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Saturday, February 26, 2011

O QUE HÁ CÁ

A afirmação feita ontem por Campos e Cunha durante a primeira conferência do Ciclo de Conferências promovido pelo DN, Sedes e CGD, é incontroversa porque reflete o sentimento dos portugueses traduzido nas sondagens de opinião, sustentadamente lisongeiras  para tantas falhas do governo.

Prever 2011 foi o exercício a que se propôs Luís Campos e Cunha, na primeira conferência, de um ciclo de seis, organizada pela SEDES/DN/CGD. O professor apontou a falta de credibilidade do sistema político português como um dos entraves à saída para a crise. Não poupou nenhum dos dois grandes partidos, uma posição comum a todos os comentadores presentes. Quanto à situação económica e à sua resolução, o professor traça dois cenários, alertando para o risco de uma forte recessão se o sector bancário deixar de poder financiar-se.

A falta de credibilidade dos partidos da oposição, em que o PSD se inclui, é um dos problemas apontados por Campos e Cunha para as dificuldades que Portugal enfrenta na recuperação da crise. "Este Governo [do PS] é mais responsável porque foi o que liderou o País nos últimos seis anos", defende o presidente da SEDES (Associação para o Desenvolvimento Económico e Social), que ontem deu início ao ciclo de seis conferências comemorativas dos 40 anos da instituição, alertando que "o PSD, assim como os partidos da oposição, ainda têm um problema de credibilidade".

Prova disso, segundo Campos e Cunha - que aponta uma sondagem recente sobre sentido de voto dos portugueses e em que o PSD surge com vantagem -, está o facto de mais de 50% dos portugueses não terem respondido. "No dia-a-dia das pessoas há uma perplexidade que leva a um problema de credibilidade na representatividade", reforça o antigo ministro das Finanças de José Sócrates.

Para que um governo PSD fosse capaz de refundar Portugal, teria de fazer a "separação das águas", defendeu Campos e Cunha, apontando para os sectores público e privado, uma vez que, disse: "este Governo tem caído na tentação de gerir, interferir e governamentalizar empresas onde não era suposto", referindo-se a casos como os da PT ou a da Caixa Geral de Depósitos. Além de o Governo dever "ser minoritário" nestas empresas privadas, as mesmas deviam ser claras quanto "a subsídios, inserções ou adjudicações directas concedidas", por forma a "evitar suspeitas", contribuindo-se assim para a "credibilização".

Não assisti à conferência, da intervenção de Campos e Cunha conheço apenas o relato do DN. Parece, no entanto, depreender-se da comunicação de CC que as conclusões do conferente apoiadas pela assistência não suscitaram, também elas, caminhos que possam conduzir à emergência da credibilidade política que o País precisa. 

Porque o fioco não é grande coisa, não senhor, mas é o que há cá. Como e onde  é que se arranja outro? Campos e Cunha não disse.   

Sunday, January 24, 2010

OLHAR PARA TRÁS

Caro Vítor Bento,
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Vale a pena, agora, olhar para trás? Se, (como,não sei) abandonássemos o euro agora, resolveríamos algum dos nosso problemas mais críticos de forma sustentada?
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Aliás, nunca entendi como poderia existir uma União Europeia sem uma moeda única. Há membros que não aderiram, é verdade. Mas as excepções não têm, por enquanto, colocado a questão da guerra da competitividade monetária entre os seus membros.
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Quanto teríamos de desvalorizar para competir com chineses e etc., nos sectores de actividade de baixa tecnologia, aqueles onde os problemas são mais agudos? 30%? 40%? 50%?.
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Estaríamos melhor fora do Euro? Estaríamos menos endividados? Não creio.
Trabalhei durante muitos anos num sector que tem de competir globalmente, e quando digo globalmente digo em todo o mundo, e não senti, antes pelo contrário, que o euro fosse um obtáculo. Curiosamente, foi depois da entrada no euro que o grupo ganhou mais estabilidade (e reforço) de resultados.
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A insistência com que vejo ultimamente referida a possibilidade da saída do euro parece-me extremamente negativa, (perigosa). A fuga em frente geralmente dá maus resultados. A fuga atrás pode ser uma tragédia. Sair do euro, presumo, equivaleria a sair da UE. A sair da Europa, no fim de contas. Sair de onde estivemos séculos arredados com as consequências que se conhecem
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AQUÉM DA DÍVIDA

