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Thursday, November 02, 2017

DOS CTT PARA A EDP

                                                     


                                                                O GRANDESSÍSSIMO LACERDA

                           
                                   PARA A EDP


DOS CTT



Sunday, June 26, 2016

ILUSIONISMO*

Vi o programa da RTP por mero acaso.
Acontece que estava programada para as 11 da noite, salvo erro, a transmissão de um filme sobre ilusionismo, e deparei-me com as águas do Tua a correr para a barragem. E vi a reportagem - Mota Engil no Vale do Tua - que motivou este apontamento.

Leio o seu comentário, percebo a ironia, mas não sendo propenso a teorias conspirativas, pareceu-me que as primeiras referências feitas no programa à sua pessoa são elogiosas: conseguiu que a oposição inicial da UNESCO ao prosseguimento da barragem fosse removida.

Só depois é afirmado que "Logo que terminou esta negociação, Seixas da Costa foi contratado por esta empresa do norte e é hoje consultor da Mota Engil para África. Há três meses, o embaixador tornou-se também colaborador de uma das empresas da concessionária da barragem, a EDP Renováveis. Paulo Portas seguiu-lhe o exemplo e é agora consultor da Mota Engil para a América Latina."

Não lhe vou perguntar se o que atrás se afirma é uma verdade ou uma infâmia porque a sua biografia publicada é elucidativa. 
Só não percebo quem é que nas interligações do programa é o reaccionário da sua história castrense.
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* Comentário colocado aqui, e que, talvez por dificuldades técnicas, não mereceu publicação, até agora.

Thursday, June 02, 2016

SEM PREÇO

"O meu salário equivale ao de um defesa direito de um clube do meio da tabela", afirma Mexia.
(O presidente da EDP é um dos gestores mais bem pagos de Portugal. No ano passado levou 1,9 milhões de euros para casa. E este ano pode vir a ganhar 2,6 milhões, mais 36% face a 2015)

Tem sido muito comentada a elevada disparidade entre o salário médio nas empresas cotadas em bolsa e as remunerações dos presidentes executivos das mesmas. Por imposição legal, as remunerações dos gestores das cotadas são públicas e as reacções são quase unânimes: Tais remunerações são escandalosas! 
E talvez sejam. 

Mas não se escandaliza a opinião pública, nem cá dentro nem lá fora, com as verbas pagas aos artistas do ponta pé na bola e outras actividades essencialmente musculares. E aos presidentes dos clubes, e aos "místeres", e aos agentes deles, a toda a trupe, em geral, que arrecadam por temporada vezes sem conta aquilo que um profissional competente no seu ofício conseguirá receber durante toda a sua vida. 
E não só são não se escandaliza como se embasbaca feliz pelas dimensões estratosféricas dos contratos dos seus ídolos. 

A idolatria nunca regateia preços.

Saturday, July 25, 2015

CENTRAL TEJO

Uma tarde com os mais novos no Museu da Electricidade.
Visita (muito bem) guiada à Central Tejo, onde se produzia a electricidade que, a partir de princípios do séc. XX, iluminava Lisboa e arredores e, também, perceber o sofrimento daqueles que trabalhavam no inferno da central, sujeitos a temperaturas que hoje seriam consideradas insuportáveis, obrigados a inalar as poeiras causadas pela remoção das cinzas que os matavam em pouco tempo. 
*****
No mesmo espaço estão em exibição duas exposições:  
1915, o Ano do Orfeu, comemorativa do centenário do movimento vanguardista que viria a provocar a renovação da literatura portuguesa.  
Os documentos, os filmes, e outros materiais expostos, são bem ilustrativos de uma época mas é pouco provável que a grande maioria dos visitantes seja mais tocada nesta exposição pela dimensão da influência de Pessoa, Sá-Carneiro, Almada Negreiros ou Santa-Rita Pintor, do que aquela que lhe atribuiram os seus contemporâneos. 
1915 foi o ano em que aconteceu Orpheu mas, parafraseando Pessoa, houve pouca gente a dar por isso.  
Visitando esta exposição, presumo que acontece o mesmo. 
***
Novos Artistas da Fundação EDP 2015.
Em 2115, 2015 não será o Ano dos Novos Artistas Fundação EDP 2015
* 

Monday, April 29, 2013

DÉFICE, VENDE-SE

 


Uma comunicação curiosa, esta, que retirei daqui

Lisboa, 26 de Abril de 2013:


Nos termos e para os efeitos do disposto no artigo 248.º do Código dos Valores Mobiliários, a EDP – Energias de Portugal, S.A. vem prestar a seguinte informação ao mercado e ao público em geral:
A EDP Serviço Universal, S.A. (“EDP SU”), comercializador de último recurso do sistema eléctrico português, detido a 100% pelo Grupo EDP, acordou hoje a venda de uma parcela de 150 milhões de euros, e respectivos juros, do défice tarifário de 2012.
O défice tarifário de 2012 resultou do diferimento por 5 anos da recuperação do sobrecusto de 2012 com a aquisição de energia aos produtores em regime especial (incluindo os ajustamentos de 2010 e 2011), do qual se encontravam por recuperar, no final de 2012, um montante de 973 milhões de euros.
 
