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Tuesday, April 15, 2014

OPINIÃO PÚBLICA HÁ 40 ANOS

A divulgação de alguns resultados de estudo de opinião pública realizado sete meses depois de 25 de Abril de 1974 só terá algum interesse como retrato sociológico meio sumido pelo tempo de uma sociedade há pouco tempo abanada por uma revolta militar que viria a espoletar mudanças políticas, sociais, económicas,  profundas  nos 12 meses seguintes. 

Na impossibilidade de dar a conhecer aqui o conjunto, podendo no entanto ceder para consulta e para fins pertinentes o relatório resumo (489 páginas dactilografadas) transcrevo algumas das conclusões:

" O primeiro ponto importante a referir ... é a existência de uma elevada percentagem de pessoas que não emitiram opinião sobre a quase generalidade dos assuntos focados" "É no campo político que a ausência de respostas mais se faz sentir..."

 " A maior liberdade surge como a mudança mais importante verificada em Portugal, seguindo-se, mas a um nível bastante inferior, a mudança de governo, o fim da guerra do Ultramar ..."

"Metade da população desconhece quem fez o 25 de Abril; por outro lado, o Movimento das Forças Armadas aparece como o seu principal originador na opinião da outra metade, seguindo-se Spínola e Otelo Saraiva de Carvalho, mas colocados em planos nitidamente inferiores"

" As opiniões (sobre uma série de factos considerados resultantes da mudança) são geralmente consideradas positivamente salvo no que respeita à possibilidade do divórcio, que obtem apenas uma pequena maioria de opiniões favoráveis, e ainda no que se refere às greves e à possibilidade de Portugal se tornar um país comunista, onde as opiniões negativas superam as positivas"

"A maioria da população maior de 18 anos admite que o país está numa crise económica, acentuando-se esta convicção nos grupos mais evoluídos"

"As opiniões susceptíveis de localizar a origem desta crise, antes ou depois do 25 de Abril, são contraditórias. Com efeito apenas um por cento mencionam a crise económica como (origem  de) mudança mais importante e inversamente uma maioria pensa que o regime anterior deixou o país de rastos" "Por outro lado, o aumento de salários, que poucos referiram como mudança mais importante, e que a maioria encara favoravelmente como um dos resultados da revolução, é também considerado pela maioria como a causa de muito desemprego e do encerramento de muitas empresas; para cerca de metade da população, o povo ficou pior porque os preços aumentaram mais que os salários, e para cerca de um quarto os países estrangeiros não estão a dar-nos auxílio" 

"Para cerca de metade da população Portugal deveria manter-se no Ultramar se fosse posível acaba com a guerra ... e que para cerca de um terço "saímos de lá nós para utros lhe deitarem o dente ... havendo outro terço para quem a independência só devia ser dada depois do povo ter sido ouvido" 

"A opinião da maior parte da população sobre o modo de governar (do Governo de então) é positiva, apenas uma miniria considera que governa mal. Comparativamente com o governo de Marcelo Caetano também o actual governo é apreciado favoravelmente pela maior parte já que as pessoas que consideram que governa da mesma forma ou governa pior são uma minoria. Aresença de militares no governo é também encarada favoravelmente"

"A maioria refere como resultados positivos do 25 de Abril a libertação dos presos políticos e a prisão dos agentes da PIDE. Metade da opulção não se manifestou quanto ao país junto do qual poderemos agora obter maior auxílio e os que exprimem opinião referem com mais fequência os países da Europa, seguindo-se os americanos e depois os russos"

"Surge destacadamente como primeira figura política nacional Costa Gomes (que cerca de 20% preferem para Presidente da Republica), seguindo-se Mário Soares (preferido por 5%), Vasco Gonçalves e Spínola. Depois, com menor importância e muito próximos uns dos outros, Sá Carneiro, Álvaro Cunhal e Otelo Saraiva de Carvalho. Mais abaixo, Pereira de Moura, Saldanha Sanches e Freitas do Amaral. Por ultimo, Marcelo Caetano e Américo Tomáz."

