desejos de feliz aniversário para a nossa neta Rosa Morena, que vive em Hombrechtikon, na Suíça. Ela vai completar sete anos no próximo dia 13 de Maio.
Ah! Agora percebo, perfeitamente. Só perguntei porque poderia estar a interpreta mal o que pretende. Então para o ano serão oito metros?
Sim, cada ano a mais, um metro a mais. Para isso é que que bebo todas as manhãs um copo de água morninha com um pinguinho de limão.
E resulta?
É uma evidência: Enquanto continuar a beber todas as manhãs um copo de água morninha com um pinguinho de limão, vou poder continuar a mandar postais a desejar felizes aniversários aos meus netos até, pelo menos aos cem anos.
O jovem sorriu, e disse: Tem é que nos trazer a mensagem já dactilografada no computador e nós cá arranjaremos tudo. Papel, impressão, e um rolo para embalar a mensagem.

E aqui estamos nós, são sete horas da tarde, para começar a nossa mensagem que, palpita-me seja um pouco longa mas que tu, Rosa Morena e a tua irmã, Doralice, considerarão interessante um dia mais tarde, só não sabemos hoje quando será esse dia. 
  
Querida Rosa Morena,

Antes de mais, desejamos-te que passes um dia de aniversário muito feliz, na companhia de quem tiver sido convidado para a tua festa. Desejamos-te, querida Rosa Morena, muitas felicidades, muitos sucessos, muitos anos de vida!

Nós não vamos estar presentes na tua festa, aliás só estivemos na festa do teu primeiro aniversário, nessa festa também estiveram o avô Firenzo e a avó Elisabeth, pais da tua mãe, e o teu tio Stephan, irmão da tua mãe, depois nunca mais fomos convidados para estar presentes na celebração dos teus anos nem dos da Doralice. Ficámos sempre muito pesarosos nesses dias, até mais do que naqueles em que nos lembramos de vós, que são todos os dias do ano. Um dia, espero que haja um dia, que compreenderás as mágoas que nos causaram, e continuam a causar, as amarguras das nossas ausências e avaliar quanto vos amamos apesar da distância a que temos sido relegados.

Nas vésperas do teu nascimento, ficámos tão contentes quando soubemos que nos sentimos os avós mais felizes do mundo. Já tínhamos dois netos, o Miguel e a Rita nos Estados Unidos, uma neta na Suíça fazia de nós, mas exagerávamos no entusiasmo, claro, uma família fantástica, com raízes livres em vários cantos do mundo.

Por essa altura, a tua avó Elisabeth, que vive em Zurique, encontrava-se adoentada e, nós, a avó Isabel e o avô Rui fomos daqui, de Sintra, onde nunca estiveste, mas temos a certeza que gostarias de visitar, para  Adliswil, onde, durante um mês, ajudámos no que pudemos, e ajudámos tanto que até emprestámos aos teus pais a maioria do dinheiro com que foi construída a casa onde agora vives com a tua mãe, e a tua irmã Doralice.
Rejubilámos com o ambiente, gostámos imenso de um disco que os teus pais gravaram em celebração do teu nascimento, a tua mãe cantava muito bem, o teu pai acompanhava-a à guitarra, salvo erro cantaram e gravaram dez ou doze canções, a última ou a penúltima cantada por ambos.
Sabes porque te deram o nome de Rosa Morena?
É da primeira canção do disco:

Rosa, Morena!
Onde vais Morena Rosa?
Com essa rosa no cabelo
E esse andar de moça prosa
Morena, Morena Rosa...
…. Uma canção brasileira de Dorival Caimmi, cantada por Gilberto Gil.
Os teus pais gostavam muito de música brasileira, bossa nova, a tua mãe é suíça, mas fala muito bem português, além de mais quatro ou cinco outras línguas, filha de pai italiano, o teu avô Firenzo, infelizmente já não é vivo, gostámos dele desde a primeira vez em que nos encontrámos, era engenheiro, já estava reformado, gostava muito de cozinhar, todas as semanas ia almoçar com a irmã, que vivia perto, e a tua avó, Elisabeth, suíça, não sendo expansiva como o marido, sempre nos tratou com muita cordialidade e atenção, a que correspondemos com não menos apreço e amizade. Soubemos há dias que está hospitalizada porque terá caído e partido um fémur, um dos ossos das pernas, esperamos e já lhe desejámos rápida recuperação. Ela é uma senhora com muita coragem, sofre de Parkinson há vários anos, mas mantém-se com uma lucidez admirável e gosta muito do nosso filho, do teu pai, tanto quanto o teu pai, o nosso filho gosta dela. Quem os nossos filhos beija, nossa boca adoça, costumamos nós dizer por aqui.
A ouvir aquela canção, cantada pelos teus pais, vieram-nos as lágrimas aos olhos, com tanta comoção. Tal como agora, quando escrevo esta mensagem … …. ….
Já passou …
Continuaremos amanhã, logo de manhã, depois do copo com água morninha e a gotinha de limão antes do pequeno-almoço.
Pouco mais de dois anos depois, nova alegria! Ia nascer a Doralice!
E mais canções com os teus pais a celebrar, desta vez em registo na internet, o nascimento da Doralice:
Doralice eu bem que lhe disse
Amar é tolice, é bobagem, ilusão
Eu prefiro viver tão sozinho
Ao som do lamento do meu violão
…também do Dorival Caimmi cantada pelo Gilberto Gil.
Numa das vezes que fomos ao Brasil, andámos uma tarde inteira para comprar e trazer as partituras e as letras de várias canções bossa nova que o vosso pai nos pediu para trazer de lá. Estarão agora ainda aí em casa ou no apartamento dele?, não sabemos, e, supomos, que nem tu nem a tua irmã devem saber.
Desta vez, aquando do nascimento da Doralice não foi solicitada a nossa ajuda, antes, pelo contrário, foi-nos indicado que não deveríamos aparecer enquanto a Doralice não completasse três meses. Contactos de adultos com bebés antes dos três meses não eram recomendáveis, disse a vossa mãe. Ficámos surpreendidos mas atribuímos o facto às alterações que se observam frequentemente nas recomendações médicas; para uns, hoje é bom uma coisa, para outros, amanhã o contrário.
Fomos mais tarde. E como sempre tínhamos feito, levávamos rosquilhas, tu ainda te lembras o que são rosquilhas?, aqueles anéis enrolados de massa e azeite, doces de maçã, de laranja, de ginja, de nectarinas, de framboesa, de figo, que te encantavam porque não descansavas enquanto não eram as malas esvaziadas e retiradas as embalagens por ti. Sabes quem fazia, e ainda faz aqueles doces e muitos outros? A avó Isabel, com frutas criadas no pomar da aldeia onde o avô Rui nasceu. Também, estamos muito certos, que gostarias de visitar a nossa aldeia e o nosso pomar, onde também produzimos tangerinas, kiwis, ameixas, pêssegos, uvas, peras, limões, nozes, muitas nozes, a avó Isabel não dispensa nozes em quase todas as refeições que tomamos em casa, e que são quase todas.
A aldeia, onde temos o pomar, tem um Jardim Escola muito bonito com muitas crianças que ali aprendem a desenhar, a cantar, a dançar, a moldar o barro, a ler e a contar.
Ainda guardo comigo o livro que, quando tinha a tua idade, líamos no Jardim-Escola. Ainda tenho esse livro, o Livro da Capa Verde.
A professora tinha o costume de colocar a data, a lápis, no fim de cada texto quando ele era lido e entendido por cada um de nós. É por essa razão que eu sei que o texto “O senhor Março” foi lido e entendido por mim a 4 de Abril de 1949, tinha então sete anos, feitos no dia 1 de Fevereiro, o dia do meu aniversário.
É um texto muito curioso porque trata do cumprimento das obrigações que temos quando aceitamos certos compromissos. Nele, os pastores, que tinham suportado frio e tempestades, que muito os tinham prejudicado durante os meses de inverno, prometeram ao senhor Março que lhes ofereceriam, cada um deles, um borreguinho, se, durante a primavera, lhes trouxesse bom tempo.
O senhor Março ouviu, e calou-se.
E durante o mês de Março o tempo não podia ter corrido melhor aos pastores e aos seus rebanhos. Tão bem, que nasceram muitos borreguinhos, que cresceram tão depressa como nunca antes se tinha visto. Então, um dos pastores disse para os outros, irmãos os rebanhos estão salvos e já não pode haver mau ano. Por que é que havemos de dar agora os borreguinhos prometidos ao senhor Março? Todos concordaram e decidiram não entregar borreguinho nenhum ao senhor Março. Quando o senhor Março soube desta decisão dos pastores, disse: Ah! Faltam ao que prometeram? . Com dois dias que ainda tenho meus e um que peço emprestado ao meu compadre Abril, eu os ensino. E o resultado foi desastroso para os pastores. Nos dias 30 e 31 de Março e no dia 1 de Abril choveu tanto e fez tanto frio que se alagaram os campos e perderam-se as pastagens, e os rebanhos, porque sem pastagens não há rebanhos. Nem leite, nem queijo, nem manteiga, acrescento eu agora.
Portanto, querida Rosa Morena, aceita uma sugestão deste teu avô Rui: nunca faltes ao que prometas, nem prometas nada que saibas que não poderás cumprir.
Por falar em Jardim-Escola, quantos meninos andam na tua escolinha? No meu Jardim-Escola éramos trinta e dois, hoje, deverão ser cerca de oitenta. Há dias passei por lá, e a ouvi-los a cantar algumas canções que também eu lá cantei, senti-me por momentos voltar aqueles tempos em que, ainda crianças, éramos tão felizes. Em nossa casa, nos dias de Natal e da Páscoa, ou nos dias de anos, juntava-se a família toda, e era uma alegria imensa poder brincar com os nossos primos.
E é também a relembrar-me desses tempos que recordo os tempos, muito curtos, é certo, mas tão deliciosos, em que estivemos convosco.
O que nós brincávamos, Rosa Morena e Doralice! Com a bola, tu gostavas muito de dar pontapés na bola, e sentarem-se nos pés da avó Isabel que, levantando e baixando as pernas, estendidas e juntas, para vocês se sentarem, dizia uma lenga-lenga que vocês adoravam:
“Arre burrito, arre chóchó, que leva a menina para casa da avó” E vocês sempre queriam mais e mais, até que as pernas da avó Isabel já não podiam mais e entrava o avô Rui a fazer o “Arre burrinho, arre chóchó ,que leva a menina para a casa da avó,” enquanto também as pernas dele pudessem. 
 Ainda se lembram? Receio que não.
Também não se lembram, quando se iam deitar, as vezes que vinham junto à cancela na porta ao cimo da escada, a rirem-se fingindo que iam para a cama, para logo aparecerem, vezes e vezes sem conta? Tão encantadoramente risonhas!
A Rosa Morena, à mesa, portava-se lindamente. Comia muito bem e, sendo pequenina eu dizia, se ela continuar a portar-se assim vamos ter uma linda menina quando for para a escola.
Tu vais para a escola este ano não vais? Ouvi dizer que a tua mãe prefere ensinar-te e à Doralice em casa. O vosso pai, o meu filho não concorda, porque, segundo ele, as crianças precisam de aprender na escola, porque só na escola aprendem também a conviver em sociedade, isto é, com as outras pessoas.
Eu, porque o vosso pai é meu filho, posso ser considerado suspeito se me ponho aqui a realçar as suas capacidades intelectuais e os seus valores morais. Tenho a certeza que um dia, tu Rosa Morena, e tu, Doralice, terão a oportunidade de constatar que não faz sentido nenhum que a tua mãe, faltando aos compromissos assumidos, não vos deixe, a ti e à Doralice, que o vosso pai vos veja.
Faz já mais de um ano e meio que ele não vos vê nem nós. Porquê? Não sabemos nem a vossa mãe nos diz.
Tu não sabes porquê, o vosso pai não sabe porquê, nós não sabemos porquê. O que sabemos, temos a certeza disso, é que não há nenhuma razão aceitável que justifique o estranho comportamento da vossa mãe.
No dia deste Natal fomos, eu, o vosso avô Rui e a avó Isabel, bater à porta de casa com a intenção de vos desejar boas festas e entregar umas prendinhas, típicas da época natalícia. A vossa mãe estava em casa convosco e com um casal que o vosso pai também conhece. Quando nos abriram a porta, primeiro o homem do casal e depois a mulher, tentámos perceber que razões levavam a vossa mãe a não nos receber, que mal lhe tínhamos feito nós. Como a conversa no exterior demorou alguns minutos, apareceu a vossa mãe a ordenar que o casal nos empurrasse fechando-nos a porta na cara.
Porquê?
Quando naquela noite fria de fim do Outono o vosso pai nos telefonou, amargurado como nós nunca o tínhamos ouvido, dizer que ele e a vossa mãe iam separar-se só não ficámos completamente estupefactos porque há algum tempo, pouco tempo depois de ter nascido a Doralice começámos a constatar comportamentos estranhos, pelo menos para nós, da parte da vossa mãe. Não vamos aqui relatar senão um ou outro desses comportamentos, se fôssemos a registar todos dos que nos lembramos não chegariam os sete metros combinados.
Sempre respeitámos os horários a que poderíamos falar com o nosso filho, com a vossa mãe, para poder ter umas palavrinhas convosco. E estranhávamos que o vosso pai, quando queria falar connosco, o fazia sistematicamente quando estava fora de casa a passear o Milagro, aquele cão tão bonito e tão triste por passar os dias inteiros, salvo nos intervalos de pequenos passeios, sentado naquele canto, imagino que a pensar tentando adivinhar, como nós, o que se passou para ter havido uma alteração tão súbita naquela casa.
E porque nos telefonava o vosso pai de fora de casa, ao vento e ao frio, quando poderia, ou deveria poder, fazê-lo dentro de casa? Porque a vossa mãe não consentia? Era a única justificação que encontrávamos. Aliás, coerente, diga-se de passagem, porque um dia nos tinha dito que encontros com familiares uma vez em cada três anos seriam mais que suficientes. Naquela altura, engolimos em seco e pensámos que era reflexo de um momento menos feliz.
De outra vez, estávamos nós os dois sentados no sofá, naquele sofá bordeaux tão bonito e tão original, depois de tanto jogar à bola e a outros jogos dentro de casa, quando eu me lembrei de pegar num lápis e dizer: Um!, isto com a intenção de tu me ensinares a contar em alemão, porque não sei falar alemão, e tu sabes falar alemão e português, pelo menos naquela altura sabias, e eu achava delicioso que a minha neta me ensinasse. Sempre gostei que me ensinassem, peço sempre que me ensinem o que não sei, aprender com uma netinha que tinha, naquela altura, cinco anos, considerava uma das maiores maravilhas do mundo.
Peguei no lápis e disse: Um, e tu respondeste eins, e eu, dois, e tu zwei, e eu, três, e tu, drei, e eu, quatro, e tu, vier, e eu, cinco, e tu,  fünf, e eu, seis, e tu, sechs, e eu, sete, e tu, sieben, e eu oito, e tu, acht, e eu nove, e tu,  neun …e ríamos, o que nós ríamos com o prazer de eu, o teu avô Rui aprender o que tu, querida Rosa, me ensinavas.
Subitamente, a tua mãe, veio a correr para nós, tirou-nos os lápis, pegou em ti ao colo, e subiu apressadamente as escadas, foi para o quarto, já de lá não saiu naquela tarde. De cá de baixo, e enquanto ela subia as escadas, eu perguntava:
Corinne, o que se passa?, o que é que eu fiz de mal Corinne?
Não obtive resposta, o teu pai estava na casa de banho no primeiro andar, em frente do quarto, perguntei-lhe: Pedro, o que é que se passa? Que fiz eu de mal, perguntei com as lágrimas a escorrerem-me sem que as conseguisse conter. Tens de compreender, disse ele para me acalmar, que a Corinne está doente. Talvez seja trauma de pós-parto. Às vezes acontece. Respirei fundo, havia uma razão a que eu era totalmente alheio e a minha consciência permitiu-me dormir alguma coisa nessa noite.
Mais tarde, foi em Junho, o mês em que o Miguel faz anos, vieram os teus primos Miguel e Rita com os pais dos Estados Unidos para vos visitar, afinal nunca nos tínhamos encontrado juntos num local, apesar de sermos tão poucos, seis adultos e três crianças, a Doralice ainda não era nascida.
Por proposta do teu pai, sem que ninguém se opusesse e todos se tenham entusiasmado com a proposta, iríamos apanhar um teleférico para subir a uma daquelas montanhas fantásticas, e, lá em cima, celebrássemos o aniversário do Miguel com um almoço de salsichas e Coca Cola. Quando íamos a sair de casa, a vossa mãe disse que não iria, conhecia muito bem aquele local, para ela não tinha qualquer interesse ir lá mais uma vez. Vamos, então, a outro local aqui mais perto, sugeri eu. Podemos até almoçar naquele restaurante junto ao lago, o Milagro é um tipo bem comportado, e também pode ir connosco. A vossa mãe, não aceitou, aliás, não aceitou nem quis sugerir nenhum outro local, poderíamos, disse eu, até almoçar lá em casa. A vossa mãe recusou.. E nós lá fomos acima, o avô Rui, a avó Isabel, o Miguel, a Rita e o Milagro. Cantámos os parabéns a você, comemos salsichas, bebemos Coca Cola, salvo o Milagre que só come ao jantar, parece que por regime adequado à sua condição, e só bebeu água. Depois voltámos, e não se passou mais nada digno de registo.
Depois de ter recebido a informação com voz dramaticamente amargurada do vosso pai, nosso filho de que iria haver separação da família, e eu lhe pedi que não saísse de casa, que, aliás, era sobretudo dele, disse-me que não conseguiria suportar por mais tempo as iras incontroladas da vossa mãe, com reflexos terríveis irremediáveis nas crianças, e iria procurar um apartamento por perto, telefonei à vossa mãe, e perguntei-lhe:
O que se passa, Corinne, de tão grave que justifique uma separação que afectará tão negativamente sobretudo as vossas filhas?  Que fez o Pedro assim de tão imperdoável que o tenhas obrigado a sair de casa?
Respondeu-me, depois de alguns instantes em que deixei de a ouvir: O Pedro é mentiroso, e eu não suporto mentiras.
Mas que mentiras? Podes dizer-nos? Para uma decisão tão grave as mentiras devem ser gravíssimas …
Foi, lembras-te da última vez que a Ana cá esteve com o marido e os filhos? Pois o Pedro disse-me que a Ana não ficaria em nossa casa nessa noite (diga-se em abono da verdade que nunca a vossa mãe convidou, nem naquela altura nem nunca, a Ana, a nossa filha e a família, que na totalidade são quatro a ficar lá em casa, sempre alugaram quartos de hotel nas redondezas) porque ficariam num hotel junto do aeroporto, mais fácil para apanharem avião para os Estados Unidos no dia seguinte. Mas a Ana, ao jantar disse, que ficando perto do aeroporto, teria algum tempo para fazer jogging antes de ir para o aeroporto. O Pedro mentiu porque sabia que a irmã afinal só tinha que estar no avião à tarde!
Oh! Corinne, e é por isso que vocês se vão separar??? Perguntei, tão estupefacto com a resposta que nem tive ideia nem ela me deu tempo para perguntar mais nada.
Corinne, perguntei, quando liguei mais tarde, que posso eu fazer para evitar uma ruptura de que as vossas filhas vão ser as principais vítimas? Nada, respondeu ela, tão evasivamente que, novamente, não me deu oportunidade para perguntar mais nada.
Depois, foi assinado um acordo de separação por dois anos, o vosso pai obrigou-se a pagar todas as despesas com o sustento, educação, saúde, vossas e dela, com os direitos de visita e presença estabelecidos na lei para os pais separados. Disse todas as despesas porque só o salário do vosso pai suporta todas as despesas, uma vez que, se saiba, a vossa mãe não exerce trabalho retribuído.
O vosso pai tem cumprido todos os compromissos assumidos perante os advogados e ratificados pelo tribunal. A vossa mãe, há um ano e meio que, com escusas de variada ordem mas bem identificados em casos semelhantes de alienação parental, não tem permitido que o vosso pai vos veja sequer, apesar de viver perto.
De nós, vossos avós, deixou de atender chamadas telefónicas, não responde a e-mails, recusa a recepção de cartas. Como atrás referimos fechou-nos a porta na cara no dia de Natal quando simplesmente queríamos estar uns breves momentos que fossem com as nossas netas e entregar-lhes umas simples prendinhas… Alguns dias depois disse a pessoa que falou com ela, que nos avisasse que, se voltássemos a aparecer junto da casa para ver as nossas netinhas, chamaria a polícia!
Não vamos voltar a aparecer, não porque nos prenda qualquer resquício de cobardia, mas porque nunca fomos gente de apoquentar a polícia fosse por que razão fosse e, sobretudo, porque queremos acreditar que a justiça, as instituições que na Suíça têm responsabilidades de defender os interesses das crianças em perigo, seja a causa qual for, acabarão por repor o cumprimento dos compromissos assumidos, mas não cumpridos  pela vossa mãe, da custódia partilhada dos filhos de casais desavindos, neste caso, o mais elementar direito de um pai de estar com os seus filhos e, além do mais, participar na decisão dos caminhos da sua educação enquanto eles não forem maiores para decidirem os seus próprios destinos.
Sei que o mais provável é que esta mensagem, que enviaremos com registo e aviso de recepção, vá ser devolvida à procedência, à semelhança da carta que enviámos antes do Natal a pedir à vossa mãe que nos indicasse em que dia poderíamos ver-vos, a vós, de quem gostamos tanto, e que foi devolvida sem sequer ter sido aberta.
Também sabemos, querida Rosa Morena que, muito provavelmente, a vossa mãe já vos disse vezes sem conta que o vosso pai é mau, sem vos dizer nem a ninguém porquê, e que nós, vossos avós seremos não conseguimos imaginar o que ela vos tenha já dito vezes sem conta de nós.
E sabemos, que, mesmo que esta mensagem vos chegasse às mãos vocês não a saberiam ler, e muito menos ela a leria para vós entenderem o que vos transmitimos. Há dois anos, Rosa Morena, ficávamos espantados como tu falavas português (sabes Rosa Morena que o português é uma das línguas mais faladas no mundo?), e como a Doralice, então com menos de três anos nos entendia perfeitamente. Sabemos que a vossa mãe estará a limpar dos vossos cérebros, há mais de ano e meio, não só as imagens do vosso pai e dos vossos avós mas também o vocabulário e a gramática na língua portuguesa que tão facilmente tinham aprendido. Se a limpeza das imagens do vosso pai e de nós está em curso, há uma limpeza que ela não pode fazer, a menos que possa demonstrar cientificamente que vocês não são filhas do nosso filho e, por conseguinte, não são nossas netas. Isto é, por mais voltas que ela dê, há um obstáculo que ela não pode ultrapassar: vocês não são propriedade dela, nem de ninguém, aliás. Um dia chegará, se não for antes, em que vocês assumirão os direitos da vossa maioridade e, no momento em que escrevo isto, espero muito que o comportamento dela não esteja a perturbar irremediavelmente a vossa personalidade futura. Esperamos muito fortemente que os actos de manipulação a que vocês estão sujeitas, e que são característicos em casos semelhantes, sejam interrompidos antes que a gravidade da sua extensão os torne irreversíveis. Queremos acreditar que a consciência daqueles que têm em mão a responsabilidade de mandar cessar esta enorme iniquidade não sossegará enquanto não der por terminado este aprisionamento, este sequestro, esta violência sobre vós, as maiores vítimas de uma perturbação sem sentido. 
O vosso pai, queridas Rosa Morena e Doralice, é a única fonte da vossa sustentação e da vossa mãe, porque só ele trabalha. É ele que tudo paga, incluindo a amortização do empréstimo bancário que complementou o empréstimo, não remunerado, que nós fizemos para a construção da casa que vocês habitam. Ele teve que se mudar para um apartamento por não poder suportar mais as impertinências sem sentido da vossa mãe, fomentando uma situação que, inegavelmente, psicologicamente vos estava a ferir e a ele a mortificar.
Ninguém, nenhuma pessoa é um bloco inerte capaz de resistir a todos os tormentos que lhe infligirem. Nada é indestrutível, salvo o amor de quem ama. Ao proceder tão perversamente à destruição do vosso pai, a vossa mãe, consciente ou inconscientemente, está a querer perturbar as capacidades intelectuais e as resistências físicas do vosso pai. Que pretende ela com isso?  Abalar-lhe a saúde ou a força anímica? Com que propósito? Sei, porque conheço muito bem o meu filho, que ele nunca abandonará a luta pela recuperação da convivência com as filhas que tanto ama. Sei quanto é grande o seu pacifismo e bondade, sei que a esperança na intervenção das autoridades suíças é a sua única arma, mas não sei, ninguém sabe até que ponto a perversidade da tua mãe não pode levá-lo um dia para a cama de um hospital.
Quando, naquele dia, em que eu falei com a tua mãe, pedindo-lhe que dissesse quais as razões da separação de que tínhamos sido informados no dia anterior, e ela me deu aquela resposta, sem qualquer sentido, a propósito de um horário de saída de Zurique para Washington DC, disse-lhe: Corinne, com a vossa separação serão as vossas filhas que suportarão incomparavelmente os maiores custos. Estava muito longe de saber a extensão que esses custos iriam alcançar. Uma extensão que continuamos a ignorar, mas que sabemos que continuarão aumentar enquanto subsistir uma atitude que ninguém compreende.
Se o vosso pai ficar temporariamente impossibilitado de trabalhar, porque ninguém é inabalável, nem as maiores cidades do mundo o são, pretenderá ela viver da segurança social, e invocar que o direito de presença e visita do pai junto das suas filhas cessa porque o pai está doente e impossibilitado de pagar as despesas da casa?
Gostaria muito que ela vos lesse e explicasse esta mensagem, mas não vai ler e muito menos explicar. Terá ela pelo menos a honradez de a ler e responder-me, corrigindo-me no que afirmo, se for caso disso.
Um pensador português disse um dia que “se não receio o erro é porque estou sempre disponível para o corrigir”
Assim estou eu, totalmente disponível para mudar de opinião se alguma ou algumas das afirmações que fiz não tem consistência ou carece de provas.
Disponível, e com alguma esperança que a honradez, talvez um valor em desuso em algumas mentalidades, venha ainda a proporcionar a oportunidade leal, franca, de boa-fé, de minimizar os danos já causados e evitar danos ainda mais gravosos no futuro para ti querida Rosa Morena e para ti querida Doralice.
É, também, para suscitar essa disponibilidade que vamos enviar esta mensagem, formalmente original, pensamos nós, a acompanhar a principal razão que a motivou: enviar os nossos desejos de muitas felicidades à nossa querida Rosa Morena por ocasião do seu sétimo aniversário, com muitos beijinhos e muitos abraços que envolvam a nossa querida Doralice.
Parabéns! Parabéns! Parabéns! ! Queridíssima Rosa Morena!
Muitos !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! beijinhos para ti e para a Doralice.
Tentaremos falar convosco pelo telefone, para casa, no dia do teu aniversário, querida Rosa Morena. 
Entretanto, cá continuo a beber em cada manhã um copinho de água morna com um pinguinho de limão, antes do pequeno almoço.