Curiosa, aliás, a vários títulos.
Desde logo porque nunca imaginei que se pudesse vender um défice. Se o défice é vendável, venda-se o défice! Se a EDP pode vender uma parcela do défice, porque não pode o senhor Vítor Gaspar vender uma parte do défice do Estado português? Curiosa também porque a EDP não só vendeu uma parte do défice como os respectivos juros. Ouro sobre azul, Vítor Gaspar, despacha-te!  Curiosa ainda porque a EDP ainda ficará depois desta venda, segundo notícias vindas a público, com um stock, a crescer, de défice de mais de três mil milhões de euros em casa. Curiosa, finalmente, porque a EDP não informa a quem vendeu o défice, embora possamos palpitar quem o terá comprado.
 
Na realidade, a EDP não vendeu défice, a EDP vendeu um crédito. Um comunicado mais transparente - como deveria ter sido este, sobretudo porque envolve eventuais responsabilidades da República Portuguesa, isto é, mais sobrecarga sobre os contribuintes ou sobre os consumidores portugueses - teria informado que uma parte de um eventual crédito sobre o Estado ou sobre fornecimentos futuros de electricidade foi vendido a um terceiro nomeado no comunicado.

Acontece que o défice tarifário - aquele que resulta da diferença negativa entre os valores (políticos) facturados pela EDP e os valores (resultante dos contratos com o Estado) calculados pelo regulador - é registado como proveito nas contas da  EDP mas não como dívida na contabilidade pública do Estado.

Por que é que a EDP vendeu parte deste crédito, contingente, uma vez que tanto pode vir a ser pago pelos contribuintes como pelos consumidores, o comunicado da EDP não informa. Porque precisava do dinheiro ou porque a cedência a um terceiro a liberta de uma eventual pressão política em negociações futuras que possam envolver o assunto? Não sabemos. Podemos imaginar, contudo, que, encontrando-se o tal stock de défice na posse de um terceiro estrangeiro, a EDP possa um dia destes responder a uma proposta do governo português em termos desarmantes:

- O défice? O défice está esgotado. Agora terão de se entender com o chinês.
A diferença entre défice, crédito e dívida nunca terá sido tão subtil como neste caso.







Sunday, March 18, 2012

RENDAS DE MELROS

- .... as supostas rendas da EDP, a existirem, beneficiaram o seu proprietário, o Estado.(igual a conjunto dos contribuintes). O Estado foi o seu accionista a 100 por cento, e, apesar de 7 fases de privatização (a oitava ainda está em curso pois a operação com a CTG ainda não está consumada), ainda é hoje o seu principal accionista, a 25 por cento. O Estado tem vendido ao longo do processo da privatização as suas acções
com base em avaliações da empresa, que integrarão naturalmente nos seus cash-flows, no respectivo horizonte temporal, essas supostas rendas…..Se essas supostas rendas fossem então retiradas ao cash-flow(componente fixa e não aleatória como é da natureza de uma renda) a empresa valeria naturalmente menos…

Então, a anulação súbita dessa supostas rendas, sem contrapartidas, apos a venda das acções pelo próprio Estado, significaria que o próprio Estado(cjto dos contribuintes) teria andado a «vender gato por lebre»...
... Economista tem obrigação de assim concluir…Ou não será assim?

- ... Concluo que não refutas que a EDP é rendeira.

O que afirmas é que as rendas já vêm de longe e que, agora que os chineses acabaram de comprar a posta restante, só lhes faltando pagar o resto do preço (com ou sem dedução na participação nos dividendos?, não sabemos) não é viável dizer aos accionistas, actuais e antigos, que afinal temos de falar acerca das rendas a pagar à EDP.

É isto que está em causa, se não me enganei na  interpretação do que afirmas .

Aliás, o mesmo argumento vale para as Parcerias Público Privadas, cujos detalhes, segundo Avelino de Jesus, se encontram no segredo dos deuses mas foram negados ao Avelino, apesar do apelido.

