Friday, April 17, 2015

A SORTE DO PROFESSOR NÓVOA

O Prof. Sampaio da Nóvoa  tem um curriculum académico brilhantíssimo na área das ciências da educação.Segundo a Wiki, obteve doutoramentos em Ciências da Educação pela Universidade de Genebra  e em História pela Universidade de Paris IV. Tem-se dedicado a estudos de história da educação e de educação comparada. Professor catedrático do Instituto de Educação da Universidade de Lisboa, leccionou também em diversas universidades estrangeiras, nomeadamente Genebra, Paris V, Wisconsin, Oxford, Columbia (Nova Iorque) e Brasília. É autor de mais de 150 publicações (livros e artigos), publicados em 12 países. Entre 1996 e 1999 foi consultor para a Educação da Casa Civil do Presidente da República, Jorge Sampaio. Entre maio de 2006 e julho de 2013, foi reitor da Universidade de Lisboa.

Há, no entanto, um cargo espinhoso para o exercício do qual nem Mário Soares, nem António Guterres, nem José Sócrates, nem Cavaco Silva, nem Durão Barroso, nem Santana Lopes, nem Passos Coelho se lembraram de o convidar, ou ele declinou o convite: o de Ministro da Educação e Ciência (ou outro dos vários nomes que o Ministério já teve).

Até ao fim deste mês, o Prof. Sampaio da Nóvoa vai anunciar oficialmente a sua candidatura à Presidência da República, rodeado, segundo as notícias, dos três ex-Presidentes da República vivos: Ramalho Eanes, Mário Soares e Jorge Sampaio. Ainda segundo as notícias, que o provável concorrente do outro leque partidário já vaticinou, Sampaio da Nóvoa, com Eanes a seu lado, ocupará uma área partidária que vai da extrema-esquerda a parte do eleitorado do centro indeciso. Ganhará?

Talvez ganhe. 
Mas não perderia, porque nem sequer se candidataria, se alguma vez tivesse assumido responsabilidades ministeriais na área em que é suma autoridade.

6 comments:

Antonio Cristovao said...

O que me lembro(pouco) do reitor da UL é de um político que usava o lugar para tudo menos para fazer educação. Pelos vistos estava errada essa visão pois muitos enaltecem o seu enorme trabalho como reitor.

Rui Fonseca said...



Independentemente do seu trabalho como professor e reitor, o facto de não ter sido chamado a exercer funções governativas na área da educação garantiu-lhe a continuidade de uma áurea que, de outro modo, teria sido destroçada.

aix said...

´...«que, de outro modo, teria sido destroçada»...porquê, Rui?...não poderia ter sido um bom Ministro?...foi meu Diretor na FPCE e, enquanto tal, só posso dizer: um cidadão de 1ª... a maior parte dos que o criticam é por preconceitos...não sabem nada dele!

Rui Fonseca said...


Ora viva o meu Caríssimo Filósofo!

Poderia ser? Não sabemos.
O que sabemos é que todos os Ministros da Educação, sem excepção, foram cilindrados pelos dirigentes da Fenprof, com particular destaque para o senhor Mário Nogueira.

Bem vistas as coisas, o senhor Mário Nogueira tem mandado mais na educação deste país que qualquer ministro da perigosa pasta. Os ministros passam, o senhor Mário Nogueira fica. Há mais de 20 anos! A permanência média dos ministros da educação é a mais baixa dos elencos governamentais. Têm sido escolhidos apenas incapazes?

Por onde andou o Professor Nóvoa, prestigiado especialista em ciências da educação, que ninguém, com voto na matéria, reparou nele e pensou: Ora aqui está o homem que precisamos para endireitar a educação deste país e
amansar o senhor Mário Nogueira?

Poderia ter sido um bom ministro?
Talvez, do teu ou do meu ponto de vista.Mas teria sido também esse o ponto de vista do senhor Mário Nogueira? Ou teria sido destroçado como foram todos os outros?

Refiro-me, obviamente, ao Ministério da Educação e não ao Ministério da Ciência e Tecnologia, quando esta área foi governada, com a maior competência, pelo Professor Mariano Gago. Felizmente para a ciência em Portugal ao senhor Mário Nogueira a ciência diz pouco.

Volta sempre!

aix said...

Caro Rui: obrigado pela resposta mas, em meu entender, exageras sobre o 'peso' que atribuis ao Nogueira...'aliás' o critério mais valorizado pelo 1º Ministro para a pasta não é,seguramente, o das competências pedagógicas...conto-te um facto de que tive conhecimento direto:quando 1º Ministro Cavaco consultou para a pasta da Educação o meu colega de curso e Amigo Prof.Manuel Ferreira Patrício, autoridade incontestada em Pedagogia mas,por razões operacionais(ou talvez políticas) veio a escolher o Prof. Durão, do IST (que 'aliá'só se manteve 1 mês no ministério)...é a velha questão: um Ministro tem de ser um técnico?...pressupores que, por não ter sido escolhido para Ministro da Educação é um handicap para a Presidência da República é uma evidente falácia...creio eu...abç

Rui Fonseca said...


Caríssimo Francisco,

Duas curtas observações:

- Não penso que exagero o peso do senhor Nogueira. A prova disso é a sua longa permanência no cargo em contraste com as curtas permanências dos ministros à frente do ministério da Educação.

- Não disse que o facto do prof. Nóvoa não ter sido ministro constitua um handicap para o desempenho da função da PR. O que eu disse foi que foi sorte dele não ter sido ministro. Se tivesse sido não seria agora candidato à PR.