A quem ler esta mensagem advirto que o que nela está escrito só a mim, Rui Manuel Correia Fonseca, responsabiliza, porque mais ninguém foi chamado por mim a informar, corrigir ou de alguma forma influenciar o texto que escrevi.  E reservo-me o direito de divulgá-lo junto de quem sabe dos nossos desgostos, das nossas amarguras, das humilhações a que estamos a ser sujeitos.

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SINTRA, den 13.April 2018
Liebe Rosa Morena,
Liebe Doralice,

gestern haben wir, dein Großvater Rui und deine Großmutter Isabel, nach dem Abendessen Zeitung gelesen und gleichzeitig die Nachrichten im Fernsehen gesehen. Wir sehen sonst nicht sehr viel fern, wir bevorzugen eher ein gutes Theaterstück, einen guten Film im Kino und manchmal auch ein Fußballspiel, obwohl wir gar keinen festen Fußballclub haben und auch nicht viel davon verstehen. Um ganz ehrlich zu sein, wir verwechseln oft die Mannschaften, die gerade spielen und wir haben schon festgestellt, dass die Spieler oft den Club wechseln und noch häufiger das Trikot.

Ganz plötzlich hat eure Großmutter Isabel gesagt:
- Rosa Morena hat am 13. Mai Geburtstag und heute ist schon der 11. April, wir müssen Rosa Morena eine Glückwunschkarte schreiben und wir dürfen keine Zeit vergehen lassen, die Zeit vergeht wie im Fluge (das sagen die Leute so, aber bis heute hat noch niemand die Zeit fliegen sehen, oder habt ihr das schon einmal gesehen? Natürlich nicht. Die Worte sind manchmal hinterlistig, man muss sehr vorsichtig mit ihnen sein) und die Post verspätet sich immer.

Also, wir sind nicht die Großeltern, die zum Schreibwarenladen gehen und irgendeine Grußkarte kaufen, so wie alle anderen das machen. Und so kommt es eben, dass wir jedes Jahr die Geburtstagskarten basteln, die wir unseren Enkeln schicken, euch Rosa Morena und Doralice in Hombrechtikon in der Schweiz und auch Miguel und Rita in Reston in Virgina/ USA. Es macht uns so viel Spaß und bereitet uns so viel Vergnügen jedes Jahr verschiedene Grußkarten in unterschiedlichen Farben, Materialien und Zeichnungen, wie eine Art Origami für unsere geliebten Enkelkinder zu basteln.

In diesem Jahr, so sagte ich, euer Großvater Rui, werden wir unsere Technik, unseren Stil und die Größe komplett ändern: wir werden Rosa Morena eine 7m lange Nachricht schicken. Sie wird 7Jahre alt, also wird unser Gruß 7m lang sein, was denkst du?
Ich fand die Idee toll – lass uns anfangen!

Und so haben wir angefangen. Wir sind zum Staples, ein großes Schreibwarengeschäft, gefahren, wo es unter anderem auch Papier, Pappe und andere Dinge gibt und wir haben dort erfahren, dass sie nach Kundenwunsch auch verschiedene Größen und Längen ausdrucken.

Der Mann, der uns beraten hat, ich sollte lieber sagen, der junge Mann, sonst denkt ihr noch, dass es ein schon sehr alter Mann um die vierzig oder fünfzig war, hat und gefragt, wofür wir diese so ungewöhnliche Größe bräuchten. Und so haben wir ihm erzählt, dass wir unserer Enkeltochter Rosa Morena einen Geburtstagsgruß nach Hombrechtikon in der Schweiz schicken möchten und, dass sie am 13. Mai sieben Jahre alt wird.
Ah, jetzt verstehe ich, sagte er, ich wollte nur fragen, damit ich Sie nicht falsch verstehe. Dann werden es wohl im nächsten Jahr 8m?
Ja, jedes Jahr wird ein Meter dazukommen. Um das zu schaffen, trinke ich jeden Morgen ein Glas lauwarmes Wasser mit einem Tropfen Zitronensaft.
Und wirkt es?
Augenscheinlich: so lange ich jeden Morgen ein Glas lauwarmes Wasser mit einem Tropfen Zitronensaft trinke, werde ich meinen Enkelkindern bis zu meinem einhundertsten Geburtstag Glückwunschkarten schicken können.
Der junge Mann lächelte und sagte: Sie müssen uns die Grüße nur Computer-geschrieben mitbringen, wir erledigen dann den Rest. Das Papier, den Druck und eine Rolle zum Verschicken.

Und so sitzen wir hier, es ist sieben Uhr abends und beginnen unsere Grüße aufzuschreiben, die sicher etwas länger werden, aber ich glaube, dass du, Rosa Morena, und deine Schwester sie später einmal interessant finden werden, auch wenn wir heute noch nicht wissen, wann dieser Moment kommen wird.

Lieben Rosa Morena,
wir wünschen dir vor allem, dass du einen sehr glücklichen Geburtstag mit deinen Geburtstagsgästen verbringst. Wir wünschen dir, liebe Rosa Morena, alles Gute, viel Erfolg und viele weitere Geburtstage!

Wir werden bei deiner Geburtstagsfeier nicht dabei sein können. Eigentlich waren wir nur bei deinem ersten Geburtstag dabei. Bei dieser Feier waren auch dein Großvater Firenzo und deine Großmutter Elisabeth, die Eltern deiner Mutter, sowie dein Onkel Stephan, der Bruder deiner Mutter anwesend. Danach sind wir leider nie wieder eingeladen worden, deinen und Doralices Geburtstag mitzufeiern. An diesen Tagen ist uns immer ganz schwer ums Herz, sogar noch mehr als an den anderen Tagen, an denen wir an euch denken, und das sind alle anderen Tage des Jahres. Ich hoffe, dass ihr eines Tages verstehen werdet, welchen Schmerz man uns zugefügt hat und uns auch weiterhin zufügt, die Bitterkeit unserer Abwesenheit und auch wie sehr wir euch lieben, auch wenn uns diese Entfernung von anderen auferlegt wurde.

Am Vortag deiner Geburt haben wir uns wie die glücklichsten Großeltern der Welt gefühlt. Wir hatten zwar schon zwei Enkelkinder, Miguel und Rita in den USA, und nun sollten wir eine Enkeltochter in der Schweiz bekommen, die aus uns eine fantastische Familie mit Wurzeln in allen Ecken der Welt machen würde.

Zu dieser Zeit war deine Großmutter Elisabeth krank und wir, Großmutter Isabel und Großvater Rui, haben hier in Sintra, wo du noch nie warst, aber es dir sicher gut gefallen würde, die Koffer gepackt und sind nach Adliswil gefahren, wo wir einen Monat lang geholfen haben, wo es nur ging. Wir haben deinen Eltern sogar den größten Teil des Geldes geliehen, mit dem das Haus gebaut wurde, in dem du jetzt mit deiner Mutter und deiner Schwester Doralice lebst.

Wir waren in dieser Umgebung sehr glücklich und uns hat besonders eine CD gefallen, die deine Eltern zur Feier deiner Geburt aufgenommen haben, denn deine Mutter konnte sehr gut singen und dein Vater hat sie auf der Gitarre begleitet. Wenn ich mich nicht irre, haben sie zehn oder zwölf Lieder aufgenommen. Das letzte oder vorletzte haben sie gemeinsam gesungen. Weißt du, warum du den Namen Rosa Morena bekommen hast?
Es war das erste Lied auf der CD:

Rosa, Morena!
Onde vais Morena Rosa?
Com essa rosa no cabelo
E esse andar de moça prosa
Morena, Morena Rosa..
Rosa, Morena
Wohin gehst du, Morena Rosa?
Mit dieser Rose im Haar,
und diesem Gang eines Prosamädchens
Morena, Morena Rosa



… das ist ein brasilianisches Lied von Dorival Caimmi, von Gilberto Gil gesungen.

Deine Eltern hörten gern brasilianische Musik wie Bossa-Nova. Deine Mutter ist Schweizerin, spricht aber sehr gut Portugiesisch, neben vier oder fünf anderen Sprachen und sie hat einen italienischen Vater, dein Großvater Firenzo, der leider nicht mehr lebt. Wir mochten uns vom ersten Moment an. Er war Ingenieur und war schon berentet, kochte aber sehr gerne und ging jede Woche mit seiner Schwester, die in der Nähe wohnte, essen, und deine Großmutter Elisabeth, Schweizerin, die nicht so aus sich heraus ging, hat uns aber immer sehr höflich und aufmerksam behandelt, worauf wir mit nicht minderer Zuneigung und Freundschaft reagierten. Wir haben vor Tagen erfahren, dass sie nach einem Sturz und einem Oberschenkelbruch im Krankenhaus ist. Wir wünschen ihr eine schnelle Genesung. Sie ist eine sehr mutige Frau, leidet seit Jahren an Parkinson, hat aber eine bewundernswerte Klarheit beibehalten und sie mag unseren Sohn, deinen Vater, so sehr wie dein Vater, unser Sohn, sie mag. Man sagt hier: Wer unsere Kinder küsst, versüßt unseren Mund.

Wenn wir dieses Lied hören, welches deine Eltern gesungen haben, kommen uns vor Rührung Tränen in die Augen. So wie jetzt, da ich diese Nachricht aufschreibe … … …

Es geht schon wieder …

Wir werden morgen gleich früh weiterschreiben, natürlich nachdem ich mein Glas lauwarmes Wasser mit einem Tropfen Zitronensaft getrunken habé, aber noch vor dem Frühstück.


Etwas mehr als zwei Jahre später bekamen wir eine weitere freudige Nachricht! Doralice wurde geboren!

Und so gab es noch mehr Lieder, um die Geburt von Doralice zu feiern. Diesmal aber als Post im Internet:

Doralice eu bem que lhe disse
Amar é tolice, é bobagem, ilusão
Eu prefiro viver tão sozinho
Ao som do lamento do meu violão
Doralice, ich habe dir doch gesagt,
Lieben ist eine Torheit, Blödsinn und Ilusion
Ich lebe lieber ganz allein
Zur klagenden Musik meiner Gitarre
… … das ist auch von Dorival Caimmi, von Gilberto Gil gesungen.
Bei einer unserer Reisen nach Brasilien, waren wir einmal einen ganzen Nachmittag auf der Suche nach den Partituren und Texten verschiedener Bossa-Nova-Lieder, um die uns dein Vater gebeten hatte. Sind die vielleicht noch bei euch oder in seiner Wohnung? Wir wissen es nicht und wahrscheinlich weißt weder du noch deine Schwester etwas davon.