"A percentagem de favoritismo pelos vários partidos traduziu-se por:

PS  -             23%
PPD -          17%
PCP -            6%
MFA -            3%
MDP/CDE - 1%
CDS -            1%

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*Conduzido pela CEAD - Centro de Estudos de Administração e Desenvolvimento, foi realizado um "Estudo de Opinião Pública" em Dezembro de 1974. O trabalho de campo decorreu entre 5 e 31 de Dezembro de 1974, envolveu entrevistas pessoais directas de 6629 indivíduos seleccionados aleatoriamente, dentre o conjunto de todos os indivíduos de nacionalidade portuguesa, residentes em Portugal Continental, de ambos os sexos e com idade superior a 18 anos.


Sunday, April 22, 2012

MISTÉRIO PÚBLICO

As sondagens à opinião pública valem o que valem, costumam dizer os desiludidos com os resultados delas, e acrescentan que as únicas sondagens que valem são as que resultam das contagens dos votos nos dias em que há eleições. Outros desiludidos dizem que não governam para ou consoante as sondagens mas vão-se sempre ajustando em função delas. 

Os resultados da sondagem publicada este fim-de-semana no Expresso não espantam : Cavaco Silva vê o seu balanço de popularidade com a situação líquida mais baixa de sempre, Seguro ultrapassa Coelho por ligeira diferença, Portas beneficia da discreta exposição às consequências da crise, Jerónimo e Louçã andam por ali, como sempre, entre o nem bom nem mau, não valem um carapau, sem ofensa ao peixe e desculpas pela tosca rima.

O mais interessante, por ser regra, nestas sondagens é a persistente má imagem  pública das instituições  objecto das sondagens que não se submetem ao voto popular. São elas a Assembleia da República (popularidade 1, ligeiramente acima da linha de água), o Governo (-16,7, que pode justificar-se pelas medidas de austeridade), os Juízes (-17,3) e o Ministério Público (-22,2).

A conclusão mais indiscutível desta e das sondagens precedentes é esta: a Justiça continua a perder confiança dos portugueses e ninguém mexe uma palha para inverter este descrédito público que corrói inexoravelmente a democracia e é um dos factores mais determinantes da nossa perda de crescimento económico e social. 

Ainda assim há um aspecto surpreendente na avaliação que os portugueses fazem da Justiça e, em particular, do Ministério Público: Ainda há 17,4% dos inquiridos que dão nota positiva à actuação do MP!
Porquê?
Valeria a pena saber. Como as sondagens não chegam aos fundamentos só podemos especular.

Para muitas pessoas as questões sociais não as motivam a pensar. Por falta de consciência cívica, por desilusão ou até por enjôo, a política e as instituições públicas são-lhes indiferentes ou mesmo repelentes. Não se pronunciam, não discutem, ignoram-nas tanto quanto possível. Quantas, das que responderam ao inquérito, sabe o que é o Ministério Público? Colocados perante a pergunta: Como julga a prestação do Ministério Público, uma parte, que, não vá o Diabo tecê-las, quer estar sempre de bem com todos, diz que sim senhor, é positiva. Porque, convictamente, só os familiares e amigos dos magistrados do MP lhes darão nota positiva e, mesmo assim, am alguns casos deve haver política doméstica de disciplina de voto.

Mas só esse.
Porque como não dependem do voto democrático podem continuar a cair que ninguém os obriga a levantarem-se nem eles fazem por isso. 

Tuesday, September 29, 2009

RESCALDOS

(...) os resultados do PSD de MFLeite estão em linha com o que é a sua votação histórica:
Ano - Votação do PSD
1975 - 26.4
1976 - 24.4
1979 - 25.7
1980 - 27.1
1983 - 27.2
1985 - 29.9
1987 - 50.2
1991 - 50.6
1995 - 34.1
1999 - 32.3
2002 - 40.2
2005 - 28.7

(...) Nos anos de coligações da AD, dividi os votos entre o PSD e o CDS com base nas distribuição de votos que houve nas eleições anteriores à AD.PPS As eleições de 1975 foram para a constituinte.
Comment by LA-C
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Caro Luís,

Insisto, sobretudo para lhe agradecer a atenção que lhe mereceu o meu comentário.