Os negócios do Estado só não são segredos de Estado quando os tutores em exercício de funções sacam do jus imperii, cortam salários e pensões a alguns, não a todos, aumentam os impostos, a alguns, não a todos. Quanto aos demais credores, o Estado é um cordeiro mais que manso, e os seus tutores sem um jus qualquer à mão de semear para lhe rapar nas rendas.

Percebe-se tudo.

Só discordo quando afirmas que economista tem obrigação de concluir que renda ajustada é renda para ser honrada. Concordo que os advogados dos credores têm essa obrigação profissional. Os economistas, não.

E não, porque Caro E., a mais elementar lei da economia (ou será da física?) é que só paga quem pode. E, desgraçadamente, este país não vai poder honrar todos os compromissos, alguns dos quais secretos, que alguns tutores assumiram em nome dele.

De modo que, salvo melhor opinião, a questão é de tempo: ou as renegociações começam já ou quanto mais tarde menos fôlego haverá para discutir seja o que for. Ainda não há muito tempo a discussão centrava-se nos privilégios dos não transaccionáveis relativamente aos transaccionáveis. Ora, em geral, para estes a factura da energia conta que se farta. Se nada pode ser feito a respeito das rendas, eles, os transaccionáveis, estão feitos. Ou não?

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Cor. - Aqui : La Moncloa forzó que el marido de Cospedal renunciara a Red Eléctrica

Saturday, January 14, 2012

DA MANGA DO CHINÊS

"Não sei como é que Celeste Cardona apareceu na lista"
Oh! Eduardo!
Então isso são maneiras?
Isso é coisa que se diga,
de uma senhora,
antiga
ministra,
administradora,
banqueira,
advogada?

Oh! Eduardo,
pois tu não vês,
que o Chinês
também a tirou da manga? 

Os porquês,
Eduardo,
são assuntos velhos,
mas não são pormenores.

Friday, December 23, 2011

AQUI, MACAU

A secretária de Estado do Tesouro e Finanças, ( ), anunciou ontem que a proposta da Three Gorges, que pagou 2,69 mil milhões por 21,35% da EDP, foi seleccionada por ser “a mais forte em termos globais”. (aqui) Segundo o Expresso de hoje, apenas o ministro das Finanças terá defendido a proposta alemã mas acabando por conformar-se com a decisão final.

A participação chinesa na EDP abrirá, dizem as notícias, outras possibilidades de investimento chinês em Portugal noutras actividades económicas para além do sector energético, nomeadamente na banca.

É bom? É mau?
Os chineses são negociadores duros mas respeitadores dos contratos. Se assumiram compromissos no âmbito desta transacção, cumprem-nos, desde que tenham sido formalmente contraídos. Por outro lado, não são suspeitos de atingirem os seus objectivos corrompendo os representantes do outro lado nos negócios. Escrevo isto e ocorre-me o negócio da compra dos dois submarinos à Alemanha, que não sabemos para que navegam,  com promessas de contrapartidas que não sabemos onde foram parar.

Mas não nos iludamos. A venda de uma participação qualificada na EDP a uma empresa detida por um Estado totalitário onde triunfa um capitalismo protegido de reivindicações sindicais, não é bom sintoma para a democracia nem para o futuro das economias ocidentais, e sobretudo daquelas que, como a portuguesa, têm de confrontar-se em parte muito significativa com a concorrência de milhares de milhões de pessoas ávidas de trabalho mais compensador, sem direitos de expressão nem intenções de reclamar por eles.

As perspectivas amargas que se desenham com a aproximação do novo ano, não vão desanuviar-se significativamente nos anos mais próximos. A globalização, enquanto não forem estabelecidas regras que impeçam que o mundo seja obrigado a alinhar por patamares de rendimentos cada vez mais baixos, continuará a determinar uma concorrência pelo trabalho que só pode levar à sua desvalorização contínua a Ocidente.

Insisto nisto: Como é que os sindicatos portugueses ainda não perceberam (ou não querem perceber) que a defesa dos interesses dos trabalhadores não passa pela reivindicação de situações insustentáveis porque concorrencialmente suicidas?