Als Doralice auf die Welt kam, wurden wir nicht um Hilfe gebeten, ganz im Gegenteil, uns wurde gesagt, dass wir nicht kommen sollten, bevor sie 3 Monate alt sei. Laut deiner Mutter sei der Umgang von Erwachsenen und Babys unter drei Monaten nicht empfehlenswert. Wir waren sehr überrascht, haben aber alles auf die ständig wechselnden Empfehlungen der Ärzte geschoben. Heute ist etwas gut und morgen schon nicht mehr.

Wir sind dann später gefahren. Und wie immer haben wir auch Rosquilhas mitgenommen, (kannst du dich noch erinnern, was rosquilhas sind? Das ist das Gebäck in Zopfform aus Olivenölteig) Apfel- Orangen- Kirsch- Nektarinen- Himmbeer- und Feigenmarmelade, die dich faszinierte und du hast nie Ruhe gegeben, bis du nicht alle Koffer ausgeräumt und die Päckchen ausgepackt hattest. Weißt du, wer die Marmelade und vieles mehr machte und auch heute immer noch macht? Deine Großmutter Isabel macht sie aus dem Ertrag unseres Obstgartens des Dorfes, aus dem dein Großvater Rui stammt. Wir sind uns sicher, dass es dir in unserem Dorf und in unserem Obstgarten gut gefallen würde. Wir bauen auch Mandarinen, Kiwis, Pflaumen, Pfirsiche, Weintrauben, Birnen, Zitronen und Nüsse an. Deine Großmutter Isabel macht an fast alle unsere Gerichte Nüsse und die sind fast alle aus unserem Eigenanbau.

Das Dorf, in dem wir unseren Obstgarten haben, hat auch einen sehr schönen Kindergarten mit vielen Kindern, die dort malen, singen, tanzen, kneten, lesen und rechnen lernen.

Ich habe sogar noch das Kindergartenbuch, dass ich gelesen habe als ich in deinem Alter war. Ja, ich habe das Buch mit dem grünen Umschlag immer noch.

Unsere Lehrerin hatte die Angewohnheit bei jedem der Schüler mit Bleistift das Datum unter den Text, den wir fertig gelesen und bearbeitet hatten, zu schreiben. Aus diesem Grund weiß ich, dass ich den Text “der Herr März” am 4. April 1949 gelesen und verstanden hatte. Ich war damals also sieben Jahre alt. Mein Geburtstag ist der 1. Februar.
Der Text ist eigenartig, da er vom Einhalten unserer Pflichten handelt, die wir annehmen, wenn wir Vereinbarungen eingehen. In diesem Text geht es um Hirten, die Kälte und Stürme überstanden hatten und die ihnen in den Wintermonaten sehr geschadet hatten. So hatten sie dem Herrn März versprochen, ihm je ein Lämmchen zu schenken, wenn er ihnen dafür im Frühling gutes Wetter bescheren würde.

Der Herr März hörte sie an und schwieg.

Im März hätte das Wetter nicht besser sein können. Es war so gut, dass viele Lämmchen auf die Welt kamen und so schnell heranwuchsen wie noch nie zuvor. So sagte einer der Hirten eines Tages zu den anderen: Brüder, unsere Herden sind gerettet, es kann kein schlechtes Jahr mehr werden. Warum sollten wir Herrn März jetzt noch unsere versprochenen Lämmchen schenken? Alle waren einverstanden und verabredeten keine Lämmchen abzugeben. Als Herr März von diesem Entschluss der Hirten erfuhr, sagte er nur: Ah! Ihr kommt eurem Versprechen also nicht nach? Ich habe noch zwei Tage und borge mir einen von meinem guten alten Freund April, und ich werde euch eine Lektion erteilen. Für die Hirten war der Ausgang der Geschichte desaströs. Am 30. und 31. März sowie am 1. April regnete es so stark und wurde so kalt, dass die Felder überfluteten und Weiden verloren gingen und damit auch die Herden, denn ohne Weiden können die Herden nicht leben. Und auch Milch, Käse und Butter, füge ich jetzt noch hinzu.

Du siehst, liebe Rosa Morena, lass dir von deinem Großvater Rui einen guten Rat geben: vergiss deine Versprechen niemals, und versprich nichts, was du nicht halten kannst.


Da wir gerade vom Kindergarten sprechen - wie viele Kinder gehen eigentlich in deinen Kindergarten? In meinem waren wir zweiunddreißig, aber heute sind es bestimmt an die achtzig. Vor ein paar Tagen bin ich daran vorbeigegangen und habe die Kinder Lieder singen hören, die auch ich schon gesungen habe und war kurz wieder in diese Zeit versetzt als ich noch klein war. Wir waren sehr glücklich. In unserem Haus versammelte sich zu Weihnachten oder Ostern immer die ganze Familie; es war eine Freude mit unseren Cousins spielen zu können.

Wenn ich an die Kindheit denke, muss ich auch an die sehr kurze, aber wunderschöne Zeit denken, die wir bei euch waren.

Rosa Morena und Doralice, was haben wir gespielt! Es hat dir so viel Spaß gemacht mit dem Ball zu spielen und dich auf die Füße deiner Großmutter Isabel zu setzen, die sie dann immer ausgestreckt hoch und runter schwingen ließ, damit ihr euch wie auf eine Wippe setzen konntet und sie hat dann immer die Kinderverse gesungen, die ihr so geliebt habt:

"Arre Burrito, arre burrito, que leva a menina para a casa da avó" Ihr konntet nicht genug bekommen bis Großmutters Beine nicht mehr konnten und Großvater Rui einspringen musste und "arre burrito, arre chóchó,  que leva a menina para a casa da avó" singen musste, solange die Beine mitmachten.

Erinnert ihr euch noch? Ich denke mal nicht.

Sicher erinnert ihr euch auch nicht mehr an das Zubettgehen. Ihr seid immer zum Gittertürchen oben an der Treppe gekommen, habt gelacht, so getan, als würdet ihr schlafen gehen, um dann gleich wieder dazustehen. So ging es dann unendlich weiter. Es war ein so entzückendes Gelächter!

Rosa Morena, du hast dich bei Tisch so wunderbar benommen, hast sehr gut gegessen und ich habe immer gesagt: wenn du dich weiter so gut benimmst, werden wir später ein wunderschönes Schulmädchen haben.

Und nun kommst du dieses Jahr in die Schule, nicht wahr? Ich habe gehört, dass deine Mutter dich und deine Schwester Doralice lieber zu Hause unterrichten will. Euer Vater, unser Sohn ist damit nicht einverstanden. Er ist der Meinung, dass Kinder in einer Schule lernen sollten, weil man in der Schule auch das Zusammenleben lernt, also das gesellschaftliche Leben.

Ich bin natürlich suspekt, wenn ich hier seine intellektuellen Fähigkeiten und moralischen Werte hervorhebe, da euer Vater mein Sohn ist. Ich bin sicher, dass ihr, du Rosa Morena und du Doralice, verstehen werdet, dass es keinen Sinn ergibt, dass eure Mutter ihr Versprechen nicht einhält und nicht zulässt, dass euer Vater euch sehen kann.

Es sind nun schon anderthalb Jahre vergangen, dass er euch nicht sieht und wir auch nicht. Warum? Wir wissen es nicht und eure Mutter sagt es uns auch nicht.

Du weißt nicht warum, dein Vater weiß nicht warum, und wir wissen auch nicht warum. Wir wissen nur, dass es keine akzeptable und plausible Erklärung für das komische Verhalten eurer Mutter gibt.

Zu Weihnachten haben wir, euer Großvater Rui und eure Großmutter Isabel, an eure Haustür geklopft, um euch ein frohes Fest zu wünschen und auch ein paar Geschenke, die doch so typisch für die Weihnachtszeit sind, zu bringen. Eure Mutter war mit euch und einem befreundeten Paar, das euer Vater auch kennt, zu Hause. Als uns die Tür geöffnet wurde, kam zuerst der Mann und dann die Frau an die Tür. Wir wollten verstehen, warum eure Mutter uns nicht empfangen wollte und was wir falsch gemacht hatten. Da unser Gespräch an der Haustür ein paar Minuten dauerte, kam auch eure Mutter, verlangte, dass uns das Paar raus schob und schloss die Tür.

Warum?

Als uns unser Sohn an diesem kalten Oktoberabend anrief, klang seine Stimme so verbittert, wie wir ihn noch nie gehört hatten und erzählte uns, dass er und eure Mutter sich trennen würden, was uns nicht wirklich überraschte, weil wir nach Doralices Geburt nach und nach ein merkwürdiges Benehmen bei eurer Mutter festgestellt hatten. Wir werden hier nicht alle wundersamen Erinnerungen aufschreiben, sonst werden die vereinbarten sieben Meter nicht ausreichen.

Wir haben immer alle mit eurer Mutter abgemachten Zeiten eingehalten, zu denen wir mit unserem Sohn sprechen konnten, nur um ein paar Worte mit ihm zu wechseln. Für uns war es merkwürdig, dass euer Vater, immer wenn er mit uns sprechen wollte, anrief, wenn er mit “Milagro” außer Haus war und spazieren ging. Dieser Hund war ein so schöner, aber auch trauriger Kerl, da er, von den kleinen Spaziergängen mal abgesehen, den ganzen Tag in einer Ecke saß und sicher versuchte, so wie wir auch, zu verstehen, was vor sich ging, da diese Veränderungen so unvermittelt über uns alle hereinbrachen.

Wir haben uns die Frage gestellt, warum uns euer Vater immer anrief, wenn er außer Haus war – warum nicht von zu Hause, was doch normal gewesen wäre. Hatte eure Mutter etwas dagegen? Es war die einzige Erklärung, die wir gefunden haben, schon weil sie uns einmal gesagt hatte, dass Familientreffen alle drei Jahre mehr als ausreichend wären. Damals haben wir geschluckt, aber die Bemerkung als eher unglücklich eingestuft.


Ein anderes Mal saßen wir zwei nach ausgiebigem Fußballspiel und anderen Spielen im Haus auf dem Sofa, du weißt schon – das weinrote, schöne und so originelle Sofa, als ich einen Stift nahm und sagte: “Um!”, ich wollte, dass du mir die Zahlen auf Deutsch beibringst, weil ich ja nicht Deutsch spreche, aber du sprichst Deutsch und Portugiesisch, wenigstens zu dieser Zeit und ich fand es entzücken, dass mir meine Enkeltochter etwas beibringen konnte. Ich habe immer gerne gelernt und ich bitte immer darum, dass man mir Dinge beibringt, die ich nicht weiß. Für mich war es das Größte von meiner fünfjährigen Enkeltochter etwas lernen zu können.

Ich habe einen Bleistift genommen und sagte: “um!” und du hast mir mit “eins” geantwortet, dann habe ich “dois” gesagt und du “zwei”, ich: “três” und du “drei”, ich “quatro” und du “vier”, ich “cinco” und du “fünf”, ich “seis” und du “sechs”, ich sete” und du “sieben”, ich “oito” und du “acht”, ich “nove” und du “neun”… wir haben so gelacht und hatten so viel Spaß, weil du, meine liebe Rosa, deinem Großvater Rui die Zahlen beigebracht hast.

Unerwartet kam deine Mutter, hat uns den Bleistift weggenommen, hat dich hoch genommen und ist die Treppe hinaufgegangen und verschwand im Zimmer und ist den ganzen Nachmittag nicht wieder herausgekommen. Ich habe noch von unten gefragt:

Corinne, was ist los, habe ich etwas falsch gemacht?

Aber ich habe keine Antwort bekommen. Dein Vater war im Bad gegenüber. Ich habe auch ihn gefragt: Pedro, was ist los? Ich hatte Tränen in den Augen und konnte sie auch nicht zurückhalten. Er hat nur gesagt, dass ich Verständnis haben soll, da Corinne krank ist. Vielleicht war es eine Depression nach der Geburt. Das passiert manchmal. Ich musste tief durchatmen, aber es gab eine Erklärung, die mir jedoch unbekannt war. In dieser Nacht ließ mich mein Gewissen mehr recht als schlecht schlafen.


Im Mai, in dem Miguel Geburtstag hat, kamen deine Cousins, er, Rita und die Eltern aus den USA, um euch zu besuchen. Wir hatten uns bis dahin nie alle zusammen an einem Ort getroffen, obwohl wir gar nicht so viele sind; nur sechs Erwachsene und drei Kinder (Doralice war damals noch nicht geboren).