Confirma-se que os maiores partidos têm um “núcleo duro” de militantes e simpatizantes tão fiel como os adeptos da bola. O do PSD andará pelos quase 30%.
Para além deste núcleo duro, os resultados eleitorais são influenciados pelos votos oscilantes. E aí, a capacidade dos líderes do momento provoca a diferença.
Eu nunca me convenci que os resultados das europeias pudessem, de algum modo, replicar-se nas legislativas. São campeonatos diferentes e os líderes também. O confronto Vital Moreira-Paulo Rangel não foi um ensaio geral do Sócrates-Ferreira Leite.*
Sócrates tinha-se submetido (na ordem interna) e tinha sido submetido (pela crise global) a um desgaste que Ferreira Leite não soube (porque não é capaz) aproveitar.
Depois o conjunto de casos desfez o resto das ilusões.
O modelo que utilizaram não conta nem poderia contar (porque não é, nem pretende ser, um exercício de adivinhação) com estes imprevistos.
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*Vital Moreira classifica hoje no Causa Nossa os vencedores e vencidos das legislativas de Domingo passado. Obviamente, o PS é para Vital Moreira o grande vencedor:" Desde Junho, com a derrota nas eleições europeias, até há pouco tempo, ninguém ousaria dar por segura uma vitória eleitoral do PS, ainda por cima com uma margem tão expressiva como a que conseguiu. Um feito!"
Vital Moreira parece esquecer, no entanto, que foi ele o grande responsável pela queda do PS nas europeias e que a diferença maior entre as duas eleições esteve entre os seus principais protagonistas: Vital Moreira e Paulo Rangel, por um lado e J Sócrates e MFleite, por outro.
A votação do PS nas autárquicas foi quase tão abalada negativamente pela intervenção de VMoreira quanto a do PSD o foi pela de MFLeite.

Sunday, September 27, 2009

HÁ 35 ANOS




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Entre Abril e Dezembro de 1974 os acontecimentos políticos sucederam-se em catadupa. A implantação do Estado Democrático foi acidentada e só viria a ter alguma serenidade democrática a partir da contenção do golpe de 25 de Novembro de 1975 e das eleições de 26 de Abril para a Assembleia da República em 25 de Abril de 1976.
Os resultados para a Assembleia Constituinte (25/4/1975) e para a 1ª. Legislatura da AR (25/4/1976) reflectem a inflexão produzida por um ano de radicalismos, iniciado com o golpe de Março de 75, que favoreceu o PCP, por um lado, e o CDS, por outro.
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PS - Const.- 37,87% -116 deputados; AR- 34,97% - 106 deputados
PPD - 26,39% - 81; 24,02%- 71
PCP - 12,46% - 30 ;14,56% - 40
CDS - 7,61% - 16 ;15,91% - 41
MDP - 4,14% - 5 ;
UDP - 0,79% - 1 ;1,69% - 1
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Já uma sondagem feita entre 5 e 31 de Dezembro de 1974, e que incluía uma inquirição acerca das intenções de voto (provavelmente uma das primeiras, se não a primeira a realizar-se em Portugal), apresentava os resultados seguintes:
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PS - 45,1%;PPD - 33,3%;PCP - 11,8%;MFA - 5,9%;MDP/CDE - 2%;CDS - 2%
Responderam 51% dos inquiridos pelo que os valores apresentados resultam da extrapolação linear dos resultados das respostas. O estudo foi conduzido por entrvistas pessoais e directas junto de uma amostra de 6629 indivíduos, seleccionados aleatoriamente, de ambos os sexos, maiores de 18 anos
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Se compararmos estes valores com os observados nas últimas eleições legislativas (Fevereiro de 2005):
PS - 45,03%; PSD - 28,77%; PCP - 7,54%; CDS - 7,24%; BE - 6,35%,
é curiosa a similitude dos resultados, e é notório que, volvidos 35 anos, a direita, segundo o entendimento generalizado do conceito, não conseguiu impor-se de forma sustentada acima da fasquia dos 40%. A ultrapassagem feita por C Silva não teve antecedentes nem voltou a repetir-se.
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E hoje, tudo leva a crer, também não. Entre uma direita que não se afirma e uma esquerda extremada que se alimenta do desespero dos mais atingidos pela quase estagnação em que o país mergulhou há uma década, e com a qual não se pode contar para um programa de governo do país consentâneo com a sua condição de membro da União Europeia, há um bloco central que foi sempre fortemente maioritário mas raramente colocou os interesses do país acima dos interesses partidários.
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Assim, quaisquer que sejam os resultados de hoje, não se muda de vida.