A Sedes tomou, mais uma vez, uma posição, com uma afirmação central: "o endividamento do Estado é o problema económico mais grave (do País)". Há quase dois anos, a Sedes já tinha tomado uma posição (aqui), com uma abrangência de causas muito mais alargada. Comentei, então, aqui, aqui, aqui e aqui. Relendo o que anotei há dois anos neste caderno de apontamentos, continuo a pensar que nos sobram comentadores e escasseiam fazedores: políticos e empresários. E o problema económico mais grave é esse mesmo: o das circunstâncias propiciarem que o conforto choque ninhadas de quem diga o que deve ser feito e sejam avessas ao aparecimento de quem seja capaz de fazer. Depois alertam os comentadores da incompetência dos políticos em geral e da geral impreparação dos empresários, e o País, entretido a comentar muito e a produzir pouco, endivida-se.
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O endividamento do Estado é um problema gravíssimo, não há dúvida. Mas, se por obra e graça do Espírito Santo, parte da dívida fosse perdoada (como, não interessa, por agora) ficava o problema resolvido? Não ficava.
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Como tem sido insistentemente referido, e muito particularmente por Vítor Bento no mesmo site da Sedes, a raíz do nosso descontentamento está nas circunstâncias que propiciam o desvio excessivo de recursos para actividades económicas protegidas da concorrência (não transaccionáveis).
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Como é que se altera esta situação perversa, como é que se mudam os factores de favorecimento das causas para se obterem resultados diferentes? Com discursos? Gritando "vem aí o lobo!"?
A história ensina que, geralmente, só acredita no lobo quem já tem o lobo em cima. Os desempregados, acreditam. Infelizmente, há, cada dia que passa, mais gente forçada a acreditar.
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Dizendo isto quero dizer o que sempre tenho dito: Não acredito que um governo minoritário monopartidário tome as medidas que alterem as circunstâncias que fomentam os principais problemas com que o País se debate. Tivemos prova disso durante a anterior legislatura: O governo dispunha de maioria absoluta, a crise global ainda não tinha despoletado, o PM era determinado (obstinado, teimoso, etc, cada qual escolha o que entender). Mas determinado só até ao ponto em que percebeu que a tomada de medidas impopulares, que atacavam muitos interesses instalados, lhe queimavam as hipóteses de renovação de mandato. E encolheu-se em muitos casos a meio caminho. Noutros, como no caso da educação, acabou por se encolher recentemente. A dívida encarregar-se-á do o conter nos seus projectos desmesurados para os recursos que dispomos.
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É assim, forçosamente, a democracia? O resultado de um confronto partidário interminável? Não creio. A democracia faz-se de confrontos e consensos. Quem deve promover o consenso à volta dos grandes objectivos nacionais? É esse o problema que tem de ser prioritariamente resolvido.

Saturday, February 23, 2008

ABRE-TE AMÊIJOA! - 2

"Mas onde quer Meu Amigo chegar com essa evocação poética?"
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Caro Tavares Moreira,
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A evocação poética chegou-me, por acaso, como lhe disse numa pesquisa Google: os homónimos aparecem no mesmo ramo, como sabe. Eu, que não conheço este fado da Mariza, achei interessante a coincidência: "A Tomada de Posição" da Sedes tem muito de fatalista. E de catastrofista, também. Aliás, o meu Amigo, também tempera este ponto.
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Que diz mais "A Tomada de Posição" da Sedes além de clamar que vem aí o fim do mundo? Basicamente, repete o que toda a gente anda por aí a dizer sem nada fazer:
Que as desigualdades sociais são cada vez mais gritantes em Portugal;
Que somos governados por um trupe que não larga o palco nem ouve os espectadores.
E que, para evitar o fim do mundo, essa trupe que governa o Estado deve abrir-se à sociedade civil.
E que a Sedes está disponível para colaborar.
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Ora eu que sou, nitidamente, politicamente ingénuo, acho esta disponibilidade de uma aparente ingenuidade difícil de entender.
Alguma vez os detentores do poder abriram alas e deixaram passar para entre eles os aborígenes, mesmo os mais qualificados?
Nem nos clubes recreativos.
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De modo que, onde eu quero chegar, é que não encontro na Tomada de Posição da Sedes senão lamentos e nenhuma proposta. Que os partidos políticos o façam, não aceito mas compreendo-lhes a estratégia; mas a sociedade civil, onde a Sedes é um marco muito reconhecido, porque é que não toma posições e fica-se, a este respeito, pelo título?

ABRE-TE AMÊIJOA!

Ainda a propósito da Tomada de Posição da Sedes

Caro T.M.,:

Li a "Tomada de Posição" da Sedes e, que me desculpem os seus sócios e adeptos, com todo o respeito que merecem, a posição parece-me a de um amante de amêijoas a tentar convencer uma a abrir-se, usando o instrumento verbal:
"Abre-te amêijoa!"
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Ora não é assim que se abrem as amêijoas! As ameijoas abrem-se pondo-as na panela, creio eu.
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É assim, mais ou menos, a inoperância da tomada de posição da Sedes:"Em geral o Estado, a esfera formal onde se forma a decisão e se gerem os negócios do país, tem de abrir urgentemente canais para escutar a sociedade civil e os cidadãos em geral."
E como é que isso se faz?
Quem é que consegue abrir a amêijoa desta forma?
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Ocorre-me ainda, a este propósito, aquela tomada de posição do "Mal Amado", salvo erro:
Deixemo-nos de considerandos e vamos aos principalmente!"
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O problema da Sedes, o nosso problema, é não passarmos, frequentemente, dos considerandos.