Dein Vater machte den Vorschlag, dem sich auch niemand verweigerte, sondern alle begeistert annahmen, die Seilbahn zu nehmen, um in die fantastischen Berge zu fahren und Miguels Geburtstag mit Würstchen und Cola zu feiern. Als wir das Haus verlassen wollten, sagte eure Mutter ab, denn sie kannte den Ort und empfand kein Interesse ihn noch einmal zu besuchen. Ich schlug also vor, einen anderen Ort in der Nähe zu besuchen. Wir hätten ja auch im Restaurant am See zu Mittag essen können. So hätte uns Milagro als gut erzogener Hund auch begleiten können. Eure Mutter nahm den Vorschlag aber nicht an und wollte auch keinen weiteren Ort besuchen. Ich sagte noch, dass wir ja auch zu Hause essen könnten, aber eure Mutter lehnte nur ab. So sind wir auf den Berg gefahren; Großvater Rui, Großmutter Isabel, Miguel, Rita und Milagro. Wir haben Miguel das Geburtstagslied vorgesungen, haben Würstchen gegessen und Cola getrunken, außer Milagro natürlich, der ja nur abends isst und er trinkt auch nur Wasser. So sind wir dann wieder zurückgefahren und nichts Weiteres ist passiert.


Nachdem euer Vater uns mit dramatischer und verbitterter Stimme erzählt hatte, dass sich die Familie trennen würde, bat ich ihn nicht euer Haus zu verlassen, aber er war es, der die unkontrollierten Wutanfälle eurer Mutter nicht mehr ertragen konnte, die unauslöschliche Spuren bei euch Kinder hinterließen. Er wollte sich in der Nähe eine Wohnung suchen. Also habe ich eure Mutter angerufen und sie gefragt:

Corinne, was ist so schreckliches passiert, dass eine Trennung, die besonders euren Töchtern schadet, unabwendbar ist? Was hat Pedro gemacht, was du ihm nicht verzeihen kannst und ihn aus dem Haus jagst?

Sie hat mir nach einigen Augenblicken geantwortet, dass Pedro ein Lügner ist und sie keine Lügen ertrage.

Aber welche Lügen? Kannst du uns das sagen? Für eine so schwerwiegende Entscheidung müssen die Lügen wahrlich schlimm gewesen sein…

Kannst du dich erinnern, als Ana mit ihrem Mann und den Kindern das letzte Mal hier war. Pedro hatte gesagt, dass Ana diese Nacht nicht bei uns bleiben würde, (wahrheitsgemäß muss man dazu sagen, dass eure Mutter niemals eine Einladung ausgesprochen hatte und, dass Ana, unsere Tochter, mit ihrer Familie, die insgesamt vier Personen sind, sich immer Hotelzimmer in der Umgebung mieteten) da sie in einem Hotel am Flughafen bleiben würde, um am nächsten Tag schneller ihren Rückflug in die USA nehmen zu können. Aber Ana sagte beim Abendessen, dass sie so noch Zeit hätte, vor dem Flug etwas laufen zu gehen. Pedro hatte gelogen, obwohl er wusste, dass Annas Flug erst am Nachmittag ging.

Oh! Corinne, aus diesem Grund werdet ihr euch trennen???, fragte ich erstaunt und sie gab mir auch keine Zeit noch weitere Fragen zu stellen.


Ich habe dann später noch einmal angerufen und gefragt, was eine Trennung, die hauptsächlich den Töchtern schadete, vermeiden könne, aber sie sagte nur “nichts” und ließ mir auch diesmal keine Zeit noch weitere Fragen zu stellen.


Anschließend wurde ein Scheidungsvertrag für zwei Jahre unterschrieben, in dem sich euer Vater verpflichtete alle Ausgaben des Lebensunterhalts, der Ausbildung, euer aller Gesundheit zu tragen und so wurden auch die im Gesetz vorgesehenen Besucherrechte geregelt. Ich sagte “alle Ausgaben”, weil nur das Einkommen eures Vaters alle Ausgaben begleicht, da eure Mutter keiner entlohnten Arbeit nachgeht.

Euer Vater ist seinen Pflichten, die er eingegangen ist, immer nachgegangen. Es ist eure Mutter, die mit verschiedenen Ausreden, die auch bei ähnlichen Fällen des Kindesentzugs auftreten, eurem Vater den Umgang verbietet, obwohl er in der Nähe lebt.

Von unserer Seite, euren Großeltern, lehnt sie jegliche Anrufe ab, antwortet auf keine E-Mails und wehrt Briefe ab. Zu Weihnachten, wie ich schon erzählt habe, verweigerte sie uns einen Moment mit unseren Enkeltöchtern, um euch ein paar Weihnachtsgeschenke zu überbringen und schlug uns vor der Nase die Tür zu. Sie ließ uns durch eine dritte Person wissen, dass sie die Polizei rufen würde, wenn wir noch einmal versuchten, Kontakt mit unseren Enkeltöchtern aufzunehmen!

Wir werden nicht wieder auftauchen, nicht aus Feigheit, aber weil wir die Konfrontation mit der Polizei vermeiden möchten und, weil wir daran glauben, dass das Recht und die schweizer Institutionen, die das Interesse der Kinder in Gefahr verteidigen, die eingegangenen Abmachungen, wie zum Beispiel das gemeinsame Sorgerecht, wieder herstellen werden, das eure Mutter nicht einhält und somit eurem Vater ein Grundrecht nimmt, mit seinen Kindern zusammen zu sein oder sich bis zur Volljährigkeit an den Ausbildungsentscheidungen zu beteiligen.

Ich vermute, dass auch diese Nachricht, die wir per Einschreiben abschicken werden, an den Absender ungeöffnet zurückgeschickt wird, so wie der Brief, den wir vor Weihnachten geschickt haben und in dem wir eure Mutter gebeten haben, uns einen Tag vorzuschlagen, an dem wir euch sehen könnten.

Wir vermuten auch, liebe Rosa Morena, dass eure Mutter euch wahrscheinlich schon unzählige Male gesagt hat, dass euer Vater böse ist, ohne euch oder jemand anderem zu sagen, warum und wir wollen uns gar nicht vorstellen, was sie euch über uns erzählt haben muss.

Wir wissen natürlich auch, dass, selbst wenn dich diese Nachricht erreicht, du sie nicht lesen kannst und dass deine Mutter sie dir bestimmt nicht vorliest, damit du verstehen kannst, was wir versuchen zu vermitteln. Rosa Morena, vor zwei Jahren waren wir so erstaunt, wie gut du Portugiesisch sprechen konntest (wusstest du, dass Portugiesisch eine der meist gesprochen Sprachen der Welt ist?) und wie gut Doralice, wenn auch noch nicht ganz drei Jahre alt, alles verstehen konnte. Wir wissen natürlich, dass eure Mutter alles daran setzt, aus eurer Erinnerung Bilder eures Vaters und eurer Großeltern zu löschen, aber eben auch den Wortschatz und die Grammatik der portugiesischen Sprache, die ihr so leicht gelernt hattet. Wenn auch die Säuberung der Erinnerungen an euren Vater und an uns im Gange ist, eines vermag sie aber nicht zu löschen (es sei denn sie kann es wissenschaftlich belegen), und das ist die Tatsache, dass ihr die Töchter unseres Sohnes seid und somit unsere Ekeltöchter. So sehr sie sich auch anstrengt, ein Hindernis kann sie nicht aus dem Weg räumen: ihr seid weder ihr noch irgendjemandem Eigentum. Es wird der Tag kommen, an dem ihr erwachsen werdet und die Zügel in eure eigenen Hände nehmt und, so hoffe ich heute, da ich diese Zeilen schreibe, dass ihr Verhalten eure Persönlichkeit nicht unwiderruflich für die Zukunft zerstört. Wir hoffen inständig, dass die Manipulation, der ihr ausgesetzt seid und so typisch für diese Fälle ist, unterbrochen werden kann, bevor die Auswirkungen unwiderrufliche Schäden hinterlassen. Wir wollen auch daran glauben, dass das Gewissen jener, die die Verantwortung in den Händen halten, sie nicht eher aufgeben lässt, bevor dieses Gefängnis, diese Entführung und diese Gewalt, die euch angetan wird, nicht beendet ist.

Euer Vater, liebe Rosa Morena und Doralice, ist die einzige Quelle eures Unterhalts, weil nur er arbeitet. Er bezahlt alles, sogar die Bankanleihe, die unsere Anleihe abrundete, sodass das Haus gebaut werden konnte, in dem ihr heute lebt. Euer Vater musste in eine Wohnung umziehen, da er die sinnlosen Frechheiten eurer Mutter, die euch unbestreitbar psychologisch wehtaten, nicht mehr ertragen konnte und ihn selbst veränderten.

Niemand ist aus Stein und widersteht allen Qualen, denen er ausgesetzt ist. Nichts und niemand ist unzerstörbar, außer vielleicht die Liebe der Liebenden. Wer auf so perverse Weise euren Vater bewusst oder unbewusst zerstört, wie es eure Mutter getan hat, will auch die intellektuellen und physischen Fähigkeiten eures Vaters zerstören. Was möchte sie damit bezwecken? Möchte sie seine Gesundheit oder seine seelische Stärke zerrütten? Und aus welchem Grund? Ich kenne meinen Sohn recht gut und weiß, dass er den Kampf um seine geliebten Töchter nie aufgeben wird. Ich weiß auch, wie stark sein Pazifismus und seine Güte ist und ich weiß, dass sein Glaube an die schweizer Autorität seine einzige Waffe ist, aber ich weiß nicht, ob die Perversion deiner Mutter ihn nicht irgendwann an ein Krankenhausbett fesseln wird.

An dem Tag, an dem ich mit deiner Mutter gesprochen habe und sie um Gründe der Trennung bat, von der wir ja erst am Vortag gehört hatten, und sie mir diese sinnlose Antwort zum Abflug nach Washington DC gegeben hatte, sagte ich noch zu ihr: Corinne, eure Töchter werden auf unvergleichbare Art und Weise eure Trennung ertragen müssen und den höchsten Preis bezahlen. Ich konnte mir im Traum nicht ausmalen, welches Ausmaß dieser Preis annehmen würde und ich glaube, wir haben immer noch keine Ahnung. Eines ist sicher, er wird von Tag zu Tag höher, solange diese unverständliche Haltung beibehalten wird.

Was wird passieren, wenn euer Vater vorübergehend arbeitsunfähig wird, weil niemand unzerstörbar ist, nicht einmal die größten Städte der Welt sind es? Wird sie dann von Sozialhilfe leben und das Besucherrecht einstellen lassen, da euer Vater krank und unfähig ist, die Haushaltskosten zu tragen?

Ich wünschte, sie würde euch diese Nachricht erklären, aber ich bin sicher, dass sie sie euch nicht vorlesen wird und noch weniger erklären. So hoffe ich doch wenigstens, dass sie so ehrenhaft ist und sie liest und mich in meinen Fehlern korrigiert.

Ein portugiesischer Philosoph hat einmal gesagt: “wenn ich den Fehler nicht fürchte, so bin ich doch immer bereit ihn zu korrigieren”

Und so stehe ich zu den Dingen, ich bin vollkommen bereit meine Meinung zu ändern, sollte eine oder einige meiner Aussagen inhaltslos oder nicht belegbar sein.

Ich stehe allem ganz und gar offen gegenüber, und das mit einem Hoffnungsschimmer, dass die Ehre, die vielleicht bei Einigen langsam aus der Mode kommt, doch noch eine wahre, ehrliche und gut gemeinte Gelegenheit bietet, den schon entstanden Schaden zu begrenzen sowie noch schlimmeren für eure Zukunft, liebe Rosa Morena und liebe Doralice, verhindert.

Um dieser Bereitschaft zusätzlich Ausdruck zu verleihen, schicken wir unsere Geburtstagsgrüße, anlässlich des siebten Geburtstags, der ja der ursprüngliche Grund war, unserer lieben Rosa Morena, begleitet von viele Küßchen und Umarmungen, die auch unsere liebe Doralice einschließen.


Alles Gute! Alles Gute! Alles Gute zum Geburtstag! !Allerliebste Rosa Morena!
Viele !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Küßchen für dich und Doralice.
Liebe Rosa Morena, wir werden an deinem Geburtstag versuchen am Telefon mit dir zu sprechen.



Unterdessen trinke ich weiterhin jeden Morgen vor dem Frühstück mein Glas lauwarmes Wasser mit einem Tropfen Zitronensaft.

  

Hinweis:
Ich weise etwaige Leser darauf hin, dass ausschließlich ich, Rui Manuel Correia Fonseca, für das Geschriebene verantwortlich bin, da sonst weder jemand dazu gezogen oder informiert wurde, noch um Korrektur oder um eine Meinungsäußerung zum geschriebenen Text gebeten wurde. Ich behalte mir das Recht vor, den Text mit denen zu teilen, die von unserem Kummer, unserer Verbitterung und Demütigung zu wissen.