Saturday, September 26, 2009

SONDAGENS E COMBUSTÍVEIS

Há dias coloquei aqui a hipótese de haver um efeito "rebanho" que justifica o alinhamento das sondagens publicadas das intenções de voto, procurando, deste modo, uma explicação palusível para o erro que todas, sem excepção, cometeram nas sondagens para as europeias.
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Ontem, durante um programa da Sic notícias em que a questão da fiabilidade das sondagens era discutida, ouvi a um dos intervenientes comparar o alinhamento das sondagens com o alinhamento dos valores dos combustíveis anunciados com 8 quilómetros de antecedência nas autoestradas. Também já me tinha ocorrido a ideia.
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Os distribuidores de combustíveis poderão garantir que nenhum acordo existe entre eles para um alinhamento tão notório mas a ninguém passa despercebido, e provavelmente à Autoridade da Concorrência também não, que nenhum acordo explícito é necessário para que o "cartel" exista. Referi-me, aliás, a esta questão nos comentários que anotei neste caderno quando a questão dos preços dos combustíveis mobilizou a opinião pública.
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Do mesmo modo, é suspeito o alinhamento quase perfeito dos resultados das sondagens publicadas. As razões são, obviamente, diferentes daquelas que provocam o alinhamento dos preços dos combustíveis. Mas, na origem, está em ambos os casos a mesma razão: a dos custos das diferenças.
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Se amanhã o PSD ganhar as eleições (hipótese provável, segunda as sondagens, há uma semana, mas altamente improvável desde anteontem) ou o PS vencer com maioria absoluta (hipótese altamente improvável, segundo as sondagens, há uma semana, mas com alguma probabilidade desde anteontem, ainda que não geralmente admitida) as sondagens, novamente alinhadas erram, outra vez, todas. Em qualquer caso, serão ou todas ganhadoras ou nenhuma perdedora. Como as gasolineiras.

Thursday, September 24, 2009

CONVERSAS AO ALMOÇO - 2

- E tu, em quem votas?
- Estava a pensar votar no Jerónimo mas talvez vote no Portas.

CONVERSAS AO ALMOÇO

- Não, eu não gosto da personagem, pela sua trajectória enquanto indivíduo. Mas valorizo grande parte da sua intervenção como político. De modo que, como tudo leva a crer, o PS ganhará as eleições, com ou sem maioria absoluta, sou tentado a votar PS para evitar que, em caso de maioria relativa, o PS seja obrigado a fazer acordos com o BE ou o PCP.
- Disparate. A única coligação que faz sentido é o Bloco Central. O país está numa situação que exige um governo de salvação nacional. Além disso estou convencido que o PSD vai fazer um bom resultado.
- O PS vai ganhar com maioria absoluta, porque as pessoas votam em função da defesa do seus interesses, e o PS é o partido que pode garantir a estabilidade necessária.
- Poi eu voto na Manela. Votei PS uma vez na vida, no Guterres, e fiquei vacinado. Eu nunca daria o meu voto a um tipo que tem tanta porcaria à volta. Do mesmo modo que nunca votaria Isaltino, Valentim Loureiro ou Fátima Felgueiras. Não, acima de tudo prezo a honestidade.
- Também voto na Manela. Pelo menos ela não vai fazer os disparates que este promete fazer, estando o país de tanga.
- Este também não fará tantos. Custam dinheiro e o país está teso.
- Mas tem o PSD algumas possibilidades de sair vencedor?
- Não tem.
- Não tem.
- Também acho que não.
- Nesse caso, teremos um PS coagido pelo BE, ou pelo PCP.
- É a situação ideal. Durará dois anos, se tanto. E aí o PSD terá todas as hipóteses. Não com a Manela, está visto.
- Com quem, então?
- Não sei.
- Eu penso que, apesar de tudo, este Governo tem algum mérito. Na educação, por exemplo.
- A educação foi um desastre completo.
- Mas encerrou as escolas com um número reduzido de alunos...
- Aí esteve bem.
- Prolongou o número de horas de presença na escola, adoptou as aulas de substituição, introduziu o inglês...
- Aí também esteve bem.
- Introduziu a avaliação de desempenho...
- Um desastre completo.
- Mal implementado, talvez. Mas necessário.
- A ministra dizia há dias que há mais magalhães para distribuir mas isso só acontecerá se o próximo governo for um governo PS.
- É chantagem.
- Não há dúvida.
...
...
...
- Vamos aos prognósticos. A maioria mais perdedora paga o almoço da minoria mais ganhadora.
- PS - 39%, PSD - 33%, BE - 12%, PCP - 8%, CDS - 8%, Abstenção - 30%
- PS - 43%, PSD - 32%, BE - 11%, PCP - 7%, CDS - 7%, Abt - 30%
- PS - 39%, PSD - 32%, BE - 10%, PCP - 9%, CDS - 7%, Abt - 40%
- PS - 36%, PSD - 33%, BE - 11%, PCP - 9%, CDS - 6%, Abt - 42%
- PS - 36%, PSD - 35%, BE - 10%, PCP - 9%, CDS - 8%, Abt - 40%
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- PS - 38%, PSD-29,9%,BE-9,4%,PCP-8,4%,CDS-7,7%, Abt-