Sunday, April 11, 2010

A LUZ E OS ILUMINADOS

Segundo o Expresso/Economia deste fim-de-semana, o CEO da EDP embolsou 3,1 milhões de euros em 2009, o que provocou grande alarido mas não provocou mais nada, mas a CEO da EDP Renováveis, uma subsidiária da EDP, arrebatou 2,4 milhões, um pouco menos que o CEO da PT (2,5 milhões), bem acima do quarto magnífico, o CEO da Zon, que se contentou com 1,6 milhões.
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Feitas as contas, a presidência bicéfala da EDP valeu 5,5 milhões, segundo os accionistas que decidem estas coisas, o mais decisivo dos quais, o delegado do governo que, na oportunidade, representou, ou era suposto representar, os interesses do Estado, isto é, dos contribuintes portugueses.
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Representar, neste caso, não significa defender. Quem representa só defende se o defendido tem vontade própria, e o Estado, sendo uma entidade abstracta, não tem capacidade volitiva e os seus interesses são subordinados aos interesses de quem os tutela ou representa. Daí que o argumento de que os valores pagos às presidências das EDPs são indiscutíveis porque foram decididos pelos accionistas não passa de um sofisma, como já tinha anotado aqui.
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A meio da semana que passou, entenderam algumas personalidades conhecidas manifestarem-se contra a política da energia seguida em Portugal sustentada nas energias renováveis, argumentando que é cara, que o sobrecusto é pago pelos contribuintes, que o défice tarifário é mais um dos buracos escondidos da dívida da República, e que continua a crescer clandestinamente, que é tempo de acabar com o tabu do nuclear e fazer contas.
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Há quem (aqui e aqui, por exemplo) critique o manifesto anti-eólico (ou pró-nuclear) mas não têm razão. Independentemente da crítica que possa ser feita a alguns deles de nada terem feito quando tiveram oportunidade para isso, os tabus nunca são recomendáveis. Por outro lado, é um facto indesmentível que o défice tarifário existe e serão, mais tarde ou mais cedo, os contribuintes que o irão pagar. É ainda indesmentível também que as energias renováveis são discretamente subsidiadas à custa dos contribuintes. É também indesmentível que o défice tarifário é receita da EDP sem reconhecimento na dívida pública.
Entretanto, também à custa do défice tarifário e dos subsídios às renováveis, as presidências das EDPs que temos são os gestores melhor remunerados deste País endividado até aos gorgomilos.

Monday, March 16, 2009

ACERCA DA ÉTICA

António Mexia, anunciou há dias, com fanfarra e foguetes, que a empresa a que preside, a EDP, tinha atingido o ano passado resultados record, a ultrapassarem mil milhões de euros. Alguns dias depois, noticiaram os jornais que um membro do Conselho de Supervisão da Empresa, um auditor independente, se tinha demitido das funções naquele Conselho por discordar do modo como haviam sido contabilizadas as mais-valias resultantes do prémio de emissão cobrado no aumento de capital da EDP Renováveis. A empresa considerou como resultados do exercício mais de 400 mil euros, resultantes daquele prémio; o auditor considera que essas mais-valias deveriam ter sido contabilizadas como reservas e não consideradas como lucros. Segundo o critério adoptado, a EDP teve mais de mil milhões de euros de lucros; segundo o critério do auditor teria um pouco mais de 600 mil. Segundo o primeiro critério, a EDP bateu o seu record de resultados; segundo o critério do auditor teria baixado, relativamente ao ano anterior.
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Ambos os critérios são aceitáveis mas o critério do auditor, que vai ser adoptado a partir do próximo ano, é, claramente, mais conservador e, portanto, mais conforme com um dos princípios básicos da contabilidade. Mas mesmo que nada impedisse que, ainda este ano, a administração da EDP adoptasse o critério que lhe permitia maximizar os lucros, o mínimo de ética (para além das obrigações formais que as regras da contabilidade impõem), impunha que António Mexia fosse mais comedido no anúncio da sua performance e tivesse esclarecido que, dos mil e tal milhões, quatrocentos e tal milhões tinham a ver com o prémio de uma emissão de novas acções que, entretanto, cairam desalmadamente na bolsa.
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Quem quis Mexia iludir? Não os grandes accionistas, que estão representados nos conselhos de administração de supervisão, e estavam, portanto, a par destas criatividades contabilísticas, mas os pequenos accionistas e o público em geral, mil e uma vezes ludibriados nestes últimos anos.
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Um tiro que, contudo, lhe deve ter saído pela culatra porque a maioria atribuiu tanto sucesso em tempos de crise ao facto de, por ser um monopólio natural, não ter rédeas de mercado no aumento das tarifas.
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Quando a confiança dos pequenos investidores se encontra arrasada por uma crise que é, antes mais, uma crise de valores morais, esta habilidade da administração da EDP agudiza ainda mais as dúvidas e os boatos acerca de outros estratagemas suspeitos ainda encobertos.