Wednesday, July 11, 2018

O AVÔ DE LUKAKU

A ler o artigo de Paulo Curado no Público de ontem -  Romelu Lukaku: “Na Bélgica já não me pedem a identificação” - A surpreendente história e o exemplo de vida do melhor marcador da história da selecção belga. Nesta terça-feira, um país de muitas cores e línguas aguarda pela sua inspiração frente à França. ", emocionei-me, numa hora amarga.

A Bélgica perdeu contra a França, Lukaku teve uma actuação discreta, quase apagada, não será campeão do mundo este ano, mas não é por essa razão nem pelo desenrolar do encontro, nem pelo resultado final que a minha emoção, quando agora releio o testemunho de Lukaku, se esvaiu. 

Eu não sabia nada acerca de Lukaku, mas fiquei a perceber que, para além de um atleta de alto gabarito, é um homem íntegro, ancorado nas raízes familiares, imbuído dos valores morais que a sociedade europeia, individualista, egoísta, a caminhar a passos largos para o cenário, racista, xenófobo, nacionalista, que em meados do século passado ateou fogo ao mundo inteiro, despreza. 

"Aos 25 anos, Romelu Lukaku é uma lenda no futebol belga. É o melhor marcador da história da selecção. É a estrela do ataque do Manchester United. ... É também um jovem humilde que a fama não mudou. Tem uma maturidade anormal moldada por sacrifícios e uma fé inabalável.

Para além do pai e da mãe, o avô, no Congo [antiga colónia belga], era a pessoa mais importante da sua vida, com quem falava sempre que podia ao telefone.
“Ele era a minha ligação ao Congo, de onde são os meus pais. Um dia liguei-lhe e disse-lhe que o meu futebol estava a correr muito bem, que tinha marcado 76 golos, que vencemos o campeonato e que as grandes equipas começavam a reparar em mim. Normalmente ele queria saber, mas dessa vez estava estranho.

- ‘Sim Rom, isso é bestial. Mas podes fazer-me um favor?’- ‘Claro, o que é?
- ‘Podes olhar pela minha filha, por favor?’
Fiquei muito confuso.
- ‘A mamã? Sim, tudo bem.’
- ‘Não, promete-me. Podes prometer-me? Trata da minha filha. Cuida dela por mim, está bem?’
- ‘Sim avozinho. Entendi. Eu prometo.’
Cinco dias depois ele morreu  e eu percebi tudo. Fico tão triste ao pensar nisto, porque gostava que ele tivesse vivido mais quatro anos para me ver a jogar no Anderlecht. Para saber que tinha cumprido a minha promessa e que tudo ia ficar bem.”

“Quando as coisas corriam mal na selecção os jornais chamavam-me Romelu Lukaku, o atacante belga de origem congolesa; quando corriam bem, era Romelu Lukaku, o atacante belga. Alguns riam-se de mim quando não estava a jogar no Chelsea e fui emprestado. Mas não estavam comigo quando tinha de pôr água nos cereais e não podem realmente entender-me. Se não gostam da minha forma de jogar, tudo bem. Mas eu nasci aqui. Cresci em Antuérpia, Liége e Bruxelas.”

Romelu nunca esconde o orgulho pelo país e por vestir a camisola da selecção, com a qual fez história individual e colectiva. Já não pode contar ao avô que agora todos conhecem o apelido da família.
“Falo francês, holandês, alemão, espanhol ou português, dependendo do bairro onde estiver em Bruxelas. Somos ‘todos’ belgas. É isso que torna este país fixe, não é?”
Devia ser, Lukaku, devia ser. 

Antes do jogo e da leitura do Público, tinha enviado a seguinte mensagem aos nossos emigrantes: 
"Aposto que ganha a Bélgica, e será, segundo meu palpite a vencedora do mundial.
Interessante é que tanto do lado da França como da Bélgica a grande maioria dos jogadores ou são emigrantes ou descendentes de emigrantes, facto que deve colocar os nacionalistas, os neo-nazis, os racistas, e outros da mesma espécie, a espumar de raiva."

Para quem não perceba porquê recomendo a leitura de
 https://www.theguardian.com/education/2002/jan/04/highereducation.books
Hitler 1936-45: Nemesis by Ian Kershaw


Tuesday, July 10, 2018

ME TOO

...

- É curioso, muito curioso, tenho um paciente numa situação clínica semelhante à sua, é avô, e tem um filho que está preso em Macau em consequência de um erro do tribunal, as autoridades macaenses já reconheceram o erro, pediram desculpas mas o homem continua encarcerado à espera que as formalidades burocráticas o libertem.
Esse avô, apesar da sua situação clínica, deslocou-se de Lisboa a Macau para visitar o filho. Viu-o numa cela em conjunto com outros presos, vinte, se bem me recordo falou-me em vinte, e teve de voltar sem ter a oportunidade da alegria de abraçar o filho em liberdade.
E tudo isto, porquê?
Porque a mulher, uma macaense de quem teve um filho, ou dois, não sei precisar, acusou o pai das crianças de as molestar. Foi-lhe imediatamente ordenado não se aproximar mais do local onde residiam e, pouco depois, foi preso. Está preso há um ano e meio, agora à espera que os burocratas o libertem.
Entretanto, a mulher voou para Portugal e, segundo se supõe, reside agora na área de Lisboa. 
...

Há mulheres, muitas mulheres, que são vítimas de atrocidades daqueles com quem vivem ou intimamente se relacionam, que em alguns casos provocam a morte.

Mas também há mulheres víboras. 
Silenciosas e perversas, que atacam até engolir todos os que vê à sua volta. 

Thursday, July 05, 2018

ACERCA DE GÉNIOS E DEUSES *


Só compreendo a idolatria por figuras públicas, frequentemente transitórias, por, como refere, uma necessidade da espécie humana, talvez decorrente de  outra imposição dos  genes da espécie, nunca satisfeito com os deuses que fez crescer e multiplicar.

E, afinal, somos cada um de nós, senhores dos nossos destinos? Temos livre arbítrio, ainda que limitado.

Ortega y Gasset afirmava que, cito de cor, o homem é ele e as suas circunstâncias.

Penso que  o homem é tão só a resultante que enfrenta no mar das circunstâncias em que é lançado no exacto momento em que, de entre muitos milhões de espermatozóides ejaculados, um atinge um óvulo que no período se soltou e ficou por pouco tempo à espera.

Einstein, provavelmente o expoente máximo dos limites atingidos pela inteligência humana nos tempos modernos, fez-se a ele mesmo ou foi apenas a resultante de um acaso primordial que lhe traçou o percurso durante toda a sua vida? O génio fez-se ou aconteceu por mero acaso? 
E o filho dele, o Eduardo, com esquizofrenia revelada aos vinte anos? Fez-se  ou resultou do momento primordial do acaso incontornável de um encontro entre muitos milhões possíveis?

Não, não há génios, há acasos incontornáveis. Escolher no mar das circunstâncias implica optar sendo que a resultado, sempre incerto da opção, é sempre condicionado pela resultante do acaso primordial.

Saltando da ciência para o espectáculo, CR7 é um génio?
Não é. O homem nasceu com habilidades decorrentes de uma ejaculação de uns cento e cinquenta milhões de espermatozóides do sr. José Dinis Aveiro à procura de um óvulo da D. Maria Dolores dos Santos que nos começos de Maio de 1984 estava em posição de espera dele, circunstância que o lançou no mar das circunstâncias. 
Tornou-se um deus, consagrado em estátua, que o tempo destruirá para dar lugar a outras estátuas de novos deuses. Não há imortais. 
A espécie humana é, naturalmente, religiosa. E nunca regateou pagar por isso. Frequentemente com a vida, em nome dos deuses que criou.

E porquê? Porque sabe que é muito transitória a sua existência e ínfima a sua compreensão do universo. E adora ver quem nasceu para ser capaz de um pequeno pulo, um pulinho apenas, e momentâneo, acima do solo a que todos estamos irremediavelmente amarrados. 


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* Comentário colocado aqui : "Gente simples e mortal"

Friday, June 29, 2018

EXPLICAÇÃO EXTRA-TERRESTRE DA SALVAÇÃO DA TERRA



Há dias, Lucrécio bateu-me à porta, trazia duas novidades e uma questão para reflexão. Sabias que o Mário G., tu conheces o Mário, não conheces?
Nunca falei com ele, mas sim, sei a quem te referes …
Pois o Mário está com uma doença terrível …
Lucrécio não me vens falar de doenças pois não?
Não, não é bem isso. O caso é que, dizendo-se não crente, ateu, o Mário está a fazer peregrinações … Diz ele que assim se sente sossegado, menos perturbado. Que me dizes a isto?
Não digo nada. Não sei dizer nada para além de que não é de todo uma situação original. A literatura, ficcionada ou não, tem abordado o tema vezes sem conta. Em “Jean Barois”, o conflito central da obra opõe a Razão à Fé. Barois, nascido e criado num meio católico ultra conservador, torna-se crítico acérrimo das crenças religiosas, mas um dia, tendo sido vítima de um acidente de trânsito numa rua de Paris, conta, envergonhado, a um amigo, que, no momento em que vira que estava perdido, tinha invocado a Santa Virgem! Tchekhov, num dos seus contos, descreve o caso de um indivíduo que, com a intenção de ajudar um amigo, a primeira coisa que fez foi levar esse amigo à Nossa Senhora de … não me recordo o nome. Rezava com ardor, fazia profundas reverências e tinha lágrimas nos olhos. Quando acabou, suspirou profundamente e disse: - Se bem que descrente, sinto-me mais sossegado depois de rezar”. Será um tema que só desaparecerá com o desaparecimento da espécie humana. Entre o crente e o descrente ou o ateu, o debate centra-se na oposição, inultrapassável, entre admissão ou não admissão de uma ideia que nenhuma das partes alguma vez poderá cientificamente fundamentar ou rejeitar. Já me parece mais admissível, menos controverso, acreditar que nem a espécie humana é a única com capacidades inteligentes no universo nem este planeta é o único onde são possíveis condições de vida inteligente. E se há incontáveis mundos no universo onde isso possa acontecer, teremos de admitir que existirão nesses mundos seres superiormente inteligentes à espécie humana que poderão chegar até cá, de onde nós terráqueos não temos possibilidade de chegar até eles. Como, não sei, parece que ninguém sabe, há várias teorias mas nenhuma que dê hipóteses de o terráqueo sair do planeta e lançar-se no espaço sideral, poisar noutros planetas acolhedores e voltar ao ponto de partida, como prova de vida, sem ter esgotado o prazo de validade. Mesmo que, no futuro a espécie humana, ou uma parte dela, ainda que pequena, consiga viver mil anos, estaremos perante um tempo longo em termos de vida humana mas infinitamente pequeno perante os milhões de anos-luz com que se medem as distâncias no universo. Perante esta inultrapassável impotência humana, que espanto pode causar o desequilíbrio em terrenos movediços? O homem é um ser inteligente, racional, a sua descoberta da natureza é cada vez mais profunda, estimulante, mas também reveladora da sua ignorância e da sua reduzidíssima dimensão no universo. Houve um tempo em que a espécie humana situou o planeta em que nasceu no centro universo. Depois arvorou o sol até concluir que o sistema solar é apenas um entre muitos milhões de outros a rodopiar no universo. Perante esta dimensão esmagadora o que é crer ou não crer? E, sobretudo, crer ou não crer em quê?
Que te parece?
Parece-me que é uma proposta estimulante.
Que outra novidade me trazes?
Já nasceu o primeiro homem, ou mulher, é mais provável que seja uma mulher, que viverá até aos 150 anos, e, dentro de 20 anos, nascerá o ser humano que viverá 1000 anos. Acreditas?
Acredito, por que não hei-de acreditar? Não sei como provar o contrário. Como posso eu, profundamente ignorante, contestar as previsões de um super cientista. Se bem me recordo, esta notícia já circula há uns anos na internet… Não sei se o cientista visionário procedeu, entretanto, a algum ajustamento, facto que, só por si, não lhe retiraria idoneidade, mas para a confirmar há ainda que esperar muito. Talvez possas tu, Lucrécio, assistir à confirmação. Estás com 70, só tens que esperar 80. Que vais fazer Lucrécio durante tanto tempo?
Estás a fazer uma interpretação forçada, jocosa, penso eu, da notícia. O cientista que avançou com estas previsões fundamenta-as nos avanços já existentes e previsíveis a, relativamente curto prazo, no combate às causas das doenças que matam. No futuro, os seres humanos só morrerão por acidente.
Ou se continuarem a matar-se uns aos outros… Acidentes destes não irão faltar. Matai-vos uns aos outros é um mandamento, que não sei de onde veio, cada vez mais obedecido. Em todo o caso não deixa de ser motivador de uma discussão diletante pensar na forma como se organizarão as sociedades onde os seres humanos viverão 150 anos ou mais se não morrerem antes por acidente. Ou de tédio. Os dinossauros, segundo uma das teorias para justificar a sua extinção, terão morrido de tédio e não me consta que os laboratórios estejam preocupados em arranjar vacina ou remédio para tal doença. Cansados de pastar e criar lombo morriam de tédio se não morriam de doença, fome, acidentes ou condições climáticas adversas, curiosamente, os mesmos exterminadores que, ainda hoje, ameaçam a espécie humana. E não viviam muito, os dinossauros, no máximo cerca de 30 anos, li algures.
Pensa nisso.