Friday, February 22, 2008

SEDES FADISTAS

No portal da Sedes foi ontem colocada Tomada de posição de Fevereiro de 2008, que termina com um
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APELO DA SEDES

O mal-estar e a degradação da confiança, a espiral descendente em que o regime parece ter mergulhado, têm como consequência inevitável o seu bloqueamento. E se essa espiral descendente continuar, emergirá, mais cedo ou mais tarde, uma crise social de contornos difíceis de prever.

A sociedade civil pode e deve participar no desbloqueamento da eficácia do regime – para o que será necessário que este se lhe abra mais do que tem feito até aqui –, mas ele só pode partir dos seus dois pólos de poder: os partidos, com a sua emanação fundamental que é o Parlamento, e o Presidente da República.

As últimas eleições para a Câmara de Lisboa mostraram a existência de uma significativa dissociação entre os eleitores e os partidos. E uma sondagem recente deu conta de que os políticos – grupo a que se associa quase por metonímia “os partidos” – são a classe em que os portugueses menos confiam.

Este estado de coisas deve preocupar todos aqueles que se empenham verdadeiramente na coisa pública e que não podem continuar indiferentes perante a crescente dissociação entre o conceito de “res pública” e o de intervenção política!

A regeneração é necessária e tem de começar nos próprios partidos políticos, fulcro de um regime democrático representativo. Abrir-se à sociedade, promover princípios éticos de decência na vida política e na sociedade em geral, desenvolver processos de selecção que permitam atrair competências e afastar oportunismos, são parte essencial da necessária regeneração.

Os partidos estão na base da formação das políticas públicas que determinam a organização da sociedade portuguesa. Na Assembleia ou no Governo exercem um mandato ratificado pelos cidadãos, e têm a obrigação de prestar contas de forma permanente sobre o modo como o exercem.

Em geral o Estado, a esfera formal onde se forma a decisão e se gerem os negócios do país, tem de abrir urgentemente canais para escutar a sociedade civil e os cidadãos em geral. Deve fazê-lo de forma clara, transparente e, sobretudo, escrutinável. Os portugueses têm de poder entender as razões que presidem à formação das políticas públicas que lhes dizem respeito.

A SEDES está naturalmente disponível para alimentar esses canais e frequentar as esferas de reflexão e diálogo que forem efectiva e produtivamente activadas.

Sedes, 21 de Fevereiro de 2008

O Conselho Coordenador
(Vitor Bento (Presidente), M. Alves Monteiro, Luís Barata, L. Campos e Cunha, J. Ferreira do Amaral, Henrique Neto, F. Ribeiro Mendes, Paulo Sande, Amílcar Theias
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Lê-se, e não se percebem as intenções deste clamor. Aos considerandos, gastos de tanto repetidos, segue-se um remate redondo e inconsequente.
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Dando por adquirido que "o mal-estar e a degradação da confiança, a espiral descendente em que o regime parece ter mergulhado, têm como consequência inevitável o seu bloqueamento", o que propõe a Sedes para evitar a entrada do lobo no povoado?
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Redondamente, a resposta da Sedes fica-se por recomendar em abstracto que: "Em geral o Estado, a esfera formal onde se forma a decisão e se gerem os negócios do país, tem de abrir urgentemente canais para escutar a sociedade civil e os cidadãos em geral. Deve fazê-lo de forma clara, transparente e, sobretudo, escrutinável."
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Convenhamos que é pouco, para não dizer que é nada. É um fado já mil vezes cantado em lugares esconsos e sombrios, em sítios selectos, em arenas para milhões ouvirem. Mas não passa daí. Ouve-se, ficamos com a alma ainda mais atormentada, respiramos fundo para descomprimir e ouvir o próximo e igual fado.
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Muito concretamente, somos um país de fadistas.

FADO DAS SEDES

Ouvi na rádio, esta manhã, que a Sedes tinha colocado no seu portal um documento alertando que vem aí o lobo. Na tentativa de entrar no tal portal, deparei-me com um site onde se publicam letras de canções. E foi assim que encontrei o Fado das Sedes, cantado por Mariza, segundo o site. Que, sendo cantado por Mariza, aqui se deixa registado, por ter pelo menos tanto merecimento quanto o daquele que é cantado pelo sr. Henrique Neto & Companhia, e se publica, parcialmente, a seguir.
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Há muito que tenho sede
Sede que me faz gritar
A esmola da gota dágua
Que ninguém tem pra me dar
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Há em mim sedes de agosto
Da água que não correu
Das flores que secam nos vales
Sede que a sede me deu
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Tenho as sedes das searas
E das crianças sem mãe
Tenho sede, tanta sede
Da água que nunca vem
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Eu tenho a sede das fontes
Que correm para ninguém
Tenho sede de outras sedes
Da sede que a sede tem