Wednesday, September 23, 2009

SONDAGENS

Não, não vou comentar sondagens. Recuso-me. Há muita gente a fazê-lo com muito mais conhecimento de causa do que eu. Também não vou comentar a sua congénita falibilidade, nem a sua interferência nas decisões de voto dos eleitores.
Se pego no tema é por uma razão que não vi avançada em parte alguma.
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Muito se tem comentado acerca do falhanço total das sondagens às intenções de voto para as eleições europeias. E continuo com uma dúvida. Essa dúvida é a única razão deste apontamento que, aliás, coloquei à consideração de uma autoridade na matéria.
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Se os resultados de uma sondagem para publicação fossem completamente desfasados dos anunciados por outros que faria o responsável da sondagem tresmalhada? Imagino que mandava rever as contas, os procedimentos, as regras. Assuma-se que tudo, afinal, estava conforme salvo os resultados que persistiam "estranhos". Que fazia o responsável por esta sondagem espúria? Publicava-a correndo o risco de ser considerado um "fora de série", se acertasse, mas posto porta fora se flagrantemente errasse?
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Geralmente, as pessoas entre o risco de um prémio transitório e uma penalização definitiva preferem não abandonar o rebanho. Aconteceu isso durante as sondagens às intenções de voto nas europeias?
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Não sei. Mas se houve um factor "errático" que torpedeou as sondagens é no mínimo estranho que nenhuma sondagem tenha tropeçado nele.
Penso que alguém tropeçou. Mas massajou os valores e incorporou-se no rebanho. E calou-se.

Wednesday, January 16, 2008

ARITMÉTICA

O BE decidiu-se por uma moção de desconfiança ao Governo. Está no seu direito mas ninguém vai passar a desconfiar mais nem menos depois do evento.
O BE queria um referendo para ter ribalta. Como o Governo não lhe faz a vontade, nem a vários outros espíritos inquietos, entendeu levar a mentira de Sócrates a julgamento do parlamento. Mas, a serem verdadeiras as conclusões que há dias aqui transcrevi acerca do charme da mentira, o tiro do BE vai sair-lhe pela culatra e aumentará ainda mais a popularidade de Sócrates.
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Dando por adquirido que Sócrates prometeu o referendo e agora o recusa, a sua inversão de marcha (a sua mentira, se quiserem) é boa ou má? Devo criticá-lo ou bater palmas?
Eu bato palmas.
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Votei em Sócrates para não votar em Santana. Qualquer outro voto está fora do meu espectro de opções políticas. Quando votei em Sócrates não votei nele por que ele prometeu o referendo, nem deixei de votar nele por causa dessa promessa. Mas era e sou convictamente contra o referendo a tratados por ver neles um instrumento perigoso de populismo e de demagogia.
Se Sócrates prometeu e não cumpre, neste caso, coerentemente, bato palmas.
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Quantos estarão no meu caso? A julgar pela participação em referendos anteriores (regionalização e aborto) o interesse dos eleitores portugueses é baixo, ficou sempre aquem dos 50%. Daqueles que votaram em Sócrates, quantos fizeram da promessa de referendo a principal razão para votar nele? 5%, 10%, 20%?!!!
Admitamos 20%. Contas feitas, no máximo 10% estarão desiludidos com a promessa não cumprida. Dos restantes 90%, grande parte não achará o assunto suficientemente relevante, muitos, como eu, aplaudem.
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Não é por aí que Sócrates baixará nas sondagens. Prevejo que subirá.