Não sei se Lucrécio voltou a pensar no assunto. Eu não, mas esta noite sonhei com extraterrestres.

Havia um grupo reunido em círculo e no meio do círculo aquele que me pareceu ser o guia do grupo, digo que parecia porque manda a verdade dizer-se que não retive, nem do guia nem dos membros do conjunto, traços que me permitam descrever, ainda que toscamente, as suas silhuetas, nem entender os meios como comunicavam entre si. Deduzi que aquele era o guia do grupo não só pela posição que ocupava mas também porque dava ares de guia turístico, o que me permite afirmar com elevada probabilidade de acertar que havia um grupo e no centro do grupo um guia. Se não retive nem traços nem sons que me permitam agora sequer imaginá-los, posso, no entanto, garantir que não eram antropomórficos nem se entendiam através de sons audíveis, mas era, surpreendentemente para mim, a forma como conseguia aperceber-me do que dizia o guia ao grupo.
Surpreendente, quando agora relembro a cena, que naquele momento devo ter considerado normal. Ou talvez aquele surpreendentemente seja exagero meu porque sempre a espécie humana foi capaz de se fazer entender e desentender não falando nenhuma outra língua, para além da nativa, em toda a parte onde lhe deu na gana relacionar-se a bem a ou a mal com outros exemplares da mesma espécie com que se encontrou ou confrontou fora do sítio onde nasceu.
Dizia o guia ao grupo,
Neste planeta, foi dominante a espécie humana durante milhões de anos, que se considerava criação divina, como obra acabada - contavam o tempo pelas voltas completas deste planeta ao sol, cada volta, um ano, e pelas rotações do planeta à volta de um eixo imaginário, cada rotação um dia. 
Muito mais tarde, mas mesmo muito mais tarde, concluíram alguns, mas não acreditaram todos, que a tal espécie humana era afinal o resultado de uma evolução que lhe atribuía o chimpanzé como espécie antepassada mais próxima. 
O domínio da espécie humana, não só sobre as outras espécies mas também de umas partes da espécie sobre as restantes, decorreu da habilidade com que, no processo evolutivo, ou no divino instante criador, para quem defendia a tese criacionista, tal espécie foi dotada para matar à distância.
Inicialmente, à pedrada, lançamento de pedra na direcção do objectivo a atingir, geralmente com a mão direita, mas também, se fosse esse o jeito do atirador, com a esquerda, mais tarde com ambas as mãos, quando inventou a funda, mas a pedra como arma, não obstante o desenvolvimento de outras técnicas progressivamente mais eficazes, quer dizer, mais mortíferas, subsistiu ao longo dos milénios, por ser a mais simples, a mais abundante, ainda que a menos eficiente. Em confronto corpo a corpo, sem esta capacidade exclusiva e inata de matar à distância, a espécie humana perderia contra todos os outros seres vivos mais possantes, mais velozes ou dotados de capacidades que a humanidade, presa pelos pés à terra, só muito sofrivelmente viria muito mais tarde a conseguir imitar no ar e no mar. Depois da pedrada, sem olhar à qualidade da mesma mas à proximidade da que estava mais à mão, percebeu a espécie dominante que dominaria melhor, a mais distância e com mais precisão, se acoplasse na ponta duma vara uma pedra afiada e dura e a disparasse o retesando um arco de madeira flexível.
Tinha descoberto a forma com que, com novos desenvolvimentos técnicos, passando da pedra ao ferro, e do arco retesado à pólvora, atingiria o ponto em que o poder destruidor acumulado poderia matar tudo e todos, erradicando de vez todas as outras espécies do planeta, incluindo a própria espécie humana.
Todos?
Talvez não todos. Expedições anteriores não descortinaram sobreviventes complexos mas apenas vestígios celulares em fases infinitas de infinitos processos evolutivos. Daqui a muitos milhões de anos, este planeta, agora novamente predominantemente azul e verde, pintalgado com incontáveis formas, coloridas com todas as cores do espectro visível, voltará a ser habitáculo de espécies estruturalmente complexas.
Voltará o homem?
Para quem acredite que o homem é uma criação divina, é muito provável que reapareça por aqui a espécie humana em forma acabada mas em edição melhorada, já que aquela que se auto destruiu tinha sido, sob diversos aspectos, manifestamente mal concebida. 
Para os evolucionistas, a hipótese de reaparecimento do ser humano tem de ser considerada praticamente impossível já que tendo tido o homem um aparecimento muito tardio no planeta, a evolução pode prosseguir por caminhos que conduzam a seres capazes de continuar incessantemente a evoluir no conhecimento e na utilização dos recursos do meio em que vivem fisicamente muito distintos da espécie desaparecida. A hipótese de reaparecer a espécie humana na terra, salva a hipótese da criação divina, é tão improvável quanto o reaparecimento dos dinossauros, muito evoluídos em peso e volume mas limitados em capacidade de raciocínio, dominantes no planeta durante cerca de 135 milhões de anos, desaparecidos, e nunca mais reaparecidos, há mais de 65 milhões de anos antes da espécie humana ter sido divinamente concebida ou evoluído consoante as circunstâncias que defrontou. De qualquer modo, se alguma ou algumas das espécies que vierem a reocupar este planeta for portadora da habilidade de matar à distância, mais tarde ou mais cedo, repetir-se-á a cena da sua aniquilação total, de nada valendo aos super-golias a enormidade das suas toneladas perante as arremetidas de pedras com fundas, certeiras à distância, dos davides, pesos pluma. 
Como desapareceram os gigantescos dinossauros que durante tantos milhões de anos foram a espécie dominante no planeta, ninguém sabe. Talvez uma espécie de sniper escondido algures no universo, à distância de milhões de anos-luz, tenha lançado um meteorito nesta direcção, talvez com uma funda, provocando uma explosão e a formação de uma nuvem de poeira tão espessa que bloqueou o calor do sol, encurralando e exterminando biliões de seres vivos na câmara frigorífica em que o planeta foi transformado pelo embate do meteorito. É uma explicação, há outras, muitas incertezas mas também a certeza de que não foi a espécie humana que matou os dinossauros. Quando a espécie humana apareceu no planeta, qualquer que tenha sido a causa que tenha suscitado o seu aparecimento, já os dinossauros tinham desaparecido há largos milhões de anos.
Poderá ter sido outra ou outras espécies? Podem, de ínfimo tamanho, espécies que não atiram à distância porque se instalam por dentro do objectivo a matar. Quando não se matavam os indivíduos da espécie humana uns aos outros entravam em acção estes inimigos internos para, mais tarde ou mais cedo, demonstrarem que a ninguém, de qualquer espécie, seria permitido continuar vivo ad eternam, independentemente do tamanho ou da habilidade para atirar de longe.
Em todo o caso, a longevidade da espécie humana cresceu sobretudo quando descobriu meios para aniquilar alguns dos inimigos hospedados nos seus corpos, e expandiu-se à medida que se reduzia o número das outras espécies mais corpulentas. 
Expandiu-se de tal modo que alguém, entre eles, recomendou que acelerassem os cálculos e as tecnologias para ocuparem o planeta mais próximo, uma sugestão nada assisada, já que nós que, de caminho para aqui, passámos por lá e bem vimos que aquilo não é sítio onde se possa estar. E mais longe não conseguia ir a espécie humana, barrada pelas distâncias não ultrapassáveis porque ignorava a possibilidade de comprimir a restrição da velocidade da luz no espaço-tempo que os bloqueava.
A espécie dominante tornou-se, portanto, a espécie mais predadora das restantes espécies até se tornar a mais predadora da sua própria espécie, varrendo-a da superfície do planeta. Porquê? Porque, segundo uns, os gases provocados pelas actividades humanas tinham produzido um aquecimento global que derretera os gelos acumulados nos pólos do planeta, aumentara os níveis de água dos mares, afundando as cidades situadas nas margens dos oceanos quando os muitos milhões de humanos haviam escolhido viver ali. E, mais grave ainda, fizera subir as temperaturas a níveis insuportáveis em grande parte do planeta. Se os dinossauros tinham desaparecido congelados na câmara frigorífica os homens tinham-se condenado a desaparecer esturricados num forno à escala planetária.
Segundo outros, esta ameaça era uma balela que servia interesses inconfessáveis, os cientistas desentendiam-se e os filósofos concluíam que onde os cientistas não encontram alguma estabilidade de conhecimento não há certezas científicas e poderão haver interesses materiais em jogo. 
O planeta já passara por fases de aquecimento e arrefecimento fora dos intervalos de normalidade e a humanidade não desaparecera, esquecendo-se, propositadamente ou não, a favor ou contra qualquer das teses, que a humanidade se contava nesses tempos passados em número incomparavelmente ínfimo daquele que viria a atingir depois. Nesta discussão, o comportamento da espécie dominante ou seria fautor primordial da destruição das condições de vida no planeta e, deste modo, exterminador de pelo menos grande parte da espécie humana, ou, completamente inocente de fenómenos aleatórios, até prova em contrário.
Uma discussão que viria a ser submersa pela ocorrência da utilização extrema da habilidade que tornara dominante a espécie humana, a sua capacidade de matar à distância.
Durante milénios após o ser humano ter sido colocado ou aparecido no planeta, (continuamos a admitir as duas hipóteses porque, para este efeito, é irrelevante qualquer opção), a evolução do seu conhecimento da matéria que pisava e era feito tinha-lhe permitido transitar da técnica do arremesso a curtas distâncias da pedra em bruto para o arremesso a longínquas distâncias de matéria cindível em explosões que progressivamente se aproximavam em capacidade exterminadora daquela que o meteorito vindo dos confins do universo terá provocado ao embater no planeta há 65 milhões de anos, eliminando dinossauros e biliões de outras criaturas da face do planeta.
Pouco tempo, pouquíssimo, se usarmos a escala cósmica, depois do lançamento do primeiro engenho a média distância, menos de dez mil metros, a que voava o avião que o transportava sobre a cidade que destruiu instantaneamente, enquanto subsistia a discussão da culpa ou da inocência humana no aquecimento global, os humanos continuavam a matar-se uns aos outros, desenvolvendo capacidades de destruição incontroláveis.
Primeiro um grupo, o mais dominador, depois um segundo, depois um terceiro, enfim, chegou o momento em que quase todos os grupos dispunham de armas de destruição maciça, que no seu conjunto, eram, segundo avisos de alguns, susceptíveis de eliminar tudo e todos da face do planeta, se, por intenções suicidas, individuais ou colectivas, o rastilho do enorme fogo-de-artifício fosse ateado algures no planeta. E foi. 
Antes disso tinha havido ameaças, bloqueios, cada grupo considerando-se mais forte que os outros, ao mesmo tempo que cada um aumentava o seu arsenal destruidor. Havia alturas em que concordavam em suspender o crescimento dos arsenais, outras em que chegavam a acordar na sua redução, mas as reduções eram lentas e quando eram suspensas logo se reactivavam os crescimentos dos arsenais. 
Incompreensivelmente, para nós, que agora começamos a conhecer alguns estranhos hábitos destes seres que dominaram o planeta, crentes e não crentes na existência de um ser omnipotente criador do planeta e dos céus que o envolviam, voltavam os seus olhares para os céus rogando o favorecimento desse ou desses seres superiores, divindade ou divindades, nos confrontos, bélicos ou não, quando defrontavam os seus inimigos ou adversários, aparentemente inconscientes da iniquidade da protecção que rogavam à divindade com as suas preces. Mas só pelo facto de rogarem o mesmo favor, a vitória dos seus lados, a derrota ou aniquilação da parte contrária, sentiam-se confiantes e animados para uma luta mais feroz e esmagadora. Depois os vencedores construíam templos em honra e agradecimento das vitórias alcançadas geralmente às mesmas divindades que os derrotados também veneravam e a quem tinham rogado os mesmos favorecimentos divinos. 
Outro aspecto não menos anedótico, que vale a pena referir, do comportamento dos humanos com mais poderes pessoais e maior longevidade, era o uso que davam aos seus recursos. Depois de terem posto o pé em cada palmo do solo do planeta, depois de terem navegado por todo os mares, deliciavam-se em passeios orbitais em naves tripuladas a olhar o planeta a rodar-lhe à frente do nariz. Os passeios vulgarizaram-se, a tal ponto que ficaram conhecidos pelas órbitas dos tristes ricos, alguns aventuraram-se em órbitas cada vez mais distantes, e por lá andarão ainda porque não conseguiram voltar. 
Para prevenirem as consequências letais de um genocídio global, alguns, mais abonados construíam abrigos desvalorizando o tempo em que perduravam os efeitos da destruição global. E todos os grupos mantinham os seus arsenais em locais invisíveis para os inimigos, que eram todos os outros.
Um dia (há sempre um dia em qualquer em que a história acaba) aconteceu o inesperado em um desses arsenais, por sinal um dos maiores, conquanto mal controlado, como mais tarde, tarde de mais, se veio a saber, um vírus, vindo não se sabe de onde, espoletou o sistema, sem senha nem contra senha, e desencadeou ataques cruzados em todos os sentidos do planeta.
Alguns daqueles que orbitavam no momento da explosão global procuraram voltar aterrando num local isolado no meio do maior oceano. E centenas deles estatelaram-se numa pequena ilha onde, paradoxalmente, não havia água suficiente sequer para os residentes. Os que sobreviveram morreram de sede. Sabemos isto porque, após a explosão global, o aquecimento subsequente aumentou o nível das águas dos oceanos e submergiu a ilha mantendo suficientemente preservados muitos dos destroços.  
Inacreditável, não é? perguntou o guia ao grupo para remate da exposição que já tinha semiadormecido parte dos elementos do grupo.
Pois é. Mas foi mesmo assim. E agora aqui temos a casa que há tanto andávamos à procura para ocupar.
Sem armas, sem guerras, com tudo o que precisamos ao nosso alcance.
Cuidado a reter: há por aí, em local ainda não sinalizado, uma árvore, a árvore do conhecimento. É enorme, e está em constante crescimento. Comer o fruto dessa árvore permite aumentar a capacidade de quem se alimenta dele para dominar os outros, até à aniquilação global de todos. Curioso é que, a espécie humana tinha sido avisada, ou muito cedo se apercebera,  do perigo de auto extinção por utilização extrema do conhecimento. E não se pode cortá-la?
Poder, pode, e durante milénios a espécie humana, de um modo ou de outro, travou ou eliminou parcialmente o avanço do conhecimento. Mas a ninguém ocorreu a fórmula mágica de travar a utilização do conhecimento no auto destruição da espécie. Acabou a espécie humana, salvou-se o planeta. 
Ganhámos nós mais um espaço confortável para descomprimir o excesso de povoamento dos mundos onde já chegámos. 
Vantagem do domínio da compressão do espaço-tempo. Estranho é que ninguém, mesmo entre os cérebros humanos mais avançados, se tenha lembrado disso. Ou talvez não seja assim tão estranho. A maior parte do esforço humano era dedicado à discussão entre grupos e à guerra entre eles. Estavam condenados a desentender-se, ou por imposição divina no momento criador ou por natural consequência da selecção natural que os fez evoluir.  

Thursday, June 28, 2018

I´M YOUR MIRROR



Anel Solitário


I´m Your Mirror


Pop Galo


Joana Vasconcellos 
Guggenheim Bilbao
de 29 de Junho a 11 de Novembro

Saturday, June 23, 2018

A CRISE DA MEIA IDADE DE TIAGO BRANDÃO RODRIGUES


RETROVISOR

WEDNESDAY, NOVEMBER 25, 2015

A CRISE DA MEIA-IDADE DE TIAGO BRANDÃO RODRIGUES

Afirma-se no jornal i de hoje que "Cavaco convocou Costa para nova reunião por estar irritado com a divulgação dos nomes dos membros do seu governo antes dos mesmos terem sido aprovados pelo PR". Formalmente, o PR tem razão mas de pouco vale a irritação já que, irritado ou não, não lhe será fácil arranjar argumentos consistentes para mandar substituir qualquer dos nomes da lista divulgada ontem.

Entretanto, notícias da tarde dão conta que a posse do Governo será amanhã.

E, no entanto, é intrigante que o Sr. António Costa tenha convidado um ainda jovem (38 anos) e bem sucedido cientista para ocupar o lugar que é um verdadeiro triturador de ministros. Ao Sr. Mário Nogueira, que durante o seu consulado de vinte anos à frente da Fenprof já derrubou vinte ministros, começou logo a crescer água na boca. Ontem mesmo já deu instruções básicas ao doutor Tiago Brandão Rodrigues. E, ou ele faz o que o Nogueira manda, ou tem o pelotão de derrubamento à porta.

Mais intrigante ainda é, contudo, que o cientista tenha aceitado o sacrifício da incumbência. Terá sentido esgotado o seu filão cientista? Terá sido inebriado pelo perfume do poder político? Ou, mais cientificamente, foi prematuramente assaltado pela crise da meia-idade?
Ainda segundo a citada edição do jornal i, que resume uma notícia do "The Guardian" sobre um artigo publicado no Economic Journal, 

"a crise da meia-idade é um facto científico. Investigadores britânicos acompanharam 50 mil adultos na Austrália, Reino Unido e Alemanha e concluíram que a fase mais negra acontece entre os 40 e os 42 anos. O lado bom dessa descoberta é que, após bater no fundo, os degraus seguintes são sempre a subir até aos 70 anos, altura em que se atinge um novo pico de bem estar."

E nem Cavaco Silva pode valer ao Tiago Brandão.


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Quando o secretário-geral do PS, António Costa, o convidou para integrar as listas por Viana do Castelo às eleições legislativas de 4 de Outubro, Tiago Brandão Rodrigues pensou em dizer que não. Foi esse “o primeiro impulso”, confessou ao PÚBLICO em entrevista neste Verão. Aos 38 anos — e apesar de nunca ter sido militante em nenhum partido —, o cientista doutorado em Bioquímica pela Universidade de Coimbra é o novo ministro da Educação do Governo liderado por António Costa.
Nasceu em Paredes de Coura e sempre se considerou “um homem de esquerda”. Madrid, Dallas e Cambridge são cidades que conhece bem: viveu, estudou e trabalhou em todas elas — 15 dos últimos 16 anos foram passados no estrangeiro. Para concorrer como cabeça de lista do PS pelo distrito de onde é natural, Tiago Brandão Rodrigues deixou para trás um lugar de investigador na Universidade de Cambridge, em Inglaterra. Há cinco anos que se dedicava a estudar, no laboratório Cancer Research UK, técnicas de detecção precoce do cancro. No fim de 2013, apresentou na revista Nature Medicine uma técnica de ressonância magnética que provou conseguir detectar mais cedo e com maior precisão esta doença. Saltou para os noticiários, foi capa de revista, deu muitas entrevistas sobre a investigação que o apaixona, ganhou visibilidade e reconhecimento nacional.
Vê na escola pública e na educação para todos dois “dos pilares-mores da democracia”, sem esquecer a ciência, pasta para outro ministro. Em campanha pelo Alto Minho, Brandão Rodrigues notou “alguma resignação” por parte das pessoas. Acreditava, contudo, que o PS conseguiria “criar as condições para construir melhor”. “Não temos que baixar as expectativas de ter um Estado que as assista, um Serviço Nacional de Saúde com esperança e uma escola que as eduque”, sublinhou.
A um mês das legislativas, garantiu estar preparado para fazer parte de um meio “aparentemente não tão consensual”. Acredita que a cultura científica pode ter um contributo importante na política, “que não é um quadrado fechado”. - in Público

THURSDAY, JANUARY 07, 2016

ALGUÉM DEVERIA SAIR

Soube-se hoje que 

o Conselho Nacional de Educação, presidido pelo ex-ministro da Educação e consultor do actual Presidente da República para os Assuntos Sociais,  David Justino, defende a manutenção  de provas externas no 6º. e no 9º. ano com peso na classificação final dos alunos, e que
a maioria dos professores que o CNE ouviu queria a manutenção dos exames de português e de matemática no 4º. ano.  

Formalmente, compete ao ministro Tiago Brandão Rodrigues decidir.
Realmente, Tiago Brandão Rodrigues não tem grande margem de manobra, considerando os compromissos assumidos pelo primeiro-ministro com comunistas e bloquistas, restando-lhe desvalorizar o parecer do CNE. 

E, se houvesse sentido de Estado, ou se demitia o presidente do CNE e, eventualmente o CNE em bloco, ou se demitia o ministro.

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08/01 - 
Comunicado do Ministério da Educação , emitido esta sexta-feira, revela que os alunos do 2º, 5º e 8º anos de escolaridade vão ser submetidos a processos de aferição "antes da conclusão de cada ciclo de modo a poder agir atempadamente sobre as dificuldades detetadas". "No entanto, Ministério decidiu manter os exames nacionais de Português e Matemática no 9º de escolaridade, terminando apenas com os exames para os alunos do 6º. Os alunos do 2º e 5º anos irão realizar as provas na última semana de aulas, enquanto os do 8º vão fazê-la depois de as aulas terminarem."

É uma decisão Salomónica.

Veremos durante quanto tempo a vai aceitar o sr. Mário Nogueira.

TUESDAY, JANUARY 12, 2016

OS EFEITOS PRECOCES DA CRISE DA MEIA IDADE DE TIAGO BRANDÃO RODRIGUES

Quando há pouco mais de um mês diagnostei aqui um sintoma da crise da meia idade em Tiago Brandão Rodrigues não esperava que os efeitos começassem a fazer-se sentir tão cedo.  O ministro novo da Educação tinha, à partida,  a vida descomplicada pelos compromissos assumidos no âmbito dos acordos bilaterais que permitiram a nomeação do sr. António Costa como primeiro-ministro. Bastava-lhe despachar em conformidade e acabar com os exames de alunos e professores, o sr. Mário Nogueira ficaria sossegado por uns tempos, e quem não concordasse já teria discordado dos termos dos acordos.

Mas Tiago Brandão Rodrigues, apanhado pela crise da meia idade, não se ficou por aí, recorreu ao Conselho Nacional da Educação para um parecer sobre o assunto, e espalhou-se: o CNE defendeu a manutenção das provas no 6º. e no 9º. ano com peso na classificação final dos alunos e a maioria dos professores ouvidos pelo CNE queria a manutenção dos exames de português e matemática no 4º. ano. 

Colocado entre as exigências do sr. Nogueira e o parecer do CNE, T B Rodrigues optou por uma saída apressada que está a ser generalizadamente criticada por professores, directores de escolas e pais dos alunos. Por um lado, impõe que as alterações tenham efeitos imediatos, a meio do ano escolar, do que, se o sr. Marcelo Rebelo de Sousa não fosse candidato a PR, diria "não lembraria ao careca". Depois, acaba com as provas de avaliação, como mandou Nogueira, mas inventou outras, de aferição, a primeira das quais é realizada logo no 2º. ano de escolaridade. A reforma do ministro anterior foi completamente varrida para entrar em vigor, em passo de corrida, a 15ª alteração em 16 anos dos exames no ensino básico. 

Não é por acaso que Portugal apresenta, vd. aqui, um tempo médio baixo de escolaridade ainda que seja normal o tempo institucionalmente pretendido.

Sunday, June 17, 2018

IMAGENS DE UM PAÍS FELIZ




Conseguimos empatar!

À ESPERA DOS ALARVES


Ontem,
Metro de Lisboa
Entrada na estação Restauradores

Nunca a tinha visto limpa. 
Camadas sobrepostas de borradas davam aquele espaço a sensação de entrada num submundo repelente.
Agora, que a vemos limpa, a pergunta ocorre: Por quanto tempo?
Se a Câmara (ou será o Metro?) não tiverem câmaras de visualização montadas e os agentes organizados para encurralarem os alarves em flagrante delito, dentro de pouco tempo eles voltarão a conspurcar o espaço  que é de todos mas que eles consideram privativo para imporem as suas artes. 

Monday, June 11, 2018

FÉRIAS


- Então deixou de escrever no seu blog?
- Estou em férias sabáticas ... Tive a sensação que não havia assunto que não tivesse abordado, de uma forma ou de outra, mal ou bem, mais do que uma vez.
- Por que não escreve acerca do Sporting, do Bruno Carvalho?
- Falta dizer alguma coisa?